Só Um Pouco Hétero - Capítulo Cinco

Um conto erótico de M.K. Mander
Categoria: Gay
Contém 4576 palavras
Data: 22/05/2026 01:14:02
Assuntos: Gay, Homossexual, Sexo

Capítulo 5

— Eu não entendo — disse Christian uma semana depois, olhando para ele do outro lado da mesa na lanchonete do campus. — Por que ele é tão babaca com você? Quero dizer, ele é sempre um babaca, mas ultimamente ele tem sido um super babaca quando se trata de você.

Shawn suprimiu um suspiro. Christian tinha razão, é claro. Rutledge o tratara como lixo a semana inteira. Não que fosse uma surpresa completa.

— Sério, você matou o gato dele? Ou... ou deixou um frango ensanguentado na porta dele ou algo assim? — Christian balançou a cabeça. — Tem que haver alguma explicação. Está ficando ridículo. As pessoas estão começando a comentar.

A xícara de café de Shawn parou no meio do caminho até a boca. — Comentar?

— Esquece. — Christian fez uma careta, parecendo um pouco desconfortável. — Apenas alguns boatos estúpidos.

— Que boatos, Chris?

Christian tomou um gole de seu café. — Alguns acham suspeito que o Rutledge não tenha te dado uma nota de reprovação no meio do semestre.

Shawn parou de respirar. — O quê?

— Alguns dizem que você o chantageou para conseguir uma nota de aprovação. Eu te disse que é estúpido.

Shawn relaxou, recostando-se na cadeira. — É. Estúpido.

— Na verdade, é um pouco estranho, não acha? Achei que ele fosse te reprovar com certeza. Mas ele não reprovou, e agora é um total babaca com você. A coisa toda é esquisita. — Christian lançou-lhe um olhar inquisitivo. — Tem certeza de que não está escondendo nada de mim?

Shawn sentiu uma pontada de culpa. Ele deu um gole generoso no café e olhou para a xícara. — Talvez.

— Tudo bem, desembucha — disse Christian, fixando os olhos nele.

Shawn começou a traçar a borda da xícara com o dedo, seguindo o contorno. — Eu... lembra do conselho que você me deu? Sobre o Rutledge?

Christian deu uma risadinha. — Você quer dizer flertar?

— O Rutledge não me deu uma nota de aprovação porque teve pena de mim, Chris.

As sobrancelhas de Christian se franziram; então o queixo dele caiu. — Não pode ser. Você realmente seguiu o meu conselho?

Shawn fez uma careta. — Não exatamente. — Ele olhou para o sanduíche em seu prato e puxou o queijo que sobrava nas bordas. — Eu fiz mais do que flertar.

Um estrondo o fez olhar para cima. Christian derrubara o garfo e agora o encarava com os olhos arregalados. — Você está brincando.

— Quem me dera.

Christian olhou ao redor e então aproximou sua cadeira. — Então, o que ele te fez fazer?

— O que você acha? Com certeza não foi uma punheta.

— Puta merda. Você chupou ele?

Shawn assentiu secamente.

Christian soltou uma risada curta. — Uau, eu nunca pensei que você fosse realmente flertar com ele, muito menos... E aí, como foi? Quero dizer, você ficou enojado? — Ele bebericou o café.

Shawn ficou tentado a dizer que sim. Teria tornado tudo mais simples. Mas ele não conseguiu mentir.

— Não — disse Shawn. — Foi bom. Até na primeira vez.

Christian engasgou com o café e começou a tossir.

— Na primeira vez? — disse ele quando a tosse finalmente passou. — Quer dizer que você fez mais de uma vez? Ele ainda está te forçando a fazer isso por causa da nota?

Shawn se perguntou se se vender por uma nota era melhor do que se vender por dinheiro. Ele não tinha certeza.

— Olha... — Shawn passou a mão pelos olhos. — Eu não quero falar sobre isso. Sim, estava acontecendo há algumas semanas, mas o importante é que acabou agora. Eu encerrei o acordo.

