A saga de Otávio – Capítulo 1: Entre a Porta e o Silêncio

Da série A Saga de Caio
Um conto erótico de Xandão Sá
Categoria: Gay
Contém 4228 palavras
Data: 08/04/2026 16:21:18

Como alguns leitores queridos pediram, começo hoje a contar uma nova história, a história de Otávio, personagem que participou de vários episódios de Não Basta Ser Pai por ser amigo de Duda e Guga, que foram seus vizinhos na juventude no Bairro de Fátima em Fortaleza. Depois, ele fez faculdade com Duda, então são amigos de longa data.

Enquanto a série anterior foi apresentada em tempo histórico atual, Não Basta Ser Pai foi contemporânea, iniciando em um passado recente aos dias que correm, a nova história começa com fatos que remontam aos anos 1990, algumas coisas precisam ser contadas para contextualizar a saga de Otávio e os antecedentes que explicam e ajudam compreender a complexidade de sua vida.

Tavinho nasceu no interior e teve uma infância típica de criança de cidade pequena, muita brincadeira na rua, ida frequente a zona rural onde seus familiares (avós, pais e tios) tinham pequenas propriedades. Foi uma época de vida solta ao ar livre, de muita diversão sem preocupação, ambiente seguro sem risco de violência. Muito futebol no meio da rua ou no campinho perto, esconde-esconde, banho de açude etc. e foi justamente aí, quando o costume era ficar pelado junto com os outros que se deu a passagem da puberdade para a adolescência, marcada por um fato extraordinário: ao contrário dos colegas e primos, seu desenvolvimento sexual se deu numa escala bem diferente. Até então ele era como todos, nada a mais, nada demais. Mas vieram as mudanças hormonais da puberdade e, enquanto a molecada tinha pirocas de tamanho normal com variações próprias de cada biotipo e fatores genéticos etc., a dele subitamente passou a crescer e a engrossar muito mais que os outros, fazendo com que ele ganhasse uma notoriedade bastante incômoda. Começaram a caçoar dele, a tirar sarro, a chamar ele de jumento, pica de jegue, etc. Ao mesmo tempo em que Tavinho era vítima de bullying constante nos espaços e momentos de convivência pública, também era assediado, só que de forma privada, no sigilo, na encolha e isso semeou na cabeça do jovem Otávio muitas questões: ele tinha um dote que era objeto de ridicularização em público e desejo/veneração no privado.

Justo nessa época os pais de Otávio decidem comprar uma casa em Fortaleza e mandar os filhos estudar na capital. A irmã mais velha de Otávio precisar fazer o científico, equivalente hoje ao ensino médio, enquanto ele e sua outra irmã estavam cursando o ginásio. Uma tia solteirona os acompanhou e passou a fazer o papel dos pais, controlando suas vidas na casa onde foram morar na Lauro Maia, bairro de Fátima, em Fortaleza. Nos feriados e férias eles iam pro interior rever os pais mas o cotidiano passou a ser de cidade grande. Otávio já tinha vindo a capital com os tios diversas vezes, boa parte da família já tinha migrado e morava em Fortaleza, então a capital não era inédita para ele mas, mesmo assim, foi uma mudança muito grande no estilo de vida, ele perdeu aquela liberdade que tinha no interior, porque a tia que cuidava deles era muito chata, sobretudo com horários e com as amizades que eles faziam e que ela tratava de constranger mantendo uma expressão severa até quando algum colega ia na casa dele pra fazer um trabalho da escola. A mesma rigidez era aplicada aos amigos que ele e as irmãs foram fazendo pela vizinhança.

