Fodendo a Esposa Safada do Vizinho Corno - Capítulo 4: A Puta da Minha Vizinha Estava Sem Calcinha

Um conto erótico de Allan Grey
Categoria: Heterossexual
Contém 4772 palavras
Data: 17/04/2026 19:59:08

Parei diante da porta, o fardo de cerveja gelada pesando no meu braço como um fardo de pecados. O alumínio das latas transpirava contra o meu bíceps, mas o calor que vinha de dentro da casa era de outra natureza. O som de algo fritando intensamente — um chiado violento de gordura encontrando o metal — escapava pelas frestas.

Aparecida abriu a porta e o mundo lá fora simplesmente emudeceu diante daquela presença avassaladora. Enquadrada pelo batente, sua pele oliva reluzia sob a luz do dia, contrastando violentamente com a cascata de cabelo preto, longo e liso que escorria por seus ombros nus. Seu rosto quadrado, com uma mandíbula definida e forte, exalava uma autoconfiança intimidante. Por trás das lentes dos óculos corretivos, que emolduravam seus olhos castanhos escuros, havia um olhar intenso, penetrante, que não pedia licença para avaliar o que via. Os lábios carnudos e bem desenhados se abriram num sorriso amplo, predatório, prometendo problemas.

Ela mantinha uma postura absolutamente desinibida, ciente do efeito que causava. Vestia a camisa do time amarrada com um nó cego apertado logo acima do umbigo, uma amarração estratégica que transformava o uniforme num convite ao crime visual. O nó evidenciava não apenas seu ventre atlético e tonificado, mas também a silhueta ampulheta acentuada, onde a cintura milimetricamente fina servia de base para o volume generoso e imponente de seus seios grandes, que tensionavam o tecido do Manto Sagrado.

Abaixo, a saia de malha, listrada em preto e branco e perversa em sua elasticidade, mal cumpria o propósito de cobri-la; era uma sugestão erótica, não uma vestimenta funcional. A malha fina moldava-se com precisão obsessiva aos seus quadris largos e curvilíneos, desenhando o relevo farto do seu corpo atlético sem qualquer vestígio de lingerie. Notando minha paralisia, ela puxou a barra da saia para baixo com um movimento sádico e lento, um gesto hipnótico que, ironicamente, só serviu para traçar o caminho do meu olhar diretamente para a base de suas coxas grossas, firmes e douradas, onde a pele oliva parecia pulsar.

Fiz uma varredura visual lenta e dolorosa, subindo pelo relevo absurdo do quadril largo, passando pela cintura de vespa e parando novamente no rosto dela. Os lábios carnudos mantinham o sorriso aberto, de quem sabe que já ganhou o jogo sem precisar entrar em campo.

— Vixe, demorou, foi? Achei que tu tinha errado o caminho da minha casa, danado — ela disparou, a voz carregada de uma intimidade que não tínhamos direito de ter.

Sem aviso, ela enlaçou meu pescoço. Foi um abraço longo, desnecessário, colando o corpo úmido e quente ao meu. Senti o poliéster da minha camisa ser esmagado contra o busto dela. As unhas de Cida, pintadas daquele vermelho que grita, arranharam minha nuca com uma lentidão calculada, subindo até a base do meu cabelo, me ancorando nela.

— Tu tá cheiroso demais pra quem só veio beber com o bicho do meu marido... — ela sussurrou no meu ouvido.

Travei a mandíbula. O hálito dela, com cheiro de menta e malícia, vibrou contra minha pele, me causando um arrepio que odiei sentir. Tentei me afastar, mas a mão dela permaneceu firme por um segundo a mais, um gancho de carne na minha nuca, antes de me deixar passar.

Entrei na sala e encontrei Djair. Ele parecia um gigante bonachão em seu habitat.

— Entre, Miguel, fique à vontade. Mi casa, su casa! — ele exclamou, estendendo os braços.

O espanhol de churrascaria dele é tão autêntico quanto a lealdade que eu demonstro por ele. Ou seja: lixo. Depositei o fardo de cerveja sobre a mesa de centro de madeira lascada, o gelo derretido molhando o tampo. Djair foi até a cozinha e voltou segurando uma travessa de alumínio fumegante com as pontas dos dedos, equilibrando o calor com a perícia de quem já se queimou muito na vida.

