Império pornô - Liberdade - Parte 1

Da série Império pornô
Um conto erótico de Haedrig
Categoria: Grupal
Contém 3353 palavras
Data: 09/06/2026 11:24:38

Quanto tempo se passou desde aquilo? Desde toda aquela situação?

Meses, talvez. Não consigo lembrar. A vida dali em diante foi tão boa que mal conseguia me lembrar os detalhes daquela época.

Acordei antes da Pink naquela manhã, o apartamento excessivamente grande ainda estava silencioso, iluminado apenas pela luz do sol que entrava pelas enormes janelas de vidro da cobertura. Fui até a varanda com uma caneca de café na mão e fiquei observando a cidade lá embaixo. Centenas de prédios, centenas de janelas, o concreto até onde a vista alcançava. Quando eu e Pink fomos visitar o apartamento para comprar, aquilo tinha nos encantado, mas agora parecia tão cansativo de ver, tão deprimente. E particularmente ainda podia ouvir a buzina dos carros, aquele congestionamento me irritava sempre.

— Bom dia.

Pink chegou sorrateira e me abraçou por trás, virei a cabeça. Ainda tinha a mania de usar minhas camisas, que nela parecia mais um vestido, os cabelos estavam bagunçados como sempre após uma longa noite de sono, a cara amassada, os olhos pequenos evitando a luz do sol.

— Bom dia — respondi.

Ela se aproximou, apoiou os braços na sacada e ficou olhando a cidade comigo.

— Você está com cara de quem está pensando demais — Pink falou, a voz ainda embargada de sono, seguido de um bocejo.

— Só estou olhando a cidade.

— Isso explica.

— Nunca gostei muito de apartamentos.

— Disse o homem que mora em apartamento há anos — Pink arqueou uma sobrancelha.

— Ainda preferia aquele casarão de antes.

— Mas a gente teve que se mudar, e uma casa no centro da cidade era algo impossível.

— Continuo não gostando, não consigo me acostumar.

— Então por que comprou um?

— Parecia uma boa ideia na época e uma garota de cabelo rosa insistiu que queria morar num apartamento grande no centro da cidade.

— E foi uma excelente ideia mesmo.

— Continua sendo deprimente.

Pink acompanhou meu olhar, torres de vidro, sacadas, escritórios, antenas, mais vidro, mais concreto.

— Você acha deprimente?

— Acho muito.

— Eu gosto.

— Não sei como consegue.

— Fica bonito à noite.

— Melhora um pouco.

— A cidade iluminada me faz lembrar que era isso que eu queria quando tudo começou — ela apontou para a paisagem. — Quando todas as luzes acendem parece um céu invertido.

Fiquei em silêncio, olhei para Pink, se ela estava feliz com isso, então significava que eu não precisava me preocupar com nada. Enquanto aquele sorriso ainda estivesse em seu rosto, eu estaria satisfeito. Ela continuou observando a vista por alguns segundos antes de suspirar.

— Mas você tem razão.

— Sobre o quê? — dei um gole no café e virei para ela novamente.

— É meio deprimente.

— Você precisa se decidir.

— Eu gosto da cidade iluminada à noite, mas não gosto da cidade durante o dia.

— Isso faz menos sentido ainda.

— Faz sim, à noite parece bonita, durante o dia parece que alguém esqueceu de colocar cor no mundo.

— Eu prefiro uma vista mais verde.

— Uma floresta?

— Uma chácara.

— Uma fazenda?

— Não.

— Um sítio?

— Talvez.

— Você está ficando velho — ela riu.

— Provavelmente.

— Eu gosto da ideia — ela se recostou no meu ombro.

— Da chácara?

— Sim.

— Você acabou de defender a cidade.

— Não posso gostar dos dois?

— Isso é trapaça.

— Eu também quero ar puro.

— Viu?

— Mas quero internet rápida.

— Isso complica.

— Quero piscina.

— Isso é fácil... eu acho.

— Quero uma cozinha grande.

— Isso é possível.

— E quero uma cidade por perto.

— Então você não quer uma chácara.

