Eu ainda segurava a xícara quando meu celular vibrou sobre a mesa.
O som foi discreto, mas dentro de mim pareceu um trovão.
Olhei de relance para meu marido, que continuava falando sobre o dia, distraído, sem perceber a tempestade que um simples aviso na tela havia despertado em mim.
Peguei o aparelho com calma, tentando parecer natural.
Era ele.
“Bom dia. Ainda consigo sentir você na memória.”
Meu coração disparou de um jeito absurdo.
Senti um calor subir pelo pescoço, atravessar meu rosto e descer lentamente pelo corpo, como se aquelas palavras tivessem o poder de me tocar à distância.
Respirei fundo, tentando manter a compostura, mas um sorriso pequeno escapou no canto da boca.
Respondi escondido, por baixo da mesa:
“Não devia me escrever agora.”
A resposta veio quase imediata.
“Mas está pensando em mim.”
Fechei os olhos por um segundo.
Porque ele estava certo.
Enquanto meu marido falava sobre compromissos, horários e coisas banais da rotina, eu só conseguia ouvir dentro da minha mente a voz dele, baixa, próxima, quase colada ao meu ouvido.
As lembranças da noite anterior voltavam em flashes intensos: o corredor, a porta, o perfume, a tensão deliciosa do proibido.
Meu celular vibrou novamente.
“Quero te ver de novo. Sem pressa. Quero ouvir sua voz quando me disser que sentiu falta.”
Mordi os lábios, sentindo o corpo inteiro reagir à simples ideia de reviver aquilo.
Havia algo viciante na forma como ele escrevia, como se cada palavra soubesse exatamente onde tocar.
Levantei para lavar a xícara, mas na verdade precisava fugir do olhar do meu marido e da minha própria culpa.
No reflexo da janela da cozinha, vi meu rosto corado, os olhos mais vivos, quase brilhando.
Eu parecia outra mulher.
Ou talvez finalmente estivesse vendo a mulher que sempre existiu escondida atrás da rotina.
Escrevi mais uma vez:
“Você mexe comigo de um jeito perigoso.”
Ele respondeu:
“Então me deixa ser o seu perigo favorito.”
Foi naquele instante que senti o arrepio voltar, mais forte que antes.
A memória da noite passada já não era suficiente.
O desejo agora vinha acompanhado da expectativa do próximo encontro, da nova desculpa, da nova mentira, do novo frio na barriga.
Voltei para a mesa tentando parecer a esposa de sempre.
Mas por dentro, eu já estava vivendo de novo a contagem regressiva para vê-lo.
E foi aí que percebi o mais excitante de tudo:
não era apenas o que tinha acontecido.
Era saber que ainda estava longe de terminar.
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