Ela tentou abrir a gaveta, mas viu que estava trancada. Artur a tirou de sua frente, deu uma rápida olhada na gaveta e com um jogo de gazuas a abriu em questão de segundos. Dentro, as tão esperadas chaves reluziram.
Cortez pegou as chaves com as mãos tremendo. Artur logo as tomou dele, pedindo desculpas na sequência. Abriram as fechaduras. A porta foi a próxima, com o rangido característico de algo pouquíssimo usado. Como Artur havia mencionado, era uma espécie de closet e dentro dele, prateleiras cheias de pastas, fitas cassetes, CDs e DVDs antigos, pendrives e envelopes. Numa parede lateral, um verdadeiro mural com uma variedade de mulheres. Até mesmo Luma estava ali num lugar de destaque. Mas o que surpreendeu Cortez foi uma caixa retangular baixa, com um nome conhecido, um que apenas a ele interessava, o de sua mãe, “Luana Castro”.
[CONTINUANDO]
Mary foi a primeira a entrar no quartinho de provas. O ar lá dentro era intoxicante, pesado, com cheiro de papel velho, poeira e segredos inconfessáveis. Ela não perdeu tempo. Pegou o celular com as mãos ligeiramente trêmulas e começou a registrar tudo de forma meticulosa: vídeos curtos narrando tudo o que via, dando ênfase especial às fotos do mural na parede e fotos em alta resolução de cada prateleira, especialmente aos nomes constantes nas pastas. Seus olhos percorriam cada detalhe com atenção, mas sem esquecer da urgência. Num certo momento, ela fixou sua atenção aos rostos de mulheres que ela conhecia, algumas que haviam desaparecido sem motivo algum. Viu também que ainda “trabalhavam” por livre e espontânea pressão no clube. Mas viu também algumas que não reconheceu, o que lhe deu a certeza de que isso acontecia há muito, muito tempo. Cada clique da câmera era um registro desesperado em busca de alguma esperança.
Cortez, num primeiro momento se conteve, mas não durou muito, afinal, ele sabia que não conseguiria se controlar ante aquela caixa com o nome de sua mãe. Passou por Mary como se ela nem existisse, os olhos fixos na caixa de madeira baixa e retangular com o nome “Luana Castro” escrito à mão, em letras irregulares com uma caligrafia que não reconhecia. Seus dedos tremiam quando ele a abriu. Ali dentro, o passado que ele tanto temia e buscava se revelou de forma brutal.
Havia várias fotos de sua mãe, uma jovem mulher linda, sorridente em algumas, transbordando de vida e sonhos. Em outras, aparecia melancólica, com olheiras profundas, o olhar perdido e o semblante preocupado. Mas o que lhe machucou foram as que vieram a seguir: primeiro, algumas em poses sensuais, provocantes, de lingerie, até mesmo de nudez explícita. Se não fosse sua mãe e ele não estivesse preso com uma gaiolinha peniana, Cortez teria se excitado certamente. Então as piores, as que fizeram seu estômago revirar: Luana surgia em situações explícitas de sexo, algumas apenas com Dom, nas quais um sorriso de satisfação parecia brotar no rosto de ambos; noutras, com ele e outras pessoas; e noutras, apenas com outros homens, em situações degradantes, amarrada, cercada, usada da mesma forma que Dom fazia com Luma agora. Cada imagem era como uma facada eu seu peito, um lembrete cruel de que o monstro que destruía sua vida tinha destruído a de sua mãe antes. Cabia a ele impedir o mesmo desfecho. E ele o faria, custasse o que custasse.
Cortez sentiu uma náusea repentina, seguida de uma fraqueza, o mundo girou e seus joelhos fraquejaram. Ele pegou uma das primeiras fotos de sua mãe com as mãos trêmulas, os olhos marejados, a respiração curta. Era linda. Ela estava linda, sorrindo sobre um gramado cercado de flores.
Entretanto, Artur o retirou de lá com firmeza, puxando-o pelo braço. Fechou a caixa de madeira e a deixou onde estava. Apenas Mary ficou dentro do quartinho. Cortez se exaltou, tentando se soltar, a voz rouca de dor e raiva:
- Me solta! Eu preciso ver isso! É a minha mãe, porra!
