CRONOLOGIA: Os eventos narrados aqui vão de 28 de julho de 2025 (segunda-feira) a 30 de julho de 2025 (quarta-feira).
Olá, queridos leitores. Meu nome é Sarah, tenho 27 anos, e sou casada com Érico, que tem 28. Esta é a história das nossas confusões e puladas de cerca que aconteceram durante uns meses muito loucos em que resolvemos abrir o relacionamento sem ter muita noção de como isso realmente funcionaria e de como lidamos com tudo isso.
Normalmente, o Érico é o nosso narrador oficial, mas ele está meio ocupado treinando pro jogo de quinta e pediu pra que eu escrevesse este capítulo. Pra quem não me conhece, sou engenheira civil, com doutorado, e trabalho em uma daquelas construtoras gigantes que fazem prédios enormes parecerem pequenos. Sempre fui dedicada e responsável, mas quem me conhece sabe que também tenho um humor ácido e provocativo, daqueles que aparecem quando menos se espera. Meus peitos são cheios e firmes, mas sem exagero; meu quadril e minha bunda são proporcionais, elegantes, e as pernas longas e finas, começando em coxas firmes que sempre chamam a atenção. Meus olhos castanho-escuros e meu cabelo preto, em ondas que caem até o meio das costas, completam a imagem que eu sei que desperta olhares.
O Érico é analista em uma grande empresa de tecnologia. Ele é moreno claro, de cabelo curto, olhos castanho-escuros, corpo comum, nem muito forte nem magro demais. Eu adoro olhar para ele, mesmo que seja apenas pelo simples prazer de ter o homem que escolhi ao meu lado.
Mesmo depois de anos de casada com Érico, ainda sinto aquele frio no estômago quando ele me olha de um jeito que só ele sabe, ou quando estou perto dele e percebo a intensidade do nosso vínculo. Não precisa de muito para que eu deseje esse homem; ele simplesmente existe, e isso basta para mim.
Nosso capítulo começa logo após a reunião da sauna que a Eliana marcou conosco.
Durante a reunião fiz a besteira de levantar a mão pra ajudar a salvar o time do Rogério sem pensar em como faria isso.
Esse tipo de coisa sempre acontecia comigo. Alguém dizia “precisamos fazer alguma coisa”, eu me emocionava, aceitava uma missão e, duas horas depois, descobria que a minha parte envolvia convencer homens a enfrentar o Enéias e seus amigos num campo de futebol. Isso depois que todos já tinham corrido pro lado do médico gostosão.
Saí do vestiário da sauna com o cabelo ainda úmido. O Érico já tinha sido sequestrado pelo Carlos e pela Natália para a matrícula na academia e alguma tortura aeróbica no parque. Antes de ser levado, ele me deu um beijo rápido, fez uma cara sofrida e murmurou que me amava caso não sobrevivesse.
Prometi honrar sua memória e fiquei com a parte difícil de arrumar gente pro time.
Na saída, avisei no grupo que tentaria alguém do condomínio. O problema apareceu assim que comecei a passar os nomes na cabeça. Quase todos já tinham se enfiado no time do Enéias ou arrumado desculpa para não o contrariar. Seu Geraldo trabalharia no horário do jogo. Roberto significava chegar perto demais da Marieta. Restava o seu Raimundo.
Fiquei parada diante do elevador. Seu Raimundo tinha 73 anos. Eu estava cogitando mandar um velho magrelo correr atrás de bola contra homens competitivos e agressivos porque não conseguiria convencer ninguém melhor. A ideia de escalar aquele velhinho contra o Enéias parecia uma tentativa de homicídio culposo. Ainda assim, ele gostava de se sentir jovem, útil e comedor. Conhecia essa parte dele bem demais.
Entrei no meu apartamento e fechei a porta. Fiquei encostada nela, pensando na minha situação. Eu tinha aceitado ajudar. O Rogério era meu melhor amigo e um dos caras mais corretos daquele lugar. A Jéssica tinha pedido apoio. O Érico, o meu marido lindo e sedentário, estava disposto a ser atropelado em campo por amizade.
Eu precisava fazer alguma coisa.
Fui direto pro quarto e abri o armário. A primeira ideia foi vestir qualquer camiseta confortável e conversar com o seu Raimundo como uma pessoa normal. A segunda ideia venceu.
Peguei uma regata preta, fininha e colada. Tirei o sutiã antes de vestir. Quando me olhei no espelho, confirmei o óbvio: meus seios apareciam bastante sob o tecido. Eram cheios, naturais, com peso suficiente pra marcar a regata sem esforço. Meus mamilos escuros ficavam visíveis quando o tecido encostava direito na pele. Completei com uma calça jeans justa, que valorizava a minha bunda média e alongava ainda mais minhas pernas compridas.
Fiquei me encarando no espelho, sentindo vergonha da minha própria estratégia.
— Sarah, você está usando os peitos pra convencer um idoso a jogar futebol.
A pior parte foi perceber que aquilo parecia um plano racional dentro das opções disponíveis.
Seu Raimundo quase sempre passava parte da noite numa salinha comum perto do hall, lendo jornal, jogando paciência no celular ou conversando com algum aposentado. Desci tentando parecer casual. O problema era que eu tinha zero capacidade de agir casualmente quando estava consciente de que meus seios estavam evidentes para todos.
Ele estava sozinho, sentado numa poltrona, com um jornal dobrado sobre as pernas. Usava calça bege, camisa polo e chinelos. Ao me ver entrando, levantou as sobrancelhas e abriu um sorrisão daqueles.
— Boa noite, minha jovem.
— Boa noite, seu Raimundo. Tudo bem?
— Boa noite, minha jovem. Agora melhorou.
Sentei na poltrona ao lado, tentando parecer casual. Cruzei as pernas, descruzei e acabei chamando ainda mais atenção para mim. O velho olhou para meus seios sem qualquer pudor e voltou ao meu rosto, sorrindo.
— Você veio conversar ou pretende me matar do coração?
— Vim pedir ajuda. O Rogério ainda precisa de jogadores para enfrentar o Enéias na quinta. Quase todo mundo abandonou o lado dele porque o Enéias ameaçou quem ajudasse. Eu queria saber se o senhor toparia entrar no time do Rogério.
Seu Raimundo foi ficando sério enquanto me ouvia. A expressão maliciosa diminuiu um pouco, embora os olhos dele ainda caíssem na minha regata vez ou outra.
— Eu nunca gostei daquele rapaz Enéias — comentou. — Bonito e cheio de mulher atrás, tudo bem. O problema é que ele gosta demais de fazer todo mundo saber disso. Homem que vive se mostrando costuma ficar agressivo quando alguém não se impressiona.
— Então, o senhor entra no time do Rogério?
— Calma. Eu disse que não gosto do sujeito. Ainda não disse que vou correr atrás de bola durante uma hora e meia contra homens com menos da metade da minha idade.
Meu coração afundou.
— Mas o senhor jogava futebol, não jogava?
— Joguei muito. Em outro século.
— O senhor ainda parece bem disposto.
— Sarah, disposto eu fico para coisas específicas. Futebol exige joelho.
Ajustei a regata num gesto involuntário. Péssima ideia. O tecido se esticou nos seios e os olhos dele acompanharam.
— O Rogério só precisa de alguém que esteja disposto a ajudar — insisti. Me inclinei para a frente, na tentativa de parecer convincente. O movimento fez a regata decotar um pouco mais. — O senhor ajudaria muito. O Rogério é uma pessoa boa. O Enéias está usando intimidação pra ganhar uma partida idiota. Isso é injusto.
— Concordo com tudo isso.
— Então aceita?
Seu Raimundo dobrou o jornal com cuidado e pousou no braço da poltrona.
— Sarah, deixa eu explicar uma coisa. Você começou bem. Aí, ficou nervosa e tentou ganhar a discussão com os peitos.
Abri a boca, ofendida por reflexo.
— Eu não tentei...
Ele apontou discretamente pra minha regata.
— Eu só queria aumentar minhas chances.
— Você é gentil e sabe conversar. Não precisa mostrar os bicos para pedir um favor. Embora eu agradeça o esforço.
A vergonha veio junto de uma tristeza besta. Eu realmente tinha achado que, sem botar meus seios na negociação, voltaria para o grupo de mãos vazias. Seu Raimundo soltou um suspiro e se inclinou um pouco na minha direção.
— O Enéias é metido a machão. Acha que intimidar os outros faz dele maior. Não tenho simpatia nenhuma por ele.
Olhei para ele, esperançosa.
— Então aceita? — perguntei.
— Eu aceito se você me deixar fazer uma massagem nas suas costas. Você anda muito tensa. Eu posso cuidar disso.
Demorei alguns segundos pra entender que ele estava oferecendo fazer a massagem em mim, e que aquilo provavelmente terminaria com as mãos dele descendo muito além das minhas costas caso eu desse abertura. Devia ter agradecido pela consideração e ido embora. Em vez disso, fiquei ali, com os peitos marcados na regata.
— Nas costas. E só se o Érico permitir antes.
— Você está negociando melhor agora — brincou o velho Raimundo. — Por mim, combinado. Palavra dada?
Apertei a mão dele.
— Palavra dada.
Saímos da salinha em direção ao elevador. Eu caminhava ao lado dele tentando organizar o que diria ao Rogério. Era melhor um velho setentão do que ninguém.
Poucos minutos depois, estávamos diante da porta do Rogério. Minha regata preta continuava colada aos seios, sem sutiã, porque naquele ponto nem adiantava fingir. O velho caminhava satisfeito. Toquei a campainha.
O Rogério abriu a porta. Ele olhou pra mim, depois pro seu Raimundo, depois de volta pra mim. A cara dele já dizia que eu tinha levado um problema até a porta.
— Boa noite, Rogério — falei, animada. — A gente tá atrapalhando?