— Mas você, sabe... você deu para ele?

— Sim — disse Shawn, esforçando-se para manter a voz casual. — Eu dei para ele. Bem, ele me comeu.

Christian sorriu, os olhos castanhos dançando de travessura. — E como ele foi? Bom de cama?

Sorrindo de soslaio, Shawn balançou a cabeça. — Qual é, temos mesmo que falar sobre isso?

— É claro que temos que falar sobre isso! Você transou com o Rutledge! O Rutledge!

— Shiu! — Shawn sibilou, olhando em volta. — Eu não quero falar sobre isso. Não há nada para falar. Não foi... não foi ruim, mas obviamente estou feliz que a coisa toda tenha acabado.

Ele sentiu os olhos de Christian sobre si, estranhamente sérios e avaliadores. Shawn inquietou-se sob aquele escrutínio. — O quê?

— Então por que ele está tão puto com você se acabou? — disse Christian, tamborilando os dedos na mesa.

Shawn tinha uma ideia do porquê, mas não era algo em que quisesse pensar. — Não faço ideia.

Christian lançou-lhe um olhar cético, mas não pressionou mais e olhou para sua xícara. Ele ficou em silêncio, com uma expressão distante e pensativa no rosto.

Shawn observou o amigo. Pensando bem, Christian estivera um pouco distraído o dia todo. — Algo errado?

Christian olhou para cima. — Na verdade não. Apenas... você conhece a Mila?

— Mila?

— Aquela garota na aula do Rutledge? Muito bonita, curvilínea, de cabelo escuro?

Shawn deu de ombros. — A turma é grande. Não posso dizer que me lembro dela. O que tem ela?

— Ela me convidou para um ménage.

Shawn ergueu as sobrancelhas. — E qual é o problema? Não é como se você nunca tivesse feito um ménage antes. — Na verdade, havia muito pouco que Christian não tivesse feito. Seu amigo recebia tantas propostas indecentes que às vezes chegava a ser ridículo. O cara nem precisava se esforçar. Se Christian não fosse tão gente boa, todos os homens o odiariam.

— O problema é o namorado dela — disse Christian.

— O que tem ele? Você o conhece?

Christian hesitou. — Não exatamente. Mas eu o vejo por aí. Ele sempre a busca depois da aula.

Shawn soltou uma risada, finalmente percebendo de quem o amigo estava falando. — Aquele cara hétero por quem você está caidinho há eras?

— Qual é, eu não estou caidinho por ele — disse Christian com um sorriso torto. — Eu nem sei o nome dele.

Shawn lançou-lhe um olhar que dizia: Por favor. — Sei, você não está caidinho por ele. Você só fica encarando e babando toda vez que o vê.

— Eu não fico.

— Fica sim.

Christian riu. — Tudo bem. Talvez. Só um pouquinho. Mas qual é, quem não ficaria? Todas as garotas ficam encarando e babando toda vez que ele aparece. O cara é absurdamente bonito.

— Então qual é o problema? — disse Shawn. — Você não deveria estar feliz por ter a chance de transar com ele?

Christian olhou para ele como se fosse um idiota. — Ele é hétero. Não vai ser esse tipo de ménage. Nós vamos apenas dividir a namorada dele; só isso. Talvez eu esteja errado, mas tive a sensação de que o ménage foi inteiramente ideia da Mila — ela vive flertando comigo, e acho que ele nem sabe que eu existo. Não acho que o cara esteja nem um pouco feliz com ela me convidando para me juntar a eles. Não sei... tenho a impressão de que ele é do tipo possessivo.

— Caidinho "só um pouquinho", sei — Shawn provocou. — Bem pouquinho.

As orelhas de Christian ficaram vermelhas. — Ah, cala a boca. Enfim, esse é o problema: não tenho certeza se esse ménage é uma boa ideia. O cara provavelmente vai me odiar por tocar na garota dele.

