Naquela manha quando bati na porta da sala de Ricardo. Ele estava no prédio administrativo, um anexo de vidro fumê onde poucos alunos tinham acesso. A porta se abriu antes que eu pudesse bater segunda vez.
Ricardo chegava bem cedo. estava de pé atrás da mesa, o terno Armani azul-escuro trocado por um blazer casual cinza, mas a postura era a mesma — ereta, autoritária, como se o mundo devesse se curvar à sua presença. Seus olhos me avaliaram em silêncio por um longo momento.
— Você parece que não dormiu — disse ele, indicando a cadeira em frente à mesa.
— Não dormi — respondi, sentando-me. — Eu vi. Ontem à noite. Vi o ritual.
Ricardo não se moveu. Apenas inclinou-se para a frente, apoiando os cotovelos na mesa de mogno.
— Conte-me tudo. Cada detalhe!!!.
Eu contei. A quadra abandonada que não era abandonada. A escada secreta. O auditório subterrâneo. As velas. Maya nua no altar. Os cinco de capuz — Daniel, os gêmeos, Rafael, Kenji. A penetração, o gozo, os símbolos aparecendo na pele dela. As palavras em língua antiga. As velas apagando-se sozinhas.
Quando terminei, Ricardo estava pálido. Não era medo — era excitação contida.
— Eu sabia — murmurou ele, mais para si mesmo do que para mim. — Sabia que eles estavam ativos no Helsing, mas não que já tinham iniciado... oferendas.
— O que são esses símbolos? — perguntei. — O que é esse ritual?
Ricardo levantou-se, caminhou até a janela, olhando para o pátio vazio lá embaixo.
— É antigo. Mais antigo que a Seita como a conhecemos. O Núcleo acredita que existem... entidades. Seres que dormem sob a terra, em lugares específicos. O Pão de Açúcar é um desses lugares. Eles acreditam que através de sexo ritualístico, de oferendas de sangue e semen, podem acordar esses seres. Ganhar poder sabe.
— Isso é loucura — falei, mas minha voz não tinha convicção.
— É religião — corrigiu Ricardo, virando-se para mim. — Toda religião parece loucura para quem não acredita. A diferença é que esta... funciona. Ou pelo menos, eles conseguem resultados. Eu estava investigando há meses. Tentando descobrir quem são os membros ativos. Você acabou de me dar cinco nomes.
Ele voltou à mesa, abriu uma gaveta, tirou um envelope preto.
— Parabéns, Matheus. Você passou no teste. Não apenas como observador, mas como alguém que sabe quando agir e quando observar.
Ele jogou o envelope sobre a mesa. Peguei. Era pesado.
— Cartão de crédito corporativo — explicou Ricardo. — Limite de cinquenta mil por mês. Use para missões, roupas, subornos, o que for necessário. A Seita cobre tudo. Mas saiba: cada real gasto será auditado. Não desperdice com bobagens.
Segurei o cartão, sentindo o peso do plástico preto fosco. Cinquenta mil por mês. Era mais dinheiro do que meu pai ganhava em um ano, antes de desaparecer.
— Por que eu? — perguntei. — Por que esse investimento?
Ricardo sorriu, aquele sorriso que não alcançava os olhos.
— Porque você é o primeiro em quinze anos que consegue chegar perto do Núcleo sem ser detectado. E porque... — ele fez uma pausa, o olhar distante — ...porque eu preciso de alguém lá dentro. Alguém que não seja um Guardião. Alguém que seja invisível para eles.
O intervalo chegou como um alívio. O saguão estava barulhento, mas eu sabia onde encontrar quem precisava. Fui até a biblioteca — um espaço imenso de três andares, com estantes de madeira de lei que chegavam ao teto. No último andar, uma sala de estudos privativos, isolada, onde poucos alunos subiam.
Eles já estavam lá. Isabela sentada em uma poltrona de couro, pernas cruzadas, uniforme impecável mas olheiras profundas. Edna em pé junto à janela, observando o pátio, o corpo tenso. Neguin e Paulo sentados no chão, costas na estante, parecendo peixes fora d'água. E Pamela, encostada na mesa central, braços cruzados, o olhar fixo em mim quando entrei.
— Fechou a porta — ordenou ela, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.
Obedeci. A porta se fechou com um clique suave.
— O que foi tão urgente por que a mensagem? — perguntou Isabela preocupada.
Eu contei. De novo. Mas desta vez, completo. O ritual, os símbolos, o que Ricardo disse sobre entidades e oferendas. Quando terminei, o silêncio foi absoluto.
— Isso é... — Paulo começou, mas não encontrou palavras.
— Demoníaco — completou Edna, a voz tremendo. — Eu li sobre isso. Em livros de história da arte. Cultos de fertilidade antigos. Mas pensei que fossem extintos.
— Não estão — disse Pamela, surpreendentemente calma. — Eles apenas se modernizaram. Escondem em escolas, empresas, clubes de golfe. Lugares onde o poder se concentra.
Olhei para ela. Ela sabia mais do que contava.
— Precisamos de um plano — falei, assumindo o controle. — Dividir tarefas. Paulo, você é o mais... sociável. Preciso que você tente se aproximar de Maya.
— Maya? — Paulo arqueou uma sobrancelha.
— A garota do ritual. A mestiça. Ela deve ser do terceiro ano B. Se aproxime dela. Namore, seja amigo, o que for. Descubra o que ela sabe. Se ela está sendo forçada ou se é voluntária.
Paulo assentiu, um brilho de desafio nos olhos.
