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Garoto do EB / Ep 07

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Um conto erótico de Michel
Categoria: Gay
Contém 2732 palavras
Data: 25/07/2026 01:14:12

O som das minhas próprias passadas pelo corredor ecoava como uma contagem regressiva enquanto eu voltava para o alojamento. Cheguei ao meu beliche quase às quatro da manhã, com o corpo moído pela faxina e a cabeça fervendo. Fechei os olhos por menos de duas horas, mas não dormi de verdade. A imagem do Gustavo colado a mim no box e a ameaça sombria do Cabo sobre o acampamento Pólux não saíam da minha mente.

Às seis em ponto, a corneta tocou.

O pátio central do batalhão estava tomado por uma névoa fria. Os três pelotões formavam em fileiras impecáveis, todos de farda de combate, mochilas pesadas de campanha nas costas e cantis ajeitados no cinto.

O Sargento Rocha subiu no palanque com as mãos para trás e aquele olhar de sádico.

— Atentem para cá, seus lixos! — Rocha berrou, a voz cortando o ar gelado da manhã. — O Pólux não é colônia de férias. É lá que o filho chora e a mãe não ouve! Vocês vão comer poeira, vão andar até a sola do coturno furar e vão descobrir quem tem fibra de soldado e quem é folha seca que o vento leva!

Ele fez uma pausa dramática, caminhando de um lado para o outro.

— Eu não vou acompanhar vocês nessa instrução porque fico na coordenação de apoio do quartel. Mas fiquem sabendo que o Tenente Brito estará no comando do Terceiro Pelotão. E se eu souber que algum de vocês fez vergonha lá fora, quando voltarem, a minha mão vai pesada na cara de cada um!

Senti um alívio silencioso percorrer minha espinha ao saber que o Rocha não estaria na mata. Mas a presença firme do Tenente Brito assumindo o comando não diminuía o peso do que viria pela frente.

— Terceiro Pelotão, em direção aos caminhões de transporte! Marche! — comandou o Tenente Brito.

A tropa se movimentou em direção aos grandes caminhões furgão do Exército. Os recrutas começaram a se amontoar na caçamba do veículo. Dagoberto, querendo pagar de engraçado, deu um empurrãozinho de leve na minha mochila e soltou, rindo alto:

— Cuidado pra não dobrar a coluna no meio, ô Michel! Se quiser, eu peço pro tenente carregar essa tua bolsa de mulher!

Alguns garotos deram risadinha. Apenas apertei as alças da mochila, mantendo o rosto neutro. Gustavo, sem nem olhar na minha cara e agindo como se a piada do Dago tivesse sido a coisa mais sem graça do mundo, deu um tapa forte e ombro a ombro na costa do Dagoberto, interrompendo o riso do gordinho no meio:

— Ô, Dago! Ô mano, hoje tem jogo, né não? Quem é que joga mais tarde, tu lembra?

Dagoberto piscou, mudando a chave na hora e abrindo um sorrisão:

— Pô, verdade! Tem Mengão hoje no Brasileirão, pô! Mas lá no mato a gente nem vai ver o placar...

— Nem me fala, caralho... foda — Gustavo riu, passando o braço pelo ombro do Dagoberto e empurrando ele para subir na caçamba. — Bora, sobe aí.

Dagoberto subiu, e a conversa sobre futebol tomou conta do grupo de vez. Gustavo nem olhou para mim, subindo no caminhão logo em seguida. Subi por último, me ajeitando num canto discreto.

A viagem até o Campo de Instrução Pólux durou cerca de duas horas. Quando os caminhões pararam e desembarcamos, o cenário era hostil. A mata fechada cercava uma clareira úmida. O céu estava completamente carregado de nuvens carregadas, e o cheiro de terra molhada anunciava a tempestade iminente.

— Atentar, pelotão! — o Tenente Brito ordenou, a voz firme repercutindo pelo terreno. — O tempo vai virar a qualquer momento. Prioridade absoluta: estruturação das acampagens individuais! Quero todas as tendas esticadas e prontas antes que a chuva caia! Quem enrolar vai dormir na lama!

Os recrutas se dispersaram, cada um pegando suas estacas, uma lona, cordas de sisal e o poncho impermeável. Tentei erguer a minha estrutura, mas as minhas mãos pareciam não obedecer. O vento forte soprava contra o tecido plasticizado, fazendo a lona balançar desgovernada. Tentei fincar as estacas na terra batida, mas elas soltavam. A lona desabou na minha cabeça duas vezes.

