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Dentro do Barraco

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Da série O Galpão
Um conto erótico de Mateus
Categoria: Gay
Contém 3216 palavras
Data: 13/07/2026 23:10:10

Existem convites que não pedem resposta, pedem coragem. Passei o dia inteiro olhando para aquela conversa no celular como quem encara uma ponte de madeira sobre um rio escuro. Ela podia suportar meu peso, ou podia ceder logo no primeiro passo. Às cinco da tarde, Cristiano simplesmente apareceu na porta do escritório.

— Então?

Levantei os olhos. Ele vestia uma camiseta branca já muito lavada, jeans desbotado e um boné azul escondendo parte do cabelo loiro. Parecia menos o rapaz insolente do galpão e mais um menino cansado depois de um dia inteiro de trabalho.

— Então o quê?

— Vai ou arregou?

Sorri.

— Você me fez um convite ou uma ameaça?

— Os dois.

— Que simpatia.

— Aprendi com você.

Sandra apareceu atrás de mim carregando uma pasta.

— Vocês dois ainda estão aqui?

— Já estamos indo.

Cristiano respondeu antes de mim, como se fosse natural sairmos juntos, como se aquilo não fosse a coisa mais estranha do mundo.

Fomos de moto, eu na garupa dele. A cidade mudava conforme nos afastávamos do centro, as ruas largas viravam ruas estreitas, depois becos, depois ladeiras. As casas deixavam de ser casas, passavam a ser paredes improvisadas, telhados de amianto, varandas fechadas com lona, muros pela metade. A moto sacolejava tanto que parecia desmontar a cada buraco. Foi quando Cristiano estancou a moto de repente num beco.

— É aqui.

Olhei em volta, nunca tinha estado naquela parte da cidade. As ruas tinham um cheiro diferente, mistura de terra molhada, carvão aceso, óleo de cozinha e roupa secando nos varais improvisados. Crianças corriam descalças, um rádio distante tocava pagode. Uma mulher gritava da janela para alguém comprar pão antes da padaria fechar.

A vida parecia acontecer do lado de fora das casas. Cristiano caminhava como quem conhecia cada pedra daquele lugar. Cumprimentava um, assobiava para outro. Recebia um "fala, Cris" aqui, um "boa noite" ali. Ali ele não era o rapaz bonito do galpão, era apenas alguém pertencente àquele pedaço do mundo.

Ele parou diante de um portão de ferro enferrujado, empurrou. O quintal tinha pouco mais de três metros. Dois vasos de planta meio mortas, uma bicicleta sem corrente, um tanque. E uma construção pequena, de tijolo aparente.

— Chegamos.

Olhei para ele, depois para a casa.

— Você mora aqui... sozinho?

— Moro.

— Desde quando?

— Faz um ano.

Ele abriu a porta da casa.

— Entra.

Parei na porta, não por educação, mas por surpresa. A sala era também cozinha, o quarto era separado apenas por uma cortina (ou um pedaço de tecido dependurado no vão onde devia ter uma porta). Um banheiro nos fundos, telhado de Eternit, paredes pintadas de azul há muitos anos antes. Para alguém criado em casas com quartos, suítes e portas que se fechavam para garantir privacidade e hierarquia, aquela nudez arquitetônica era brutal.

Havia uma televisão antiga apoiada sobre um móvel estropiado, uma geladeira pequena, um sofá gasto. Uma mesa de plástico, três cadeiras, fogão de quatro bocas. Livros não existiam, fotografias também não. Só uma camisa do Cruzeiro pendurada na parede e um ventilador fazendo um esforço heroico para movimentar o ar quente dentro do cômodo.

Não era somente a pobreza o que me impressionava, era a ausência, o vazio. Aquela casa parecia ocupada por alguém que nunca acreditou que fosse permanecer muito tempo em lugar nenhum. Cristiano percebeu meu silêncio.

— Tão feio assim?

Balancei a cabeça.

— Não.

Mentira. Eu nunca tinha entrado num lugar parecido. Na minha cabeça de menino criado em bairro de classe média, aquilo parecia cenário de filme nacional. Pequeno, apertado, cru. Havia algo quase claustrofóbico naquele espaço e, para minha vergonha, alguma coisa em mim achava tudo aquilo absurdamente fascinante. Como se Cristiano pertencesse a um universo inteiro que eu jamais compreenderia.