— Quero uma chácara premium.

Eu ri, ela também. E então, silêncio

— Não é algo muito fora da realidade, sendo sincero — falei.

— Vamos parar de sonhar por enquanto, precisamos trabalhar.

Pink se virou e foi para o banho. Fiquei observando a cidade por mais um tempo, a ideia de uma chácara ficou na minha cabeça, tanto que mal conseguia me concentrar em outra coisa.

Quando chegamos na empresa, encontrei exatamente o cenário que esperava encontrar, aquele caos organizado, do tipo que gerava dinheiro. Eu ainda era muito cético para acreditar que chegamos naquele ponto, pagando múltiplos funcionários para trabalhar para nós, em diferentes setores, diferentes funções. Eu nunca achei que outra pessoa iria fazer o serviço de edição, assim como nunca pensei que iria ter uma equipe para marketing e publicidade.

Conforme eu e Pink fomos entrando, víamos pessoas andando de um lado para o outro pelos corredores, reuniões acontecendo simultaneamente, editores discutindo cronogramas, gravações sendo montadas em estúdios diferentes e alguém correndo desesperado carregando equipamentos que provavelmente custavam mais do que meu primeiro carro.

Ainda era estranho ver aquilo, principalmente porque eu conseguia me lembrar perfeitamente da época em que eu a Pink gravávamos naquele pequeno apartamento, hoje ocupávamos um prédio inteiro. Atravessei a recepção cumprimentando algumas pessoas pelo caminho até ouvir uma voz familiar ecoando do corredor principal, uma voz extremamente irritada, ou seja, Natasha.

— Não.

Pausa.

— Não.

Outra pausa.

— Definitivamente não.

Continuei andando até encontrá-la parada diante da mesa da secretária, a pobre mulher segurava um tablet como alguém segurando uma bomba prestes a explodir. Assim que entramos no campo de visão, a secretária me lançou um olhar implorando ajuda.

— O que aconteceu agora? — perguntei.

— Ela mandou mais três e-mails.

— Quem?

— Camille, aquela desgraçada, secretária do Pavlov — Natasha juntou um monte de papel nas mãos e se virou para a secretária. — Pode responder os e-mails, diz que ela pode ir para o inferno.

— Tecnicamente eu não posso escrever isso — a secretária respondeu, intimidada por Natasha.

— Então escreva de forma corporativa.

— Como seria uma forma corporativa de mandar alguém para o inferno?

Natasha nem precisou pensar.

— "Agradecemos o interesse demonstrado, porém neste momento não temos interesse em prosseguir com futuras conversas."

A secretária suspirou aliviada, eu comecei a rir. Natasha andou corredor adentro e eu fui ao seu lado.

— Você está levando isso para o lado pessoal.

— Porque ela está sendo insistente, está me irritando.

— Ela quer uma reunião?

— Ela quer cinquenta reuniões até onde eu contei, com certeza vai achar um jeito de foder com a gente — Natasha apontou para mim. — Eu estou ignorando ela há quatro meses.

— Quatro meses? Ela está tentando falar com você há quatro meses?

— Sim.

— Agora entendi por que você anda tão irritada ultimamente.

— Aquela mulher é insuportável.

— Mas você sabe que ignorar não vai adiantar para sempre, certo?

— Tem funcionado muito bem até agora.

— Não parece estar funcionando muito bem.

O restante da manhã desapareceu em reuniões, algumas importantes, outras nem tanto. Em algum momento precisei opinar sobre um contrato publicitário. Em outro, alguém queria autorização para ampliar um dos estúdios. Também houve uma discussão de quase quarenta minutos sobre cronogramas que eu honestamente não consegui acompanhar depois dos primeiros cinco.

Quando finalmente consegui me livrar da última reunião do dia, segui para a área de gravações. Os corredores daquela parte do prédio eram completamente diferentes do restante da empresa. Mais movimentados. Mais barulhentos. Mais caóticos. Técnicos carregavam equipamentos de um lado para o outro, alguém discutia iluminação em uma sala próxima e uma maquiadora corria atrás de um ator que aparentemente havia desaparecido poucos minutos antes da gravação.

