Chego à conclusão que os meus contos deveriam se chamar ENCONTROS E DESPEDIDAS, inclusive a minha música preferida é essa, do Milton Nascimento, mas batizei a série de contos como GAROTO RURAL em homenagem ao meu menino, que sobrou dessas histórias todas, que agora serve o exército e está de quarentena, louco para sair e foder. O melhor amigo dele (MA) está no RS e já anda comendo as gurias, pelo que fiquei sabendo.
Virei gerente de TI de uma empresa de porte, em Curitiba. Tinha uma equipe composta por 4 profissionais sendo uma integrante mulher, muito competente. Eu era muito sério e não dava abertura para ninguém, principalmente porque percebia que a moça jogava um certo charme para mim. Sempre busquei ser o mais reservado possível. Em casa, à noite eu me divertia com os soldadinhos do exército, pois como falei, morava perto de um dos quarteis. Abrirmos duas vagas de estágio para estudantes de TI cursando o último ano. Só conseguimos selecionar um, pois a qualidade dos candidatos estava a desejar. Contratamos o rapaz. Ele tinha 22 anos e chegou com o seu sorriso franco mostrando os seus dentes perfeitos e os cantos da boca se fundiam às duas covinhas de cada lado da bochecha. Ele tinha quase 1,80m e um corpo maravilhoso, esguio como de um bailarino. Suas pernas eram retas e a bunda saliente e se o olhássemos de lado, veríamos os ombros projetados para trás com o dorso ligeiramente curvo, mas sem projetar a sua barriga para frente, já que era bem definida. Digo e repeti: Ele não foi contratado por sua beleza. Juro! Ele era competente e entendia bem do assunto, além de falar inglês fluentemente, assim como eu. O “filha da mãe” falava alemão também, pois seu pai era de lá e casou com sua mãe, curitibana. O ouvi várias vezes falar em alemão com o pai ao telefone. Falar o inglês era um critério exigido por mim, já que essa área depende totalmente disso. Os cabelos dele eram pretos, lisos, mas desgrenhados. Ele nunca os penteava, só dava uma sacodida quando terminava o banho e isso o deixaria inteiramente gracioso. Ele quase nunca os cortava, os deixava grande até começar a incomodá-lo. Seus olhos (pasmem) eram castanhos claros, cor de mel. O piá era lindo de morrer. Ele usava sempre umas calças que não precisam passar, quase como um agasalho e lhes caiam muito bem, desenhando sempre para que lado o seu “charutão” estava. Só usava tênis branco, tinha coleção e estavam sempre limpos. Eu sempre o olhava diretamente nos olhos para evitar ser o “manja rola”, pois era irresistível. Foi assim que a moça que fazia parte da equipe começou a largar do meu pé e bandeou o seu charme para o belo rapaz e eu passei a gostar mais ainda dele por isso kkkk. Mas ele ficava na dele se mantendo o mais profissional possível. Já faziam alguns meses que o “Bailarino” (vamos chama-lo assim) estava conosco dando excelentes resultados e a equipe descobriu a data do meu aniversário de 28 anos e começaram a me encher o saco por um churrasco, capitaneados pelo bendito Bailarino, que era o mais insistente. Resolvi ceder e combinamos um sábado em meu apartamento somente com a equipe agora formada por 5, mas de última hora a moça ligou pedindo desculpas por não poder ir devido a um imprevisto. Foram somente os quatro rapazes auxiliares. Fiquei até mais feliz com isso. O Bailarino era botafoguense roxo e nesse dia teria um jogo contra o Vitória às 16h00, que ele não poderia perder por nada e ficava me enchendo o saco que eu iria assistir com ele de qualquer jeito. Ele era muito gracioso e o jeito com que pedia me desarmava, pois seus olhos brilhavam e ficavam mais claros de tanta ansiedade - quando eu assistia futebol era para ficar olhando as pernas e mala dos jogadores, só