• CORES QUENTES III

Da série CORES QUENTES
Um conto erótico de Sativo
Categoria: Grupal
Contém 2464 palavras
Data: 10/06/2026 04:30:04
Última revisão: 10/06/2026 07:32:13

Itália, 1988.

O ateliê provisório de Joanny Saint-Clair, foi improvisado há alguns meses num antigo loft no bairro de Trastevere, em Roma. Estava quase no fim de um longo trabalho. O cheiro forte de tinta e terebintina já estava impregnado naquele cômodo. A luz dourada do fim de tarde entrava enviesada pelas janelas altas, pintando faixas quentes sobre o chão de tacos gastos.

Fiorella Bianchi, a modelo, estava nua sobre o estrado, posando com seu corpo atlético e bronzeado. Joanny a observava com muita atenção enquanto retocava seus seios médios e firmes na tela. A cintura estreita, os quadris generosos e as pernas longas e torneadas de Fiorella, já eram uma linda obra de arte por si só aos olhos da francesa. Como se não fosse o suficiente, seus cabelos castanhos, desfiados e curtos, quase um corte boyish, emolduravam seu rosto de traços perfeitos.

Os olhos verdes da modelo não desviavam um segundo sequer do olhar da pintora. Uma química que elas vinham fortalecendo há meses, com a parceria no trabalho, depois com encontros em casas undergrounds, convites de Fiorella para irem assistir a seleção Italiana no Bar do Gino… e outros encontros bem íntimos em seus apartamentos.

Joanny chegou mais perto, com o olhar fixo entre as coxas nuas da modelo.

— Mais aberta a perna direita, Fiore. Deixa a luz cair entre as coxas. – pediu Joanny, a voz firme de concentração e o olhar cheio de malícia.

Fiorella obedeceu com um sorriso lento, abrindo-se sem nenhum pudor. A boceta dela, depilada e rosada, reluzia levemente com a umidade que já começava a traí-la. Joanny aproximou-se mais, pincel na mão, mas foi com os dedos que tocou a pele interna da coxa da italiana, “ajustando” a pose. O toque demorou. Fiorella suspirou, quase deixando escapar um gemido.

— Cuidado com esses dedinhos libertinos, francesa. – murmurou a modelo com a voz vacilante.

— Só com os dedinhos?! Ou… – respondeu Joanny, antes de se inclinar e substituir os dedos pela boca.

A sessão de poses terminou ali. O trabalho perdeu para o tesão. Os pincéis caíram. Fiorella puxou Joanny para o estrado e as duas rolaram entre lençóis manchados de tinta. A pintora devorou os seios da italiana com vontade, sugando os mamilos rosados até deixá-los inchados e vermelhos. Fiorella gemeu alto, abrindo as pernas e empurrando a cabeça de Joanny para baixo.

A francesa passou a língua devagar por cima dos lábios da boceta da modelo, saboreando o gosto salgado e doce da excitação dela. Depois, os lábios de Joanny auxiliaram aquele beijo ardiloso e ela deixou a língua firme enquanto Fiorella rebolava contra sua boca. Quando a pintora introduziu dois dedos e curvou-os no ponto certo, Fiorella, com gritos roucos, teve múltiplos orgasmos enquanto tremia e apertava as coxas ao redor da cabeça da amante.

Elas se recompuseram rindo, abraçadas sobre os lençóis amarrotados, suadas, peladas e manchadas de tinta. Fiorella, ainda ofegante, disse:

— Desculpa, não tenho mais forças pra continuar… te devo um orgasmo.

As duas trocaram um sorriso travesso enquanto se beijavam. Fiorella, entre os beijos e chupões de Joanny, enfim propôs:

— Vamos ao bar do Gino. Hoje tem Itália x União Soviética, semifinal da Eurocopa. Depois da nossa vitória, vou ter ainda mais fogo pra te dar.

— Você e sua paixão por futebol… – disse Joanny com bom humor.

— Por futebol e por você!

— Assim é impossível te dizer não.

* * *

Chegaram às 19:30h, quase uma hora antes do jogo. Sentaram-se numa mesa de canto do bar lotado. Um cheiro forte de cerveja, cigarro e suor masculino enchia o ambiente. Meia hora depois, Joanny já estava no terceiro copo de Peroni gelada. Fiorella atacava a quarta Moretti. Já começavam a ficar empolgadas, conversavam e gargalhavam alto.