— Neguin, você vai ajudá-lo. Fiquem de olho nos amigos de Daniel. Movimentação, horários, padrões.
Neguin concordou, sério.
— Pamela, você disse que ia ao shopping com a gente — continuei, olhando para ela. — Precisamos de roupas. Não essas — apontei para o uniforme —, mas de verdade. Para nos misturarmos com a elite. Para sermos invisíveis no mundo deles.
Pamela sorriu, aquele sorriso mandão que eu já conhecia.
— Finalmente uma tarefa digna. Vou transformar vocês três em algo apresentável.
— E nós? — perguntou Isabela, indicando Edna e ela mesma.
— Vocês vão investigar o professor Bruno — respondi. — O novo de História. Ele sabe algo. As questões na prova... eram código. Ele está testando quem conhece o Núcleo. Descubram o que ele é. Guardião? Membro? Ou apenas um observador?
Isabela e Edna trocaram um olhar. Concordaram.
— Agora dispersar — ordenei. — Não falem sobre isso em lugar nenhum. Nem em mensagens. Nem em ligações. Apenas pessoalmente, em locais seguros.
Eles saíram um a um. Pamela foi a última. Parou na porta, olhando por cima do ombro.
— À tarde, no estacionamento. Não se atrase. E traga dinheiro — ela sorriu —. Vamos gastar bem.
O shopping era um universo à parte. Não era como os centros comerciais que eu conhecia — era um palácio de mármore e vidro, lojas de grife que eu só ouvira falar em revistas que minha mãe nunca podia comprar. Pamela nos guiava como uma general de guerra, apontando, ordenando, transformando.
— Neguin, você precisa de ternos. Não esses de alfaiataria barata. Armani, Dolce & Gabbana. Corte slim, escuros. Azul-marinho, cinza antracito, preto absoluto.
— Paulo, você é mais atlético. Ralph Lauren, Tommy Hilfiger. Roupas de lazer de rico. Pólos que custam o salário de um professor, calças de linho, sapatos de couro italiano que parecem descuidados mas custam mil dólares.
E para mim, ela tinha planos especiais.
— Você precisa de armadura — disse ela, me levando a uma loja onde um segurança de terno nos observava com desconfiança. — Não literal. Mas roupas que digam: eu pertenço aqui. Que digam: eu sou perigoso, mas elegante.
Passamos horas provando. Pamela escolhia sem hesitar — um blazer de cashmere azul-escuro que custava oito mil, calças de alfaiataria que se moldavam ao corpo como segunda pele, camisas de seda que deslizavam sob os dedos. Ela me vestia, ajustava, tocava meu ombro, minha cintura, sem pudor.
— Você tem porte — disse ela, enquanto eu olhava no espelho, quase não me reconhecendo. — Postura de quem manda. Mas precisa de confiança. A roupa dá a primeira metade. O resto... — ela bateu no meu peito — ...vem de dentro.
Neguin e Paulo também se transformaram. Quando saímos da última loja, carregando varias sacolas de papel com logotipos dourados, parecíamos outros garotos. Não mais os intrusos da escola pública. Agora éramos herdeiros, jovens executivos, predadores de colarinho branco.
— Agora, acessórios — anunciou Pamela, levando-nos a uma joalheria.
— A gente precisa de joias? — perguntou Neguin, incrédulo.
— Precisa de credibilidade — corrigiu Pamela. — Um relógio bom. Não Rolex, são muito óbvios. Algo mais sutil. Jaeger-LeCoultre. Panerai. Algo que diga: eu tenho dinheiro, mas não preciso provar.
Escolhemos. O meu foi um Jaeger-LeCoultre preto, discreto, que custava quinze mil. Neguin escolheu um Panerai robusto, militar. Paulo, um IWC mais esportivo.
Quando saímos do shopping, já era noite. O cartão de Ricardo havia engordado, mas não esgotado. Ainda havia margem.
Pamela nos deixou na porta do Corolla Cross.
— Amanhã, vocês usam isso — disse ela, olhando para cada um de nós.
Ela se aproximou de mim, tão perto que senti o perfume caro.
— Me encontre às vinte e três horas. No estacionamento dos fundos. Traga... disposição para ler.
Ela se foi, desaparecendo em seu próprio carro — um Porsche Cayenne preto, motorista uniformizado.
O encontro foi rápido. Pamela estava nervosa, mais do que eu a vira. Olhava para os lados a cada segundo, enquanto me entregava um pacote envolto em tecido preto.
— O livro — sussurrou ela. — Meu pai não percebeu ainda, mas vai perceber . Você tem pouco tempo para ler e devolver.
— Você leu?
— Partes. — Ela engoliu em seco. — Matheus... tem coisas lá dentro. Sobre sua família. Sua mãe. Seu pai. Coisas que... — ela parou, os olhos marejados — ...que mudam tudo.
— O que você viu?
— Leia — disse ela, se afastando. — E depois... depois me diga se ainda somos amigos.
Ela desapareceu nas sombras.
Fui para meu apartamento. Travei a porta. Acendi apenas uma luz de cabeceira. E abri o livro.
Era antigo. Não no sentido de velho e empoeirado, mas no sentido de... atemporal. Couro preto gasto, páginas de papel fino, quase translúcido, com letra que parecia ter sido escrita à mão por muitas gerações.
O começo era sobre o Núcleo. Suas origens. Como seis dos Nove Fundadores originais se separaram da Seita principal em 243 a.C., acreditando que o poder vinha não do controle humano, mas de entidades antigas. Eles desenvolveram rituais, oferendas, formas de comunicação com o "Outro Lado".
