O ar dentro da suíte daquele motel de "luxo" — que na verdade só tinha luzes de neon indiretas e um espelho no teto para convencer idiotas de que estavam em um filme noir — era frio o suficiente para conservar um cadáver. O zunido discreto do sistema de ventilação parecia o som de um aparelho de suporte à vida prestes a falhar.
O perfume dela, uma mistura delicada de peônia, chá branco e algodão, lutava bravamente contra o cheiro de desinfetante hospitalar dos lençóis. O aroma oficial da culpa doméstica.
Eu esperava de pé, perto da cama de casal, segurando um copo de vidro vazio. Se eu estivesse em uma peça de teatro inteligente, esse seria o momento em que eu faria um monólogo profundo sobre as ruínas da moralidade. Mas a verdade é que eu só estava pensando em quanto aquela brincadeira ia me custar na terapia daqui a dez anos.
O mais absurdo de tudo era saber que aquela era a primeiríssima vez que ela pisava em um motel em toda a sua vida. Meu pai, em décadas de um casamento morno e protocolar, nunca havia tido a decência ou a criatividade de trazê-la a um lugar como esse — embora, com certeza absoluta, usasse o orçamento familiar para afogar as suas amantes em banheiras de hidromassagem com cheiro de cloro. Após a descoberta da traição dele, ela havia se retraído por completo, encolhendo-se em uma tumba de autopiedade e invisibilidade doméstica. Mas minha mãe vinha experimentando o que os psicólogos chamariam de "reconstrução de identidade". Ver a vaidade dela ressurgir aos poucos, sob o meu comando, era um vício do qual eu não tinha a menor intenção de me curar.
A porta do banheiro se abriu devagar.
Ela deu um passo hesitante para fora. A luz interna do banheiro projetava sua silhueta contra a parede do quarto. Minha mãe vestia um conjunto de lingerie verde-esmeralda que parecia ter sido projetado por um carrasco medieval com fetiche em cetim. O espartilho apertava sua cintura, espremendo seus seios para cima como se tentasse oferecê-los em um altar. A calcinha de renda fina abraçava o quadril largo, cheia de tiras elásticas de cinta-liga que pareciam um quebra-cabeça de engenharia alemã subindo pelas coxas claras e maduras.
O cabelo castanho-escuro, curto repicado em camadas com aquele volume sofisticado que ela provavelmente aprendeu a fazer assistindo a tutoriais no YouTube, estava ligeiramente desalinhado. A postura dela era defensiva. Encolhida. Uma bibliotecária de meia-idade fantasiada de presente de Natal.
Ela me encarou com os olhos castanhos marejados, torcendo as próprias mãos na altura do abdômen com um nervosismo quase infantil.
— Eu fiquei patética com esse conjunto, Miguel — ela disse, com aquela voz longa, calma e pausada que normalmente usava para me mandar arrumar o quarto. — Não tenho mais idade para essas bobagens.
Minha mente cínica não pôde deixar de notar o clássico clichê da insegurança de quem passou anos se escondendo do próprio corpo, mas fisicamente o efeito em mim foi devastador. Ela não estava patética; estava espetacular. A maturidade de seu corpo, aquela pele clara que parecia brilhar sob a luz indireta, me deu um soco direto no estômago. Dei três passos rápidos na direção dela. Segurei o pulso delicado de minha mãe com firmeza, sentindo a veia dela pulsar no ritmo de uma escola de samba em dia de desfile. Puxei-a sem pressa, arrastando-a em direção ao espelho de corpo inteiro na parede. Ela tentou recuar por um segundo, mas seu caminhar hesitante cedeu facilmente à minha força.
Colei meu peito às costas dela, bem em cima do cetim verde-esmeralda. Nossos reflexos se chocaram no vidro. Duas pessoas com o mesmo DNA encenando a maior bizarrice que aquela suíte já tinha presenciado.
— Olhe para você, mãe — eu sussurrei perto do ouvido dela, forçando o tom de predador que eu sabia que ela queria ouvir. — Olhe para esse espelho.
Deslizei minhas mãos pelas laterais do corpo dela, acariciando a pele macia dos braços e descendo até a curva acentuada do quadril. Ela soltou um suspiro trêmulo, a cabeça caindo para trás, encostando-se no meu ombro. Os olhos dela, fixos no espelho, brilhavam com uma carência tão profunda que era quase doloroso assistir.
— Você está linda — continuei. — Mas apesar de você ter ficado perfeita assim... acho que prefiro você sem.
Ela soltou uma risada contida, o canto dos lábios desenhando um sorriso tímido.
— Seu cafajeste — ela murmurou, a voz afetuosa e fraca, o roteiro padrão de quem quer ser enganada.
Comecei a despi-la com a paciência de quem desarmava uma bomba. Abri os colchetes do espartilho um a um. O cetim cedeu, revelando a pele clara e as curvas maduras de seu busto. Os seios médios, libertos da pressão, caíram pesados e firmes; as aréolas eram largas e os mamilos já estavam completamente rígidos, contraídos pelo ar frio e pelo absurdo da situação. Deslizei a calcinha de renda pelas coxas grossas dela, deixando apenas as meias e a cinta-liga presas ao quadril largo.