— Não, claro que não — respondeu ele, abrindo mais a porta. — O que houve?
Eu sorri, orgulhosa demais pra quem tinha resolvido um problema sem checar se a solução era sensata.
— Você ainda tá precisando de jogadores pro time?
— Tô, sim.
Puxei o seu Raimundo pelo braço e coloquei o velho pra frente.
— Então pronto. Arrumei um voluntário.
O Rogério me encarou por um segundo longo demais.
— Sarah... O seu Raimundo tem 73 anos.
— E daí? — rebati, automática.
Na minha cabeça, aquilo soou firme e cheia de respeito pela terceira idade. Na prática, eu estava tentando escalar um aposentado pra enfrentar uns monstros de 30 anos em forma e sem receio de machucar. O seu Raimundo nem deixou o Rogério completar.
— Velho eu posso até estar, mas fraco, não — disse ele, inflando o peito magricela. — Joguei muita bola entre os anos 70 e 90. Várzea, campeonato de bairro. Até troféu eu tenho de campeão e artilheiro eu tenho.
Quase bati palma. Aí a Jéssica apareceu atrás do Rogério. Ela estava de braços cruzados, com aquele corpo atlético-curvilíneo dela ocupando a porta. A expressão focada no seu Raimundo. Entendi na hora que eu tinha pisado num assunto proibido.
— O senhor ainda está proibido de pisar neste apartamento — disse ela, num tom mortal demais.
O seu Raimundo abriu a boca, fechou, e pela primeira vez desde que eu o conhecia pareceu sem resposta. Aquilo me preocupou. Quando um homem de 73 anos com lábia pra convencer parede a abrir as pernas ficava quieto, a situação era séria.
— Gente, o que tá acontecendo?
O Rogério respondeu rápido demais.
— Nada demais — interveio ele. — O seu Raimundo derramou leite na ca... no chão da cozinha e a Jéssica pegou raiva dele desde então.
Eu olhei pra ele. Depois pra Jéssica. Depois pro seu Raimundo. Leite. No chão da cozinha. Aquela pausa no meio da frase entregava que tinha coisa muito pior ali. Pela cara da Jéssica, se tinha leite envolvido, o problema passava longe de laticínio. Ainda assim, eu tinha um objetivo.
— Tá. Mas ele pode jogar? — voltei ao assunto.
O Rogério respirou como quem tentava impedir uma tragédia.
— Sendo bem sincero, eu fico preocupado com a saúde dele — falou. — Não quero menosprezar o senhor, mas o senhor já tem 73 anos e não se exercita com frequência. O máximo que eu me sentiria seguro seria te deixar como reserva. Só entra se acontecer alguma emergência muito grande.
Achei razoável. O seu Raimundo achou uma afronta.
— Vocês subestimam demais os velhos — respondeu seu Raimundo. — Eu subo escadas melhor que muito cara de 30.
Olhei pro Rogério com cara de “viu?”. Devia ter ficado quieta.
— Subir escada não é a mesma coisa que levar um carrinho do Enéias — respondeu Rogério, apontando os riscos. — O Amarildo da Torre-B vai estar no time dele. Quer se arriscar?
O nome Amarildo mudou a expressão do seu Raimundo.
— O Amarildo???? — reagiu seu Raimundo, que parecia conhecer do futebol das antigas. — O Enéias é louco? Isso deveria ser um amistoso!
Fiquei olhando de um homem pro outro, tentando entender como as coisas conseguiram escalar mais ainda. Agora, tinham recrutado ex-profissionais aposentados e, ainda por um cima, um zagueiro carniceiro. O seu Raimundo suspirou, resignado.
— Reserva ainda é jogador. Pode contar comigo na quinta, mesmo se eu não entrar.
Também suspirei. Era uma vitória pela metade, com risco ortopédico e a Jéssica me olhando como se eu tivesse levado um problema velho e calvo até a porta dela.
— Tá bom. A gente se fala então.
O Rogério fechou a porta. Eu me virei com o seu Raimundo no corredor, pronta pra ir embora e fingir que aquela visita tinha sido normal.
Aí ele soltou, com a naturalidade de quem pedia açúcar emprestado:
— Ainda posso te dar aquela massagem que você prometeu se eu jogasse?
Parei por meio segundo. Eu precisava parar de prometer coisa pra velho safado. Eu era casada, tinha relacionamento aberto, mas ainda tinha limites e a minha cota de ser comida por velho safado estava estourada. Respirei fundo.
— A gente vê isso depois, Raimundo — respondi, desconversando. — Vou falar com o Érico primeiro, tá?
Na terça de noite, estava pronta pro meu date com o Miguel. Depois de dar para dois velhos, Roberto e Geraldo, eu finalmente iria ter uma noite de sexo com um gostosão da minha idade.
Cheguei à entrada do cinema pouco antes das 20h, tentando parecer uma mulher tranquila, embora tivesse passado tempo demais conferindo a blusa, a saia e o cabelo. O medo de Miguel simplesmente não aparecer vinha das lembranças do furo do carinha do Tinder, que me deixou esperando sozinha na mesma noite que o Érico comeu a ruiva bunduda mais gostosa do mundo. Desde então, uma parte de mim acreditava que qualquer homem gostosão precisava apenas achar uma opção melhor para desistir de sair comigo.
E o Miguel era bonito num nível ofensivo. Médico alto, de pele morena, corpo atlético sem exagero, barba cuidada e sorriso torto. Eu já conseguia imaginá-lo me olhando de perto e concluindo que podia ter escolhido melhor, sobretudo depois da videochamada humilhante em que eu e Érico explicamos que meu marido autorizava aquele date.
Meu consolo era ter caprichado na roupa. A blusa escura marcava meus seios sem parecer exagerada, e a saia clara deixava minhas pernas bonitas o bastante para justificar o risco de tropeçar de sandália. Quando o vi encostado numa coluna, de camisa preta com as mangas dobradas, pensei em ir embora e inventar um acidente doméstico. Então ele me viu, sorriu e continuou ali. Respirei fundo e fui até ele.
O sorriso apareceu no rosto dele imediatamente, aquele sorriso levemente torto que parecia ter sido inventado só para atrapalhar mulheres casadas com autoestima oscilante. Ele não fez cara de arrependimento e nem olhou para os lados procurando uma fuga. Aquilo deveria ter me acalmado.
Não acalmou. Só me deixou consciente de que agora eu teria de conversar com ele.
— Oi — falei, sorrindo enquanto apertava a alça da bolsa com força demais. Minha voz saiu normal, embora por dentro eu estivesse em pane.
— Oi.
Ele se aproximou e deu um beijo leve no meu rosto. A barba roçou minha bochecha, o perfume dele chegou perto demais e eu prendi a respiração como uma novata sem qualquer histórico de contato masculino.
— Você está linda — falou ele, olhando para mim com uma calma que me deixou ainda mais nervosa. Como demorei a responder, ele repetiu — Você está linda.
— Obrigada. Você também está... você. Quer dizer, bonito. Está bonito.
No instante em que terminei a frase, quis voltar cinco segundos no tempo e impedir a mim mesma de dizer que um homem estava “ele”.
— Fico feliz por continuar sendo eu. Tive medo de vir outra pessoa no meu lugar.
O Miguel riu, e o pior foi perceber que ele conseguia transformar minha idiotice em brincadeira sem me fazer sentir ridícula.
— Sou péssima nisso.
— Em quê? A pergunta veio com um sorriso paciente, o que só piorou meu estado.
— Encontro. Conversa. Parecer normal.
Empurrei uma mecha do cabelo para trás da orelha, e ela caiu de novo quase imediatamente.
— Achei que você fosse chegar atrasado — falei, mudando de assunto antes de começar a confessar defeitos pessoais.
— Para encontro com mulher bonita, eu chego antes.
Baixei os olhos, sorrindo, porque ele falava como se me achar bonita fosse verdade.
— Vamos entrar? — perguntei, antes que eu derretesse no piso do shopping.
— Vamos.
Ele caminhou ao meu lado, e eu tentei acreditar que tinha sobrevivido aos primeiros minutos sem arruinar tudo.
Eu tinha escolhido um filme de ficção científica cheio de naves e explosões, com uma inteligência artificial dramática demais para ser confiável. Pensei em escolher algo sofisticado para impressioná-lo, mas concluí que seria melhor descobrir cedo se Miguel me julgaria por gostar de bobagem espacial.
— Eu sei que provavelmente vai ser ruim — comentei enquanto entrávamos na fila da pipoca. — Mas é o tipo de ruim que eu gosto. Se tiver nave grande e alguma fala dramática sobre salvar a humanidade, eu já estou satisfeita.
— Você é fácil de agradar.
O sorriso dele deu à frase uma interpretação que provavelmente existia apenas porque eu já estava pensando em sexo.
— Não exagera. Ainda posso julgar seu gosto depois.
— Julga à vontade.
— Eu quis dizer comida, restaurante, essas coisas.
Arrependi-me no mesmo instante, porque ninguém tinha pedido esclarecimento.
— Claro.
O sorriso dele aumentou, e eu preferi rir em vez de dizer mais alguma besteira.
Compramos pipoca e refrigerante. Enquanto eu andava ao lado dele, consciente demais da proximidade entre nossos corpos, uma pessoa passou depressa e eu bati no balde, espalhando parte da pipoca no chão. Claro. Bastava sair com um homem absurdamente gostoso para eu perder qualquer coordenação motora.
— Ai, meu Deus, desculpa — falei pra funcionária, abaixando-me para ajudar, embora ela insistisse que estava tudo bem. Minha saia subiu nas coxas quando me agachei, e percebi tarde demais.
Ao me levantar, encontrei Miguel sorrindo. Ele tinha olhado, e a parte mais humilhante era o quanto aquilo me agradava.
— Perdi metade da pipoca antes do filme começar.
— Valeu a pena.
— Pela pipoca?