Folheei. Páginas sobre símbolos, datas, locais de poder. E então, uma seção intitulada: "Guardiões e Guerreiros".
Meu dedo parou num nome.
Carlos Eduardo Silva. Suposto Guardião, região Sudeste. Status: DESAPARECIDO. Última localização: Rio de Janeiro, bairro da Barra. Observações: Pai do candidato atual. Possível traição ou eliminação pelo Núcleo.
Meu pai. Meu pai era um Guardião. Um dos trinta e três. E estava desaparecido — não por acidente, mas possivelmente eliminado.
As mãos tremiam quando virei a página. E lá estava ela.
Ana Lucia Silva. Guerreira de Elite, Seita Principal. Especialista em artes marciais (jiu-jitsu, muay thai, krav maga), armamento (precisão em tiros a longa distância), combate com facas. Treinada no campo de Petrópolis. Status: DORMENTE. Observações: Mãe do candidato atual. Mente implantada. Memórias suprimidas para proteção do ativo.
A mente parou. Literalmente parou.
Minha mãe. A mulher desajeitada, que derrubava copos, que cozinhava feijão com arroz, que trabalhava como garçonete, que parecia frágil e cansada...
Era uma assassina treinada? Uma guerreira de elite?
Li de novo. E de novo. "Mente implantada. Memórias suprimidas." Isso explicava a ligação. A frieza. O "vou resolver tudo". Ela estava acordando. Voltando a ser quem era antes.
E então, no final, uma página quase em branco. Apenas um nome, escrito em letra diferente, mais recente, como se tivesse sido adicionado recentemente.
Matheus Silva. Candidato. Status: ESCOLHIDO. Observações: ???
Sem explicação. Sem contexto. Apenas "Escolhido". E três pontos de interrogação, como se nem quem escrevera soubesse o porquê.
Fechei o livro. As mãos tremiam tanto que derrubei uma xícara de café que estava na mesa. O som do vidro quebrando ecoou no apartamento vazio.
Escolhido. Para quê? Por quem?
O Núcleo? A Seita? Algo mais antigo que ambos?
Peguei o celular. Liguei para Pamela. Ela atendeu no primeiro toque.
— Você leu — disse ela. Não era pergunta.
— O que significa "Escolhido"? — minha voz saiu rouca, quase um rosnado. — O que significa "mente implantada"?
— Eu não sei — ela respondeu, e parecia verdade. — Mas Matheus... seu pai não é o único Guardião desaparecido. Há dezenas. E todos têm filhos na mesma faixa etária que você. Todos foram "escolhidos" em algum momento.
— Isso é um programa? — gritei, não me importando mais com quem ouvia. — Estão nos criando para quê? Para ser o quê?
— Eu não sei — repetiu ela. — Mas amanhã... amanhã meu pai vai perceber que o livro sumiu. E aí, tudo muda. A gente precisa estar pronto.
Desliguei. Olhei para o livro na mesa, o couro preto absorvendo a luz fraca.
Minha mãe, uma guerreira. Meu pai, um Guardião desaparecido. E eu... eu era apenas uma peça. Um peão em um tabuleiro que eu nem sabia que existia.
Peguei o livro. Saí no frio da noite. Fui devolvê-lo para Pamela, mas minha mente estava longe.
Estava em 243 a.C., em um templo de pedra, vendo seis homens de máscaras de animais se separarem dos outros . Estava em uma sala de treinamento em Petrópolis, vendo minha mãe quebrar pescoços e atirar em alvos a cinquenta metros. Estava em um escritório na Barra, vendo meu pai assinar documentos que condenariam homens à morte.
E estava aqui, agora, Matheus, dezenove anos, nível doze da Seita, escolhido por algo que não compreendia, segurando um livro que não deveria existir, caminhando para uma guerra que não tinha escolhido.
O único consolo, se é que havia algum, era que agora eu sabia.
E quem sabe, muitas vezes, é mais perigoso do que quem apenas age.
Mas era tarde demais para voltar eu precisava ver Pâmela.
A portão de ferro trabalhado se abriu com um zumbido mecânico, revelando um mundo que eu desconhecia. Pamela não tinha exagerado quando disse que morava em uma mansão — o lugar era imenso, uma construção de três andares que parecia ter sido transportada diretamente de algum filme de Hollywood, com colunas coríntias, janelas do chão ao teto e um jardim que parecia mais um parque particular.
— Boa noite, senhor — um segurança uniformizado me cumprimentou enquanto eu estacionava na área designada. — A senhorita Pamela já avisou que o senhor viria. Terceiro andar, suíte principal.
Terceiro andar. Suíte principal. As palavras soavam estranhas na minha boca, como se eu estivesse entrando em outra dimensão. Outros dois seguranças patrulhavam os arredores, todos armados, todos de olho em mim. Não de forma hostil — era apenas o protocolo. A família de Pamela claramente levava a segurança a sério.
O mordomo — sim, um mordomo de verdade, terno impecável e tudo — me conduziu através de um saguão com piso de mármore que ecoava a cada passo. Uma escadaria dupla serpenteava em direção aos andares superiores, e eu me senti absurdamente fora de lugar com minha jaqueta de couro e minha mochila surrada.
— Matheus?
A voz de Pamela veio do topo da escada. Ela estava de pijama — um conjunto de seda azul-clara que realçava a pele dourada dos braços e das pernas. Seus cabelos estavam soltos, caindo em ondas escuras pelos ombros, e ela segurava um livro contra o peito.
