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5/5: O Eclipse do Passado

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Um conto erótico de Juju
Categoria: Trans
Contém 1637 palavras
Data: 24/07/2026 07:44:52

O mês que se seguiu àquela noite épica de Dostoiévski e revelações anatómicas foi uma colisão fascinante e improvável de dois universos que, teoricamente, jamais deveriam ter-se cruzado na mesma órbita. De um lado, Kenji, o astrónomo que decifrava o silêncio gélido das galáxias e a matemática abstrata da matéria escura; do outro, Juju, a "Doutora do Shape" que dominava o ruído incessante das redes sociais e os algoritmos vorazes do desejo humano. A adaptação mútua não foi um caminho linear, mas sim uma dança complexa entre o público e o privado. A rotina de Juju era um turbilhão caótico de flashes de paparazzi, eventos de marketing em hotéis de luxo, treinos gravados sob a luz crua dos refletores e reuniões de negócios onde a sua inteligência era constantemente testada por trás da sua imagem escultural. Kenji, habituado ao isolamento monástico dos observatórios e à paz transcendental dos cálculos manuais, sentia-se por vezes um corpo estranho naquela órbita frenética. No entanto, o verdadeiro encaixe — aquele que realmente importava — acontecia na intimidade sagrada da penthouse, onde o intelecto e a carne se fundiam sem as distrações do mundo exterior.

Kenji não era apenas um académico brilhante; as suas pesquisas revolucionárias renderam-lhe uma estabilidade financeira invejável, permitindo-lhe um conforto que ele, na sua simplicidade quase ascética, mal sabia como desfrutar. Ele já quase vivia permanentemente com Juju, e as suas noites tornaram-se rituais de um amor voraz e transformador. Antes de qualquer viagem ou separação temporária, a despedida deles era sempre um evento de magnitude sísmica. Juju adorava a forma como o corpo alvo, aparentemente frágil e intelectual de Kenji se transformava em puro instinto primitivo quando ele a possuía.

Naquela última noite antes do seu congresso na Suíça, eles decidiram ignorar o sono. Juju entregou-se totalmente ao prazer de ser preenchida por aquele colosso de 26 centímetros que Kenji ostentava com uma timidez que se evaporava completamente entre as quatro paredes do quarto. Ela cavalgava nele com uma fúria rítmica, os cabelos loiros chicoteando o ar e o suor misturando-se nas curvas dos seus corpos, enquanto ele a segurava pelas coxas grossas e musculosas com uma força surpreendente, elevando-a ao êxtase repetidas vezes. O sexo deles era a única linguagem onde a "Loirinha do Shape" e o "Astrofísico Nerd" não precisavam de tradução ou de validação externa; era uma comunicação visceral de peles, gemidos e uma entrega absoluta que deixava Juju exausta e, pela primeira vez na vida, sentindo-se genuinamente amada pela Julia que habitava dentro da Juju.

Contudo, a solidão — aquela velha e amarga conhecida de Joaquim, que ecoava os tempos de bibliotecas vazias e silêncios pesados em Curitiba — ainda era o fantasma que habitava os corredores mais profundos da mente de Juju. Quando Kenji precisou finalmente de partir para o congresso, o vazio do apartamento no Leblon pareceu amplificar-se de forma quase física. Sem a presença intelectual dele para ancorar a sua alma inquieta, Juju sentia-se novamente à deriva no oceano da sua própria perfeição. Numa dessas noites de ausência, o calor no Rio de Janeiro estava insuportável, uma mormaceira tropical que parecia colar a pele ao ar parado. Juju, buscando algum alívio para o corpo e para a mente, dirigiu-se à sacada.

Ela estava completamente nua, a pele canela brilhando intensamente sob a luz de uma lua cheia tão vasta que parecia um refletor natural suspenso sobre o oceano. Deitou-se sobre a rede de fios de seda que balançava suavemente com a brisa salgada, contemplando o céu que Kenji tanto amava. Ela tentava, com esforço, identificar as constelações que ele lhe ensinara nas noites anteriores, sentindo a falta física do peso dele sobre o seu corpo e da sua voz calma explicando o ciclo de vida das estrelas. Estava tão absorta na vastidão do cosmos, perdida em reflexões sobre o infinito e a sua própria pequenez, que não percebeu a súbita distorção no ar ao seu lado.

— Sabes, Juju, as estrelas estão lá há bilhões de anos, mas o teu tempo de contrato está quase a expirar. E a eternidade é um conceito muito longo para quem ainda tem pressa.

Juju deu um grito abafado e quase caiu da rede, com o coração a disparar violentamente contra as costelas pelo susto súbito. O gênio estava ali, sentado de pernas cruzadas no parapeito de vidro da varanda, soprando uma bola de chiclete púrpura com o seu habitual ar de tédio cosmopolita e superioridade arcana. — Que susto, maldito! — exclamou ela, tentando cobrir-se instintivamente com as mãos, embora soubesse perfeitamente que não havia segredos ou pudores diante daquela criatura. — Podias ter avisado que vinhas. O meu coração não é de ferro, apesar dos treinos.

O gênio riu, um som seco, metálico e desprovido de empatia humana. — Chegou a hora do último ato, Juju. O movimento final neste tabuleiro que montámos juntos. O que queres para selar o teu destino e fechar de vez este contrato arcano? A lua está no seu zénite. É agora ou nunca, antes que a magia se torne apenas rotina.