Artur o empurrou contra a parede do escritório, segurando-o pelos ombros com força, o olhar sério e urgente:
- Não seja idiota, Cortez! Se mexermos nas provas, elas perdem o valor! Já tenho alguém de confiança me orientando. Não estrague tudo.
- A gente não vai levar nada!? – Mas... É... Aquela caixa... é sobre a minha mãe.
- Eu sei! Mas se você contaminar as provas, estraga tudo e o Dom sairá de boa. Deixa tudo aí, porra!
Artur ainda tentou pegar aquela foto da Luana para devolver à caixa, mas Cortez se agarrou selvagemente à ela, como se ela fosse o fio de sanidade que ainda o mantinha de pé. Artur sabia que aquilo não levaria a lugar algum e propôs:
- Dá! Eu tiro uma foto dessa foto e te envio. Mas você não vai ficar com essa. Nem a pau!
Cortez o olhou irado por um instante, mas cedeu. Artur tirou uma foto e enviou para o número de Cortez, já previamente cadastrado em seu celular. Ele então ligou para um número de seu celular, observando Cortez bufar num canto, andando de um lado para o outro como um animal enjaulado, enquanto ele seguia para dentro do quartinho a fim de devolver a foto àquela caixa. Mary seguia fazendo seus registros, o flash do celular iluminando o quartinho a cada foto. A voz de Artur então surgiu baixa, mas rouca e potente:
- Calindo!? Conseguimos. Do que precisa? Isso! Tem muita coisa, muita coisa mesmo. Há fotos, documentos, pendrive’s, HD’s. Vi até uns livros contábeis numa prateleira. Sim. Parece que sim. Exato! Estamos registrando tudo como você orientou e... Ok! Entendi. Vamos fazer isso e já te envio tudo. Até mais.
Artur desligou e pediu para Mary acelerar os trabalhos, pois o risco ainda era enorme. Eles precisavam encerrar antes que alguém os pegasse ali:
- Como assim encerrar? - Perguntou Cortez, assustado, a voz falhando.
- Não podemos tirar nada daqui. Já expliquei: Se fizermos isso, as provas podem ser anuladas e o Dom não será pego. O Calindo é um delegado com quem mantenho contato na Polícia Federal. Ele me disse que só com as filmagens e fotos que a Mary está fazendo já terá material suficiente para conseguir um mandado de busca e apreensão.
- Mas... e os documentos da minha mãe? Eu preciso... Eu...
- Não! Você vai ter que se contentar com o que viu. Se o Dom desconfiar que estivemos aqui, tudo estará perdido, para sempre.
Minutos depois, Mary saiu de dentro do quartinho, o rosto pálido, guardando o celular no bolso. Artur fechou a porta, trancando novamente. Ele colocou um pedaço de metal dentro da fechadura central, de modo que a chave tetra não conseguisse chegar até o final, o que daria algum tempo da polícia trabalhar caso Dom desconfiasse e tentasse abrir aquela porta para sumir com as provas. Por fim, ele guardou as chaves na gaveta da escrivaninha e a trancou novamente, o clique ecoando como um ponto final temporário naquela loucura:
- Já sabe o que fazer, Mary. Envia as fotos para os números que eu te passei e some daqui. Se o Dom perguntar, invento que você teve um problema e precisou sair às pressas.
Artur pediu licença para acorrentar Cortez no canto do escritório, conforme ordenado pelo Dom, a fim de evitar alguma desconfiança, caso ele ou outro chegasse ali de repente. Enquanto isso, ele orientou Mary a enviar os registros para ele e para o delegado Calindo, garantindo que tudo fosse feito com o máximo de cuidado. Ela pegou seu celular e ali mesmo, na frente dos dois homens, enviou as fotos e vídeos para os números selecionados. Saiu em seguida, desejando sorte.
