A vida de Juju no Rio de Janeiro consolidara-se num ciclo de poder e frustração que Joaquim, na sua antiga existência cinzenta e burocrática, jamais conseguiria processar ou sequer imaginar. Durante o dia, ela era a "Doutora do Shape", uma autoridade científica cujas palavras sobre bioquímica, metabolismo e endocrinologia eram respeitadas apenas enquanto servissem para vender colágeno hidrolisado de alta performance ou otimizar o ganho de massa magra de celebridades, modelos e empresários ansiosos por juventude eterna. Juju aprendera, com uma rapidez cínica e melancólica, a usar a sedução como uma ferramenta de oratória indispensável: ela percebeu precocemente que a sua inteligência de génio era um comprimido amargo que os homens — e até muitas mulheres — só aceitavam se fosse dissolvido em doses cavalares de desejo e carisma estético.
Assim, ela refinara uma performance de poder: inclinava-se levemente sobre a mesa de reuniões de carvalho maciço para que o decote do seu vestido Versace enfatizasse um argumento técnico sobre a síntese proteica em ambiente de stress oxidativo, ou humedecia os lábios de forma lenta e deliberada antes de refutar, com lógica implacável, a tese de um investidor bilionário. Se o mundo exigia que a sabedoria viesse embalada em luxúria e ostentação, ela entregava o pacote completo com uma maestria teatral, tornando-se a mestre das aparências. Contudo, o vazio deixado pela falta de uma conexão puramente intelectual — daquelas conversas profundas e desinteressadas que Joaquim saboreava durante horas nos seus sebos favoritos em Curitiba — permanecia como uma sombra persistente, fria e silenciosa sob o sol abrasador e ruidoso da Barra da Tijuca.
Numa noite de terça-feira, o calor no Rio estava especialmente denso, uma massa de ar tropical e húmida que parecia vibrar contra a pele como uma entidade viva e exigente. Inquieta, sentindo a sua mente de génio a fervilhar com conceitos de existencialismo, fenomenologia e a angústia da escolha que ninguém no seu novo círculo social de modelos e "bodybuilders" queria sequer ouvir, Juju decidiu perambular pelos jardins internos do seu condomínio de luxo, um oásis de palmeiras e mármore. Ela saíra sem grandes produções, sem maquilhagem e com os cabelos loiros soltos ao vento, mas a sua versão "básica" era, para qualquer mortal, uma visão avassaladora e quase insuportável de tão perfeita.
Usava apenas a parte de cima de um biquíni preto de cortininha, que lutava bravamente contra a gravidade para conter o volume e a firmeza dos seus seios monumentais, e um short de corrida preto com fendas laterais totais que subiam até à cintura. Para ganhar ainda mais liberdade de movimento e sentir a brisa noturna na pele canela, ela prendera as pontas da frente do short na borracha elástica da cintura; desta forma, as suas pernas — densas, definidas por uma musculatura funcional e profundamente bronzeadas — estavam completamente à mostra até ao início da curva do quadril, revelando uma força escultural que parecia brilhar sob a iluminação indireta do jardim.
Foi perto do lago artificial, onde o som da água caindo tentava camuflar o ruído da cidade, que ela o viu. Sentado num banco de pedra isolado, alheio à humidade sufocante e ao luxo ostensivo que o rodeava, estava um rapaz que parecia pertencer a um plano existencial completamente diferente. Era jovem, aparentava ter a idade dela ou ser talvez um pouco mais novo, de ascendência oriental, com a pele de um branco ebúrneo e quase translúcido que contrastava dramaticamente com os cabelos negros, lisos e cortados de forma despojada. Nos seus olhos escuros, profundos como poços de tinta da China, não havia a cobiça predatória e simplória que Juju estava habituada a receber; havia foco, silêncio e uma melancolia culta que a paralisou. Ele segurava um exemplar gasto, com as páginas amareladas pelo tempo e marcadas por anotações à margem, de O Idiota, de Dostoiévski.
Juju parou a poucos metros, o coração a dar um salto que não era fruto da vaidade, mas de um puro e cru reconhecimento de alma. — O Príncipe Mishkin teria dificuldades terríveis em sobreviver ao cinismo e à velocidade do Rio de Janeiro — disse ela, a sua voz de veludo e seda quebrando o silêncio da noite com uma autoridade literária que o rapaz claramente não esperava.
