O dia seguinte chegou claro demais. A luz atravessava a cortina fina do quarto na casa da minha avó sem pedir licença, desenhando linhas tortas na parede. Acordei antes de Rodrigo, o que era raro. Fiquei alguns segundos olhando para ele, ainda deitado, o rosto mais relaxado do que eu costumava ver. Dormindo, ele parecia ainda mais novo, menos armado, menos preocupado em sustentar alguma imagem. Quase outro.
Me levantei devagar, tentando não fazer barulho. Não por cuidado, mas por hesitação. Havia sempre um momento depois do sexo… em que tudo ficava meio indefinido, nem distante, nem próximo. Apenas um intervalo. Rodrigo se mexeu.
— Já acordou? — a voz veio rouca, meio arrastada.
— Já.
Ele abriu os olhos devagar, me olhando como se ainda estivesse organizando onde estava.
— Que horas?
— Cedo, ainda.
Ele assentiu, passando a mão no rosto.
— A gente vai hoje pra fazenda do seu avô, né?
— Vamos.
Silêncio curto.
— Beleza.
Simples assim. Mas não era simples.
O ônibus para a cidade do meu avô era menor, mais vazio. Gente demais para passar despercebido, desconhecida o suficiente para não importar. A estrada mudou aos poucos, antes da gente perceber. O asfalto foi afinando, depois sumindo, até virar terra batida.
O ônibus sacudia mais, levantando poeira, e a paisagem abria de um jeito que não existia na cidade, morros largos, um verde mais profundo, um silêncio que não era vazio, era cheio de coisa viva. O barulho do ônibus também, mais seco, mais presente. O corpo sentia antes da cabeça. Rodrigo encostou a cabeça no vidro da janela, como no dia anterior, mas agora havia outra coisa ali. Menos fuga, mais… presença.
— É sempre assim? — ele perguntou, olhando para fora.
— Assim como?
— Longe.
Pensei por um segundo.
— É.
Ele assentiu.
— Bom.
Fiquei olhando para ele.
— Você nunca veio pra esses lados? — perguntei.
— Nunca tão longe.
Ele continuou olhando, acompanhando o desenho do vale como se estivesse tentando decorar.
— Parece outro lugar.
— É.
E era mesmo.
— Você acha?
Ele deu de ombros.
— Bom que não tem ninguém pra encher o nosso saco.
Ri baixo.
— Você não gosta quando não tem ninguém pra encher seu saco.
Ele virou o rosto.
— Gosto sim.
Não parecia.
A cidadezinha apareceu de repente, encaixada no meio dos morros como se sempre tivesse estado ali. Pequena demais para qualquer pressa, o tempo já estava girando mais lento. Pracinha simples com banco de ferro, igreja branca com porta azul, poucas ruas, meia dúzia de pessoas que olhavam com curiosidade discreta, não invasiva, mas suficiente para marcar que erámos de fora. Tudo meio parado, tudo meio inteiro.
Meu avô já estava esperando, encostado no carro, o Golzinho mil que parecia existir desde sempre.
— Ô, menino! — ele falou, abrindo um sorriso largo quando me viu – Chegaram, uai!
O abraço veio forte, firme, cheiro de sol, de terra e de alguma coisa antiga. Ao lado dele, a esposa, que não era a minha avó, sempre cordial, prática, olhar atento, sorriso menor, mas não menos presente. Nos recebeu sem cerimônia, como se a casa já estivesse acostumada a visitas inesperadas.
— Esse é o Rodrigo — apresentei.
— Prazer, menino — meu avô disse, apertando a mão dele com firmeza.
— Tudo bem, senhor — Rodrigo respondeu no mesmo tom, educado, controlado, com aquele cuidado que ele só tinha com adultos.
Mas eu via. A curiosidade nos olhos. O desconforto leve de quem não pertence. Meu avô analisou rápido, daquele jeito direto de gente do interior.
— Amigo seu?
— É.
Pausa curta.
— Então é gente boa.
Simples assim.
Meu avô tinha uma casa na cidadezinha e um sítio, que ficava afastado uns poucos minutos dali. O caminho de terra, cercado por arame, pasto aberto e algumas árvores mais antigas, levantava poeira atrás do carro. O som do motor velho do carro preenchia o silêncio entre um morro e outro. Quando chegamos, a sensação foi imediata: espaço. O tipo de espaço que muda a forma como você respira.