Artur também explicou a Cortez que era melhor não conversarem nada sobre as provas no momento, pois tudo estava sendo gravado no sistema de câmeras de vigilância do Imperium. Cortez então ficou temeroso de que pudessem ser descobertos antes da polícia ter a chance de fazer algo, colocando Luma em risco mortal.
Artur o acalmou, dizendo que iria apagar os registros, apenas pedindo que ele ficasse calado dali por diante. Artur, então, se sentou no sofá e pegou seu celular, digitando uma senha de acesso à rede interna de câmeras de vigilância do Imperium e apagando todo o registro desde o momento que entraram no escritório até agora. Seus dedos moviam-se rápidos, precisos, enquanto Cortez observava, com o coração acelerado.
A partir daí, o tempo pareceu se voltar contra Cortez, passando devagar, de forma agonizante. Ele começava a ficar aflito sem notícias de Luma. Cada minuto parecia uma eternidade. Artur pareceu intuir sua preocupação e olhou seu celular por um instante. Depois, pegou um copo de água para Cortez e disse que iria até o quarto coletivo ver se a Luma estava bem:
- Como assim, se ela está bem!?
- Fique tranquilo. Eu já volto.
Mas não voltou logo. Passou mais uma hora lá antes de retornar. Quando a porta do escritório enfim se abriu, Artur, com o rosto sério, disse que a suruba já estava terminando e que Dom havia dado um descanso para a Luma, chamando outras duas prostitutas para tomarem seu lugar. Cortez respirou aliviado. Não durou muito:
- Você disse que o Imperium tem um sistema de câmeras de vigilância?
- Sim, senhor Cortez... Estamos sendo filmados aqui agora, neste exato momento. O senhor nem deveria ficar falando comigo, muito menos fazer referência ao sistema de câmeras, que é algo que o senhor não deveria saber que existe.
- Sem essa, Artur! Tem câmeras naquele quarto também?
- Normalmente não. Mas Dom mandou instalar um sistema discreto especialmente para hoje. É assim que ele consegue vídeos comprometedores de seus convidados para usar em seus esquemas.
- E você tem acesso a elas?
- Sei o que pretende, senhor Cortez. Acho que não é saudável.
- Depois de tudo o que eu já vi e vivi aqui, Artur, você acha que eu ver o que acontece lá não é saudável!?
- Exato! Acho...
- Quero ver a Luma, Artur. Agora!
Artur o encarou em silêncio por um instante, mas logo pegou seu celular e acessou um aplicativo. Em instantes, entregou o celular para Cortez. A tela estava dividida em 4 imagens de ângulos diferentes: num, se via os convidados, alguns bebendo e conversando; noutras, alguns transando com as prostitutas; apenas uma estava focada na posição onde Luma estava. Mas vê-la não agradou Cortez. Ela estava deitada de lado, aparentemente desacordada. Quando Cortez tocou neste último quadro, a imagem encheu a tela e fez seu coração se apertar:
- Artur! A Luma... ela... ela está...
- Dormindo! - Artur o interrompeu: - Fique tranquilo. Fui lá justamente para me certificar de que ela está bem. Conversei com Dom e ele me disse que ela trepou como uma louca, quase deu conta de todos sozinha. Mas mesmo se deixando ser bastante usada, depois pediu para descansar. Daí apagou, exausta.
Cortez voltou a observar a imagem e viu quando um negro imenso se aproximou de Luma com o Dom ao seu lado. Ele então puxou Luma pela cintura até a beirada da imensa cama, enquanto Dom parecia cochichar no ouvido dela. Como Luma não reagiu, o negro passou a fodê-la como um animal, inclusive lhe dando violentos tapas na bunda, como se quisesse despertá-la para a vida, porém ainda sem qualquer reação dela:
- Artur! Esse animal está fodendo a Luma desmaiada. Isso... Isso é um crime! É estupro...
- Sério, senhor Cortez!? - Artur tomou o celular de Cortez, olhando-o com a fisionomia fechada dos primeiros dias: - Ao que me consta, ela já foi estuprada diversas vezes aqui. Você mesmo sabe disso. E ficou nervoso somente agora!? Por favor, né!
- Mas... Mas...