De repente, uma mão grande e firme puxou minha lona. Gustavo se abaixou ao meu lado. Em silêncio e com movimentos rápidos e precisos de quem conhecia bem aquele manejo, ele cravou as estacas no solo com o salto do coturno, esticou as cordas e deu nós cegos e perfeitos. Em menos de dois minutos, a minha barraca estava impecável, firme contra a ventania.

Eu o observei de baixo, surpreso, e soltei com um sorriso provocativo de canto de boca:

— Ué... Achei que a gente tinha combinado de fingir que nem se conhecia, Gustavo. Tá difícil ficar longe de mim, é?

Gustavo nem olhou nos meus olhos. Ele terminou de ajustar o último esticador de corda, limpou a terra da mão na calça da farda e respondeu num tom seco

— Quer dormir na lama? Se essa lona voar na tempestade, o Tenente vai mandar você dormir no relento. Fica quieto e não enche o saco.

Ele se levantou rápido e caminhou de volta para a barraca dele, que ficava ha alguns longos metros da minha.

Ao cair da noite, a escuridão na mata virou um breu absoluto. O céu era cortado a todo instante por relâmpagos violetas que iluminavam as árvores, seguidos por trovões distantes. O vento gelado uivava entre os galhos.

O Tenente Brito passou pelas tendas distribuindo as caixas de Ração Operacional de Combate.

— Preparem a ração e comam rápido! — avisou Brito. — A tempestade vem forte.

Entrei para debaixo da minha barraca. Abri a caixinha verde de papelão e tirei as latas de comida e um pacote que era o prato principal, era um strogonoff com arroz, e também tinha o pequeno fogareiro dobrável de chapa metálica e as pastilhas de combustível sólido. O problema é que o vento forte que entrava pelas laterais apagava a chama do meu fósforo toda vez que eu tentava acender a pastilha. Fiquei minutos tentando, mas só conseguia queimar os meus próprios dedos na escuridão.

Com fome, frio e frustrado, coloquei a cabeça para fora da tenda, eu pensei em pedir ajuda pro Tenente Brito, mas pelo clarão de um relâmpago, vi a silhueta do Gustavo em pé perto de um ponto de controle onde havia água para nós recrutas.

— Psiu... Gustavo — chamei num sussurro discreto, baixo o suficiente para só ele ouvir na escuridão.

Ele parou, olhou para os lados e caminhou a passos lentos até a entrada da minha tenda, se abaixando na abertura.

— O que foi agora, caralho? — ele resmungou baixo.

— Não consigo acender essa porcaria de fogo. O vento apaga tudo — mostrei o fogareiro.

Gustavo soltou um suspiro irritado, mas se ajoelhou na entrada da minha barraca. Ele usou as costas largas e o próprio corpo para bloquear totalmente a rajada de vento. Tirou um isqueiro do bolso da gandola e, com um único estalo, acendeu a pastilha de combustível, fazendo uma pequena chama azul e amarela iluminar o espaço apertado entre nós.

Ele aproximou o rosto da chama para soprar de leve, fazendo o fogo pegar pressão. O brilho da chama e os relâmpagos do céu refletiam no rosto raspado e nos olhos escuros dele.

Antes de se levantar, Gustavo olhou bem no fundo dos meus olhos e soltou num tom provocativo:

— É... Pelo jeito, quem tá me procurando agora é você, né?

Senti o calor do fogo e a tensão do momento queimarem no meu peito. Dei um sorriso calmo, inclinando o rosto um pouco mais perto do dele:

— Eu só pedi ajuda com o fogo, Gustavinho...

Gustavo me encarou com os olhos estreitados na penumbra da barraca. O sorriso irônico do rosto dele sumiu, e ele respondeu num tom seco e ríspido:

— Come essa porcaria logo e vê se cala a boca.

Mas antes que ele pudesse se levantar para ir embora, a tempestade desabou de uma vez só.

O céu pareceu rasgar sobre o campo de instrução, e o som dos pingos pesados atingindo a vegetação parecia o espocar de dezenas de tiros. Em questão de segundos, rajadas violentas de vento gelado começaram a estalar a barraca. As estacas rangeam na terra e a lona chacoalhava com tanta força que a sensação era de que ela seria arrancada a qualquer momento.

Sem conseguir voltar para a própria barraca no meio daquele temporal cego, Gustavo não teve escolha: se enfiou com pressa para dentro da minha tenda.