No momento em que os soviéticos entraram em campo, Joanny lembrou do seu trabalho anterior… e seu parceiro. Sentiu um calor súbito subir pelo ventre. A imagem de Dmitry Volkov, com sua barba loira e olhos opacos, invadiu sua mente. Fiorella percebeu a concentração da parceira e brincou:

— Não me diga que você irá torcer pra eles?!

Joanny “retornou” e sorriu alto.

— Não é isso… ver os soviéticos me lembrou alguém. – disse ela, a voz já solta pela bebida. — Um pintor russo. Frio por fora, mas me fazia queimar de prazer.

Fiorella riu, os olhos brilhando de malícia.

— Conta. Quero detalhes sujos.

— Beijava-me como um romântico e me fodia como um devasso…

Joanny contou do estúdio na floresta, da forma como Dmitry a dominara contra a parede, do jeito que ele a fodia devagar e profundo, ardendo de calor, impossibilitando-a de sentir o frio intenso que vinha de fora.

Enquanto Joanny narrava, Fiorella deslizou a mão por baixo da mesa e acariciou a coxa da francesa. Elas sorriram e trocaram olhares quase indecentes.

— Teu pintor soviético me fez lembrar do meu atleta italiano… – cochichou Fiorella. — Também foi meu último caso antes de você.

— Hummm… – sussurrou Joanny com uma voz cômica. — E quem era o felizardo?

Foi então que Ignazio Santino apareceu. Alto, pele morena, cabelos pretos bagunçados, nariz pontudo e um olhar marcante. Era o tal ex-amante casual de Fiorella, jogador de futebol semi-profissional e popular entre os frequentadores do Bar do Gino. Muitos o cumprimentaram na entrada e o pequeno alvoroço chamou a atenção de Fiorella, que finalmente respondeu à Jonny:

— Acho que não vou precisar de contar quem era… – e aponta de forma sutil para a entrada do bar.

Joanny se vira devagar na cadeira e se depara com um homem grande e de sorriso atraente, cercado por três pessoas que o saudavam.

— É ele?! – sussurra Joanny, com uma expressão maliciosa de aprovação no rosto.

— Sim. Ele mesmo… – Fiorella o olha discretamente e continua: — Em carne e… fogo.

Fiorella e Ignazio se conheceram justamente naquele bar e foderam muito já na primeira noite, cheios que o vinho entrou na mente e as chamas no ventre. Mas, dois meses antes de Joanny chegar na Itália, eles já não se encontravam mais.

— Aposto que você vai gostar dele também, Joanny. – insinuou a italiana.

— Como assim, Fiore?!

Depois de cumprimentar os colegas, Ignazio viu Fiorella. Com uma expressão de boa surpresa, chamou sua atenção com gestos de mão e se aproximou rapidamente.

— Dio mio… Fiorellina! – disse ele, abraçando Fiorella com familiaridade.

— Mio Nazio… Quanto tempo!

Não demorou para Ignazio perceber a francesa na mesa e, devorando a beleza de Joanny com os olhos, pergunta sussurrando no ouvido da ex-amante:

— Quem é essa deusa? Sua namorada?

Fiorella apenas deu um sorriso travesso, encarou Joanny e Ignazio por um breve instante e, por fim, apresentou-os. Pouco tempo depois, os três pareciam conhecidos de longa data. Bebendo, descobrindo coisas em comum e contando as melhores histórias de suas vidas – inclusive as mais íntimas.

Quando o jogo começou, eles nem notaram. A Itália pressionava e os soviéticos eram estratégicos. A partida estava emocionante, mas era a conversa entre os três que esquentava. Ignazio sentou-se mais perto delas. Fiorella, perversa, sussurrava no ouvido de Joanny:

— Ele fode bem pra caralho… Quase incansável. Só nós duas pra dar conta dele…

Ignazio notou os olhares. Começou a tocar a perna de Fiorella e seus olhos mal saíam dos seios de Joanny, que o decote generoso do vestido leve deixava quase expostos naquele ângulo. A francesa, chapada de peroni, começou a retribuir os flertes com sorrisos lentos e olhares diretos. A tensão entre ela e o italiano aumentava e Fiorella estava excitada percebendo aquilo.

