A Submissão de Thiago- Parte 12- Destino

Um conto erótico de Rafa Porto
Categoria: Gay
Contém 4253 palavras
Data: 16/03/2026 01:02:52
Última revisão: 16/03/2026 03:33:25

Opa, pessoal! Tudo bem?

Quanto tempo! Antes de mais nada: sei que dei uma bela sumida, mas esse começo de ano tem sido pra lá de intenso (por bem e por mal!). Por conta do trabalho, não tenho me dedicado à escrita como gostaria. Recentemente, porém, tirei um tempinho e consegui finalizar esse conto do Thiago! Espero que curtam!

Para os fãs da série do gaúcho: sei que estou devendo o conto final, mas confesso que estou um pouco empacado na escrita! Me despedir do Du e do Dani tem sido mais difícil do que imaginava rs. De todo jeito, adianto que esse será o próximo conto a ser publicado!

Agora fiquem com mais essa aventura do "Thiagão" (ou Thi Thi, pros íntimos) ;)

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Na real? Nunca acreditei muito nessa parada de “destino”. Desde moleque, quando alguém me perguntava minha opinião sobre o assunto, sempre respondia com uma frase manjada que meu pai costumava dizer. “Os grandes homens fazem seu próprio destino”. Repetia a frase do meu velho com um ar arrogante nos almoços da família. Até hoje, sendo sincero, acredito um pouco nisso.

Mas, depois da minha experiência na faculdade, comecei a achar que talvez essas pessoas que falam em “predestinação” tivessem alguma razão…

Até porque, como alguém poderia explicar que lá estava eu, batendo na porta do cara que eu sempre considerei meu maior inimigo na facul pela TERCEIRA vez em menos de dois meses? Parecia que quanto mais eu prometesse pra mim mesmo que nunca mais voltaria para a Sinistra, uma força sobrenatural me arrastava de volta pro covil do Yuri! E o mais doido? Eu desejava aquilo mais que tudo! Durante o dia, mal conseguia prestar atenção no que qualquer pessoa vinha falar comigo. Nas aulas, ficava batendo o pé na carteira da frente, louco de ansiedade. Só imaginando o que aquela mente sádica do Yuri tava aprontando pra mim…

Bom, falando da festa da vitória: foi exatamente como eu esperava! A cada dois passos que dava, logo alguém parava para me cumprimentar pela vitória em campo. Nessas horas- claro, guardadas as proporções! - sentia um gostinho do que era ser um jogador caro depois de ganhar Libertadores ou uma Champions. Aqueles mesmos imbecis que duvidaram de mim antes do segundo tempo não cansavam de gritar meu nome (“Mestre Thiagãaaao”), lutando pra ver quem puxava mais o meu saco. Já as minas, quando me viam, logo corriam para me dar um beijinho de parabéns. Algumas mais ousadas, durante o papo, até passavam a mão no meu braço e no meu peito, se fazendo de sonsas!

Eu, como sempre, cumpri bem com meu papel. No começo me fazia mais de bom moço, desviando o olhar com um sorrisinho tímido. Mas logo depois eu devolvia as cantadas delas com uma piscadinha marota e um olhar mais descarado pro decote.

Afinal, se era o “Thiagão do futebol” que elas queriam, era o Thiagão do futebol que elas iriam ter!

Mas se na festa todo mundo celebrava a minha glória, minha mente estava em outro canto. Eu ainda guardava o cheiro de Yuri nos meus dedos, o gosto do beijo dele na minha boca. E claro, quando eu caminhava, ainda sentia alguns fios daquela autêntica gala de homem escorrendo pelo meu cu, se misturando com o suor do jogo!

Numa hora, quando precisava de uma pausa daquela bajulação toda pra cima de mim, fui pegar uma breja na cozinha. Meu celular vibrou no bolso: era a Amandinha, me ligando lá da Espanha. Certeza que ela já tinha ficado sabendo da notícia da nossa vitória pelos vários grupos do WhatsApp da facul!

- Thiiiii! Parabéns, meu amor! – ah, aquele “Thiiii” alongado já tava me dando nos nervos! – não disse que você iria conseguir, seu bobo? Tenho certeza que foi a partida foi inesquecível!

