Estou de volta, é alguns anos. Tantas coisas passaram, tantas mudaram. Retomo com uma roupagem mais dramática, espero que gostei, aguardarei os feedbacks para dar continuidade. Portanto, leiam pelo menos o capítulo anterior.
Abraços a todos e divirtam-se.
A obra, a oficina e o cursinho
Parte 4
Ver meu pai de quatro sendo enrabado pelo meu tão recente ex namorado me deixou com um gosto acre na boca, não consegui sentir desejo, tesão, o que normalmente me ocorreria. Senti uma certa repulsa de ambos, afinal, um me via como problema, o outro tinha um pacto de sinceridade, aquilo só representava traição, de ambas as partes. Sim, a traição pode existir até quando os mais abertos e não monogâmicos acordos prevalecem, a traição é mais sobre lealdade que sobre fidelidade. Ali, eu estava sendo traído, afinal a porta não estava totalmente fechada.
Esse foi um detalhe cruel.
Não foi o que vi, dois corpos nus, um membro rijo e potente pentrando as entranhas receptivas do meu padrasto, meu pai, meu homem, meu lar, foi o que entendi. Há coisas que o corpo reconhece antes da mente conseguir nomear. O ar ficou pesado, como se o quarto tivesse perdido oxigênio, como se em seu deleite o tivessem sugado todo. O mundo seguiu exatamente igual do lado de fora, mas ali, naquele corredor estreito, alguma coisa em mim saiu do lugar e não voltou mais.
Fiquei parado tempo demais. Tempo suficiente para perceber que ninguém me chamaria, nem Arnaldo, que pelo barulho se vestiu de qualquer jeito e saía de fininho, pois assim como eu, ouvia os gemidos do meu pai sendo vigorosamente penetrado por Felipe. Tempo demais, tempo suficiente para entender que eu também não entraria.
O chão estava frio nos pés. Lembro disso com nitidez, como se a memória tivesse escolhido um detalhe banal para me poupar do resto. Apoiei a mão na parede. Não era apoio, era contenção. Se eu desse mais um passo, cairia, não no chão, mas em algo mais fundo, aquelas semanas estavam me cobrando um preço difícil de pagar.
Saí sem fazer barulho. Descer a escada foi mais difícil do que subir. Cada degrau parecia uma pergunta que eu não sabia responder. No portão, respirei fundo, como quem emerge debaixo d’água, Arnaldo já estava saindo com o carro me dando uma olhada de pena? Compaixão? Não sei.
Passei a noite fora, liguei para Tio Marcio, contei tudo, ele se espantou com a naturalidade com que aquele ato aconteceu. “Mas você não tinha autorizado?” disse ele. E confirmei que sim, mas que seria uma coisa nossa, dele e meu, não algo para ser descoberto por gemidos e portas entreabertas.
Tomei um novo banho, contei da tarde com Arnaldo e Tio Marcio o criticou por não ficar e me dar suporte, contei dos problemas e ele entendeu. Então me aprontou uma cama no quarto de hóspedes, olhei com cara de incrédulo, precisava de carinho, cuidado e afeto.
Ele se corrigiu e me direcionou para seu quarto, estendeu um novo travesseiro e me pediu que dormisse, tirei toda minha roupa, nú como se precisasse renascer, deitei na cama do Tio Marcio, ele fez o mesmo, tirou tudo, não vi, estava deitado virado para o outro lado, pensando, sentindo, ou talvez não sentindo.
Ele me veio por trás com um cafuné, um abraço e um beijo no pescoço. Bastou o beijo e meu membro enrijeceu-se, me culpei por aquilo, estava decepcionado com meu Padrasto e ainda estava com tesão?
Tio Marcio obviamente sentiu aquilo, chegou mais perto e deu outro beijo, um cheiro e eu soltei um breve gemido, ele perguntou se eu queria que ele fosse dormir.
- Não tio, na verdade não sei o que quero.
- Isso aqui me diz alguma coisa. Disse ele pegando no meu pau.
- Pois é.
- Tá bem, vamos dormir então, já mandei mensagem pro seu pai avisando que está aqui.
- Tanto faz, ele tá bem acompanhado até minha mãe chegar em casa.
- Tá bem, boa noite Dani.
- Tio? Disse eu quase inaudível.
- Diga Dani.
- Me abraça forte.
Tio Marcio me abraçou forte por trás, éramos uma concha, eu desejava realmente estar dentro de uma, não ser uma. Obviamente seu membro duro, grande e grosso feito uma embalagem de inseticida estava me cutucando a bunda. Não neguei o afeto, retribuí com uma breve rebolada. Mas não estava afim de receber todo aquele prazer que ele poderia penetrar em meu corpo.
Ele sentiu isso e colocou seu grande objeto de prazer entre minhas pernas, de forma que o vai e vem roçavam no meu saco, me gerando um prazer totalmente diferente.
Me encoxava e gemia, beijava minha nuca e me cheirava.
Intensificou o movimento, ofegou e despejou sobre meu saco e coxas um líquido farto e grosso. Eu não me mexi, sentia culpa por ter gostado daquilo, mas não me mexi.
Ele pegou o lenço umedecido e limpou.
- Não gostou?
- Gostei sim, foi uma delícia. Só to sem energia.
- Desculpa se você não queria.
- Quis sim, e vou querer mais, mas agora a gente devia ir dormir.
- Boa ideia, boa noite, Dani, amanhã cedo te levo pra casa.
Nos dias seguintes, a casa virou um território de pactos silenciosos. Falávamos do tempo, do trânsito, de contas. Evitávamos portas. Evitávamos horários. Eu aprendia a medir passos pelo som, a prever presenças pela luz acesa no corredor. Era uma coreografia cuidadosa para não tocar no que tinha acontecido, como se nomear fosse tornar definitivo.
Meu pai tentou falar comigo uma vez. Não conseguiu. Não porque faltassem palavras, mas porque sobrou cuidado. Às vezes, o cuidado machuca mais que a brutalidade. Ele disse meu nome como quem testa um terreno instável. Eu respondi com um aceno. Foi o máximo que demos um ao outro naquele dia.
Do outro lado, houve mensagens não enviadas, chamadas interrompidas, uma distância que se instalou sem anúncio. Não era ódio. Era reconfiguração. Algumas pessoas não cabem mais no mesmo desenho depois que certas linhas se cruzam.
Demorei a entender que aquilo não era apenas perda. Era passagem. A versão de mim que acreditava em compartimentos bem definidos, pai, amor, casa, segurança, desejo, lealdade, ficou para trás naquele corredor. No lugar, surgiu alguém mais atento, mais silencioso, menos disponível para fingir.
Não houve confronto imediato. Houve tempo. E o tempo, diferente do que dizem, não cura, ele organiza. Coloca as coisas em prateleiras altas demais para serem alcançadas todos os dias.
Ainda estamos aprendendo a existir no mesmo espaço. Às vezes conseguimos. Outras vezes, não. Mas há algo novo entre nós: um limite. Não imposto, não discutido, apenas compreendido, ele sabe, ele me ouviu, mas ele esperava? Ele desejava?
E isso, descobri, também é uma forma de crescer. Ver seu padrasto e amante sendo currado pelo seu recente ex namorado.
Continua...