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Queria Ser Síndica, mas Porteiros e Zeladores Me Viram Pelada - Parte 04 - [ARCO DO FUTEBOL - PARTE 5]

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Um conto erótico de Tatiana
Categoria: Heterossexual
Contém 13393 palavras
Data: 06/07/2026 00:20:10
Última revisão: 06/07/2026 15:27:12

AVISO AOS LEITORES: Este capítulo não terá uma cena de sexo, pra testar se consigo algo no estilo do Lucério em alguns capítulos da Tatiana. No entanto, este capítulo serve de gatilho pra várias cenas de sexo futuras (e até algumas já publicadas nas partes anteriores).

CRONOLOGIA: Os eventos narrados aqui vão de 31 de julho de 2025 (quinta-feira) a 1 de agosto de 2025 (sexta-feira).

Meu nome é Tatiana, tenho 32 anos e sou jornalista investigativa em um dos principais jornais da cidade. Sou movida por curiosidade e uma espécie de teimosia natural, dessas que não me deixam dormir quando sinto que tem algo errado.

Tenho por volta de 1,73m, mas com o corpo firme de quem sempre cuidou bem de si. Tenho a pele clara, que pega um bronze bonito no verão. Meu rosto é oval, o nariz fino, os lábios medianos. O cabelo é castanho e liso, cortado pouco abaixo dos ombros, com uma franja longa que insiste em cair sobre meus olhos. Tenho seios pequenos, mas bem proporcionais, com a firmeza de quem ainda não se rendeu ao tempo, uma cintura estreita e um quadril discreto, que termina em um bumbum arredondado, firme, que chama atenção quando caminho. Gosto das minhas pernas longas e das linhas sutis que aparecem no abdômen quando me estico diante do espelho. Sempre achei que meu corpo fosse o retrato da minha personalidade: discreto, mas forte e disciplinado.

Esta é a história de quando eu pausei a minha guerra contra o síndico por uma noite pra apoiar a minha nova melhor amiga na maluquice que o marido dela se meteu.

Cheguei ao campo ao lado da Jéssica e acompanhada por Rogério, Lorena, Lisandra e Vinícius. Ainda era estranho pensar na Jéssica como uma boa amiga. Em pouco tempo, ela tinha virado a pessoa para quem eu queria contar meus problemas, menos aquele pequeno detalhe de que eu tinha transado com o homem que vivia infernizando a vida dela.

A praça estava cheia. O campo tinha dimensões oficiais. Havia gente sentada em cadeiras trazidas de casa e grupos inteiros discutindo a escalação como se aquela partida valesse alguma coisa além de orgulho e futuras provocações no elevador.

O uniforme preto tinha ficado bonito no resto da equipe. Em mim, a camisa 21 ficava tão larga que eu podia guardar outro par de seios ali dentro. Puxei o tecido pra frente e observei o espaço entre a camisa e meu corpo.

— Tem alguma coisa errada com o meu uniforme — reclamei. — Eu sei que tenho seios pequenos, mas essa camisa parece ter sido feita pra uma mulher com duas cabeças.

A Lorena diminuiu o passo. Ela coçou a lateral do nariz e olhou pra Jéssica antes de responder, meio encabulada.

— Desculpa. Essa camisa foi encomendada pensando nas medidas da Eliana. Só tivemos tempo de trocar o nome pelo teu na personalização.

Olhei pra camisa outra vez. A Eliana tinha seios enormes, os maiores não-siliconados que já tinha visto na vida. A comparação entre o corpo dela e o meu explicava a quantidade de tecido sobrando na frente e nas axilas.

A Jéssica começou a rir. A camisa 14 estava muito melhor nela, justa nos seios médios e cheios, acompanhando a cintura antes de terminar sobre o calção.

O Rogério foi falar com o time e eu me aproximei do resto da turma da academia. Estávamos perto do banco quando vi o Lucério vindo em nossa direção. Senti o estômago apertar e diminuí o passo.

Ele usava uma camisa escura de mangas compridas, apesar do calor. A postura seguia curvada e as mãos estavam enfiadas nos bolsos. O rosto magro mantinha aquela expressão fechada que fazia parecer que ele sabia os pecados de todas as pessoas ao redor.

Eu conhecia aquele corpo sem roupa, lembrava das mãos magras apertando a minha bunda. Aquela informação ocupou minha cabeça inteira enquanto ele se aproximava da Jéssica.

Bastava o Lucério abrir a boca e dizer: “Boa partida, Jéssica. A propósito, comi sua amiga depois de uma conversa num bar.” Eu poderia cavar um buraco no meio do campo e passar o resto da vida lá.

— Tatiana. Jéssica — cumprimentou ele, com a voz fria e controlada. — Vim desejar uma boa partida. Espero que as duas terminem sem lesões.

A Jéssica colocou as mãos na cintura. O sorriso dela tinha aquela provocação costumeira que sempre aparecia quando conversava com ele.

— Você veio torcer por nós ou conferir se alguém vai quebrar a perna?

— Vim desejar boa sorte. E já fiz isso. Adeus.

A rivalidade dos dois tinha uma intimidade estranha. A Jéssica gostava de acreditar que existia algum lado bom escondido dentro daquele velho amargurado. O Lucério parecia convencido de que conseguiria corromper a mulher mais correta do condomínio.

O Lucério virou o rosto para mim. Tentei sorrir e senti minha boca assumir uma posição provavelmente preocupante.

— Boa partida, Tatiana.

— Obrigada. Para você também.

A frase saiu antes que o meu cérebro pudesse impedi-la. O Lucério nem sequer jogaria. Ele olhou pra mim em longo silêncio.

— Obrigado. Adeus.

Enquanto ele se virava e ia embora, a minha vontade era agarrar o alambrado e bater a testa nele até perder a memória dos últimos dois dias.

A Jéssica acompanhou o Lucério com os olhos durante alguns passos. Depois se virou para mim.

— O que aconteceu com você?

— O Lucério me deixa desconfortável.

Ela continuou me observando. Jéssica era inteligente e tinha começado a me conhecer bem demais. Por alguns instantes, achei que perguntaria diretamente se eu tinha transado com ele. Minha gola estava baixa naquele dia, sem qualquer marca para me denunciar, e mesmo assim senti vontade de cobrir o pescoço.

— Você ficou nervosa desde que viu ele vindo — comentou.

— Porque ele olha para as pessoas como se já soubesse alguma coisa.

Essa parte era verdade. Também era uma maneira muito conveniente de esconder a verdade maior. A Jéssica aceitou a resposta. Ela apertou meu braço e apontou pro banco.

— Vai sentar um pouco. O Rogério ainda está organizando os titulares.

Foi quando o vi seu Raimundo. Aos 73 anos, era calvo, comprido e magro, com a camisa 20 larga nos braços finos. Estava atrás da Rebecca, que tinha se sentado no banco, massageando os ombros dela.

A camisa preta se ajustava aos seios pequenos e firmes. O short marcava a cintura fina e a bunda compacta, empinada e redonda. As coxas modeladas ficavam expostas quase até a virilha. A Rebecca mantinha os olhos fechados, a cabeça inclinada e os lábios entreabertos enquanto os dedos magros dele pressionavam a base do pescoço. A expressão em seu rosto lembrava a de uma mulher quando alguém acertava o ritmo na buceta.

— Mais forte aqui — pediu ela.

— Assim?

— Isso... Meu Deus...

O seu Raimundo usou os polegares. Rebecca soltou um gemido baixo quando ele pressionou outro ponto.

— Aí. Isso.

Ele sorriu com satisfação.

— Está muito tensa, moça.

— Um pouco mais pro lado.

Seu Raimundo mudou os dedos. A Rebecca respirou fundo, fazendo os seios subirem sob a camisa.

— Isso. Nossa...

Foi quando a Rebecca abriu os olhos, viu o Jonas se aproximando e se endireitou depressa.

— Jonas! Você chegou.

Jéssica olhou de relance pros dois, sem demonstrar surpresa. Ela seguiu para perto da Lorena. As duas começaram a alongar as pernas junto ao banco. A Jéssica apoiou o calcanhar numa parte baixa do alambrado e se inclinou, esticando a parte posterior da coxa. A posição empinou a bunda redonda dela dentro do calção. A Lorena fez o mesmo ao lado, exibindo as pernas torneadas e a barriga lisa quando a camisa subiu um pouco.

Me sentei no banco e, pouco depois, o seu Raimundo sentou do meu lado. Ele acompanhava o movimento do campo com atenção e parecia tranquilo demais para alguém inscrito numa partida cheia de homens mais jovens. Percebeu que eu o observava e sorriu.

— Número 21, certo?

— Tatiana — respondi, estendendo a mão. — Acho que nunca fomos apresentados oficialmente.

Ele apertou minha mão com firmeza.

— Raimundo. Eu sei quem você é. Já votei em você para síndica.

Aquilo me fez endireitar na mesma hora.

— Votou mesmo?

— Nas duas vezes.

— Então o senhor faz parte de um grupo pequeno e muito querido.

O Seu Raimundo riu. O rosto dele ficava simpático quando sorria, com uma expressão viva que diminuía bastante a idade. Senti-me à vontade quase de imediato.

— Pretende tentar outra vez? — perguntou.

— Pretendo. O Alberto está praticamente fazendo campanha para mim com as próprias decisões.

— Ele anda se esforçando.

Olhei pro outro lado do campo. O síndico Alberto estava perto do banco do Time Enéias, usando o uniforme branco como se realmente tivesse sido escolhido pelo talento. A barriga aparecia um pouco sob a camisa e o bigode feio tornava o conjunto ainda menos esportivo.

— Passei anos acreditando que bastava mostrar os problemas. Muita gente reconhece que eles existem e continua votando pela opção conhecida.

— A maioria evita mudança até o momento em que permanecer igual fica mais incômodo.

A conversa com ele era agradável. Não havia esforço para impressionar, nem perguntas invasivas. Ele comentou que jogava muita bola no futebol amador nos anos 70 e 80 e que parou de acompanhar tanto o futebol quando o Brasil venceu a Copa de 1994, sentindo que era melhor parar na alta.

O Rogério passou perto do banco e avisou que os reservas teriam alguns minutos para aquecer depois dos titulares. Depois disso, o velho ajeitou a camisa número 20 e disse que iria ver como o Enéias estava organizando o time dele.

Fiquei sentada, acompanhando-o por alguns instantes. Do outro lado do campo, o Enéias já chamava os jogadores do time branco para perto dele.

A maior parte do time Enéias era formada por homens jovens e em boa forma. Amarildo e Gilmar eram mais velhos, embora se movimentassem com a segurança de quem tinha jogado muito mais futebol do que todos nós juntos.

No alambrado, reconheci rostos no lado branco. Vi a Débora e a Milla na torcida do Time Enéias. A dona Cida e dona Lourdes, também de branco, tinham levado cadeiras. A Marieta estava sentada de braços cruzados, ao lado do Maurício. Os dois de branco e contra o marido dela e a ex-esposa dele. A Larissa era da turma da academia, mas tinha ficado do lado do time do pai.