— Pela vista.
Apertei os lábios para esconder o sorriso e fingi me interessar pelo painel das sessões, sentindo o rosto esquentar.
Entramos na sala, e eu me sentei ao lado dele tentando parecer capaz de assistir a um filme sem entrar em colapso por causa da presença de um homão da porra gostoso tancudo. Coloquei a bolsa perto das pernas, arrumei a saia e tentei prestar atenção à nave na tela, mas percebia cada movimento de Miguel na poltrona.
Aos poucos, fui relaxando. Comentei baixinho uma cena absurda, ele riu e meu joelho esbarrou no dele. Esperei que se afastasse, mas o Miguel continuou ali, perto, como se o contato fosse natural. Não pedir desculpa pareceu uma ousadia enorme.
Pouco depois, nossas mãos se encontraram no balde de pipoca. Puxei a minha por impulso e fiquei arrependida na mesma hora. O Miguel deixou a mão aberta sobre o apoio entre nós.
— Pode pegar. O convite veio simples, sem zombaria pela minha hesitação.
Olhei para a mão dele e depois para o rosto dele. A luz da tela iluminava metade da barba e o sorriso discreto. Ele não estava rindo da minha hesitação. Não estava me apressando. Só tinha aberto a mão para mim, como se dissesse que eu podia chegar mais perto no meu ritmo, sem cobrança, sem precisar atuar como uma mulher mais experiente em dates.
Passei meus dedos pelos dele e entrelacei nossas mãos devagar. Quando o Miguel apertou de leve, acomodei-me mais perto, com o ombro encostado no braço dele. Era ridículo o quanto aquele toque simples mexia comigo, considerando que eu era casada e já tinha vivido coisas bem menos inocentes.
Em uma cena barulhenta, inclinei o rosto perto do ouvido dele para fazer um comentário. Quando percebi a proximidade da boca dele, perdi a linha do pensamento. O Miguel virou um pouco o rosto, e achei que me beijaria ali. Ele continuou segurando minha mão, deixando o desejo crescer sem me apressar.
Quando as luzes acenderam, soltei a mão dele apenas para pegar minha bolsa. Eu ainda estava corada, mas já não sentia que ele procurava um motivo para desistir de mim.
— Gostou? — perguntei.
— Muito.
O modo como ele respondeu deixou claro que o filme não era o único assunto.
— Vamos comer alguma coisa?
— Vamos. Ainda quero ficar olhando para você por bastante tempo.
Passei na frente dele para sair da fileira, muito consciente da saia sobre a minha bunda e do fato de que, se ele estava olhando, eu não queria exatamente que parasse.
Saímos do cinema em direção a um restaurante próximo. O Miguel tinha escolhido um lugar tranquilo, com mesas espaçadas e cardápio comum o bastante para eu não temer pratos pretensiosos. Caminhei ao lado dele segurando a bolsa perto do corpo, sorrindo toda vez que nossos braços se encostavam.
Sentamos numa mesa mais reservada. Coloquei a bolsa na cadeira ao lado e cruzei as pernas. A saia subiu um pouco, e vi os olhos de Miguel descerem até minhas coxas antes de voltarem para o meu rosto. Eu tinha escolhido aquela roupa para ele olhar, mas ainda assim fiquei nervosa quando funcionou.
— Eu devia ter vindo de calça.
— Ainda bem que não veio.
Mordi o canto do lábio e abri o cardápio sem conseguir ler nada.
— Você é sempre tão direto?
— Quando acho a mulher muito gostosa, sim.
Ele não estava me tratando como uma moça simpática que tinha aceitado jantar com ele. Ele tava com tesão mesmo.
— Você fala essas coisas com uma tranquilidade absurda.
— Eu estaria mentindo se fingisse que vim aqui só para discutir cinema.
O garçom apareceu antes que eu precisasse inventar uma resposta minimamente digna.
Fizemos os pedidos, e eu dobrei a ponta do guardanapo para ocupar as mãos. Quando ergui os olhos, Miguel estava me observando com um tesão tão claro que até a minha insegurança teve dificuldade de contestar.
— Você está me olhando muito — falei, baixinho.
— Estou mesmo.
— Assim eu não consigo pensar.
— Ótimo sinal.
Tomei um gole de água rápido demais e quase engasguei, o que combinava perfeitamente com o nível de elegância que eu vinha demonstrando.
— Eu queria parecer mais elegante hoje.
— Você está linda. E essa parte atrapalhada só deixa mais gostoso olhar para você.
Por alguns instantes, fiquei sem resposta. Eu estava acostumada a esconder minha ansiedade para parecer merecedora de interesse. Com o Miguel, minhas falhas apareciam e ele continuava querendo ficar perto. Aquilo me deu coragem suficiente para parar de me vigiar o tempo inteiro.
Quando a comida chegou, a conversa ficou mais fácil. Falei do trabalho, das reuniões intermináveis no computador e do prazer de desligar uma chamada depois de lidar com alguém insuportável. Também contei da academia do condomínio, onde o treino frequentemente virava sessão de fofoca.
— Então você é dessas que diz que não vai e aparece pronta antes de todo mundo? — perguntou ele.
— Às vezes. Principalmente quando me convencem direito. Tentei soar provocante, mas só percebi a ambiguidade depois que já tinha falado.
— Bom saber.
O tom dele fez minhas pernas se apertarem discretamente sob a mesa. Ele só precisava responder daquele jeito, tranquilo.
Miguel contou do hospital e das folgas que usava para ir à praia ou fazer trilha. Quando falou de surfe, imaginei aquele corpo numa prancha e tive dificuldade de continuar fingindo que a conversa era inocente.
— Tenho paciência para muita coisa com você — respondeu quando perguntei se ele ensinaria alguém incapaz de ficar em pé numa prancha.
— Isso foi uma cantada descarada.
— Foi um convite. Sorri para o prato, querendo aceitar bem mais do que uma aula de surfe.
Falamos de futebol e videogame, e eu consegui ficar mais parecida comigo mesma. Discordei de uma opinião dele sobre um jogo e o chamei de herege. O Miguel riu, e eu relaxei o bastante para me inclinar sobre a mesa enquanto explicava meu argumento. O olhar dele caiu direto para o meu decote.
— Você nem disfarça — murmurei.
— Com esse peito na minha frente, disfarçar seria falta de respeito.
Fechei os olhos por um instante.
— Você vai acabar me deixando sem saber o que falar.
— Não precisa falar o tempo todo.
A forma como ele disse aquilo fez minha boca secar.
Eu queria beijá-lo. Muito. Mas também queria correr para o banheiro e mandar 50 mensagens para o Érico em letras maiúsculas dizendo que eu não tinha estrutura psicológica para lidar com aquilo. Mas, de alguma forma, fiquei.
Quando levantei para ir ao banheiro, precisei fazer um esforço consciente para caminhar normalmente. Eu sabia que Miguel provavelmente olharia para mim. A ideia me deixava insegura e excitada ao mesmo tempo, uma mistura que eu começava a reconhecer como o estado natural daquela noite.
No espelho do banheiro, fiquei alguns segundos encarando meu próprio rosto. Eu estava corada. O cabelo estava aceitável. O decote continuava no lugar. A maquiagem não tinha borrado. Parecia, para todos os efeitos, uma mulher que sabia exatamente o que estava fazendo.
— Você está saindo com um homão gostoso, ele está claramente a fim de você e você não precisa ficar com medo — falei para o meu reflexo, baixinho, porque aparentemente eu precisava de um discurso motivacional no banheiro para continuar um encontro.
Uma mulher que lavava as mãos ao meu lado me lançou um olhar rápido. Eu sorri como se fosse perfeitamente normal conversar consigo mesma diante do espelho e saí antes que ela oferecesse ajuda psiquiátrica.
Quando voltei para a mesa, Miguel já me observava. O olhar percorreu meu corpo com calma, detendo-se na saia e no meu peito quando me aproximei. Ajeitei o tecido sobre as coxas, usando o gesto para disfarçar o nervosismo.
— Você ficou me secando enquanto eu andava?
— Fiquei.
Ri baixinho, aliviada com a honestidade dele.
— Pelo menos é honesto.
— Você preferia que eu mentisse?
Pensei em quantas vezes já tinha tentado adivinhar o interesse de homens que me deixavam insegura. Miguel dizia com clareza que me queria, e aquilo tornava tudo mais fácil.
— Não. Acho que prefiro saber.
Ele passou o polegar pelos meus dedos sobre a mesa, e meu corpo respondeu imediatamente.
— Então, sabe também que eu estou me segurando para não te beijar desde o cinema.
Meu coração bateu forte. Eu tinha desejado a mesma coisa durante o filme e passado boa parte da noite duvidando dos sinais.
— Por que está se segurando?
— Porque eu estava gostando de ver você chegar até aqui comigo.
A resposta me acalmou.
— E agora?
— Agora, estou pensando em onde você quer que a noite continue.
Eu podia ir embora, mas a ideia já parecia absurda. Queria beijá-lo e queria tirar aquela camisa dele.
— Eu não queria ir embora ainda.
— Nem eu.
— Seu apartamento fica longe?
— Perto.
Respirei fundo antes que minha coragem resolvesse fugir.
— Então me leva para lá.
O tesão no rosto dele ficou mais evidente, e o Miguel apertou minha mão.
Pagamos a conta. Ao levantarmos, o Miguel apoiou a mão nas minhas costas para passarmos entre as mesas, e meu corpo reagiu ao toque com uma facilidade constrangedora. Do lado de fora, caminhei perto dele até o estacionamento, deixando nossos braços se encostarem sem fingir que era acidente.
Eu amava o Érico, sabia que tudo estava combinado entre nós e ainda assim o Miguel mexia em uma insegurança antiga: ele era o tipo de homem que eu sempre tinha considerado inalcançável.
