Dia desses, o meu pai pediu pra eu visitar a obra da casa nova dele porque ele mesmo não iria poder passar lá. Pra ser sincero, não entendo absolutamente nada de construção; só fui porque estava em débito com o velho e, aparentemente, ele só confiava em mim pra isso. Onze da manhã de um sábado; um sol erótico, perfeito pra se meter em Ipanema e torrar até a marca da sunga gritar, e lá estava eu no meio de Bangu indo averiguar, com base em nada, o trabalho de um fulano de quem eu sequer sabia a cara. Entrei na casa sem fazer muito barulho, porque, se ele estivesse fazendo algo errado, eu já o pegaria no flagra. Mas, para minha surpresa, não encontrei ninguém.
“Seu Joel?”
Admito que falei um pouco baixo demais. Eu não fazia ideia se era realmente um Senhor Joel, mas achei melhor chamá-lo assim.
Nenhuma resposta.
“Seu Joel?”, dessa vez mais alto.
Passos apressados agora — o atrito da sola do sapato sobre o chão de concreto que ainda não tinha sido agraciado com piso. Segui o som quando chamei pela terceira vez, engrossando a voz numa tentativa de intimidá-lo:
“Seu Joel, tá aí?”
Finalmente ele respondeu.
“Oi, Seu Tiago”, exclamou ele num tom apressado. A voz era rouca, de quem fumava demais. “Calma aí, só um minuto!”
A tampa do vaso bateu com força, seguida da descarga. Me aproximei do que futuramente seria um banheiro chique, que naquele momento só tinha um conjunto de tábuas improvisadas como porta, e o cheiro inebriante o entregou. Não consegui flagrá-lo, mas eu entendo de maconha o suficiente pra saber o que era sem precisar ver.
“Oi, Seu Tiago. Perdão, eu tava de fone”, disse o tal pedreiro Seu Joel quando me viu. Ele não tinha nada de senhor, aliás. Também não havia nenhum fone por perto. A culpa estava escancarada na cara dele — os olhos arregalados no rosto angular com a barba começando a crescer. Devo ter causado uma onda erradíssima no homem. “Você é o Seu Tiago, né? Seu pai falou que você ia passar aqui.”
Só fiz rir.
“Sei bem que fone era esse.”
Joel tentou dizer alguma coisa em resposta, mas ele só conseguiu gaguejar enquanto continuei rindo. Só parei quando o homem ficou pálido.
“Tá suave, fica tranquilo.” Sorri amigavelmente ao enfiar a mão no bolso e tirar de lá um fininho para emergências.
O rosto do pedreiro relaxou, voltando à cor normal de quem trabalhava dia após dia debaixo de sol. Ele abriu um sorriso meio abobalhado; um maconheiro reconhece o outro.
“Tem isqueiro aí? A gente divide esse”, perguntei como quem propunha uma trégua. “Deixei o meu no carro.”
“Guarda isso aí, Seu Tiago.”
Joel tirou do bolso a prova do crime: uma tora, um dedo de gorila com a ponta um pouquinho chamuscada que ele provavelmente tinha acabado de apagar. Dessa vez quem riu foi ele.
Joel pôs o baseado na boca. Ele o segurou com os lábios e reacendeu, fazendo o cheiro da marola pairar no ar de novo. O pedreiro não era feio, me dei conta nesse momento. Não sou cego, ué? Claro, não era um galã, mas era o que se espera de um homem comum nos seus... 36 anos, talvez? 40, no máximo. Ele tinha um charme de homem mais velho, mas chamá-lo de daddy era exagero.
Quando ele soprou a fumaça para o alto, tive certeza de que a minha resposta seria “sim” para tudo, a qualquer hora. Mas fiquei na minha. Não sou maluco de atacar do nada. Era capaz até de eu levar uma surra (no pior dos sentidos).
Ele passou o beck pra mim.
Dei um trago normal, sem toda aquela energia de macho puto que ele exalava. Fechei os olhos de modo involuntário entre uma puxada e outra, a deixa perfeita para o pedreiro tentar quebrar o gelo — que para mim já estava completamente derretido.