— Você veio — ela sorriu, e havia algo diferente naquele sorriso. Algo mais suave, mais vulnerável.
— Prometi que traria — eu disse, subindo as escadas, consciente de cada passo que dava naquele mármore frio.
Quando cheguei ao topo, estávamos frente a frente. Ela estava mais baixa sem os saltos, seus olhos castanhos no nível dos meus lábios. O perfume dela — algo floral e quente — preenchia o espaço entre nós.
— Obrigada — ela sussurrou, pegando o livro que eu estendia. Seus dedos tocaram os meus, e nenhum de nós dois se moveu para quebrar o contato. — Você... você leu?
— A noite toda — eu admiti. — Não consegui parar.
Ela riu, um som baixo e rouco.
— Eu também. Quando comecei, foi impossível largar.
Nossos olhos se encontraram, e houve um momento — aquele tipo de momento que parece existir fora do tempo. O barulho distante da cidade, o zumbido da casa, tudo parecia desaparecer. Eu podia ver as pupilas dela se dilatarem, podia sentir o calor que emanava de seu corpo tão próximo do meu.
Pamela deu um passo à frente, quase imperceptível. Eu inclinei a cabeça, instintivamente, sentindo minha respiração acelerar. Seus lábios se separaram ligeiramente, e eu sabia — sabia — que se eu baixasse a cabeça alguns centímetros, nossas bocas se encontrariam.
Ela levantou o rosto, seus olhos fechando-se parcialmente. Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que ela podia ouvir. Meus dedos encontraram a cintura dela, puxando-a mais perto, e ela veio sem resistir, seu corpo pressionando contra o meu.
Nossas respirações se misturaram. Eu podia sentir o cheiro do creme que ela usava, podia ver cada pestana, cada pequena sarda no nariz dela. Estávamos tão perto que o ar entre nós parecia carregado de eletricidade.
— Matheus... — ela sussurrou, e era uma pergunta e uma resposta ao mesmo tempo.
Meus lábios desceram alguns milímetros, quase tocando os dela. Quase. Seus dedos subiram pelo meu peito, agarrando a jaqueta, me puxando mais para perto. Estávamos no limiar, naquele espaço infinitesimal que separa o desejo da realização.
Então ela se afastou.
Não muito — apenas o suficiente para que nossos lábios não se encontrassem. Mas o suficiente para quebrar o feitiço.
Ela sorriu, e havia gratidão naquele sorriso, e algo mais — algo que parecia com medo, mas não de mim. De si mesma, talvez. De o que sentia.
— Você deveria ir — ela disse suavemente. — Está tarde.
— Está — concordei, dando um passo atrás, forçando minhas mãos a soltarem a cintura dela.
Desci as escadas sentindo seus olhos em mim o tempo todo. Quando cheguei o segurança noturno me cumprimentou com um aceno que parecia carregar um conhecimento implícito — ele tinha visto muitas coisas naquela casa, suponho.
Liguei o motor e acelerei, deixando a mansão para trás, carregando comigo o peso do quase. Do quase beijo que mudaria tudo. Do momento que não aconteceu, mas que de alguma forma, mudou tudo mesmo assim.
Quando parei na garagem de casa, o relógio marcava 3:47 da manhã. A rua estava em silêncio absoluto, apenas os grilos e o farfalhar das folhas quebrando a quietude da madrugada.
Desliguei o carroo e subi as escadas, tentando ser o mais silencioso possível. Mas minha exaustão — física e emocional — falou mais alto. Minha chave escorregou da fechadura, caindo no piso de madeira com um som que pareceu ecoar como um tiro na quietude da casa.
— Merda — sussurrei, abaixando-me para pegá-la.
Quando me endireitei, duas portas se abriram simultaneamente. Edna surgiu da sua, vestindo apenas uma camisola branca de algodão que chegava acima dos joelhos, seus cabelos loiros desgrenhados de sono. Do outro lado do corredor, Isabela apareceu na porta, usando um short de ginástica e uma camiseta larga, seus olhos ainda pesados.
— Matheus? — Edna piscou, ajustando os olhos à penumbra do corredor. — Que horas são?
— Quase quatro — eu respondi, sentindo-me como um adolescente pego voltando tarde. — Desculpem o barulho. Não queria acordar ninguém.
— Você está bem? — Isabela perguntou, seu tom carregado de preocupação genuína. Seus olhos percorreram meu corpo, como se estivesse verificando se eu estava inteiro. — Você parece... abalado.
— Estou bem — eu menti, ou talvez não mentisse completamente. — Só cansado. Fui devolver um livro para uma amiga e acabei conversando mais do que devia.
Edna e Isabela trocaram um olhar. Não era um olhar de ciúmes — ou pelo menos não apenas isso. Era algo mais profundo, uma comunicação silenciosa entre duas mulheres que compartilhavam algo que eu ainda não compreendia completamente.
— Você está tremendo — Edna notou, aproximando-se. Sua mão encontrou a minha, e seus dedos estavam quentes contra minha pele fria. — Está congelando. Entra, vou fazer um chá.
— Não precisa, eu...
— Entra, Matheus — ela repetiu, e havia algo em sua voz que não admitia discussão. — Isabela, você quer um também?
Isabela hesitou por um momento, seus olhos fixos em mim. Então ela assentiu.
— Vou fazer companhia — ela disse simplesmente.
Segui Edna até a cozinha, consciente de que Isabela vinha atrás. Edna movia-se com eficiência, acendendo as luzes baixas, enchendo a chaleira, pegando canecas do armário.
