Eu e Aline fomos usadas e abusadas como nunca na vida. Os homens não tiveram piedade. Depois do curral, eles nos levaram de volta para a varanda e nos jogaram no sofá como dois pedaços de carne. Eles se revezavam sem parar. Um na minha buceta, outro no meu cu, depois trocavam. Aline ao meu lado, gemendo alto, sendo fodida da mesma forma. Eu sentia cada pau grosso entrando fundo, abrindo-me ao limite, batendo no fundo do meu útero ou rasgando meu cu já dolorido. Eles me chamavam de puta, de vadia, de cadela da família. Tapas estalavam na minha bunda grande, deixando marcas vermelhas que ardiam. Eu chorava, gemia, tentava resistir, mas o corpo traía — gozava contra a minha vontade, o prazer misturado com a dor e a humilhação.
Eles gozavam dentro de nós, na nossa boca, no nosso rosto, nos nossos seios. Porra escorria por todo lado. Eu engolia, tossia, sentia o gosto salgado descendo pela garganta. Aline fazia o mesmo, resignada, quase acostumada. Quando um terminava, o outro tomava o lugar. Era interminável. Horas de sexo bruto, sem descanso. Eu perdi a conta de quantas vezes gozei, quantas vezes senti um pau grosso me rasgando por trás enquanto outro enchia minha boca.
No final, eles nos jogaram na cama do quarto grande, exaustas, cobertas de porra, o corpo dolorido, o cu e a buceta inchados e latejando. Aline ficou quieta ao meu lado, olhando o teto, respirando pesado. Eu chorei baixinho, o rosto enterrado no travesseiro.
— Meu Deus… o que eu virei… — murmurei entre soluços.
Lembrei de Lucas. Do meu filho. Do Adriano. Meu coração apertou.
— Aline… onde estão Lucas e Adriano? Eles sumiram.
Aline virou o rosto devagar, a voz cansada:
— Adriano disse que pensou em algo. Não sei o que é. Só disse que ia resolver.
Eu fechei os olhos, o medo crescendo.
— Espero que não seja perigoso… Cadê todo mundo?
— Só o Rubens está lá embaixo. Os outros foram pescar… pra “comemorar as fodas”, como eles disseram.
Eu fiquei em silêncio, o corpo doendo, a mente girando.
Passou meia hora.
De repente, um tiro ecoou ao longe. Forte. Seco. Inconfundível.
Eu me assustei, o corpo inteiro tensionando.
— O que foi isso? — perguntei, a voz trêmula.
Aline sentou na cama, os olhos arregalados.
Nós duas pulamos da cama, ainda nuas, e corremos para fora. Rubens, que estava no quintal, também saiu correndo. Fomos todos para o curral, o coração na boca.
Quando chegamos, a cena era de caos.
Adriano estava caído no chão, o braço esquerdo sangrando muito. Parecia um tiro de raspão, mas doía. Ele estava pálido, suando.
— Adriano! — gritei, correndo até ele.
Rubens pegou um pano limpo e amarrou forte no braço dele, estancando o sangue.
— O que aconteceu?! — perguntei, quase histérica.
Adriano respirava com dificuldade.
— Eu e o Lucas… armamos uma emboscada pro João e pros outros. Ia ser simples… mas deu errado. Matamos os dois tios e o sobrinho. Seu Augusto levou um tiro… não sei se tá vivo.
Eu fiquei paralisada.
— Vocês são loucos… Cadê o Lucas?
— Tá sendo seguido pelo João. Deve estar por ali… correndo no mato.
Rubens se levantou, o rosto sério.
— Eu vou ajudar.
Aline, ao meu lado, repetia baixinho, a voz tremendo:
— João é louco… João é louco… Vamos… temos que ir.
Nós corremos para o mato, seguindo os rastros. O coração batia tão forte que eu sentia na garganta. O medo era real. João com uma arma, louco de raiva, atrás do meu filho.
De repente, ouvimos mais tiros ao longeDepois silêncio.
Corremos mais rápido.
Encontramos Lucas escondido atrás de uma árvore, ofegante, com uma pistola na mão. Ele estava suado, sujo de terra, os olhos arregalados de pânico.
— Lucas! — gritei.
Ele nos viu e fez sinal para ficarmos quietos.
— O pai… ele tá vindo… ele matou o Seu Augusto… eu atirei nele, mas não sei se acertei.
João apareceu entre as árvores, a arma na mão, o rosto contorcido de fúria.
— Seu filho da puta… você atirou no seu próprio pai?!
Ele apontou a arma para Lucas.
Tudo aconteceu muito rápido.
Lucas levantou a pistola, a mão tremendo.
— Para, pai! Para ou eu atiro!
João riu, um riso louco, sem medo.
— Atira então, seu merdinha. Atira no pai que te criou.
O dedo de Lucas tremeu no gatilho.
— Eu não quero te matar… mas você virou um monstro… você destruiu a minha mãe… você destruiu tudo!
João deu um passo à frente, a arma ainda apontada.
— Você é fraco. Igual a ela.
Lucas fechou os olhos por um segundo.
E atirou.
O tiro ecoou alto.
João levou a bala no peito. Ele cambaleou, a mão apertando o ferimento, o sangue escorrendo entre os dedos. A arma caiu da mão dele.
Ele olhou para Lucas, os olhos cheios de surpresa e raiva.
— Seu… desgraçado…
João caiu de joelhos, depois de lado, no chão de terra.
Lucas baixou a pistola, o rosto pálido, as lágrimas escorrendo.