isso - acabei concordando, pensando “Bom... Pelo menos vou ver alguns pares de pernas torneadas”. Perguntei aos demais se ficariam também para ver o jogo e cada um tinha compromisso. Ficaria só eu com o Bailarino, que às 13h00 já estava meio alegrão com tanta caipirinha que um deles não parava de produzir. Todos bebiam e comiam bem. O churrasco estava ótimo e eles gostaram por eu estar mais sociável e diferente do ambiente de trabalho. Nunca tinham me visto no social e chegaram até a elogiar-me por estar sorrindo mais e até dar gargalhadas das piadas do Bailarino, que era um palhaço adorável. Quase perto das 16h00 os convidados foram se despedindo me deixando só com o bailarino, que não parava de tomar cerveja, já que a caipirinha tinha acabado, mas ele era forte, não perdia a noção das coisas só ficando um pouco mais brincalhão. Ele se estatelou no sofá de frente para a TV enquanto eu organizava um pouco a cozinha, mas não demorou muito para o “filho-da-puta” ir até lá e me resgatar, apertando a minha cintura e me conduzindo quase que à força para o sofá junto dele, pois o maldito jogo iria começar. Fiquei ali ao lado dele, tentando absorver os seus comentários futebolísticos e seus xingamentos quando algum jogador errava o passe. Nos momentos de tensão para quase gol, ele me abraçava lateralmente e me apertava torcendo. Eu até que estava gostando, pois ele era muito cheiroso. Algumas horas ele dava tapas na minha coxa, sem qualquer cerimônia e isso fazia parte da sua torcida no jogo. Eu comecei a fazer o mesmo e quando os jogadores erravam, dava-lhe empurrões que ele chegava a deitar de lado no sofá, dando gargalhadas. Eu até fingia estar mais bêbado que o normal, mas ele já estava bem alto na metade do jogo. No momento do gol do Botafogo, ele pulou tanto e se jogou sobre mim no sofá e pude sentir todo o seu peso do seu delicioso corpo sobre o meu. Ele estava de agasalho e sua trouxa estava em cima da minha virilha e dava para senti-la. Começou a me dar taquicardia, pois eu era o chefe dele e não poderia de forma alguma deixar aquilo evoluir. Em meio a sua efusividade me beijou no rosto de tão feliz que estava. Eu me assustei e o encarei, incrédulo. Ele ficou ali parado, deitado sobre mim me encarando, com um sorriso maravilhoso, num misto de inquisição e desafio e seus olhos passeavam profundamente entre os meus e desciam até os meus lábios. Eu estava paralisado. Não queria que ele saísse de cima de mim. E ele continuava parado ofegante, com pulsação acelerada me encarando, até que eu dei um sorriso amarelo, totalmente sem graça e consegui dizer: “Jogão, né?...”. Ele estava com o rosto a pouco centímetros do meu, dava até para sentir o seu hálito alcoólico, porém agradabilíssimo. Seus olhos estavam mais brilhantes e tinham mudado de cor, pareciam verdes agora, ou violetas... Sei lá! Ele sorriu, balançou a cabeça me achando totalmente bobo e respondeu: “Quer saber? Vai tomar no cú!!!!”, e me tascou um beijo na boca deixando-me sufocado ao que me entreguei totalmente. O abracei e ficamos assim no sofá nos beijando e abraçando freneticamente como se o mundo fosse acabar em poucos instantes. Ele quase rasgou sua camisa ao tirá-la, chutou os seus tênis brancos para longe, tirou a calça do agasalho e apareceu aquilo que eu desejava ver a muito tempo e não tinha coragem. Uma cuequinha cavada linda, de onde saíam suas pernas de bailarino, definidas e densas, sem pelos. Finalmente pude ter a visão do seu pacotão harmoniosamente disposto naquela cueca alvíssima. Ele estava agora na minha frente somente de cuecas e meia branca, ofegante, me encarando desafiadoramente e eu o olhava de cima abaixo, ainda de roupa e totalmente assustado. Eu