— Senta — ela indicou o sofá da sala de estar adjacente. — Você parece que vai desmaiar.
Obedeci, caindo no sofá de couro que gemeu sob meu peso. Isabela sentou-se do meu lado direito, enquanto Edna, após colocar a chaleira no fogo, ocupou o espaço à minha esquerda. Fiquei ali, preso entre elas, sentindo o calor de seus corpos irradiando para o meu.
Nós três bebemos nossos chás em silêncio por alguns momentos. Eu podia sentir a tensão no ar — não uma tensão desconfortável, mas algo carregado, elétrico. O tipo de tensão que precede uma tempestade combinada entre as duas.
— Eu pensei em você hoje — Edna disse de repente, seus olhos no líquido ambarino de sua caneca. — Em como você estava quando... quando nós...
— Eu também — Isabela sussurrou. — Pensei em como as coisas mudaram. Em como nós mudamos.
Eu olhei para Edna, depois para Isabela. Elas não estavam se olhando — estavam ambas olhando para mim, mas havia uma consciência entre elas, uma compreensão silenciosa que eu mal conseguia entrever.
— O que vocês estão dizendo? — eu perguntei, minha voz mais rouca do que pretendia.
Edna colocou sua caneca na mesa de centro. Então ela fez algo que eu não esperava — ela pegou a mão de Isabela, e depois a minha, unindo nossos três punhos no espaço entre nós.
— Estamos dizendo — ela começou, sua voz firme mas suave — que nós duas conversamos. Muito. Sobre você. Sobre nós. Sobre o que sentimos.
— E o que vocês sentem? — eu perguntei, quase sem fôlego.
Isabela foi quem respondeu, sua voz tão baixa que eu precisei me inclinar para ouvir:
— Que não queremos dividir você. Que não queremos que você tenha que escolher. Que... — ela engoliu em seco — que talvez exista uma maneira de não precisarmos escolher também.
O significado de suas palavras demorou a penetrar. Quando finalmente entendi, senti meu coração acelerar, o sangue pulsar em meus ouvidos.
— Vocês estão dizendo...
— Estamos dizendo que nós duas... — Edna pausou, procurando as palavras. — Que nós duas queremos você. E que, se você quiser... nós podemos tentar. As três pessoas. Juntas.
A palavra "juntas" pairou no ar entre nós, pesada de possibilidades. Eu olhei de uma para outra, vendo o nervosismo em seus olhos, a coragem que aquela proposta exigia, a vulnerabilidade de colocarem seus desejos — e seus medos — tão claramente à mostra.
— Eu não quero que nenhuma de vocês se machuque — eu disse, e era a verdade mais pura que eu conhecia. — Eu não quero que isso seja... banal. Que seja apenas sexo. Vocês merecem mais do que isso.
— Nós sabemos — Edna disse, e havia lágrimas em seus olhos que ela não derramou. — Por isso conversamos tanto. Por isso estamos aqui, às quatro da manhã, oferecendo algo que nunca imaginamos oferecer. Porque você é especial, Matheus. Porque o que sentimos por você... é especial.
Isabela moveu-se mais perto, sua coxa pressionando contra a minha.
— Eu tenho medo — ela admitiu, e a honestidade em sua voz me partiu o coração. — Medo de não ser suficiente. Medo de que Edna seja melhor, mais experiente, mais... tudo. Mas eu também tenho medo de não tentar. De perder você sem nunca ter tido a coragem de dizer o que sinto.
— E eu tenho medo de ser a mais velha — Edna acrescentou, seu tom carregado de uma vulnerabilidade rara. — De que você me veja como... uma aventura. Algo passageiro. Eu não quero ser passageira, Matheus. Eu quero ser permanente. Mesmo que seja junto com outra pessoa.
Eu olhei para elas, realmente olhei, vendo além da superfície. Vi Edna — sua força, sua determinação, seu coração que ela guardava tão cuidadosamente. Vi Isabela — sua doçura, sua lealdade, sua coragem silenciosa. E vi a mim mesmo, um garoto perdido que de alguma forma tinha encontrado duas mulheres dispostas a compartilhar seu coração.
— Eu não mereço vocês — eu sussurrei.
— Nós decidimos o que merecemos — Edna respondeu, e havia um sorriso tremulo em seus lábios. — E nós decidimos que queremos isso. Se você quiser.
Eu não respondi com palavras. Em vez disso, estendi as mãos, uma para cada uma, e acariciei seus rostos. Edna virou o rosto em minha palma, beijando o centro da minha mão. Isabela fez o mesmo do outro lado.
E então, movendo-me lentamente — dando a ambas a chance de recuar, de dizer não — inclinei-me e beijei Edna. Foi um beijo suave, cheio de promessas e gratidão. Quando nos separamos, virei-me para Isabela, e nossos lábios se encontraram em um beijo igualmente terno, igualmente carregado de emoção.
Quando nos afastamos, Edna já estava de pé, estendendo as mãos para nós dois.
— Vamos para o meu quarto — ela disse. — É maior. E tem uma cama que cabe nós três.
O quarto de Edna era como ela — elegante, organizado, mas com toques de calor que tornavam o espaço acolhedor. Uma cama king-size ocupava o centro do cômodo, com lençóis de cetim branco que brilhavam sob a luz suave da luminária de cabeceira.
Edna fechou a porta atrás de nós, e de repente estávamos os três em um espaço privado, a realidade do que estávamos prestes a fazer pesando no ar.
