🚫 Propagandas te atrapalhando? Assine o plano premium por menos de R$3/mês. Saiba mais →

Ônibus

Cansado destas propagandas? Assine por R$36/ano e navegue sem anúncios →
Um conto erótico de Bruno
Categoria: Gay
Contém 1418 palavras
Data: 22/07/2026 02:45:30
🤖 Texto produzido com auxílio de inteligência artificial

Ônibus

Eu estava voltando de viagem. Lembro da sensação de que a poltrona ao meu lado tinha permanecido vazia por muitas horas. Durante boa parte do trajeto, cada um ficou no seu espaço. Quando ele entrou no ônibus, eu nem imaginava que aquela pessoa mudaria completamente a forma como eu lembraria daquela viagem. Achei ele bonito logo que o vi, mas fiz o que sempre faço quando não conheço alguém: me fechei no meu próprio mundo. mas fiquei no meu celular. De vez em quando eu olhava discretamente para o que ele estava assistindo: videogames, heróis, coisas que também despertavam meu interesse. Em um momento, ele me ofereceu uma bala. Mais tarde, quando meu carregador não funcionava direito, ele me emprestou o dele. Foram pequenos gestos, mas eu lembro deles. Sem dizer nada, aquilo já criava uma pequena sensação de identificação.

Hoje eu acho curioso lembrar que quase não ouvimos a voz um do outro. Se eu fechar os olhos, mal lembro do timbre dele apenas quando me ofereceu a bala e quando respondeu sobre o carregador. O resto da viagem aconteceu quase inteiro no silêncio. É estranho pensar que alguém pode marcar tanto a nossa vida dizendo tão poucas palavras.

Eu me lembro da temperatura do ônibus durante a madrugada. Em algum momento fez frio e ele colocou uma blusa preta de manga comprida por cima da roupa. Eu lembro da calça bege que ele usava, da barba bem aparada, do cabelo recém-cortado e dos lábios graves. São detalhes pequenos, mas que ficaram gravados na minha memória. Talvez porque, naquele momento, eu estivesse prestando atenção em tudo nele.

Nas últimas horas da viagem, a distância entre nós desapareceu. Sem praticamente trocar palavras, começamos a nos aproximar através do toque, eu o toquei no glúteo com leveza e eles correspondia com pequenas e tímidas reboladas . No início eram gestos discretos, quase tímidos, como se nós dois estivéssemos tentando entender se aquilo era realmente recíproco. Aos poucos, a confiança foi crescendo.

Houve um momento em que percebi que ele acolhia meus gestos e também se aproximava de mim. A intimidade foi surgindo naturalmente, sem pressa, sem nenhuma palavra. Ele retira minha mão do seu glúteo por cima da calça, e a coloca por dentro da sua calça por cima da roupa íntima, eu apalpo com força, com desejo, com intenção e fogo, novamente retira minha mão e coloca por dentro da sua roupa íntima, isso me deixou louco, uma apalpo mais vontade com desejo inexplicável, e ele me toca, meu pênis, com cadência, com tensão e desejo. Nos viramos de frente e cobrimos com a sua coberta, assim ele me toca e eu toco por um tempo, talvez não tempo suficiente, mas por um tempo que jamais irei esquecer, de numa forma inebriantemente intensa e com movimentos de sobe e desce, até que ele joga a cabeça pra trás e vagarosamente retira minha mão, eu o percebo todo melado e foi o suficiente pra mim.

O desejo apareceu entre nós, mas, curiosamente, o que mais me marcou não foi o desejo em si. Enquanto tudo acontecia, eu sentia duas emoções ao mesmo tempo: uma forte atração e, ao mesmo tempo, uma culpa que me acompanhava por saber que aquela situação contrariava os compromissos que nós dois tínhamos em nossas vidas.

Mesmo vivendo esse conflito interno, lembro de ter sentido alegria ao perceber que ele também estava vivendo aquele momento comigo. Depois, ele foi ao banheiro por alguns instantes, e quando voltou a culpa ficou mais forte. Virei de costas, tentando organizar o que estava sentindo. Parecia que tudo tinha mudado em poucos minutos.

Depois que tudo aconteceu, eu imaginei que talvez cada um fosse simplesmente dormir. Mas aconteceu exatamente o contrário. Foi como se toda a tensão tivesse desaparecido. Pela primeira vez naquela noite, eu senti que não precisava provar nada. Não precisava impressionar ninguém. Bastava permanecer ali.

Foi justamente depois disso que aconteceu a parte que nunca saiu da minha memória. A tensão deu lugar à ternura. Voltamos a nos aproximar, não mais movidos pelo desejo, mas pelo carinho. Ficamos de mãos dadas por muito tempo. Em alguns momentos, eu apoiava minha mão sobre o peito dele e sentia que podia simplesmente descansar. Pela primeira vez em muito tempo, senti que não precisava ser forte. Eu podia apenas existir naquele instante.