— Puta que pariu... que temporal do caralho! — ele praguejou alto, a voz tentando cobrir o barulho ensurdecedor da chuva no plástico.

Um pavor gelado subiu pela minha espinha. Abracei os próprios joelhos, encolhido no canto enquanto o vento uivava furioso. Outro trovão estrondou logo acima, tão forte que o chão chacoalhou e o clarão iluminou tudo, me fazendo dar um pulo de susto.

Gustavo percebeu o meu pânico. Ele virou o rosto para mim no escuro, vendo o meu corpo trêmulo.

— Tá tremendo de quê, porra? — perguntou ele, a voz séria ao ver a minha expressão de pavor.

— A lona... ela vai voar, Gustavo — sussurrei com a voz falhada, olhando para o teto de plástico que se contorcia todo. — Essa merda vai cair em cima da gente! Aii... — Um raio havia caído nas proximidades.

— Nossa, se a gente estivesse em uma guerra eu não iria querer depender de você não, 114!Essa barraca não vai voar porra nenhuma — ele respondeu num tom firme, ajustando o próprio corpo no espaço reduzido.

Sem pedir licença, Gustavo se acomodou ao meu lado. O espaço era pequeno demais para nós dois; os ombros dele esbarravam nos meus e as coxas se encostavam por inteiro. Ele esticou os braços longos, segurando as hastes da estrutura interna para reforçar a barraca contra a ventania.

— Fica calmo, caralho — ele murmurou, a boca a poucos centímetros do meu ouvido por causa da falta de espaço, o hálito quente cortando o ar gelado. — Eu tô segurando essa porra. Ninguém vai voar aqui não.

Encolhido contra o corpo largo dele, sentindo o calor forte que saía da farda do Gustavo no meio daquele frio congelante, o terror da tempestade começou, aos poucos, a dar lugar a uma tensão completamente diferente no escuro da tenda. A água no pequeno caneco de alumínio começou a borbulhar sobre a chama do fogareiro. Gustavo deu uma olhada rápida para a panela improvisada e depois para mim, ainda com os braços firmes segurando as hastes da barraca.

— Pronto. Essa porcaria tá quente — ele resmungou com a voz rouca, — Come isso logo, Michel. Come rápido porque com essa ventania jaja esfria!

Apenas obedeci em silêncio. Com os dedos ainda meio trêmulos pelo frio, comi a ração aquecida sob o olhar atento dele.

— Cara, você não dá conta de se virar sozinho mesmo... Se eu não chego, você tava até agora passando fome no escuro. — Disse Gustavo, ajeitando o seu corpo pra ficar mais confortável.

— É? Parece até que tava só esperando eu pedir socorro pra vir fazer uma visitinha. — Dei uma garfada no strogonoff, que estava até gostoso. — Mas sei que você se preocupa um pouco!

— Não viaja, minha preocupação é o pelotão!

— Sei... A preocupação é com o pelotão sim, dá pra ver no seu olho toda vez que você chega perto de mim.

Gustava se levantou um pouco, e me encarou por alguns segundos.

— O único motivo de eu olhar pra tu é pra ter certeza de que tu não vai fazer nenhuma besteira.

Aos poucos, o barulho ensurdecedor no teto de plástico começou a diminuir. A tempestade violenta deu lugar a uma chuva mais fraca, porém constante, e as rajadas de vento finalmente cessaram. O silêncio do mato voltou a nos cercar, quebrado apenas pelo gotejar contínuo nas folhas e pela nossa respiração dividindo o mesmo ar apertado.

A tempestade tinha passado, mas a proximidade do corpo dele colado ao meu continuava queimando.

Com a comida finalizada, encostei a bandeja no canto da tenda. Olhei para a farda metade encharcada do Gustavo e para o espaço estreito onde estávamos encurralados. Um sorriso lento e provocativo começou a se desenhar nos meus lábios.

— A chuva já deu uma trégua, Gustavinho... — sussurrei baixinho. — Não vai voltar pra sua barraca? Ou tá pensando em dormir abraçadinho comigo hoje?

O Gustavo travou. Ele virou o rosto devagar na minha direção, o maxilar trancado de um jeito que a veia do pescoço saltou.

— Você não sabe a hora de fechar essa boca, né? — ele murmurou com a voz perigosamente grave.

— Se quiser que eu cale a boca, você já sabe o que tem que fazer... — provoquei, erguendo o queixo, desafiando-o no escuro.

A resposta dele não veio em palavras.