Assim que entramos no apartamento, o Miguel acendeu as luzes e deixou as chaves sobre a mesa. Entrei segurando a alça da bolsa. A sala tinha um sofá confortável, uma estante e uma prancha encostada num canto. Simples e arrumado.
Tirei as sandálias perto do tapete. Sem elas, fiquei menor diante dele, o que só aumentou minha vontade de ser puxada para perto. Quando percebi que o Miguel olhava para minhas pernas, ri.
— Estou avaliando a decoração — falou ele.
— Claro. A decoração nas minhas pernas.
— É a melhor parte do ambiente desde que você entrou.
Deixei a bolsa sobre o sofá e me virei. Os olhos dele desceram novamente para meus seios, e o calor que senti já vinha acompanhado de uma confiança que eu não tinha ao chegar ao cinema.
— Quer água? — perguntou.
— Quero.
A resposta saiu porque eu realmente precisava beber alguma coisa antes que minha boca secasse completamente ou eu resolvesse substituí-la pela boca dele sem qualquer cerimônia.
Miguel foi até a cozinha, e eu me aproximei de uma foto de praia na estante para ter algo em que prestar atenção. Quando ele voltou, entregou-me um copo de água.
— Você gosta mesmo de praia — comentei, apontando para a foto.
— Gosto. Principalmente quando tenho companhia boa.
— Eu gosto de praia, mas sou péssima em qualquer coisa que envolva equilíbrio.
— Posso descobrir isso pessoalmente.
Sorri contra a borda do copo, imaginando que aceitaria facilmente aquele convite. Quando terminei a água, deixei o copo sobre a mesa. Miguel se aproximou devagar, e meu corpo percebeu a mudança antes que eu conseguisse pensar em qualquer coisa para dizer.
— Você é ainda mais bonita de perto — falou ele.
— Você já falou que eu sou bonita várias vezes hoje.
— Ainda estou com vontade de falar mais.
Ri baixo e toquei os botões da camisa dele, sentindo o peito firme por baixo do tecido. Miguel afastou uma mecha do meu cabelo e deslizou os dedos pela lateral do meu pescoço. Fechei os olhos por um instante, inclinando o rosto contra a mão dele.
A segurança de Miguel já não me fazia sentir pequena. Ele tinha visto minha ansiedade, minhas frases tortas e o desastre da pipoca, e continuava ali, querendo meu corpo. A mão na minha cintura desceu até o começo da minha bunda por cima da saia. Soltei o ar pela boca, e meus dedos se fecharam na camisa dele.
— Miguel...
— Fala.
Tentei responder, mas só consegui sorrir e me aproximar. Meus seios encostaram no peito dele, e a sensação apagou o resto da insegurança que ainda sobrava.
— Vem cá — falou ele.
Eu fui sem hesitar, e Miguel me puxou pela cintura e beijou a minha boca.
Ele me puxou pela cintura e beijou minha boca.
No começo, travei nos braços dele. Meu corpo demorou meio segundo para aceitar aquilo que a minha boca já tinha decidido muito antes. Depois, a minha mão fechou na camisa dele e eu parei de fingir qualquer compostura.
A língua dele veio junto da minha, e o beijo saiu do modo “primeiro beijo educado entre adultos responsáveis” para “meu Deus, Sarah, lembra que você tem um marido e uma reputação mínima” em tempo recorde. O peito dele era firme contra mim, e eu sentia o calor do corpo dele por baixo da roupa. O Miguel era gostoso de um jeito irritante. Parecia injusto com a população masculina geral.
A mão dele desceu pela minha cintura até a minha bunda por cima da saia. Quando ele apertou, meu corpo respondeu. Gemi na boca dele e me empurrei contra seu corpo, sentindo o pau duro dele por trás do jeans. Aquilo me deu um choque de tesão tão forte que quase me fez rir de nervoso. Eu já sabia que ele era bonito e charmoso. Só não tinha me preparado direito para o pacote completo encostado em mim.
Minha mão desceu pela barriga dele, passou pelo cinto e parou. Porque eu sou a mesma pessoa que consegue dar em cima de um homem por videochamada e, ainda assim, travar na hora de pegar no pau do cara.
— Pode mexer — ele falou contra a minha boca.
Soltei uma risada curta, nervosa, daquelas que entregavam que eu estava a dois passos de virar uma idiota completa. Beijei Miguel de novo e dessa vez deixei a mão voltar. Toquei o pau dele por cima do jeans, devagar, sentindo o volume. Prendi a respiração. Era grande mesmo.
— Caralho, Miguel...
Ele riu baixo, daquele jeito que dava vontade de bater e beijar ao mesmo tempo, e desceu a boca para o meu pescoço. Inclinei a cabeça, dando espaço, porque aparentemente meu corpo tinha decidido colaborar com o projeto “Sarah perde a linha com médico gostosão”. A barba dele roçou a minha pele, e aquilo me arrepiou inteira. A mão dele subiu pela minha barriga por cima da blusa até os meus seios. Quando apertou os dois, gemi de novo e me abandonei um pouco mais nos braços dele.
— Eu pensei nesses peitos a noite inteira.
— Eu percebi.
Olhei para ele com o rosto quente e a boca entreaberta. Eu devia estar com vergonha. Estava um pouco. Só que o tesão estava vencendo por goleada e, como torcedora que entende de vexame, reconheci a derrota cedo. Puxei a barra da blusa para cima, e Miguel ajudou. A blusa saiu pelo meu cabelo, meio desajeitada, e eu abri o sutiã com pressa demais para fingir charme.
Fiquei parada por um instante, com os seios livres, esperando a reação dele. Eu sabia que Miguel me queria, mas uma coisa era saber. Outra era ficar seminua na frente de um homem bonito daquele, com o coração parecendo bateria de escola de samba.
A reação dele foi agarrar meus seios com as duas mãos e enfiar a boca em um deles.
— Puta que pariu — gemi, levando a mão à nuca dele.
O Miguel chupou meu peito com vontade. Passou a língua no mamilo, mordeu de leve e me fez apertar os dedos no cabelo dele. Aquilo era muito bom. Ele tinha uma boca segura, mãos firmes e aquele peito roçando em mim quando eu mesma comecei a abrir os botões da camisa dele de qualquer jeito. Quando consegui tirar a camisa, encarei o peito peludo dele e sorri antes de pensar.
— Gostei disso.
A frase saiu sincera, e talvez um pouco mais entregue do que eu queria. Azar. Miguel era gostoso inteiro mesmo. Tinha ombros bons, barriga firme sem parecer boneco de academia, peito peludo e um jeito de me olhar como se eu fosse a coisa mais interessante do mundo.
Empurrei o Miguel de leve até ele encostar na parede da sala e o beijei com força. A saia roçou na coxa dele, e a mão dele entrou por baixo do tecido para segurar minha bunda por cima da calcinha. Ele levantou uma das minhas pernas na cintura dele e pressionou o pau contra mim por cima da roupa. Gemi alto, porque meu autocontrole tinha pedido demissão.
— Vamos pro quarto.
A gente chegou no quarto mais trombando nas coisas do que andando. Puxei a camisa dele que ainda estava presa em um braço, ele abriu o zíper da minha saia, e a peça caiu no chão. Fiquei só de calcinha, sentindo o frio do ar na pele quente, olhando Miguel tirar o jeans e a cueca juntos. Quando o pau dele saltou duro, pesado, com a cabeça inchada, levei a mão à boca sem conseguir evitar. Eu devia ter feito alguma piada. Meu cérebro, porém, estava em manutenção.
— Vem aqui — eu disse.
Miguel se ajoelhou na minha frente antes de vir. Puxou minha calcinha devagar, e eu senti a vergonha bater de novo por um segundo. Depois a boca dele beijou a parte interna das minhas coxas, e a vergonha foi embora humilhada. Quando ele passou a língua na minha buceta, gemi alto demais. Alto o bastante para eu pensar que os vizinhos ouviram.
Miguel me chupou com vontade, segurando minha bunda para me manter perto da boca dele. Eu me mexia mesmo assim. Não dava para ficar parada. Ele lambia, chupava, enfiava a língua, prendia meu clitóris com os lábios, e eu fui perdendo força nas pernas de um jeito vergonhoso e maravilhoso.
— Isso, Miguel... Assim... Não para.
Ele não parou. Uma mão dele apertou um dos meus seios enquanto a boca continuava na minha buceta, e eu passei a gemer mais alto. Agarrei o cabelo dele e puxei sem pensar, empurrando a boca dele contra mim. Meu corpo inteiro ficou tenso, a respiração saiu quebrada e eu tentei falar alguma coisa decente. Falhei. Gozei na boca dele com um gemido comprido, tremendo tanto que precisei me apoiar nos ombros dele.
Quando ele levantou e beijou minha boca, senti meu próprio gosto nele. Em outra vida, talvez eu tivesse ficado constrangida. Naquela, beijei mais fundo.
Miguel me empurrou para a cama. Ou talvez eu tenha empurrado ele primeiro. A cronologia daquele trecho ficou pouco confiável. Ele caiu sentado, e eu me ajoelhei entre as pernas dele, segurando o pau com as duas mãos. Olhei de perto, ainda surpresa com o tamanho, com as veias saltadas, com o peso dele na minha mão. “Meu Deus, Sarah, você escolheu bem demais.”
— Quero chupar — disse eu, baixinho.
— Chupa, gostosa.
Levei a boca até ele. Primeiro lambi a cabeça, sentindo o gosto e a textura, depois coloquei mais. Comecei com cuidado, tentando entender até onde dava para ir sem passar vergonha nem morrer engasgada. O Miguel passou a mão no meu cabelo, deixando que eu achasse o ritmo. Aquilo me deu confiança. Fui chupando melhor, babando no pau dele, subindo e descendo, olhando para cima de vez em quando só para ver a expressão dele mudar.
— Sua boca é uma delícia — ele falou.