A casa colonial antiga era reformada, com uma lagoa abaixo e o vale se abrindo por trás, a água parada refletindo o céu como um espelho imperfeito. Árvores espalhadas sem ordem. O barulho distante de água correndo do rio próximo. Rodrigo desceu do carro devagar. Girou o corpo, olhando em volta.
— Caralho… - ele começou, sem terminar.
Sorri.
— Eu falei.
Ele passou a mão no cabelo, meio sem saber o que fazer com aquilo tudo.
— Isso aqui é… muito.
— Demais pra você?
— Não.
Pausa.
— Acho que é o contrário. Você não falou que era tão bonito assim.
— Eu falei.
— Não falou, só falou que seria um tédio.
O deixei andar na frente, absorvendo. O jeito que ele olhava tudo, a água parada da lagoa, o som distante de algum bicho, o vento passando mais limpo, tinha uma curiosidade quase infantil e, ao mesmo tempo, o corpo dele continuava ali. Presente. Chamando atenção sem esforço.
Os dias começaram a se organizar. Manhã cedo na lagoa. O caiaque cortando a água devagar, balançando mais do que devia, Rodrigo reclamando no início, depois rindo quando pegava o jeito.
— Você vai virar isso — falei uma vez, quando o caiaque inclinou demais.
— Relaxa.
— Relaxa nada, velho...
Rodrigo remava com força demais no início, como se fosse competição, até cansar e deixar o ritmo cair.
— Você não precisa provar nada aqui — falei, rindo.
— Eu sei — ele respondeu, ofegante — Mas é mais forte que eu.
Era. Sempre foi.
Andávamos a cavalo de tarde. Ele demorou a se ajustar no começo, tenso demais, mas depois relaxou, pegando o jeito com uma facilidade que parecia natural.
— Viu? — eu disse.
— Eu sou bom em tudo — ele respondeu, com aquele sorriso torto.
— Convencido.
— Realista.
E depois nós dois praticávamos direção na estrada de terra. O Golzinho do meu avô rangendo mais do que andando, levantando poeira nas estradas de terra, Rodrigo dirigindo com uma confiança meio irresponsável, como se estivesse descobrindo um tipo novo de liberdade. Uma mão só, braço apoiado, o vento entrando pela janela aberta.
— Se meu pai vê isso…
— Ele não vai ver.
Ele sorriu.
— Ainda bem.
À noite, dormíamos em um quarto com duas camas de solteiro, mas, invariavelmente, acabávamos sempre na cama um do outro.
— Se seu avô descobre...
— Não vai.
— Você confia demais.
— E você de menos.
Ele sorriu.
— Equilíbrio.
Alguns dias íamos para o clube da cidade, que era quase vazio. Piscina grande demais para pouca gente. Algumas cadeiras de plástico espalhadas. Um bar simples, que parecia funcionar mais por costume do que por demanda.
— Isso aqui é triste — Rodrigo comentou, olhando em volta.
— É perfeito.
— Perfeito?
— Ninguém presta atenção.
Ele entendeu. Claro que entendeu.
Jogávamos sinuca, errando mais do que acertando, rindo de jogadas ruins. Depois, tomávamos cerveja, escondidos mais por princípio do que por necessidade. Cerveja, sinuca, piscina e sol. A gente ia mais pelo hábito do que por opção. Ou pelo que o lugar permitia. Era perfeito.
Fomos para a piscina no meio da tarde. O sol da tarde caía pesado sobre o clube quase deserto, pintando longas sombras nas lajotas brancas ao redor da piscina. A água, tranquila, refletia o céu azul-claro em faixas tremeluzentes, quebradas apenas pelo movimento ocasional de folhas secas que o vento arrastava pela borda.
O cheiro de cloro se misturava ao aroma doce das plantas que escalavam o muro ao fundo, enquanto o zumbido distante de um cortador de grama vindo do campo de futebol marcava o ritmo lento da tarde.
