As provocações se intensificaram nos dias seguintes. O medo inicial de Tomás dava agora lugar a uma luxúria inegável. Ele já não desviava o olhar tão depressa quando Marina se inclinava de propósito, e os sorrisos trocados no corredor carregavam uma tensão elétrica, palpável. Marina percebia a respiração pesada dele, a forma como os olhos escuros acompanhavam o balançar dos seus quadris pela casa. Tomás já estava entrando no jogo, mesmo que a sua consciência ainda lutasse.
O clímax visual aconteceu no fim de semana.
Era madrugada de sábado e o silêncio dominava o apartamento. Gustavo e Marina, inebriados pelo vinho do jantar e pela adrenalina constante do fetiche, decidiram não ir para a cama para não fazer barulho. Ficaram na sala de estar.
Apenas a luz fraca da rua entrava pela grande janela, desenhando sombras no sofá espaçoso onde os dois se entregavam.
Gustavo estava sentado no sofá, com as costas jogadas no encosto e as pernas ligeiramente afastadas. Marina o cavalgava, com os joelhos afundados no estofado macio, a pele brilhando de suor na penumbra. O som da carne batendo contra a carne e os suspiros ofegantes preenchiam o espaço, crus e intensos. Um sexo lento e carinhoso, regado a beijos e chupadas nos seios.
Foi então que a porta do quarto de hóspedes rangeu quase imperceptivelmente. Tomás caminhou até o corredor escuro.
Ele parou, paralisado nas sombras.
Da sua posição, ele tinha uma visão frontal da sala por trás do sofá. Marina estava sentada sobre o marido, os seios fartos balançando suavemente enquanto ela rebolava. Gustavo tinha a cabeça jogada para trás, os olhos fechados, entregue ao prazer e exausto.
Mas Marina... Marina estava de frente para o corredor.
E, no escuro, os olhos dela se cruzaram com a silhueta estática de Tomás.
Em vez de parar, engolir em seco ou tentar se cobrir, um sorriso perverso se desenhou nos lábios úmidos dela. Sustentando o olhar incrédulo e fixo do amigo do marido, Marina empinou o peito. Apoiou as mãos nos ombros de Gustavo e começou a quicar no colo dele com muito mais força, descendo até o fundo de propósito.
O que era um sexo suave virou selvagem.
Ela estava se exibindo, usando o corpo do marido no sofá para se masturbar visualmente para a plateia escondida nas sombras.
Tomás não conseguia mover um músculo, hipnotizado pela profanação, a mão apertando instintivamente o próprio volume que já latejava por baixo do short.
— Estava doido pra me fuder assim né? — Ela falou no ouvido de Gustavo, olhando diretamente para Tomaz.
Quando Gustavo finalmente gozou, soltando um gemido longo e rouco, Marina desabou sobre o peito dele, ofegante, ainda sorrindo na direção do corredor vazio —
Tomás já havia recuado apressadamente para o quarto, como um animal assustado.
Exausto e tentando recuperar o fôlego, Gustavo beijou o pescoço dela, levantou-se e avisou num sussurro que ia ao banheiro da suíte para se limpar.
Era o momento perfeito.
Nua, ainda pingando suor e com a respiração acelerada, Marina caminhou silenciosamente pelo corredor escuro e empurrou a porta do quarto de hóspedes.
Tomás estava sentado na beirada da cama, no escuro, a cabeça entre as mãos, tentando processar a ereção dolorosa e a imagem da mulher do melhor amigo rebolando gravada na sua mente. Ele levantou a cabeça, em choque absoluto, quando a viu entrar e fechar a porta atrás de si. A luz fraca que vinha da rua revelava o corpo dela, completamente despido e pecaminoso.
— Gostou do que viu na sala? — ela sussurrou, a voz carregada de deboche e luxúria, aproximando-se com passos de predadora.
— Marina... pelo amor de Deus, o Gustavo... ele tá aí... — ele tentou recuar, a voz tremendo, mas ela já estava entre as pernas dele.
— Shh... — Ela colocou um dedo sobre os lábios secos de Tomás, sorrindo de forma cínica. — Eu e o Gustavo já gozamos. Não é justo deixar você assim, passando vontade sozinho no escuro.
Antes que ele pudesse formular outra frase de resistência, Marina abaixou o short e a cueca dele. O pau dele saltou, duro como pedra, pulsando de forma descontrolada. Sem hesitar, ela se ajoelhou e o tomou na boca.
Tomás jogou a cabeça para trás, abafando um gemido desesperado com a própria mão. A boca dela, quente e habilidosa, trabalhava com uma precisão devastadora. O contraste entre o terror absoluto de ser pego a qualquer segundo e o prazer indescritível que ela proporcionava fez ele ceder completamente.
Ele não aguentou muito tempo. Com um empurrão rápido do quadril contra o rosto dela, gozou fundo na garganta da mulher do melhor amigo.
Marina engoliu tudo. Limpou o canto da boca com as costas da mão, lançou a ele um último olhar de superioridade absoluta, levantou-se e saiu do quarto tão silenciosamente como tinha entrado, deixando um homem completamente destruído e submisso para trás.
Na suíte, Gustavo já estava deitado, de olhos fechados. Marina deslizou para debaixo dos lençóis, aninhando-se contra o peito dele.
— Demorou... — murmurou Gustavo, sonolento, passando o braço pela cintura dela.
Marina sorriu na escuridão, passando a língua pelos próprios lábios.
— Fui beber água... e resolver um problema no quarto ao lado — sussurrou ela.
Aproximou o rosto do ouvido do marido e, com um hálito quente que ainda carregava o cheiro inconfundível do pecado, confessou: — O seu amigo tem um gosto muito diferente do seu, amor.
Gustavo abriu os olhos no escuro.
O coração disparou no peito, e um sorriso perverso e doentio respondeu ao dela.
A rede estava definitivamente fechada.