Eu estava a ponto de explodir de tanto tesão com minhas ideias e desejos quando chegamos ao motel. Pedi ao André que me esperasse na copa e abrisse uma cerveja. Eu estava com tanto tesão, que meu corpo chegava a ter tremedeiras. Minhas paredes vaginais pulsavam e minha vagina não parava de emitir meus fluidos.
Aquela história da Lavignia mexeu comigo muito mais do que eu poderia imaginar. A minha ideia era comer o Demônio à exaustão e ainda fazer ele chupar o pau da Lavignia, além de fazer xixi nele e levá-lo ao limite, ao ponto de me pedir clemência, mas meu plano não foi até onde eu imaginava, porque a entrega do meu namorado, homem, dono e senhor fez com que eu chegasse ao limite.
Eu precisava do pau dele dentro de mim como um beduíno precisa da fonte de água no deserto. Estava à beira de um colapso. Então, mesmo sem sair do personagem, fiz com que Lavígnia o recompensasse dando a buceta para ele. Acabamos em um sexo brutal, de me fazer ver estrelas e até ser dominada por ele daquele jeito que eu gosto: de quatro, apanhando na bunda e tendo meu cabelo feito de rédea.
Depois de todo aquele ritual da Lavignia na manhã daquele sábado, voltei para Feira com um tesão insuportável. Consegui descarregar aquela tensão no vôlei, jogando como nunca. Porém, só de olhar para o Demônio, aquela coisa voltou ainda mais forte. Quando estávamos dançando agarradinhos, eu tinha vontade de me ajoelhar e chupar o pau dele na frente de todo mundo.
Preparei o que devia no quarto e meu amor arregalou os olhos quando me viu adentrar a copa completamente nua. Sentei-me em seu colo e bebi um gole da cerveja depois que ele escaneou meu corpo com olhar de admiração.
- Amor, você se lembra da nossa primeira noite, quando você me deixou nua e mandou que eu sentasse em seu colo?
- Sim, minha princesa.
- Você me perguntou se eu sabia por que estava sentada nua no seu colo. Eu respondi que era porque agora eu era sua mulher.
André me olhou com curiosidade.
- Foi a coisa mais perfeita que já me aconteceu. Eu acertei a resposta e você me levou ao céu.
Fiz uma pausa, com o coração batendo descompassadamente.
- Eu tenho muitos planos e interesses, André, mas eu me contentaria em viver para ser sua mulher.
- Minha princesa – ele respondeu, acariciando minha coxa com uma mão e me envolvendo pela cintura com a outra.
- Sim, sua princesa, mas também sua escrava, sempre pronta para realizar seus desejos, me entregar a você incondicionalmente como nunca uma mulher se entregou a um homem. Ser sua puta, seu objeto, sua empregada, tudo que você quiser – falei, esfregando uma coxa na outra.
- O que deu em você Megera? Por que está falando essas coisas? – reagiu o Demônio intrigado.
Dei mais um gole na cerveja, o coração quase saindo pela boca, a respiração descompassada.
- Porque eu te amo demais – respondi, não dizendo o que eu queria.
- Eu também te amo demais, minha florzinha.
- Sua puta.
- Claro, minha putinha obediente e submissa, não é? – tentou, chegando perto do que meu corpo desejava. E meu corpo reagiu com uma tremedeira.
Ele percebeu.
- Sou. É isso que eu sou sua – respondi, ofegante.
André apertou minha coxa com aquela mão enorme. Tremi, já quase gozando com meus pensamentos.
Respirei fundo, tentando encontrar as palavras, o calor do meu macho me desestabilizando.
- Porra, Demônio, me domina. Caralho, como eu quero ser dominada por você. Eu já sou, amor, mas eu quero mais. Olha a porra da minha buceta, que não para de babar. Olha o que você faz com sua escrava só de ficar sentada no seu colo. Olha como eu fico entregue a você, me tremendo toda só de ouvir sua voz.
Eu não estava criando personagem. Eu não era personagem. Era o que eu estava sentindo de verdade. E que ainda sinto até hoje. A vontade de que meu dono fizesse o que quisesse de mim.
Subi nele, enlacei-o pela cintura com as pernas e invadi sua boca alucinadamente com minha língua. Esfreguei minha buceta no volume de sua rola, por cima da bermuda, e não aguentei. Gozei me tremendo toda e gemendo seu nome sem parar.
Alucinada de tesão, que não passava nunca, me ajoelhei entre suas pernas, tirei seu pau de dentro da bermuda e o devorei com sede, chupando e gemendo, completamente nua aos pés do me dono. Quanto mais eu mamava naquela rola, mais eu queria, mais me lambuzava, mais tentava engolir tudo, sem conseguir, mas sentindo sua cabeçorra tocar na minha garganta.