quis dizer algo e ele foi com o dedo indicador sobre os meus lábios, para que eu não falasse nada. Foi tirando vagarosamente a minha roupa e me deixou de cueca também. Depois disso ficou me admirando, feliz, até me deixar tímido e começou a beijar vagarosamente os meus lábios passando as mãos sobre os meus cabelos. Mandei tudo para o inferno e o arrastei para a cama. O jogo já tinha acabado e o Botafogo ganhou de 1 x 0, mas ele não queria nem saber. Ele me queria agora. Deitamos na cama e quase entrávamos um no corpo do outro de tanto frenesi. Eu estava na cama com aquele rapaz lindo e cheiroso e cada vez que eu queria falar algo, ele abafava a fala com beijos e língua. Ele me induziu a virar de costas para ele e tirou a minha cueca. Se apossou das minhas costas e passeou com a sua deliciosa língua por toda ela até descer na minha bunda, dando-lhes mordiscadas e finalmente chegar no meu cú e enfiar a sua língua desesperadamente. Depois de algum tempo me virei e ele ficou em pé na cama e eu me ergui um pouco e alcancei a sua cuequinha branca arreando-a até os seus pés. O seu pau pulou majestoso para fora e ficou como uma enguia dançando sobre o meu olhar. Suas bolas ainda bailavam com a recente liberdade. O ângulo do seu cacete era belíssimo. O piá tinha 21 cm de rola! Acreditem!!!!! Ele se ajoelhou na cama e eu pude pegar aquele monumento e trazê-lo até a minha boca, aí a noite seria curta. Eu devorava aquele enorme pau como se fosse o último da terra. E ele passava carinhosamente as mãos sobre os meus cabelos. Eu olhava pelo jogo de espelhos e via as suas costas largas convergindo harmoniosamente para uma cintura fina, onde logo abaixo salientavam-se dois belos melões que formavam a sua bunda. Pude perceber que seus pés eram enormes. Calçava 43, o filha-da-puta! Ele pediu que eu deitasse de frente para ele, colocou um travesseiro debaixo da minha bunda, suspendeu um pouco as minhas pernas, lubrificou com saliva o meu cú e foi enfiando o seu belo pau enquanto me encarava olhando profundamente dentro dos meus olhos. Eu estava atônito, sem ação nenhuma, apenas deixava aquela beleza de homem comandar tudo. Seus movimentos eram cadenciados e viris. Deitou totalmente sobre mim com o seu pau ainda dentro, como seu fosse a sua mulherzinha e me beijava a boca intensamente dizendo algumas palavras desconexas. Eram murmúrios de prazer e êxtase. Em seguida ele ficou de joelhos sem sair de dentro de mim e começou a manipular o meu pau delicadamente. Eu estava no Céu! Demoramos um tempo assim, até que lhe disse que iria gozar e acelerou todos os movimentos e gozamos juntos fazendo um puta barulho. Molhei toda a sua mão com o meu gozo e ele me inundou completamente. O seu coração pulava que nem cabrito. Deitamos um ao lado do outro e eu só conseguia dizer: “Gente... Que loucura...”. Ele ria alto, feliz e me beijava a boca insistentemente e disse: “Cara, eu sou apaixonado por você. Te amei desde o primeiro momento que te vi e se você não me contratasse, eu iria te perseguir mesmo assim, até a gente acabar assim... Pode me mandar embora, foda-se! Eu quero você! Eu amo você! Te acho o máximo! Sou teu fã!!... Te amo, te amo, te amo!”, e me beijava e beijava e beijava. Eu queria me beliscar para acordar. Nunca tive uma declaração de amor na vida. Era só sexo e saudades. O meu primeiro amor foi platônico, pois eu era adolescente e o meu amigo havia se mudado para Campo Grande. Depois não amei mais ninguém e fugia disso como o diabo foge da Cruz. Olhei para ele e perguntei: “Ôooo seu filha da puta, você planejou isso tudo, seu fresco? E como você sabia que eu não iria te dar uma porrada?”