Minha família não era rica, longe disso. Mas, de repente, nossa vida suburbana de ter cota no clube da cidade e de ter uma casa de veraneio na praia se tornou quase extravagante.

— Quer café?

— Você faz café?

Ele riu.

— Faço.

— Achei que sobrevivesse de marmita.

— Também.

Enquanto ele colocava água para ferver, fiquei observando, cada movimento parecia automático. Acendia o fogão, pegava a caneca. Lavava uma colher, sem pressa, sem pose. Ali não existia o Cristiano que precisava impressionar ninguém, só um rapaz tentando viver.

— Você saiu da casa dos seus pais por quê?

O fogo continuou aceso alguns segundos antes da resposta.

— Porque era melhor.

Esperei, ele continuou olhando a água.

— Meu pai bebia.

Silêncio.

— Minha mãe apanhava.

Outro silêncio.

— Depois começou a sobrar pra mim também.

A colher bateu de leve na borda da panela. Tin. Tin. Tin.

— Um dia fui embora.

Era a primeira vez que Cristiano dizia alguma coisa sem esconder atrás de uma piada, senti vontade de pedir desculpas por todas as conclusões que havia tirado sobre ele. Não pedi, só aceitei a caneca quando ele estendeu.

— Melhor do que dormir escutando garrafa quebrando toda noite.

O silêncio caiu entre nós, lá fora alguém ligou um rádio. Uma criança gritava o nome de outra, o mundo seguia vivendo. Ali dentro, porém, alguma coisa havia mudado. Conversamos durante muito tempo. Sobre futebol, sobre trabalho, sobre música, sobre estudo. Ou melhor... Sobre a falta dele.

— Você vai passar na faculdade.

Ele dizia isso com uma certeza irritante.

— E você?

Ele deu de ombros.

— Nunca fui inteligente igual você.

— Inteligência não é isso.

— Então é o quê?

Demorei.

— É ter curiosidade em relação ao mundo.

Ele me olhou como quem escutava uma língua estrangeira.

— Nunca ouvi ninguém falar assim igual você.

Sorri.

— Também nunca ouvi ninguém chamar café de janta.

Ele riu alto.

— Uai... mas é.

A gargalhada dele encheu aquele barraco pequeno de um jeito curioso, como se a casa crescesse alguns metros. Fiquei observando o rosto dele, os olhos azuis, tão claros no galpão, pareciam mais escuros naquela luz amarelada da cozinha. Havia pequenas olheiras arroxeadas sob a pele fina e clara das suas pálpebras. Uma cicatriz fina perto do maxilar, um corte recente na mão direita. Detalhes que nunca aparecem quando alguém passa correndo pelo corredor de um depósito.

Quando percebi, já passava das nove. Anoiteceu sem que percebêssemos. A luz da cozinha, iluminada apenas por uma lâmpada nua que pendia de um fio desencapado no teto, foi ficando cada vez mais insuficiente, deixando reinar uma penumbra que, para mim, era meio entristecedora. Me levantei.

— Melhor eu ir.

Cristiano também se levantou, ficamos um de frente para o outro, separados por pouco mais de um braço de distância. O ventilador fazia a cortina do quarto balançar lentamente, lá fora, um cachorro latiu, depois outro respondeu. Nenhum de nós se mexeu.

— Você ainda tá bravo comigo?

A pergunta veio baixa, balancei a cabeça.

— Não.

— Tá mentindo.

Sorri.

— Talvez um pouco.

Ele passou a mão na nuca.

— Eu fui um babaca.

— Bastante.

— Eu sei.

Respirou fundo.

— É que...

Parou, olhou para o chão.

— Às vezes eu falo as coisas antes de pensar...

— Não – interrompi.

Ele ergueu os olhos.

— Você pensou antes – afirmei diretamente – É diferente.

O silêncio caiu outra vez, pesado, mas não desconfortável. Cristiano deu um passo, só um. Agora eu conseguia sentir o cheiro dele, sabonete, suor limpo, ferrugem, galpão. Era curioso como uma pessoa podia carregar um lugar inteiro na pele. Ele olhava diretamente para mim, sem ironia, sem bravata, sem aquela necessidade permanente de parecer maior do que era.

— Posso perguntar uma coisa? – ele questionou.

— Pode – assenti.

— Você ficou muito mal naquele dia?

Demorei alguns segundos para entender.