Nessa fase da vida, em função do rigor da tia, Otávio teve uma fase de poucas aventuras. Seguia explorando os sentidos e limites do próprio desejo, se envolveu com garotas, teve as primeiras namoradinhas, enquanto também teve experiências com colegas e vizinhos, mas tudo se dava numa dimensão superficial, era mais um sarro do que uma relação. Foi nessa época que ele conheceu os irmãos Carlos Eduardo (Duda) e Carlos Zeca (Guga), ficaram amigos e ele teve muita vontade de experimentar alguma coisa com os vizinhos, mas faltou coragem e oportunidade para ele conferir ao vivo algo que ele já tinha notado pelo volume nos shorts e bermudas: os irmãos também era bem dotados, como ele, fato que ele só constataria e tiraria proveito muitos anos depois.

Por conta desse ambiente controlado, Otávio chegou aos 18 anos, fazendo faculdade, mas sendo relativamente inexperiente em relação a sexo como algo mais profundo, que dava identidade e sentido à sua vida. As brincadeiras, os toques furtivos, as punhetas trocadas, uma chupadinha aqui e acolá eram vividas como aventura e brincadeira, ele, de certa forma, não se sentia implicado naquilo ao mesmo tempo que tinha uma intuição muito difusa de que havia algo a mais, muito mais para ser descoberto, experimentado, vivido. O fato de ter acabado de completar dezoito anos, as pessoas pareciam esperar que ele fosse adulto, embora por dentro continuasse carregando as mesmas dúvidas, os mesmos medos e os mesmos segredos da adolescência.

Até que veio uma festa na casa dos tios que moravam perto. Naquela noite de sábado, a casa de tio Zeca e tia Amália estava cheia, o motivo do jantar era oficializar o noivado da prima mais velha à família antes do casamento. Havia risadas na sala, pratos na cozinha, o som distante de uma música baixa vindo da varanda.

Otávio nunca se sentia muito confortável em reuniões de família. Preferia ficar mais quieto, observando de longe. Além disso, havia o noivo da prima cuja presença lhe desconcertava. Toda vez que trocavam olhares Tavinho sentia algo estranho. Talvez porque Caio, o noivo, olhasse para ele por um segundo a mais, talvez porque o olhar de Caio além da demora trazia uma intensidade, como se ele quisesse dizer algo sem palavras, uma espécie de busca de cumplicidade que deixava Otávio encabulado, nervoso, sem saber onde colocar as mãos. Ele não entendia ou não queria entender o que Caio queria dizer, o que Caio buscava olhando pra ele daquele jeito.

Caio tinha 27 anos, era charmoso, simpático, elegante e parecia se dar bem com todo mundo. Otávio sentia vergonha até de admitir para si mesmo que achava o noivo da prima bonito. Sempre que Caio sorria ou colocava a mão no corpo de outra pessoa enquanto falava, Otávio desviava os olhos depressa, como se alguém pudesse perceber seus pensamentos.

Seu tio, Zeca, também parecia particularmente animado naquela noite. Perto de fazer cinquenta e cinco anos, continuava sendo um homem de presença forte. Falava alto, ria alto, ocupava todos os espaços da casa sem perceber.

A festa seguiu animada mesmo depois do jantar servido, até a bruxa da tia Nazaré, que cuidava deles, estava sorrindo, parecendo desobrigada e vigiar ele e as irmãs como sempre fazia. Houve um momento em que ele ficou sozinho. Otávio aproveitou e saiu da sala e foi até a cozinha pegar um copo d’água. O pavê de ameixa com côco que foi servido estava muito doce e ele queria tirar aquele sabor adocicado da boca. A casa dos tios era comprida e a cozinha ficava na parte dos fundos. Ao chegar lá, antes de pegar o copo, ouviu vozes baixas que vinham do corredor escuro que ligava a cozinha à lavanderia. Vozes quase sussurradas. Aquilo lhe deu um estalo. A sensação de que algo estranho estava acontecendo o deteve.

Otávio parou. Reconheceu imediatamente a voz do tio.

— Isso é loucura — Zeca dizia, num tom estranho, mais baixo do que o normal.

Otávio ficou imóvel.

A segunda voz era de Caio.

— Eu sei. Mas já faz tempo.

O coração de Otávio disparou.

