A Nova Vida com Olhos Sempre em Mim
Meu nome é Letícia. E eu achei que o segredo ia me matar devagar. Mas a verdade veio como um soco e, estranhamente, não destruiu tudo.
Foi numa noite de terça. Eu tinha acabado de voltar de mais uma recaída rápida com o Fernando — ele tinha passado pela cidade, me chamou pro mesmo motel de sempre. Eu fui. Claro que fui. Saí de lá com a bucetinha inchada, o cu latejando, a boca ainda com gosto da porra dele. Tomei banho duas vezes, passei perfume forte, cheguei em casa sorrindo como se tivesse ido só ao mercado. Roberto estava na sala, sentado no sofá, celular na mão. O meu celular. Ele tinha encontrado as mensagens que eu jurei ter apagado. Todas. As fotos do pau do Fernando, os áudios meus gemendo “me fode mais forte, meu macho”, os “te espero no motel, amor”.
Ele não gritou. Não chorou. Só olhou pra mim com aqueles olhos cansados, cheios de dor e de uma calma estranha.
— Eu sei de tudo, Letícia. Sei que você continua encontrando ele. Sei que você ainda é puta dele quando ele aparece na cidade.
Meu coração parou. Eu caí de joelhos na frente dele, lágrimas escorrendo, mãos tremendo.
— Amor… me perdoa… eu juro que tentei parar… mas quando ele aparece… eu não consigo… eu sou fraca… eu amo vocês, amo os nossos filhos, mas o corpo… o corpo trai…
Roberto me levantou devagar. Me abraçou. Forte. Eu senti o cheiro dele, o cheiro de casa, de pai, de marido. E ele disse a frase que me deixou em choque:
— Eu não vou embora. Não vou separar. Não vou tirar os filhos de você. Nós vamos continuar juntos, aqui, nesta casa. Eu fico com você. Fico com os nossos filhos. Mas agora… agora eu sei. E eu vou ficar de olho. Não vou deixar aquele filho da puta te tomar de mim de novo. Você não vai mais ser “mulher dele”. Você é minha esposa. Ponto final.
Eu chorei no peito dele por quase uma hora. Culpa, alívio, vergonha, desejo… tudo misturado. “Ele sabe… e mesmo assim fica. Ele me ama tanto que aguenta isso.” Por um lado, eu me senti a pior pessoa do mundo — traí a confiança dele de novo, fiz ele sofrer mais uma vez. Por outro… eu me senti presa. Prendida no lugar que eu mesma escolhi. E isso, estranhamente, me deixou molhada. Porque agora ele estava vigilante. Agora ele ia me vigiar. E essa vigilância… me excitava de um jeito doentio.
Desde aquela noite, a casa mudou. Roberto está mais calmo, sim. Ele não explode mais. Não me cobra. Ele me beija toda manhã, brinca com as crianças, janta conosco. Mas ele fica de olho. Literalmente. Ele instalou um rastreador no meu celular “pra nossa segurança”. Ele pede pra ver minhas mensagens toda noite. Quando eu saio, ele pergunta onde vou, com quem, quanto tempo. Se eu demoro um minuto a mais, ele liga. Ele não me impede de viver… mas ele não deixa o Fernando se aproximar de novo.
Ontem à noite, depois que as crianças dormiram, ele me pegou no quarto. Não foi o sexo carinhoso de antes. Foi possessivo. Ele me jogou na cama, rasgou minha camisola e meteu com força, olhando nos meus olhos.
— Você ainda pensa nele quando eu te fodo? — ele perguntou, socando fundo, mão apertando meu pescoço de leve.
Eu gemi, lágrimas nos olhos, buceta apertando o pau dele.
— Penso… me perdoa… mas eu penso… ele me rasga… me domina…
Roberto meteu mais forte, raiva e tesão misturados.
— Mas ele não te tem mais. Eu tenho. Eu sei de tudo e mesmo assim te quero aqui. Você não vai ser mulher dele nunca mais. Essa buceta… esse cu… essa boca… são meus agora.
Ele me virou de quatro e me comeu como nunca tinha comido — socando o cu sem dó, me chamando de puta, mas de “minha puta”. Eu gozei gritando o nome dele, esguichando, corpo tremendo. Depois ele gozou dentro de mim, me enchendo, marcando território.
Deitada no peito dele depois, eu chorei de novo. O conflito ainda me rasga. Eu amo o Roberto. Amo de verdade. Ele me aceitou mesmo sabendo que eu continuo desejando o Fernando. Ele fica calmo porque agora controla. Porque agora ele pode vigiar. Mas eu… eu ainda sinto falta. Quando o Fernando mandou mensagem ontem — “Vou pra cidade mês que vem. Motel de sempre?” — meu corpo inteiro reagiu. Bucetinha pulsou. Eu quase respondi. Mas Roberto estava do meu lado, dormindo, braço em volta de mim como se soubesse.
Eu deletei a mensagem. Bloqueei o Fernando de novo.
Mas eu sei que, no fundo, o desejo ainda está aí. Só que agora tem um marido que sabe de tudo, que fica de olho, que não vai deixar o amante me transformar na mulher dele outra vez.
Eu escolhi a família. Roberto escolheu ficar. E agora nós vivemos assim: eu, a puta arrependida que ainda lateja por dentro; ele, o corno calmo e vigilante que não me deixa cair de novo.
Eu amo essa vida nova.
Eu odeio essa vida nova.
E eu não sei quanto tempo vou aguentar sem recair… com ele sempre de olho.