— Nós não precisamos apressar nada — eu disse. — Podemos apenas... ficar juntos. Conversar.
— Eu quero — Edna disse, e havia determinação em seus olhos. — Eu quiso você desde o primeiro momento em que você me salvo, Matheus. E agora... agora eu quero isso. Nós três.
Ela se aproximou de mim, suas mãos encontrando a barra da minha camiseta. Isabela veio por trás, suas mãos deslizando pelas minhas costas, ajudando Edna a remover minha roupa. Eu me senti entre elas, envolvido pelo calor de seus corpos, pelo perfume misturado de suas peles.
Quando fiquei sem camisa, Edna beijou meu peito, seus lábios quentes contra minha pele. Isabela fez o mesmo nas minhas costas, e eu gemi, sentindo minhas pernas fraquejarem. Elas me guiaram até a cama, e eu me sentei na beirada, observando enquanto se olhavam.
— Você está certa disso? — Edna perguntou a Isabela, e havia ternura em sua voz — ternura e algo mais, algo que parecia com desejo também.
— Estou — Isabela respondeu. — Eu quero ver você. Quero aprender com você.
Edna sorriu, e foi um sorriso de mulher que sabia exatamente o que estava fazendo. Ela se virou de costas para Isabela, olhando por cima do ombro.
— Me ajuda?
Isabella hesitou por um momento, então seus dedos encontraram a barra da camisola de Edna. Ela a levantou lentamente, revelando a pele pálida e suave, as costas elegantes, a curva da cintura. Quando a camisola caiu no chão, Edna ficou apenas de calcinha, e eu podia ver o tremor de seus ombros — não de frio, mas de excitação e nervosismo.
— Sua vez — Edna disse, virando-se para Isabela.
Isabela tirou a própria camiseta, revelando seios pequenos e firmes, com mamilos rosados e já endurecidos. Ela hesitou no short, então Edna se aproximou, seus dedos deslizando pela cintura da calcinha de Isabela, ajudando-a a remover a última peça de roupa.
Quando ambas estavam nuas, eu as observei, respirando com dificuldade. Elas eram tão diferentes — Edna, alta e curvilínea, com seios generosos e quadris largos; Isabela, mais baixa e esguia, com linhas delicadas e pele de porcelana. E eram tão belas que doía olhar.
— Você está lindo — Edna disse, aproximando-se e desabotoando minha calça jeans. — Deitado. Deixa-nos cuidar de você.
Obedeci, deitando-me no centro da cama enquanto elas removeram minha calça e minha cueca. Meu pau estava duro, pulsando contra meu estômago, e eu vi os olhos de Isabela se arregalarem ligeiramente antes de ela sorrir — um sorriso tímido mas cheio de antecipação.
Edna foi a primeira a se mover. Ela se deitou ao meu lado direito, sua boca encontrando a minha em um beijo profundo e demorado. Sua mão desceu pelo meu peito, minha barriga, até encontrar meu pau, e eu gemi em sua boca quando seus dedos me envolveram.
Do outro lado, Isabela se aproximou, hesitante. Eu estendi a mão livre, acariciando seu rosto, guiando-a para mais perto. Ela beijou meu pescoço, minha clavícula, descendo lentamente enquanto Edna continuava a me masturbar com movimentos firmes e deliberados.
— Você gosta? — Edna perguntou, sua voz rouca.
— Sim — eu respirei. — Deus, sim.
— E isso? — ela perguntou, e então eu senti — a boca quente de Isabela envolvendo a ponta do meu pau, sua língua circulando a cabeça em movimentos tímidos mas ansiosos.
Eu grunhi, minhas mãos agarrando os lençóis. Edna riu, um som baixo e sensual, e então ela também se moveu, sua boca encontrando meu pescoço enquanto sua mão continuava a trabalhar na base do meu pau, onde a boca de Isabela não alcançava.
— Deixa ela praticar — Edna sussurrou em meu ouvido. — Ela quer aprender. Quer agradar você.
Eu olhei para baixo, vendo Isabela — seus olhos fechados, seus lábios rosados esticados ao redor de mim, seu cabelo caindo sobre meu estômago. Ela parecia tão concentrada, tão determinada a fazer isso direito, que eu senti algo se contrair em meu peito — algo que não era apenas desejo, mas uma emoção mais profunda, mais perigosa.
— Isa — eu gemi, minha mão encontrando seu cabelo, acariciando-a gentilmente. — Isa, você está perfeita. Tão perfeita.
Ela gemeu em resposta, a vibração percorrendo meu pau, e eu quase gozei ali mesmo. Mas Edna parecia sentir minha proximidade, porque ela afastou Isabela gentilmente, beijando-a na boca — um beijo surpreendente e intenso que fez meu pau pulsar ainda mais.
— Vamos deixá-lo esperar um pouco — Edna disse, sorrindo contra os lábios de Isabela. — Ele precisa nos dar atenção também.
Ela se deitou ao meu lado, abrindo as pernas, e eu vi quão molhada ela estava — sua buceta brilhando, seus lábios inchados de desejo. Isabela se posicionou do outro lado, imitando a postura de Edna, e de repente eu estava entre duas mulheres nuas, ambas abertas para mim, ambas me querendo.
— Por favor — Isabela sussurrou, e era a primeira vez que eu a ouvia implorar. — Por favor, Matheus.
Eu me movi, primeiro para Edna. Enterrei o rosto entre suas pernas, minha língua encontrando seu clitóris, e ela gritou — um som alto e desinibido que eu nunca tinha ouvido dela. Eu a chupei, circulei, mergulhei minha língua em sua buceta, sentindo seu gosto salgado e familiar inundar minha boca.
