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O Peso da Tutela

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Um conto erótico de Tales
Categoria: Gay
Contém 3186 palavras
Data: 29/06/2026 19:07:22

​O espelho do banheiro principal da mansão não mentia, embora Tales desejasse desesperadamente que sim.

​Apoiou as duas mãos na bancada de mármore importado, deixando a cabeça pender entre os ombros. A água fria que havia jogado no rosto ainda escorria pelo seu queixo, mas não era o suficiente para afastar o cansaço crônico que parecia ter se instalado em seus ossos desde o funeral, há duas semanas.

​Tales olhou para o próprio reflexo, encarando o homem de 35 anos que, agora, estava completamente sozinho.

​Ele sempre soube que sua aparência carregava uma certa delicadeza que o tempo não conseguiu apagar. Com 1,72 m de altura e pesando pouco mais de 63 kg, ostentava um porte magro e esguio, quase frágil quando comparado aos homens com quem costumava conviver no meio da construção civil em Curitiba. A pele muito clara, quase pálida devido às noites em claro e à reclusão dos últimos dias, contrastava fortemente com as olheiras profundas que emolduravam seus olhos.

​Seus olhos, de um tom cinzento-azulado, pareciam opacos, desprovidos do brilho que costumava ter quando desenhava suas plantas arquitetônicas. Tales levou a mão direita ao cabelo, puxando os fios molhados para trás. O cabelo loiro-escuro, liso e comprido, ia até a altura dos ombros — uma marca registrada de sua personalidade mais artística e reservada, que ele costumava usar preso em um coque frouxo durante o trabalho, mas que agora caía em mechas pesadas e úmidas pelas laterais de seu rosto fino.

​Ele parecia menor do que realmente era dentro daquele casarão silencioso. Um homem de trinta e poucos anos interrompido pelo luto, vestindo apenas uma camisa de linho entreaberta e calças de moletom desgastadas.

​Tutor legal.

​A expressão ecoou em sua mente como uma piada de mau gosto. O testamento de Helena havia sido claro: até que os trâmites do inventário fossem finalizados e as auditorias das empresas terminassem, Tales era o responsável por administrar a herança e gerenciar a transição da maioridade do enteado.

​Um ruído pesado vindo do corredor fez o estômago de Tales se contrair instantaneamente. O som de passos firmes, descalços, mas que faziam o assoalho de madeira nobre ranger sob um peso considerável.

​Arthur estava acordado.

​Tales fechou os olhos por um segundo, respirando fundo, tentando ignorar o arrepio frio que subiu por sua espinha. Ele conhecia aquele ritmo. Não era mais o caminhar de uma criança ou de um adolescente comum. Era o caminhar de alguém que parecia grande demais para aquela casa. Alguém que, nos últimos dois anos, havia moldado o próprio corpo com uma disciplina quase militar e violenta, transformando-se em um homem de dezoito anos com o dobro da força de Tales.

​Endireitando a postura e tentando resgatar qualquer resquício de autoridade que ainda achava que possuía como adulto da casa, Tales desligou a torneira. Secou o rosto rapidamente na toalha e abriu a porta do banheiro, saindo para a penumbra do corredor do segundo andar.

​Ele precisava encarar o garoto. Precisava mostrar que, legalmente, ainda estava no comando. Mas, no fundo de sua mente, enquanto olhava para a silhueta maciça que o esperava no fim do corredor, Tales sabia que as leis dos homens não significavam absolutamente nada dentro daquelas quatro paredes.

No fim do corredor mal iluminado, a silhueta de Arthur parecia quase irreal, recortada pela luz fraca que vinha da janela da escadaria. Tales travou os pés no chão, o coração falhando uma batida. Não importava quantas vezes visse o enteado após sua transição abrupta para a fase adulta; o impacto visual era sempre o mesmo.

Arthur era um gigante.