Atrás do nosso banco, poucos nos apoiando. Alessandra, Anacleta e Odete conversavam perto do alambrado. Arnaldo e Ângela sentados em bancos. O Lucério permanecia afastado de todos, com a expressão fechada de sempre.

As reservas do nosso time ocupavam o banco e a área ao redor. A Andréia estava preparada pra entrar no gol se necessário, usando luvas e uma camisa diferente. Sarah, Jéssica e Carolina conversavam perto dela. A Rebecca mantinha os cabelos presos e fazia alongamentos curtos. A Lorena andava sobre a ponta dos pés, soltando as pernas. A Natália e a Letícia estavam mais afastadas, trocando passes desde que chegaram.

Era fácil perceber, mesmo pra mim, que essas duas eram habilidosas. A Natália recebia a bola já preparada pro movimento seguinte. A Letícia tocava rápido e mudava de posição depois de cada passe, como se houvesse uma marcação imaginária tentando cercá-la. As pernas das duas mostravam força de treino e prática esportiva. O corpo inteiro participava dos movimentos, desde a inclinação do tronco até a forma de apoiar o pé.

Eu estava observando as duas quando o seu Raimundo apareceu ao meu lado.

— Você jogava nas aulas de educação física? — perguntou.

— Bem pouco. Preferia vôlei.

— Você tem uma boa altura pra vôlei.

Eu tenho 1,73 m. Não sou o que chamariam de “Nossa, que mulher gigante!”, mas a única presente que era um pouco maior que eu ali era a Lisandra.

Ele pegou uma bola que tinha parado perto do banco e a colocou no chão.

— Toca para mim.

Dei um passe com a parte interna do pé. A bola saiu fraca e um pouco torta. O seu Raimundo ajustou dois passos, recebeu e devolveu no meu pé direito.

— De novo.

A segunda saiu melhor. Ele aumentou um pouco a força na devolução. Dominei com dificuldade e a bola subiu até a altura do joelho antes de cair.

— Olha pra bola até encostar — disse ele. — Depois você olha o campo.

Ele chamou a Lisandra com um movimento da mão. Ela estava perto da Jéssica e veio imediatamente, ajeitando o cabelo preso.

— Você jogou quando era mais nova?

— Jogava um bocado com o meu irmão e, por um tempo, com a galera da rua. Mas parei faz uns 11 anos.

— Ficava onde?

— Onde precisasse. Me colocavam mais na defesa.

O seu Raimundo tocou a bola no pé direito dela. Lisandra recebeu com a sola, puxou pro lado e devolveu com firmeza. O passe seguinte veio no esquerdo. Ela amortizou com a parte interna e tocou de volta sem perder o equilíbrio.

Ele alternou os lados e aumentou a força. A Lisandra dominava bem com os dois pés. Quando a bola vinha aberta, ela se deslocava antes de receber. Também olhava rapidamente pro campo entre um passe e outro.

— Obrigado, minha jovem. Desculpe por perturbar.

A Lisandra se despediu e voltou pra perto do banco.

— Ainda tem memória muscular — comentou o velho Raimundo consigo mesmo.

Depois, ele acenou pra Rebecca, que se aproximou.

— Rebecca, minha querida, você jogava futsal nas aulas de educação física, certo?

— Jogava.

— Qual posição?

— Fixo.

O seu Raimundo rolou a bola pelo chão. A Rebecca recebeu perto do corpo e devolveu rápido. Ele tocou mais forte e mudou o lado. Ela amortizou sem precisar olhar pros próprios pés.

A Rebecca tratava bem a bola. Os movimentos pareciam velhos conhecidos que o corpo agia enquanto a mente ainda rememorava. O seu Raimundo mandou um passe mais aberto. Ela fechou o corpo para devolver curto, mesmo com espaço livre do outro lado.

— Você tem naturalidade com a bola — disse ele. — Mas a sua noção espacial é toda de futsal. Você prepara o corpo pro passe curto e demora a enxergar o resto do campo.

A Rebecca olhou ao redor antes da devolução seguinte.

— Dá pra corrigir?

— Olha antes de receber e abre mais o corpo.

Ela fez isso no passe seguinte.

— Se tivéssemos alguns dias pra alguns ajustes e fosse contra um time de menos imposição física, você seria titular.

Depois, o seu Raimundo sorriu de leve e encerrou o teste.

Depois olhou pra Natália e a Letícia, que ainda trocavam passes.

— Eu começaria com essas duas no time titular. — Ele olhou pros titulares. — Não conheço metade desses rapazes, mas a moça Natália seria uma ponta no lugar do Jonas e a jovem Letícia jogaria do lado do Carlos no meio. Ele esfriaria o jogo e ela pros momentos de explosão.

— Você já viu elas jogando antes?

— Repara na naturalidade com que elas trocam passes, como elas se movimentam, qual o pé bom, o jeito como elas chutam — apontou. Eu notava que elas eram boas, mas não era capaz de extrair nada além disso. — Elas já jogaram muito na vida e jogam até hoje.

Depois, eu soube como aquelas duas eram boas. A Natália tinha sido titular do time da universidade por quase três anos, atuando como lateral e ala pela direita. A Letícia era uma das atuais titulares do mesmo time e era uma meia ofensiva, clássica camisa 10.

O árbitro chamou os titulares. Os reservas se sentaram ou ficaram de pé junto à linha lateral. Eu me acomodei entre Lorena e Jéssica. Seu Raimundo permaneceu na ponta do banco, de onde conseguia ver o campo inteiro.

O jogo começou às 20h.

Nos primeiros minutos, o time branco empurrou o nosso para trás. O Gerônimo atacava pelas costas do Érico, enquanto o Enéias insistia em procurar Rogério no meio. O Vinícius precisou fazer duas defesas antes de conseguirmos trocar passes.

— O Érico está chegando em todas — disse Natália.

— Mas não sabe como roubar a bola — respondeu Sarah.

O Enéias recebeu outra vez com o Cleber livre pela direita, mas segurou a bola até o Rogério aparecer. Quando finalmente tocou, o Roberto já tinha sido puxado para dentro. O Cleber cortou para o meio e chutou rasteiro. A bola saiu fraca, mas passou por baixo do braço do Vinícius e entrou.

O Time Enéias correu pra comemorar. O Cleber provocou o Vinícius e abriu os braços pra torcida. Lisandra ficou de pé, furiosa.

— Olha pro jogo, seu merda!

Pouco depois, o Jonas recebeu de costas e o Amarildo entrou atrasado. O pé do zagueiro tocou a bola e a perna atravessou o apoio do Jonas, que caiu agarrando a perna. O árbitro mostrou amarelo.

A Jéssica correu pra lateral, o Wagner já estava perto dele, e a Carolina atravessou a área dos reservas antes que alguém tentasse impedir. O Jonas tentou se levantar com ajuda, mas a perna cedeu.

Tanto a Jéssica quanto o Wagner recomendaram que ele fosse ao hospital pra checar possíveis lesões. Por algum motivo, ele queria que a Sarah fosse junto. Assim, tanto Carolina quanto Sarah levaram o nosso atacante pro hospital. Achei estávamos ferrados, mas o seu Raimundo parecia tranquilo.

A Letícia praticamente se colocou no jogo e o Carlos reorganizou completamente o time. Ela tomou amarelo logo na primeira dividida, depois começou a se oferecer para os passes e aproximou o time. Pela primeira vez, conseguimos manter a bola por alguns segundos no campo deles.

Depois de um tempo, o Érico recebeu aberto pela direita, ganhou do Leandro na corrida e cruzou. O Antônio apareceu no primeiro poste e desviou pro gol.

Pulei junto com o banco. A Jéssica me abraçou, a Lorena agarrou a Rebecca pelos ombros, Andréia bateu as luvas e a Lisandra gritou atrás de nós.

Pouco depois do empate, a Andréia girou o pescoço e apertou o próprio ombro. O seu Raimundo percebeu e bateu com a mão no espaço ao lado dele.

— Senta de costas. Eu solto isso.

A Andréia se acomodou na ponta do banco. O seu Raimundo colocou as mãos na base do pescoço dela e pressionou com os polegares. A camisa de goleira apertava os seios grandes quando ela puxava os ombros para trás. A bunda enorme ocupava boa parte do assento e as coxas grossas ficavam abertas para dar espaço às luvas apoiadas entre as pernas.

O seu Raimundo encontrou um ponto perto da escápula. Andréia fechou os olhos.

— Mais forte... Aí. Isso...

O gemido saiu arrastado, perto demais do som de uma mulher quase gozando. Ele manteve a pressão e trabalhou o outro ombro. A Andréia inclinou a cabeça, respirando pela boca.

— Isso... Continua aí...

Todo mundo seguia olhando pro campo. Ninguém parecia ouvir aqueles gemidos. Isso era meio assustador. Eu era a única pessoa na praça que notou a segunda mulher da noite gemendo daquele jeito sob as mãos do seu Raimundo.

Quando ele terminou, a Andréia girou os ombros como se tivesse 19 anos novamente. Ela agradeceu o velho Raimundo com um beijo no rosto e voltou a acompanhar. Eu também olhei pro campo, sem entender como ninguém mais vi ou ouviu aquilo.

Com a Letícia por perto, o Antônio passou a receber com mais apoio e o Rodolfo começou a aproveitar os espaços. Enquanto a partida se reorganizava, o seu Raimundo pegou outra bola e chamou a Rebecca.

— Fica aquecida — disse. — Toca curto comigo.

A Rebecca se levantou e começou a trocar passes com ele atrás do banco. O seu Raimundo mandava a bola primeiro no pé direito e depois um pouco pro lado esquerdo. Ela se ajustava depressa. Quando o passe vinha mais forte, amortecia antes de devolver.

— Lembra do que a gente conversou. Aproveita o espaço.

Ele chamou a Lisandra logo depois.

— Uma de cada vez — orientou. — Recebe e solta.

A Lisandra entrou no lugar da Rebecca. O seu Raimundo aumentou o ritmo. Ela devolveu de primeira em quase todas. Antes de receber, olhava rapidamente pro campo e pro espaço ao redor.

As perguntas dele pareciam casuais. Os passes seguiam um padrão. Ele variava a força, a direção e o tempo entre um toque e outro.

Enquanto o seu Raimundo testava Rebecca e Lisandra, o Vinícius fez outra defesa difícil e começou a gritar com a própria defesa. Cleber ainda tentou provocá-lo, mas ele ignorou. O Enéias continuava voltando para procurar Rogério, mesmo quando havia companheiros livres. A obsessão dele ajudava o nosso time.

A Jéssica assistia ao jogo tensa e muito puta com as seguidas tentativas de humilhação do Enéias ao marido e todas as provocações usando o nome dela que o juiz ignorava. Foi quando o seu Raimundo a chamou pra trocar passes. Ela parecia irritada e bateu a primeira bola forte demais.

O seu Raimundo dominou com a sola e devolveu mais devagar.

— Usa a força pra acertar o passe. Para de castigar a bola.

A Jéssica bufou, revirou os olhos e fez de novo. O passe saiu reto, porém a devolução escapou por baixo da sola dela. Ela precisou correr atrás antes que a bola chegasse ao banco.