Não havia ninguém além de nós ali. Eu, deitado de bruços em uma das espreguiçadeiras de plástico branco, os dedos brincando com a garrafa de cerveja meio vazia ao meu lado, e Rodrigo, sentado na beirada da piscina, os pés mergulhados na água fresca, as costas levemente arqueadas, o corpo relaxado do jeito que só ficava quando esquecia de ser observado. Mas ele não tinha esquecido. Não completamente.
— Você fica me olhando — ele disse, sem me encarar.
Não era pergunta. Era constatação.
— Fico?
— Fica.
Ele virou o rosto.
— Desde que a gente chegou.
Sustentei o olhar.
— E você? Me olha também?
Ele sorriu lentamente. Sem vergonha. Sem desvio. Não negou. Nunca negava quando era verdade. Rodrigo não tinha pressa. Sabia que a verdade entre nós era um jogo, uma tensão que se esticava como um elástico prestes a arrebentar.
Com um suspiro exagerado, rolou para o lado, apoiando a cabeça na palma da mão, os olhos escuros fixos em mim. A sunga preta, colada ao corpo molhado, delineava cada curva dos glúteos firmes, o tecido da sunga pressionando levemente contra o volume entre as suas pernas. Um sorriso lento se desenhou nos lábios dele enquanto ele passava a língua pelo canto da boca, deliberado.
Ele entrou na água sem aviso, mergulhando de uma vez. Rodrigo nadava bem. Quando voltou à superfície, o cabelo mais escuro, a pele marcada pelo contraste, ele parecia ainda mais… nítido. Só de sunga, ficava ainda mais difícil de ignorar, o volume marcando uma ereção, o pau meia bomba.
— Tá com calor, Mateus? — perguntou, a voz arrastada, quase um murmúrio — Porque eu tô vendo você derretendo aí.
Virei a cabeça devagar, meus olhos castanhos encontrando os de Rodrigo com uma mistura de desafio e diversão. Sabia exatamente o que aquele olhar significava, o que aquele tom de voz prometia. Mas não ia facilitar.
— Calor é o menor dos meus problemas — respondi, ficando em pé na beira da piscina e chutando água na direção de Rodrigo com um movimento rápido do pé.
Gotas frias respingaram no peito nu dele, escorrendo pelos sulcos da sua barriga até se perderem na cintura da sunga.
— O problema é você não saber se comportar em público.
— Público? — Rodrigo olhou ao redor, exagerando o gesto — Onde, amigo? O cara da manutenção tá lá no outro lado do clube, e a única coisa que tá prestando atenção na gente é aquele passarinho ali.
Ele apontou para um pardalzinho que pulava entre os arbustos, indiferente.
— Além do mais… — baixou a voz — Você gosta quando eu não me comporto. Vem!
Ele me chamou, com um gesto simples. Pulei, sentindo a água fria subir devagar no começo, depois ficando mais confortável. O contraste com o calor do dia fez o meu corpo reagir na hora, mas depois acabei relaxando, sem pedir.
Cheguei mais perto. A água diminuía a distância, mas aumentava outra coisa, tornava tudo mais próximo do que deveria ser. O toque acidental ficava mais longo. O olhar mais direto. Rodrigo mergulhou, sumiu por um segundo, apareceu mais perto de mim, por trás. Perto demais, sem pressa.
— Aqui ninguém vê nada — ele disse, baixo, os lábios quase roçando a minha orelha.
— Você se importa muito com isso — falei.
— E você finge que não.
Olhei em volta. Ninguém. Ou ninguém que importasse. A piscina era cercada por uma sebe de jardim, que guardava a vista do restante do clube extenso. Conseguiríamos notar se qualquer pessoa se aproximasse, mas a pessoa não nos veria.
A água batia leve na borda, repetitiva. O mundo parecia reduzido àquele espaço. Rodrigo não desviou. Nem eu. Foi ele que encurtou o resto. Sem pressa. Sem anúncio. Como se fosse inevitável. E talvez fosse.
Engoli em seco, sentindo o hálito quente de Rodrigo contra a minha pele. A mão dele tocou meu braço por um segundo, leve, mas intencional. A água suavizava o gesto, mas não o apagava. A outra mão desceu devagar pelas minhas costas, os dedos traçando o sulco da minha coluna até pararem bem na minha cintura. Um toque leve, quase inocente, se não fosse pela pressão sutil que empurrou o tecido da minha sunga para baixo, expondo a marca do elástico na minha pele.