- Sim, Mands, foi mesmo! Inesquecível...- respondi, tentando parecer interessado.

- E aí, tá celebrando com os meninos?

- Sim, gata! Você não tem ideia da festa que os moleques ...

Antes mesmo de eu terminar a frase, uma velha conhecida veio me cumprimentar na cozinha. Era a Ju, a dona da festa. A loirinha peituda, que todo o time do fut era doido pra comer, tava parada com a mão no batente da porta, com um sorriso sem vergonha no rosto. O vestido – que eu sabia muito bem, tinha sido escolhido a dedo pra mim! – era um tubinho preto bem apertado, daqueles que fecha com zíper atrás. Pela cara safada dela, tinha certeza que a Ju tava adorandooo saber que eu tava falando com a minha namorada….

- Mands, te ligo mais tarde, pode ser? Sinal tá ruim demais aqui...

Desliguei o celular, sem nem dar tempo da Amanadinha responder. Com certeza minha mina, puta da vida, me ligaria mais tarde para cobrar satisfação depois, o que renderia umas boas horas com a orelha pendurada no celular. Mas isso era problema pra depois. Abri a long neck e dei um gole, olhando fixamente pro decote da Ju. Ela logo caminhou na minha direção, apoiando a mão no meu peitoral:

- E aí, campeão? Gostando da festa que fiz pra você?

Ah, se tinha uma coisa que aquela garota gostava, era do cheiro da vitória! Já conhecia a Ju há um bom tempo pra saber que se o resultado do jogo tivesse sido diferente, ela taria tendo aquela mesma conversa com o Beto, o capitão do outro time!

- Opa, mas é claro, Ju! Só você nessa facul sabe dar uma festa à altura do Thiagão aqui!

Ela então mordeu o lábio, se inclinando no meu ombro para sussurrar algo no meu ouvido. Pronta pra dar o bote!

- Bora lá pro meu quarto então…lá que vai rolar a festa de verdade!

Me guiando pela mão, a Ju me levou na direção da escada. Mas antes, me virei pra janela da cozinha. De lá vi o Otávio e o Guga, que fizeram o que aqueles moleques babacas sempre faziam: deram soquinhos no ar e gritaram “Vai Thiagãaao”, como se eu tivesse marcado mais um gol na partida. O Otávio, que já tava mais bebinho, fez um “V” com os dedos de brincadeira e meteu a língua dentro, simulando uma linguada em uma buceta.

"Cacete, eles não tem a menor ideia da verdade!", pensei enquanto subia as escadas!

Entrei no quarto da Ju. A porta mal bateu e a já gente se enroscou em um beijo. Tudo conforme o esperado: minha noite de rei terminando como eu merecia! Com a diferença que, daquela vez, aquela noite seria o fim de uma fase na minha vida. Quando deitei na cama, pronto pra meteção, consegui ouvir voz do Yuri sussurar no meu ouvido. Foi tão real que até suspeitei que aquele cara tivesse mesmo algum poder sobrenatural:

“Aproveita, porque essa vai ser sua última noite como homem! Tua despedida dessa vida, Thi Thi! A partir de amanhã, tu vai continuar com essa pose de machinho pra sociedade, mas, na verdade, vai ser minha garota! Esse grelão aí que tu tem no meio das pernas não vai comer mais ninguém! NINGUÉM, sacou?”

- AHHHHHHHHHHHHH!- urrei feito um urso. Tirei o pau pra fora e esporrei gostoso na bunda da Ju. Com a permissão da gata, gravei a cena com meu celular, sem mostrar nenhum rosto. A gente já tinha aprontado dessas antes, e eu já conhecia bem o lado exibicionista da Ju!

Com o celular, enquadrei a vara com a câmera do celular. Mesmo depois de gozar, meu pau continuava duraço. Minha pica parecia se exibir pra câmera, grossa e veiuda. “Pau de campeão, caralho!”, era o que que dizia pra mim mesmo na frente do espelho, me admirando pelado. Um cacete que qualquer cara no mundo venderia a mãe pra ter!

