Minha Esposa me traiu com um Refugiado - Parte 3

Um conto erótico de Thiago
Categoria: Heterossexual
Contém 663 palavras
Data: 02/05/2026 20:15:21

Capítulo 3: A Estratégia do Motorista e o Convite

No vigésimo dia, a área de serviço estava impecável.

O piso novo ainda brilhava levemente úmido, os rejuntes alinhados, tudo no lugar. Abel estava de cócoras, finalizando os últimos detalhes com um pano, enquanto o sol da tarde batia direto nas costas dele.

Sem camisa.

Como quase sempre.

Eu estava nos fundos, organizando as caixas térmicas para levar pra Kombi. A viagem já estava ali, pronta pra começar. Estrada longa, dias dirigindo… e eu já pensando no cansaço.

E na cerveja.

Porque dirigir o dia inteiro significava abrir mão disso.

E foi aí que a ideia veio.

Simples. Prática. Idiota.

— "Abel, cara… o serviço ficou perfeito."

Ele levantou o rosto, enxugando o suor com o antebraço.

— "Valeu, Thiago."

— "Escuta… você comentou que sua mãe tá no Acre, né? Em Rio Branco?"

Ele parou completamente.

Os olhos mudaram na hora.

— "Tá, sim. Já faz tempo que não vejo ela."

Eu continuei, já empolgado com a própria ideia.

— "Então vem com a gente."

Silêncio.

Até o barulho distante da rua pareceu diminuir.

— "A Kombi tem espaço. Você ajuda no volante quando eu quiser relaxar um pouco, a gente troca ideia… e você chega lá na tua mãe sem gastar com passagem."

Eu olhei pra Letícia.

Ela estava encostada perto da porta dos fundos.

Short ainda mais curto do que o normal naquele dia. Camiseta leve. Cabelo preso de qualquer jeito.

Mas o olhar…

o olhar dela não estava em mim.

Estava nele.

E não era mais o olhar distante do começo.

Era um olhar que já conhecia.

Que já tinha liberdade.

Que já tinha… história ali dentro.

Nos últimos dias, eu tinha começado a perceber coisas.

Pequenas.

Rápidas.

Risos baixos quando eu não estava por perto. Conversas que paravam quando eu chegava. Olhares que desviavam rápido demais.

E as “brincadeiras”…

Nada direto. Nada escancarado.

Mas existiam.

Comentários soltos. Respostas atravessadas. Um tipo de intimidade que não combinava mais com alguém que só estava trabalhando ali.

E Letícia…

Letícia tinha mudado.

As roupas mais curtas. Mais soltas. Mais leves.

Passava mais vezes pelos fundos. Parava mais perto. Ficava mais tempo.

E sempre daquele jeito dela…

como se não fosse nada.

Como se tudo fosse natural.

Como se eu estivesse exagerando.

Ela deu um passo pra trás quando percebeu que eu estava olhando.

— "Thiago… a gente combinou que seria uma viagem de casal."

A voz dela saiu controlada.

Mas não firme como antes.

Eu puxei ela um pouco de lado.

— "Lê, pensa. O cara dirige, entende de mecânica. Se a Cora parar no meio do nada, a gente tá ferrado."

Ela não respondeu na hora.

Olhou pra ele.

Abel estava em pé agora.

Silencioso. Esperando.

Com aquele corpo ainda marcado pelo trabalho, suor secando na pele, postura firme… sem precisar dizer nada.

E eu vi.

Vi o olhar dela descer rápido.

Subir de volta.

E parar.

Um segundo a mais do que precisava.

Ela suspirou.

Virou pra mim.

— "Se é pra sua segurança…"

Pausa.

— "E pra você poder beber sua cerveja…"

Outro segundo.

— "Então tá."

Simples assim.

Mas não foi simples.

Porque naquele momento, olhando os dois ali — ele quieto, firme… ela aparentemente cedendo, mas com aquele brilho estranho no olhar —

alguma coisa dentro de mim deveria ter travado.

Deveria ter impedido.

Deveria ter dito “não”.

Mas não disse.

Porque eu ainda confiava nela.

Ou talvez…

porque eu sempre fiz o que ela deixava eu fazer.

Abel assentiu de leve.

— "Se não for problema mesmo… eu vou."

E Letícia respondeu antes de mim.

— "Não é problema."

Direto.

Rápido.

Quase automático.

E depois…

sorriu.

Mas não foi pra mim.

Naquele fim de tarde, enquanto a luz caía e a Kombi ia sendo carregada, eu estava satisfeito.

Orgulhoso até.

Achando que tinha resolvido tudo: viagem, companhia, segurança, cansaço.

Mal sabia eu…

que ao convidar o Abel pra dividir o volante…

eu tinha acabado de colocar ele no único lugar onde eu nunca deveria ter colocado ninguém.

Dentro da nossa história.

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