O contato veio natural demais para ser novidade. Como se o corpo já soubesse o caminho, mesmo quando a cabeça ainda tentava organizar. Mas havia algo diferente. Menos impulso cego. Mais consciência.
— Rodrigo… — o nome saiu como um aviso, mas a voz falhou, rouca.
— Hm? — Rodrigo não esperou resposta.
Com um movimento rápido, me puxou pela cintura, me fazendo perder o equilíbrio. Meu corpo caiu para trás, mas antes que eu afundasse na água, Rodrigo já me segurava pelos braços. Ele encostou a testa na minha por um segundo. Um gesto pequeno. Quase silencioso. Mas pesado de um jeito que não combinava com ele.
— Você complica — ele murmurou.
— E você facilita.
— Alguém tem que fazer alguma coisa.
Sorri de leve.
— Talvez.
Ele sustentou o olhar e, dessa vez, não havia brincadeira. Só aquela tensão que a gente já conhecia, mas que, ali, parecia mais limpa. Sem plateia. Sem ruído. Ele me levantou de volta para a beirada da piscina, só que agora de frente para ele, as pernas ainda dentro da água, meu traseiro sentado na borda de azulejos frios. Minha sunga, molhada, colava à minha pele, deixando pouco à imaginação.
Rodrigo não perdeu tempo. Se aproximou da beirada da piscina, as mãos grandes deslizando pelas minhas coxas, as afastando levemente. O tecido úmido da minha sunga não escondeu o volume duro que se pressionava contra a minha virilha, nem o modo como eu arqueei as costas quando os dedos de Rodrigo traçaram o contorno do meu cacete através do tecido.
— Você é um diabo — murmurei, mas o protesto morreu quando Rodrigo puxou a sunga para o lado com um único movimento, me expondo ao ar.
A água fresca da piscina contrastava com o calor do corpo de Rodrigo, que se inclinou, a língua quente e úmida traçando um caminho lento desde a base das minhas bolas até a ponta latejante do meu pau. Era a primeira vez que ele me chupava.
Segurei a borda da piscina com força, os nós dos meus dedos brancos. A boca de Rodrigo era quente, a pressão ainda imperfeita de quem nunca havia feito aquilo antes era compensada pela língua grande, trabalhando em círculos, que faziam os meus quadris se levantarem involuntariamente.
Um gemido baixo escapou quando os lábios de Rodrigo se fecharam em torno da cabeça do meu pau, sugando com uma intensidade que fez as minhas coxas tremerem. As ondas que se formavam na água batiam contra as minhas pernas, mas era o calor da boca de Rodrigo que me consumia.
— Porra, Digo… — minha voz quebrou, as palavras se perdendo quando Rodrigo engoliu mais, a garganta apertando ao redor do meu pau.
As mãos de Rodrigo deslizaram para baixo, os dedos afundando na carne das minhas nádegas, me puxando mais para a borda, mais para dentro da sua boca. A água chapinhava ao redor das minhas coxas, mas eu mal notava, perdido na sensação de ser devorado por meu amante-diabo-garoto. Rodrigo levantou a cabeça por um instante, os lábios brilhantes, os olhos escuros fixos nos meus.
— Gosta quando eu não me comporto, não é? — a voz era áspera, o hálito quente contra a minha pele úmida.
Ele não esperou resposta. Voltou a mergulhar a cabeça contra a minha virilha, desta vez com mais força, a língua pressionando contra o ponto sensível logo abaixo da glande, enquanto os dedos exploravam o espaço entre as minhas nádegas, me encontrando já piscando, pronto.
Arqueei as costas, um som gutural saindo da minha garganta quando o dedo de Rodrigo deslizou para dentro de mim, lento, enquanto a boca continuava a trabalhar num boquete sem piedade. A água da piscina balançava com os nossos movimentos, ondas pequenas batendo contra o azulejo azul. O sol queimava nossas costas, mas era o fogo dentro de nós que nos ameaçava consumir.
— Chega — sussurrei, ou tentei sussurrar, mas a palavra saiu mais como um gemido.