— Então diga a ela que não pode fazer.

— Eu já disse que faria. — Christian lançou-lhe um olhar tímido. — Não consegui resistir à chance de vê-lo pelado.

Shawn balançou a cabeça. — Você não tem jeito, cara.

Christian sorriu. — Pelo menos eu não estou comendo o Professor Babaca. Qual é, me diz que ele tem o pau pequeno! Ganharia o meu dia!

Shawn revirou os olhos, balançando a cabeça. — Ele não tem o pau pequeno. E eu não estou mais saindo com ele. Nós terminamos.

Ele ergueu a xícara e a levou aos lábios, evitando os olhos de Christian. Pensou na maneira como Rutledge o olhara na aula: furioso e tão intenso que o deixara duro instantaneamente. Pensou em como passara metade da aula fantasiando em cair de joelhos diante de Rutledge e chupar o pau dele, ali mesmo, na frente de todos os outros alunos. Pensou em suas outras fantasias: como queria subir no colo de Rutledge, calá-lo com beijos e então sentir o pau de Rutledge dentro de si...

— Você está bem? — disse Christian. — Você parece corado.

Shawn forçou um sorriso. — Sim. Estou bem.

Maravilhosamente bem.

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O primo de Shawn, Sage, morava em uma parte nada segura da cidade. Esse era um dos motivos pelos quais Shawn não o via muito. O outro motivo era que seu primo andava estranho pra cacete desde que fora solto da prisão, seis meses atrás: ele parecia deprimido e distante, como se nem estivesse ali. A princípio, Shawn atribuiu isso à morte da tia — ela falecera enquanto Sage ainda estava preso —, mas não parecia ser o caso. Em vez de melhorar, seu primo parecia apenas mais deprimido com o passar do tempo. Shawn estava preocupado com ele, é claro, mas, para falar a verdade, tinha problemas mais urgentes para pensar e não tinha tempo para visitá-lo.

Mas, como teve que deixar as crianças na casa da Sra. Hawkins antes do seu turno da noite, Shawn decidiu fazer um pequeno desvio e descobrir como Sage estava.

Seu primo o recebeu com um sorriso largo. — Ei, entra aí — disse ele, abrindo mais a porta.

Shawn levou um momento para se recuperar da surpresa. — Você parece bem — disse ele, dando um tapinha no ombro do primo e entrando no apartamento.

Sage estava ótimo, na verdade; ele sempre fora o mais bonito dos dois. Eles podiam compartilhar o cabelo loiro e os olhos azuis das mães, mas as semelhanças paravam por aí. Os traços do primo eram muito mais delicados — inferno, eram simplesmente primorosos. Se Christian visse Sage, nunca mais chamaria Shawn de "princesinha".

Aquilo fazia Shawn se perguntar, e não pela primeira vez, se algo... tinha acontecido com seu primo na prisão. Se os rumores sobre o que acontecia lá dentro fossem verdadeiros, com um rosto daqueles... Shawn estremeceu.

— Como estão as meninas? — perguntou Sage, tirando-o de seus pensamentos.

— Bem. Tenho o turno da noite hoje, então acabei de deixá-las na babá.

Sage sentou-se no sofá, de pernas cruzadas, e deu um tapinha no lugar ao seu lado. Tirando a jaqueta, Shawn sentou-se.

— Não posso ficar muito — disse ele, olhando para o relógio. — Se não, vou me atrasar para o trabalho. Só queria dar uma passada para ver como você estava...

A porta se abriu e um homem entrou no apartamento. Ao ver Shawn, ele parou e ficou encarando. Shawn encarou de volta. O homem era alto e bem bonito, claramente de ascendência hispânica.

— Quem é esse? — o cara perguntou.

— É meu primo, Shawn — disse Sage, em tom defensivo. — Shawn, este é o Xavier.