Ele me entendeu. Sempre me entendia. Segurou-me pelo cabelo e fodeu minha boca, me usando do jeito que eu queria ser usada, tirando o pau e batendo com aquela coisa enorme na minha cara, me levando à loucura.
- É isso que você quer minha putinha? Quer que eu abuse de você? – provocou André, com voz de homem mau, me segurando pelo cabelo e me fazendo olhar para ele, me arrancando até um gemido.
- Por favor, abusa de mim sem pena, me destrói – rosnei com o corpo tremendo.
- Abre a boca vadia!
Vadia? Que delícia. Abri. André desferiu uma cusparada na minha boca com gosto de cerveja, seguida de um tapa no meu rosto.
- É assim que você gosta de ser tratada?
- Gosto, eu quero, eu preciso, meu Deus, eu vou gozar assim. De novo. Mais, bate mais, por favor.
Ganhei mais dois tapas na cara, agora mais fortes, fazendo meu rostinho arder deliciosamente e minha boca emitir um rosnado de prazer.
O Demônio, ainda me segurando pelo cabelo, me fez engolir seu pau e voltou a foder minha boca. Era quase um ritual concebido para me enlouquecer. Ora fodia minha boca, esfregava o pau todo babado na minha cara, ora cuspia na minha cara ou dentro da minha boca e me acertava tabefes doídos na cara, me deixando zonza de um prazer novo para mim.
E quando enfiava o pau na minha garganta, me fazendo engasgar e sufocar, me babando toda, mas completamente rendida aquele prazer de ser usada, cuspida e humilhada pelo meu Demônio? Aquilo demorou muito, como se ele percebesse o quanto eu estava gostando daquela novidade e quisesse prolongar meu prazer.
Depois de muito me torturar daquele jeito, me colocou de quatro no chão, me mandou empinar o rabo para ele e o encheu de tapas ardidos. Fiquei de um jeito tal, que só de o Demônio começar a deslizar sua tora para dentro da minha buceta ensopada, meu corpo todo convulsionou, parecendo pegar fogo de tão quente, por dentro e por fora. Para me enlouquecer de vez, o Demônio me segurou pelo cabelo, enterrou o pau no fundo da minha buceta e me mandou rebocar no pau dele.
- Rebola, porra! Rebola no pau do seu dono. Quero ver esse rabo de piranha safada balançando – provocou.
Para que eu fui pedir para ele me destruir? Quanto mais eu rebolava desesperada, mais ele batia na minha bunda, me xingava e me dizia coisas deliciosamente horríveis. E lá estava a Megera gozando de novo aos gritos, as lágrimas descendo, a buceta escorrendo e o filho da puta continuava com a tortura.
- Não para de rebolar não, porra. Eu não mandei parar, quenga.
Ser tratada com aquela brutalidade me deixou ainda mais excitada e eu continuei fazendo o que ele mandava. Rebolei e emendei um orgasmo no outro.
- Tá gostando quenga de ser tratada como uma vadia de zona?
- Tôoooooooooo, maaaaaaaiiiiiiiiiiiisssssssss.
Ele mandou que fosse de quatro até o banheiro.
- Vai de quatro balançando essa bunda gostosa para mim.
Obedeci, chegando lá, ele mandou que eu entrasse no box e ficasse de joelho. Claro que obedeci, ansiosa, antevendo o que meu dono faria comigo.
- Você quer que eu mije em você, piranha safada?
Meu corpo começou a ter tremedeiras só de ouvi-lo falar daquele jeito. Balancei a cabeça positivamente, com os olhos lacrimejando de tesão.
- Então pede.
- Mija em mim, Demônio, me faz de sua privada – falei com a voz entrecortada, ofegante e com a buceta latejando inclementemente.
Ele mirou nos meus seios e me deu um banho de mijo. Sua mangueira direcionava aquele líquido quente na direção dos meus seios, da minha barriga, da minha buceta e do meu rosto. Deixei a boca entreaberta para receber seu mijo sagrado e sentir seu gosto. Que coisa gostosa da porra. Fiquei toda mijada, me tremendo de prazer.
O Demônio me mandou chupar seu pau para limpá-lo, o que fiz desesperada, tendo minha boca fodida com gosto e eu totalmente entregue aquele domínio.
- O que aquelas coisas estão fazendo em cima da cama?
- Eu trouxe para você usar em mim como quiser.
- Gostei da ideia.