Empurrei Rodrigo pelos ombros, não com força suficiente para o afastar, mas o suficiente para o fazer recuar. Os lábios de Rodrigo se soltaram com um estalo úmido, deixando o meu pau exposto ao ar, latejando.
— Agora é minha vez.
Rodrigo sorriu, um sorriso lascivo que prometeu retaliação. Ele se afastou, os músculos das coxas se flexionando enquanto tirava a sunga com um movimento rápido, jogando a peça molhada na beirada da piscina.
Seu pau, duro e grosso, saltou livre na água, a cabeça úmida brilhando sob o reflexo do sol. Eu não tirei os olhos de cima, minha língua passando pelos lábios enquanto Rodrigo deslizava na água, se sentando na escadinha de alumínio da piscina.
— Vem aqui, então — desafiou Rodrigo, se sentando no primeiro degrau, a água chegando até a metade das suas coxas.
A escada rangeu levemente sob seu peso, o metal quente do sol contrastando com a água fresca.
— Mostra como você faz.
Não precisei ser chamado duas vezes. Deslizei para dentro da piscina, a água se fechando ao redor do meu corpo como um abraço. Nadei até a escada, minhas mãos encontrando os quadris de Rodrigo antes mesmo de se firmar no degrau. Rodrigo estava um nível acima, a altura perfeita para que eu, de pé, pudesse tomar todo o comprimento da vara dele na boca.
Não houve delicadeza. Engoli a pica de Rodrigo até a base, minha garganta se ajustando ao tamanho e grossura do seu cacete, minhas mãos deslizando pelas coxas fartas dele, minhas unhas afundando levemente na sua pele.
Rodrigo soltou um rosnado, seus dedos se enroscando nos meus cabelos molhados, me guiando em um ritmo que logo se tornou desesperado. A água batia contra as minhas costas, mas era o gosto salgado de Rodrigo, o cheiro de cloro misturado ao esperma, que me dominava.
— Porra, Mateus… — a voz de Rodrigo era um rosnado, os quadris empurrando para frente, se forçando mais fundo contra a minha boca.
Não recuei. Aceitei, minha língua trabalhando a parte de baixo do pau de Rodrigo enquanto minha mão direita deslizava para baixo, meus dedos encontrando a minha própria ereção, a apertando com força.
Mas Rodrigo não ia deixar que eu me distraísse. Com um movimento brusco, ele trocou as nossas posições, me sentando no degrau de metal, a água chegando até a minha cintura. Quando ele se aproximou mais, não foi surpresa, foi continuidade. O mundo ao redor ficou desfocado, o som da água, o vento, tudo virando fundo.
Antes que eu pudesse reagir, Rodrigo já estava entre as minhas pernas, as mãos grandes segurando os meus quadris, me puxando para a beira do degrau. A ponta dura da pica de Rodrigo se pressionou contra o meu cuzinho, encontrando pouca resistência, afinal, já fazia uns três dias que estávamos transando praticamente todos os dias.
— Você tá todo molhado — murmurou Rodrigo, a voz áspera, enquanto empurrava sua vara para dentro de mim com um movimento lento, implacável — Não só de água.
Rodrigo não era delicado. Nunca foi. Mas havia algo diferente ali. Menos pressa. Mais presença. Como se ele também estivesse entendendo que aquilo não era só impulso. Ou, pelo menos, não mais só isso.
Segurei os ombros de Rodrigo, minhas unhas afundando na pele dele enquanto eu era preenchido, centímetro por centímetro, por sua pica. A água ao nosso redor balançava, as ondas batendo contra os azulejos, mas era a sensação de Rodrigo dentro de mim que me fazia tremer. Quando finalmente estava todo dentro de mim, Rodrigo parou, seus lábios colados à minha orelha.
— Agora a gente vai ver quem não se comporta — sussurrou, antes de começar a se mover.
Não havia ritmo suave. Rodrigo me tomou com força, os quadris batendo contra os meus a cada investida, a água chapinhando ao nosso redor, espirrando para os lados a cada movimento. Me segurei à escada com uma mão, a outra enroscada nos cabelos de Rodrigo, o puxando para um beijo que foi mais dentes e língua do que carícia. Nossos corpos colidiam, a pele úmida escorregando, os gemidos abafados pela boca um do outro.