Shawn esperou por uma explicação, mas não veio nenhuma. No entanto, quando Xavier se aproximou, ergueu o queixo de Sage e o beijou, nenhuma explicação era mais necessária.

O beijo se prolongou, e Shawn só conseguia olhar. Ele tinha certeza absoluta de que Sage era completamente hétero. Bem, aparentemente não. Seu primo chegou a soltar um gemido, e Shawn desviou o olhar, mais do que desconfortável. Ele se levantou e limpou a garganta.

— Hum, é melhor eu ir. — Ele soltou uma risadinha nervosa. — Você claramente está bem.

Atrás dele, o beijo parou.

— Olha — disse Sage, parecendo envergonhado. — Eu...

— Você não precisa explicar nada — interrompeu Shawn rapidamente, indo em direção à porta. — Já vou indo.

— Espera — disse Sage. — Já está escuro. Não é seguro andar sozinho por aqui. O Xavier te leva em casa.

— Eu levo? — murmurou Xavier.

— Não, sério, não é necessário...

— Ele leva — insistiu Sage.

— Acho que eu levo, então — disse Xavier. Ele deu um beijo curto e firme em Sage. — É bom você estar nu e pronto quando eu voltar, Olhos Azuis.

Corando, Sage empurrou Xavier para a porta. — Vou passar na sua casa semana que vem — disse ele a Shawn. — Faz séculos que não vejo as meninas.

Shawn assentiu e vestiu a jaqueta. Xavier passou por ele. — Vamos. Qual era o seu nome mesmo?

— Shawn — respondeu ele, sem saber direito como falar com o cara.

— Onde você mora?

Shawn deu o endereço, e Xavier o conduziu até um Ford Pinto muito velho e enferrujado. Shawn olhou para o carro com desconfiança. — Você tem certeza de que essa coisa é segura?

— Não — disse o cara, sentando no banco do motorista.

— Isso... não é muito tranquilizador.

— Você queria que eu mentisse? — Xavier disse com um toque de impaciência, claramente ansioso para acabar logo com aquilo e voltar para o primo.

Shawn entrou no carro e eles partiram.

— Não tem cinto de segurança — resmungou Shawn. — Por que eu não estou surpreso?

Xavier não se dignou a responder.

— Então — disse Shawn depois de um tempo. — Você é namorado do meu primo ou algo assim?

— Algo assim — respondeu Xavier.

— Eu achei que ele fosse hétero.

Xavier apenas riu, como se ele tivesse dito algo engraçado.

— Mas fico feliz que ele tenha alguém, sabe — continuou Shawn. — Eu estava preocupado. Ele estava deprimido depois que saiu da prisão.

— É mesmo? — murmurou Xavier.

— É. Espero estar errado, mas eu acho... acho que alguém fez alguma coisa com ele na prisão.

— Você não está errado: eu fiz.

Shawn abriu a boca e a fechou sem dizer uma palavra. Ele processou a informação por alguns instantes. — Você é um ex-detento?

— Sim.

Ótimo. Ele estava em um Ford Pinto enferrujado, sem cinto de segurança e com um ex-presidiário ao volante.

— Por que você foi preso?

— Matei oito pessoas em um shopping.

Shawn soltou uma risada nasalada. — Você não espera mesmo que eu acredite nisso, espera?

— Seu primo acreditou, por muito tempo.

Shawn sorriu, balançando a cabeça. Sage era um pouco ingênuo. Mesmo sendo mais novo que o primo, Shawn frequentemente sentia que era o mais velho.

— Então, o que você fez de verdade?

— Homicídio culposo. Fiquei bêbado, entrei em uma briga de bar, alguém morreu.

Um calafrio de inquietação percorreu a espinha de Shawn. Ele não conseguia imaginar o que esse cara e Sage tinham em comum, mas seu primo estava claramente feliz. Isso era o que importava, não era?