A porta da lavanderia estava entreaberta. Sem saber exatamente por que, ele se aproximou em silêncio.

Lá dentro, o tio estava de costas para a parede, e Caio estava muito perto dele.

Perto demais.

Por um segundo, Otávio não entendeu o que estava vendo.

Então viu o tio segurar o rosto de Caio.

E os dois se beijaram.

Otávio sentiu como se o chão desaparecesse sob seus pés. Deu um passo para trás imediatamente, mas não conseguiu ir embora. Ficou parado no corredor, escondido pela sombra, ouvindo a própria respiração pesada. A primeira sensação foi medo. Um medo enorme, sufocante. Medo de ser descoberto. Medo de que aquilo fosse real. Medo do que aconteceria se alguém mais visse. Mas havia outra coisa também. Uma coisa que ele não queria sentir.

Otávio passara anos fingindo para si mesmo que seus desejos não existiam. Sempre que ele cedia à vontade de fazer algo com outro homem, vinha o sentimento de culpa e o arrependimento, depois. Crescera ouvindo piadas, comentários e silêncios. Aprendera a esconder cada pensamento, cada curiosidade, cada vez que o olhar demorava um pouco mais em algum cara. O fato de tocar punheta com outro amigo ou colega de colégio, comparar tamanho de pau, um primo chegou a mamar ele durante um banho de açude, enfim, todas essas coisas eram vividas como brincadeira, como algo inconsequente, mas que trazia depois um peso no coração, um aperto no peito do medo de alguém descobrir. Ao mesmo tempo, Tavinha achava que era coisa só de pivete, que ia passar. Sempre que fazia se prometia nunca mais fazer de novo.

Nunca tinha beijado ninguém. Nunca tinha contado a ninguém o que sentia. E agora, escondido naquele corredor escuro, via pela primeira vez algo que durante anos existira apenas na sua imaginação mais secreta.

Dois homens.

Ali, tão perto.

O tio afastou-se um pouco, passando a mão pelos cabelos, claramente nervoso.

— Isso não pode continuar — disse Zeca.

— Então por que você me puxou para cá? — respondeu Caio, com a voz baixa.

Houve silêncio.

Otávio sentiu um aperto no peito. Porque havia verdade naquela pergunta. O tio parecia dividido entre recuar e se aproximar de novo. No fim, aproximou-se. Os dois voltaram a se beijar, agora de maneira mais intensa, mais desesperada, como se estivessem tentando compensar todos os meses — talvez anos — em que fingiam que nada existia. As mãos se buscavam desesperadas. Avançavam sobre as roupas, procuravam os paus.

Otávio devia sair dali. Sabia disso. Mas continuava imóvel. As mãos tremiam. Seu rosto queimava. Sua boca estava tão cerca que parecia que a língua ia rachar. Não conseguia parar de olhar. Pela primeira vez, entendia através daqueles dois adultos se beijando que o que ele sentia era muito mais que uma brincadeira, ele não se sentia mais sozinho nos sentimentos que sempre escondera.

Aquilo não apagava o choque. Nem a culpa. Nem a confusão. Mas, por um instante, também havia reconhecimento. Porque o tio, o homem que sempre parecera tão cheio de si, tão macho, tão seguro, tão impossível de entender... naquele momento parecia tão perdido quanto ele.

Zeca afastou-se outra vez.

— Ela não pode saber.

Caio abaixou a cabeça.

— Eu sei.

— Nem o Otávio.

Ao ouvir o próprio nome, Otávio prendeu a respiração.

— Eu sinto que ele tem algo a mais. O modo como ele me olha — continuou Caio, com a voz rouca. — Teu sobrinho mexe comigo, Zeca, tenho vontade de agarrar ele e dar o que ele tá pedindo mas não sabe pedir e você já é confusão demais na minha vida.