Foi esse carinho que ficou comigo. A intimidade física fez parte da história, mas o que realmente marcou meu coração foi a delicadeza que veio depois. O silêncio entre nós parecia dizer mais do que qualquer conversa poderia dizer.

Nas últimas horas da viagem, a distância entre nós desapareceu. Sem praticamente trocar palavras, começamos a nos aproximar através do toque. Seguramos as mãos por muito tempo. Fizemos carinho um no outro. Em um momento, ele pegou minha mão e a colocou por dentro da camisa, sobre o peito e a barriga dele. Eu também o acariciava. Havia desejo, mas o que mais me marcou foi o afeto.

Eu me lembro da sensação de encostar nele, de apoiar a mão no peito dele, de sentir que podia descansar. Pela primeira vez em muito tempo, eu me senti protegido. Não precisei ser forte. Não precisei demonstrar nada. Apenas existi naquele momento.

Quando precisei pegar o celular para resolver alguma coisa, continuamos de mãos dadas. Ficamos assim até quase o fim da viagem.

A lembrança mais forte que guardo não é de nenhum gesto específico. É da sensação. Minha mão repousava sobre o peito dele enquanto permanecíamos em silêncio. Eu conseguia sentir a presença dele sem que nenhuma palavra fosse necessária. Era como se, por algumas horas, o mundo inteiro tivesse diminuído de tamanho e existisse apenas aquele espaço entre duas poltronas de um ônibus viajando durante a madrugada.

Quando o ônibus chegou ao destino, tudo mudou. Descemos como dois desconhecidos. Houve alguns olhares, mas nenhuma conversa. Ele caminhou atrás de mim até a retirada das malas. Eu pedi meu Uber. Ele ficou esperando outra condução. Eu poderia ter ido falar com ele. Não fui. Esse talvez seja meu maior arrependimento daquela noite. A viagem terminou, descemos do ônibus e seguimos caminhos diferentes. Mas aquela sensação de acolhimento permaneceu em mim.

O contraste foi enorme. Minutos antes existia uma intimidade que eu nunca havia vivido daquela forma. Assim que o ônibus parou, voltamos a ser dois desconhecidos. Ainda havia olhares, mas nenhuma palavra. Parecia que aquela noite pertencia apenas à estrada e não poderia existir do lado de fora dela.

Depois, tentei encontrá-lo. Não consegui. A história terminou ali.

Durante dias, tentei reconstruir cada detalhe para não deixar a memória escapar. O jeito como ele olhava, a forma como segurava minha mão, a mochila grande que carregava com água, doces e salgadinhos, o carregador que me emprestou, a roupa que usava quando fez frio, o caminho até as malas. Tenho medo de esquecer esses detalhes porque eles fazem parte da história exatamente como ela aconteceu.

Hoje, quando lembro dessa viagem, não penso apenas nele. Penso na forma como eu me senti. Aquela noite me mostrou que eu ainda era capaz de oferecer e receber um carinho que eu acreditava ter perdido. Ela foi breve, intensa e inesquecível. Talvez eu nunca saiba quem ele era de verdade. Talvez ele nunca saiba o quanto aquele momento significou para mim. Ainda assim, essa lembrança ocupa um lugar bonito na minha vida.

Nem toda pessoa que passa pela nossa vida fica conosco. Algumas ficam apenas o tempo suficiente para nos mostrar uma parte de nós mesmos que havíamos esquecido. A viagem terminou, o ônibus chegou ao destino e seguimos caminhos diferentes. Mas o carinho que senti naquela noite continua existindo dentro de mim. Hoje eu sei que ele não nasceu naquele ônibus. Ele apenas encontrou um momento para reaparecer.

Hoje não escrevo este texto para prender alguém na minha memória. Escrevo para preservar um momento da minha própria vida. Sei que, com o passar dos anos, a memória apaga rostos, vozes, roupas e horários. Talvez um dia eu não consiga mais lembrar exatamente da barba, do corte de cabelo ou da roupa que ele usava. Mas espero que, quando eu voltar a ler estas palavras, eu consiga lembrar daquilo que realmente importou: da paz que senti, do carinho que recebi e ofereci, da sensação de proteção e da descoberta de que eu ainda era capaz de amar com tanta intensidade. Independentemente de quem ele tenha sido, aquela noite me devolveu uma parte de mim que eu acreditava perdida. Por isso ela merece ser lembrada.

Curta uma leitura sem interrupções.
Conheça o plano sem propagandas (R$36/ano — menos de R$3/mês) →
Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive Andrens a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários

Foto de perfil genérica

Acabo de ler essa linda e muito tocante postagem. Simplesmente romântica e é a prova de que há momentos que são mais que os atos em si e que perdurarao por toda vida.

Pena que não houve uma troca de contatos para outros momentos de afeto, carinhos, romance, e até. . . quem sabe. Valeu meu dez e três estrelas merecidas.

Gostaria de manter contato com o autor.

0 0

Listas em que este conto está presente

Rui Selva
Excitantes
Cansado destas propagandas? Assine por R$36/ano e navegue sem anúncios →