Eles ficaram em silêncio pelo resto do trajeto.

— Obrigado — disse Shawn quando o carro finalmente parou em frente ao seu prédio. Para sua surpresa, Xavier também saiu. Shawn riu. — Ninguém vai me atacar aqui. Você não precisa...

— O Sage me mandou te deixar em casa. Eu vou te deixar em casa. — Xavier estava olhando por cima do ombro de Shawn. — Tem alguém nos vigiando. Você conhece aquele cara?

Shawn se virou e congelou. Rutledge saiu de sua Mercedes e caminhou em direção a eles a passos largos.

— É, eu conheço — disse Shawn.

— Ele parece puto — murmurou Xavier.

Shawn soltou uma risada. — Ele praticamente sempre parece puto. — Ele se encolheu; o comentário soou quase afetuoso, e Xavier lhe lançou um olhar aguçado e avaliador.

Rutledge parou diante deles.

— Oi — disse Shawn, incerto.

Rutledge lhe deu aquele olhar fulminante que vinha dando a semana inteira, antes de olhar para Xavier com um desdém capaz de fazer qualquer um se sentir minúsculo. — Quem é este?

Xavier parecia inabalável, até mesmo divertido.

— Xavier Otero — disse ele com um sorriso cínico, aproximando-se de Shawn e colocando a mão em seu ombro. — Eu só estava dando uma carona para o Shawn. — Shawn inspirou fundo diante do tom malicioso na voz dele.

Rutledge claramente não deixou passar também. Seus ombros ficaram tensos e seu olhar percorreu Shawn, como se procurasse evidências, antes de se voltar para o carro de Xavier. Um esgar de desprezo torceu seus lábios. — Espero que a carona tenha sido confortável.

Os olhos de Xavier saltaram para a Mercedes de Rutledge. Ele deu de ombros com preguiça. — Eu não preciso de um carro chamativo para isso.

— Mandaram bem, rapazes, isso não foi nem um pouco passivo-agressivo — disse Shawn, contendo a vontade de dar um tapa na própria testa. Ele olhou para Xavier. — Não leve para o lado pessoal; ele é desagradável com todo mundo. E você — Shawn olhou para Rutledge — baixe o tom. Ele é um ex-detento, não seu aluno.

— Ele é um criminoso? — Num piscar de olhos, Shawn foi arrancado de perto de Xavier e empurrado para trás das costas de Rutledge.

— Ei! Você ficou...

— Entre no seu carro e vá embora — disse Rutledge a Xavier. — Fique longe dele ou eu vou garantir que você volte para a sua cela rapidinho.

Xavier estreitou os olhos, a diversão desaparecendo. — Você acha que pode me ameaçar?

— Ah, pelo amor de Deus! — Shawn se colocou entre os dois homens, apoiando a mão no peito de Rutledge. Ele olhou feio para os dois. Idiotas arrogantes. — Você. — Ele olhou para Xavier. — Obrigado pela carona, mas, por favor, vá para casa foder o meu primo. Ninguém está te ameaçando — é só a personalidade encantadora do Rutledge. Vai.

Xavier assentiu rigidamente, entrou no carro e deu a partida.

Quando o carro sumiu de vista, Shawn se virou para Rutledge. — E você. O que aconteceu com aquela história de que ciúme era "para homens com paus pequenos e baixa autoestima"?

— Nada — disse Rutledge, irritado. — Você é estúpido? Sabe o que criminosos como ele fazem com garotos bonitos como você na prisão? Homens como ele não estão acostumados a pedir permissão.

Shawn riu. — Você está preocupado comigo? Estou comovido. Cuidado, ou vou começar a achar que você realmente se importa.

Rutledge o fuzilou com o olhar, mas não disse nada.

— O que você está fazendo aqui, afinal? — perguntou Shawn. Tardiamente, ele percebeu que sua mão ainda estava no peito de Rutledge e o estava acariciando. Rapidamente, ele a removeu e a enfiou no bolso da jaqueta. Ele olhou para o carro de Rutledge. — Espera, você estava me esperando?