Ele colocou a travessa no centro da mesa. O metal estalou sob o impacto da gordura fervente. Observei a montanha de vísceras fritas — moelas e fígados nadando num azeite escuro. O cheiro de ferro e óleo invadiu meus pulmões, impregnando o ar claustrofóbico da sala.

— Foi tu que preparou isso, Djair? — perguntei, tentando focar em qualquer coisa que não fosse a perna de Aparecida.

— Mas com certeza! Aqui em casa sou eu que piloto o fogão, Miguel. Cida não sabe cozinhar é nada — ele riu, limpando o suor da testa com o pano de prato.

Lancei um olhar de soslaio para ela. Cida estava escorada no batente da porta, os braços cruzados sob os seios, empurrando o decote da camisa do time para cima.

— E quem disse que eu não sei, homem? Eu só não gosto de fazer — ela retrucou, a voz carregada de um desdém divertido.

Djair parou com a mão no ar, uma expressão de surpresa genuína e quase infantil atravessando seu rosto gorduroso.

— Ah, é? Pois passou dez anos dizendo que não sabia fritar um ovo! — Djair exclamou, rindo com uma ingenuidade que me dava náuseas.

​Aparecida não se moveu. Continuou escorada no batente, os braços cruzados sob os seios grandes, fazendo o decote da camisa do time subir até quase o pescoço. Ela olhou para as próprias unhas vermelhas, soprando-as com um desdém coreografado antes de cravar o olhar em Djair — e depois, por um segundo longo demais, em mim.

​— E pra que é que eu vou estragar minhas unha no calor desse fogão se eu tenho tu pra isso, homem? — ela disparou, a voz mansa, mas com o fio de uma navalha. — Tu sabe muito bem, Djair... se tu quer ter uma mulher linda e gostosa desse jeito aqui do teu lado, tem é que fazer por merecer.

Ela não cozinha porque prefere ver o marido suando na frente do fogo enquanto ela dita as ordens. Manipulação básica. Ela gosta do serviço, mas gosta mais do poder.

Miguel viu Djair murchar. O sorriso dele permaneceu no rosto, mas os olhos perderam o brilho; ele acatou a humilhação como se fosse um elogio, um preço justo a pagar pela carne que ele achava que possuía.

Ela o chicoteia em público e ele ainda pede desculpas pelo barulho do aço. É um espetáculo de castração em tempo real. Ela não quer um marido; ela quer um assistente de palco para o show que ela dá para os outros.

Ela piscou para mim, o olhar por trás dos óculos brilhando com a satisfação de quem acabou de marcar o território.

Djair sentou-se na poltrona de corino, que rangeu sob seu peso como um protesto por anos de descaso. Sentei-me na ponta esquerda do sofá, deixando o máximo de espaço possível entre nós, tentando criar uma barreira invisível. Não adiantou. Cida caminhou até o sofá e sentou-se exatamente no meio, ocupando o vácuo, colando-se a mim enquanto o marido abria a primeira cerveja. O estalo do alumínio pontuou o silêncio tenso.

Olhei para eles. O cozinheiro enganado e a rainha do sofá. E eu, o convidado que veio devorar o que não está no prato.

Djair riu de uma notícia qualquer na TV, limpando a gordura do canto da boca com o polegar. Enquanto ele se distraía, Cida pressionou a lateral da coxa contra a minha perna. Foi uma pressão firme, deliberada, uma reivindicação. Senti o calor da pele dela atravessar o tecido da minha bermuda. Endureci a postura, o coração disparado, mas não me afastei. Eu era um cúmplice paralisado.

Mantive o pescoço rígido, uma estátua de carne e nervos, forçando o olhar para a tela da TV onde um repórter falava sobre a escalação do time. Minha visão periférica, no entanto, era uma maldição detalhada em alta definição. Eu não precisava olhar diretamente para saber que aquelas coxas grossas de Aparecida estavam a milímetros de explodir o tecido da saia de malha.