. Ele dava gargalhadas. Respondeu: “Foda-se! Eu queria ficar perto de você fora do ambiente de trabalho, de qualquer jeito. Planejei sim, forcei a barra, pois eu te quero demais, caralho!” Me beijando sem parar, e continuou a falar, feliz: “Inclusive quando você vinha com umas roupas bem transadas, meio apertadas, eu ficava com tanto tesão que ia no banheiro bater uma. Você não percebia que quando eu ia te mostrar algum relatório ou fazer alguma pergunta, eu colocava as mãos no seu ombro, só para poder senti-lo?”. Eu respondi, com o ego um pouco massageado por aquelas declarações vindas de um rapaz totalmente desejável até talvez por quem seja hétero: “Cara, nunca percebi nada, achava normal...”. E ele: “Tenho atração por homens como você, um pouco mais velho, não muito, pois a nossa diferença é de 6 anos. O teu andar másculo, decidido, a tua postura, teu azedume, teu mau humor, a tua seriedade no trabalho me cativava cada vez mais e se não rolasse esse churrasco, eu te pegaria de qualquer jeito”. Eu já estava me apaixonando por ele, pois não tinha argumentos, só conseguia sorrir e responder aos seus beijos. Perguntei-lhe: ”Eu faço tudo para não deixar transparecer que gosto de homens e como você percebeu?”. Ele respondeu contando nos dedos: “Bom, você sempre sozinho, recluso, as minas lá da empresa dando mole e você nada. Te peguei várias vezes manjando a minha rola, e eu fazia tudo para usar umas cuecas bem apertadas só para ela ficar bem saliente para você olhar... Só que você disfarçava bem até, olhava rapidamente, e eu pensava – Ahhh safado!...”. Eu estava pasmo com essa declaração e avancei sobre ele dando-lhes umas porradas carinhosas que funcionavam quase como cócegas. Ele ria alto. Fomos tomar banho e depois abrimos mais umas cervejas. Não queríamos mais vestir roupas. Era gostoso vê-lo coçar o saco enquanto virava a bebida na boca. Estava totalmente despretensioso naquele momento. Ele já tinha me dominado por completo e eu estava à vontade na presença dele. Voltamos para a cama e ele se aconchegou e assim adormecemos. Acordamos duas horas depois e ele continuava grudado em mim. Passava as mãos no meu rosto e o seu olhar era muito doce. Ele disse bem baixinho: “Agora quero você dentro de mim...” e sorriu. Desceu até o meu pau e começou a chupá-lo deliciosamente. Eu afagava os seus cabelos. Depois ele se ergueu e ficou me encarando, sorrindo e eu beijei as suas duas covinhas. O meu pau estava duro demais e ele foi sentado sobre ele, me encarando sem tirar os olhos dos meus. Fui sentindo o seu anel apertado abraçar centímetro a centímetro o meu pau até sua bela bunda se acomodar sobre as minhas coxas. Ele se erguia sobre os pés com uma facilidade juvenil fazendo agachamento sobre o meu pau, com as pernas abertas, enquanto se masturbava e falava coisas carinhosas para mim, tipo “Goza, meu puto, goza!”.... Eu não podia sequer imaginar que teria aquele gostoso assim, comigo. Não sei como as suas pernas aguentaram tanto tempo no movimento de subida e descida até eu gozar dentro dele. Ele acelerou a punheta que tocava ao mesmo tempo, numa admirável coordenação motora e o seu leite espirrou pelo meu rosto e lábios, fazendo-me lamber e provar. Deitamos exaustos e dormimos novamente. Ele passou o domingo comigo e não paramos de foder. Era uma alternância automática de vara-no-cú-do-outro, que não tinha fim. Ele era delicioso. Combinamos como deveríamos nos comportar na empresa e foi o meu segundo amor na vida. Eu me apaixonei perdidamente por ele que retribuía e alegrava a minha vida. Eu já não tinha mais contatos com os soldadinhos do exército, dei um tempo. Já fazia mais de ano que o soldado de Paranaguá havia sumido, pelo qual eu quase me apaixonei. Agora eu queria ser somente daquele belo rapaz.