— Sim.

— Por quê? Você poderia ter ligado se quisesse conversar. Você tem meu número.

— Não tenho. Eu apaguei.

As sobrancelhas de Shawn subiram. — Por quê? Te incomodava?

Um músculo saltou na têmpora de Rutledge. — Porque eu não precisava dele.

— Então por que está aqui?

Os lábios de Rutledge se comprimiram, seus olhos perfurando Shawn. — Estou aqui para te dar um aviso.

— Um aviso?

— Sim, um aviso. Seu desempenho na minha aula continua terrível...

— Porque você tem sido absolutamente brutal!

— ... então não espere que eu te aprove apenas por causa do seu rosto bonito, e seus lábios, e olhos, e... — Rutledge se interrompeu e olhou feio para Shawn, como se fosse culpa dele que ele tivesse acabado de dizer aquilo. — O ponto é: você não terá tratamento especial, Wyatt.

Shawn inclinou-se em direção aos lábios dele e sussurrou com aspereza: — E você veio até aqui só para me dizer isso? Eu não acredito em uma palavra.

Suas respirações se misturaram, rápidas e tensas, o único som nos ouvidos de Shawn. Cristo, Shawn não aguentava mais. Ele estava tremendo, ansiando...

Quando Rutledge esmagou seus lábios nos dele, a primeira coisa que Shawn sentiu foi alívio. Deus, finalmente. E então todo o resto desapareceu; havia mãos grandes em sua nuca, um corpo firme contra o seu, e lábios quentes e abrasadores — tão bons — e Shawn estava gemendo, tentando beijá-lo com mais força, levá-lo mais fundo.

Ele não tinha ideia de quanto tempo havia passado quando seu celular tocou no bolso da jaqueta.

Com um suspiro de frustração, Shawn afastou os lábios e atendeu. — Oi? — conseguiu dizer, os dedos cravados no suéter de Rutledge enquanto o homem beijava seu rosto e seu pescoço. Deus, os lábios dele pareciam queimar a pele de Shawn.

— Onde diabos você está? — Era Bill, o gerente do restaurante. Porra. — Você está quase atrasado para o seu turno!

— Desculpa, me dá quinze minutos...

— Cinco! — Bill desligou.

Shawn empurrou Rutledge. — Preciso ir. Estou atrasado para o trabalho.

Ele se afastou rapidamente, as pernas ainda fracas e o corpo latejando de desejo. — Idiota — murmurou. Ele deveria ter pedido para Xavier o levar direto para o trabalho. Inferno, ele nem deveria ter ido à casa de Sage depois de deixar as gêmeas na Sra. Hawkins. E definitivamente não deveria ter passado minutos sugando a língua de Rutledge.

Pneus cantaram e uma Mercedes familiar parou ao seu lado. A porta do carro se abriu.

— Entra — disse Rutledge. — Eu te levo.

Shawn hesitou, mas que se foda. Ele realmente estava atrasado. Teimosia sem sentido era estupidez.

Ele entrou e deu a Rutledge o endereço do restaurante. Às vezes, ele era designado para o restaurante do outro lado da cidade, mas, para sorte de Shawn, hoje era o que ficava perto de sua casa.

Nenhum dos dois falou durante o curto trajeto. Shawn recostou-se no banco e fechou os olhos enquanto lutava pelo controle. Felizmente, levou apenas cinco minutos para chegarem.

— Obrigado — murmurou Shawn, sem olhar para o outro homem, e abriu a porta.

Rutledge segurou seu armo. Shawn respirou fundo antes de se virar para ele. Olhos escuros o encaravam com seriedade.

— Tudo bem — disse Shawn. — Mas esta é a última vez, entendeu?