Nada muito diferente do habitual. Antes mesmo de entrar no estúdio principal ouvi as vozes de Natasha e Pink, depois a de Morgana. Ou seja, a gravação já havia começado. Entrei sem fazer muito barulho e encontrei uma pequena multidão trabalhando ao redor do cenário, no centro, num sofá grande, Natasha dominava Pink e Morgana, fazendo as duas de gato e sapato, ela sorriu quando me viu.

Afogados no trabalho administrativo, ainda achávamos um tempo para voltar para frente das câmeras, aquela seria uma cena das grandes. Pink e Morgana gemiam feito cadelas, Natasha masturbava as duas, às vezes sentava no rosto de Pink, às vezes no rosto de Morgana, hora ou outra alguém gozava enchendo o ambiente de gemidos.

A primeira coisa que chamou minha atenção foram as câmeras, muitas câmeras. Fiquei alguns segundos em silêncio, então encontrei a videomaker observando tudo através de um monitor.

— Quantas câmeras nós temos aqui?

— Seis.

— Não era mais fácil usar duas?

— Eu falei a mesma coisa — ela riu. — Lady Vera queria oito.

— Oito?

— Oito.

— Onde exatamente vocês pretendem colocar mais duas? Se for pendurar no teto, talvez dê.

— Não dá ideias, o restante da equipe pode concordar.

Observei novamente o estúdio em toda a sua extensão, toda aquela estrutura. E por um instante me lembrei de como tudo começou, uma câmera velha, um tripé torto, um apartamento pequeno. Eu e Pink tentando descobrir o que estávamos fazendo enquanto fingíamos que sabíamos o que estávamos fazendo, naquela época, se a câmera travasse, o departamento técnico era eu, se a iluminação desse problema, o responsável era eu, se algo quebrasse, também era eu. Agora existiam equipes inteiras para cada uma dessas funções.

— Está pronto? — a voz da videomaker surgiu ao meu lado. — Você entra daqui cinco minutos.

Olhei para frente, Natasha se divertia abusando daquelas duas, Pink sorrindo, Morgana nem tanto, parecia se controlar para manter a sanidade dentre tantos orgasmos. Ao fundo, próximo aos monitores de controle, Lady Vera observava tudo em silêncio, ela não dizia muita coisa durante as gravações, bastava olhar, a satisfação era evidente.

Fiz um pequeno alongamento, tirei a roupa, assim que a videomaker deu o sinal, entrei na cena. Natasha virou o olhar para mim, com seu cabelo preto caindo sobre os ombros, ainda dominava as duas. Ela se aproximou de mim com aquele sorriso predatório que sempre tomava conta da sua boca durante as gravações, os lábios vermelhos dela se cruzaram com os meus, a língua invadiu minha boca, senti o gosto da Pink e da Morgana ali.

Pink e Morgana se juntaram a nós, se rastejaram de joelhos e pararam, uma de cada lado. As mãos tremendo enquanto lutavam para quem iria chupar primeiro. Pink foi mais rápida, os lábios rosados envolveram a cabeça enquanto Morgana lambia a base, alternando entre as bolas.

Natasha agarrou o cabelo das duas, uma mão afundou entre os fios rosas do cabelo de Pink, a outra nos fios pretos de Morgana.

— Mais fundo — ela sussurrou, empurrando suas cabeças para baixo.

Pink engasgou, lágrimas escorreram pelo rosto enquanto meu pau batia no fundo de sua garganta. Morgana chupava minhas bolas, sua língua fazendo círculos.

— Deita — Natasha ordenou, me empurrando no sofá.

Ela se posicionou acima de mim, sua buceta já molhada pela festa que estavam fazendo. Com um movimento rápido, ela desceu, meu pau deslizando facilmente para dentro dela. Natasha começou a quicar com força, seus peios balançando no meu rosto a cada impulso.

Pink se ajoelhou ao meu lado, sua mão levantando e descendo na bunda grande de Natasha, o som das palmadas ecoando no estúdio. Morgana se ajoelhou do outro lado, seus dedos delicados acariciando minhas bolas, suavemente enquanto Natasha me usava como queria.