Começamos a namorar seriamente, ele quase morava no meu apartamento e na empresa a gente quase nem se falava. Foi 01 ano de amor intenso e ele se formou. Fizemos uma festa com a equipe do TI. Ele recebeu uma excelente proposta de outra empresa para chefiar a equipe e eu até incentivei, pois pagariam mais que podíamos. Ele se desligou da empresa, mas não de mim. Curtíamos o nosso amor intensamente. Ele já praticamente morava no meu apartamento. Resolvemos comprar um anel de compromisso e esperar mais 01 ano para decidirmos realmente se o relacionamento seria para a vida toda. Eu queria casar com ele. Ele me levou para conhecer os seus pais e fiquei morrendo de vergonha quando ele disse: “Pai, mãe, esse é o meu namorado e eu o amo”. Eu não sabia que me apresentaria assim, pois ele não havia me preparado. A Mãe dele abriu um lindo sorriso com aqueles belos olhos que seu filho herdou: “Ó querido, vem aqui me dar um abraço!”. Os seus avós maternos, que moravam com eles, eram de boa com a sexualidade do neto. Adoráveis os dois idosos e achei tudo isso fora da curva brasileira. Eram muito evoluídos e viajados. O pai alemão foi muito simpático. Era um senhor grisalho, corpulento e de pele e olhos claros com sotaque muito carregado. Era o seu segundo casamento e tinha também dois filhos com a ex-esposa que ficaram na Alemanha. Lá ele trabalhou na indústria química e se aposentou cedo. Vivia bem no Brasil ganhando em EURO, logicamente. Depois de uma certa intimidade com ele, dizia-lhe que era um aposentado alemão “eurótico” e ele dava gargalhadas salientando as suas bochechas rosadas. Para tudo que ele ia falar, impulsionava as frases com um sonoro “Pora!” (porra). O Bailarino o chamava carinhosamente de “Chucrute” e o cumprimentava com um rápido beijo na boca. Eles se amavam demais. O Bailarino era louco pelo pai e tinha uma irmã mais velha, curitibana também, que estudava e trabalhava nos EUA. Falei com ela por vídeo. Era linda! No decorrer, eu e meu querido programamos férias em junho e ele me levou para conhecer a sua família alemã. Pasmem no nível de evolução desse povo: Ficamos hospedados na casa da ex-esposa do seu pai, junto com os seus irmãos. Eles não eram tão bonitos quanto o Bailarino, apesar de simpáticos, mas os seus primos... Eu babei, e até brinquei que iria pegar um deles. Levei umas porradas carinhosas kkk. Alugamos um carro e rodamos o Oeste da Alemanha, depois Bélgica, Luxemburgo e Holanda. Foi maravilhoso. Voltamos para o Brasil e eu estava pronto para assumir para o mundo a nossa relação. Eu não tinha mais medo, pois estava feliz.
Veio a maldita PANDEMIA e fodeu tudo!!!
A família do Bailarino inteira pegou covid e ficou confinada. O tinha avisado que ficasse parado, ou na minha casa ou na dele até tudo passar, pois tinha dois avós idosos em casa. Aconteceu! Ele pegou covid e transmitiu para a família inteira. Provavelmente tenha contraído na festa que foi sem eu saber, no consultório de uma odontóloga irresponsável, que reunia escondida a galera no prédio comercial. Ele não me convidou porque sabia que não iria e que certamente faria uma denúncia, já que eu levava o lockdown a sério. Em 01 mês essa maldita doença ceifou a vida do seu amado “Chucrute” e de seus dois avós maternos, que ele adorava. Uma tragédia! Não pudemos nem velar os seus corpos e ir aos enterros. Eu só falava com o meu amor por telefone. A dor dele era incomensurável. Ele gritava alto, desesperado ao telefone se declarando um assassino desprezível e se sentindo o pior dos seres humanos. Ele esmurrava as paredes do quarto ferindo as mãos que chegavam a sangrar. Nunca sentimos tanta dor, pois também perdi alguns amigos. Para a mãe e Bailarino foi como uma gripe forte, mas essas perdas familiares acabaram com a vida do meu querido. Ele parou de atender ao telefone e não respondia as minhas chamadas e mensagens. Eu entendia perfeitamente, pois estávamos todos sofrendo. Ensaiei falar com a sua mãe, mas não tive coragem. Depois que a vida foi se normalizando e passados alguns longos meses, recebi uma ligação de sua mãe