A Jéssica era péssima com a bola e estava irritada demais pra querer “brincar” com o seu Raimundo. Até eu enxergava isso. Ela tinha físico pra correr atrás de alguém por 90 minutos, mas no estado atual seu impulso seria chegar na voadora, não marcar a bola.

Ele encerrou depois de poucos toques antes que ela começasse a xingar ele. E a Jéssica voltou ao meu lado pra voltar a descontar sua raiva no Enéias aos gritos.

Nos minutos seguintes, o jogo ficou mais equilibrado. O Vinícius defendeu outra finalização do Enéias e o nosso time conseguiu chegar algumas vezes com Letícia e Antônio. Nenhuma jogada terminou em gol, mas o banco já reagia às nossas chances em vez de apenas esperar o próximo ataque deles.

Depois disso, o seu Raimundo chamou a Lorena.

— Já jogou futebol?

— Bem pouco. Só numas peladas no sítio do Rogério. Normalmente, eu curto mais outros esportes.

Ele tocou a bola no pé direito dela. A Lorena recebeu com a parte externa, corrigiu o movimento e devolveu firme. O seu Raimundo repetiu o passe. Dessa vez, ela dominou de primeira.

Quando a bola veio no esquerdo, escapou quase um metro. A Lorena precisou buscar e voltou a usar o direito na devolução. Ela dominava bem com o pé direito. O esquerdo ainda funcionava principalmente como apoio.

— Você entende distância — disse seu Raimundo. — E tem mais imposição física do que aparenta.

Ele pediu que ela devolvesse de primeira. A Lorena acertou duas seguidas com o direito. Quando tentou usar o esquerdo, mandou a bola pra perto do banco. Eu a peguei.

— Sua vez — disse seu Raimundo.

— Eu já fui examinada antes do jogo.

— Agora está aquecida.

Entrei no lugar da Lorena. O primeiro passe veio no meu pé direito. Tentei dominar e mandei a bola pro lado. No segundo, ela bateu no meu tornozelo.

Ele tocou de novo. Ajustei a posição e consegui impedir que a bola fugisse. O seu Raimundo olhou pro campo antes do passe seguinte. Acompanhei o olhar. O Carlos estava com a bola e a Letícia aparecia no meio.

— Olha pro jogo antes de receber. Não tenha medo da bola. Você precisa ver a situação e saber o que vai fazer.

Recebi e devolvi de primeira. A bola quase saiu reta, se você tiver extrema boa vontade. Mas considerei uma vitória pessoal. Continuamos por mais alguns toques. Quando ele mandou outra pro meu lado esquerdo, ela bateu no tornozelo e morreu perto de mim.

— Obrigado, jovem Tatiana.

Voltei pro banco. O seu Raimundo ficou pensativo e nada disse sobre seus testes. O Time Enéias ainda chegava com mais facilidade pelos lados e o Dênis tomou amarelo ao segurar Gerônimo antes da área.

— Agora ele vai ter que tomar cuidado — disse Natália.

O Carlos teve uma chance de fora, o Antônio cabeceou por cima e o Vinícius salvou outra arrancada do Gerônimo. A falha do primeiro gol já parecia distante, embora cada defesa deixasse o goleiro mais cansado.

Pouco depois, a Natália se sentou perto dele e apertou a parte de cima dos próprios ombros.

— Seu Raimundo, faz aquela massagem marota?

Ele levantou as mãos sem demonstrar surpresa e foi pras costas delas. Começou pela base do pescoço e desceu os polegares até os ombros. A camisa marcava os seios médios e firmes sempre que ela enchia o peito. A cintura estreita terminava numa bunda grande e redonda, apertada contra o calção. As coxas fortes permaneciam tensas mesmo enquanto ela estava sentada.

Quando o seu Raimundo pressionou um ponto mais fundo, a Natália soltou o ar.

— Aí... Isso... Não para.

O próximo gemido veio baixo e comprido. Ela fechou os olhos e segurou a própria coxa, com a cara de quem estava a poucos movimentos de gozar no banco de reservas. Pro meu choque, ninguém ouviu aquilo, só eu prestava atenção. Como ninguém reparava numa mulher gozando em público?

O Seu Raimundo passou pro outro ombro. A Natália gemeu outra vez, mordeu o lábio e deixou a cabeça cair um pouco pra frente. Ela praticamente esfregou as coxas aos gemidos perto do final. Quando ele terminou, ela se levantou e girou os braços.

— Como se sente?

— Revigorada! Muito obrigada, seu Raimundo.

Ele olhou pro campo, em especial pro Roberto cada vez mais suado e ofegante.

— Aproveita o intervalo para começar a se aquecer. Você deve entrar no começo do segundo tempo.

A Natália assentiu e se afastou. Nos minutos finais, o Time Enéias voltou a pressionar. O Enéias insistiu em jogar pelo centro e o Carlos ajudou Rogério a fechar o caminho. Quando usavam os lados, ficavam mais perigosos. O Vinícius defendeu outra bola do Gerônimo e, já nos seis minutos de acréscimo, desviou com a ponta da luva um chute do Almir que ainda bateu no travessão. Pra minha surpresa, o Lucério bateu no alambrado perto do banco.

— Parem de dar espaço para eles chutarem!

O árbitro encerrou o primeiro tempo com um empate de 1 a 1.

Os jogadores caminharam em direção ao banco. Alguns colocaram as mãos nos quadris. Outros se curvaram pra respirar.

A Letícia chegou ao banco esfregando as pernas. Ela tinha entrado na pressa, sem fazer um aquecimento direito e a intensidade da partida já cobrava a conta. O seu Raimundo apontou pra caixa térmica.

— Senta um pouco.

A Letícia obedeceu. Ele segurou uma das pernas dela e começou pela panturrilha, subindo devagar até a parte de trás da coxa.

As coxas da Letícia eram grossas e musculosas, apertadas pelo calção. A bunda arrebitada se projetava para trás quando ela mudava de posição, redonda e firme. Ao se apoiar nos braços, a camisa desceu sobre os seios médios e durinhos.

O seu Raimundo pressionou a musculatura perto da virilha. A Letícia fechou os olhos.

— Mais em cima... Isso. Meu deus...

Ela soltou um gemido abafado, com a respiração curta de quem estava quase gozando. O seu Raimundo continuou sem alterar a expressão e passou pra outra perna.

— Aí... mais forte.

O Carlos seguia falando com os jogadores. Ninguém reparava nisso. E eu cada vez mais surtada sem entender como uma cena dessas conseguia passar despercebida. A mulher estava gemendo altíssimo com o seu Raimundo com as duas mãos entre as coxas dela e pra todo mundo parecia que ele só estava, sei lá, entregando um isotônico pra ela beber.

Quando o seu Raimundo terminou, a Letícia se levantou de uma vez. Deu alguns saltos no lugar e alongou as pernas, apoiando primeiro um calcanhar e depois o outro.

— Está melhor, minha jovem?

— Perfeita. — Ela deu mais uns saltos e esticou alto a perna. — Me sinto zerada, como se o primeiro tempo fosse só o aquecimento. Obrigada, seu Raimundo.

Ela voltou para perto do time. Aquilo estava ficando estranho.

Depois disso, o seu Raimundo foi conversar com jogadores do time branco. A maioria nem olhava pra ele, mas ele parecia ter boa relação com Gerônimo, Gilmar, Amarildo e Luiz Alberto. Papeou um pouco com eles e saiu com um cumprimento de mão. Sentou perto de mim.

— Não sabia que você confraternizava com esses covardes — alfinetei.

— Aqueles quatro foram pro outro time apenas porque o Enéias convidou eles primeiro. Eles teriam aceitado o convite do Rogério se ele não tivesse demorado dois dias pra começar a montar o time — comentou. — Parece que o Almir também.

— Como você...

— Sou amigo de todos eles. O pai do Gerônimo, que Deus o tenha, trabalhou comigo. Ele ainda me chama de tio e me explicou o esquema tático do Enéias antes da partida. O Luiz Alberto é colega do Rogério nas ONGs e está um pouco chateado porque o Rogério tá tratando ele que nem os outros. E o Gilmar e sua esposa também votaram em você na última eleição. Ele me contou que topou pensando que seria uma partida amistosa entre vizinhos, apenas diversão. Depois que expliquei melhor sobre a aposta, o Gilmar decidiu pegar leve na partida.

— Pegar leve? Precisa de três ou quatro dos nossos pra passar dele!

— E se ele estivesse jogando 100% a sério contra uma defesa de amadores que acabaram de se conhecer e nunca treinaram juntos, já teria feito dois gols.

O árbitro avisou que o intervalo estava acabando.

Olhei pra torcida ao redor do campo. A divisão era desigual. A faixa ocupada pelos apoiadores do Enéias estava cheia. Havia moradores encostados na grade e grupos espalhados pela praça. Muitas pessoas que eu conhecia apenas de elevador estavam com camisetas claras, faixas azuis improvisadas ou copos levantados enquanto gritavam o nome dele.

Do nosso lado, tínhamos poucos apoiadores, ocupando um espaço bem menor. Alguns moradores pareciam simpatizar conosco, por afinidade, amizade ou parentesco. Ou por raiva do desafio feito pelo Enéias no grupo do condomínio. Do nosso lado, eu reconhecia Alessandra, Anacleta, Arnaldo, Larissa, Lucério, Ângela e Odete. A Alessandra se recusou a jogar por achar que tudo era uma besteira mesquinha de Rogério e Enéias, mas veio pra partida porque queria apoiar as amigas, torcer por elas e reclamar da escalação machista inicial do Time Rogério. A incrível torcedora do banco de reservas.

Mas a esmagadora maioria das duas torres tinha vindo para ver o Enéias. Ele era o homem mais bonito, gostoso e carismático do condomínio e um dos melhores jogadores do time favorito. Quando tocava na bola, o barulho crescia. Quando errava, surgiam aplausos de incentivo. Quando algum jogador nosso o desarmava, vinham vaias.

O segundo tempo começou com o Time Rogério organizado. A Letícia continuava perto de Rodolfo e Antônio, enquanto o Érico ficava aberto pela direita. O Time Enéias ainda chegava com força pelos lados. Numa dessas jogadas, o Pedro finalizou perto do gol. O Vinícius caiu na direção errada, mas conseguiu bloquear com o braço e ainda espalmou o rebote antes do Wagner afastar.

Nosso banco levantou junto. A Andréia fechou os punhos, a Rebecca levou as mãos ao rosto, a Jéssica bateu palmas e o seu Raimundo gritou pra zaga todo mais cuidado. A torcida do Enéias respondeu com vaias e voltou a gritar pelo nome dele.

Pouco depois, Letícia e Rodolfo tocaram até entregar a bola pro Antônio entre os zagueiros, que devolveu pro meio. O Rodolfo viu o Érico sozinho na direita e inverteu o jogo. Aquele nerdzinho atrapalhado entrou na área e chutou de olhos fechados. A bola saiu atravessada, passou pelo goleiro, cruzando a área até a Letícia chegar na segunda trave e empurrar pro gol vazio.