Pisquei devagar, tentando afastar a imagem da pele dela, que brilhava sob a luz amarela da sala, saturada pelo óleo e pelo calor. Apertei a lata de cerveja com força; o frio do metal era a única coisa que me impedia de entrar em combustão espontânea diante do calor que emanava da coxa dela, pressionada contra a minha no sofá.

Djair soltou uma gargalhada ruidosa com uma piada do narrador, balançando o corpo na poltrona como se estivesse na arquibancada. Travei o maxilar, temendo que qualquer solavanco do estofado me empurrasse definitivamente contra o corpo dela. Ri, Djair. Ri enquanto o mundo desaba em silêncio bem na sua frente.

Ela espetou um pedaço de moela e ofereceu na direção da minha boca, os olhos castanhos fixos nos meus, desafiando meu resto de caráter.

— Prove, Miguel. Veja se o tempero do meu marido tá do teu agrado — ela disse, a voz num tom baixo que Djair, distraído com a TV, não captou.

Desviei o olhar para a travessa, sentindo o calor da carne perto do meu rosto. O cheiro era forte, animal. Peguei meu próprio palito e ataquei a travessa de alumínio. O metal do palito raspou no fundo da peça, um som agudo, de dar gastura, que fez meus dentes vibrarem.

— Tá faltando sal? Ou o tempero tá bom pra tu, Miguel? — ela perguntou, um sorriso de canto escondendo o jogo.

— Bebe uma aí, Miguel, deixa de ser bicho do mato! — Djair gritou, me estendendo uma lata suada.

Virei metade da cerveja de uma vez. O líquido gelado desceu queimando. Fixei o olhar na travessa. A gordura estava começando a assentar, criando uma película brilhante e viscosa sobre as vísceras.

Nós somos como essa moela. Mergulhados no que há de mais baixo, fritando no próprio desejo, esperando apenas o momento de sermos engolidos pelo erro.

Sob a visão periférica de Djair, que gargalhava de um comercial, senti os dedos de Aparecida deslizarem pelo sofá. Ela tocou a ponta dos dedos na minha coxa, subindo milimetricamente. Olhei para Djair, que sorria para a tela, e depois para a travessa de alumínio que ia ficando vazia. Percebi, com um gosto de ferro na boca, que a verdadeira refeição da noite ainda nem tinha começado a ser servida.

Cida estendeu a mão para a mesa de centro. Seus dedos longos, com as unhas vermelhas como sangue, hesitaram sobre a borda da travessa de alumínio. Ela iniciou o movimento de inclinação para frente, o tronco descendo lentamente. Conforme ela se debruçava em direção à moela fumegante, a saia de malha justa começou a ceder à gravidade. O tecido subia centímetro por centímetro, revelando a pele dourada.

Minhas pupilas dilataram-se bruscamente. Parei de respirar. E lá vamos nós. A física é uma ciência honesta demais para um lugar tão mentiroso.

O tecido da saia deslizou sobre a pele bronzeada, revelando a curva generosa e potente das nádegas. Apertei os lábios, sentindo a boca secar instantaneamente, como se eu tivesse engolido a areia daquela praia das fotos dela. Não tinha costura. Não tinha marca de elástico. O parasita da dúvida se alojou no meu cérebro com dentes afiados: ela está sem nada por baixo?

Cida apoiou o peso do corpo nos antebraços, mantendo-se curvada sobre a travessa. Nessa posição, a polpa da pele dela parecia saltar da moldura da saia, oferecendo-se à luz da sala com uma insolência pornográfica. Era um crime visual. E eu era a única testemunha ocular que não podia abrir a boca para pedir socorro.

Desviei o olhar para Djair por um milésimo de segundo. Ele estava ocupado palitando os dentes, os olhos fixos na TV, ignorando completamente a montanha-russa erótica que acontecia ao seu lado. Você é um gênio, Djair. Consegue ignorar o que eu daria um braço para tocar agora.

