TOC TOC TOC
- Beatriz vai dar tempo a gente comemorar?
Olhei para Beatriz, e ela não teve expressão alguma. Apenas respondeu.
Beatriz:- Cadê a Marília?
- Melhor amiga do vovô? Tá lá papeando, abri aqui não tem nada que não saiba que você tem!
Amanda:- E eu ...
Beatriz:- Perai!
Abri a porta e saí, na porta a dona da voz se revelou, a tal garota que estava com ela no shopping, então era um encontro, e pelo jeito rendeu.
Beatriz:- Amanda!
Não olhei pra trás, apenas segui. Na porta do parque encontrei Rian. Estava ofegante pela distância que tinha andado a pé não tanto mais pela raiva.
Rian:- Meu amor, você tá vermelha!
Amanda:- Vamos embora por favor?
Rian:- Não vai falar com sua irmã?
Amanda:- Vaqueiro é tudo igual, essa deve tá bebendo e galanteador mulher, já que a Maria tá em casa! Nessa parte minha mãe tá certa, vaqueiro é tudo farinha do mesmo saco!
Rian:- Calma, as coisas não se resolvem assim, vem cá!
Rian me abraçou e eu desabei com o rosto encostado no peito dele, quando escuto uma moto freando em cima de nós. Tirei a cabeça do seu peito para olhar quem era.
Beatriz:- Você não tem direito nenhum de sentimento comigo, acho que foi um erro você aqui!
Amanda:- Eu acho o mesmo!
Rian:- Meninas vocês estão de cabeça quente, por favor!
Beatriz:- Vai embora que aqui num é canto pra você não! Obrigada por está com ela.
Ela saiu, olhei para o Rian sem entender nada.
Rian:- Vamos embora?
Amanda:- Eu me guardei pra ela e ela me faz isso? Já foi pra cama com outra, e eu? Eu tenho um monstro que chamo de mãe e ela nem pra entender!
-O que você faz aqui Amanda?
Amanda:- Você também vai me tratar assim?
Marilia- Como lembrancinha?
Amanda:- Chega, já basta o que já passei com a mamãe, ouvir que meu pai tá triste comigo, a mulher que eu amo tá com outra pessoa, sendo que me afastei dela pela segurança dela e da minha irmã, que mesmo longe sempre amei, mas ninguém sabe o que passou do outro lado!
Marília:- Quantos anos você tem? Chegou a hora de acordar, sei que a mãe num é gente, mas você fez escolhas!
Amanda:- Rian vamos embora?
Marília:- Como sempre fugindo!
Virei as costas e sai, ela nunca iria me ouvir. Como não tinha provas suficiente achei melhor ir embora. O tempo foi passando, Marcelo ajudava eu e Rian, minha mãe tinha muita coisa errada, o tal pastor foi preso por lavagem de dinheiro, ela conseguiu a inocência e ainda cuidou do filho do pastor que era envolvido com drogas, ela tinha uma casa de reabilitação, lá que existia toda maracutaia. Ela se candidatou a vereadora da cidade, ganhou e foi exonerada, a investigação envolvendo a irmã Sandrinha tem como formação de quadrilha, tráfico, pregava contra drogas, em seus abrigos, onde na verdade a maior lavagem e venda de drogas estava justamente lá, ela teve os bens bloqueado e não pode sair de casa, a mãe de Beatriz apareceu, junto dela várias denuncias, grande maioria crimes de pistolagem e mito mais. Ela se dizia santa mas mal sabia rezar. Passou um tempo nosso plano fez um por um cair, abandonei a casa e fui viver minha vida, eu e Rian somos muito amigos, ele casou com Marcelo e ainda fui madrinha, conseguimos viver um pouco mais, ele e Marcelo estavam muito bem e eu focada no meu trabalho. Acompanho Beatriz, nunca a esqueci, torço por ela, hoje vejo o que não via, mas essa tal Alice não sai de cima.