Ele se inclinou para Rutledge, enterrou os dedos em seu cabelo e lhe deu um beijo profundo e úmido. Rutledge aceitou o beijo passivamente, mas Shawn conseguia sentir o corpo dele vibrar de tensão, e aquilo o deixou dolorosamente excitado.

O celular tocou novamente.

Suspirando, Shawn se afastou e sussurrou: — Isso é estúpido. Nós dois sabemos. — Ele limpou os lábios. — Vamos fingir que isso nunca aconteceu, tá?

Rutledge não disse nada — apenas olhou para Shawn com olhos escuros e famintos. E, meu Deus, Shawn queria beijá-lo de novo. Muito.

Praguejando entre dentes, ele praticamente saltou do carro.

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Shawn estava caminhando para sua última aula do dia quando viu Rutledge vindo na direção oposta.

Seus passos vacilaram por um momento antes de ele desviar o olhar e continuar andando, determinado a ignorá-lo. Só que Rutledge não permitiu.

Ele agarrou o braço de Shawn enquanto passavam um pelo outro. — Uma palavra, Sr. Wyatt.

Shawn umedeceu os lábios, o coração disparado. Ele olhou fixamente para frente. — Não acho que tenhamos nada para conversar, Professor.

O aperto em seu braço aumentou. — Uma palavra.

Shawn olhou ao redor. — Solte. Você está atraindo atenção.

Rutledge removeu a mão e sibilou: — Siga-me.

— Tenho aula em alguns minutos.

— Eu escrevo uma justificativa — Rutledge lançou por cima do ombro antes de se afastar.

— Isso é abuso de poder — Shawn resmungou, mas o seguiu.

Rutledge o levou a uma sala de aula no fim do corredor. Estava vazia. Shawn fechou a porta. — Olha, isso é...

Rutledge o prensou contra a parede e esmagou seus lábios nos dele.

Puta merda, isso de novo não. Mas ele já estava retribuindo o beijo, ofegando contra a boca de Rutledge. O beijo era bagunçado e carente, Rutledge pressionando-se contra ele como se estivesse tentando incrustá-lo na parede.

Shawn soltou um ganido quando o beijo terminou tão subitamente quanto começou.

Rutledge enterrou o rosto na lateral do pescoço de Shawn, respirando fundo, o corpo tenso como o inferno. — Eu quero te foder. — Rutledge sugou com força a pele de seu pescoço, as mãos apertando a bunda de Shawn e forçando suas virilhas uma contra a outra. — Preciso te foder de novo.

Shawn fechou os olhos, tentando pensar, tentando lembrar como respirar, porque parecia que não estava chegando oxigênio ao seu cérebro; todo o seu sangue parecia ter drenado para o pau e sua cabeça estava deliciosamente vazia. Ele não conseguia, por nada neste mundo, lembrar por que aquilo era uma ideia tão ruim...

— Por que o Shawn estaria aqui— Ah.

Shawn congelou. Rutledge ficou estático, os lábios ainda no pescoço de Shawn. Então, ambos viraram a cabeça. Christian estava parado na porta entreaberta, de boca aberta.

— Ele não está aqui — Christian disse em voz alta, deu um passo para trás e fechou a porta.

Com o rosto fervendo, Shawn suspirou. — Eu deveria ir.

Mas ele não se mexeu.

Rutledge encostou a testa na parede ao lado da cabeça de Shawn. Suas mãos ainda agarravam os quadris de Shawn, os polegares na pele nua da parte inferior de seu abdômen. — A culpa é toda sua — disse ele, a voz tensa.

Shawn bufou, enterrou a mão no cabelo de Rutledge e puxou. — Como isso é culpa minha?

— Você não deveria ter decidido ir embora antes da hora — disse Rutledge irritado, depositando beijos gulosos e de boca aberta no pescoço de Shawn. — Se você não tivesse feito isso, eu teria te fodido mais algumas vezes até ficar entediado o suficiente.