O rapaz levantou os olhos, sobressaltado por ter sido arrancado da Rússia do século XIX. Ele encarou a figura surreal diante de si: uma mulher que parecia uma deusa pagã ou uma força da natureza personificada, com quase toda a pele à mostra sob o luar, o suor a brilhar como diamantes nas curvas do abdómen e seios que pareciam desafiar as leis da física e da decência. Ele corou levemente, uma timidez intelectual e genuína que era uma relíquia rara de se ver. — Ele era demasiado bom para qualquer lugar, eu acho — respondeu ele, com uma voz calma e surpreendentemente firme após o choque inicial. — Mas aqui, entre o asfalto quente e o salitre do mar, a sua "idiotez" seria confundida com fraqueza num segundo. O Rio não perdoa a pureza nem a falta de malícia.
A conexão foi instantânea, como se dois fios de alta tensão tivessem finalmente encontrado o seu par após anos de isolamento. O que começou como um comentário casual sobre literatura russa transformou-se numa conversa torrencial que ignorou o passar das horas e o calor da noite. Juju esqueceu-se da sua imagem de marca, da sua fama digital e do seu "shape" milimétrico. Pela primeira vez em meses de existência como Juju, ela era ouvida. Falaram sobre a dualidade abismal da alma humana em Irmãos Karamazov, sobre a angústia febril de Raskólnikov e sobre a famosa frase de que a beleza salvaria o mundo — mas discutiram-na com a profundidade de quem sabia que a beleza é um fardo pesado, uma responsabilidade metafísica, e não apenas uma foto de biquíni com filtros e ângulos estudados.
Ele chamava-se Kenji, era um "nerd" assumido no sentido mais puro e erudito da palavra, estudante de doutoramento em astrofísica, e falava sobre o colapso de estrelas e a curvatura do espaço-tempo com uma paixão que incendiava a mente de génio de Juju. Kenji não fazia a mínima ideia de que ela era a "Juju do Fitness" com dez milhões de seguidores; para ele, na penumbra do jardim, ela era apenas uma mulher extraordinariamente inteligente, capaz de citar Nietzsche e explicar os princípios da termodinâmica enquanto exibia o corpo mais perturbadoramente belo que ele já vira. Eles falaram sem parar, mergulhados em questões filosóficas que Juju guardava a sete chaves dentro da sua mente, explorando as implicações morais do niilismo e a beleza matemática do caos.
Já passava significativamente da meia-noite quando Kenji olhou para o relógio, parecendo subitamente relutante em quebrar o encanto daquela conexão. — Eu... eu realmente preciso de subir. Tenho uma simulação complexa de colapso estelar para correr no cluster da universidade logo de manhã — disse ele, levantando-se e limpando o pó das calças. — Qual é o teu nome? Eu sou o Kenji, moro no bloco C.
Juju sorriu, um sorriso genuíno que nasceu nos olhos e que não tinha ponta de marketing. — Julia. O meu nome é Julia — respondeu ela, resgatando a identidade que o mundo parecia ter substituído pela marca comercial.
Ela pediu o telefone dele e mandou um "Oi" imediato para o seu próprio número. — Podemos continuar daqui, Kenji. Dostoiévski ainda tem muito para nos ensinar sobre a nossa própria escuridão e sobre como as estrelas morrem para que nós possamos existir.
Os dias seguintes foram uma tortura doce de antecipação e mensagens trocadas em horários improváveis. Eles discutiam buracos negros, a estética do sofrimento e a biologia da paixão. Juju sentia-se apaixonada pela primeira vez na vida, e o que a atraía não era a força física bruta dos "marombas" que costumava devorar, mas a alma e a mente cintilante de Kenji. Percebendo que o rapaz era demasiado tímido e respeitoso para avançar contra a "força da natureza" que ela representava, Julia decidiu tomar as rédeas.
Convidou-o para jantar na sua penthouse, o seu santuário de vidro e luz no topo do Leblon.
A noite foi planeada com um cuidado e uma ternura que ela nunca dedicara a ninguém. Julia cozinhou pessoalmente: uma massa italiana artesanal com molho de tomates frescos, manjericão colhido do seu jardim vertical e queijo pecorino de ovelha, acompanhada por um vinho tinto encorpado e raro que Joaquim guardara durante anos para uma ocasião especial que o seu antigo eu nunca teve coragem de criar. Eles conversaram durante quatro horas ininterruptas sobre a expansão do universo e a solidão inerente ao homem moderno antes de o primeiro toque acontecer. Não havia pressa; havia uma fome de compreensão mútua que transcendia o desejo carnal. Quando os seus lábios finalmente se encontraram, foi uma fusão química e intelectual, um beijo que sabia a vinho, a desejo acumulado e a uma descoberta mútua que fazia o tempo parar.