— Pai… eu não queria… eu não queria…
Eu corri até João. Ele ainda respirava, fraco, o sangue formando uma poça no chão.
Rubens chegou logo depois, o rosto sério.
— Ele tá vivo… mas não por muito tempo se não levarmos ele pro hospital.
Aline chorava ao meu lado.
Eu olhei para Lucas, meu filho, que acabara de atirar no próprio pai. Lucas estava ajoelhado ao lado do pai, as mãos tremendo, o rosto molhado de lágrimas e suor. João ainda respirava, fraco, o sangue escorrendo pelo peito e encharcando a terra seca.
— Temos que levar ele pro hospital! — gritou Lucas, a voz quebrada. — Ele ainda tá vivo!
Rubens ficou em silêncio por alguns segundos, olhando o corpo de João com uma expressão que misturava alívio e medo. Depois falou baixo, quase sem emoção:
— Se levarmos ele pro hospital, vão perguntar o que aconteceu. Vão ver os outros corpos. Vão descobrir tudo. E aí… todos nós vamos pra cadeia. Ou pior.
Aline, ao meu lado, tremia. Eu segurava a mão dela com força, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
— Ele é meu marido… — sussurrei, mesmo sabendo que aquelas palavras soavam vazias agora.
João abriu os olhos devagar. O olhar dele ainda tinha fogo, mesmo morrendo. Ele olhou para Lucas, depois para mim, e sorriu com desprezo.
— Vocês… acham que vão escapar… — murmurou, a voz rouca, cheia de sangue. — Eu vejo vocês no inferno.
Ele tossiu, o corpo convulsionando. Depois fechou os olhos pela última vez.
O silêncio que veio em seguida foi pesado, quase sagrado.
João estava morto.
Rubens foi o primeiro a falar, prático como sempre:
— Eu vou esconder os corpos. Enterrar eles num lugar onde ninguém vai achar. Adriano, você vem comigo. Lucas também. Vocês dois são fortes.
Adriano, com o braço machucado enrolado num pano improvisado, assentiu.
Eu e Aline ficamos sozinhas na casa grande enquanto os três homens saíram para limpar a bagunça. O silêncio era sufocante. Eu me sentei na varanda, olhando o cerrado, o corpo ainda dolorido da orgia da tarde. Aline sentou ao meu lado, quieta.
— E agora? — perguntei, a voz rouca.
— Agora a gente sobrevive — respondeu ela. — Como sempre fizemos.
Quando os homens voltaram, já era quase noite. Eles tinham enterrado os corpos num lugar fechado na mata, longe de qualquer trilha, onde a polícia nunca desconfiaria. A desculpa oficial foi simples: João tinha saído para pescar com os irmãos e o sobrinho e não voltou. “Talvez tenham sofrido um acidente no rio”, diríamos.
Adriano foi cuidar do braço em outra cidade, para não levantar suspeitas. Eu respondi a vários questionários da polícia ao lado de Aline. Tudo combinado. Tudo ensaiado. Eu chorei no momento certo, fingi desespero, disse que meu marido era um bom homem e que eu não entendia o que tinha acontecido. Aline fez o mesmo.
No mês seguinte, as coisas da fazenda passaram para o meu nome. João tinha deixado um bom dinheiro em caixa e documentos bem organizados. Eu me tornei oficialmente a dona. A viúva rica e sozinha no meio do mato.
Foi difícil superar tudo que passei.
As noites eram longas. Eu acordava suando, sentindo mãos fantasmas no meu corpo, ouvindo os gritos de Aline, o barulho dos tapas, o peso daqueles paus me rasgando. A culpa me consumia. Eu tinha virado uma puta. Tinha traído meu marido de todas as formas possíveis. Tinha deixado meu próprio filho me foder. Tinha gozado enquanto homens me usavam como um objeto.
Mas o tempo passou.
Depois de alguns meses, as coisas começaram a mudar devagar.
Eu, Lucas, Adriano e Aline voltamos a transar. Desta vez juntos, sem medo, sem violência. Era diferente. Era consensual. Era nosso. No quarto grande, na varanda, no curral… nós quatro nos entregávamos sem pressa, com carinho misturado com desejo. Lucas e Adriano me tratavam com respeito, mesmo quando me fodiam com força. Aline se juntava, lambendo minha buceta enquanto um dos garotos me comia por trás. Era estranho, proibido, mas era nosso. Era a única forma que encontramos de cicatrizar.
Mais para frente, Rubens se juntou a nós.
Ele pediu desculpas um dia, de joelhos quase, a voz baixa e sincera:
— Eu fiz muitas coisas ruins por ordem do João. Eu sentia medo dele. Mas agora… eu quero fazer parte disso de verdade. Se vocês me aceitarem.
Nós aceitamos. Sentimos que era de coração.
Hoje, a fazenda continua funcionando. Eu cuido dos negócios com ajuda de Lucas e Adriano. Aline é minha parceira em tudo. Rubens é o capataz leal. À noite, às vezes, nós cinco nos encontramos. Sem violência. Sem humilhação. Apenas desejo, carinho e a cumplicidade de quem sobreviveu ao inferno juntos.
Eu ainda tenho pesadelos. Ainda acordo sentindo o cano da pistola na testa. Ainda sinto o gosto de porra na boca quando fecho os olhos.
Mas eu sobrevivi.
E, estranhamente, encontrei uma forma de ser feliz no meio de toda essa loucura.
Eu não sou mais a esposa obediente de João.
Eu sou a dona da fazenda.
Eu sou a mulher que decidiu viver.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu me sinto livre.