No celular, a cena piorava. Luma despertou, mas parecia atordoada, perdida em alguma outra dimensão. Outro convidado se aproximou e após conversar rapidamente com Dom e o negro, decidiu participar também. O negro subiu na cama e segurou o pau empinado para cima, dizendo algo que fez Luma subir sobre ele sem qualquer negativa. Ele a penetrou por baixo, enquanto o outro se aproximou por trás com o pau em riste, rapidamente sumindo dentro da bunda de Luma. Dom não perderia a chance e começou a se punhetar, para logo subir na cama e começar a foder a boca de Luma. A cena era deprimente, degradante, mas não pior que outras que Cortez já havia presenciado. Artur estava certo: não era a primeira vez que Luma era violentada, mas seria a última.
Cortez devolveu o celular para Artur e puxou a corrente que o mantinha preso à parede. O estalo metálico lembrou-o que era um homem normal. Ele então olhou para Artur e pediu as chaves:
- Para que?
- Eu vou lá. Vou acabar com isso hoje. Chega, Artur. Eu nunca deveria ter colocado a minha esposa nisso. Nunca.
Artur, vendo o nervosismo de Cortez, tocou em seu ombro e disse:
- Eu vou lá resolver isso. Agora se acalme. Já fomos longe demais para colocar todo o plano em risco.
Artur saiu novamente. Melhor dizer que sumiu novamente. Depois de 30 minutos, retornou. Foi até Cortez e começou a libertá-lo. Enquanto isso, explicou:
- Demorei um pouco porque tive que esperar que eles terminassem com sua esposa. Depois, o Dom me mandou levar a senhora Luma à sua suíte privada. Ela está lá agora, descansando. O Dom também me autorizou a levá-lo até ela. Ele disse que vocês podem dormir aqui ou ir embora quando ela acordar.
- Não quero ficar aqui nem mais um minuto.
- Concordo. Inclusive, aconselho ao senhor acordá-la e irem o quanto antes. E, senhor Cortez, seria muito bom se vocês sumissem por uns dias.
- Por quê?
- Apenas por segurança. Calindo, o delegado, já me mandou mensagem avisando que recebeu o nosso material e que tentará obter um mandado em regime de urgência, inclusive, despachando com o juiz de plantão. Então, o que tiver que acontecer, acontecerá muito em breve.
Artur levou Cortez até a suíte, onde encontraram Luma dormindo, encolhida em posição fetal sob os lençóis da cama, com os braços cruzados sobre o peito. Tentaram acordá-la, mas ela apenas resmungou, exausta. Ela estava destruída: os cabelos desgrenhados, colados com porra, o corpo cheio de marcas de tapas, arranhões, beliscões. Ela toda era um depósito de porra ambulante, vazando pelos orifícios e banhada no corpo.
Eles decidiram carregá-la até o carro pelos fundos do Imperium. Artur devolveu as roupas de Cortez que as vestiu rapidamente, mas não antes de pegar as chaves da gaiola e se libertar. Quando a deixava num canto, Artur o advertiu:
- Leve isso com você. Se o Dom a encontrar aqui, pode desconfiar de algo, ou pior, ficar irado e querer descontar na senhora Luma antes da polícia agir.
Cortez concordou. Embora incomodado, pegou a gaiola com a chave e colocou no bolso da calça. Pegou então a esposa nos braços e foram até o estacionamento. De lá, Artur os levou para um hotel numa outra cidade vizinha, prometendo entrar em contato em breve, com notícias. Apesar da ansiedade, o cansaço cobrou o seu preço e Cortez apagou ao lado da esposa, o corpo exausto, a mente ainda girando em um turbilhão de dor, raiva e esperança que o fim estivesse próximo.
Apenas por volta das 10:00, Cortez despertou. Seu corpo parecia saído de uma maratona, todo dolorido. Ele olhou para o lado e viu que Luma já estava acordada, olhando fixamente para ele. Eles se olharam em silêncio por um bom tempo, como se não se reconhecessem mais. Foi ele quem quebrou o silêncio:
- Oi.