(Beatriz)
Quando Alice bateu na porta do jeito que estava encostada continuei, respondi sem parecer nada afinal, Amanda estava de baixo da saia da mãe e o segredo da minha precisava ser mantido, entendi que ela e um cara estavam tentando pegar a mãe, que não foi ela que mandou as mensagens e quando ela veio me beijar estava sem defesa, aí Alice meteu um: “ Não tem nada que eu saiba que você tem”. A mulher saiu fumando uma quenga¹( fumando uma quenga= com muita raiva). Chamei e ela só seguiu.
Alice:- Não sabia que tinha alguém com você!
Beatriz:- Minha ex!
Alice:- Não adianta ficar com essa cara, vai atrás dela!
Beatriz:- Eu não fiz nada!
Alice:- Pega a moto e vai atrás dela, nós somos primas e amigas, uma coisa que você nunca me deu foi brexa e agora que não tenho culpa você vai se explicar.
Beatriz:- Avisa a Marília?
Alice:- Eu aviso!
Beatriz:- Agora?
Alice:- Acabei de mandar mensagem vou mandar ela encontrar ela na saída do parque, afinal ela tem que sair.
Peguei a moto e fui devagar na esperança de pegar ela no caminho da entrada, fui pelo caminho aberto, foi quando lembrei que ela não estaria a pé, com certeza tinha vindo de carro, fui pelo estacionamento e ela está chorando no peito de um cara, provavelmente o que ia casar. Quando cheguei e começamos a trocar farpas, ele falou: “Meninas vocês estão de cabeça quente por favor!”. Nenhum um homem fala desse jeito, com certeza é gay, por isso ele tá ajudando ela. Mas ela tá mexida demais pra perder tempo. Eu não podia arriscar minha vida e de quem eu amo ali, estávamos muito expostas. Me despedi e sai.
Quando cheguei no trailer estava lá minha avó, minha mãe e o Bernardo. Abracei minha família e pouco depois aparece um homem, muito bonito, parecia um pouco o tal Bruno mas com cara mais simpática. Ele se apresenta como marido da minha mãe, matei a saudade do meu irmão e da minha avó, e por ali ficamos até da a hora de partir.
Vida de vaquejada não tem lugar fixo, dependendo onde você vai competir será sua casa durante um tempo. E assim vivemos longe da família e dos laços, minha mãe contou muita coisa, falou sobre o período de fome que passou, pois sua sogra não aceitava o filho com uma vaqueira, até ela ser roubada por uma mulher que se passava de boa moça e no final era uma trambiqueira, até hoje Bruno não casou e nem tem ninguém, pois se apaixonou pela tal mulher e ela o enganou, foi com o dinheiro dos prêmios da mamãe e do Breno que ergueram a família, depois da equipe foi formada e eles administram e buscam melhorar a vida de todos. Depois do telefonema do Sr. André, pedindo para entrar na equipe do senhor Teixeira, tudo ia mudar, e estava mudando, tentava ganha r a vida de outras formas como nas redes sociais, mostrando a vida da vaqueira e da vaquejada, no começo foi difícil mas tive muita ajuda, Gisele era minha social mídia a distância, ela e meu irmão depois do casamento pareciam muito mais fortes e sólidos, Marília sempre esteve comigo, se encontrou, ate que tentou continuar o relacionamento mas é impossível tendo em vista o tempo que passamos fora. A parte administrativa da fazenda e do Haras do Senhor André ela cuidava de todo o resto, como venda, vacinação e de gado e outras coisas era os que estavam lá que cuidavam. Ah, já ia esquecendo minha mãe teve mais uma filha ela nos apresentou no mesmo dia que apresentou o Bruno, e assim que saímos Ceará depois daquele dia passamos por mais três estados fiquei em segundo lugar em um e nos outros dois fui primeiro, Samela sempre estava ali bem próximo, nos tornamos boas amigas, Agora éramos um quarteto perigoso, eu, Marília, Samela e Aline, essa era pinga fogo, difícil era segurar. Estava indo de volta ao Ceará e dessa vez final de circuito.