Cida remecheu levemente o quadril enquanto procurava o melhor pedaço de moela. O movimento fez com que a malha subisse mais um milímetro, testando o limite absoluto da decência e da minha sanidade. Uma gota de suor escorreu da minha têmpora, trilhando um caminho quente até a linha do meu ouvido.

— Essa moela ficou macia, né Miguel? O segredo é o tempo de pressão! — Djair exclamou, voltando-se para mim.

Sobressaltei-me levemente com o som da voz dele, mas não movi a cabeça. Meus olhos estavam pregados naquela visão proibida.

— É... derrete na boca, Djair — respondi, com a voz falha.

Eu nem sabia o que estava comendo. Poderia ser papelão frito que eu não notaria a diferença. Cida finalmente espetou uma moela, mas não voltou para a posição ereta. Ela permaneceu ali, debruçada, permitindo que eu estudasse cada detalhe daquela ausência de roupa íntima, o contraste da sombra entre as coxas contra a luz da sala. Ela sabia. Ela estava contando os batimentos da minha carótida.

Cida virou o rosto levemente para trás, capturando meu olhar pelo canto do olho. Ela morde o lábio inferior, um gesto rápido e devastador. Pegou o flagra. E agora ela ia usar isso para me torturar até a última gota de cerveja. Em vez de se levantar, ela se inclinou um pouco mais para a direita, forçando o contato da sua coxa contra a minha, pele com pele no espaço entre a bermuda e a saia.

— Oxente, Miguel... tu tá suando? Tá sentindo calor, é? — ela perguntou, com um ronronar que se perdeu nos comerciais da TV.

Senti o rosto queimar. Minha máscara de cinismo estava rachando.

— Sim, um pouco, Cida — foi tudo o que consegui dizer.

Ela soltou uma risadinha baixa e levou a moela à boca, mastigando devagar, ainda curvada sobre a mesa de centro. O limite da saia era a fronteira final. Se eu cruzasse, não haveria volta. E ela estava me empurrando com os dois pés.

Subitamente, Djair se levantou.

— Vou buscar mais uma no gelo! — ele disse, caminhando para a cozinha.

Gelei. O movimento dele mudou a perspectiva da sala. Se ele olhasse para trás agora, veria o que eu estava vendo. E aí o espanhol de "mi casa, su casa" acabaria em sangue. Cida percebeu a saída do marido e, em vez de se recompor, ela empurrou o quadril propositalmente para trás, contra o sofá, bem na direção da minha mão.

O tecido esticou ao máximo, e minha dúvida se transformou em uma certeza dolorosa: não havia nada entre a malha e a pele dela. Encarei Aparecida, que agora me olhava de volta com um desafio descarado. Sustentamos o olhar enquanto ela deslizava a língua pelos lábios sujos de gordura, demorando-se na posição de ataque, exatamente no momento em que os passos pesados de Djair começaram a voltar para a sala. Eu tive foi uma vontade suicida de esticar o dedo e confirmar o pecado.

Djair gesticulava freneticamente, as mãos sujas de gordura quase tocando a tela enquanto um jogador do time perdia um gol feito.

— Vai tomar no... — o grito dele morreu num engasgo de frustração.

Cida soltou uma risada curta, seca. Tinha um veneno ali que Djair, na sua ingenuidade barulhenta, confundia com brincadeira de casal.

— Deixe de ser trouxa, Djair! — ela disparou. — Tu reclama dos jogadores, mas não aguenta correr dois minutos que já fica morrendo.

Notei o brilho de escárnio nos olhos dela. Ela estava usando o marido como saco de pancadas verbal apenas para me entreter, para mostrar quem mandava naquela arena de corino e fumaça.

— Tu não acerta nenhum buraco, imagine um chute desses.

Vi o rosto de Djair murchar por um segundo, uma sombra de humilhação cruzando aqueles olhos cansados. Senti uma pontada de pena. Ela o castra em público e ele sorri como um fiel recebendo a hóstia.

Mas Aparecida era mestre na transição. Antes que o clima pesasse, ela mudou o jogo bruscamente, suavizando o tom para a "esposa dedicada".

— Tá bom, meu velho. Venha cá, deixe eu lhe dar um cheiro pra tu não infartar — disse ela, com uma doçura falsa que me deu náuseas.

