Relato VI - O homem invisível (final)

Um conto erótico de Leandro Gomes
Categoria: Gay
Contém 1639 palavras
Data: 15/04/2026 19:58:09

Depois daquela noite, nada voltou exatamente para o lugar onde estava — mas também não saiu do lugar de forma suficiente para que alguém de fora percebesse. Foi isso que mais me chamou atenção. A vida continuou.

Eu abri o mercado no dia seguinte, cumpri horário, atendi cliente, ouvi as mesmas conversas de sempre, dei troco, organizei prateleira, tudo dentro de uma normalidade que, vista de fora, não tinha sido alterada em nada. Em casa, a Laura continuava a mesma, falando das coisas do dia, dos filhos, das contas, da rotina, ocupando aquele espaço que sempre foi dela, e eu respondendo como sempre respondi, sem levantar questão, sem criar ruído. Mas por dentro… não era mais igual. Eu me sentia vivo e visto.

No dia seguinte, pedi ao meu colaborador que ficasse após as 18:00h para eu “resolver uma coisa”, e fui ao hotel me encontrar com Marcos. Não tínhamos combinado nada, mas ele parecia estar me esperando. Sorriu quando me viu entrar pela porta do quarto e me deu um abraço apertado. Nos beijamos longamente e então nos sentamos na cama. Desta vez, a gente conversou bastante enquanto tomamos um vinho muito bom. Ele lembrava do meu gosto por vinho tinto suave. Não só isso, ele pediu comida por aplicativo e, para minha surpresa, era uma porção de tilápia, um dos meus pratos favoritos!

Uma onda de sentimentos invadiu meu peito naquele momento. Meu melhor amigo da faculdade... aliás, da vida inteira, estava ali comigo novamente após décadas de separação. Falamos sobre nossas vidas, lembramos dos colegas e das situações da faculdade, do nosso trabalho, da nossa vida atual. Ele pegou na minha mão e acariciou, me tocava no rosto, me elogiava... E eu fazia o mesmo com ele, sem medo de nada, sem receio de me entregar. Transamos intensamente naquela noite e então fui para casa, sorrindo pelo caminho.

Nos encontramos no outro dia no hotel novamente na hora do almoço. No dia seguinte, segunda-feira, voltei ao hotel para nos despedir, pois ele iria viajar à tarde. Eu o abracei muito forte, e ele deu um beijo caloroso, carregado de desejo e carinho. Marcos então me despiu e me deitou na cama sem pressa. Depois beijou meu pescoço e desceu até meus mamilos. Já estávamos ambos muito excitados, meu pau pulsava a cada toque da boca dele em meu corpo. Em seguida, de joelhos, ele aproximou o pau dele do meu rosto e eu o chupei. Foi meio sem jeito, sem prática, tocando os dentes às vezes, mas ele não me interrompeu. Na verdade, ele começou a foder minha boca, me fazendo engasgar. Então, eu o deitei de bruços e beijei suas costas e desci até sua bunda. Marcos tem uma bunda linda, não é grande, mas é durinha, empinada, toda peludinha e com uma marca de nascença na nádega direita. Abri as partes e vi seu cuzinho se contraindo e não resisti. Meti a língua nele e o chupei com vontade, arrancando gemidos dele. Fiquei ali por uns bons minutos até ele me pediu para colocar o pau.

Coloquei ele de lado e posicionei meu pau na entrada do cuzinho dele. Marcos segurou nele e foi guiando até começar a entrar a cabeça. Tirou tudo e voltou a colocar e assim até que meu pau entrou tudo. Eu o abracei e comecei a socar devagar, beijando seu pescoço e suas costas. Enquanto socava nele, segurei seu pau, estupidamente duro, e o masturbei. Pensei por uma fração de segundos como eu passei anos com vontade de fazer isso desde a nossa primeira experiência! Meu amigo finalmente estava ali nos meus braços, eu dentro dele, sentindo um prazer indescritível.

Ficamos então de joelhos na cama, eu por trás dele, metendo devagar, nós dois abraçados, cheios de tesão e cumplicidade. Depois, coloquei-o de quatro e montei sobre ele. Soquei com mais força e mais rápido, e quase gozei, mas Marcos me pediu para segurar o gozo. Então, ele me colocou de bruços e lambeu meu cu. Eu delirei de tanto prazer que senti na hora. O tesão foi tanto que eu pedi que ele me fodesse. E assim ele fez... ou tentou. Mesmo com lubrificante, ele só conseguiu colocar a cabeça do pau, pois eu senti muita dor. Marcos continuou ali me fodendo devagar, só a cabecinha da rola dentro. Mesmo sentindo um incômodo, eu fiquei admirado que minha rola continuou estourando de tão dura. Marcos me acariciou e me masturbou, me fazendo gozar forte ao mesmo tempo que ele também gozava na entrada do meu cu.

Após alguns minutos recuperando o fôlego, tomamos banho juntos. Ficamos com tesão novamente, nos sarramos e gozamos outra vez debaixo do chuveiro. Então, nos vestimos e nos despedimos com um beijo demorado.

Depois disso, Marcos passou a voltar sempre que podia, às vezes com uma desculpa qualquer, às vezes sem nenhuma, e o que começou como um encontro marcado acabou virando uma continuidade que não precisou ser combinada em voz alta. A gente se via, sem muita explicação, sem promessa, e sem conversa sobre o que aquilo era, porque na verdade, a gente já tinha dito tudo trinta anos atrás.