Ele me mandou ir de quatro, toda sujinha de mijo, até o quarto e que ficasse naquela posição. Pegou a algema e me prendeu com as mãos para trás fazendo com que eu ficasse com o rosto no chão.
- Está gostando do tratamento, escrava?
- Ai, amor, estou, é o tratamento que eu mereço. Eu quero mais – respondi quase gritando, alucinada de tesão.
O Demônio pegou o pênis de borracha e prendeu-o ao chão pela ventosa e me mandou chupá-lo, o que fiz com gosto. Então, penetrou minha buceta e eu fiquei com dois pênis me dominando. Não demorei para ter outro orgasmo, me sentindo muito puta, safada e submissa.
Inspirado para me dar o prazer que eu tanto queria, André lubrificou o meu cu e começou a introduzir seu mastro, me enchendo de dor e prazer. Pegou o pênis de borracha, com o qual a Lavignia havia comido seu cu e introduziu na minha buceta.
- Aaaaaaiiiiieeeeeeeeeeee, Demônio, tá me enlouquecendo. Socorro, seu filho da puta, eu vou morrer de tanto gozar – gritei com aqueles dois mastros me penetrando.
- Pede mais, que eu sei que é disso que putinhas como você gostam.
- Maaaaaaaaiiiiiiiiiiiiisssssssssss! Não para, porra, acaba comigo. Eu sou sua propriedade. Me usa, meu dono.
Eu já não sabia o que mais me deixava a ponto de enlouquecer de tesão, se meus dois buracos preenchidos e sendo fodidos, se estar algemada e indefesa, se suas palavras certeiras, que chegavam a fazer revirar meu estômago, ou se minhas súplicas para que ele não parasse.
Gozei estrondosamente duas vezes naquela situação, até que o Demônio me colocou de joelhos e fodeu minha boca até gozar horrores no meu rosto, que ficou coberto de porra, saliva e mijo. E o melhor de tudo, em transe, experimentando sensações que nunca havia experimentado.
Pegou o chicote e avisou.
- Empina esse rabo para apanhar gostoso. Sabe por que vai apanhar?
- Porque mulher como eu foi feita para apanhar. Porque eu sou uma puta da pior espécie. Eu mereço. Castiga sua cadela submissa, meu dono – falei ainda ofegante de tanto gozar feito uma cadela.
- Ótimo. Serão 10 chibatadas e eu quero que você conte cada uma e agradeça o castigo.
- Sim senhor – falei ao ponto de ter um ataque de nervos de tanta excitação.
O chicote cantou no meu rabo e eu soltei um ai mais de susto do que de dor e contei.
“Um, obrigado por me castigar meu senhor”
“Dois, obrigado por me castigar meu senhor”
Na medida em que avançava ele aumentava a força, fazendo minha bunda arder e queimar. Quando chegou ao dez, já estava chorando de soluçar e pedindo para não parar. Quando terminou, veio por traz de mim e enfiou três dedos na minha buceta e fustigou meu ponto G, me fazendo gozar aos prantos, ao ponto de esguichar, me tremendo tanto que, quando ele parou, desabei no chão, ainda me contorcendo de um prazer que subjugava meu corpo entorpecido.
Eu devia estar parecendo um espantalho, com porra grudada com mijo e cuspe na cara, toda descabelada e com uma carinha de quem acabou de ser atropelada por um trem desgovernado, mas absolutamente realizada. Só me sentiria novamente daquele jeito quando fui subjugada pela Cínthia.
O Demônio me pegou no colo e me beijou, mesmo com eu toda suja, me levou para o banheiro e me deu banho. Eu estava toda mole, mal conseguia ficar de pé, mas o carinho dele, depois de me torturar de dor, humilhação e prazer estava delicioso. Ele me ensaboou e me deixou toda limpinha e feliz de ter satisfeito minha tara.
- Amor, você trouxe aquela pomadinha que a Lavignia passou em mim ontem?
Fiz que sim e apontei a bolsa. Não conseguia nem falar. Depois de me enxugar, me colocou de bruços e passou a pomadinha no meu bumbum. Eu me senti um bebezinho, mas estava tão gostoso, que eu chegava até a gemer. Depois, meu namorado dominador, o Dom Demônio, encheu meu rabinho de beijinhos deliciosos e ainda deu lambidas deliciosas no meu cuzinho, que devia estar um cuzão, todo arrombadinho por aquela tora. Ficou se revezando entre meu cuzinho e minha bucetinha com aquela língua molhada, me fazendo empinar o rabinho para facilitar seu acesso e ficar gemendo baixinho.