- Pelo amor de Deus, Caio. Deixa Tavinho quieto. Já basta nós dois agindo feito malucos, se agarrando pelos cantos, se comendo pra depois ficar envergonhado. Com culpa, olhando pra minha mulher e minha filha e me sentindo sujo…

Essas palavras atingiram Otávio mais do que todo o resto. Porque, durante anos, imaginara que era o único a sentir vergonha de si mesmo. Mas agora via o tio, um homem de quase cinquenta anos, também escondido, também assustado, também incapaz de dizer em voz alta aquilo que sentia.

Otávio se afastou devagar do corredor, antes que eles percebessem. Subiu as escadas até o quarto da prima e fechou a porta sem fazer barulho. Sentou-se na beira da cama. Ficou ali por muito tempo, encarando o chão. As emoções vinham em ondas. Choque. Raiva. Vergonha. Curiosidade.

E, no meio de tudo, uma estranha sensação de liberdade. Como se uma porta tivesse sido aberta dentro dele. Não porque aprovasse o que tinha visto. Não porque entendesse tudo. Mas porque, pela primeira vez, percebia que o desejo não era uma coisa monstruosa criada apenas na sua cabeça.

Ele existia.

Complicado, confuso, errado às vezes.

Mas existia.

Quando desceu, os dois estavam na sala, sentados afastados um do outro. Não se olhavam, estavam misturados às outras pessoas, o tio ao lado da tia, Caio abraçado com sua prima. Tudo aparentemente normal…

Naquela madrugada, Otávio quase não dormiu. Sozinho em seu quarto, ficou imaginando quantas vezes o tio havia escondido partes de si mesmo. Quantas vezes tinha fingido ser alguém diferente. E também pensou em si. Em quanto tempo ainda continuaria fingindo.

Na manhã seguinte, a casa estava silenciosa. Tia Nazaré e suas irmãs tinham saído para ir ao shopping comprar “coisas de mulher”. Assim dizia o bilhete escrito, deixado em cima da mesa, junto a cesta de pão. Ele tomou café e tomou uma decisão de supetão. Foi na casa dos tios. Sua prima havia saído cedo com a mãe para resolver coisas do casamento. Júnior, seu primo, não estava por lá, tinha ido jogar bola com os amigos. O tio estava sozinho na cozinha, tomando café. Otávio entrou devagar. Zeca ergueu os olhos, surpreso. Por um instante, os dois apenas se encararam.

- que surpresa, Tavinho.

- tava sozinho em casa…

Otávio teve a impressão de que o tio parecia cansado. Mais velho. Como se tivesse envelhecido vários anos em uma noite.

— Dormiu bem? — perguntou Zeca.

Otávio hesitou.

— Mais ou menos.

O tio assentiu. Silêncio. Depois de alguns segundos, Otávio sentou-se à mesa. Queria dizer alguma coisa. Queria perguntar. Queria contar sobre si. Mas as palavras não vinham. Então Zeca falou primeiro.

— Às vezes a gente passa muito tempo tentando ser quem os outros esperam.

Otávio ergueu os olhos lentamente. O tio não o encarava. Continuava olhando para a xícara de café.

— E aí um dia percebe que já nem sabe mais quem é de verdade.

Houve outro silêncio. Mas, dessa vez, não era um silêncio pesado. Era um silêncio estranho, cheio de coisas que não estavam sendo ditas, mas que existiam mesmo assim. Otávio respirou fundo.

— Talvez ainda dê tempo de descobrir — respondeu.

Zeca olhou para ele. E, pela primeira vez em muitos anos, Otávio sentiu que os dois realmente se viam. Não como tio e sobrinho convivendo como família, tão próximos, tão distantes. Não como duas pessoas perfeitas. Mas como duas pessoas assustadas. Duas pessoas tentando entender quem eram. E, de algum modo, isso parecia o começo de alguma coisa.

- Eu te vi ontem à noite, Tavinho.

Por um segundo, o mundo parou. Otávio sentiu o coração pausar. A respiração ficou presa, entalada na garganta. Um frio correu pela espinha e explodiu em sua cabeça. Tentou dizer algo. As palavras não vinham. Zeca superou o silêncio de Tavinho e seguiu falando.