Enquanto eu trabalhava em Edna, senti as mãos de Isabela em mim — acariciando meu pau, minhas bolas, explorando com uma curiosidade ansiosa. Eu gemi contra a buceta de Edna, e ela respondeu com um gemido ainda mais alto, suas coxas se fechando ao redor da minha cabeça.
— Mais — ela exigiu. — Mais, Matheus. Por favor.
Eu obedeci, introduzindo dois dedos nela enquanto minha boca continuava a trabalhar em seu clitóris. Ela começou a tremer, suas unhas arranhando os lençóis, e eu sabia que ela estava perto.
— Eu vou... eu vou gozar — ela avisou, sua voz estrangulada. — Não para, por favor, não para...
Eu não parei. Eu a levei até o limite, sentindo suas paredes internas se contraírem ao redor dos meus dedos, ouvindo seu grito de prazer ecoar no quarto. Quando ela finalmente relaxou, ofegante e trêmula, eu me afastei, lambendo os lábios, saboreando seu gosto.
— Sua vez — Edna disse, ainda ofegante, olhando para Isabela com um sorriso preguiçoso. — Ele é incrível, não é?
Isabela assentiu, seus olhos brilhando. Eu me movi para ela, posicionando-me entre suas pernas. Ela era menor, mais apertada, e eu podia ver o nervosismo em seus olhos.
— Diga se quiser que eu pare — eu sussurrei, beijando a parte interna de suas coxas.
— Não pare — ela respondeu, suas mãos agarrando meus cabelos. — Nunca pare.
Eu a penetrei com minha língua, sentindo-a se abrir para mim. Ela gemeu, um som mais alto do que eu esperava, e eu senti Edna se mover — ela se posicionou ao lado de Isabela, beijando-a enquanto eu chupava sua buceta. A visão das duas — bocas entrelaçadas, corpos se tocando — foi quase demais para eu aguentar.
Eu trabalhei Isabela com minha boca e dedos, sentindo-a se molhar cada vez mais, ouvindo seus gemidos aumentarem de volume. Quando ela gozou, foi com um grito que Edna engoliu em seu beijo, seu corpo arqueando do colchão, suas pernas apertando minha cabeça com força.
Quando ela relaxou, eu me afastei, respirando com dificuldade. Meu pau doía de tanto desejo, e eu precisava estar dentro de uma delas — precisava sentir aquela conexão, aquela intimidade.
— Eu preciso... — eu comecei, minha voz rouca.
— Eu sei — Edna disse, e havia compreensão em seus olhos. — O que você quer?
Eu olhei entre elas, minha mente correndo com possibilidades.
— Eu quero... — eu respirei fundo. — Eu quero vocês duas. De formas diferentes. Edna... eu quero seu cu. E Isabela... eu quero sua buceta. Mas eu quero que vocês... — eu hesitei, sentindo-me corar. — Eu quero que vocês se toquem. Se beijem. Enquanto eu estiver dentro de vocês.
Elas se olharam, e por um momento eu temi ter ido longe demais. Então Edna sorriu — um sorriso malicioso e cheio de promessas.
— De quatro — ela disse a Isabela. — De quatro, de frente para mim.
Isabela obedeceu, virando-se e apoiando-se nos cotovelos, sua bunda elevada no ar. Edna se posicionou da mesma forma, de frente para Isabela, suas bundas lado a lado, suas bucetas expostas para mim.
— Escolha — Edna disse, olhando por cima do ombro. — Ou melhor... não escolha. Faça as duas.
Eu me aproximei, primeiro alinhando-me com Isabela. Eu a penetrei devagar, sentindo-a se abrir para mim, ouvindo seu gemido baixo. Eu a preenchi completamente, ficando imóvel por um momento, saboreando a sensação de estar dentro dela.
Então, sem sair de Isabela, eu me inclinei para a frente, minha boca encontrando a entrada do ânus de Edna. Eu a lubrifiquei com minha língua, sentindo-a se relaxar sob meu toque. Ela gemeu, um som profundo e gutural.
— Por favor — ela implorou. — Por favor, Matheus. Me fode.
Eu me posicionei atrás dela, guiando meu pau — ainda molhado da buceta de Isabela — para sua entrada traseira. Eu pressionei devagar, sentindo a resistência ceder, sentindo-a se abrir para mim. Ela gritou, não de dor, mas de plenitude, e eu gemi sentindo quão apertada ela era.
— Deus — eu ofeguei. — Edna, você está...
— Mais — ela exigiu. — Tudo. Me enfia tudo.
Eu a penetrei completamente, sentindo suas nádegas contra minha virilha. Então, obedecendo a um impulso, eu me inclinei para a frente e entrei em Isabela também — primeiro seus dedos, três deles, esticando-a, preparando-a. Ela gemeu, pressionando-se contra minha mão.
— Agora — eu disse, minha voz rouca de tensão. — Agora eu vou foder vocês duas. E vocês vão se tocar. Se beijar. Me mostrem o quanto me querem.
Eu comecei a mover-me em Edna — retiradas lentas, estocadas profundas, sentindo-a tremer sob mim. Com uma mão, eu alcançava Isabela, dedilhando-a enquanto minha outra mão agarrava o quadril de Edna.
Elas se moveram uma em direção à outra, seus rostos se encontrando no espaço entre seus corpos. Seus lábios se tocaram — timidamente primeiro, depois com mais confiança, mais paixão. Eu vi suas línguas se entrelaçarem, ouvi os gemidos misturados, e a visão foi tão erótica que eu quase perdi o controle.
