Capítulo 13: A Estreia de Carla de Souza

Um conto erótico de Paula Crossdresser
Categoria: Trans
Contém 1170 palavras
Data: 04/04/2026 17:47:21

O carro executivo levou Carla diretamente para a entrada privada da sede da Mirana Corp. O sol da manhã banhava os arranha-céus, e a cidade inteira parecia estar sob seus pés. O vestido escarlate de Mirtes era uma segunda pele, um uniforme de poder que exalava uma autoridade feminina, e os saltos altos, que antes a faziam cambalear e sangrar, agora a elevavam com uma graça treinada, quase instintiva. Sua maquiagem estava impecável — a "engenharia facial" aplicada com perfeição – e a expressão, ensaiada por horas, era de confiança serena, que não convidava a perguntas. Ela não era apenas uma executiva; ela era um evento, um comunicado de imprensa ambulante.

Ao caminhar pelos corredores de mármore polido e vidro, cada passo de Carla era uma nota alta e afinada em uma sinfonia de luxo. Os poucos funcionários que a viram na passagem pararam, seus olhos fixos. Carla, seguindo o treinamento de Mirtes à risca, não olhava para ninguém, mantendo o foco absoluto. O treinamento havia ensinado que ela não precisava reconhecer os olhares; sua presença era suficiente para dominar o ambiente, como se o prédio inteiro tivesse sido construído apenas para conduzi-la ao seu destino final. A cada passo, a Carla forjada substituía o fantasma de Carlos.

Letícia a esperava no lobby privativo, com um tablet na mão e a mesma expressão inescrutável.

— Cinco minutos de atraso são inaceitáveis. - Letícia sussurrou, a única crítica que se permitiu, antes de conduzi-la à sala principal.

A primeira reunião do dia era com o Conselho de Administração — um grupo de rostos grisalhos e ternos caros, acostumados a anos de hierarquia rígida e previsível. A sala de reuniões ficou em um silêncio pesado quando Letícia garantiu que a entrada de Carla fosse perfeitamente cronometrada.

O impacto foi imediato e palpável. Carla fez sua entrada, e o ambiente estagnado foi quebrado. O vestido vermelho, sensual, mas elegantemente contido, contrastava poderosamente com a sobriedade masculina do ambiente. Era um desafio visual que não podia ser ignorado, forçando os homens mais poderosos da Mirana a confrontar algo novo e desestabilizador.

Carla caminhou até a cabeceira da mesa, seu andar sendo o "deslizar" que Mirtes havia exigido. Ela não hesitou, nem esperou que ninguém se levantasse para cumprimentá-la. Ela estava ali para comandar, não para pedir licença.

— Bom dia a todos. - Ela disse, a voz no tom médio e controlado que levou semanas para aperfeiçoar, sem gírias ou hesitações.

— Sou Carla de Souza, a nova Vice-Presidente Sênior de Relações Públicas Estratégicas. Espero que já tenham recebido meu relatório introdutório.

A reunião começou, e a tensão se instalou. Um dos executivos mais antigos e notoriamente céticos, o Sr. Hartmann, com sua barba impecável e um terno Savile Row, tentou testá-la.

— Sra. de Souza. - Ele começou, com um tom de ceticismo condescendente que tentava reduzi-la a uma novidade exótica.

— Seu relatório é ambicioso, mas gostaríamos de saber sua opinião sobre o erro financeiro recente no setor de Milão. Como alguém, nova em nossa estrutura, pretende "consertar" a imagem pública de uma falha que custou milhões?

Carla não vacilou. Ela olhou diretamente nos olhos de Hartmann, mantendo o contato visual pelo momento exato que Mirtes havia ensinado — um instante a mais do que era confortável para ele — antes de piscar e responder com a precisão fria de Mirtes:

— Sr. Hartmann, o erro ao qual o senhor se refere foi causado por uma falha de comunicação interna entre os setores de Tesouraria e Logística, especificamente a métrica 4B. - Ela explicou, citando dados que ela havia memorizado exaustivamente.