Gemi com o pau na boca e coloquei mais fundo. O corpo dele travou, e aquilo me deu uma satisfação idiota. Sim, eu ainda podia derrubar um homão da porra daqueles com a boca. Pequenas vitórias de uma mulher casada em relacionamento aberto, capítulo 47.
Ele puxou meu cabelo com cuidado, o bastante para me fazer entender.
— Se continuar assim, vou gozar na sua boca agora.
Soltei o pau dele com um estalo molhado e sorri, sentindo minha boca vermelha e o queixo molhado.
— Ainda não.
O Miguel pegou uma camisinha na gaveta e colocou sem tirar os olhos de mim. Subi na cama e deitei de costas, abrindo as pernas. Eu estava nua com o coração acelerado e uma parte da minha cabeça ainda gritando que aquilo parecia fanfic de mim mesma. Só que o Miguel estava ali de verdade, com aquele pau de verdade, e eu queria muito sentir.
Ele apoiou a cabeça do pau na entrada da minha buceta e esfregou devagar. Meu corpo se contorceu.
— Mete logo.
Ele entrou aos poucos. Mesmo molhada, senti o tamanho. Apertei os olhos e agarrei o braço dele enquanto o Miguel empurrava com calma, centímetro por centímetro, até entrar fundo. Minha respiração falhou.
— Grande pra caralho — sussurrei.
— Aguenta?
— Aguento. Mete.
Miguel começou devagar, deixando minha buceta se acostumar. Durou pouco porque eu mesma puxei ele pela cintura com as pernas e pedi mais com o corpo antes da voz. Aí ele segurou minhas coxas abertas e começou a meter de verdade. Forte. Fundo. A cama batia na parede, e cada estocada fazia meus seios balançarem. Eu ouvia o som dos nossos corpos e pensava que, se alguém reclamasse, eu mudaria de país.
— Isso... Assim... Caralho, Miguel.
— Que buceta gostosa, Sarah.
Miguel metia com fôlego, recuando quase inteiro e voltando com força. Tentei falar, mas a voz quebrou quando ele me levou a outro orgasmo. Minha buceta apertou o pau dele em ondas, e eu agarrei o lençol.
Miguel me virou de lado, colocou uma perna minha sobre o ombro dele e entrou de novo. A posição me deixou aberta de um jeito que fez meu rosto queimar, mas o tesão falou mais alto. Ele segurou minha coxa e voltou a meter, mais curto e mais fundo, batendo lá dentro de um jeito que me arrancou um gemido torto.
— Miguel... Porra... Continua!
Ele continuou até eu gozar de novo. Meu corpo travou, a barriga contraiu, e eu joguei a cabeça para trás, sentindo os seios tremerem. O Miguel não deixou esfriar. Beijou minha boca, me puxou para cima e me colocou sentada no colo dele, com o pau ainda dentro de mim. Abracei o pescoço dele, mole de prazer, enquanto ele metia por baixo, levantando o quadril contra a minha buceta.
Miguel segurou minha bunda com as duas mãos e começou a socar de baixo para cima. Gemi no ouvido dele, com os seios esmagados no peito peludo, a buceta apertando aquele pau que parecia não acabar nunca.
Quando ele pareceu perto de gozar, me deitou de novo, abriu minhas coxas e meteu mais rápido. A cama batia, ele suava, eu puxava o corpo dele para mim e o Miguel gozou dentro da camisinha com o corpo todo duro. Eu senti a força dele, a respiração pesada, o peso do prazer passando por ele, e beijei sua boca sem pensar muito.
Ele tirou a camisinha, amarrou e jogou no lixo perto da cabeceira. Fiquei deitada de lado, o cabelo grudado no rosto, os seios subindo e descendo com a respiração. Sorri, ainda meio bêbada de sexo.
— Você é pior do que eu imaginei.
— Pior bom?
— Muito bom.
Miguel ficou alguns minutos quieto, com a mão na minha coxa. Eu tentava reorganizar o corpo e a alma. Meu corpo dizia “obrigada, equipe”, a alma dizia “e o Érico?”, e a parte mais safada de mim olhava para o Miguel e pensava que talvez ainda coubesse mais um pouco de irresponsabilidade autorizada.
Quando vi o pau dele endurecendo de novo, arregalei os olhos.
— Já?
— Eu estava com vontade de você faz tempo.
Passei a mão pelo peito dele, descendo pela barriga, sentindo os pelos sob os dedos e gostando mais do que eu deveria admitir em voz alta.
— Então vem.
Dessa vez, fomos para o chão do quarto. A culpa foi dele, minha e da gravidade. Beijos, mãos puxando, corpos escorregando para fora da cama. O Miguel deitou no tapete, colocou outra camisinha, e eu montei nele. Segurei o pau, encaixei na minha buceta e fui descendo devagar, com a boca aberta e os olhos fechados. A sensação me atravessou inteira.
Cavalgar Miguel era covardia contra mim mesma. O pau dele preenchia muito, e o corpo embaixo de mim era bonito demais. Apoiei as mãos no peito peludo dele e comecei devagar, procurando o ângulo. Quando achei, meu rosto deve ter denunciado tudo, porque perdi a capacidade de fingir calma. Passei a rebolar com mais força, sentindo minha buceta escorregar nele.
— Aí... Aí mesmo —gemi.
Miguel segurou minha bunda e ajudou no movimento. Eu me apoiei melhor no peito dele e cavalguei mais rápido. Sentia meus seios balançarem, as coxas trabalhando, a buceta apertando o pau dele como se tivesse vontade própria. Quando o orgasmo começou a subir, Miguel sentou comigo no colo sem tirar o pau de dentro e beijou minha boca enquanto segurava meus seios.
Gozei contra ele, gemendo no ombro dele, tremendo tanto que ele precisou me segurar pela cintura. Mesmo assim, continuei me mexendo. Mais devagar, arrastada, esfregando a buceta no pau dele e ouvindo Miguel gemer. Aquilo me deu um orgulho bobo.
Miguel levantou comigo grudada nele, o pau ainda dentro de mim, e me levou até a parede. Prendeu meu corpo ali, segurando minhas coxas, e voltou a meter. A parede recebeu o impacto do meu corpo, e eu agarrei os ombros dele, enterrando o rosto no pescoço. As pernas dele eram fortes. O fôlego dele também. Eu comecei a entender por que gente que fazia trilha e parkour tinha vantagem competitiva em cama.
— Miguel... Caralho... Não para!
Ele não parou. Meteu contra a parede até minhas pernas ficarem moles e minha cabeça perder qualquer pensamento útil. Eu estava entregue, suada, com os seios esmagados no peito dele e a boca procurando ar. Quando o Miguel ficou perto de gozar outra vez, me levou de volta para a cama, me colocou de costas, abriu minhas coxas e entrou de novo. Ele gozou pela segunda vez enquanto eu o beijava, ainda contraindo por causa do orgasmo anterior.
Ficamos largados por um tempo. Ele tentou recuperar o fôlego sem parecer acabado, o que me deu vontade de rir. Homem bonito também tinha seu lado patético, graças a Deus.
— Está vivo?
— Por enquanto.
— Quer parar?
Miguel olhou para mim. Eu estava nua, suada, sem vergonha nenhuma, com as pernas abertas e a boca vermelha. Ele respondeu com a cara de quem tinha perdido a pouca sensatez que carregava.
— Nem fodendo.
Fomos para a sala. Eu vesti a camiseta dele por cima do corpo quase nu e bebi água, porque eu precisava sobreviver para contar essa história. A camiseta cobria só parte da minha bunda, e eu estava sem calcinha. Miguel me olhava como um idiota. Um idiota muito gostoso.
— Para de me olhar assim — eu disse, sorrindo.
— Você veste minha camiseta e quer que eu não olhe?
Eu fui até ele e o beijei. De novo, pegou fogo rápido. O Miguel me encostou na mesa da sala, levantou a camiseta, e eu mesma abri as pernas. Ele colocou outra camisinha com pressa e entrou em mim ali, comigo sentada na borda, agarrada nele. A mesa arrastou no chão com a força das estocadas.
— Vai quebrar sua mesa.
— Que se foda a mesa.
Eu ri, e a risada virou gemido quando ele meteu mais fundo. O Miguel segurou minha nuca e beijou minha boca enquanto enfiava o pau na minha buceta molhada. Ele metia com força, sem delicadeza encenada, segurando minha cintura para puxar meu corpo contra o dele. Cravei as unhas nas costas dele e abri mais as pernas.
— Assim... Mete assim...
Ele obedeceu. A mesa bateu de novo, e eu precisei me apoiar nos ombros dele para não tombar para trás. Quando gozei, puxei o rosto dele para a minha boca e abafei parte do grito no beijo. Era a minha tentativa de controle social, embora muito tardia.
Depois, o Miguel me levou para o sofá. Fiquei de quatro no assento, empinando a bunda para ele, e ele entrou por trás na minha buceta. Segurou minha cintura e meteu forte. Meus seios balançavam, meu cabelo caía no rosto, e eu gemia com a boca encostada no braço do sofá. Quando ele deu um tapa na minha bunda, alguma coisa acendeu em mim.
— De novo.
Ele deu outro tapa. A pele ardeu um pouco, e eu gemi empurrando mais para trás. Miguel continuou metendo forte, com o sofá rangendo embaixo da gente, até sentir que eu estava quase gozando de novo. Então me puxou pela cintura e sentou, fazendo eu montar nele de costas. Encaixei o pau na buceta e comecei a sentar com força, usando as coxas dele como apoio.
— Puta que pariu — gemi.
— Vai, gostosa. Goza de novo.
Gozei em cima dele, travando a buceta ao redor do pau. O Miguel continuou segurando minha cintura e metendo por baixo até eu perder o ritmo. Depois me virou de frente no sofá e beijou minha boca. Eu estava muito cansada, mas a minha mão continuava no pau dele como se uma parte idiota de mim não quisesse que a noite acabasse.