— Isso — eu grunhi, aumentando o ritmo em Edna. — Isso, meu Deus, vocês são tão lindas. Tão perfeitas.
Edna gemia a cada estocada, suas paredes apertando meu pau em ondas rítmicas. Ela se afastou de Isabela por um momento, ofegante.
— Mais rápido — ela exigiu. — Me fode mais rápido, Matheus. Me faz sua puta.
Eu obedeci, aumentando o ritmo, sentindo minhas bolas baterem contra ela. O som de nossa pele se encontrando encheu o quarto, misturado aos gemidos de ambas.
Isabella se moveu, posicionando-se de lado, e então ela fez algo que me surpreendeu — ela deslizou a mão entre as pernas de Edna, encontrando seu clitóris, e começou a esfregá-lo enquanto eu a penetrava. Edna gritou, seu corpo convulsionando, e eu senti seu orgasmo começar — uma série de contrações violentas que a fizeram chorar de prazer.
— Não para! — ela gritou. — Não para, por favor, estou gozando, estou...
Eu continuei a fode-la através de seu orgasmo, sentindo-a se desfazer sob mim. Quando ela finalmente relaxou, ofegante e trêmula, eu me retirei, meu pau pulsando, ainda duro, ainda necessitado.
— Minha vez — Isabela sussurrou, e havia uma determinação em seus olhos que eu nunca tinha visto antes.
Ela se deitou de costas, abrindo as pernas para mim. Eu me posicionei entre elas, guiando meu pau para sua buceta. Ela estava tão molhada que eu deslizei facilmente, preenchendo-a completamente em uma única estocada.
— Sim — ela gritou, suas unhas cravando-se em minhas costas. — Sim, Matheus, sim!
Eu a fodei com força, perdendo-me na sensação de sua buceta apertada ao redor de mim. Edna se recuperou o suficiente para se mover — ela se posicionou ao lado de nós, beijando Isabela, acariciando seus seios, enquanto eu continuava a penetrá-la.
— Você gosta? — Edna perguntou a Isabela entre beijos. — Você gosta dele dentro de você?
— Sim — Isabela ofegou. — Sim, eu amo. Eu amo ele.
A confissão me pegou desprevenido, e eu senti algo se contrair em meu peito. Mas não havia tempo para processar — eu estava muito próximo do limite, minhas bolas contraídas, minha visão embaçada.
— Eu vou gozar — eu avisei, minha voz estrangulada. — Eu vou...
— Dentro — Isabela implorou. — Por favor, dentro de mim. Eu quero sentir você.
— Não — Edna disse de repente, e havia autoridade em sua voz. — Não nela. Em mim. Eu quero seu gozo em mim.
Antes que eu pudesse responder, Edna se reposicionou, guiando-me para fora de Isabela e para dentro de sua própria buceta. Ela estava tão molhada, tão quente, e eu a penetrei com um grunhido, sentindo-a me envolver.
— Agora — ela sussurrou, olhando nos meus olhos. — Goze em mim, Matheus. Me marca. Me faz sua.
Eu a fodei com força, sentindo meu orgasmo se aproximar como uma maré incontrolável. Isabela se moveu, sua boca encontrando os seios de Edna, chupando seus mamilos, e a visão foi demais — eu gritei, meu corpo inteiro se contraindo enquanto eu jorrava dentro de Edna, onda após onda de prazer me deixando cego e surdo.
Quando finalmente terminei, desabei sobre ela, ofegante, sentindo meu coração bater contra o dela. Isabela se aproximou, deitando-se ao nosso lado, e nós três ficamos ali, emaranhados, suados, exaustos.
— Isso foi... — Isabela começou, e não terminou. Não precisava.
— Isso foi só o começo — Edna disse, e havia uma promessa em suas palavras que me fez estremecer.
Nós deitamos ali por tempo indeterminado, acariciando-nos, beijando-nos ternamente, sem pressa. Quando finalmente nos separamos para nos limpar, já era quase cinco da manhã.
— Você precisa dormir — Edna disse, vestindo uma camisola. — Você tem aula.
— Eu sei — eu respondi, a realidade voltando com força. — Mas eu não quero ir embora.
— Então não vá — Isabela disse simplesmente. — Dorme aqui. Com a gente.
Eu olhei para a cama — grande o suficiente para os três, mas a ideia de dormir ali, entre elas, parecia perigosa. Não fisicamente — emocionalmente. Eu já estava me sentindo vulnerável demais, conectado demais.
— Eu preciso ir para o meu quarto — eu disse, me vestindo. — Só... só por precaução. Minha mãe não pode me encontrar aqui.
Elas entenderam. Edna me beijou, longa e profundamente. Isabela fez o mesmo. E então eu saí do quarto, caminhando pelo corredor silencioso até meu próprio quarto.
Quando me deitei na minha cama solitária, olhei para o relógio: 5:27 da manhã. Minha aula começava às sete. Isso me dava exatamente uma hora e trinta minutos de sono — trinta minutos para recuperar de uma noite que tinha mudado tudo.
Fechei os olhos, sentindo o cheiro delas ainda em minha pele, saboreando seus gostos ainda em minha língua. E enquanto a escuridão me levava, eu soube uma coisa com certeza absoluta: nada seria mais o mesmo com elas. Nunca mais.
Mas por enquanto eu dormi. E sonhei com duas mulheres que tinham decidido, juntas, que eu valia a pena.