Num movimento rápido e imprevisível, a mão grande do Gustavo voou na minha nuca, cravando os dedos no meu cabelo raspado com força firme, me puxando para ele sem dar espaço para qualquer reação. A outra mão dele segurou a minha cintura com brutalidade, colando o peito dele contra o meu.

Antes que eu pudesse soltar qualquer ar de surpresa, os lábios dele se chocaram contra os meus num beijo faminto, quente e desesperado.

Não havia delicadeza ali; era o extravasamento de semanas de desejo reprimido, raiva e obsessão. A língua dele invadiu a minha boca com uma ganância sufocante, arrancando um gemido abafado do fundo da minha garganta. Eu correspondi no mesmo ritmo, agarrando os ombros largos da farda dele, sentindo o calor e o tremor do corpo do Gustavo contra o meu. O beijo se prolongou no escuro da tenda, denso e profundo, fazendo a gente esquecer por alguns minutos onde estávamos, o risco que corríamos e toda a estrutura do exército lá fora.

Quando a chuva finalmente parou por completo, deixando apenas o som do gotejar nas árvores, um grito vindo do lado de fora cortou o silêncio do acampamento:

— Pô, alguém viu o Gustavo?! — a voz de Dagoberto ecoou, alta e preocupada, entre as barracas. — O cara sumiu no meio da tempestade, mano! Gustavo!

O efeito do grito foi instantâneo.

O Gustavo se descolou da minha boca num baque, ofegante. Os olhos dele se arregalaram no breu da tenda num misto de pânico e choque com a realidade. Ele travou completamente no lugar, com as mãos em minha bunda, paralisado de medo de dar qualquer passo para fora e ser visto saindo da minha barraca.

Eu o encarei na penumbra. Ver o "durão" do batalhão encolhido ali, apavorado de ter a farsa descoberta pelo gordinho, fez um riso baixo e debochado escapar dos meus lábios.

Me aproximei do ouvido dele e sussurrei com um deboche calmo:

— Se eu fosse mau, eu gritava agora mesmo que você tá aqui comigo, Gustavinho... — dei um sorriso de canto, passando a ponta dos dedos no ombro dele. — Mas vou ser bonzinho com você hoje.

O Gustavo engoliu em seco, respirou de forma aliviada, eu fiquei sentado, montado em suas pernas, o tecido grosso da barraca raspando minhas coxas enquanto me acomodei devagar, sentindo o calor do seu corpo atravessando a camisa.

De repente, o som de botas pesadas pisando na lama ficou mais próximo. E não eram apenas um par de botas.

— Pô, Dagoberto! Tu tá maluco, cara? O Gustavo deve tá na barraca dele dormindo, porra! — a voz irritada do Cardoso ecoou a escassos metros da minha entrada, acompanhada pelo barulho de vegetação sendo pisada.

— Dormindo o cacete, Cardoso! O cara sumiu no meio do temporal, mano! Eu passei na tenda dele e tava vazia! — Dagoberto rebateu alto, caminhando lentamente entre a fileira de ponchos. — Vai que o cara caiu num buraco ou levou uma bronca do Brito no ponto de apoio?

— Se ele levou bronca, o problema é dele, caralho! A gente tá se encharcando aqui no meio do mato feito dois otários! Vamos voltar pra tenda, mano!

O corpo do Gustavo debaixo do meu virou uma rocha instantaneamente. Os olhos dele se arregalaram na penumbra e, num reflexo desesperado para garantir o meu silêncio, a mão grande e quente dele subiu rápido, cobrindo a minha boca com firmeza. A palma da mão dele cheirava a terra, fogo e pele quente.

Fiquei estático, sentindo o peito dele subir e descer numa frequência descontrolada logo abaixo do meu. Encarei os olhos escuros dele a poucos centímetros dos meus. Aquele cara que se garantia como o recrutão mais durão do Terceiro Pelotão estava nas minhas mãos, apavorado com a simples ideia de uma lona ser erguida por dois recrutas babacas.

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Comentários

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Nossa realmente vc tem o dom da escrita meu parabéns! a história tá ficando cada vez melhor e mais bem escrita, virei seu fã!

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Um vício: ficar esperando o próximo capítulo hehehe

Cara, muito bom!!

Eu fui dormir uma hora da manhã e verifiquei se não tinha atualizado o novo capítulo hahaha se eu tivesse esperado mais um pouco...

Eu estou amando, parabéns!!

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Obg pelo comentário ❤️, estou tentando um ep por dia rsrs 😉😊

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