Deitamos no sofá, um em cima do outro, rindo sem forças. Miguel passou a mão pelas minhas costas, pela minha bunda e pelas minhas coxas. Fiquei quieta, com o rosto no peito dele, ouvindo a respiração dele voltar ao normal e sentindo meus pensamentos tentarem voltar.
— Eu devia estar com vergonha — murmurei.
— Devia nada.
— Eu perdi completamente a linha.
— Graças a Deus.
Dei um tapa fraco no peito dele e ri. Ficamos assim até o pau dele começar a endurecer de novo contra minha coxa. Levantei o rosto, incrédula.
— Miguel...
— Eu avisei.
— Você vai me matar.
— Só mais uma.
A gente ficou alguns minutos no sofá, respirando como se tivesse corrido uma trilha inteira. Passei os dedos pelo peito dele e ri quando percebi que a mão dele ainda estava na minha bunda.
— Você não larga.
— Eu esperei muito para pegar.
Sorri, cansada, mas deixei a mão dele lá. Miguel beijou meu ombro, subiu para meu pescoço, e meu corpo respondeu de novo, traidor. Tentei levantar para ir ao banheiro, mas ele veio junto, grudado em mim, beijando minhas costas pelo caminho.
No corredor, o Miguel me encostou na parede mais uma vez. Beijou minha boca, apertou meus seios por baixo da camiseta e desceu a mão até minha buceta. Eu estava molhada de novo. Isso era humilhante pra minha pretensão de autocontrole. Gemi baixo e segurei o pulso dele.
— Miguel, eu preciso tomar banho.
— Eu também.
Ri, mas puxei ele para o banheiro. A última rodada foi no chuveiro. Entrei primeiro, liguei a água e fiquei de costas para ele, molhando o cabelo. Sentia o corpo cansado, os músculos meio frouxos, a pele marcada pelos beijos dele. Quando olhei de canto, Miguel estava parado na porta do box, me olhando como se ainda tivesse fome.
Ele entrou atrás de mim e me agarrou pela cintura. Quando o pau duro encostou na minha bunda, ri sem acreditar.
— Não acredito.
— Acredita.
Virei no box e beijei o Miguel com força. A água batia nos nossos rostos, atrapalhava a respiração, e isso deixou tudo mais bagunçado. A mão dele foi para os meus seios, apertando, chupando os mamilos molhados, me fazendo apoiar a cabeça na parede do box. Depois os dedos dele desceram pela minha barriga até a buceta. Ele começou devagar, e eu abri as pernas.
— Caralho...
— Ainda está sensível?
— Muito.
— Quer que eu pare?
— Nem pensa nisso.
Ele continuou. Beijou a minha boca enquanto esfregava os dedos na minha buceta, e eu tremi embaixo da água. Segurei o pau dele e comecei a masturbar, apertando com vontade, usando a água e a saliva para fazer a mão escorregar melhor. O Miguel quase gozou ali.
Ele saiu para pegar outra camisinha no quarto, quase escorregando no caminho. Eu fiquei rindo no box, cansada e feliz feito uma idiota. Ele voltou, colocou a camisinha e me virou de costas.
Apoiei as mãos no azulejo e empinei a bunda. Ele entrou na minha buceta devagar, só até encaixar bem. Depois, segurou minha cintura e começou a meter pesado. A água caía nas nossas costas, e o som que dominava era o corpo dele batendo no meu, a respiração quebrada dos dois, meus gemidos tentando sair mais baixos e falhando miseravelmente.
— Assim, Miguel... Mete...
Ele meteu. Forte. Segurando meu corpo para eu não escorregar. Eu empurrava a bunda contra ele, sentindo a buceta apertar aquele pau a cada estocada. O Miguel beijou minha nuca, mordeu de leve meu ombro e apertou um dos meus seios por trás.
Gozei ali, com as mãos espalmadas no azulejo, as pernas tremendo e a voz falhando no meio do nome dele. O Miguel segurou meu corpo contra o dele e continuou até gozar também, gemendo contra meu ombro. O corpo dele pesou um pouco em mim, exausto, e eu fiquei respirando com dificuldade, tentando entender como ainda existia oxigênio no banheiro.
Depois disso, o banho virou banho mesmo. A água desceu pelo meu rosto, e eu lavei o cabelo com a mão meio trêmula. O Miguel me olhava com uma expressão mais suave, e aquilo mexeu comigo de outro jeito. Sexo deixava a gente desprotegida. Era o perigo depois do tesão, aquela parte em que a pele ainda lembrava tudo e a cabeça começava a fazer perguntas inconvenientes.
O sexo com Miguel tinha sido gostoso. Muito gostoso mesmo. Eu repetiria sem pensar muito. Só que, ali no banho, com o corpo amolecido e o pau dele finalmente dando sinais de amolecer de verdade, uma comparação apareceu na minha cabeça. O Miguel era mais gostoso que o Érico. Tinha um pau maior que o Érico e sabia o usar muito bem. Só que o sexo com ele ficava no mesmo território do seu Geraldo. Era ótimo, forte, intenso, mas faltava alguma coisa.
Era horrível pensar isso tomando banho com um homem daquele do lado, mas era verdade. O Érico tinha um toque que me desmontava de outro jeito. Uma pegada, um ritmo, um jeito de me olhar e mexer comigo que tinha me deixado apaixonada pelo pau dele desde a primeira vez. Com o Érico, o sexo encaixava em um lugar mais fundo do que o corpo. O Miguel me fazia gozar. O Érico fazia meus orgasmos serem experiências transcendentais. Claro que eu não ia dizer isso ao Miguel. Além de desnecessário, seria uma falta de educação monstruosa.
O Miguel veio por trás e começou a massagear meus ombros. As mãos dele desceram devagar, acariciando meus seios com uma calma safada demais para alguém que tinha acabado de quase me desmontar no azulejo.
— Então é verdade mesmo que você deu pro seu Geraldo?
Fechei os olhos e soltei uma risada derrotada. Óbvio que aquilo voltaria para me assombrar. Não consigo manter a minha boca fechada.
— Dei — admiti. — E antes que você pergunte, foi autorizado pelo meu marido.
Ele riu no meu ombro, apertando meus seios de leve.
— E eu fodo melhor que ele, né? Pode falar.
A vergonha me pegou tão forte que eu quase enfiei a cara no shampoo. O Miguel era gostoso demais para ouvir aquilo, mas eu tinha um compromisso idiota com a verdade.
— Deu empate.
As mãos dele pararam no mesmo instante.
— É o quê? — Miguel afastou o rosto do meu pescoço. — Empate? Com seu Geraldo?
— Sim.
— Meu Deus, Sarah! O que ele tem? Ele é mais pausudo? Um jegue?
— Não. O seu pau é maior. Isso garantiu o empate.
Comecei a rir de um jeito idiota. Estava cansada e molhada, apontando pra vara de um homem nu na minha frente que me olhava assustado. Achei que precisava me explicar melhor.
— Bem, ele tem experiência. Muita experiência. Muita mesmo. E, como eu posso dizer... Ele é o seu Geraldo. O porteiro gente boa que conheço há anos. Tem um carinhozinho extra que ganha pontos com ele.
Ele me olhou como se nada fizesse sentido.
— Vou tentar explicar melhor. A maioria dos homens é estilo Batman. Passou anos treinando, tem planos, preparo, gadgets. O seu Geraldo não. Ele é o Super-Homem do Reino do Amanhã. Ele só precisa tirar a roupa e créu. E a idade em vez de enfraquecer ele fez foi deixar ele mais forte e imune à kryptonita.
Ele me olhou como se eu estivesse falando palavras que não existem no dicionário.
— Provavelmente, isso também deve explicar as outras.
— Que outras?
— Esquece.
Ele começou a rir, beijou meu ombro, e voltou a massagear meus seios com menos drama e a mesma safadeza de antes.
— Empate... Gostei dessa.
Voltamos para o quarto. Sequei o corpo com uma toalha dele, sentei na beira da cama e olhei minhas roupas espalhadas pelo chão. O Miguel sentou ao meu lado, ainda nu, passando a mão pelo cabelo.
— Fica — ele falou.
Olhei para ele.
— Miguel...
— Só dorme aqui. Eu faço café de manhã. Juro que não ronco.
Sorri, mas senti uma tristeza pequena no meio do sorriso. Ele era fofo quando baixava a pose de malandro.
— Eu preciso voltar pra casa.
— Precisa mesmo?
— Preciso voltar pro Érico.
O nome do Érico mudou o ar do quarto. Dizer o nome do meu marido depois daquela noite puxou o mundo de volta. Minha casa, minha cama, meu homem inseguro e engraçado que provavelmente estaria acordado tentando fingir que não estava.
— Eu te levo — ele falou.
Passei a mão no rosto de Miguel, fazendo um carinho curto.
— Obrigada.
A gente se vestiu em silêncio por um tempo. Coloquei a roupa de antes, ajeitei a blusa, prendi o cabelo do jeito que deu e conferi meu rosto no espelho. Eu estava bagunçada, corada, com cara de quem tinha feito exatamente o que tinha feito. Miguel vestiu uma camiseta limpa e uma bermuda, pegou a chave do carro e tentou não parecer frustrado. Ele falhou um pouco, mas de um jeito bonito.
Ele dirigiu até o meu condomínio no começo da madrugada. A cidade estava quieta, com pouca gente na rua. Eu olhava pela janela. Nenhum de nós falou muito. Depois de uma noite daquelas, qualquer frase parecia pequena demais, até para mim, que costumava ter comentário idiota para tudo.
Miguel parou perto da portaria. Fiquei alguns segundos sem abrir a porta, olhando para frente. Eu estava cansada, feliz, confusa e com uma vontade absurda de tomar outro banho, dessa vez sozinha, só para separar o corpo da cabeça.