Eu saltei com todo mundo. A Jéssica me agarrou pelo braço, a Rebecca abraçou Andréia, o seu Raimundo se levantou depressa e a Natália correu até a linha gritando o nome da Letícia. O Antônio foi o primeiro a abraçá-la. Do outro lado, vieram vaias, cobranças e novos gritos pelo Enéias. Aquela torcida parecia ofendida com a possibilidade do jogo seguir um rumo diferente do previsto.

Na jogada seguinte, o Érico recebeu outra vez pela direita. Leandro se jogou num carrinho e acertou o tornozelo de apoio. O Érico caiu e teve que ser substituído pela Natália. O seu Raimundo falou com o Carlos, que também tirou o Roberto e colocou a Lisandra no lugar do lateral esquerdo.

Aparentemente, o seu Raimundo se concentrou tanto nos aspectos técnicos das reservas que não percebeu que tinha colocado a Lisandra pra marcar o ex-namorado dela.

Eu esperava alguns minutos de adaptação. Mas a Natália entrou no ritmo logo na primeira disputa. Bloqueou o Leandro perto da linha, ganhou um lateral e voltou a atacá-lo na cobrança. A Lisandra recebeu Cleber do outro lado, recuou sem se jogar e conseguiu mandar a bola pra fora.

— Boa! — gritou Lorena.

As duas ajudaram o time a respirar. A Natália avançava quando havia espaço e prendia a bola perto da linha para diminuir o ritmo. Lisandra fechava o caminho do Cleber e esperava ajuda. O Carlos ficou mais perto dos zagueiros, com Rogério e Rodolfo à frente.

— Quanto mais longe o Rogério da área, mais longe o Enéias vai correr pra procurar briga — comentou seu Raimundo, baixo. Era mais psicológico que tático, mas funcionava.

O Enéias continuou procurando Rogério e gritando obscenidades à Jéssica. O pior era o grito de parte da torcida branca de que a Jéssica devia trair o marido e dar pro gostosão. Ela ficou tensa ao meu lado.

— Não escuta — falei.

O Time Enéias passou a atacar mais e exigir mais do Vinícius. Em uma dessas, ele demorou pra se levantar.

— Ele está esgotado — comentei.

— Isso é cera — disse Andréia. — O Carlos têm assistido tanta partida europeia que só o nosso Vini tá lembrando como um sul-americano segura resultado.

Pouco depois, o Gerônimo ganhou espaço pelo lado e cruzou. A bola sobrou pro Enéias dentro da área. O Vinícius ainda tocou nela, já sem a mesma força das defesas anteriores. Gol do empate.

A torcida do Enéias explodiu. Enéias correu para comemorar com os companheiros, enquanto o nosso banco ficou parado. O Érico apertou o gelo contra o tornozelo, até que o seu Raimundo foi lá e começou uma massagem pressionando o tornozelo. Estranho. Dessa vez, não teve gemidos, mas ele pareceu bem melhor.

O empate deixou o Time Enéias ainda mais agressivo. O Carlos chamou o nosso time para perto, com Natália e Letícia recuando. O Cleber recebeu pela esquerda e passou pela Lisandra. Ela correu atrás e se jogou num carrinho antes da área. A entrada atingiu as pernas dele e o árbitro mostrou amarelo.

A Lisandra também ficou no chão, segurando o joelho. O pé tinha prendido no gramado durante o carrinho. Ela tentou levantar, deu dois passos mancando e pediu substituição. O seu Raimundo apontou pra Lorena e o Carlos colocou ela.

— Por que ela e não a Rebecca? — perguntei.

— Contra o Cleber e pelo que tempo que falta, precisamos de mais imposição física — explicou. — E a jovem Rebecca hesitaria em fazer falta pelo risco de machucar o outro.

Quando a Lisandra chegou no banco, nós a ajudamos a sentar no banco com a perna esticada. A lateral do joelho começava a inchar. A Andréia se aproximou, mas o seu Raimundo já estava agachado diante dela.

— Posso melhorar isso. Se você permitir.

A Lisandra fez uma careta quando tentou mexer a perna.

— Pode. Está doendo muito.

O Seu Raimundo apoiou o tornozelo dela sobre a própria perna e começou a massagear ao redor do machucado. Depois subiu pela lateral da coxa. As pernas da Lisandra eram longas, com coxas firmes que endureciam sob os dedos dele. A bunda grande e arredondada apertava o banco quando ela tentava encontrar uma posição confortável. Os seios pequenos subiam sob a camisa enquanto a respiração ficava mais pesada.

O seu Raimundo pressionou acima do joelho. A Lisandra agarrou a borda do banco.

— Mais... Mais...

Ele subiu alguns centímetros, já agarrando as coxas.

— Mais pra cima. Isso... Caralho, mais.

O gemido dela saiu alto o bastante para eu ouvir perfeitamente. Ela parecia prestes a gozar com a perna estendida no banco. Mas estava olhando pra ela ou sequer ouviu também. Da torcida ao nosso banco, todo mundo só tinha olhos pra partida.

O seu Raimundo continuou até a parte alta da coxa. A Lisandra deixou a cabeça cair para trás e pediu mais outra vez. Ele enfiou as duas mãos entre as coxas dela e a loira arregalou os olhos e deu um grito que era praticamente pré-orgasmo. Eu olhei ao redor, esperando que alguém finalmente percebesse. Nada.

Quando o seu Raimundo retirou as mãos e se afastou, olhei pro joelho da Lisandra e o inchaço tinha desaparecido. A Lisandra dobrou o joelho devagar, ainda suspeita. Mas percebendo que estava bem, se levantou e apoiou todo o peso sobre a perna. Deu alguns pulos curtos, olhando pro próprio joelho.

— Sumiu! Não estou sentindo nada.

Ela agradeceu ao seu Raimundo com um abraço forte enquanto percebia que conseguia apoiar e dobrar a perna sem dor, andando normalmente. Eu tinha acabado de assistir a uma massagem quase orgástica curar uma lesão em menos de dois minutos.

O seu Raimundo voltou a sentar como se aquilo fosse normal. Eu fiquei olhando para ele com medo de descobrir o que mais aquelas mãos conseguiam fazer. Rebecca, Andréia, Natália, Letícia e Lisandra tinham reagido àquelas mãos como se estivessem com o tesão à flor da pele. Do jeito que elas tinham ficado, não duvidaria que todas elas transassem loucamente com o primeiro homem aceitável que encontrassem depois da partida.

O seu Raimundo percebeu que eu parada olhando pra ele.

— Você está tensa, jovem Tatiana. Também quer uma massagem?

Olhei pro Lucério atrás do alambrado, prestando atenção nos minutos finais da partida. Lembrei das mãos magras apertando a minha bunda e do pau dele entrando em mim dois dias antes.

— Não! — respondi alto demais.

O seu Raimundo ergueu as sobrancelhas. Respirei e tentei parecer normal.

— Obrigada. Estou ótima. Totalmente não tensa.

Ele voltou a olhar pro campo. Eu cruzei os braços, ainda mais tensa do que antes. Pouco depois, a Natália ganhou do Leandro na corrida e entrou na área. O Sílvio saiu do gol. Ela tentou tocar por cima e o goleiro bloqueou parcialmente. A bola subiu entre Natália e Luiz Alberto e a bola bateu por acidente na lateral do quadril da ruiva e quicou pro gol.

A nossa torcida bateu na grade e comemorou. Alessandra gritava com os dois braços levantados. Ângela abraçava Arnaldo. Odete aplaudia. Do outro lado, o choque virou revolta e começaram a exigir uma reação imediata. Alguns apontavam pro relógio. Outros gritavam contra o árbitro, apesar de o gol ter sido totalmente válido. 3 a 2 pro Time Rogério.

O Carlos recuou o time inteiro depois do gol. O árbitro mostrou oito minutos de acréscimo e o nosso banco reclamou.

O Enéias recebeu perto da área e partiu para cima do Rogério. O Rogério recuou com os braços junto ao corpo. O Enéias tocou pro lado, entrou na área e caiu ao passar por ele. A torcida pediu pênalti. O banco adversário correu até a linha e o meu estômago apertou. O árbitro se aproximou, levou a mão ao bolso e mostrou amarelo para Enéias por simulação.

Nosso lado gritou de alívio. O Enéias levantou xingando e insistiu que tinha sido tocado. O Rogério permaneceu parado, olhando para ele.

Pouco depois, o árbitro conferiu o relógio e encerrou a partida. Corremos para o campo. A Jéssica chegou primeiro no Rogério e o abraçou. Ele envolveu a esposa com os braços, ainda tentando recuperar o fôlego. A Lorena apareceu por trás e apertou os dois num abraço.

Vencemos!

Eu caminhei de volta pro banco para recolher as bolsas. A minha participação na vitória tinha consistido em dar apoio moral, aquecer, fazer comentários pouco úteis e evitar admitir pra minha nova melhor amiga que eu tinha trepado com o inimigo particular dela. Mesmo assim, sentia que merecia comemorar. Usei uniforme e suportei quase duas horas acreditando que o Vinícius morreria diante dos nossos olhos.

Afastada dos demais, notei o Antônio e o Rodolfo alguns metros adiante. Antônio estava com um braço sobre os ombros dele e o Rodolfo passava a mão pelas costas largas do amigo enquanto dizia alguma coisa perto do seu ouvido. Os dois riram. O Antônio apertou a cintura dele e recebeu um beijo rápido na bochecha antes de voltarem a conversar. Aquilo não era apenas carinho depois de uma partida, mas o começo de algo que terminaria com os dois pelados. Minha intuição costumava acertar esse tipo de detalhe.

Atrás deles, o Carlos e a Rebecca caminhavam juntos em direção à saída da praça. O Carlos falava perto dela, inclinado pra conseguir ser ouvido no meio da confusão. Os dois mantinham uma distância cuidadosa. Cuidadosa demais.

Mais atrás, o Lucério também ia embora. Ele seguia sozinho, com as mãos nos bolsos e a postura curvada. A camisa de mangas compridas continuava absurda pro calor. Ele passou perto do Carlos e da Rebecca sem se importar com eles. Parei olhando pro Lucério e lutando pra não reconhecer que tinha gostado do sexo.

— Tem vitória que parece derrota.

A Letícia tinha parado ao meu lado. Ela apontava discretamente pra mesma direção, com o queixo baixo e uma expressão desolada. O suor brilhava no rosto e alguns fios castanhos grudavam perto dos lábios cheios.

Acompanhei o olhar dela até Antônio e Rodolfo, até porque a outra opção naquele ângulo era Carlos e Rebecca. E nem aqueles dois eram um casal como a Letícia nunca sentiria atração em um cinquentão, mesmo em forma. Já o carinho entre Antônio e Rodolfo tinha aumentado. O Rodolfo segurava o rosto de Antônio enquanto ria.

— Você queria estar ali — apontei na direção.

— Queria estar com ele.

A Letícia cruzou os braços. O olhar continuou naquela direção enquanto ela respirava fundo, tentando esconder o abatimento dentro de uma expressão tranquila.

— Eu aceitaria dividir — disse ela. — Eu sei que o coração dele já pertence a outras pessoas, mas desde que todo mundo estivesse de acordo, eu dividiria. Queria experimentar uma coisa diferente com alguém em quem confio.