— Vem comigo — sussurrou ela, a voz carregada de uma promessa antiga, conduzindo-o pelo corredor iluminado apenas por velas aromáticas até ao seu quarto com vista para o mar.
Sob a luz suave da lua que entrava pela varanda, Juju começou a despi-lo com uma reverência quase religiosa, desfazendo cada nó com paciência. Kenji estava visivelmente nervoso, a sua pele branca e macia a arrepiar-se sob o toque dos dedos canela, firmes e experientes de Juju. No entanto, quando ela finalmente removeu as roupas do rapaz, a surpresa foi absoluta, física e paralisante. Sob a aparência de um estudante tímido, franzino e delicado, Kenji escondia um segredo anatómico que deixou até a "autoridade em biologia" sem palavras. O seu pénis era uma presença colossal, um verdadeiro monstro de 26 centímetros de puro poder e veias pulsantes, com uma grossura que parecia impossível e ilógica para a sua estrutura óssea fina. Era um contraste absurdo e fascinante entre a delicadeza do rosto oriental e a brutalidade monumental daquela dotação genética.
Juju, que achava já ter sentido todas as variações do desejo masculino nos SUV de luxo do Rio, sentiu um tremor novo e violento percorrer-lhe a espinha dorsal. Dominada por uma curiosidade que era tanto carnal quanto intelectual, ela ajoelhou-se diante dele sobre o tapete de seda pura. Com as suas mãos pequenas e delicadas, ela envolveu a base daquele monstro pulsante, sentindo o calor febril e a vida indomável que emanava dele. Lentamente, Julia abriu a boca e acomodou a cabeça rosada e massiva, saboreando Kenji enquanto o rapaz deixava escapar gemidos roucos e desesperados, com os dedos finos enterrados nos cabelos loiros da deusa. Juju usava todo o seu conhecimento da fisiologia: tirava da boca para lamber da base até à cabeça, explorando cada detalhe com a língua, para logo depois engoli-lo de novo com uma sofreguidão que fazia a sua garganta alargar-se ao limite para receber aquela magnitude. Simultaneamente, as suas mãos massageavam o par de bolas de Kenji, que pareciam ainda maiores e mais pesadas que o próprio pénis, criando uma contrapartida de monstruosidade genital que contrastava com a fragilidade poética da pele branca do rapaz.
Quando sentiu que ele estava no limite absoluto e que a sua própria necessidade se tornara uma dor física de antecipação, Juju deitou-o na cama de lençóis de cetim. Ela posicionou-se por cima dele, as coxas musculosas e bronzeadas emoldurando o quadril de Kenji como duas colunas de um templo grego. Ao começar a encaixar aquele monstro na sua vagina, Julia sentiu, pela primeira vez na sua nova vida, uma pontada de dor real, aguda e profunda. Era demasiado largo, demasiado longo, uma invasão que parecia desafiar a elasticidade da sua perfeição plástica. No entanto, ela sentiu-se desafiada e excitada pela própria natureza extrema daquela união. Com um fôlego de deusa e os olhos fixos nos dele, ela sentou-se nele com determinação absoluta, milímetro a milímetro, sentindo-o preencher cada espaço vago do seu ser, até que todo aquele colosso estivesse guardado no fundo do seu ventre.
Ela começou a cavalgar com uma fúria rítmica, primitiva e técnica, o rosto transformado por uma mistura de prazer extremo e esforço físico. O suor dos dois misturava-se, o contraste entre a pele branca de Kenji e a canela de Juju criando um quadro de luz e sombra sob o luar. Eles gozaram juntos, num clímax que pareceu abalar as fundações do edifício e a própria estrutura da realidade deles, um olhando profundamente no olho do outro, sem desvios, sem máscaras sociais e sem a necessidade de qualquer performance para o público externo. Pela primeira vez, Julia encontrara um homem que não saciara apenas a "máquina" que era o seu corpo; ela encontrara alguém que a fizera apaixonar-se pela mente, alguém que a ouvira como ninguém e que a possuíra de uma forma que o antigo Joaquim jamais sonhara ser possível. Ela estava, pela primeira vez na eternidade, completa e em paz.