Com quase **1,95 m de altura**, ele forçava Tales a quebrar totalmente o pescoço para trás se quisesse encará-lo nos olhos. Mas não era apenas a altura que intimidava; era a largura daquela estrutura. Arthur vestia apenas uma bermuda de moletom cinza, de cós baixo, deixando exposto o resultado de uma rotina brutal e obsessiva de treinos.

O tórax era absurdamente largo, com peitorais densos que pareciam esculpidos em pedra. Os ombros, volumosos e arredondados, conectavam-se a braços imensos, onde as veias saltavam como cordas sob a pele jovem e bronzeada. A musculatura de suas costas, mesmo em repouso, desenhava uma forma em "V" perfeita, terminando em uma cintura surpreendentemente estreita, marcada por um abdômen gomado e rígido. Cada milímetro daquele corpo exalava uma força física bruta, primitiva e perigosa.

Ele não tinha a delicadeza de um jovem de 18 anos ordinário. Tinha o porte de um predador no ápice do desenvolvimento.

Arthur arrastou os olhos escuros e frios pelo corpo de Tales, descendo dos cabelos loiros e úmidos até os pés descalços do padrasto, com um desdém que fez o estômago do mais velho revirar. O maxilar do garoto era quadrado, marcado por uma barba rala que ele se recusava a fazer, e os cabelos pretos, raspados bem baixos nas laterais, davam-lhe uma feição ainda mais agressiva.

Tales engoliu em seco, sentindo-se subitamente minúsculo. Seus 1,72 m e sua estrutura esguia pareciam uma piada diante daquela parede de músculos que avançava lentamente em sua direção, fazendo o corredor parecer estreito demais para os dois.

​POV: Arthur

​Olhar para Tales era como olhar para um fantasma que insistia em assombrar os corredores da minha casa.

​Eu estava parado no fim do corredor de jacarandá, sentindo o piso frio sob os meus pés descalços, observando o homem que minha mãe tinha escolhido para colocar dentro do nosso lar. Duas semanas tinham se passado desde o enterro dela, duas semanas desde que o maldito advogado leu aquele testamento ridículo que colocava as empresas, o dinheiro e, teoricamente, a mim sob a tutela dele.

​Tutor legal. A piada era tão patética que me dava vontade de rir.

​Tales saiu do banheiro principal. O som da porta abrindo quebrou o silêncio pesado da mansão. Eu não me movi. Apenas fiquei ali, com os braços cruzados, deixando que meus olhos escuros o escaneassem com o mais puro desdém. Ele estava com o cabelo loiro-escuro molhado, os fios compridos caindo pelos ombros em mechas pesadas e úmidas. Aquela maldita aparência de artista sensível, esguio demais, magro demais. Ele vestia uma camisa de linho entreaberta que parecia larga no seu corpo de 63 quilos. Dava para ver a linha das clavículas dele, a palidez da pele de quem passava os dias trancado chorando pelos cantos ou dopado de remédios.

​Ele tinha 1,72 m. Uma estrutura frágil que, perto dos meus 1,95 m, parecia ridícula. Eu conseguia ver o momento exato em que ele me notou ali. Ele travou. Os olhos cinzento-azulados dele se arregalaram por uma fração de segundo, o peito subindo e descendo mais rápido enquanto ele tentava recompor aquela postura ridícula de "adulto no comando".

​Eu descruzou os braços e comecei a caminhar.

​Passo a passo, sem pressa. O assoalho de madeira rangia sob o meu peso. Cada quilo dos meus músculos — que eu passei os últimos dois anos esculpindo com ódio e disciplina na calistenia e nos treinos pesados — servia para um propósito: garantir que ninguém nunca mais me controlasse. Muito menos ele.

​À medida que eu me aproximava, Tales tentava manter o queixo erguido, mas o corpo dele o traía. Ele deu um passo involuntário para trás, até que as costas dele colidiram suavemente com a parede do corredor, ao lado da porta do banheiro. Ele estava encurralado antes mesmo de eu chegar perto.