— Qual dia?

— Quando te chamei daquele nome.

A palavra não saiu, nem precisava.

— Fiquei.

Ele baixou a cabeça.

— Eu sabia.

— Então por que falou aquilo?

Cristiano demorou para responder, os dedos se contorciam de leve, depois pararam.

— Sei lá... porque tinha gente olhando.

Não era desculpa, era confissão. Olhei para ele.

— Isso melhora alguma coisa?

— Não.

— Então?

Ele respirou fundo.

— Só queria que você soubesse que eu pensei nisso todos os dias depois.

O ventilador continuava girando lentamente. Lá fora começou uma garoa fina, daquelas que fazem mais barulho nas telhas do que no chão, nenhum dos dois dizia nada. Às vezes, a sinceridade ocupa tanto espaço que sobra pouco para as palavras.

— Você me odeia? – ele perguntou, de maneira quase infantil.

Sorri de canto.

— Se odiasse, não estaria aqui.

Os olhos azuis dele perderam, pela primeira vez, aquele ar desafiador, pareciam inseguros, quase tímidos.

— Então por que veio? – ele perguntou, de novo.

A resposta demorou, porque eu mesmo não a conhecia completamente. Olhei ao redor, para a casa pequena, para a parede descascada, para a chaleira esquecida sobre o fogão, depois voltei a olhar para ele.

— Porque eu queria descobrir quem era o Cristiano quando ninguém estava olhando.

Ele ficou completamente imóvel. Nenhuma resposta, nenhuma piada, nenhum escudo. Só respirava um pouco mais devagar. Então aconteceu uma coisa mínima, tão pequena que, se eu piscasse, talvez não percebesse. Ele estendeu a mão, não para me puxar, nem para me prender. Apenas encostou a ponta dos dedos nos meus, como quem pede licença para existir perto de alguém. Olhei para nossas mãos, depois para ele.

— Você sempre fala bonito assim? – ele perguntou, mais uma vez.

— Só quando estou nervoso.

Ele sorriu.

— Ainda bem.

— Por quê?

— Porque você deve viver nervoso.

Ri, ele também. E foi justamente durante aquela risada compartilhada, despretensiosa, que a distância entre nós finalmente deixou de existir. Não houve pressa, nem urgência, nem conquista. Cristiano inclinou o rosto um pouco, esperando, esperando de verdade. Como se aceitasse a possibilidade de eu recuar, embora recuar, para mim, fosse algo impossível.

Quando nossos lábios finalmente se encontraram, o beijo não parecia o início de uma paixão explosiva, parecia algo muito mais raro. O fim de um preconceito, o começo de uma confiança. E, sem que nenhum de nós precisasse dizer uma única palavra, ambos compreendemos que, dali em diante, já não existia caminho de volta.

Ele levantou uma das mãos lentamente, como quem pergunta antes de tocar. Os dedos roçaram meu rosto apenas o suficiente para afastar uma mecha do meu cabelo. Seu sorriso era pequeno, quase tímido.

— Você continua bravo?

Sorri.

— Ainda não decidi.

— Posso tentar convencer?

— Talvez.

Foi ele quem diminuiu a distância, novamente. Não houve urgência, nem explosão. Apenas um movimento lento, cauteloso, como se estivéssemos aprendendo uma língua nova. Quando nossos lábios finalmente se encontraram de novo, o beijo não parecia resolver nada, mas também não complicava. Era apenas o reconhecimento silencioso de algo que já existia havia semanas entre corredores de concreto, caixas de papelão e provocações mal disfarçadas.

Quando nos afastamos, Cristiano permaneceu com a testa encostada na minha por um instante. Os dois respiravam um pouco mais depressa, nenhum de nós parecia disposto a quebrar aquele pequeno equilíbrio recém-descoberto. Então ele riu, baixinho.

— Você beija melhor do que eu imaginei.

Olhei para ele com falsa indignação.

— Você imaginava isso?

— Mais do que deveria.

Ri também. E foi exatamente naquele riso compartilhado, simples e inesperado, que compreendi o verdadeiro ponto sem retorno. Não era o beijo, era o fato de que, pela primeira vez, Cristiano havia baixado todas as defesas e, sem perceber, eu tinha feito o mesmo.