A gente ficava às vezes no hotel, às vezes em algum lugar mais afastado, às vezes até no próprio mercado depois que eu fechava, quando o silêncio da noite parecia permitir coisas que o dia não permitiria.

E não era só sobre o que a gente fazia. Era sobre como eu me sentia estando ali com ele. Porque havia uma presença, uma atenção, uma forma de ser olhado que eu não conhecia na minha própria vida. Não daquele jeito. Não com aquela intensidade silenciosa, que não precisava de muita palavra, mas que dizia mais do que qualquer conversa que eu já tive.

Porém, oito meses depois, as coisas começaram a mudar em casa de um jeito que eu não percebi de imediato. Não foi um flagrante, não foi uma pergunta direta, não foi nada que pudesse ser apontado com clareza e dizer “foi aqui”. Foi mais sutil do que isso. Pequeno demais para ser confrontado, mas constante o suficiente para não passar despercebido.

A Laura começou a falar diferente. Comentários soltos, aparentemente sem direção, sobre fidelidade, sobre casamento longo, sobre como certas coisas não precisam ser ditas para serem entendidas. Às vezes eram histórias de outras pessoas, conhecidas ou não, às vezes eram frases soltas no meio de alguma conversa qualquer, como quem não está dizendo nada — mas está.

No começo, eu ignorei, ou tentei ignorar. Mas chegou um ponto em que ficou difícil fingir que era coincidência. Porque havia um jeito no olhar dela, uma pausa antes de mudar de assunto, uma escolha de palavras que não era aleatória. Não era acusação, não era confronto… era consciência. E aquilo me incomodou mais do que se ela tivesse gritado. Porque o silêncio dela não me dava espaço para me defender, nem para negar, nem para resolver. Só para sentir.

Eu comecei a me pegar observando-a mais do que antes, tentando encontrar algum sinal mais claro, alguma brecha que me permitisse trazer aquilo para o lugar das coisas ditas, resolvidas, definidas. Mas a Laura nunca foi de facilitar. Ela não perguntava, ela não acusava, ela apenas… sabia. E seguia. Até o dia em que eu não aguentei mais.

Não foi num momento específico, não teve um estopim claro. Foi um acúmulo, um peso que foi ficando grande demais para carregar sozinho enquanto fingia que não existia. A gente estava na cozinha, fim de noite, a casa já em silêncio, e ela falava sobre alguma coisa qualquer — contas, talvez, ou algum problema pequeno do dia — e eu simplesmente interrompi.

— Laura, você sabe, não sabe?

Ela parou. Não demonstrou surpresa. Só ficou me olhando por alguns segundos que pareceram minutos.

— Sei — ela disse simples, sem elevar o tom e sem desviar o olhar. — É o Marcos, não é?

— Sim. É ele.

Eu respondi com naturalidade e uma segurança que jamais tive, sem me importar sobre como ela soube.

— E o que a gente faz agora? — perguntei.

Ela sustentou o silêncio por um momento, como se estivesse escolhendo não as palavras, mas o quanto queria dizer.]

— Eu já fiz o que tinha que fazer — respondeu com um tom seco.

Aquilo não esclarecia. Mas também não deixava dúvida.

— Você quer se separar? — eu perguntei, direto dessa vez, porque já não fazia sentido continuar rodeando.

Ela respirou fundo, mas não demonstrou emoção exagerada, nem raiva, nem tristeza evidente.

— Eu quero continuar vivendo a minha vida — disse.

E aquilo, de novo, não parecia uma resposta… mas, ao mesmo tempo, era.

Ficou um silêncio entre a gente depois disso. Um silêncio diferente de todos os outros que já existiram naquela casa. Mais consciente e mais definitivo. E, pela primeira vez em muito tempo, eu percebi que havia alguma coisa entre nós que não podia mais ser ignorada — mas que também não precisava, necessariamente, ser resolvida de forma imediata.

Naquela noite, a gente não falou mais nada sobre isso. E nos dias seguintes… também não. A vida seguiu, como sempre segue. Mas agora havia uma camada a mais de verdade, ainda que não dita por completo.

Eu não sei o que vai acontecer. Não sei se a gente vai se separar, se vai continuar, se isso vai, em algum momento, exigir uma decisão mais clara, mais dura, mais definitiva. Eu só sei que, apesar de tudo isso… eu continuo vendo o Marcos. Continuo indo. Continuo voltando... Porém, agora eu sou visto por alguém que se importa comigo, e isso tem me feito sair da escuridão em que me ocultei por anos, mesmo que seja com passos curtos, com pequenas atitudes, com poucas palavras...

E, pela primeira vez, não é mais só um segredo meu. Mas também não é algo que eu esteja disposto a abrir mão.

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Comentários

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Minha nossa, não esperava esse desfecho!! Já falei aqui como esse capítulo (essa série na verdade) mexe comigo, me faz pensar, pensar...e eu fico pensando muito não só no traidor, mas no traído. E aí eu chego à conclusão que eu não daria esse passo. Mas o engraçado é que contos com esse tema sempre me fazem refletir de novo... haha

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