​Quando parei na frente dele, o corredor pareceu desaparecer. Eu apaguei a luz que vinha da janela atrás de mim, projetando minha sombra completamente sobre o corpo magro dele. A diferença de tamanho era absurda, quase obscena. Para me olhar nos olhos, Tales teve que inclinar a cabeça totalmente para trás, o pescoço alvo esticado, expondo a pulsação acelerada na sua garganta. O topo da cabeça dele mal passava da linha dos meus ombros; o rosto dele estava na altura do meu peito musculoso e descoberto. Eu conseguia sentir o calor que emanava da pele dele, misturado com o cheiro de sabonete e o rastro do perfume que minha mãe gostava. Isso só me irritava mais.

​— Arthur... — A voz dele saiu trêmula, embora ele tentasse dar um tom firme. — Você já deveria estar arrumado. O advogado do inventário chega em uma hora. Nós precisamos revisar os termos da tutela e...

​Eu não o deixei terminar.

​Prendi-o ali. Ergui meu braço direito e apoiei a palma da minha mão espalmada na parede, logo acima da cabeça dele, fazendo o gesso estalar sob a pressão. O meu bíceps e o ombro volumoso ficaram a centímetros do rosto dele, bloqueando qualquer rota de fuga pela direita. Em seguida, dei mais um passo à frente, colando quase todo o meu tórax contra o dele. Senti o impacto físico da minha estrutura massiva empurrando-o contra a parede. Tales soltou um suspiro curto, o ar escapando de seus pulmões quando os peitorais densos do meu peito esmagaram a sua camisa de linho.

​— Quem você pensa que está comandando aqui, Tales? — Minha voz saiu grave, arrastada, vibrando direto contra o rosto pálido dele.

​Ele tentou desviar o olhar, mas o medo nos olhos cinzentos dele era magnético. Ele estava assustado com a proximidade, com a brutalidade do meu corpo contra o dele. Com a mão livre, segurei o queixo dele com os dedos grossos, apertando a mandíbula fina com força suficiente para que ele não conseguisse mover a cabeça. Obriguei-o a me encarar. A pele dele era macia, fria, contrastando com os calos da minha mão de treino.

​— Olha para mim — ordenei, apertando um pouco mais, sentindo o maxilar dele tensionar. — Você realmente achou que aquele pedaço de papel que o advogado leu mudaria alguma coisa nesta casa? Você achou que ia mandar em mim?

​— Eu sou o seu tutor legal, Arthur... — ele sussurrou, a voz quase sumindo porque a minha proximidade e o peso do meu corpo o sufocavam. — Sua mãe quis assim. Ela queria que eu cuidasse de você, dos negócios...

​Eu soltei um riso soprado, sem qualquer humor, bem em cima dos lábios dele. O hálito dele era quente. Pude ver o tremor nos fios loiros que caíam pelos seus ombros.

​— Minha mãe está debaixo da terra — sibilei, aproximando meu rosto do dele até que nossas testas quase se tocassem. Eu conseguia ver o reflexo do meu próprio tamanho na imensidão assustada dos olhos dele. — As ordens dela foram enterradas junto com o caixão. Olhe para você, Tales. Você é minúsculo. Você não tem metade da minha força. Se eu quiser trancar você neste corredor e fazer o que eu bem entender, quem vai me impedir? O advogado? A polícia?

​Ele engoliu em seco. Eu senti o movimento da garganta dele contra os meus dedos que ainda prendiam seu queixo. O pânico dele era palpável, e aquilo me dava uma onda de poder que eu nunca tinha sentido antes. Ele era o adulto, o arquiteto respeitado, o homem de 35 anos. Mas ali, esmagado contra a parede sob o meu corpo de dezoito anos, ele não passava de uma posse. Uma criatura frágil que eu poderia quebrar se pressionasse um pouco mais.

​Tales tentou erguer as mãos para empurrar o meu peito, um reflexo tardio de defesa. As palmas das mãos dele, pequenas e delicadas, tocaram a pele firme do meu abdômen e do meu tórax. Ele empurrou. Mas foi o mesmo que empurrar uma parede de concreto. Eu nem me mexi. Apenas curvei ainda mais o meu corpo sobre o dele, forçando meus quadris contra os dele, eliminando qualquer espaço que restasse entre nós. Senti as coxas dele tremerem sob o moletom.