Rodrigo mudou o ângulo, me empurrando para trás, me fazendo apoiar as costas contra a beirada da piscina. A posição me deixou completamente exposto, minhas pernas abertas e suspensas, meus tornozelos apoiados nas costelas de Rodrigo enquanto ele me penetrava com estocadas profundas, a água batendo contra as minhas nádegas a cada movimento.
Às vezes Rodrigo escorregava no piso da piscina, mas ele não parava, não diminuía o ritmo. Ao contrário, ficou mais intenso, as mãos deslizando para baixo, os dedos encontrando o meu pau, o apertando em sincronia com as estocadas.
— Me fode, Rodrigo… — eu arqueei as costas, a cabeça batendo levemente contra o chão na beira da piscina.
As ondas que nós criávamos na água agora eram quase violentas, espirrando para fora da piscina, molhando as lajotas secas ao redor. Rodrigo não respondeu com palavras. Em vez disso, me puxou para si, me fazendo envolver as pernas ao redor da sua cintura enquanto ele me puxava no seu colo, para o centro da piscina, a água agora chegando até o meu peito.
Me segurei nos ombros dele, as costas arqueadas enquanto Rodrigo me penetrava sem piedade, os músculos das coxas queimando com o esforço de nos manter erguidos. A cada investida, a água se fechava ao nosso redor, criando uma resistência que tornava cada movimento mais intenso, mais urgente.
Trocamos de posição mais uma vez, dessa vez comigo de costas contra a borda da piscina, minhas mãos apoiadas no azulejo enquanto Rodrigo me tomava por trás, minhas nádegas balançando na água a cada estocada, minha pele brilhando sob o sol. Rodrigo segurou os meus quadris com força, os dedos marcando minha carne enquanto empurrava para dentro, fundo, como se quisesse nos fundir em um só.
— Vai gozar pra mim — ordenou Rodrigo, a voz um rosnado contra a minha nuca — Agora.
Não foi um pedido. Foi uma demanda. E eu obedeci, me masturbando desesperadamente, meu cuzinho se contraindo em torno da vara de Rodrigo enquanto o prazer me atravessava, quente e avassalador. Rodrigo não demorou a seguir, se enterrando fundo em mim com um gemido gutural, os dedos afundando na minha carne enquanto se deixava levar.
Ficamos assim por um momento, ofegantes, a água tranquila ao nosso redor novamente, como se nada tivesse acontecido. Até que Rodrigo finalmente se afastou, me deixando vazio, a sensação de perda quase física. Virei a cabeça, encontrando os olhos escuros de Rodrigo, ainda turvos de desejo.
— Acho que a gente precisa limpar essa piscina — ele murmurou, passando a mão pela água, observando as gotas de sêmen escorrerem pelos seus dedos.
Eu ri, um som rouco, exausto. Sabia que não era a piscina que ele queria limpar. E, pelo jeito que Rodrigo me olhava, ambos sabíamos que aquilo era só o começo. Quando nos afastamos, foi por necessidade, não por escolha. A respiração mais pesada, o silêncio voltando aos poucos. Ele passou a mão no rosto, jogando o cabelo para trás.
— A gente vai se ferrar — disse, mas sem peso real.
— Talvez.
Ele me olhou.
— Você sempre fala isso como se não se importasse.
Pensei por um segundo.
— Eu me importo.
— Não parece.
Dei um passo para trás, apoiando na borda.
— Talvez eu só não tenha medo das consequências.
Ele ficou em silêncio. E, pela primeira vez, não tinha resposta pronta. O sol começava a cair atrás dos morros, deixando a luz mais suave, mais baixa. Rodrigo ainda estava ali. Mas havia algo novo no olhar. Menos defesa. Mais pergunta. E isso… isso era o que realmente complicava tudo.
Ficamos ali mais um tempo. Não por falta de opção. Por escolha.
Naquela noite, de volta à fazenda, tudo parecia igual. E não estava. Rodrigo jogava videogame como se nada tivesse mudado. Eu mexia no computador sem realmente prestar atenção. Mas havia um fio novo entre nós. Mais tenso. Mais claro. Menos escondido. E, pela primeira vez, isso não parecia só risco.