Olhei outra vez pro Antônio. Ela tinha passado anos com ele. Os dois ainda se entendiam dentro do campo e pareciam ter terminado o namoro de forma amigável. E, pelo visto, o Antônio também gostava de homens. Devia ser isso que ela disse sobre dividir. A Letícia podia sentir vontade de participar ou apenas voltar a transar com ele dentro de uma situação nova.

— Eu sei exatamente o que você está sentindo — respondi.

— Eu sei. — A Letícia soltou um pequeno riso. — Nós duas estamos a fim de um homem complicado e quase impossível.

Ela apontou com o queixo pra além de Carlos e Rebecca e meu olhar escapou pro Lucério. NÃO! Ele não! O meu homem complicado e quase impossível era o Miguel! Eu preferia arrancar meus olhos com as próprias unhas a sentir falta de transar com aquele velho amargurado.

— É até engraçado os dois terem 53 anos.

Espera. O quê? Virei o rosto para ela e voltei a olhar naquela direção. O Antônio tinha 24. O Rodolfo tinha menos que 30. O Carlos era cinquentão, mas definitivamente não podia ser ele porque ele não tinha outra mulher. Olhei pra multidão entre Antônio e Carlos, tentando localizar algum homem mais velho que justificasse a frase. Mas tinham muitos moradores atravessando aquele meio. Podia ser qualquer um.

— Espera. De quem você está falando?

A Letícia deu de ombros, talvez por achar que tinha se entregado demais. Em seguida, ela indicou o Lucério com um movimento curto do queixo.

— Mas, você, eu notei que ficou toda atrapalhadinha olhando praquele ali.

O meu estômago apertou.

— Eu não estava.

— Eu não vou te julgar, amiga, mas você tá se apaixonando sim.

— Eu estava observando a saída.

— Faz ele sair de casa um pouquinho, pegar sol e se exercitar. Uns seis meses a um ano, vira um galã razoável considerando o material inicial. — A Letícia me lançou um sorriso discreto, substituindo parte da tristeza em seu rosto. — Tatiana, você fica toda vermelha só de eu mencionar ele.

— Porque o Lucério me deixa desconfortável.

— Imagino.

— Não aconteceu nada entre mim e ele — falei depressa. — Nada. Eu tenho horror àquele homem. Eu faria qualquer coisa, transaria com qualquer pessoa antes dele. Aquele treco ali está fora de questão.

Apontei para Lucério quando ele atravessou o portão. Ele parou por um instante, olhou para trás e encontrou o meu rosto no meio da confusão. Desviei na mesma hora, vermelha o suficiente pra não me ajudar. A Letícia acompanhou a troca e ergueu uma sobrancelha.

— Hum... Qualquer pessoa? Você está solteira?

— Estou.

Ela ficou pensativa por alguns minutos.

— Eu tenho umas amigas que também estão solteiras e na mesma situação que você. Talvez elas consigam te ajudar.

— Ajudar como?

— Deixa comigo. Primeiro eu vejo se elas topam.

Aquilo explicou ainda menos. A Letícia abriu um sorriso, deu uuns tapinhas no meu ombro, se despediu prometendo guardar segredo sobre o Lucério e foi buscar a mochila perto do banco.

Atrás de mim, a comemoração continuava. Fiquei pensativa. A Letícia tinha entrado em campo, participado bastante, marcado um gol e vencido a partida. Mas terminava a noite sofrendo por um homem de 53 anos complicado o bastante pra ela aceitar dividir ele com outras. Seria o zagueiro Amarildo? Explicaria o carrinho agressivo.

Mas talvez ela tivesse razão. Algumas vitórias pareciam derrotas.

Na sexta-feira de manhã, cheguei à redação apressada. Quando acordei, uma fonte havia mandado uma mensagem de madrugada dizendo que finalmente conseguira acesso a dois documentos que eu esperava havia quase uma semana.

Queria descobrir por que uma empresa recém-criada tinha recebido milhões da prefeitura e transferido parte do dinheiro pra uma firma que parecia existir apenas numa sala fechada.

A investigação tinha começado com uma denúncia curta, enviada por uma pessoa de dentro da Secretaria de Obras. A mensagem dizia que o contrato emergencial de recuperação da rede de drenagem havia sido pago antes que as medições fossem concluídas. Naquele momento, parecia uma irregularidade administrativa comum. A cidade tinha passado por chuvas fortes, a prefeitura havia contratado a empresa por R$ 31,6 milhões e uma parte dos serviços precisava ser feita rápido.

No entanto, encontrei seis ordens de pagamento no Portal da Transparência. A empresa já havia recebido R$ 14,2 milhões. Duas das parcelas saíram antes da data que aparecia nos relatórios de fiscalização. Uma data errada podia ser descuido. Duas começavam a formar um padrão.

Encontrei um ex-funcionário e, com ele, consegui extratos bancários da empresa. Segundo ele, ele tinha sido demitido quando percebeu que parte do dinheiro seguia uma firma pequena que não aparecia em nenhum contrato da prefeitura e havia sido aberta oito meses antes da contratação emergencial. O dinheiro pingou por mais duas firmas até parar em um CNPJ de propriedade do irmão da esposa do chefe de gabinete do prefeito.

Isso ainda não provava que o prefeito soubesse de alguma coisa. Também não provava que o chefe de gabinete controlasse a empresa. Parentes podiam fazer negócios legítimos. Jornalismo ruim começava quando alguém se apaixonava pela própria suspeita e passava a enviesar coincidências. Eu precisava descobrir por que a empresa transferira aquele dinheiro, qual serviço a firma prestara e quem havia autorizado os pagamentos municipais.

Os documentos recebidos de madrugada estavam numa conta separada. Baixei os arquivos e comecei a examiná-los. O primeiro era um relatório de medição assinado pelo fiscal do contrato. O documento indicava que 41% dos serviços previstos no primeiro lote tinham sido executados. A assinatura eletrônica aparecia com data de 18 de março. A ordem de pagamento daquela parcela tinha sido liberada em 14 de março.

O segundo arquivo era uma cópia do histórico de movimentação do processo interno. O relatório havia sido incluído no sistema no dia 19. Isso significava que alguém registrara a comprovação da execução depois que o dinheiro já estava na conta da empresa. Conferi os números e comparei com os arquivos que eu mesma havia baixado do portal público. As versões públicas estavam incompletas. O relatório aparecia anexado ao processo, embora o histórico de inclusão tivesse desaparecido.

Criei uma tabela simples. Coloquei o número de cada pagamento numa coluna. Ao lado, registrei a data em que o dinheiro saiu e a data dos relatórios correspondentes. Acrescentei o nome do funcionário que assinara cada documento.

Chequei os extratos bancários recebidos do ex-funcionário da empresa e comecei a comparar as entradas bancárias com os pagamentos publicados pela prefeitura. O padrão de transferência do dinheiro pra firma se repetia, sempre por volta de 10%. Aquilo parecia uma comissão.

Marquei os lançamentos com caneta e procurei as notas fiscais correspondentes. A descrição dizia “consultoria estratégica e apoio administrativo”. Nenhuma detalhava horas trabalhadas, pessoas envolvidas ou produto entregue. Uma firma com capital social de R$ 20 mil havia cobrado quase um milhão e meio por apoio administrativo ligado a um contrato de drenagem.

Procurei o endereço registrado da firma. Era uma sala comercial num prédio antigo perto do centro. Em fotografias públicas, a porta aparecia sem placa. O telefone da empresa também constava no cadastro de uma distribuidora de materiais de construção encerrada dois anos antes. O antigo dono daquela distribuidora era sócio de uma empresa que havia doado pra campanha do prefeito. Mais uma conexão, mas ainda insuficiente.

Enquanto tomava café, meu celular vibrou.

[Jéssica]: “Você está quieta esta manhã. Tá tentando o governador?”

[Tatiana]: “Não. Hoje é o prefeito.”

Aquelas piadinhas que escondem a verdade.

[Jéssica]: “Morrendo de sono. Dormi só umas 4 horas e estou atendendo gente desde cedo.”

[Tatiana]: “Precisava ter transado duas vezes com o Rogério depois da partida?”

[Jéssica]: “Eu não fiz isso.”

[Tatiana]: “A partida terminou às 22h. Você acabou de dizer que foi dormir às 2h. Estou dando umas horas de descanso pro deus do sexo.”

[Jéssica]: “Você é mais insuportável que o pessoal daqui! :P”

[Tatiana]: “Você que exagera na propaganda dele! :P”

[Jéssica]: “Seu trabalho também está puxado?”

Olhei pras folhas espalhadas sobre a mesa.

[Tatiana]: “Nada que eu já não tenha feito antes.”

[Jéssica]: “Vamos deixar nosso jantar de comemoração pra outra noite, então.”

[Tatiana]: “Combinado.”

Deixei o celular ao lado do teclado e voltei aos extratos. Um lançamento chamou a minha atenção. R$ 96 mil transferido pra uma imobiliária, que fez um prédio no qual a filha do prefeito tinha comprado um apartamento meses antes. Anotei, mesmo sabendo que poderia ser coincidência. A transferência podia ser aluguel, compra, pagamento por outro imóvel.

Não iria publicar nada antes de conseguir provas e tudo que eu tinha ainda dependia de uma fonte única. Eu precisava de algo mais certeiro. Meu celular vibrou outra vez.

[Cinthia]: “Bom dia, Tatiana. Como você está?”

Estranhei. Conhecia a Cinthia de vista, mas nunca conversamos direito.

[Tatiana]: “Cansada, mas bem. E você?”

[Cinthia]: “Bem. Pensei em você hoje. Vai fazer alguma coisa no fim de semana?”

A pergunta chamou a minha atenção pela aleatoriedade.

[Tatiana]: “Dormi umas 20 horas.”

[Cinthia]: “Seria um desperdício passar o fim de semana inteiro sozinha.”

Desde quando ela era tão simpática comigo? Isso tinha alguma coisa a ver com o pai dela na noite anterior?

[Tatiana]: “Vou tentar sair de casa. Obrigada pela preocupação.”

[Cinthia]: “Me chama quando quiser conversar.”

Respondi com um emoticon discreto. Cinco minutos depois, foi a vez da Alessandra me mandar mensagem.

[Alessandra]: “Bom dia, minha querida. Como você está?”

Eu não era próxima da Alessandra, mas julgava a conhecer o suficiente para saber que ela não distribuía preocupação aleatória. A foto do perfil mostrava os cabelos loiros e cacheados presos no alto, com algumas mechas caindo perto do rosto.

[Tatiana]: “Bem o suficiente pra quem é adulta e CLT.”

[Alessandra]: “Está livre pra almoçar hoje?”

O meu jornal definitivamente não ficava perto do campus universitário. Por que ela faria toda essa contramão?

[Tatiana]: “Muito trabalho. Vou ficar no app hoje.”

[Alessandra]: “Certo.”

[Tatiana]: “Já tem planos pro fim de semana?”

O que estava acontecendo?

[Tatiana]: “Não ainda.”

[Alessandra]: “Abriu um bistrô perto do prédio que eu estava louca pra conhecer. Se estiver a fim, bora no sábado?”