— Foi muito bom — eu disse.
— Sim.
Ri baixinho, cansada, e olhei para ele uma última vez.
— Boa noite, Miguel.
— Boa noite, Sarah.
Desci, ajeitei a bolsa no ombro e caminhei até a entrada. Antes de passar pela portaria, olhei para trás. O Miguel ainda estava ali, com o carro parado, me vendo ir embora depois de virar minha noite do avesso. Acenei e ele acenou de volta. Entrei no condomínio pensando no Érico, no Miguel, na minha falta de juízo e no fato de que, apesar de tudo, eu estava voltando pra quem eu amava de verdade.
A quarta chegou e o time titular do Rogério ainda estava desfalcado. Ajudar ele era mais difícil do que imaginava. A Jéssica mandou mensagem no começo da noite avisando que ainda faltava dois titulares. Passei pelos poucos nomes disponíveis e sobrou o único que me dava vergonha abordar: Roberto.
O Roberto era marido da dona Marieta. Ele tinha 54 anos, era gordinho, calvo e vivia com aquele ar triste de homem que foi convencido que viver era um pecado. Depois que transou comigo, ficou diferente. Nada que alguém notasse de fora. Ainda assim, ele ainda ficava com medo e tesão toda vez que me via. Eu também ficava esquisita perto dele.
Eu tinha dado para o marido de uma mulher que provavelmente me expulsaria do condomínio na base da Bíblia e da gritaria. Toda vez que cruzava com Roberto no corredor, sentia o medo absurdo de a Marieta surgir de algum canto e descobrir tudo só pelo jeito como ele olhava para os meus peitos.
Abri o armário e escolhi a regata branca mais justa que tinha. Vesti sem sutiã de propósito. Meus seios eram cheios e naturais, com mamilos escuros que o tecido fino marcava fácil. O short jeans deixava minhas pernas longas à mostra e desenhava a minha bunda firme. Eu era gostosa se o seu padrão for baixo, mas naquele prédio o padrão era top model pra divino.
Saí do apartamento e fui até o andar do Roberto e da Marieta. O caminho inteiro pareceu errado. No elevador, eu ficava puxando a barra da regata para baixo, até perceber que aquilo só esticava mais o tecido nos seios. Parei, cruzei os braços e percebi que isso empurrava os peitos para cima.
Quando cheguei à porta deles, quase voltei. A ideia da Marieta atender e me encontrar sem sutiã, procurando o marido dela, apertou meu estômago. Antes que eu fugisse, Roberto saiu com uma sacola de lixo na mão. Ele me viu, travou e desceu os olhos direto para a minha regata.
— Sarah...
— Oi, Roberto. Eu precisava falar com você.
Ele olhou para a porta do apartamento, assustado.
— A Marieta está no culto. Só volta mais tarde.
Relaxei na hora. O Roberto percebeu e ficou ainda mais vermelho, como se minha tranquilidade confirmasse todas as safadezas que passavam na cabeça dele.
— É sobre o Rogério. Melhor a gente conversar enquanto você desce com esse lixo.
Ele concordou e veio comigo, sem conseguir parar de olhar pros meus peitos.
— Ele vai jogar uma partida amanhã contra o Enéias. O Enéias desafiou ele e ficou ameaçando quem ajudasse o Rogério. O time dele ainda está incompleto.
Roberto fez que sim, sério demais para alguém que parecia não ter absorvido nada do que eu dizia. Os olhos dele caíram novamente pros seus seios quando eu mexi uma mecha do cabelo.
— Entendi.
— O que eu acabei de pedir?
Ele ficou quieto.
— Você... está precisando de alguma coisa.
— De um jogador, Roberto.
— Isso. Jogador.
Mordi a parte interna da bochecha para não rir.
— Eu queria saber se você aceita jogar no time do Rogério amanhã.
Ele arregalou os olhos, finalmente entendendo parte da conversa.
— Futebol?
— Futebol.
— Eu não jogo faz muito tempo.
— Não tem problema.
Tinha bastante problema, mas eu estava desesperada.
— A Marieta não gosta de futebol — murmurou ele. — Ela acha pecaminoso.
— A Marieta não precisa saber agora.
O rosto dele ficou vermelho, e eu soube exatamente em que ele estava pensando.
— Sarah...
— Estou falando do jogo — respondi, abaixando a voz. — Só do jogo.
Ele assentiu várias vezes, tentando manter alguma compostura. A sacola de lixo continuava na mão dele. Eu apontei para ela.
— Você não ia descer? Vem comigo. A gente conversa no caminho.
Ele fechou a porta e fomos até o elevador. O silêncio dentro daquela caixa era insuportável. Eu sentia os olhos dele na minha regata, depois no painel, depois na minha regata outra vez. Ele tinha medo de olhar e mais medo ainda de deixar de olhar. Eu queria gritar “Mano, você já viu eles, tocou, mamou, brincou, enfiou a cara no meio! Não precisa exagerar agindo assim!”, mas precisava que ele entrasse no time.
Expliquei o desafio do Enéias, as ameaças e a falta de um titular. O Roberto acompanhava o movimento dos meus seios na regata e assentia para qualquer frase que saía da minha boca.
— Eu queria que você jogasse no time do Rogério na quinta.
— Sim.
— Roberto, você ouviu o que eu pedi?
Ele piscou, envergonhado.
— Você precisa de mim.
— Para jogar futebol.
Quando a porta abriu, ele jogou o lixo fora e voltou para perto de mim, ainda olhando para a minha regata.
— Você vai jogar mesmo que a Marieta não goste?
Roberto engoliu seco. Dei um passo para perto dele e baixei a voz.
— Eu preciso disso, Roberto.
— Eu vou.
Porra. Funcionava mesmo.
Subimos até o andar do Rogério em silêncio. Toquei a campainha e esperei. O Roberto tentou olhar pro corredor, pro chão, pra minha boca, e perdeu. Olhou pros meus peitos de novo. O Rogério abriu a porta e olhou para mim, pro Roberto e de volta para mim. Pela expressão dele, tentava entender por que eu tinha aparecido sem sutiã, acompanhada do marido da Marieta.
— Oi, Sarah. Olá, senhor Roberto.
O Rogério tentou ser educado, mas o meu melhor amigo também era homem. Ele olhou rápido para os meus seios, como se olhar rápido pros seios de uma mulher não contasse. Conta sim.
— Fiquei sabendo que você ainda precisa de jogadores — falei, puxando Roberto para a frente. — Consegui outro voluntário.
Na prática, eu estava oferecendo um senhor evangélico que talvez entrasse em campo pedindo perdão ao apóstolo Paulo.
— O Roberto? — Rogério deixou escapar. — Mas deve ser um jogo bem puxado...
A vontade que tive foi de sacudir o Rogério. Ele estava questionando meu milagre. O Roberto sair de casa pra jogar bola já merecia um troféu. Respirei e sorri.
— Ele mesmo. Seu Roberto, o senhor espera só um pouquinho no corredor? Eu preciso falar uma coisa rapidinho com o Rogério.
— Claro, claro — disse Roberto, num tom baixo, quase sem vontade própria.
Sorri fofinha pra ele. Ele baixou os olhos pra minha regata antes de eu entrar no apartamento.
Entrei e fechei a porta. Minha versão fofa morreu ali. Virei pro Rogério e coloquei ele contra a parede com raiva e levantei o indicador perto do seu rosto.
— Você vai aceitar o Roberto no time — disse, ameaçadora o suficiente pra não precisar elevar a voz.
— Sarah, olha...
— Não — cortei. — Você não faz ideia das coisas que eu tive que ver, tive que fazer e tive que prometer pra conseguir esses dois voluntários.
Cheguei um pouco mais perto.
— Você vai aceitar o Roberto e ele vai ser titular desse maldito time.
Rogério abriu a boca, pensou melhor e desistiu.
— Eu não tenho tempo pra discutir — continuei. — Eu tô atrasada pra um jantar com uma amiga e só tenho uma hora pra me arrumar. Você vai sorrir, acenar, dizer sim pro Roberto no time e não complicar a minha vida. Entendido?
— Entendido.
O alívio veio forte. Meu rosto clareou, minha postura voltou ao normal e reassumi a versão socialmente aceitável de mim mesma.
— Ótimo.
Abrimos a porta e voltamos ao corredor como se tivéssemos falado sobre previsão do tempo. Roberto continuava ali, quieto, com as mãos juntas. Quando me viu, olhou pros meus peitos de novo.
— Seja muito bem-vindo ao time, senhor Roberto — disse Rogério, sorrindo com esforço.
— Obrigado, Rogério — respondeu, apático. — Agradeço muito a oportunidade.
— Já jogou bola antes?
O Roberto coçou a nuca. Aquilo já era um péssimo sinal.
— Joguei... Algumas décadas atrás. Mas minha esposa disse que o futebol não está na Bíblia. E se não está na Bíblia, é coisa do demônio. Aí eu parei de assistir... e jogar... tem mais de 20 anos.
Mantive a expressão séria por pura força de caráter. A dona Marieta tinha conseguido transformar futebol em prática demoníaca por ausência bíblica. Pela mesma lógica, ela também devia proibir elevador, micro-ondas, Pix e assembleia de condomínio.
— Quinta, às 20h.
— Estarei lá.
Depois que nos despedimos, me separei do Roberto no elevador e voltei para o meu apartamento com uma sensação esquisita de dever cumprido. Só que eu não tinha tempo para ficar me julgando. Ainda precisava me arrumar para jantar com a Rebecca.
O jantar já tinha sido combinado depois do episódio vergonhoso na academia. Eu ainda não sabia direito como olhar pra Rebecca depois de aquele exercício ridículo ter terminado com meu corpo me traindo em plena aula. Nenhuma das duas tocou no assunto. Marcamos um jantar como duas amigas normais.