Durante o intervalo do jogo, Joanny e Fiorella foram juntas ao banheiro. A italiana, cheia de fogo, sussurrava sacanagens no ouvido da francesa, agarrando-a por trás, deslizando o nariz pela sua nuca e as mãos, maliciosas, percorrendo pela cintura e quadril. Joanny ouvia e sentia aquelas provocações sáficas, enquanto passava sensualmente seu batom rubro nos lábios, retocando-o e olhando Fiorella fixamente pelo espelho encardido do banheiro.

— Fiore… – murmurou a pintora – Cuidado! O teu veneno se espalha rápido pelo meu corpo.

— Imagina o meu e o do Ignazio juntos… – respondeu a modelo, provocando e sugerindo ao mesmo tempo.

Com um movimento rápido e preciso de quadril, Joanny virou-se de frente para Fiorella, encarando-a nos olhos. Com um olhar que carregava certa estranheza, porém também tinha algo de curioso que se apresentava como uma aprovação daquilo.

Naquele instante as duas se entrelaçaram em abraços repentinos, quentes e apressados. Acompanhados de beijos famintos, quase transbordando todo o tesão contido. As duas permaneceram assim por um bom tempo… devorando-se, escoradas na pia, acumulando ainda mais tesão com o risco de serem pegas no flagra por alguém.

Uns cinco minutos depois, o trinco da porta foi pressionado, girando para baixo e fazendo um estalo metálico dentro do banheiro. Uma mulher alta entrou e viu as duas, desconfiadas, apenas se olhando no espelho e ajustando suas roupas.

A mulher entrou em uma das cabines e Joanny retocava o batom novamente, enquanto Fiorella limpava as manchas rubras do seu rosto – ambas observando discretamente a intrusa pelo espelho, tentando descobrir qualquer expressão que entregasse que ela teria flagrado o amasso das duas.

Não demorou para as amantes perceberem que o jogo havia recomeçado. Escutaram gritos graves de revolta se espalhando pelo corredor onde se dirigiam até o salão do bar. Os soviéticos haviam aberto o placar do jogo.

Só deu tempo chegarem na mesa… A União Soviética marcou o segundo e o bar explodiu em xingamentos e reclamações.

Ignazio, que aparentava chateação com o jogo, mudou de expressão quando as viu retornar. Então, os três, já bastante bêbados e altos, riram juntos daquela frustração italiana.

A energia herética entre os três escalava a cada olhar insinuante, a cada flerte e a cada gole na bebida.

Fiorella, deslizando a mão deliberadamente pela coxa de Ignazio, virou-se para Joanny e sussurrou ao pé do ouvido:

— Vamos para minha casa. Nós três. Hoje eu quero ver você gemendo com ele dentro de você enquanto eu sento na sua cara.

Joanny sentiu um arrepio percorrer pela sua espinha, junto com um calor extremo que invadia seu ventre, e apenas fez que “sim” com a cabeça, com uma expressão sacana no rosto.

Ignazio, por sua vez, não ouviu nada. Apenas viu e foi o suficiente para entender a intenção das duas. Já não se importava com a inevitável eliminação da seleção italiana, apenas em ser cúmplice daquelas duas mulheres lindas – e safadas –, que estavam a provocá-lo.

Antes do apito final do jogo, os três selaram o acordo licencioso com poucas palavras e alguns olhares lascivos.

* * *

O apartamento de Fiorella era pequeno, meio bagunçado e cheirava a incenso e maconha. Mal fecharam a porta, as roupas voaram.

Fiorella pegou uma ponta de baseado no cinzeiro e acendeu enquanto Ignazio avançava sobre Joanny, beijando-a com uma fome insaciável e apertando sua bunda. Por trás, com o beck fumaçando entre os dedos, Fiorella tirava o vestido da francesa, beijando sua nuca e mordendo seu ombro.

Foram se arrastando pelo corredor, entre amassos e tragos de maconha, até chegarem no quarto de Fiorella. Jogaram-se na cama grande, empurrando as roupas e adereços da anfitriã para o chão do jeito que dava.

Fiorella empurrou Joanny de costas e montou no seu rosto serpenteando o quadril, esfregando a boceta molhada contra a boca da francesa.

Joanny lambeu com devoção, deslizando a língua suavemente enquanto ouvia os gemidos da italiana.