Mas ela não respondeu. Apenas suspirou profundamente:
- Você está bem?
- Só... cansada.
- Mas você está...
- Estou bem, Cortez! – Ela o interrompeu com uma voz áspera e se virou de costas, olhando fixamente para o teto, seguida de uma audível suspirada antes de prosseguir: - Devo estar com algumas marcas pelo corpo, é óbvio! E vou ficar ardida por uns bons dias. Mas vou sobreviver. E vocês? Vocês conseguiram? Entraram no tal quartinho?
Cortez sorriu involuntariamente para ninguém e confirmou:
- Sim.
Só então Luma o olhou com um brilho diferente no olhar:
- E onde está? Acharam algo que possamos usar contra o Dom?
- O Artur não me deixou trazer nada!
- Como assim!? – Luma se sentou, encarando espantada o marido, a voz tremendo: - Todo esse trabalho para... para... nada!?
- Calma!
- Calma!? Como assim calma?
Cortez começou a explicar para ela tudo o que Artur havia lhe explicado. Luma ainda pareceu incomodada, como se estivesse inconformada, mas nada disse. Ficou em silêncio até perguntar com uma voz cansada:
- E da Lilly? Acharam alguma coisa?
- Não tivemos tempo de olhar tudo. Eu só vi rapidamente uma caixa que tinha o nome da minha mãe. Fotos… tinha muitas fotos. Algumas dela jovem, sorrindo. Outras que… - A voz de Cortez embargou, seus olhos marejando de imediato: - Degradantes... Dela com o Dom, com outros homens... Igual ao que ele faz com você.
Luma fechou os olhos por um segundo, como se a imagem se formassem em sua mente, trazendo uma dor quase física:
— E você… como se sentiu?
— Péssimo, né! Como se tudo que a gente passou fosse uma repetição do que ele fez com ela. — Cortez respirou fundo, a voz falhando. — Mas tem mais. Eu vi… de relance, mas vi... um bilhete, com uma letrinha bonita, redondinha. Ela sabia que estava grávida, escreveu para ele que… que ele era o pai. E... ela dizia que queria começar um capítulo novo, uma vida nova, com ele e comigo.
Luma ficou em silêncio absoluto. O ar no quarto pareceu sumir por um instante. Ela olhou para Cortez com uma expressão que ele nunca tinha visto antes:
— Cortez… você está me dizendo então que o Dom…
— É. Se havia alguma dúvida, acho que não há mais. Aquele miserável é mesmo o meu pai.
Silêncio. Apenas o silêncio agora era ouvido. Luma voltou a encarar o teto, suspirou e cobriu a boca com a mão, os olhos marejados. Cortez continuou, a voz baixa, quase um sussurro:
— Eu sempre soube que havia algo errado. Mas ver aquilo… ver as fotos dela sendo usada do mesmo jeito que ele usa você… Poxa! Foi de matar. Foi como se eu estivesse assistindo ao meu próprio destino se repetindo. E eu… eu quase desisti ali. Eu quis sair correndo para te buscar e sumir, mas o Artur me segurou. Disse que já havíamos suportado muito e teríamos que aguentar um pouco mais.
Luma esticou a mão e segurou a dele. Seus dedos estavam frios:
— E agora? Como vai ser?
Cortez deu uma risada amarga, sem humor:
- Eu não sei. Eu só torço para que você não me olhe um dia e ache parecido com aquele maldito.
Luma balançou a cabeça, negando:
— Você não é ele. Nunca foi. Você é o homem que eu escolhi. O homem que eu amo. Mesmo depois de tudo isso...
Eles ficaram em silêncio por um tempo, apenas de mãos dadas. Depois, Cortez respirou fundo e disse, a voz mais firme:
— Agora é com a polícia. Já fizemos tudo o que podia ser feito. Artur disse que me avisa.
Luma assentiu lentamente. Pela primeira vez em muito tempo, havia um brilho de determinação no olhar de ambos. Mas no fundo, os dois sabiam: mesmo que conseguissem prender Dom, o verdadeiro monstro talvez nunca fosse embora de dentro deles.
OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.
FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.