dizendo que tinha deixado o Bailarino na porta do meu prédio e que eu o recebesse e tentasse conversar com ele, pois estava com uma depressão profunda, mas não queria ir a médico nenhum. Corri para a portaria do prédio e lá estava ele parado, magro, acabado, sem brilho, com olheiras profundas, seus cabelos estavam sem vida e com o volume bastante diminuído. Eu o abracei e ele ficou imóvel, não disse uma palavra. Estava cheirando mal como se não tomasse banho. Ainda mantinha o nosso anel de compromisso no dedo. Eu o puxei delicadamente pelo braço ao elevador. Entramos no apartamento e ele não sabia aonde ir. Era um robô apático. Meu coração começou a sangrar, mas eu não podia chorar na frente dele e apenas disse: “Vou preparar um banho gostoso para você”, e tentei sorrir. O deixei sentado no sofá e fui encher a banheira com água morna e fiz bastante espuma. O busquei e tirei as suas roupas, que fediam. Até os seus tênis antes branquíssimos, agora estavam encardidos e mau cheirosos. Seu corpo parecia saído de um campo de concentração nazista. O seu pau estava sem vida, totalmente arreado. Sua pele era gordurosa e manchada. Ele sentou na banheira e esfreguei as suas costas. O deixei lá enquanto joguei suas roupas na máquina de lavar e voltei. Ele não tinha emitido uma palavra, apenas mantinha o olhar fixo em um ponto qualquer. Não forcei nada, não falei mais nada, só o conduzia delicadamente. O enxuguei e dei-lhe calção e camiseta que ele havia deixado no apartamento, entre outras coisas. Ele não queria comer nada e ficou do meu lado na cama olhando para o teto e eu desesperado, sem saber o que fazer. Era como ele quisesse talvez parar de gostar de mim, pois todos que ele amava poderiam morrer de repente, um preço elevadíssimo que a vida estava lhe cobrando por sua desobediência juvenil. Tranquei bem as portas e janelas com medo que ele se jogasse. Deixei para tentar falar com ele no dia seguinte, quem sabe... E adormecemos. Eu tenho um sono pesado e ao acordar ele não estava mais na cama. Me desesperei e saí procurando-o por cada canto do apartamento. A porta estava apenas encostada. Ele tinha ido embora no meio da noite. Voltei ao quarto chorando e vi que ele tinha deixado o seu anel de compromisso sobre o criado mudo. Eu tirei o meu, triste e resignado e o deixei ao lado... Aí desabei, pois não tinha forças para lutar, eu também tinha perdido dois bons amigos nessa terrível pandemia. Fiquei muito tempo chorando até doer os meus olhos e peito. De repente me dei conta que o Bailarino pudesse estar correndo perigo em algum lugar e liguei apavorado para a sua mãe. Ela me disse que ele tinha chegado no meio da noite e se trancado no quarto. Eu chorava e dizia-lhe: “Senhora, me perdoe, mas não consegui...”. Ela respondeu docemente: “Eu sei querido, eu sei... Ele era tão feliz com você (chorava)... Eu estou apavorada com medo de perdê-lo também, não sei o que fazer... Está vindo o tio dele da Alemanha, que também ficou viúvo por conta da covid, para me ajudar e vermos o que fazer. Eu não tenho mais forças, querido... Não tenho...”. Ambos choramos ao telefone e me despedi dela, colocando-me à disposição para o que precisasse. Naquele momento eu sabia que era o fim de verdade daquele amor que desejei e metade do meu coração foi arrancado para sempre. Até hoje guardo, em um santuário de saudades, as suas roupas que lavei.
Foi depois disso que resolvi mudar o meu trabalho para home office, vender o apartamento e me mudar para uma chácara nos arredores de Curitiba. Eu sigo a mãe e a irmã dele no Instagram. A irmã casou com um americano e continua nos EUA e a mãe casou com o irmão do falecido marido, que veio ajuda-la e foram viver em Dusseldorf, na Alemanha, onde antes estive com o meu saudoso amor. Ele trabalhou na área de TI por lá. Não tem redes sociais, mas nas fotos que ele aparece, postadas por sua mãe e irmã, está sempre sério, magro e de barba e cabelos ralos. Recentemente ele casou com um espanhol quarentão e vivem em Barcelona. Eu vivo nos arredores de Curitiba, viúvo das doces lembranças que ele deixou.