“Tu gosta, né, Seu Tiago?” Joel riu.
Sentei em cima de uma pilha de tijolos e deixei meu corpo relaxar encostado na parede.
“Pode me chamar só de Tiago.” Pisquei pra ele. “Essa é boa, hein! De onde é?” Devolvi.
Ele fez um tsc com um sorriso travesso no rosto.
“De lá da minha área.”
Joel deu mais alguns tragos calmamente, como se saboreasse o beck. Ele escorou nas tábuas que exerciam a função de uma porta. Respirava de olhos fechados, em silêncio, como se eu não estivesse ali. Quando passou para mim de novo, ele voltou a falar:
“Depois salva meu número aí. Eu faço corre.”
Assenti antes de botar na boca.
Em algum momento o sol passou a bater na janela do banheiro; só percebi que ficou abafado porque nossos corpos começaram a suar. Joel parecia já estar à vontade comigo. Àquela altura, já no segundo baseado do pedreiro, era como se fôssemos amigos de infância, embora tivéssemos 14 anos de diferença (ele tinha 38, era solteiro e morava sozinho em Del Castilho, numa kitnet onde ele devia comer gente à beça com a marra de puto come-quieto que tinha). Eu é que não iria reclamar do jeitão despojado, ainda mais quando, sem cerimônia, ele só disse um breve “com todo respeito” — num tom que posso jurar que era irônico — e tirou a camisa.
Ficou impossível disfarçar que eu estava engolindo meu novo amigo pedreiro com os olhos. Ele não era enorme, estava mais para um magro definido, com tudo muito, muito firme e muito, muito em cima, provavelmente por causa do trabalho braçal.
“Baba não, hein”, disse ele com um sorrisão de puto safado.
“Com você assim, fica difícil”, respondi na maior cara de pau, dando mais um trago enquanto encarava sem pudor o rastro de pelos que começava no umbigo e seguia até se esconder dentro da calça um pouco mais larga do que deveria.
Mas ele cortou minha onda quando me corrigiu, gargalhando:
“Tô falando do beck, paizão.”
Minha cara esquentou um pouco e desviei o olhar, mas meu acanhamento passou na hora em que ouvi a pergunta de Joel:
“Tu gosta de homem, é?”
“Gosto.” Encarei o pedreiro com a cara mais safada que consegui fazer enquanto tragava o beck. “E você, Joel?”
Estiquei o braço com o baseado na ponta dos dedos. Joel encaixou o cigarro entre os dedos dele, encostando-os na minha mão demoradamente. Talvez fosse a onda mesmo, mas aquele foi o gesto mais erótico que eu já tinha visto de um homem.
“E tu dá ou come?”, ele insistiu em saber.
“Eu dou”, retruquei. “Por quê? Tu vai me comer?”
Joel gargalhou enquanto coçava o queixo.
“A gente pode pensar nisso.”
Ergui a sobrancelha, agora mais interessado no rumo dessa conversa.
Então ele continuou:
“Quanto tu tem aí?”
“Ah, é fácil assim?” Assenti com a cabeça. “Tu faz programa então? Entendi...”
Joel não confirmou nem negou, só deu de ombros com um sorriso de canto de boca. Puto mesmo...
Ele levou a mão até a calça, massageando a piroca por cima da roupa, de frente para mim; gostoso pra caralho.
“Tô falando só que o combinado não sai caro, paizão”, respondeu ele sem tirar o sorriso de come-quieto de quem já tinha jorrado dentro de Del Castilho inteira.
“Faz sentido”, falei.
Peguei minha carteira no bolso com a esperança de que encontraria pelo menos 100 pratas, mas só tinha uma notinha solitária de 20 lá dentro. “Peraí”, insisti enquanto ele fumava seu baseado tranquilamente. Peguei meu celular; eu sabia que pelo menos uns 500 reais tinha na conta. Um Pix dava para fazer, com certeza. Se eu tinha a chance de sentir esse macho me torando a pica enquanto a gente chapava, é claro que não iria desperdiçar.
