Minha Esposa me traiu com um Refugiado - Parte 4

Um conto erótico de Thiago
Categoria: Heterossexual
Contém 619 palavras
Data: 02/05/2026 20:31:34

Capítulo 4: Três Semanas na Estrada.

O meu erro não foi convidar o Abel.

O meu erro foi esquecer que aquela não seria uma viagem de dois dias.

A ideia era sair de Goiânia e chegar ao Acre.

Mas a “Cora” — a Kombi que a gente transformou em motorhome — nunca foi feita pra seguir um plano reto.

A gente tinha construído tudo ali dentro.

Isolamento térmico. Madeira sob medida. Sofá-cama no fundo. Armários suspensos. Iluminação quente, baixa, quase aconchegante demais.

E o detalhe que a Letícia exigiu:

ar-condicionado.

Ela não dormia sem.

Precisava de tudo fechado. Escuro. Sem vento. Sem barulho.

Na época eu achei que estava criando conforto.

Depois entendi que estava criando um espaço onde nada escapava.

Nem som. Nem presença. Nem tensão.

A viagem virou outra coisa.

A gente não seguiu rota direta.

Parava onde dava vontade. Mudava caminho. Dormia em cidade aleatória.

Minas. Mato Grosso. Rondônia. Trechos perdidos no mapa.

O que era pra durar poucos dias…

virou quase três semanas.

E dentro dessas três semanas, tinha um detalhe que eu subestimei:

a Kombi tinha só uma cama.

No começo, improvisamos.

Eu e Letícia na cama. Abel num colchão fino no chão, entre os bancos.

Desconfortável.

Mas possível.

Pelo menos no começo.

Porque, diferente do que eu tentei acreditar…

a distância entre eles já não era mais aquela da obra.

Ela não estava mais fria.

Já não falava através de mim.

Já não evitava.

Na estrada, isso ficou mais evidente.

As conversas começaram soltas.

Naturais demais.

E, às vezes…

íntimas demais.

Eles riam juntos.

Trocaram brincadeiras que eu não pegava inteiro. Comentários rápidos. Respostas atravessadas.

Coisas pequenas.

Mas suficientes pra deixar uma sensação estranha no ar.

E o mais curioso…

era que muitas dessas conversas aconteciam quando eu estava dirigindo.

De frente.

Sem olhar.

Eu ouvia pedaços.

Palavras soltas.

Tons.

E quando eu virava o rosto…

silêncio.

Imediato.

Limpo.

Como se nada tivesse acontecido.

— "O que foi?"

— "Nada."

Sempre nada.

Sempre simples.

Sempre normal.

E isso começou a incomodar mais do que qualquer coisa direta.

Porque não havia confronto.

Só ausência.

Ausência de algo que eu sabia que estava acontecendo.

Letícia também já não se comportava como antes.

As roupas continuavam leves.

Mas agora pareciam… escolhidas.

Shorts curtos. Camisetas soltas. Às vezes mais largas… às vezes mais ajustadas.

Dentro daquele espaço pequeno, cada movimento dela ganhava mais presença.

Ela passava entre os bancos com frequência. Se inclinava pra pegar alguma coisa. Subia na cama pra organizar os armários.

Movimentos simples.

Mas ali dentro…

nada era simples.

E Abel…

não reagia de forma escancarada.

Mas também não ignorava.

Havia um tipo de sintonia silenciosa.

De timing.

De troca.

De quem já tinha encontrado um ritmo comum.

E eu comecei a perceber isso não no que eles faziam…

mas no que deixavam de fazer quando eu estava perto.

Era como se existisse uma versão deles que eu não via inteira.

Só fragmentos.

E esses fragmentos começaram a se juntar.

Nos primeiros dias de estrada, eu ainda tentava racionalizar.

Dizer pra mim mesmo que era convivência.

Que era proximidade.

Que era natural depois de vinte dias trabalhando juntos.

Mas a verdade…

é que dentro daquela Kombi fechada, com o ar-condicionado ligado, as cortinas puxadas e o mundo reduzido à estrada…

qualquer coisa crescia mais rápido.

O silêncio pesava mais.

O olhar durava mais.

E o espaço…

era pequeno demais pra esconder qualquer mudança.

Eu continuava dirigindo.

Olhando pra frente.

Segurando o volante.

Fingindo que estava tudo normal.

Mas pela primeira vez desde que a viagem começou…

eu senti.

Não certeza.

Ainda não.

Mas algo pior.

A sensação de que eu já estava atrasado.

De que alguma coisa entre os dois já tinha começado…

antes mesmo de eu perceber.

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Comentários

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Acho meio forçado esse tipo de convívio,um cara quase estranho conviver com um casal jovem durante um tempo,convidando o cara pra uma viagem...realmente difícil de visualizar uma situação dessas na real,é uma ingenuidade que não se aceita.

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