Pronto. Quase inteiramente nua diante do espelho. Se Freud estivesse vivo, estaria cobrando royalties por essa cena.
Mantive-a de costas para mim, colada bem em frente ao espelho. Inclinei seu tronco ligeiramente para a frente, forçando-a a apoiar as duas mãos espalmadas contra a moldura de madeira. O quadril e as nádegas fartas e carnudas dela se empinaram na minha direção, oferecendo-me a visão explícita de sua vulva rosada e úmida sob a luz fraca das arandelas.
Eu a penetrei de um só golpe.
O impacto físico fez o espelho vibrar na parede, o que me fez pensar temporariamente se a moldura ia despencar na nossa cabeça. Ela soltou um grito abafado contra o vidro, cravando as unhas na madeira com força desesperada. Aquele canal maduro era incrivelmente quente, apertado de um jeito que desafiava as leis da biologia. Comecei a me mover em estocadas ritmadas, profundas e vigorosas, sentindo a viscosidade dela facilitar o atrito.
— Olhe para nós no espelho, mãe — ordenei em um sussurro ríspido, mantendo meus olhos fixos no reflexo de nossos corpos colidindo.
Ela abriu os olhos marejados, focando no vidro à nossa frente. Havia um vislumbre nítido de horror em suas pupilas dilatadas pela quebra brutal daquela barreira invisível; o pavor de perceber que o garoto que ela amamentou agora a estava possuindo por trás em um motel de beira de estrada. Mas o pavor, de forma previsível e doentia, logo foi engolido pelo fardo do próprio prazer acumulado. A visão era de uma crueza anatômica devastadora: o movimento do meu quadril batendo contra a bunda pesada dela, o balanço da cinta-liga verde-esmeralda marcando a brancura de suas coxas maduras e o contraste inevitável da nossa união física.
Para completar o espetáculo, deslizei minhas mãos livres pela frente do corpo dela. Espalmei minhas palmas na cintura proporcional de minha mãe, apertando a pele macia antes de subir meus dedos até seus seios médios e fartos. Segurei aquela carne quente com força, massageando-a de forma agressiva enquanto puxava seus mamilos rígidos. Ela arqueou as costas ainda mais, entregando-se ao meu controle de forma patética e maravilhosa.
— Miguel... meu filho... — ela implorou, a voz ofegante, fragmentada e trêmula, fazendo questão de verbalizar o parentesco para que nenhum de nós esquecesse o tamanho do erro. — Isso... é tão errado... mas eu me sinto tão viva.
"Eu me sinto tão viva." Claro. A frase clássica de toda mulher de quarenta e poucos anos em crise de identidade que acaba de cruzar a linha de chegada da sanidade mental. Quase revirei os olhos, mas a pressão interna da vagina dela me impediu de pensar em qualquer coisa que não fosse gozar.
Acelerei o ritmo das estocadas, mantendo as mãos firmes nos seios dela, sentindo o peito dela arfar de forma desordenada a cada impacto profundo que eu dava contra suas nádegas. O suor colava nossos corpos, o perfume de peônia e o calor do sexo se tornavam tão densos que eu quase conseguia mastigar o ar.
Os espasmos internos dela começaram a se intensificar. A musculatura da vulva se contraía de forma espasmódica e violenta ao redor de mim, ordenhando meu pau com uma pressão implacável. Ela manteve os olhos fixos no espelho, assistindo ao próprio prazer proibido, vendo o próprio filho possuí-la inteira até o último segundo.
O ápice nos alcançou de forma avassaladora. Gozei profundamente dentro de minha mãe, sentindo o sêmen quente inundar o canal apertado de sua fenda enquanto ela soltava um gemido longo e trêmulo, o corpo inteiro tremendo no espelho antes de desabar de leve contra a moldura de madeira.
Ficamos estáticos ali, ouvindo apenas o som das nossas respirações desordenadas contra o vidro embaçado. Um retrato perfeito do surrealismo moderno.
Virei-a de frente para mim com cuidado. Ela não tentou se cobrir imediatamente; permaneceu de pé na minha frente, as meias e a cinta-liga ainda presas ao quadril úmido. Ela me olhou com uma ternura mansa e um sorriso contido. Os dedos suaves dela limparam uma gota de suor da minha testa antes de me abraçar de forma apertada, deitando o rosto sobre o meu peito e buscando a proteção que aquela intimidade proibida lhe entregava.
— Obrigada, meu amor — ela sussurrou, a voz longa e calma de volta ao seu tom afetuoso de mãe de família. — Por me fazer sentir mulher de verdade outra vez.
Deitamo-nos na cama box logo em seguida, o lençol fresco cobrindo nossos corpos cansados. Eu sabia que aquela suíte de motel era apenas o início de uma nova fase de nossa cumplicidade doentia.
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