Grazi Guimarães era uma mulher de rara beleza. Aos 26 anos, carregava nos traços finos e no corpo escultural a herança de uma família que, outrora, dominara a política do interior fluminense. Nascida nos tempos áureos do clã Guimarães, ela crescera entre comícios, apertos de mão e promessas vazias. Porém, os dias de glória haviam ficado para trás. A família agora afundava em decadência: contas impagáveis, escândalos de corrupção que se arrastavam na imprensa e na Justiça, e o patriarca, Haroldo Guimarães, que já conhecera o interior de várias celas.
Desesperado para salvar o que restava do império familiar, Haroldo arranjou para a filha um casamento com Vitor Alcântara, um empresário do ramo da construção civil, vinte anos mais velho que ela. O acordo era simples e cruel: em troca de apoio financeiro e proteção política, Grazi seria entregue como moeda de barganha. Vitor se beneficiava há anos das licitações superfaturadas e dos esquemas que envolviam o sogro. Ela casou praticamente forçada, com os olhos inchados de tanto chorar na véspera da cerimônia.
Três anos depois, o casamento era uma prisão dourada.
Nas últimas eleições, Grazi decidiu candidatar-se a deputada estadual. Ao contrário do pai e do marido, levava a política a sério. Não queria favores, nem propinas, nem acordos escusos. Queria mudar as coisas. Não recebeu um centavo sequer do grupo político da família. Foi Vitor quem, calculista, financiou toda a campanha. Via nela uma possível aliada futura no poder. Grazi se elegeu com uma votação expressiva, impulsionada pela imagem de honestidade que transmitia.
Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), trabalhava com dedicação quase obsessiva. Chegava cedo, estudava cada projeto, defendia pautas de transparência e combate à corrupção. Porém, essa postura a transformara em alvo constante. O grupo político do pai e do marido a perseguia abertamente. Cobravam de Vitor: “Sua mulher foi eleita com o nosso dinheiro. Faça ela colaborar, ou o acordo acaba.”
Vitor suportava as pressões com crescente irritação. Grazi, por sua vez, permanecia inflexível. Votava contra tudo que cheirasse a favorecimento ao clã.
Naquela noite, após um dia particularmente exaustivo na Alerj — marcado por mais uma sessão tensa e olhares hostis dos correligionários do marido —, Grazi chegou em casa exausta. O apartamento de luxo na Zona Sul parecia frio e opressivo. Tirou os saltos altos com um suspiro de alívio e deixou o corpo cair pesadamente na poltrona do quarto, fechando os olhos por alguns instantes.
O som da porta batendo com violência a fez estremecer.
Vitor entrou no quarto como um furacão. O rosto vermelho de raiva, os olhos injetados. As cobranças do grupo político haviam sido especialmente duras naquela tarde.
— Sua vadia… — rosnou ele, a voz carregada de ódio contido. — Já estou cansado dessa sua pose de santa. Vou te dar uma lição que você nunca mais vai esquecer.
Grazi levantou-se rapidamente, o coração acelerado. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, a mão pesada de Vitor cruzou seu rosto com um estalo seco. O tapa foi tão forte que a fez girar e cair de lado sobre a cama.
Ele avançou como um animal. Com fúria selvagem, agarrou a barra da saia social dela e puxou com violência, rasgando o tecido fino. Em seguida, enfiou os dedos na delicada calcinha de renda e a arrancou com um puxão brusco, deixando-a exposta. Sem piedade, virou-a de bruços e desferiu vários tapas fortes em sua bunda, o som ecoando pelo quarto luxuoso. Cada palmada era acompanhada de insultos baixos e carregados de desprezo.
Grazi mordeu o lábio inferior até sentir gosto de sangue, tentando conter os soluços. Lágrimas quentes escorriam pelo seu rosto enquanto o corpo tremia a cada golpe.
Vitor se despiu com gestos bruscos, jogando as roupas no chão. Totalmente nu, o corpo musculoso e envelhecido pela idade, o pau já duro e latejante, subiu na cama. Com violência, terminou de rasgar a blusa e o sutiã dela, deixando-a completamente nua. Seus olhos brilhavam com uma mistura tóxica de raiva e desejo doentio.
Ele agarrou os cabelos dela com força, puxando sua cabeça para trás, e posicionou-se entre suas coxas abertas. Sem preliminares, sem um beijo, sem uma palavra carinhosa — apenas ódio e luxúria. Empurrou o pau grosso e quente contra a entrada dela, que ainda estava seca de medo, e penetrou-a com uma estocada brutal, fundo, até o fundo. Grazi soltou um grito abafado de dor, o corpo arqueando-se involuntariamente.
— Cala a boca — rosnou ele, socando-a com mais força.
Cada estocada era punitiva, profunda e selvagem. O pau dele entrava e saía com violência, esticando suas paredes internas, batendo contra o fundo do seu ventre. O som molhado e obsceno da carne contra carne enchia o quarto. Vitor segurava seus quadris com dedos que deixavam marcas roxas, puxando-a contra si a cada vez que metia, como se quisesse parti-la ao meio. Gotas de suor dele caíam sobre as costas dela enquanto ele grunhia como um animal no cio.
Grazi apertava os lençóis entre os dedos até os nós ficarem brancos. Lágrimas silenciosas e quentes molhavam o travesseiro. Uma dor aguda misturava-se a uma humilhação profunda que queimava seu peito. Ela odiava o corpo dele sobre o dela, odiava o cheiro de álcool e cigarro que ele exalava, odiava o fato de que, mesmo contra a sua vontade, seu corpo traía um mínimo de resposta física — um calor involuntário que só aumentava sua vergonha. “Eu sou deputada… eu sou alguém…”, pensou ela, mas a frase se desfazia a cada investida violenta.
Vitor acelerou o ritmo, os testículos batendo contra sua carne, o pau inchando ainda mais dentro dela. Ele inclinou-se sobre seu ouvido e sussurrou, rouco:
— Você é minha, Grazi. Minha puta. E vai aprender a obedecer.
Com um gemido gutural, ele puxou o pau para fora no último segundo. Virou o rosto dela com brutalidade e gozou abundantemente sobre sua face. Jatos grossos e quentes de sêmen atingiram suas bochechas, seus lábios entreabertos, escorrendo pelo queixo e pingando sobre o lençol. O cheiro forte e salgado invadiu suas narinas enquanto ela fechava os olhos, enojada e destruída.
Ofegante, Vitor a empurrou com o pé, fazendo-a cair da cama e bater no chão frio de mármore.
— Hoje você vai dormir aí, no chão, como a cachorra que é — disse ele, a voz ainda rouca de prazer. — E se você não começar a colaborar na Alerj, o meu tratamento com você só vai piorar. Entendeu?
Grazi se encolheu no tapete, nua, humilhada, o rosto manchado de lágrimas e esperma, o corpo dolorido entre as pernas e marcado por tapas e apertões. Não respondeu. Apenas chorou baixinho, o peito sacudindo com soluços silenciosos, enquanto Vitor se deitava confortavelmente na cama king size e adormecia em poucos minutos, respirando tranquilamente, como se nada tivesse acontecido.
A noite se arrastou lenta e cruel. No silêncio do quarto luxuoso, Grazi Guimarães, deputada estadual, herdeira de um nome poderoso, chorava em silêncio no chão — prisioneira de um casamento que era, na verdade, uma sentença.