Ela se inclinou para a esquerda, em direção à poltrona dele. Esticou o corpo sobre o braço do sofá para alcançar o rosto de Djair. Para fazer isso, ela precisou projetar o quadril para trás e para o alto, bem na direção do meu rosto.

Aqui está. O movimento de desculpas que é, na verdade, uma execução sumária da minha sanidade.

A saia de malha, já no limite absoluto da costura, cedeu à física da inclinação e subiu de forma definitiva. Congelei. Meus olhos ficaram travados no ponto onde o tecido terminava e a pele começava. A moldura de coxas se abriu diante de mim num ângulo cirúrgico. Ela estava me dando o que o Djair achava que possuía, mas nem sequer enxergava.

O limite da saia não apenas subiu; ele se rendeu à gravidade daquela pose obscena, expondo a arquitetura completa da perdição. A malha listrada amontoou-se em torno da cintura fina, transformando-se em um cinturão inútil que deixava à mostra a vastidão das nádegas de Aparecida.

Eram duas esferas de carne firme e oliva, pressionadas com força contra o estofado gasto do sofá, criando um sulco profundo que parecia sugar toda a luz da sala. A pele ali era de uma perfeição insultuosa, sem uma única marca de costura ou tecido, brilhando com o óleo que ela provavelmente usara para se bronzear e que agora, fundido ao suor do calor abafado, criava um reflexo dourado e viscoso sobre a polpa densa que transbordava para fora da moldura da saia.

Mas o verdadeiro abismo, o ponto de não retorno, estava no centro daquela geometria profana. Com as pernas abertas, a vulva de Aparecida se oferecia à luz amarela e crua do teto sem qualquer resquício de pudor ou barreira. Era de uma lisura absoluta, totalmente depilada, revelando a pele sensível e levemente rosada que contrastava de forma violenta com o bronzeado escuro e profundo das suas coxas.

A mucosa brilhava intensamente, um rastro de umidade natural e espessa que denunciava que ela estava tão acesa e faminta quanto o meu próprio olhar. Sob a lâmpada nua da sala, era possível distinguir o desenho delicado dos pequenos lábios, desarmados e túmidos, pulsando em um ritmo invisível enquanto ela sustentava o meu choque. O contraste entre a vulnerabilidade daquela carne exposta e a arrogância do olhar dela era o que tornava o crime perfeito.

Minhas pupilas dilataram tanto que a luz da TV se tornou um borrão cinzento ao fundo; o mundo havia se reduzido àquele triângulo proibido de carne, sombra e luxúria.

Nua. Ela estava realmente nua sob essa malha barata, e o cheiro de mulher excitada agora lutava ferozmente contra o odor de gordura que vinha da cozinha. O parasita da dúvida que me roía o cérebro desde que entrei naquela casa morreu na hora; agora eu tinha a certeza física do crime, e a minha única vontade era me tornar o próximo cúmplice.

Cida segurou o rosto de Djair com as duas mãos e depositou um beijo estalado e sonoro na bochecha dele. Naquele exato momento, enquanto beijava o marido, ela empurrou levemente o quadril para trás, oferecendo-me a visão total, o mapa completo da minha perdição. Era um espetáculo privado, uma profanação coreografada. Ela usava o afeto pelo marido como uma cortina de fumaça para o exibicionismo mais cru que eu já vi.

Senti o suor frio escorrer pelas minhas costas. O contraste entre o beijo "inocente" e a visão proibida à minha frente me sufocava mais que o cheiro da gordura.

— Pronto, meu gordinho. Fique brabo não. Miguel tá vendo como tu é ranzinza — ela cantarolou, voltando o olhar para mim com um cinismo que me fez tremer.

Miguel está vendo muita coisa, Aparecida. Coisas que fariam o seu "gordinho" virar um bicho, se ele tivesse metade dos meus instintos.