— Charmoso — Shawn disse secamente — ou melhor, tentou dizer, mas sua voz saiu um pouco falha.

Rutledge ergueu a cabeça. Suas pupilas estavam completamente dilatadas enquanto seu olhar alternava entre os olhos e a boca de Shawn. — Vou à sua casa hoje à noite e nós vamos foder. — Aquilo não foi uma pergunta.

Shawn umedeceu os lábios. — Já esqueceu das gêmeas?

Resposta errada. Ele deveria ter recusado sumariamente. Rutledge encarou seus lábios, os polegares acariciando a barriga nua de Shawn. — Crianças não deveriam ir dormir cedo?

— Eu... eu não posso deixá-las sozinhas. E se elas acordarem?

— Seremos quietos.

Shawn não tinha certeza se conseguiria ser quieto. Não quando ele já tinha que engolir gemidos apenas por sentir as mãos de Rutledge em sua barriga. — Mas...

— Eu irei hoje à noite — Rutledge disse firmemente. — E nós vamos foder.

Ele começou a se inclinar para beijar Shawn novamente, mas parou, desviou o olhar e saiu da sala a passos largos.

Shawn bateu a cabeça contra a parede e teve que esperar um tempo até que sua excitação diminuísse e ele pudesse pensar — e se mover — novamente.

— Que bom que o senhor resolveu nos agraciar com sua presença, Sr. Wyatt — disse a Professora Travis quando ele entrou na sala. — Apenas vinte minutos atrasado.

— Sinto muito, Professora — disse Shawn, tentando não se encolher sob o olhar afiado dela. A Professora Travis nunca gostara particularmente dele, mas a aula dela era uma de suas melhores, então ela geralmente não tinha motivos para criticá-lo. Até agora.

— Você tem alguma explicação, Wyatt?

Shawn massageou a nuca. — Na verdade, sim. O Professor Rutledge tinha uma tarefa urgente para mim. Ele me pediu para lhe pedir desculpas em nome dele. Ele é o motivo do meu atraso.

As sobrancelhas da mulher subiram. — O Professor Rutledge?

— Sim — disse Shawn, esforçando-se para não rir. Ele não conseguia imaginar Rutledge pedindo desculpas por nada, muito menos para aquela mulher. — Sinto muito pela demora, mas se tiver algum problema com isso, terá que resolver com o Professor Rutledge.

Como se ela fosse fazer isso.

A Professora Travis ainda parecia confusa, mas assentiu. — Muito bem. Sente-se, Wyatt.

Shawn dirigiu-se ao seu lugar habitual ao lado de Christian.

— Uma tarefa urgente, hein? — Christian murmurou assim que Shawn se sentou. — Tipo chupar o pau dele?

Shawn sentiu o rosto corar. — Qual é...

— Olha — Christian disse baixinho, os olhos castanhos fixos nele intensamente. — Eu não estou julgando. Mas você não deveria ter mentido. "Acabou" o caralho.

Shawn fez uma careta. — Eu realmente achei que tivesse acabado, juro. E acabou. Mas...

— Mas?

Suspirando, Shawn murmurou: — Eu sou meio que muito ruim em pensar com a cabeça quando ele coloca a língua na minha boca.

Christian o encarou por um momento antes de balançar a cabeça lentamente. — Isso é tão estranho, cara. Digo, não estamos falando de um cara qualquer. É o Rutledge. O Rutledge!

— Eu sei. Eu sei que é estranho, e estúpido, e totalmente louco e sem sentido. Ele é tudo o que eu não quero, mas ao mesmo tempo... Porra, isso está acabando com a minha mente.

— Mas você ainda o quer.

— Sim — disse Shawn.

— Então o que você vai fazer sobre isso?

— Ele acha que, se a gente foder mais algumas vezes, vai acabar ficando entediante. — Shawn recostou-se na cadeira, passando a mão pelo rosto. — É melhor ele estar certo.

É melhor ele estar.

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