Eu só não contava com a falta de sinal.
Tentei, tentei, tentei e nada. Era pior que brochar.
“Só tenho vinte aqui”, aceitei desanimado, mas tentei negociar: “Deixa eu dar só uma mamadinha então?”
Aí é que o pedreiro gargalhou descontroladamente.
“Com isso aí tu não bota nem a mão, paizão”, ele mandou na lata.
Suspirei derrotado.
“Tentei, né...”
Dei mais um trago e entreguei o beck para ele. Eu estava pronto para pegar minhas coisas e sair, mas ele me impediu. Talvez ele também estivesse a fim de se aliviar, não sei dizer, mas imagino que sim. Só sei que Joel desencostou da parede ainda rindo, abriu a calça e abaixou a cueca um pouco esgarçada. Seu pau estava meia-bomba, mas era uma senhora pica mesmo assim.
“Bota esses vinte aqui, vem.”
Não titubeei, levei o dinheiro até o bolso dele. Me aproximei da bela pica já de boca aberta, mas ele me afastou.
“Vinte conto tu só olha, paizão.”
Então Joel levantou a tampa do vaso e mirou. Se inclinou um pouco para trás e deixou o mijo sair, atingindo a água lá dentro como uma porrada no mesmo momento em que ele soltou um sonoro “ahhh”. Fiquei ereto na hora, pau e cu latejando, implorando pelo pedreiro Joel. Abri minha calça também, tirei a roupa toda, aliás. Já que eu não podia chegar nem perto daquela piroca, eu mesmo me aliviaria.
Comecei a bater uma enquanto assistia o puto mijar na minha frente; pelo visto ele gostava de ser observado, e eu estava adorando olhar. Gemi igual a uma cadela, sem pudor nenhum, imaginando o pau dele me penetrando. Eu queria vê-lo em toda sua potência, mesmo que Joel não fosse meter.
O puto do Joel segurou o mijo e veio até mim com o sorriso mais sacana do mundo no rosto. Ele voltou a mijar, mas dessa vez eu era o mictório pessoal dele. Nesse momento, enfiei um dedo no cu. Quando Joel terminou de me molhar todo, começou a bater uma também. Eu já estava com três enfiados, com o corpo inteiro molhado de mijo de macho, e todo arreganhado em cima daquela pilha de tijolos. Se existia algo chamado vergonha na cara, eu a queria longe de mim.
“Cachorra”, disse ele com a voz mais grossa que antes.
Joel se masturbava com as duas mãos, e eu enfiava a minha quase inteira no meu cu enquanto olhava nos olhos dele, desejando que fosse aquela rola dentro de mim.
“Tu é uma vagabundinha, né, chefe?” Joel estava ofegante.
Assenti com o “aham” mais manhoso que já consegui pronunciar.
“É? Então toma aí, vagaba”, disse ele antes de soltar uns quatro urros e me metralhar com sua porra. Também cheguei ao ápice nesse momento, gemendo a ponto de quase desfalecer.
Ficamos nos encarando, ofegantes: o pedreiro de pé, fechando a calça, e eu nu sobre a pilha de tijolos, todo molhado e melado, mas completamente orgulhoso. Eram os 20 reais mais bem gastos da minha vida.
No final, ele vestiu a camisa e eu caí embaixo de um chuveiro improvisado para me limpar. Joel, puto de marca maior, pegou o celular no bolso da calça. “Salva meu número aí. Me chama quando tiver dinheiro de verdade”, disse ele, e nós dois rimos.
O pedreiro soube que me tinha na mão na hora em que perguntou se eu pegava homem, soube que era só jogar a isca pra eu cair de boca. E ele estava certo. Eu ia entrar em contato na primeira oportunidade mesmo, e ainda ia pedir pra ele levar maconha pra mim.
Já dentro do meu carro, dirigindo de volta para casa, gravei um áudio para o meu pai:
“Ó, tudo nos conformes por aqui.”