- Eu não queria. Aconteceu. A gente tava bêbado. Na casa de praia. Carnaval. Ano passado.

As palavras ditas assim, soltas, entre pausas, davam a Tavinho o espaço para ir formando as imagens. Seguiu olhando pro tio:

- A gente tentou, tentou mas não consegue parar. Você viu…

- Tio…

- É, Tavinho, coração é reino que não se governa…

- A prima…

- Nunca vai saber. Ela não pode saber.

- Mas ontem… podia ser ela no meu lugar!

- Eu sei, por isso que não dormi essa noite. O risco. O perigo… É o diabo! O medo anda no mesmo trilho do desejo. Não resisto a boca de Caio. Quero beijá-lo toda vez que a gente se encontra. Inferno…

- Sei como é que é… o medo. Ontem, quando Caio falou de mim, quase morri…

- Ele quer você… tudo bem… ele não é meu… você quer?

- Tio!!!!

- Você já fez?

- Não. Nunca!

- Tavinho!!!

- Só brincadeira, tio. Curtição. Coisa de mlk.

O olhar de tio Zeca mudou. Algo se acendeu dentro dele com a admissão de Tavinho. Estava claro que o sobrinho não era completamente inocente. Seu desejo tinha bagagem, história, memória. Acumulava algumas experiências e, por mais juvenis que fossem, não era tão bobas assim, como ele gostava de se (auto) enganar. O tio percebeu isso e lhe contraditou.

- Mas você já é um homem. Dezoito anos.

- Tenho medo…

- Mas tem vontade…

- Ten..tenho…

Enquanto Tavinho gaguejava, tio Zeca se levantou. O volume na bermuda anunciava. Ia acontecer. Ele tremia. As mãos ficaram geladas. O tio parou em pé ao lado dele. Pegou sua mão trêmula e colocou lá. Otavio quis tirar a mão. Ele se antecipou e foi além, prendeu a mão, puxou e a colocou dentro da bermuda. O contato com a carne dura, com a pele morna fez Tavinho arder por dentro. Era tudo junto. Choque. Surpresa. Medo. Tesão.

Tio Zeca soltou seu braço. A mão ficou lá. Parada. Otávio olhou para ele. O tio consentiu com um breve aceno lhe autorizando, lhe encorajando. Tavinho passou o dorso da mão nos pentelhos. Era uma época que não se aparava os pelos pubianos. A mata abundante fez uma almofada macia para seus dedos. O cheiro de macho suado subiu e invadiu suas narinas. Instintivamente ele se aproximou do cheiro, da pele, da visão.

- Tira. Bota pra fora.

Obedeceu. Segurou a rola de tio Zeca e tirou de dentro da cueca, da bermuda. Ela balançou quando Tavinho soltou. Um pêndulo. Era meio torta, tamanho normal. Menor que a dele, Tavinho, mas todas eram…

Ficou olhando, admirado. Tio Zeca começou a acariciar seus cabelos enquanto direcionava seu rosto pra sua rola. Ele sabia o que o tio queria. O tio sabia que ele queria. Ele queria. Muito. Mas tinha medo. E vontade. Era diferente. Um adulto. Não era mais brincadeira de criança!

Tio Zeca percebeu sua hesitação e mudou de tática. Manteve sua cabeça presa nas mãos e esfregou seu pau na cara de Tavinho, embriagou seus sentidos com o cheiro de rola suada com um discreto aroma de mijo. A carne dura comprimindo seu nariz, sua mandíbula, seus maxilares. Ele estava muito excitado. A pica começou a soltar lubrificação. Um fio daquele mel tocou seus cílios e desceu pela face. Tavinho estava ficando louco de vontade. Parou de resistir. Tio Zeca notou. Soltou suas têmporas, segurou o pau e apontou para a boca do sobrinho que se abriu voluntariamente.