[Tatiana]: “É uma boa.”

[Tatiana]: “Qualquer coisa, te aviso.”

Se eu não conhecesse aquelas duas e aquilo não fosse súbito e aleatório demais, poderia jurar que estavam dando em cima de mim. Bom, era um pensamento idiota. Até onde eu sabia, nem a Cinthia e nem a Alessandra eram bis. Digo, meu gaydar feminino era fraquíssimo, mas a Fernanda teria me contado. Se bem que eu nunca perguntei...

Depois disso, consegui conversar com a minha fonte na Secretaria de Obras.

— O diretor disse que a ordem vinha do gabinete.

— Você ouviu alguém do gabinete dar essa ordem?

— Não.

— Viu e-mail ou mensagem?

— Vi uma mensagem no telefone do diretor. Ele mostrou para outra pessoa na sala.

— Você leu?

— Só uma parte. Dizia para liberar naquele dia.

— Aparecia o nome de quem enviou?

— Um primeiro nome. Henrique.

Henrique era o chefe de gabinete do prefeito.

— Você tem certeza de que era ele?

— Não posso garantir. O diretor tem mais de um Henrique nos contatos.

— Consiga uma fotografia dessa mensagem?

— Não. Ele não larga o telefone.

— Alguém além de você viu?

— A coordenadora do setor estava na sala.

— Ela falaria comigo?

A fonte riu sem humor.

— Ela tem dois filhos e acabou de financiar um apartamento.

Entendi.

Continuamos a conversa e consegui mais informações. Um fiscal de contrato afastado por doença tinha assinado um relatório que permitira o pagamento de milhões. O relatório entrara no processo depois da transferência. Um diretor afirmara que a ordem vinha do gabinete. A investigação começava a formar uma estrutura sólida. Ainda faltava ligar o dinheiro que saía da empresa a alguém dentro da prefeitura.

Voltei pra mesa e, pelo resto do dia, continuar a fuçar mais em publicações oficiais e conversar com algumas pessoas. Cruzando vários dados. No final da tarde, passei a mão pela franja e recostei na cadeira. Eu não estava acreditando que seria menos difícil derrubar o prefeito, ou no mínimo seu chefe de gabinete, antes de conseguir derrubar o síndico.

Aquele esquema envolvia empresas fantasmas, desvios escondidos dentro de pagamentos legítimos, aliados dispostos a mentir e uma teia intricada o suficiente pra parecer um caleidoscópio de coincidências se eu não achasse uma prova matadora. O síndico Alberto tinha um bigode feio, um regulamento de condomínio feito na base do cola sem recortar e um grupo de moradores que assinou procurações vendendo a alma pra não ter que participar de reunião.

Meu editor apareceu ao lado da mesa. Eu estava tão concentrada que só percebi quando ele puxou uma cadeira. Mostrei os documentos e uma versão resumida da tabela.

— O dinheiro saiu antes dos relatórios. Um deles foi assinado durante a licença médica do fiscal.

— Tem prova da licença?

— Portaria oficial.

Ele fez mais uma coleção de pesquisas, resumindo minha investigação.

— Sem pressa. Isso parece coisa grande.

— Estou tendo cuidado.

Ele voltou pra mesa dele. E o meu celular tocou com uma mensagem do Miguel.

[Miguel]: “Posso te ligar? Prometo me comportar em pelo menos metade da conversa.”

Sorri antes de responder.

[Tatiana]: “Me dá dois minutos.”

Fechei os arquivos, bloqueei o computador e fui pras escadas. O Miguel ligou assim que mandei um joinha.

— Você está com voz de cansada — Miguel disse.

— Eu estou com o corpo de cansada também.

— Posso pensar em algumas formas de te deixar relaxada.

Ele deu uma leve risadinha. O Miguel tinha um sorriso torto, olhos cor de mel e um peitoral peludo que me fazia querer enfiar minha cara. A barba bem cuidada e o pau grande ajudavam bastante também. Na última vez que transamos tinha sido boa. Muito boa...

Uma trepadinha com o Miguel era tudo que eu precisava para tirar o vampirão Lucério da cabeça.

— Todas envolvem tirar a roupa?

— As melhores, sim.

A lembrança do pau dele apareceu rápido demais.

— Se você me ligou achando que sou tão fácil assim que toparia na hora que você chamasse, você está completamente ce-

— Desculpa. Não quis te chamar de “fácil”. Eu liguei pra cumprir uma promessa. Você reclamou que eu nunca te chamava pras trilhas.

Eu preferia sexo.

— Eu vou pra trilha com amigos amanhã cedo e voltamos no domingo de tardinha. Você conhece todos eles. Bora?

— Dois dias?

— A ideia é acampar, andar até uma cachoeira no sábado, dormi no acampamento de noite, subir até um pico no domingo de manhã, depois cachoeira e voltar de tardinha.

Encostei na parede.

— E desde quando eu conheço seus amigos trilheiros.

— Todos eles moram no mesmo prédio que você. Fernanda, Sarah, Érico e Natália.

Fiquei em silêncio por alguns instantes. A Natália e a Fernanda eu entendia. Elas tinham espírito aventureiro. Mas Sarah e Érico? Eles eram dois nerds tão urbanoides quanto eu. Nem sei se eles iam à praia. Era um grupo bem diferente.

Comecei a fazer conjecturas com base no que eu conhecia deles. Sarah e Érico eram muito amigos da Natália. Talvez, a ruiva os tivesse convencido a irem também. Eu e a Fernanda éramos amigos e “ex”s do Miguel. Ele costumava juntar suas “ex”s por acidente e por tratar todas como amigos.

Como a Sarah era casada e não me parecia o tipo de mulher que toleraria a amante do marido sendo amiguinha do casal, circulando pela casa deles o tempo todo ou mesmo viajando pra uma trilha com os dois, isso deixava a Natália como candidata óbvia. O Miguel não ficava com casadas e a Natália estava solteira. E os dois combinavam. Portanto, o Miguel provavelmente estava comendo a Natália.

E, se bobear, estava planejando um ménage envolvendo eu ou a Fernanda no meio.

— Você vai?

— Qual é o nível de dificuldade?

— Tranquilo. Tem uma subida mais pesada no sábado. Você faz academia e aguenta.

— Parece interessante.

— Eu prometo me comportar lá.

— E se eu não quiser você comportado?

— Depois da trilha, a gente pode discutir sobre o meu comportamento com calma lá em casa.

— Essa discussão exige camisinha?

— Sempre.

— Está bem. Eu vou.

— Ótimo. A gente sai às 6h da manhã. Não se preocupa com equipamento. Já falei com a Fernanda. Ela tem uma barraca grande, colchonete extra e o resto. Vocês duas dividem.

Dividir barraca com uma mulher de 1,78, pele bronzeada, seios grandes, bunda redonda, bissexual e que era minha amiga. Uma barraca podia ser apenas uma barraca. Mas era a Fernanda. Se o Miguel não chegasse de noite, era capaz dela querer se dividir comigo e eu nunca tinha feito isso com uma mulher.

— A barraca é grande o suficiente pra caber três — comentou.

— Safadinho. Eu e a Fernanda ao mesmo tempo parece errado até mesmo pra você.

— Estou aberto ao debate.

— Melhor consultar a outra parte interessada.

Ele riu.

— Leva roupas confortáveis e, pelo menos, uma muda que possa molhar. O sinal fica ruim numa parte do caminho.

Minha cabeça voltou ao trabalho.

— Quanto tempo sem sinal?

— Algumas horas. No acampamento costuma pegar em um ponto mais alto.

— E dá para voltar rápido em emergência?

— Da parte mais distante até o carro, umas três horas andando. Por quê?

— Posso precisar voltar. Você sabe. Jornalista.

— Se acontecer alguma emergência, eu mesmo te escolto até o estacionamento. Independente da hora que for. Eu conheço aquele lugar de olhos fechados.

— Obrigada. Mas vamos torcer pra não precisar.

— Até amanhã, Tatiana.

— Até amanhã, Miguel.

Desliguei sorrindo. Aquela conversa tinha melhorado o meu humor e piorado o meu tesão. Pelo menos, o Miguel ocupava a minha cabeça de uma forma mais saudável que o Lucério. Um homem bonito, gostoso e com bom caráter era uma escolha muito mais defensável.

Voltei à redação. Avancei mais na investigação e, depois de duas horas, mandei uma mensagem para Fernanda.

[Tatiana]: “O Miguel me chamou pra trilha. Disse que você tem equipamento para nós duas.”

[Fernanda]: “Finalmente ele chamou você.”

[Tatiana]: “Ele ficou com medo de eu reclamar de novo.”

[Fernanda]: “Eu já separei uma barraca grande o suficiente pra três pessoas.”

[Fernanda]: “Você não precisa comprar nada.”

[Fernanda]: “E nem se preocupar comigo. Somos amigas e não vou dar em cima de você.”

[Fernanda]: “Mas preciso te alertar que sou meio espaçosa e talvez você leve uns tapas se eu me remexer demais.”

[Fernanda]: “Leva roupa de banho e algo quente pra noite.”

[Tatiana]: “Comida?”

[Fernanda]: “Já dividimos. O Miguel vai mandar a lista. Só leva suas coisas pessoais e água pro caminho.”

[Tatiana]: “Perfeito.”

Guardei o celular e entrei em contato com o contador. Eu precisava conferir a imobiliária e tentar encontrar uma segunda pessoa que estivera na reunião da empresa. A viagem não podia virar uma fuga da investigação.

Ao mesmo tempo, passar dois dias longe do condomínio parecia uma boa ideia. Eu precisava respirar sem pensar no Alberto, em multas ou no pau do Lucério.

Cheguei ao condomínio depois das 20h com a cabeça cheia de transferências bancárias, datas incompatíveis e gente que atendia o telefone dizendo que precisava consultar o advogado antes de confirmar o próprio nome.

O contador ligado às empresas do esquema tinha retornado minha ligação no final da tarde. Falou durante onze minutos sem responder uma pergunta inteira. A imobiliária pediu que eu enviasse tudo por e-mail. Uma segunda fonte confirmou a reunião e tudo que a primeira fonte disse. Eu estava avançando. Mas ainda precisava provar onde o dinheiro terminava.

Entrei no apartamento, só pensando em banho. Tirei a roupa no caminho até o banheiro, entrei no box nua, prendi o cabelo e deixei a água quente bater nos ombros.

O corpo começou a relaxar quando comecei a pensar no Miguel. Pensei na sua voz divertida e no jeito como sempre conseguia transformar uma conversa comum em proposta de sexo. Eu gostava da personalidade dele. E do peito peludo também. Gostava ainda mais do pau. Grande, grosso, com veias salientes e uma cabeça inchada que ficava linda quando entrava na minha boca

A lembrança veio acompanhada da sensação da mão dele apertando a minha bunda enquanto eu chupava. Passei sabonete pelos seios. Os mamilos ficaram duros sob os dedos. A água escorria pelo abdômen, atravessava meus pelos pubianos curtos e chegava à minha buceta. Imaginei o Miguel atrás de mim no banho. A boca no meu pescoço, o peito peludo grudado nas minhas costas e o pau duro pressionando a minha bunda.

