Minha Esposa me traiu com um Refugiado - Parte 2

Um conto erótico de Thiago
Categoria: Heterossexual
Contém 715 palavras
Data: 02/05/2026 20:06:36

Capítulo 2: O Vizinho dos Fundos e o Contraste da Obra

Eu já conhecia o Abel de vista.

Ele tinha vindo de Angola há uns nove anos, mas só fazia uns seis meses que estava morando ali no bairro, na casa dos fundos da rua de trás — o muro dele praticamente dava para o nosso.

Foi no futebol de sábado que a gente se aproximou.

Campo de terra, sol rachando, aquele monte de homem tentando correr como se ainda tivesse vinte anos.

Menos ele.

Abel jogava na lateral como se o corpo não cansasse. Corria o jogo inteiro, marcava firme, não reclamava, não diminuía o ritmo. Enquanto todo mundo parava pra beber água, ele só passava a mão no rosto, respirava fundo… e continuava.

Não era alto.

Mas era forte.

De verdade.

O tipo de corpo que não vem de academia — vem de rotina pesada, de esforço constante. Ombros largos, braços bem marcados, tronco compacto. Nada exagerado, mas tudo firme, funcional.

E a pele…

escura, retinta, com aquele brilho natural sob o sol. Quando jogava sem camisa, o contraste com a poeira do campo deixava o corpo dele ainda mais evidente.

Chamava atenção.

Mesmo quando ele não fazia nada pra isso.

Quando precisei de alguém pra resolver a área de serviço, pensei nele na hora.

E foi assim que ele entrou na nossa casa.

No primeiro dia, Letícia travou.

Ela ficou encostada na porta da cozinha, braços cruzados, observando ele descarregar as ferramentas.

Olhar direto.

Sem disfarçar.

Mas também sem simpatia.

— "Thiago… a gente não conhece o cara direito."

A voz dela não era medo.

Era cautela.

Controle.

— "Botar alguém aqui dentro por 20 dias… justo agora?"

Eu tentei simplificar.

— "Lê, ele mora aqui atrás. Joga bola comigo. O cara é de boa, trabalhador."

Ela continuou olhando.

Avaliando.

Medindo.

Foi um olhar rápido… mas completo.

Como se já tivesse entendido tudo o que precisava.

Depois desviou.

— "Você que sabe."

Aceitou.

Mas fria.

Distante.

Nos primeiros dias, ela mal olhava pra ele.

Respondia o básico. Evitava contato. Passava rápido.

Abel também não forçava.

Chegava às 07h em ponto. Cumprimentava com a cabeça. E começava.

O serviço era pesado.

Marreta batendo no reboco. Piso sendo arrancado. Água escorrendo pelo chão.

E o calor…

o calor de Goiânia não dava trégua.

Antes das dez da manhã, já parecia meio-dia.

Qualquer um diminuía o ritmo.

Menos ele.

Abel trabalhava constante.

Silencioso.

E quase sempre… sem camisa.

Foi aí que a mudança começou.

No início, Letícia evitava os fundos.

Depois começou a aparecer.

Sem motivo claro.

Passava com um copo. Buscava alguma coisa. Parava por um segundo a mais do que precisava.

Observava.

Sem assumir.

Mas observava.

O contraste era inevitável.

Eu dentro de casa, no ar, lidando com tela, números, rotina.

Ele lá fora, no sol, com o corpo coberto de poeira fina, suor descendo pelo peito, pelos braços, pelo abdômen… cada movimento carregado de esforço real.

E Letícia…

via.

Mesmo quando fingia que não.

No décimo dia, ela quebrou a distância.

— "Você prefere a massa mais seca ou mais úmida?"

A pergunta veio direta.

Técnica.

Mas o tom já não era o mesmo.

Abel respondeu com calma.

Explicou. Mostrou.

E ela ficou.

Ali.

Perto.

Mais perto do que precisava.

Observando o movimento das mãos dele, a forma como ele misturava, a precisão no gesto.

Não era conversa íntima.

Mas já não era distante.

Depois disso, veio o almoço.

Letícia começou a cozinhar pra nós três.

No começo, praticidade.

Depois… hábito.

A gente sentava junto, e as conversas começaram a mudar.

Saíram do trabalho.

Foram pra vida.

Luanda. A guerra. A fome. A chegada no Brasil.

Nove anos atrás.

Ele falava sem drama.

Sem peso na voz.

Só contava.

E Letícia escutava.

De verdade.

Olhando.

Perguntando.

Sustentando o olhar um pouco mais do que antes.

E às vezes…

ficava em silêncio.

Mas não era um silêncio vazio.

Era um silêncio de atenção.

De curiosidade.

De interesse.

E foi aí que algo começou a mudar.

Devagar.

Quase imperceptível.

Mas real.

Eu via tudo aquilo com orgulho.

Achava bonito.

Achava que estava ajudando.

Achava que minha esposa estava sendo aberta, evoluída, deixando qualquer preconceito pra trás.

Eu via crescimento.

Mas o que estava nascendo ali…

não era só isso.

E, mesmo estando tudo diante dos meus olhos…

eu escolhi não enxergar.

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