Aquilo foi me deixando acesa novamente. Ele percebeu. Então senti algo me penetrando na buceta. Era o pau da Lavignia, que ficou entrando e saindo na entradinha, sem ir muito fundo, enquanto o Demônio continuava dando lambidas deliciosas no meu cu. Ele só podia querer me enlouquecer de vez fazendo aquilo. Ele queria. Só pode, meu Deus.
Não sei quanto tempo durou aquela tortura, mas sei que foi demorado. Às vezes, estimulava meu grelo com a boca, me fazendo rebolar igual uma passista de escola de samba recebendo todos aqueles estímulos. Era língua no clitóris, pau na buceta, dedinho massageando a entrada do meu cu e eu gemendo e rebolando, rebolando e gemendo. Que delícia estava aquilo. Quando eu já estava a ponto de enlouquecer, o Demônio me virou de ladinho e penetrou minha buceta com seu pau de verdade, enquanto o de mentira entrou no meu cu. Fiquei ali, de ladinho, bem fofa, sendo comida por dois paus, daquele jeito lento e torturante. Ele ainda dava beijinhos no meu ombro e nas minhas costas. Acabei não aguentando e gozando de novo.
- Meu Deus, Demônio, misericórdia. Se eu continuar gozando desse jeito, vou sair desse motel de ambulância.
A verdade, porém, era que só aquele tratamento para apagar meu fogo de putinha submissa do meu dono. Só depois que gozou gostoso na minha bucetinha, o Demônio deixou meus buraquinhos em paz, completamente saciada e feliz por ter sentido tanto prazer, que até adormeci, completamente nocauteada.
Meu dono teve que me acordar depois que eu passei uma hora dormindo, segundo ele.
- Caipirinha – foi a primeira coisa que falei ao despertar, ainda com ardência na bunda.
O Demônio acariciou meu rosto, me olhando daquele jeito apaixonado que me deu até arrepio.
- Obrigada – falei, já mais desperta.
- Pelo que?
- Por ter me atendido. Acho que eu nunca gozei tanto. Até sendo malvado comigo você me faz bem. Eu te amo.
- Quer mais uma sessão? – brincou.
- Eu não sobreviveria a outra sessão dessas. Acho que vou levar meses até ter coragem de ter outro encontro com Dom Demônio, o dominador mais cruel e gostoso do planeta.
- Como você quiser minha flor. Penso o mesmo com relação à Lavignia. Precisarei de meses para me recuperar psicologicamente do encontro com aquela psicopata sádica.
- Kkkkkkkkkkkkkk! Até lá, a gente pode ser só eu e você. O Demônio e a Megera.
Claro que nossos encontros semanais em motéis continuaram sendo selvagens, mas sem chicotes e algemas. Bom, o pênis de borracha de vez em quando participava das nossas farras.
O Demônio foi promovido no trabalho. Em outubro daquele ano, ganhou o apartamento dos pais, que alegaram ser ele um homem independente e que precisava do seu próprio espaço. Nossa suspeita era de que, na verdade, aquilo era mais uma etapa do plano dos nossos pais para nos casar. Com pais assim, os dele e os meus, Romeu e Julieta teriam vivido uma outra história, tadinhos.
Na ocasião, completáramos um ano juntos e eu chegara aos dezenove. Ainda faltavam dois anos de faculdade para mim e um para o Demônio. Não tínhamos pressa. Eu queria trabalhar e ganhar dinheiro para podermos viver juntos. Além disso, entendíamos que, por mais que fôssemos apegados e cada vez mais apaixonados, deveríamos respeitar a maturação do relacionamento. Apesar disso, com seu apartamento novo, podíamos passar mais tempo juntos com privacidade.
Gabriel e Ay decidiram morar juntos de vez. Tiveram que se mudar para um apartamento maior, com três quartos. Um era para eles, outro para o estúdio da Ay e o terceiro para quando fôssemos visitá-los. Como seus namorados, tínhamos nosso próprio quarto em seu novo apartamento. O problema era conseguirmos conciliar agendas para nos encontrarmos. Exceto eu, todos trabalhavam e tudo dependia das férias do André. Que ele conseguiu marcar para fevereiro. Combinamos que iríamos para o Rio e passaríamos o carnaval com nosso casal de namorados.
Tirando isso, eu e Ay conversávamos quase que diariamente por WhatsApp, algumas vezes fazíamos videochamadas. A saudade daquelas duas criaturas doía na gente, mas nós amenizávamos isso estando sempre conectados. Chegávamos a cogitar um dia irmos morar no Rio, mas pesava contra o fato de sermos muito apegados aos nossos pais, que eram nossas companhias prediletas. Sempre estávamos juntos, fosse em casa, fosse no clube, fosse nas deliciosas idas à casa da serra.