O primeiro contato foi com outra gota de lubrificação que brilhava como uma perola na fenda da rola do tio. O gosto acre invadiu sua boca junto com o pau. A carne dura, morna, macia se deixou envolver por seus lábios. A língua de Tavinho ficou ouriçada e logo se atreveu a dançar em volta daquele tubo de carne. Desejo que trouxe uma memória distante, voltou a ser um bebê sendo amamentado. Só que agora a mamadeira era de piroca. Começou a mamar com fome e ânsia. Parecia buscar o leite de macho que aquela rola sabia soltar. O tio segurou novamente sua cabeça e cadenciou o ritmo do boquete, para acalmar e orientar a gula do sobrinho:

- Isso, Tavinho, engole toda vai… assim, vai… até o talo. Tá sentindo meu saco batendo no queixo, putinho do tio? Tá cheio de leite pra você.

Otávio ficou arrepiado. Nunca ninguém tinha falado com ele daquele jeito. Se sentia ofendido e excitado ao mesmo tempo. Queria reclamar, ter sido chamado de putinho estava fora do seu imaginário, do seu frágil e limitado repertório sexual. Os garotos com quem ele trocou punheta nunca lhe chamaram assim. Ao mesmo tempo, o tesão lhe guiava e lhe consumia, era a primeira rola de um adulto que ele chupava, a rola de um cara mais velho, seu tio, figura masculina que tinha ascendência sobre ele, alguém que ele conhecia desde que nasceu. Essa mescla de dimensões embaçava e tornava mais denso o desejo que sentia por estar fazendo o que estava fazendo.

Por tudo isso, não conseguia parar de chupar a rola que o tio socava em sua boca. A baba escorria dos lábios e deixava seu queixo lambuzado. O cheiro dos pentelhos do tio quando ele se aproximava da base do pau de Zeca o deixava tonto. Até que o tio reparou que Otávio se tocava enquanto mamava sua pica:

- Mostra a pica pro tio, mostra. Quero ver esse pau que você está escondendo aí no calção.

Otávio hesitou por alguns segundos, largou o pau do tio, meteu os dedos no cós do short, ergueu os quadris e puxou sua roupa para baixo. O espanto de Zeca com a chibata do sobrinho foi antológico. Tudo mudaria a partir dali…

- Que porra é essa, Tavinho??? Caralho, sobrinho, como é que tu escondeu esse cacetão tanto tempo??? Ah, se eu tivesse reparado nisso antes…

Enquanto Zeca falava, ele puxava Otávio pra cima até que ficaram frente a frente. O tio segurou a pirocona do sobrinho e falou:

- Porra, Tavinho, não sou de fazer essas coisas não, mas, bicho, uma chibata dessas eu tenho que provar.

Zeca ajoelhou-se no chão da copa e sem demora abocanhou a rolona de Otávio com a fome e a luxúria furiosa de quem encontrou algo raro e precioso. E era. Muito especial. Tavinho ainda levaria um tempo para entender o poder e o fascínio que seu pauzão teria sobre as pessoas. Enquanto isso, desfrutava da mamada que seu tio lhe dava. Uma chupada meio faminta, tio Zeca se desafiava a engolir o mais que conseguisse da pica gigante do sobrinho.

- Puta merda, quando Caio ver vai ficar doido.

Tavinho se escandalizou:

- O sen…senhor vai falar pra ele?