​— Não se mexa — avisei, a voz descendo uma oitava, tornando-se perigosamente baixa.

​Puxei a cabeça dele um pouco mais para trás pelo queixo, expondo ainda mais o pescoço dele. Com a outra mão, que estava na parede, desci lentamente até tocar os fios loiros e compridos que iam até o ombro. Enrolei uma mecha úmida nos meus dedos, puxando de leve, forçando-o a gemer baixinho de desconforto.

​— A partir de hoje, as regras nesta casa mudaram — sussurrei no ouvido dele, sentindo o corpo dele arrepiar por inteiro com o meu toque. — Você vai assinar os papéis que eu mandar. Você vai administrar o dinheiro como eu quiser. E se você abrir a boca para tentar agir como meu tutor de novo... eu vou te mostrar exatamente o que acontece com quem tenta ficar no meu caminho. Entendeu?

​Tales não respondeu de imediato. Ele estava paralisado pelo confinamento, pelo choque da força bruta que o mantinha preso. Eu apertei os dedos na mandíbula dele até arrancar uma resposta.

​— Entendeu, Tales?

​— S-sim... — ele cedeu, a voz quebrando, os olhos cinzentos brilhando com lágrimas teimosas de pura humilhação e medo.

​Sorri, um sorriso sombrio e vitorioso, antes de soltar o queixo dele com um empurrão leve, deixando a marca dos meus dedos na sua pele pálida. Afastei-me apenas alguns centímetros, o suficiente para deixá-lo respirar, mas mantendo-o firmemente sob a minha sombra. O jogo estava apenas começando, e o meu querido padrasto acabara de entender o seu lugar.

​POV: Tales

​O ar parecia ter sido completamente arrancado dos meus pulmões.

​Quando Arthur finalmente me soltou e deu um passo para trás — apenas o suficiente para que eu não colidisse mais diretamente com a parede de músculos do peito dele —, minhas pernas fraquejaram. Minhas costas escorregaram alguns centímetros pelo jacarandá frio da parede antes que eu conseguisse firmar os pés descalços no chão. Meu coração batia com tanta força contra as minhas costelas que o som parecia ecoar no corredor vazio da mansão.

​Eu estava trêmulo. Uma trepidação invisível, mas violenta, que começava na base do meu estômago e se espalhava até as pontas dos meus dedos. Levei a mão direita à mandíbula, onde os dedos grossos e calejados de Arthur tinham se cravado segundos antes. A pele ali parecia arder, latejando com o calor residual da força dele. Eu conseguia sentir, sem precisar olhar no espelho, as marcas avermelhadas que ele havia deixado no meu rosto.

​Ele tem dezoito anos, minha mente gritava, tentando buscar qualquer resquício de lógica ou de sanidade à qual eu pudesse me apegar. Ele acabou de sair da adolescência. Eu sou o adulto aqui. Eu tenho trinta e cinco anos. Eu sou o tutor legal.

​Mas nenhuma daquelas palavras ou números fazia sentido diante da realidade brutal que acabara de me encurralar. Aos 35 anos, com meus 1,72 m e 63 kg, eu nunca fui um homem de confrontos físicos. Minha vida inteira foi pautada pela mente, pelos traços milimetricamente calculados no papel, pela arquitetura e pela diplomacia. Helena sempre dizia que admirava a minha calmaria, a minha elegância silenciosa. Mas aquela mesma elegância, agora, parecia-se com pura e simples fragilidade.

​Arthur continuava ali, de pé na minha frente, a menos de um metro de distância. Mesmo sem me tocar, a presença dele me sufocava. Olhar para ele de baixo, tendo que quebrar o pescoço para trás para alcançar aqueles olhos escuros e opacos, era humilhante. A luz fraca da janela batia nas costas dele, desenhando os contornos absurdos de seus ombros largos e da musculatura densa de seus braços. Ele parecia uma força da natureza indomável, um predador que havia crescido sob o meu teto sem que eu percebesse o perigo real.