Djair relaxou, amansado pelo beijo, e voltou a se recostar na poltrona descascada, com aquele sorriso de quem ganhou o dia. Cida não voltou para a posição ereta imediatamente; ela se demorou ali, debruçada sobre o braço do sofá, como se estivesse ajustando algo, mantendo a vitrine aberta para mim. Foquei no contraste entre a pele oliva dela e o couro marrom podre da poltrona de Djair. A beleza dela naquele cenário era um erro geográfico. Ela era uma flor crescendo num lixão, e eu era o único que percebia o cheiro do pólen.

— Tá vendo, Miguel? Ela reclama, mas é louca por mim! — Djair vangloriou-se, abrindo mais uma lata.

— Dá pra ver, Djair — respondi, minha voz saindo como um sussurro rouco. — A paixão dela é... escancarada.

"Escancarada" era pouco. Era pornográfica de tão cínica.

Cida finalmente voltou a sentar-se, mas o fez com uma lentidão que permitiu à saia deslizar devagar sobre sua pele, como uma cortina de teatro se fechando após o ato principal. Ela olhou para mim pelo canto do olho, um relance de meio segundo que carregava toda a confissão do mundo. Ela sabia que eu vi tudo. Ela planejou cada centímetro dessa subida de saia.

Ela soltou uma risadinha silenciosa, apenas um movimento de ombros, enquanto olhava para as próprias unhas. Ela é um perigo público, pensei. E o Djair está lá dentro, abrindo latas de alumínio, achando que a vida é um comercial de margarina.

Cida pegou o palito de dente e começou a limpar o canto da boca, um gesto vulgar que, nela, parecia um convite irrecusável. Olhei para a poltrona de Djair e depois para o vão entre as pernas dela, onde a malha agora repousava. O risco de ser pego não era mais um medo. Era o tempero que faltava nessa moela gelada.

Enquanto Djair voltava a berrar com o replay do jogo na TV, encarei o fundo da travessa de alumínio. Percebi que, para mim, o jogo já tinha acabado há muito tempo: eu agora era o refém voluntário da nudez oculta de Aparecida. Eu já tinha atravessado o portão e jogado a chave fora.

Na tela da TV, o juiz levou o apito à boca e encerrou o primeiro tempo com três silvos curtos e estridentes. O som do apito foi o sinal para os jogadores descansarem e para os predadores começarem a caçada real. O clima na sala mudou instantaneamente; a tensão que antes era diluída pelo barulho do jogo agora se concentrava, densa como o óleo que começava a esquentar.

Djair se levantou da poltrona com esforço. As molas gemeram em coro com seus joelhos estalando, um som de desgaste que parecia pontuar a decadência daquela tarde.

— Intervalo! Vou aproveitar pra fritar aquele torresminho que tá na geladeira. O segundo tempo pede sustância! — ele anunciou, já caminhando para a cozinha com sua nuca suada e brilhante.

Me levantei logo em seguida, ajeitando a bermuda que parecia subitamente apertada demais, o tecido incomodando a carne tensa.

— Vou aproveitar o gancho pra usar o banheiro, Djair. Essa cerveja tá pedindo pra sair — menti.

A bexiga cheia era o álibi perfeito, a mentira mais biológica que eu pude inventar para fugir daquele sofá por um minuto. Caminhei pelo corredor estreito, ouvindo o som do óleo começando a chiar na frigideira. Entrei no banheiro e tranquei a porta. O clique da tranca soou como um tiro no silêncio do corredor. Joguei água gelada no rosto, sentindo o choque térmico contra a pele febril. Encarei meu reflexo no espelho manchado; meus olhos estavam injetados, uma mistura de adrenalina e mau presságio.

Recomponha-se, Miguel, pensei. Você é um observador, não um participante. Recupere o cinismo ou você vai acabar como o torresmo do Djair: frito e devorado. Sequei o rosto com uma toalha que cheirava a mofo e àquele perfume doce de Cida, um cheiro que parecia impregnar meus poros.

Abri a porta e caminhei de volta. Meus passos foram abafados pelo tapete encardido. O silêncio da casa agora era pesado, apenas interrompido pelo tsss rítmico da gordura na cozinha. Cruzei o batente da sala e estaquei. O ar pareceu ter sido sugado do ambiente, deixando um vácuo onde apenas o meu coração batia.