Ignazio, de joelhos entre as pernas abertas de Joanny, esfregava a cabeça grossa e inchada do pênis contra a entrada úmida dela.

— Porra, que boceta linda! – rosnou ele, antes de meter de uma vez.

Joanny arqueou o corpo, abafando o grito contra a boceta de Fiorella. Ignazio era grosso, exatamente como prometido pela amiga. Ele a fodia com estocadas firmes e profundas, segurando seus quadris enquanto Fiorella se contorcia de tesão sobre a boca dela.

Havia se passado quase uma hora. Eles seguiam fodendo e variando posições. Em um momento, Fiorella ficou de quatro e foi comida por Ignazio enquanto chupava os seios de Joanny. Em outro, Joanny montou em Ignazio, cavalgando devagar, gemendo alto, sentindo cada centímetro dele abrindo-a por dentro. Depois, as duas entrelaçaram as pernas – como duas tesouras tentando se partir ao meio –, esfregando seus sexos molhados com movimentos frenéticos e quase sincronizados – nesse ponto Ignazio apenas assistia, masturbando-se.

— Isso é pura arte! – ele dizia para si mesmo, admirando-as.

Por fim, Fiorella sentou sobre o rosto dele – amava ser chupada, devorada naquela posição dominadora. Joanny ainda o montava, o que permitiu às duas ficarem de frente uma para a outra. Apalparam-se, beijaram-se… chuparam suas línguas enquanto o homem gemia, submisso, como um acessório embaixo delas.

O clímax veio surgindo em ondas. Como um mar bravio, subindo a maré.

Primeiro Fiorella, tremeu e esguichou seus fluídos na boca de Ignazio, que a lambia sem pausa. Depois foi a vez de Joanny que, rebolando desesperada, gozou com força, apertando o pau grosso do italiano dentro de si. Ignazio, esperando por elas, já no limite, ergueu-se entre elas e ejaculou em jatos grossos nos seios e na barriga das duas, que se lamberam mutuamente, sujas de porra e suor.

Exaustos e momentaneamente saciados, eles dormiram embolados sobre a cama macia e amarrotada.

* * *

Três meses depois, Joanny arrumava as malas no ateliê. O quadro principal da sua série romana, “Tríptico de Trastevere”, estava pronto: três corpos entrelaçados, cores quentes contrastando com as sombras profundas, repleto de um desejo explícito e elegante ao mesmo tempo.

Fiorella a observava da porta, nua sob um robe aberto.

— E agora?! Vai voltar para França?

— Sim. Anseio por retornar à Paris. Antes de ir à novos ateliês e tocar novos trabalhos, quero descansar um pouco.

Fiorella aproximou-se e a beijou devagar, misturando o sabor da sua paixão e da saudade inevitável.

— Leva um pedaço de Roma com você.

Joanny sorriu, passando o polegar nos lábios carnudos da italiana.

— Estou levando muito mais que um pedaço. – beijou-a de volta.

Ao fechar a mala, pensou no caminho percorrido: a entrega completa de Lennon em Paris, o frio controlado de Dmitry em Moscou e o fogo livre de Fiorella e Ignazio em Roma. Cada corpo, cada toque, cada gemido havia virado tinta e forma. Sua arte pulsava mais viva do que nunca.

Enquanto o táxi a levava para o aeroporto, Joanny Saint-Clair olhou pela janela e sorriu. Perguntou-se onde seria escrito o próximo capítulo de sua arte lasciva após suas merecidas férias em Paris. E ela mal podia esperar para descobrir que cores quentes ainda tinha para queimar em suas telas… e em seu corpo.

[ FIM! ]

_______________________________

• NOTA:

Olá, pessoal. Retornando depois de algum tempo parado. Demorei bastante pra concluir este conto por causa de bloqueio criativo. Mas, tá aí...

É a terceira aventura de Joanny Saint-Clair pelo mundo da arte e do prazer e eu não poderia deixar de explorar o número três de uma forma ou de outra, fosse pelo tríptico artístico ou pela sacanagem à três.

Abraço à todos!

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Comentários

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Bom que voltou a escrever, Sativo.

Como sempre um texto caprichado, uma escrita primorosa.

Dá gosto ler seus contos!

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Fico muito agradecido, Ryu.

Estou tentando romper o bloqueio à força – rsrs.

Abraço!

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