- Claro. Ele é da gente. Fica frio que Caio não vai falar pra ninguém. A parada é só entre a gente. Você vai gostar. Ele chupa gostoso e adora levar pica no cuzinho. Tu vai estraçalhar aquele rabo, putz…

Zeca voltou a mamar e Otávio divagou por algum tempo entre as sensações que a boca de seu tio lhe dava e as imagens que se formavam na sua cabeça: ele ser chupado pelo noivo da prima, pelo cara com quem Tavinho vinha trocando olhares que não entendia o porquê, até aquele dia. A imagem do corpo de Caio, que ele já tinha visto uma vez quando foram a Praia do Futuro, lhe veio à memória como um raio. Ele ia comer aquele cu. Seu primeiro cu. Ele nem sabia como, mas seu tio disse que ia. Com esse pensamento, Otávio voltou a olhar pra baixo. Zeca tava fissurado mamando seu pau enquanto batia uma punheta nervosa. Ele viu a pica do tio dando pinote, isso aumentou seu tesão. Zeca percebeu, tirou o pau da boca, passando a lamber as bolas de Otávio:

- Vai, Tavinho, esporra. Quero ver essa gala jorrando

Zeca disse isso mas foi sua pica que começou a expelir jatos brancos, cremosos, espessos, no chão da cozinha. O olhar de Tavinho turvou em êxtase ao ver o tio ejaculando. A boca. A língua. O saco. As lambidas. A pica do tio gozando. Otávio sentiu que ia gozar também. Paroxismo. Prazer. O corpo tremia todo. A vista turvada. Ele fechou os olhos e por alguns segundos apenas sentiu. O arrepio no saco se encolhendo um segundo antes de gozar. A onda de choque que correu o corpo todo agora numa intensidade nova. O pulsar da rola gozando. Os jatos de porra saindo a esmo, lançados no ar, caindo no chão da cozinha. Explosão. Gozou como nunca tinha gozado na vida.

A lambida de tio Zeca na cabeça esporrada de seu pau trouxe Tavinho de volta à vida. Otávio abriu os olhos e diante dele uma visão admirável. Seu tio, o macho alfa da família, tão machão, tinha sido tão dominador minutos atrás e ahora estava ali, ajoelhado, submisso, venerando e segurando sua rola, recolhendo com a língua a gala que ficou na cabeça do pau e nos seus dedos. Aquela alternância de papeis numa relação homossexual era algo que iria marcar a vida de Otávio. A partir dali ele entenderia que não havia rigidez nas posições. Ativo? Passivo? Versátil! Tudo uma grande bobagem quando o importante era ter prazer e isso era possível em quaisquer dos lados.

A respiração aos poucos voltou ao normal e com ela veio junto um tsunami de culpa e vergonha. Tavinho queria morrer, fugir dali e nunca mais olhar pra casa do tio. A angústia que tomou conta dele foi tão forte que doeu. Tio Zeca, experiente, percebeu e procurou lhe acalmar.

- Tavinho, fica vexado não, rapaz. Isso é normal. Muita gente faz. Escondido, mas faz. O lance é só esse, cuidar pra ninguém ficar sabendo. Desde moço que apronto no sigilo. Se você de quantas pessoas na nossa família gostam de uma…

As reticências de Tio Zeca capturaram a atenção de Otávio de tal modo que ele aquietou um pouco a ansiedade que tava sentindo.

- Sério, Tio?

- Sério… com o tempo você vai ficar sabendo. Não vou contar de ninguém assim como não contarei de você pra ninguém. Só fica ligado. Tudo começa no olhar…

- É mesmo, tio. Desconfiei de Caio pelo modo como ele me olhava…

- Ele disse o mesmo de você…

- Tio, tenho medo. Se meu pai souber, ele me mata…

- Mata não, Tavinho. Mata não…

Com essa resposta enigmático, Zeca se levantou e foi pegar material de limpeza pra remover a sujeira do chão. Aquela sensação de aperto no peito voltou a sobressaltar Otávio. Se despediu do tio e voltou pra casa. Sua cabeça, um redemoinho. Pânico e entusiasmo em iguais parcelas. Ele finalmente tinha tido uma revelação. Não era brincadeira. Era a vida e ele tinha muito por viver.

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Foto de perfil de Xandão SáXandão SáContos: 51Seguidores: 228Seguindo: 131Mensagem Um cara maduro, de bem com a vida, que gosta muito de literatura erótica e já viu e viveu muita coisa para dividir com o mundo.

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