O sol entrou pela janela do quarto por volta das nove. Patrícia mexeu na cama, espreguiçou-se e sorriu para Carlos.
— Bom dia, amor — ela disse, com aquela voz sem sal, comum, sem aquele tom gostoso que a mãe dela tinha.
— Bom dia — ele respondeu, sem vontade.
Patrícia se aproximou, passou a mão no peito dele. Queria sexo. Era sempre assim nos fins de semana. Um ritual sem sal, igualzinho a ela, depois de negar fogo a semana inteira.
— Vamos? — ela pediu, já puxando o shorts dele.
Carlos suspirou por dentro. Deixou. Virou o corpo para cima dela, como um funcionário cumprindo tarefa.
Ela tirou a calcinha. A boceta dela era lisinha, depilada, sem pelos. Perfeitinha. Sem graça. Silvia tinha pelos... Pentelhuda... Pelos pretos, naturais, molhados. Silvia tinha cheiro de mulher. Patrícia só tinha creminho hidratante e cheiro de sabonete de rosas.
Carlos enfiou o pau nela. Estava meio mole no começo. Teve que pensar em Silvia — nos cabelos pretos dela espalhados no travesseiro, na voz gostosa dela gemendo baixinho "me fode, rapaz", aquele sotaque nordestino que fazia qualquer palavra virar um convite. Lembrou do cheiro dela, do corpo quente, da maneira como ela dizia "mainha" e "meu filho" com um dengo que deixava ele louco.
O pau endureceu dentro de Patrícia. Mas não por causa dela e sim de sua mãe. De toda forma, ele sorriu de canto de boca ao pensar que a mãe é muito melhor que a filha, mas duas bucetas da mesma família em sequência não deixava de ser muito melhor do que as fodas semanais com sua esposa sem graça. Principalmente por causa da sogra quente... não da sua esposa perfeitinha de corpo, mas sem graça e burocrática na cama.
— Ai, amor... — Patrícia gemeu baixo, do jeito ensaiado, sem aquele calor que a voz de Silvia tinha.
Ela não sabia gemer de verdade. Silvia gemia de um jeito que saía da alma. Silvia arranhava. Silvia puxava cabelo. Patrícia só fechava os olhos e abria a boca, fazendo o mesmo barulho de sempre.
Carlos meteu devagar. Sem tesão pela esposa, mas usando sua buceta para pensar na sogra que dormia no quarto de baixo. A cama rangia de um jeito mecânico.
Ela é igual zona sul, ele pensou. Tudo bonitinho, arrumadinho, mas sem sal.
Lembrou de Silvia no motel: a bunda pequena e rasa daquelas que o pau entra até os bagos, as coxas roliças, o suor escorrendo pelo pescoço, aquela voz gostosa arrastada dizendo "bote fundo, bote fundo em mainha". Silvia era Nordeste. Carne de sol. Farinha. Pilão. Sexo de verdade. E aquela voz... Deus do céu, aquela voz. Quando ela sussurrava "vem cá, esse menino", o pau dele já latejava antes mesmo do toque.
Patrícia era Sudeste. Sushi. Vinho branco. Conversa fiada. Voz baixa, sem graça, que não excitava ninguém a não ser pela bunda, treinada a dar por insistência de Carlos, mas raramente liberada para uma estocada no cuzinho, por medo de sujar o pau.
Ele gozou rápido, só para acabar logo. Nem sentiu direito. Patrícia gozou também — ou fingiu. Ele nunca sabia, pois era só um gemido contido pra ninguém ouvir e um arrepio. No fundo, depois de um tempo, ele nunca mais se importou.
— Hum, que bom, amor — ela disse, beijando o ombro dele com a voz baixa, sem aquele peso gostoso que a mãe dela colocava em cada palavra.
— É — ele respondeu, se levantando para tomar banho.
No banho, ele lavou o pau e pensou em Silvia de novo, imaginando aquela rola imensa com o cu da sogra em volta, e que essa hora deveria estar escorrendo esperma ao lado do corno sem que ele soubesse. Já estava duro outra vez. Fechou os olhos e ouviu mentalmente aquela voz gostosa sussurrando "seu safado" do jeito dela, arrastado, quente.
Nordestina do caralho, ele sorriu sozinho.
Do outro lado da casa, Silvia acordou com a mão do marido Arnaldo na coxa dela. Ela afastou devagar.
— Carinho na coxa hoje não, velho. Tô cansada.
Arnaldo resmungou e virou para o lado.
Silvia sorriu no escuro, pensando: Corno, chifrudo, broxa, pau pequeno. E enojada com a mão do marido que acabara de tirar de sua coxa.
Seus desejos também estavam em Carlos — nos olhos claros dele, no cabelo amendoado, e lembrou de como ele metia forte quando ouvia a voz dela pedindo "mais".
Ela era sua puta, sua "mainha", sua sogrinha disposta a drenar as bolas do genro, de preferência sem deixar uma só gota para sua filha.
Lembrou que o almoço em família estava combinado, tomou outro banho e, no chuveiro, lavou sua calcinha onde escorrera o esperma que o genro depositou nela.
Seu coração disparou... Aquilo não tinha mais como parar.
FIM DA PARTE 2