Juju olhou para as suas mãos perfeitas, mãos que agora eram capazes de tocar o mundo, e pensou no homem que a esperava com saudade do outro lado do oceano. — Eu quero ser feliz com ele, de forma plena e sem sombras — começou ela, a voz tremendo de emoção e de uma resolução recém-encontrada. — Quero que este sentimento de abandono, esta sombra de um passado solitário, cinzento e medíocre que me persegue como uma maldição, desapareça para sempre. Eu quero... ser inteira. Quero deixar de ser um retalho de memórias de outra pessoa que já não reconheço.

O gênio suspirou, um som profundo que parecia o lamento de séculos de desejos mal interpretados. — O que te impede de alcançar essa plenitude é a âncora da tua memória, Julia. O peso do Joaquim solitário, o homem que lia livros em bibliotecas empoeiradas em Curitiba sonhando com o que tu tens hoje, é o que te impede de navegar verdadeiramente neste oceano de prazer que eu criei para ti. Tu ainda te sentes uma impostora porque te lembras de quem foste. Queres que eu apague a última sombra? Queres que o Joaquim deixe de existir até nos teus sonhos mais profundos?

— Sim — respondeu ela, com uma determinação absoluta que selou o seu destino. — Eu quero apenas ser a Juju. A Julia dele. Sem fantasmas, sem passado, sem a dor de ter sido ninguém.

O gênio deu um último sorriso enigmático, quase satisfeito. — Fico feliz que os meus serviços tenham funcionado para ti. A beleza deu-te o mundo e o poder, mas o amor deu-te um motivo real para quereres ficar nele. Seja feita a tua vontade final.

Com um estalar de dedos que pareceu abalar as fundações da realidade, a visão de Juju desintegrou-se numa luz azul ofuscante e ela apagou, mergulhando num esquecimento misericordioso.

Juju acordou com um sobressalto na manhã seguinte, mas, estranhamente, não sentia qualquer angústia ou peso no peito. Fora apenas um pesadelo estranho e difuso, cheio de imagens cinzentas e um frio que ela não conseguia situar geograficamente, e que agora se desvanecia como fumaça ao sol. Ela levantou-se e caminhou até à cozinha, sentindo o calor reconfortante e vibrante da manhã carioca. O cheiro de café fresco e torradas invadia o ar. Kenji estava lá, de costas, preparando o pequeno-almoço com a sua calma habitual. Ele voltara da viagem mais cedo apenas para a surpreender.

— Bom dia, minha deusa — disse ele, envolvendo-a num abraço que parecia o centro do universo. Juju sorriu, sentindo uma paz absoluta e uma alegria que parecia não ter fim. A memória de um homem chamado Joaquim fora completamente varrida da sua psique. Ela era Julia. Apenas Julia, a mulher mais feliz do mundo.

Dez anos depois

A serra carioca exalava um perfume inebriante de terra húmida, pinheiros e flores silvestres. Juju, agora uma mulher madura cuja beleza parecia ter ganho uma profundidade e uma elegância magnética que transcendia o tempo, mexia em caixas antigas no sótão da sua mansão em Itaipava. Ela usava uma legging preta justa que ainda realçava as suas coxas poderosas e bem cuidadas, botas de couro confortáveis e uma t-shirt de dri-fit rosa da Nike, uma relíquia nostálgica dos seus tempos de ícone global do fitness.

Entre caixas de decorações de Natal guardadas e pilhas de livros técnicos de astronomia de Kenji, ela encontrou algo invulgar escondido sob um lençol velho: uma garrafa de vidro azul cobalto, pesada e hermeticamente selada com cera. Ao tocar no vidro frio, uma vibração elétrica e estranha percorreu os seus braços, despertando uma nostalgia súbita de uma vida que ela tinha a certeza absoluta de nunca ter vivido. Era como se a garrafa contivesse o fantasma ou a essência de um estranho que ela deveria conhecer, mas não conhecia.

Ela ia quebrar o selo da garrafa, movida por uma curiosidade inexplicável, quando um som familiar e urgente a interrompeu. Um choro suave e exigente vindo do andar de baixo. O seu bebé. — Joaquim? — chamou ela, com uma doçura infinita na voz, o nome saindo-lhe naturalmente como se fosse a palavra mais sagrada do seu vocabulário.

O seu filho de seis meses, com os olhos negros e curiosos do pai e a vitalidade indomável da mãe, chorava no seu berço. Juju hesitou por apenas um segundo, olhando para a garrafa azul que parecia brilhar fracamente na penumbra do sótão. No entanto, o apelo da vida real, do presente e do amor que construíra era infinitamente mais forte do que qualquer mistério do passado. Ela largou a garrafa sobre uma mesa empoeirada, sem olhar para trás. Juju saiu e fechou a porta pesada do sótão, trancando ali os últimos e silenciosos vestígios de uma história que já não lhe pertencia, e desceu as escadas rapidamente para acolher o futuro, e o seu pequeno Joaquim, nos seus braços.

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Foto de perfil de Sayuri MendesSayuri MendesContos: 132Seguidores: 79Seguindo: 5Mensagem uma pessoa hoje sem genero, estou terminando medicina e resolvi contar a minha vida e como cheguei aqui, me tornei que sou depois de minhas experiencias, um ser simplismente inrrotulavel

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Pode duvidar, mas nesse momento estou de pé batendo palmas para você. Foi tudo muito bonito, parabéns!

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