“Foi mal, parça!”, pensei. Era assustador imaginar que no dia seguinte, naquele mesmo horário, meu "pau de campeão" estaria de novo trancado em um cintinho de castidade...

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Cheguei às 8h da noite em ponto na porta da Sinistra. Sabia muito bem que o Yuri odiava atrasos, então me esforcei para chegar no horário.

Passei horas me arrumando. Tomei um banho demorado, fiz a barba, dei uma aparada nos pelos da virilha e do saco. Até a porra de um hidratante corporal, coisa que nunca usava por achar “coisa de viado”, eu roubei do Otávio e espalhei pelo corpo. Massageei com calma cada um dos meus músculos: peitoral, abdômen, descendo até as pernas, coxas e bunda. Queria minha pele bem macia, uma seda praquelas mãozonas do Yuri explorar!

Depois, fiquei mais um tempão pra escolher a roupa. Era ridículo: eu parecia uma garota adolescente, jogando vários vestidos em cima da cama, indecisa com o que usar pro encontro com o “crush” do colégio. Minha primeira ideia foi ir com o uniforme do time da facul. O Yuri, claro, sempre curtia me ver com a farda completa!

“Mas ah, será que não ia ficar batido usar a mesma roupa de novo?”, pensei enquanto me olhava no espelho, só de cueca. Não valia a pena aproveitar aquela oportunidade para surpreender o Yuri?

Tive um estalo: como meu tio tinha a bendita loja de material esportivo – aquela mesma que eu uma vez posei pro catálogo! – ele vivia me dando de presente uniformes dos times. Remexi nas últimas gavetas do meu armário, torcendo pra que a roupa que eu queria estivesse lá. “Flamengo, Bayern, Arsenal…”, jogava as camisas pro alto, desesperado pra achar “a” roupa certa!

Quando eu tava já quase desistindo, de repente encontrei. Ergui no ar a icônica camisa branca com detalhes pretos e dourados no ar, escrito “Emirates” no centro. E claro, o inconfundível brasão do Real Madrid fincado no lado esquerdo de peito. Por algum milagre, apesar de fazer tempo que não usava, a camisa tava limpa, branquinha como se tivesse acabado de sair da loja. Mais uma vez, me lembrei das palavras safadas do Yuri, falando sobre minha foto com o uniforme do Real no catálogo...

“Tu tá tão gostosa que dá até pra pendurar na parede de mecânica!”

Mano do céu! Só de lembrar daquele macho falando uma escrotice dessa, mordendo o lábio daquele jeito malandro, meu corpo inteiro se arrepiou. Sem pensar duas vezes, vesti o uniforme. Como já fazia uns dois anos desde que eu tinha posado, não estranhei que ele tinha ficado um pouco apertado. Até porque, tinha crescido na academia desde aquela época! Mas isso só fez a roupa ficar ainda tesuda: o tecido da camisa, colado no meu corpo, valorizava meus músculos, destacando meu bíceps, além de marcar meus mamilos. Já o calção? Um pouco mais curto e justo, dava para ver perfeitamente o delineado da cueca. E o mais engraçado é que ele insistia em entrar entre as bandas da minha bunda!

- Porra, o Yuri vai amar isso! – deixei escapar, enquanto me admirava com o uniforme pelo reflexo do espelho.

Pra arrematar, passei meu melhor perfume, um importado que a Amandinha tinha me dado de presente de aniversário. Não deixei de pensar em quão zoado era eu usar aquele perfume caríssimo, que minha namorada tinha se esforçado tanto pra conseguir comprar, pra me encontrar com um cara no sigilo, bem debaixo do nariz dela!

“Ah, foda-se”, pensei. Aquela noite tinha que ser perfeita!