A chuva engrossou do lado de fora, isolando o pequeno barraco do resto da cidade. Ali dentro, o tempo parecia ter diminuído de velocidade. O mundo podia esperar mais alguns minutos. Nós dois ainda tínhamos muito a descobrir um sobre o outro.

A distância entre nós se encolheu de novo. O cheiro de Cristiano invadiu as minhas narinas, intoxicante. Não houve aviso, nem transição suave. Agarrei o pescoço dele, o puxando para mim, e nossos lábios se colaram novamente, dessa vez, com fome.

O terceiro beijo não foi doce, foi uma colisão, cheia da nossa respiração ofegante. Cristiano reagiu instantaneamente, suas mãos subindo para apertar a minha cintura, me puxando contra o seu corpo alto e magro. O gosto era salgado, cru. Senti a barba rala de Cristiano roçando no meu rosto, uma textura áspera que aumentava o atrito, a sensação de que estávamos rasgando as máscaras um do outro.

Minhas mãos começaram a explorar, descendo pelas costas de Cristiano, sentindo as vértebras sob a camiseta fina. A puxei para fora, minhas palmas deslizando pelo calor da pele lisa e úmida das suas costas. Cristiano gemeu dentro da minha boca, um som gutural que vibrou no tórax de ambos. O abracei, sentindo o calor do peito dele, magro, coberto por uma pele branca e uma penugem dourada.

Sem quebrar o beijo, Cristiano deslizou a sua mão por baixo da minha camisa, a palma áspera roçando a pele lisa da minha barriga. O toque fez meus músculos se contraírem, um gemido abafado escapando de minha garganta. A mão de Cristiano subiu, encontrando um dos meus mamilos sensíveis e o apertando levemente. A descarga de prazer foi direta, quase dolorosa.

Nós nos movemos em direção ao quarto, atravessando aquela fina cortina, em direção ao colchão de solteiro que era a cama de Cristiano, tropeçando nos nossos próprios pés, desesperados por mais contato. Caímos sobre o colchão, a espuma velha rangendo sob o peso combinado.

Deitados, a altura dos meus olhos era a mesma de Cristiano, nivelando a disparidade de altura que existia entre nós (ele tinha 1,83m e eu 1,68m). A luta entre nós se tornou uma dança de fricção. Ainda parcialmente vestidos, nos beijávamos e nos esfregávamos um no outro, sem cerimônia. Nossos paus duros, pressionados um contra o outro, buscavam um alívio que não vinha.

O som de nossas respirações ofegantes e o atrito entre nós enchia o barraco. Eu sentia a vara de Cristiano, grossa e dura, roçando contra o meu corpo. Era uma tortura deliciosa, só que eu precisava de mais. Minhas mãos ficaram mais ousadas, desabotoando o jeans de Cristiano com dedos trêmulos, mas decididos.

Quando a calça desceu até os joelhos, o membro de Cristiano saltou para fora, duro, pulsando contra o abdômen plano. A visão daquele pau ereto, a glande rosada exposta, o prepúcio recolhido, fez a minha boca secar e encher de água ao mesmo tempo.

Não esperei. Desci, roçando minhas bochechas nos pelos ásperos da região pubiana de Cristiano, inalando o cheiro forte de tesão. Comecei com as mãos, segurei o cacete de Cristiano firmemente na base, sentindo o calor intenso que emanava da pele.

Apertei, deslizando a pele da pica para cima e para baixo, lentamente, observando o rosto de Cristiano se contorcer em prazer. Meu dedo polegar roçou na glande, espalhando o líquido transparente que começava a borbulhar na ponta, usando a lubrificação natural para tornar o movimento mais escorregadio e rápido.

Aumentei o ritmo, minha mão se movendo em um movimento firme e constante, enquanto a outra mão acariciava as coxas e o saco peludo de Cristiano. Ele arqueou as costas, os dedos cravando no colchão.

— Não para — sussurrou ele, a voz falhando.

Obedeci, mas mudei a tática. Me posicionei entre as pernas de Cristiano, as forçando para abrir mais, me deitando sobre ele. O contato foi pele contra pele. Tirei minha própria camisa e desci a calça o suficiente para liberar minha ereção, que estava endurecida e dolorida.

Me debrucei sobre Cristiano, alinhando nossos cacetes. O atrito foi imediato. Empurrei meu quadril para frente, esfregando minha pica na dele. A fricção dos dois cacetes, quentes e rígidos, deslizando um contra o outro, produziu uma sensação eletrizante.