De repente, meu pau escapou da buceta de Natasha, saltando contra minha barriga. Antes que Natasha pudesse reagir, Pink e Morgana caíram de boca, suas línguas lutando para limpar os sucos de buceta de meu pau. Dessa vez, Morgana foi a mais rápida, engoliu meu pau enquanto Pink forçava sua cabeça, não deixando ela respirar.

— Devolve — Natasha gemeu, quase rosnando.

Pink posicionou meu pau na entrada de Natasha, que desceu com um gemido alto, voltando a quicar com voracidade, como um primata que só vivia para suprir suas necessidades sexuais. Alguns minutos depois, Natasha se levantou.

Agarrei Pink que estava mais perto e a virei de lado, sua perna levantada enquanto eu me posicionava entre suas coxas. Meu pau deslizou facilmente para dentro de sua buceta apertada, já molhada de antecipação.

— Ah, porra — Pink gemeu, suas mãos agarrando o tecido firme do sofá quando eu começava a foder.

Nossas cenas eram sempre assim, apaixonadas, eu era desesperado para fodê-la o mais forte possível sempre que tinha a oportunidade. Ela virou a cabeça e me beijou, apertei sua nuca, levantei um pouco mais sua perna, metia com força, aumentando o ritmo, meu pau batendo fundo, seus gemidos ficaram mais altos, seu corpo tremendo.

— Você fica tão linda quando vai gozar — Natasha sussurrou.

Os olhos se Pink se ergueram, lutando para deixá-los abertos. Natasha se agachou, colando a buceta na boca da Pink, que gemeu, gritou contra a racha melada quando o orgasmo a atingia. Seu corpo se contorcia, ela esguichava, seu jato atingiu Morgana que estava observando de perto meu pau entrando na buceta de Pink. Natasha também gozou com aquelas vibrações.

Pink tentou sair dali, mas Natasha agarrou seu cabelo com força.

— Você fica aqui — Natasha disse, ainda rebolando no rosto de Pink.

Tirei meu pau de Pink e avistei Morgana, passando a mão pelo rosto para tirar o excesso dos fluidos da Pink.

Agarrei Morgana e a virei de quatro do lado das outras duas, deixei sua bunda pequena e firme arrebitada para cima. Meu pau ainda estava molhado após aquele orgasmo da minha parceira, então deslizei facilmente para dentro de Morgana. Ela gemeu alto, seu aperto quase doloroso. Comecei a foder, minhas mãos agarrando seus quadris enquanto a fodia sem piedade.

De lado, pude ver Pink deitada de costas, Natasha sentada em seu rosto. Pink chupava a buceta de Natasha desesperadamente, suas mãos agarrando as coxas de Natasha enquanto se esfregava contra a boca de Pink. Natasha gemeu alto, seu corpo tremendo enquanto ela gozava de novo, seus sucos escorrendo pelo queixo de Pink.

Continuei fodendo Morgana, meu ritmo aumentando enquanto sua buceta apertada me levava ao delírio. Ela gemia, a boca contra o sofá, Natasha se levantou do rosto de Pink e se ajoelhou ao meu lado, suas mãos agarrando as bundas de Morgana enquanto a abria mais para mim.

Mais alguns minutos, mais algumas posições. A gravação já durava duas horas, nossos corpos cobertos de suor e fluidos. Finalmente, senti que iria gozar.

Com um comando da Natasha, as três se ajoelharam na minha frente, seus rostos levantados, suas bocas abertas e línguas para fora. Comecei a gozar, meu esperma jorrando em jatos grossos. Primeiro no rosto de Natasha, depois em Pink, e finalmente em Morgana. Meus jatos cobriram seus rostos, escorrendo por seus queixos, gotejando em seus peios.