Abri levemente a boca, o ar parando no meio do caminho ao ver a cena no sofá. Cida não estava mais sentada; ela estava jogada de costas, as pernas abertas num ângulo impossível, os pés apoiados na borda da mesa de centro. A física não explicava aquilo; era uma geometria profana. Ela se transformara num altar de carne no meio da sala de estar.

A saia de malha estava amontoada na cintura, transformada em apenas uma tira de tecido inútil e amarrotada. Travei o olhar no centro do convite: a vulva de Cida, exposta sob a luz impiedosa da lâmpada do teto. A mucosa brilhava, um contraste úmido e escuro contra a pele oliva das coxas. Era uma heresia. Um crime cometido em plena luz, enquanto o marido preparava o aperitivo a cinco metros de distância.

Cida não se moveu para se cobrir. Em vez disso, ela levou o dedo médio à fenda, deslizando-o com uma lentidão sádica. Sustentou meu olhar, os olhos escuros e desafiadores, sem um pingo de vergonha. Ela estava se tocando, me obrigando a ser o cúmplice de uma masturbação que tinha cheiro de torresmo e traição. Senti meu coração martelar contra as costelas, um som surdo que eu tinha certeza que Djair podia ouvir da cozinha.

O dedo dela brilhava, encharcado, enquanto ela desenhava um círculo imaginário na própria pele, as unhas vermelhas destacando-se na penumbra do sofá.

— Tá muito calor, vizinho... a gente sua onde não devia, sabia? — ela sussurrou.

A voz dela era um veneno destilado. "Onde não devia". Ela sabia exatamente onde doía. Dei um passo à frente, como um sonâmbulo atraído por um abismo, mas o som de um prato batendo na cozinha me trouxe de volta à realidade violenta. Virei a cabeça bruscamente para o corredor. O pavor do flagra subiu como um refluxo amargo.

O som do chinelo de Djair — pá, pá, pá — começou a ecoar, aproximando-se. O carrasco estava voltando com a travessa.

Com a agilidade de uma predadora, Cida fechou as pernas e puxou a saia para baixo num único movimento fluido. Sentou-se ereta, ajeitando o cabelo e a camisa do Flamengo com uma naturalidade assustadora, enquanto eu me jogava no sofá, na minha ponta habitual, segundos antes de Djair cruzar o batente.

Ele entrou triunfante, equilibrando uma nova travessa de alumínio, desta vez com torresmos dourados que ainda estalavam.

— Olha a joia da coroa! Chega tá estalando! E aí, Miguel, se aliviou? — ele perguntou, com a testa brilhando de gordura e satisfação.

Senti o suor frio escorrer pelas minhas têmporas. Tentei sorrir, mas meus lábios pareciam colados com cola quente. Olhei para as mãos de Djair colocando a travessa sobre a mesa, exatamente onde os pés de Cida estavam há dez segundos. Se ele encostasse a mão na mesa e sentisse o calor que ficou ali, o rastro térmico do corpo dela, estaríamos todos mortos.

Djair olhou para mim por um momento, as sobrancelhas franzidas.

— Tu tá pálido, homem! O que foi? O banheiro tava tão ruim assim ou tu viu um fantasma no corredor?

Cida soltou uma risadinha cristalina, pegando uma lata de cerveja e servindo um copo para mim com uma mão firme e cínica.

— Deve ser a pressão que caiu com o calor, não foi, Miguel? Tome, beba, pra ver se o sangue volta pro rosto — ela disse, os olhos brilhando de diversão.

Peguei o copo; meus dedos tremiam levemente, fazendo o líquido oscilar contra o vidro. Olhei para ela por cima da borda; ela piscou para mim, um movimento quase invisível, enquanto mordia um torresmo com uma força que me fez pensar no meu próprio pescoço.

Virei o copo de uma vez, sentindo o amargor da cerveja e o sal do torresmo, enquanto o som da TV anunciaia o início do segundo tempo. O jogo de verdade, percebi, acabava de sofrer uma escalada sem volta. Sabe de nada. Você acha que o perigo tinha passado. Ele só tinha acabado de mudar de prato.

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