A minha mão desceu.

Afastei as pernas sob a água. Passei os dedos pela buceta, já começando a ficar molhada. Toquei o meu clitóris devagar e fechei os olhos. Na minha imaginação, o Miguel me colocava contra a parede, segurava a minha cintura e entrava fundo. Mas aí, a imagem mudou antes que eu percebesse.

Os braços ficaram magros, o peito perdeu os pelos e a boca no meu pescoço passou a ser a do Lucério. Continuei tocando o meu clitóris.

O Lucério me segurava pela cintura e metia por trás. Eu ouvia a respiração cansada dele perto da minha orelha. Sentia os dedos ossudos apertando os meus seios. Sentia aquele corpo pálido e seco se movendo contra o meu.

Aumentei a pressão dos dedos. Lembrei do pau dele dentro da minha buceta. Lembrei de cavalgar nele. Lembrei da mão dele puxando meu cabelo e dos tapas na minha bunda. Meu corpo respondeu imediatamente. A buceta pulsou e minhas pernas ficaram tensas. Foi aí que percebi em quem estava pensando.

Abri os olhos e tirei a mão de mim.

— Ah, vai tomar no cu.

Fiquei parada sob a água, respirando mais rápido do que deveria. Eu podia reconhecer que Lucério era bom de cama. Aquilo já exigia uma capacidade de aceitar fatos que eu preferia usar em assuntos mais importantes. Mas me masturbar pensando nele passava dos limites.

Terminei o banho sem voltar a tocar na buceta. Lavei o cabelo e fiquei mais tempo sob a água, tentando expulsar o rosto do Lucério da minha cabeça. Saí do box, me sequei e encarei o espelho embaçado.

— Você vai transar com o Miguel e esquecer aquele velho — falei comigo mesma.

Fui pro quarto e comecei a separar as coisas da trilha. Coloquei roupas leves, uma jaqueta e uma muda pro domingo. Os cinco powerbanks ficaram enfileirados sobre a cômoda, todos carregando.

O calor dentro do apartamento me fez desistir do pijama comum. Abri uma gaveta onde guardava roupas que eu comprava por impulso e raramente usava. Escolhi um conjunto que depois achei sexual demais pra ser vista usando ele fora do apartamento.

A parte de cima era bem justa, se ajustava aos meus seios pequenos e deixava os mamilos discretamente aparentes sob o tecido. O decote arredondado deixava as clavículas e o começo do colo à mostra. A blusa terminava logo abaixo dos seios, abrindo dois recortes triangulares nas laterais da cintura. O abdômen ficava quase todo exposto.

A parte de baixo era um short muito curto, feito de tecido firme, elástico e bem justo. Tinha cintura alta e cobria minha bunda por inteiro, embora ficasse justo o suficiente para marcar o formato oval e firme. Na frente, o tecido acompanhava o baixo ventre e pressionava suavemente a minha buceta.

Eu comprei pensando em usar numa festa, mas parecia mais adequada a festa sexual temática.

Fui até a cozinha e, assim que pisei perto da pia, senti a meia invisível de água sob meu pé descalço. Olhei para baixo. Uma pequena poça se formando diante do armário. Abri as portas inferiores e encontrei gotas caindo do cano que saía da cuba.

— Puta que pariu.

Peguei um pano e coloquei sob o vazamento. A água continuou pingando. Aquela era a terceira vez naquele ano que alguma parte da pia resolvia criar um problema. Fechei o registro pequeno dentro do armário e liguei pra portaria. Seu Geraldo atendeu rapidamente.

— Portaria.

— Seu Geraldo, é a Tatiana. A minha pia está vazando outra vez. Na cozinha, o cano embaixo da cuba.

— O Zé Maria está aqui. Vou mandar ele subir.

— Obrigada.

— Ele já está indo.

Desliguei e suspirei pensando que não tinha mais o que acontecer. Peguei outro pano, me ajoelhei diante do armário e enxuguei a água que tinha escapado até o zelador chegar.

O Zé Maria entrou com uma caixa de ferramentas. Usava o uniforme do condomínio, calça escura e camisa de manga curta. Era magro, calvo e tinha aquele rosto cansado de quem passava o dia resolvendo problemas que outros homens teriam evitado. Os olhos dele encontraram o meu rosto antes de descerem. Passaram pelos meus seios apertados no tecido, ficaram na barriga exposta e chegaram ao short. Vi o olhar acompanhar as minhas coxas. Ele voltou ao meu rosto sem falar nada além de um cumprimento e pedir licença pra ir à cozinha.

O Zé Maria já tinha visto muito mais do meu corpo do que aquilo. Ele tinha uma cópia das fotos e vídeos vazados pelo meu ex-marido e, junto com os outros funcionário, prometeu guardar segredo e nunca redistribuir.

Isso tornava o olhar dele diferente. Ele sabia como os meus seios eram sem aquela blusa. Sabia o formato da minha buceta e conhecia a minha bunda nua por ângulos que nenhum zelador deveria conhecer da moradora que chamava para consertar uma pia.

— Está vazando há muito tempo? — perguntou, quando chegamos na cozinha.

— Notei há pouco. Fechei o registro e diminuiu.

Ele colocou a caixa no chão e se agachou diante do armário. Eu fiquei ao lado da pia, com os braços cruzados. A posição pressionou meus seios dentro da blusa. O Zé Maria abriu as portas inferiores e passou a mão pelo cano. Depois colocou um balde embaixo da conexão.

— A vedação abriu.

— De novo?

— Parece que sim.

Ele se ajoelhou e enfiou a cabeça sob a cuba. A camisa subiu um pouco nas costas. O corpo dele era magro, com braços finos e músculos discretos e rústicos de quem carregou peso escada acima e escada abaixo por décadas. A calça estava mais justa na frente. O volume ainda era pequeno, porém visível.

Zé Maria pegou uma chave na caixa e começou a soltar a conexão. Quando levantou a cabeça, nossos olhos se encontraram e ele baixou para conferir meu corpo mais uma vez. A blusa tinha subido alguns centímetros quando cruzei os braços. Meu umbigo ficava no centro da barriga exposta. O short desenhava uma pata de camelo que só percebi depois que ele saiu.

O volume na calça dele aumentou. Desviei os olhos pro cano. Ele voltou ao serviço e a minha pele eriçou. A temperatura do apartamento seguia quente, então o arrepio vinha de outro lugar. Os meus mamilos endureceram mais sob a blusa. Senti a buceta ainda sensível por causa da tentativa interrompida no banho.

— É a terceira vez este ano — comentei. — Toda vez alguém troca uma peça e acontece de novo.

— Porque o problema está mais para dentro.

— Como assim?

Zé Maria soltou o trecho do sifão. Um pouco de água caiu no balde. Ele examinou a borracha e passou o dedo na rosca.

— Isso aqui está gasto. Só que o cano da parede também está ruim. Trocar essa borracha resolve o vazamento de hoje. Depois aparece outro ponto.

— Em outras pias também?

— Em vários apartamentos. Principalmente nesta torre.

Ele se inclinou mais pra dentro do armário. A calça esticou sobre a bunda estreita. Quando saiu para pegar outra ferramenta, ficou ajoelhado perto das minhas pernas. A cabeça dele estava quase na altura do meu short.

O Zé Maria olhou para cima e a minha buceta pulsou sob o tecido.

Ele tinha visto vídeos meus naquela posição. Pelo menos, podia tinha eles no WhatsApp. Os vídeos incluíam gravações em que eu aparecia de pé enquanto o meu ex-marido ajoelhava diante de mim. Havia closes da minha buceta e vídeos em que eu abria as pernas pra câmera. Ele podia nunca os ter aberto ou batido dezenas de punhetas em homenagem à minha buceta.

Mesmo assim, ele não disse nada. Apenas pegou uma fita de vedação e voltou ao cano.

— Boa parte do encanamento do prédio precisa ser trocada. Há anos.

— Essa é uma das obras emergenciais que o Rogério falou pro síndico.

— Sim. Uns meses atrás, o seu Lucério fez um levantamento das obras mais urgentes e me pediu pra revisar. O encanamento ficou no topo.

Lucério.

Até a pia vazando encontrava uma forma de trazer aquele homem de volta à minha vida.

— Ele fez esse levantamento sozinho?

— Conversou com todos os funcionários, procurou alguns moradores, foi em cada lugar que apontamos e visitou cada casa com problema naquele mês, conversando com os moradores. Depois, ele disse que cruzou os dados com as plantas do prédio e encontrou os focos principais de problemas. Mas ele disse que tudo que ele fez foi de conversar e reunir informação. Era preciso uma análise feita por alguém que pudesse assinar.

Zé Maria terminou de limpar a rosca e começou a passar a fita. Os dedos trabalhavam com cuidado, enquanto o pau continuava duro dentro da calça. Eu olhava pra as mãos dele e acabava voltando ao volume.

— O Alberto enrolou no dia da última assembleia — lembrei. — Ficou por isso mesmo?

— Quando inaugurou a sauna, o seu Alberto disse que o condomínio não tinha dinheiro para procurar problema que talvez nem existisse. E, se insistisse, teria que pôr em votação uma cota extra isso.

O povo iria em massa só pra votar contra e economizar.

— Espera, eu lembro que a Sarah se ofereceu para olhar. Ela disse que era engenheira civil que podia fazer um laudo. Mas se ela não fez até hoje...

— Ela terminou o laudo completo em uma semana. Fez tudo de noite, junto comigo ou o Astolfo.

O Zé Maria apertou a nova vedação e encaixou a conexão. O braço dele roçou na parte interna da minha panturrilha quando buscou uma chave que havia caído. Mas o que me deixou de queixo caído foi a informação chocante que ele tinha dito com naturalidade.

— Ela entregou o laudo pro síndico. Mas no dia seguinte, o seu Alberto tentou convencer ela de que nunca tinha recebido.

— Não vai me dizer que o Alberto teve coragem de meter essa na cara dela?

— Sim. A dona Sarah ficou puta, mas ela tinha feito várias cópias e estava com elas quando ele inventou de falar isso. Ela fez ele assinar um recibo e ainda tirou uma foto datada entregando o envelope pra ele. Na minha frente, do seu Geraldo, da Carolina e do seu Ismael da Torre B.

— Então, ele já tem a cópia há semanas e não convocou uma assembleia.

— A cópia sumiu.

— Como duas cópias de um laudo somem?

— Ele não deu explicações. Apenas sumiu.

Suspirei com ódio.

— E aposto que, depois dessa, a Sarah desistiu.

— Não. Ela nos disse que vai entregar uma cópia na assembleia.

— Não sei se isso vai funcionar. Os demais moradores podem achar que ela é muito... nova.

— Foi o que o seu Alberto disse. Que não era pra ser um laudo “feito nas pressas” por qualquer um que acabou de se formar, mas por um engenheiro civil especializado em prédios. E eles custam caro.

Eu descruzei os braços e apoiei as mãos na bancada. A mudança de posição deixou meu corpo inclinado pra frente. Meus seios ficaram mais marcados na blusa. O Zé Maria olhou. O rosto dele continuava sério, mas o pau pressionava a calça com força suficiente para formar o contorno. Senti uma vontade súbita de perguntar se ele tinha assistido aos meus vídeos recentemente.