Nossa vida sexual caminhava sem novidades, nem precisávamos delas, até eu inventar a ideia de trair o Demônio com o Diego, o que resultou na nossa história com a Cínthia. Entre traições fake, castigos reais e nosso mergulho no tempo, voltando à época da escravidão, a verdade é que Cínthia nunca mais seria só minha amiga de faculdade.
Depois que terminou o período na faculdade, com a viagem de Cínthia para Aracajú, Lavignia resolveu aparecer certo dia de dezembro e o pobre do Demônio passou uma noite no motel sendo devorado vivo por aquela psicopata. Para piorar, dessa vez ainda teve que se submeter ao meu castigo por ter me traído. Então, eu voltei a me encontrar com o Diego e coloquei outro chifre na cabeça do Demônio com meu amante, pelo que ganhei outro delicioso castigo. Fiquei o resto do mês todo presa no cinto de castidade para aprender a não ser oferecida e infiel.
Eu sentia muita falta da Cínthia, mas não era a única. O Demônio confessou que pensava muito nela e sentia sua falta, mas tínhamos que respeitar sua escolha e suas razões. Raramente nos falamos naquele mês de dezembro, mas evitávamos conversas que fossem além de declarações de afeto e saudade quase protocolares, embora verdadeiras.
Naquele período todo, desde o início do meu namoro com o Demônio, aprendi muito sobre mim mesma. Eu desenvolvi um padrão. Só me relacionava amorosa e sexualmente com pessoas com quem antes desenvolvera uma relação de amizade e confiança. Acredito que isso foi moldado pela minha própria relação com o André, que começou com amizade, amor e um prazer genuíno de compartilharmos nosso tempo e priorizarmos um ao outro.
André, para mim, era Deus, minha referência, meu templo sagrado, minha oração. Ayanna e Gabriel se tornaram verdadeiros irmãos com benefício. O carinho e devoção que tinham para comigo e com o Demônio eram cativantes. Eu me sentia valorizada e amada por eles, retribuindo com toda a intensidade do meu ser. Além disso, me mostraram que o sexo, feito com pessoas que a gente ama e que nos amam de verdade, pode ser nosso infinito parque de diversões, em que o prazer é o presente valioso que podemos entregar uns aos outros. Além do que, eram pessoas com conteúdo e uma simplicidade quase comovente.
Foram características assim que me aproximaram da Cínthia, por quem eu tinha uma admiração gigantesca, que era recíproca. Depois que fomos escravas uma da outra, a paixão que desenvolvemos era uma coisa mais visceral, mais fetichista, algo com que teríamos que lidar para continuarmos nos relacionando de forma saudável. O Demônio entendeu isso e se impôs como autoridade, mediador e tutor daquelas duas malucas.
Assim como eu, Cínthia se submeteu à autoridade do meu namorado, a mesma que me fazia me sentir segura, cuidada e com os cinco pneus arriados por ele, incluindo o estepe. Nossa obediência ao Demônio foi boa para nos controlar, mas quem cuidaria de Cínthia agora, que não estava entre nós? Será que ela ardia de saudade de mim como eu ardia por ela? De certo modo, eu sentia até ciúmes em pensar que ela podia estar se relacionando com outras pessoas. Afinal, não faltariam legiões de pretendentes àquela deusa.
Foi na primeira sexta-feira após a virada do ano que Cínthia nos procurou, dizendo que queria nos encontrar. Eu fiquei fervendo de felicidade, compartilhada pelo meu Demônio. Fomos buscá-la em casa. Estava linda como sempre, com um vestidinho folgado de verão. O sorriso de felicidade em seu rosto ligeiramente abatido foi algo tão contagiante, que quase parti minha amiga ao meio abraçando-a com força. O abraço do Demônio não foi menos efusivo.
Como estávamos de carro e íamos beber, decidimos parar no bom e velho barzinho a um quarteirão do apartamento do meu namorado. Havia um brilho genuíno de felicidade em nos ver, mas também algo de melancólico em suas expressões, que às vezes deixava transparecer na voz. Mesmo assim, a conversa estava bem animada e os assuntos se sucederam, de modo que vivíamos uma noite agradável.
Até que o Demônio resolveu perguntar se Cínthia tinha arranjado algum namorado em Aracajú, mais por falta de assunto, um pouco para provocar nossa amiga. O semblante de Cínthia se transformou, como se uma nuvem houvesse se instalado ali. Percebi que seus olhos marejaram, seu rosto se contraiu e até a postura elegante do seu corpo se transformou, os ombros encolheram e eu pude sentir sua dor em mim.
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