— Minha função é garantir que a narrativa pública seja consistente com os fatos, e que falhas internas como essa sejam eliminadas através de uma sinergia de comunicação. Portanto, sugiro que concentremos a atenção na solução de longo prazo para evitar a repetição, e não na retrospectiva improdutiva.

O silêncio que se seguiu não foi de confusão, mas de respeito forçado. Ela usou o vocabulário de poder e o silêncio estratégico. A performance estava funcionando perfeitamente. Carla não era apenas competente; ela era imponente e, mais importante, ela havia reposicionado a falha de imagem para uma falha deles. Seu visual "sexy, mas inatingível" cumpria a promessa de Mirtes: atraía a atenção e exigia ser levada a sério. Ela era a prova viva de que o preço pago pelo seu passado tinha se convertido em um capital inestimável para a Mirana Corp.

Carla foi levada diretamente da sala do Conselho de Administração para o escritório privativo de Mirtes, onde Letícia já a esperava, com uma expressão inescrutável, anotando em seu tablet. Mirtes, por sua vez, estava de pé perto da janela, observando a cidade. O silêncio era tenso, mais opressor do que o interrogatório do Sr. Hartmann.

Mirtes virou-se, e seu olhar avaliativo percorreu Carla da cabeça aos pés, detendo-se no vestido vermelho.

— Sente-se, Carla. - Mirtes ordenou.

— A performance foi... aceitável.

O termo "aceitável" soou mais como um insulto do que um elogio. Carla sentiu um pingo de frustração, mas manteve a compostura, lembrando-se da regra do silêncio estratégico.

— O vestido cumpriu sua função perfeitamente. - Mirtes continuou, fazendo um gesto de aprovação ao traje.

— Ele a transformou em um ponto focal, garantindo que eles não vissem um "Carlos" tentando se disfarçar, mas sim uma mulher de poder. Sua resposta ao Hartmann foi concisa e reposicionou o foco. Isso foi bem executado.

No entanto, a presidente rapidamente apontou a falha com uma precisão desumana:

— Sua postura está quase perfeita, mas notei uma leve contração na sua mão esquerda, no exato momento em que o Hartmann a questionou sobre a perda de milhões. - Mirtes repreendeu.

— Essa é uma reação de estresse e submissão de "Carlos", Carla não demonstra nervosismo. Ela o usa como combustível. Você precisa matar esses pequenos tiques submissos. Seu corpo ainda trai a pessoa que você era.

Letícia interveio, falando pela primeira vez.

— O Conselho está intrigado. O elemento surpresa funcionou. Eles vieram para ver a "nova aquisição" exótica, mas foram confrontados com competência técnica. A curiosidade deles é a nossa arma, Carla. Eles querem saber quem você é e a Mirana Corp vai lhes contar.

Mirtes balançou a cabeça em concordância.

— Exatamente. Sua imagem agora é um ativo estratégico. Seu trabalho nas Relações Públicas Estratégicas começa oficialmente amanhã, com a divulgação controlada da sua chegada à imprensa global. Letícia fará a ponte, mas o rosto na notícia será o seu.

Ela olhou para Carla com a frieza de uma mentora exigente.

— Você está no caminho, mas o treinamento nunca termina. No momento em que você começar a se sentir confortável, você falha. Vista-se para a vitória todos os dias, Carla. E não se esqueça de aumentar as doses hormonais. O próximo passo é garantir que sua identidade interna seja tão sólida quanto sua imagem externa.

Carla se levantou, sentindo a adrenalina do dia e a exigência de Mirtes.

— Entendido, Sra. Mirtes. - Ela respondeu, com a voz firme, sem hesitação e sem a contração na mão. A performance continuava. O sucesso dependia de quão bem ela conseguia equilibrar a persona de "Carla" com as lembranças do "Carlos".

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