Nós nos movíamos em uníssono, um sarro bruto, como se ele estivesse me penetrando, buscando o calor e a pressão do atrito direto. O som da pele batendo na pele, úmida e suada, enchia o barraco, acompanhado pelo ranger rítmico do colchão.

Minha respiração estava ofegante, curta. Só que, mais uma vez, eu precisava de mais, eu precisava provar aquela pica. Desci pelo corpo de Cristiano, beijando seu peito, mordiscando a pele sensível da barriga, até que o meu rosto estivesse nivelado com a ereção dele.

O cheiro era intenso, masculino e inebriante. Olhei para cima, vi Cristiano me observando com os olhos semicerrados, e então abri bem a boca e, sem cerimônia, envolvi a glande com os lábios. O sabor salgado do pré-gozo explodiu em minha língua.

Comecei a sugar, usando a língua para pressionar a parte inferior da cabeça da pica enquanto meus lábios criavam um vácuo apertado. Minha mão continuou a trabalhar na vara, sincronizada com os movimentos da cabeça, subindo e descendo em um ritmo torturante.

Cristiano gemeu alto, as coxas tremendo, as mãos indo para a minha cabeça, me empurrando para baixo, me forçando a engolir mais, fodendo minha boca. Relaxei a garganta o máximo que pude, permitindo que o pau dele entrasse mais fundo, sentindo a pica bater no fundo da minha boca, o formato da glande roçando no céu do meu palato, me fazendo quase engasgar. O barulho era obsceno, um misto de sucção e dos gemidos de Cristiano.

Mamei com voracidade, sentindo as veias da pica pulsarem contra a minha língua, o corpo de Cristiano se retesando sob o meu, os músculos das pernas endurecendo, se aproximando do clímax naquele barraco escuro que parecia não ter fim.

— Vou gozar... – sussurrou Cristiano, a voz carregada de aviso.

Mas eu não parei. Pelo contrário, aumentei a velocidade, a mão que segurava a base da pica apertando mais, minha boca sugando com mais força. Era o que eu queria. Depois de desejar, odiar, provocar, desafiar, repelir e procurar Cristiano durante semanas, ofender e ser ofendido por ele, eu finalmente compreendi que o verdadeiro conflito nunca fora entre nós dois. Era dentro de mim.

Havia uma estranha vertigem em baixar todas as defesas justamente diante de quem, dias antes, tentara me humilhar. Aquilo contrariava minha lógica, meu orgulho e até a imagem que eu fazia de mim mesmo. Talvez o desejo não obedecesse às mesmas leis da dignidade, talvez fosse um idioma antigo, escrito numa parte do corpo que a razão jamais aprenderia a traduzir.

Eu deveria sentir raiva. Em vez disso, sentia apenas aquela inquietação desconcertante de quem percebe que algumas pessoas nos desarmam precisamente porque nos feriram primeiro (“Somente aquele que te fere pode fazer você se sentir melhor, somente aquele que inflige a dor pode retirá-la”). O que eu mais queria era sorver até a última gota do sêmen de Cristiano, um trunfo perfeito para a nossa relação conturbada.

Cristiano deu um último gemido profundo, e o primeiro jato de porra quente atingiu o fundo da minha garganta, seguido por mais e mais, ondas e ondas de esperma espesso enchendo a minha boca. Senti o gosto, o sal, o calor.

Quando o corpo de Cristiano finalmente relaxou, eu recolhi tudo, fiz a minha boca se fechar em volta do pau ainda pulsante e engoli. Engoli tudo, até o último vestígio, sentindo o líquido descer por minha garganta como um selo quente e definitivo. Limpei o pau de Cristiano com a língua, meticulosamente, antes de me afastar e olhar para cima, o ar pesado de sexo e gozo pairando entre nós naquele casebre que agora era meu santuário.

Descobri, naquela noite, que desejo e ressentimento podiam dividir o mesmo espaço sem se anularem. Parte de mim ainda recordava o rapaz que me chamara de "dona bicha" diante dos colegas, outra parte enxergava apenas o homem que, pela primeira vez, deixava cair a armadura e me permitia atravessar a fronteira do seu mundo. Era uma contradição humilhante e, talvez justamente por isso, tão difícil de abandonar. O corpo insistia em acreditar naquilo que o orgulho tentava negar.

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