Tentei sair de cena, mas não antes da Pink cair de boca no meu pau e deixá-lo limpo. Ela sorriu para mim, e então, saí de cena, meu corpo tremendo de exaustão. As três permaneceram ajoelhadas, seus rostos cobertos de porra. Natasha começou a lamber o rosto de Pink, sua língua coletando meu esperma. Pink fez o mesmo com Morgana, seus lábios se encontrando em um beijo sujo enquanto compartilhavam o esperma. As câmeras continuaram gravando enquanto limpavam umas às outras, seus dedos mergulhando em suas bocas para coletar cada gota.

Finalizaram a gravação com as três sorrindo para as câmeras, seus rostos brilhando sob as luzes do estúdio.

Ao fundo, Lady Vera pareceu bater palmas silenciosas, se levantou e foi embora. Partimos juntos para a área dos chuveiros, tomamos um banho, Pink e eu voltamos para casa, Morgana ficou mergulhada nos notebooks e Natasha havia algumas coisas administrativas para resolver.

Naquela noite, depois que voltamos para casa, Pink estava deitada no sofá com a cabeça no meu colo enquanto assistíamos alguma coisa que nenhum dos dois realmente estava prestando atenção. Em algum momento ela desligou a televisão, ficou olhando para o teto e falou:

— Se a gente tivesse uma chácara, eu quero um cachorro.

— Tudo bem.

— O nome dele vai ser Pirata.

— Por quê Pirata?

— Porque todo cachorro chamado Pirata parece feliz — ela sorriu, satisfeita consigo mesma. — E vamos ter galinhas também.

— Agora estamos comprando uma fazenda.

— Duas galinhas.

— Só duas?

— Só duas.

— Certo.

Pink levantou um dedo.

— Uma vai se chamar Cocó.

— Excelente.

— E a outra vai se chamar Rico.

Fiquei alguns segundos encarando ela.

— Cocó e Rico?

— Sim.

— Cocoricó?

Pink ficou em silêncio por meio segundo, então começou a rir. Eu ri junto.

— Você estragou meus nomes.

— Seus nomes já nasceram estragados.

— Eu achei criativo.

— Eu acho que você não deveria ter permissão para dar nome aos animais.

— Então você escolhe o nome das galinhas.

— Não quero galinhas.

— Tarde demais.

Ela se aconchegou novamente contra mim.

— Pirata, Cocó e Rico.

— Parece uma quadrilha.

— Parece uma família — ela riu. — Uma família feliz.

Fiquei sorrindo enquanto passava os dedos pelos cabelos dela, aquela conversa era absurdamente confortável.

— Você sabe que a gente não faz ideia de cuidar de galinhas, não é? — quebrei o silêncio.

— A internet ensina.

— Isso parece uma péssima ideia.

— Você aprendeu a administrar uma empresa pela internet.

Silêncio novamente. Continuei passando a mão no cabelo dela, enrolando-os nos dedos. Pink levantou a cabeça e me encarou.

— Você acha que a gente vai continuar fazendo isso para sempre?

A pergunta me pegou desprevenido.

— Isso o quê?

— Empresa. Gravações. Reuniões. Lady Vera aparecendo do nada para aumentar nossas metas. Natasha ameaçando pessoas. Morgana virando noites.

Pensei por alguns segundos antes de responder.

— Não, acho que não.

— Então o que vamos fazer?

— Não faço ideia.

Pink pareceu genuinamente satisfeita com a resposta.

— Que bom.

— Por quê?

— Porque eu também não faço ideia.

— Excelente planejamento.

— Eu nunca fui boa nisso — ela voltou a apoiar a cabeça no meu colo. — Talvez a chácara não seja má ideia.

— Talvez não.

— Talvez uma casa.

— Talvez.

— Talvez a gente compre um barco.

— Você enjoa fácil.

— Verdade.

— Você morreria em dois dias.

O silêncio voltou, mas não durou cinco segundos.

— Eu gosto que a gente não sabe o que vai acontecer daqui para frente — ela deu de ombros. — Antes eu tinha medo de não ter futuro.

Aquilo me fez olhar para ela, Pink continuava encarando o teto.

— Agora eu só não sei qual vai ser.

Pela forma como falou, aquilo não parecia uma preocupação, talvez um senso de liberdade. Passei o braço em volta dela e a puxei um pouco mais para perto.