— Mesmo assim, acho arriscado irmos com ela pra essa assembleia.

— A senhora tá cometendo o mesmo erro do seu Alberto — disse, enquanto abria o registro devagar, observava a conexão e passava um pano seco ao redor.

— Como?

— A dona Sarah parece engraçada e desastrada no dia a dia. Vive derrubando coisa e tropeçando. Só que ela sabe muito. Ela lidera a equipe de manutenção e reformas em uma hidrelétrica e vive fazendo viagem de bate-e-volta para Minas. Já teve que cuidar de barragem de represa. Ela vive assinando laudo de obra bilionária.

Ele estava falando da mesma Sarah que perdeu uma bolsa quando prendeu a alça na porta do elevador e a mesma Sarah que tropeçou e caiu de cara na própria comida durante um aniversário. Era complicado acreditar.

— Aí, o seu Alberto acha que ela é pouca merda para olhar o cano de prédio.

— Como você sabe tanto sobre ela?

— Ela gosta de futebol — resumiu Zé Maria com uma justificativa um tanto ilógica. — Ela e a dona Natália são muito amigas. E a gente adora ouvir as histórias dos moradores.

— Você viu o laudo? — perguntei.

— Vi uma parte quando ela veio mostrar pro seu Geraldo. Tinha fotografia de vazamento, ferrugem e parede úmida. Explicava onde o problema estava pior.

— Ela deixou alguma cópia com vocês?

— Não. Porque ela sabe que pode sobrar pra gente se o síndico descobrir.

Aquilo merecia uma conversa. Eu encontraria a Sarah em poucas horas. Poderia perguntar durante a viagem ou na trilha, longe dos corredores do condomínio. Também queria saber onde Lucério entrava naquele levantamento e por quê ele havia se interessado pelas obras urgentes.

Apostava que era mais um plano maléfico no qual ele preparava outra forma de controlar o prédio. Mas se isso derrubasse o Alberto, significaria que éramos aliados. Que ódio.

O Zé Maria fechou o armário e se levantou. Ficamos perto demais. Seus olhos desceram pela abertura do decote. Os meus seios pareciam maiores de tão comprimidos pela blusa. Os bicos marcavam o tecido. A ereção dele quase encostava no short. Olhei pra baixo. O pau estava completamente duro. O tecido da calça escondia o formato exato, porém o volume subia grosso na direção do cinto. Por causa da siririca interrompida, a minha buceta ainda estava molhada.

Ele deu um passo pro lado e abriu a torneira. A água desceu normalmente. Esperou alguns segundos e passou a mão sob o cano.

— Parou — A voz saiu rouca.

Fui olhar e a minha bunda roçou na lateral da mão dele quando me inclinei sobre a pia. Foi rápido, mas ele puxou a mão.

— Quanto tempo isso segura?

— Pode durar. Também pode voltar a vazar quando o cano mexer.

— Uma previsão bastante tranquilizadora.

— É o que dá para fazer sem quebrar a parede.

Endireitei o corpo. Ficamos frente a frente outra vez.

— Então o problema real continua.

— Em todo o prédio.

Ele começou a guardar as ferramentas. A ereção diminuía devagar, embora ainda estivesse óbvia. Peguei a carteira na bolsa e tirei uma nota de cem reais.

— Não precisa, dona Tatiana.

— Você subiu à noite e resolveu o vazamento.

— Faz parte do serviço.

— Por favor.

De tanto insistir, ele aceitou. Ele colocou a nota no bolso da camisa e pegou a caixa. Caminhei com ele até a porta. A bunda do short subia levemente a cada passo. O Zé Maria parou no corredor. Olhou para mim mais uma vez, percorrendo a roupa inteira. O pau ainda marcava a calça. Depois seguiu até o elevador. Fechei a porta e encostei as costas nela.

— Que porra está acontecendo comigo hoje?

Eu tinha começado a noite tentando me masturbar pensando no Miguel, que virou o Lucério. Logo depois, quase fiquei excitada o suficiente pra quase esfregar a buceta no zelador enquanto ele consertava a minha pia. Socorro!

Talvez eu precisasse mesmo passar dois dias no mato. Fui até a cozinha e confirmei que o vazamento havia parado. O pano estava úmido, porém nenhuma nova gota caía. Peguei o celular para mandar mensagem à Sarah. Antes de abrir a conversa, vi as notificações acumuladas. Mensagens da Cinthia e da Alessandra. Mudei de ideia sobre a Sarah, eu a veria em algumas horas. Melhor terminar de arrumar minha mochila. Não esqueci de colocar os cinco powerbanks pra emergência.

Quando fui dormir, o despertador marcava menos de sete horas de sono antes a hora de levantar. Deitei de lado e pensei no Miguel.

Imaginei o sorriso torto dele quando me visse na trilha. Pensei no peito peludo sob uma camiseta. Imaginei a gente afastado do grupo perto da cachoeira, a boca dele na minha e as mãos apertando minha bunda. Depois, pensei em baixar a calça dele e rever aquele belo pau, grande e grosso. Uma imagem excelente para dormir. Fechei os olhos e sonhei.

No sonho, eu estava dentro de uma barraca. O tecido se movia com o vento e alguém deitava atrás de mim. Senti um corpo magro encostar nas minhas costas. Uma mão ossuda passou pela minha cintura. A boca encontrou o meu pescoço. Eu sabia quem era antes de virar. O Lucério estava nu, pálido e com o pau duro pressionado entre as minhas pernas. Aquele sorriso discreto apareceu quando percebeu que a minha buceta já estava molhada. Tentei dizer que estava esperando o Miguel, mas o Lucério puxou meu cabelo e se deitou sobre mim.

No sonho, eu abri as pernas para ele.

Pois bem, leitor. No próximo capítulo, Tatiana irá participar do arco crossover “Arco da Trilha”.

Coloquem nos comentários para o que vocês torcem que aconteçam nos próximos capítulos. Em breve, teremos a continuação.

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PERGUNTAS:

1) Agora que vocês sabem da atuação de bastidores e das massagens, o que acham do seu Raimundo? Salvou a noite de geral com suas análises e massagens ou se aproveitou da mulherada?

2) A Tatiana deve transar com alguma das opções levantadas neste capítulo?

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O Arco do Futebol é composto por sete partes que podem ser lidas independentes, mas cada uma prioriza as ações dos seus narradores e protagonistas. E, nem sempre o que os outros veem eles fazendo era necessariamente a intenção deles.

Ele vai compreender os seguintes capítulos:

* PARTE 1: Eu, minha esposa e nossos vizinhos – Parte 21

* PARTE 2: Passando a Vara nas Vizinhas. Ou Não. - Capítulo 18

* PARTE 3: Eu e Minha Esposa Pulamos a Cerca... E o Caos Explodiu - Parte 14

* PARTE 4: Eu, a esposa gostosa do meu chefe e os vizinhos deles - Parte 03

* PARTE 5: Queria Ser Síndica, mas Porteiros e Zeladores Me Viram Pelada - Parte 04

* PARTE 6: Louco para enrabar a professora ruivinha, enrabei o volante contador primeiro (Série do Antônio - Parte 05)

* PARTE 7: Quem Vai Comer a Advogada Evangélica? - Capítulo 16

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NOTA DO AUTOR: Eu sei que talvez tenha exagerado um pouco no subplot da investigação da prefeitura, mas dada a quantidade de bolas foras que a Tatiana tinha que dar envolvendo Letícia/Carlos, Miguel/Sarah, Cinthia e Alessandra, eu precisava de uma forma de estabelecer que ela é uma boa jornalista. O problema é que seus preconceitos e falta de determinados dados sexuais dos outros personagens a fizeram errar nas suas conclusões.

Ou vocês podem colocar ela no time Sarah de “excelente profissional que é um desastre completo na vida pessoal”.

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Foto de perfil genéricaAlberto RobertoContos: 161Seguidores: 324Seguindo: 0Mensagem Em um condomínio de classe média alta, a vida de diversos moradores e funcionários se entrelaça em uma teia de paixões, traições e segredos. Cada apartamento guarda sua história, no seu próprio estilo. Essa novela abrange todas as séries publicadas neste perfil. Os contos sempre são publicados na ordem cronológica e cada série pode ser de forma independente. Para ter uma visão dos personagens, leia: Guia de Personagens - "Eu, minha esposa e nossos vizinhos"

Comentários

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Eu já li todos os contos que foram publicados. em 3 dias de tão bacana que eu achei. Parabéns pela historia, mas eu torço para que o Lucério continue os jogos com a jessica, pois os dois são muito inteligentes e estão em uma guerra pscologia muito bacana. Espero também que ao final da aposta que ele acredita que ganhou ela faça uma reviravolta. Sendo que a jessica por ser a pessoas que é , suspenda a aposta que ele fosse embora do predio. Pois eu considero ele como o personagem do dead poll. Ele que mantem o controle do predio por tras da cortina, não deixando as confusões de todo mundo ser exposta..

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Seu Raimundo, o mestre com as mãos. Prepara, amacia para outra comer. Rs Ele é um coroa simpático, deve saber guardar energia... Futuramente queria ver ele com Rebeca.

1) Eu acho que as duas coisas. Penso que ele poderia se beneficiar com uma boa transa com um gostosa.

2) Na minha opinião ela deveria ter transado com o Zé Maria. Acredito que os dois se dariam muito prazer. Lucério com certeza, teve química e por mais que ela resista o desejo só aumentara.Aqui g]faço uma crítica, assim como 100% dos homens não sao bis, ocorre o mesmo com as mulheres. Acho que a Cintia pode tentar e ela receber não ser o seu caso.

Vc relata muito menage feminino, tirando Antônio, Jonas e Letícia nunca mais teve um menage masculino. Seria interessante Tatiana com dois homens (Geraldo/Zé Maria) ou (Lucério/Raimundo) ou (Miguel/Eneias).

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Ok, esse PoV teve muita informação. Não estava na minha lista de desejos Tatiana/Raimundo e Tatiana/Letícia. Acho que depois de um dia estafante ela vai acabar querendo uma mensagem do Raimundo e rapidamente deu pra notar uma pequena química entre Tatiana e Letícia..

1) A cada PoV Raimundo vai se tornando o grande herói invisível da partida, o time pode não reconhecer, mas as ruas jamais esquecerão do professor Raimundo (piada sem intenção). Dito isto, a lista de mulheres com que ele poderia transar na minha contagem subiu de 3 para 5.

2) As duas pessoas que eu já citei mais a Cinthia, Alessandra e Zé Maria.

Gostei do conto, deu uma andada na história e é bom alguns sem cena de sexo, muda a dinâmica. Prefiro que tenha sexo quando realmente é importante para a história.

Vou deixar uma pergunta e se você não quiser responder para não estragar a surpresa não terá problema.

Sabemos que vai ter ménage no “Arco da Trilha”, a pergunta é se as configurações dos ménages serão as mesmas nos dois dias ou existe a chance do Érico e do Miguel comerem as quatro (duas num dia e as outras duas no outro?

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