​Como eu pude ser tão cego? Eu o vi treinar. Eu o vi passar horas e horas na barra do jardim, erguendo o próprio peso com uma facilidade assustadora, trancado no quarto com cargas de peso cada vez maiores. Eu achava que era apenas a revolta da adolescência canalizada nos esportes. Mas não era. Era a preparação de um carrasco.

​— O... o advogado... — Minha voz falhou na primeira tentativa. Limpei a garganta, tentando desesperadamente engolir o choro de humilhação que subia pela minha laringe. Eu não podia chorar na frente dele. Não podia entregar o resto da minha dignidade. — Dr. Maurício vai chegar a qualquer momento, Arthur. As contas da empresa da sua mãe precisam de movimentação legal. Há funcionários que dependem disso. Se você não colaborar...

​— Você não ouviu o que eu acabei de te falar, Tales? — A voz dele cortou o ar, grave e mansa, o que a tornava ainda mais aterrorizante.

​Eu me encolhi minimamente quando ele deu meio passo à frente. O cheiro de suor jovem e pele aquecida me atingiu novamente. Arthur estendeu a mão e, com uma lentidão sádica, tocou a ponta dos dedos no meu ombro esquerdo. Um toque de leve, quase um carinho, se não fosse a ameaça implícita por trás dele. Ele deslizou os dedos pela minha camisa de linho entreaberta, descendo pela minha clavícula exposta até alcançar uma das mechas do meu cabelo loiro que caía úmida sobre o meu peito.

​Ele segurou os fios, não com a força de antes, mas mantendo-os presos entre os dedos. Senti meu couro cabeludo tensionar.

​— Você vai descer, vai sentar com o Dr. Maurício e vai assinar exatamente o que for necessário para liberar o acesso que eu preciso — ele ditou, os olhos fixos na minha boca, observando o tremor dos meus lábios. — Depois, você vai sumir para o seu escritório e me deixar gerenciar o que é meu por direito. Você é só um fantoche temporário que a minha mãe deixou para trás. Não confunda as coisas.

​A humilhação ardeu mais do que qualquer dor física. Helena tinha me deixado aquela tutela para me proteger, para garantir que Arthur não destruísse a si mesmo ou ao patrimônio antes de ter maturidade. Ela sabia que o filho tinha um gênio difícil. Mas ela não previu que o garoto se tornaria um homem de quase dois metros de altura, musculoso, implacável e disposto a usar a força bruta para subjugar o próprio padrasto dentro de casa.

​— Arthur, por favor... — as palavras escaparam antes que eu pudesse contê-las, um sussurro suplicante que odiei ter pronunciado.

​Os olhos dele brilharam com um vislumbre de satisfação cruel ao ouvir o meu tom quebrado. Ele soltou a mecha do meu cabelo com um puxão sutil, fazendo minha cabeça pender levemente para a frente.

​— Vá se trocar, Tales — ele disse, virando as costas para mim com a confiança de quem sabia que já tinha vencido. — E trate de esconder essas marcas no seu rosto. Não seria bom para a sua reputação de arquiteto renomado se o advogado achasse que o seu enteado de dezoito anos anda brincando pesado demais com você.

​Ele voltou a caminhar pelo corredor, os músculos das costas se movendo de forma fluida e imponente até desaparecer na entrada do seu próprio quarto, batendo a porta com um estrondo que ecoou por toda a mansão.

​Sozinho no corredor escuro, eu finalmente me permiti desabar. Minhas pernas cederam de vez e eu escorreguei até o chão, abraçando os meus próprios joelhos. Puxei o cabelo loiro para trás, respirando de forma fustigante, sentindo as lágrimas quentes finalmente transbordarem e correrem pelo meu rosto pálido. Eu estava trancado em uma fortaleza de luxo com um monstro que eu mesmo ajudei a criar. E o pior de tudo era saber que, legalmente ou fisicamente, eu não tinha para onde fugir.

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