— Seja lá o que acontecer, você ainda vai acabar com um cachorro chamado Pirata.

— E duas galinhas.

— E mais duas galinhas, Cocó e Rico.

— Que tal uma vaquinha? O nome dela pode ser Mimosa — Pink sorriu.

— Acho que uma chácara vai ser pequena para você — disse, também rindo.

Silêncio de novo, ela me abraçou mais forte.

— Contanto que eu esteja com você, nada mais importa — ela levantou a cabeça.

Olhei para ela, aqueles olhos gigantes e brilhantes, a beijei. Pensar sobre o futuro com ela era divertido, parou de ser um problema como era meses atrás. Porém, na manhã seguinte, descobri que o universo aparentemente havia decidido nos punir por estarmos felizes.

Eu estava sentado na sala de reuniões com Natasha, Morgana e Lady Vera analisando alguns relatórios quando a porta se abriu e nossa secretária colocou apenas a cabeça para dentro. A expressão dela imediatamente me deixou preocupado.

— Natasha...

— Garota, eu vou te demitir — Natasha fechou os olhos.

— Mas eu nem falei nada ainda.

— Não precisa, só pela sua expressão eu consigo saber que é a Camille, certo?

A secretária hesitou.

— Sim.

— Meu Deus.

— Ela veio pessoalmente.

O silêncio que tomou conta da sala foi quase cômico, Natasha ergueu a cabeça lentamente.

— O quê?

— Ela está na recepção.

— Não.

— Sim.

— Não está.

— Está.

— Manda embora.

— Eu tentei.

— Tenta de novo.

A secretária respirou fundo.

— Ela disse que não vai embora enquanto não falar com algum de vocês.

Natasha ficou encarando a mulher como se tivesse acabado de receber uma ameaça terrorista.

— Faz cinco meses.

— Quatro — corrigi.

— Quatro meses essa criatura está tentando marcar reunião.

— Tecnicamente isso demonstra persistência — falei.

— Tecnicamente isso demonstra obsessão.

— Estatisticamente ela merece pontos pelo esforço — Morgana falou sem tirar os olhos do notebook.

— Não ajude ela — respondeu Natasha imediatamente.

Lady Vera, por outro lado, parecia divertir-se cada vez mais, ela cruzou os braços e observou a cena com um pequeno sorriso.

— Estou curiosa.

— Não — Natasha virou o rosto.

— Estou.

— Vera...

— Uma mulher que passa quatro meses sendo ignorada e decide aparecer pessoalmente merece ao menos cinco minutos de atenção.

— Ela trabalha para o Pavlov.

— Eu sei.

— Isso deveria ser motivo suficiente.

— Pelo contrário — Lady Vera apoiou os cotovelos sobre a mesa. — Agora estou ainda mais interessada.

Natasha soltou um longo suspiro derrotado. Lady Vera sorriu.

— Pode trazer a Camille.

A secretária pareceu aliviada por finalmente ter uma resposta, Natasha escorregou pela cadeira, parecia querer desaparecer dali.

E eu tive a estranha sensação de que nossa manhã acabara de ficar muito mais complicada.

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Foto de perfil de HaedrigHaedrigContos: 18Seguidores: 20Seguindo: 9Mensagem Um cara comum que escreve histórias não muito condizentes com a realidade. Email: ghaedrig@gmail.com

Comentários

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Não sei exatamente o quê, mas alguma coisa no início do capítulo me incomodou. Talvez seja uma tendência dos Gabrieis de olhar para trás de uma forma... Sei lá, devo estar viajando na maionese...

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adoro a Pink, mas a natasha cresceu demais para mim, adoro a persona dela, o jeito safado, que mulher interessante, esse trio aliás é sensacional, mesmo Morgana sendo a mais quietinha. Fico feliz que tenhamos mais alguns episódios dessa saga incrível. Ansioso por mais da natasha.

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Concordo, Natasha é interessantíssima. Aquele tipo de pessoa que você adoraria virar uma noite conversando, regado a uma bebida leve (pra não atrapalhar).

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