Tomei banho e fiquei parada diante do armário, ainda de toalha, tentando escolher uma roupa que parecesse casual. Era só um jantar com a Rebecca, repeti para mim mesma. Mesmo assim, descartei duas opções antes de escolher um vestido justo e curto, que marcava meus seios grandes e deixava minhas pernas longas bem visíveis. Minha bunda era firme e bonitinha. Talvez eu só quisesse compensar o vexame da academia chegando bonita. Embora, também estivesse indo jantar com uma mulher que já tinha feito a minha buceta pulsar sem nem tirar a roupa.
Avisei o Érico antes de sair do quarto.
— Amor, vou jantar com a Rebecca agora.
Ele tirou os olhos do celular e me olhou dos pés à cabeça.
— Você caprichou.
— Fiquei sem graça depois da academia. Quero compensar o vexame parecendo uma pessoa normal.
Ele sorriu daquele jeito calmo que sempre me desmontava.
— Então vai e se diverte. Você está gostosa pra caralho.
Aproximei-me e dei um beijo nele, sentindo aquela gratidão quente no peito que sempre vinha quando eu lembrava por que tinha casado com aquele idiota perfeito.
— Eu te amo.
— Também te amo.
Saí sorrindo, com a ansiedade um pouco menor. Quando cheguei ao elevador, Rebecca já estava ali, esperando. O vestido dela marcava a cintura fina, os peitinhos firmes e a bundinha empinada. As pernas torneadas estavam à mostra, e o cabelo castanho-claro caía arrumado sobre os ombros. Parei perto dela tentando parecer normal.
— Oi. Você está linda — ela disse.
— Você também. Muito.
Rebecca corou e sorriu. No térreo, segui com ela até a portaria, satisfeita demais por ter escolhido o vestido preto. Vaidade de amiga, claro.
Seu Geraldo estava no balcão, com aquele jeito de porteiro que parecia saber metade dos pecados do prédio e desconfiar da outra metade. Respirei fundo e sorri.
— Boa noite, seu Geraldo.
— Boa noite, Sarah. Hoje o prédio está bonito — respondeu, olhando para nós duas.
— Eu também não entendo por que a gente encucou com isso —disse, rindo de leve. — Mas sinto que levar a Rebecca pra jantar parece a coisa certa a ser feita. Estranho, né?
A Rebecca virou o rosto pra mim e nossos olhos se encontraram rápido. Ela deu um sorriso pequeno e senti vontade de rir. A Rebecca ajeitou a bolsa no ombro, e eu alisei a barra do vestido.
O Uber encostou na entrada do condomínio. Fizemos um aceno pro seu Geraldo e atravessamos o hall. Entramos no banco de trás. Eu olhei pela janela, depois para ela. Rebecca sorriu. Sorri de volta e pensei que aquele jantar podia ser mais complicado do que eu tinha calculado.
Durante os primeiros minutos do trajeto, tentei descobrir como falar sobre o vexame sem morrer no banco do carro. A Rebecca olhava pela janela com as mãos sobre a bolsa, arrumadinha demais.
— Sobre a academia... eu fiquei morrendo de vergonha.
Ela virou para mim, tensa.
— Eu também. Achei que você fosse me evitar até o elevador.
— Eu não sabia se devia pedir desculpa.
— Pelo quê? Aquele exercício era ridículo e meu corpo escolheu me humilhar. Você está absolvida.
— Ainda bem. Eu gostei que você me chamou.
— Eu também. Jantar parece uma forma adulta de esquecer o vexame.
Ela sorriu e baixou os olhos. No vestido, os seios pequenos dela apareciam firmes. Eu percebi detalhes demais e fiquei irritada comigo. Devia ser o constrangimento acumulado. Encostei de leve a mão na dela e tirei antes de tornar o gesto estranho.
Entramos no restaurante, bonito sem ser daqueles lugares que cobravam 50 reais por uma folha de alface. Logo na porta, prendi a alça da bolsa no puxador. Meu batom caiu e rolou até o pé de um casal que esperava mesa.
— Começou bem — murmurei, abaixando para pegar o batom.
Rebecca segurou minha bolsa, rindo.
— Eu estava nervosa achando que faria alguma coisa constrangedora. Obrigada por ir primeiro.
Sentamos perto da parede. Na hora de abrir o guardanapo, bati no copo e derramei água no colo. O vestido preto disfarçou a tragédia, mas a Rebecca já estava com a mão na boca.
— Pode rir. Eu mereço.
— Desculpa. Você chegou parecendo tão segura.
Ela pegou guardanapos e me ajudou a secar a perna. Os dedos dela roçaram perto da barra do vestido. Apertei as pernas sem pensar. A Rebecca puxou a mão depressa, vermelha, e nós duas passamos a estudar o cardápio com interesse.
Pedimos nossos pratos e, aos poucos, o jantar ficou leve. A Rebecca contou que, quando mais jovem, jogava videogame escondida na casa de uma prima porque, na família dela, tudo que parecia divertido demais acabava virando bronca.
— Eu não acredito que você escondia esse segredo.
— Você fala como se eu tivesse escondido um cadáver.
— Dependendo do jogo, o cadáver seria menos grave.
Ela riu alto, sem aquela trava inicial. Em troca, contei sobre as discussões com Érico jogando futebol e sobre minha maldição em estádio.
— Mais de 50 jogos e nenhuma vitória? — perguntou, enxugando os olhos.
— O universo me odeia.
Era leve conversar com ela. A Rebecca era engraçada, gostava de jogos antigos e tinha uma habilidade surpreendente para julgar comida cara servida em porção pequena. Eu me senti idiota por ter passado tanto tempo vendo nela só a mulher quietinha da academia.
Em algum momento, ela se levantou para ir ao banheiro. Acompanhei o movimento do vestido sobre a bundinha firme antes de lembrar que não precisava ficar analisando o corpo da minha amiga. A Rebecca era mais delicada que eu. Os peitinhos durinhos cabiam naquele decote discreto, as pernas tinham um desenho bonito e a bunda empinada puxava o tecido quando ela andava. Eu, com meus seios grandes apertados no vestido, pernas compridas e bunda firme, chamava atenção de outro jeito. Comparar nossos corpos era uma coisa perfeitamente normal entre mulheres.
Quando ela voltou, ficou alguns segundos mexendo no guardanapo antes de falar. Ela baixou os olhos e comentou do nada.
— Eu passei muito tempo achando que certas vontades faziam de mim uma pessoa ruim.
— Vontade não faz ninguém ruim. Fazer merda com os outros é outra história.
Ela assentiu devagar. Eu queria perguntar mais, mas percebi que ela falaria quando conseguisse. A vida dela parecia atravessar uma bagunça pesada, e eu não queria transformar aquela noite boa num interrogatório.
Ela passou o dedo pela borda do guardanapo.
— Eu fiquei feliz que você me chamou hoje.
— Eu também.
— Estava com medo de você ficar desconfortável comigo.
— Fiquei desconfortável comigo.
— Meu Deus, Sarah.
Rebecca sorriu com um carinho que me deu vontade de segurar a mão dela. Fiz isso como quem não estava fazendo nada demais. Ela entrelaçou os dedos nos meus e ficou assim até a sobremesa chegar.
Na volta, sentamos juntas no banco de trás do carro com uma tranquilidade que parecia impossível duas horas antes. A Rebecca me contou histórias que eu nunca esperaria ouvir dela, incluindo uma tentativa ridícula de fugir de uma reunião familiar para jogar na casa de uma vizinha. Eu contei sobre a primeira vez que tentei impressionar o Érico cozinhando e quase destruí uma panela. Rimos baixo durante o caminho inteiro, sem a pressão besta que eu mesma tinha colocado naquele encontro.
Quando chegamos ao condomínio, seu Geraldo ergueu os olhos do balcão e abriu um sorriso curioso.
— Boa noite, minhas jovens. O jantar foi bom?
A Rebecca olhou para mim antes de responder.
— Foi ótimo.
— Melhor do que eu esperava — completei, e senti que aquilo incluía muito mais do que a comida.
Entramos no elevador. Quando chegou ao andar dela, Rebecca hesitou antes de sair e me deu um abraço apertado. O corpo dela encostou no meu e trouxe de volta o calor da academia.
— Boa noite, Sarah.
— Boa noite, Rebecca. Dorme bem.
Ela se afastou sorrindo. Fiquei no elevador com um alívio idiota e o perfume dela preso no meu vestido. Quando entrei em casa, o Érico estava no sofá, com o controle na mão e uma cara curiosa.
— E aí?
Tirei os sapatos e me sentei ao lado dele, encostando a cabeça no ombro dele.
— Inacreditavelmente foi ótimo.
— Então valeu o vestido de me fazer bater punheta pra minha própria esposa?
— Valeu. A Rebecca é uma graça.
Ele sorriu e beijou o alto da minha cabeça. Fiquei abraçada com o homem que eu amava, pensando na Rebecca e no jantar que tinha começado com vergonha e terminado com carinho.
Pois bem, leitor. No próximo capítulo, vamos contar o que o Érico estava fazendo nesse meio-tempo, pra ele ter aparecido tão pouco no meu capítulo.
Coloquem nos comentários para o que vocês torcem que aconteçam nos próximos capítulos. Em breve, teremos a continuação.
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AVISO AOS LEITORES:
Eu realmente desapareci por meses. Eu tive sérios problemas pessoais (doenças, mudanças de emprego, bloqueio de escritor), incluindo perder o computador e ter que reescrever do zero o que tinha. Peço desculpas a todos pelo meu sumiço. Queria ter uma coleção de contos grande o suficiente antes de voltar a postar com calma.
Sei que perdi a maioria dos leitores depois disso, mas quero muito terminar esta saga e talvez apresse alguns subplots para tentar encerrar a história este ano e sem mais sobressaltos.