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- GRANDE Thiagão! – a voz de trovão, inconfundível, quase fez eco na rua deserta - Que moço mais obediente, pontual! Assim que eu gosto…

Puta que pariu: pra variar, não é que o filho da puta do Yuri tava um tremendo de um gostoso naquela noite? Ele vestia a mesma regata preta do dia anterior, com os tufos de pelo escapando das axilas e do peitoral grandão. Porra, era foda admitir, mas não tinha uma vez em que não olhasse pro Yuri e, com um pinguinho de inveja, não me pegasse admirando aquele corpo sensacional. E o que me deixava impressionado era que por mais que o físico dele fosse super definido, ele não tinha o corpo daqueles caras que treinam pesado na academia. Parecia mais o corpo de um gladiador, talhado pela batalha!

Por instinto, abaixei os olhos. A bermuda de fut que o Yuri usava, também preta, exibia um volume absurdo. Conseguia ver nitidamente o contorno do pauzão mole, caído pra direita, e daquelas bolas gigantes que ele ostentava. “Caralho, como ele consegue carregar essa mala toda pra cima e pra baixo?”, me ocorreu na hora. Fiquei hipnotizado, manjando na cara dura o “pacote” do meu rival:

- Tá vendo algo que você gosta, boneca? – o Yuri deu uma ajeitada de leve no saco – entra aí, craque da rodada! Já sabe...a casa é sua!

De cabeça baixa entrei apressado na Sinistra, torcendo pra que ninguém na rua me reconhecesse. Pra me disfarçar, apesar do calor que fazia naquela noite, fui vestindo um casaco de moletom cinza com capuz:

- Ih, tá a paisana, Thiago? Só faltou o óculos escuros, hein? – o Yuri brincou assim que a gente passou pela porta – pode tirar essa porra. Aqui a gente tá seguro, besta!

Abaixei o capuz e abri o zíper do moletom. Tirei o casaco devagar. Tava louco pra ver a cara do Yuri quando ele reparasse que eu tava vestindo a camisa do Real!

- Ah Thiago, PARA! Assim você me quebra! De todos os uniformes, tu tinha que escolher justo esse?

O Yuri então me olhou de uma forma que achei que ele fosse me comer ali na entrada mesmo. Tive certeza que tinha acertado em cheio! Mas logo depois, meu ex-rival abriu um sorriso diferente. Não era aquele sorriso de diabo que eu conhecia bem, a assinatura dos planos sinistros que o Yuri bolava no silêncio da Sinistra. Não, aquele era um sorriso mais leve, sem maldade. Os olhinhos espremidos, de moleque sapeca, enquanto uma covinha tímida brotava no meio daquela barba cerrada.

“Que fofo!”, me peguei pensando. Ué, mas como assim, eu tava achando o Yuri – sim, O YURI - fofo? Mano do céu, meu mundinho tava dando tantas voltas que eu mal conseguia acompanhar!

Mas, como sempre, o papo com o Yuri tomou um rumo inesperado:

- Bora pro salão de jogos, bonitão. Vou te apresentar pra galera toda…

“OI?”. Apresentar pra galera toda? Assim, óbvio que eu sabia que o Yuri morava com outros caras. Afinal, ele vivia em uma república. Mas até então, das vezes que tinha passado por lá, só tinha topado com o Nicolas. Não tava nada preparado pra me encontrar com mais gente! Sem falar que uma pulga teimava em me atormentar atrás da orelha: desde a minha primeira noite com o Yuri, em que o Nicolas me comeu com os olhos, tinha certeza que ele sabia sobre a gente. Mas e os outros caras? Será que sabiam também? E mais: o Nicolas usava uma chavinha pendurada no pescoço. Será que todo mundo que morava ali na Sinistra tava metido no mesmo esquema do Yuri?

Lá fomos nós pro salão de jogos. Conhecia bem aquele caminho, o mesmo que fiz quando, na tentativa de salvar a pele do Bernardo, terminei com o pau engaiolado! À medida que a gente se aproximava, os barulhos que vinham de lá foram ficando cada vez mais altos. Não dava para distinguir uma voz da outra, muito menos reconhecer alguma. Só dava pra sacar que eram um bando de caras. Pelo que entendi, eles estavam jogando alguma coisa. Provavelmente truco, por conta da gritaria. O Yuri foi na frente, abrindo o caminho, enquanto eu me escondia atrás das costas enormes dele:

- Fala, pessoal! Hoje a gente tem uma visita especial…

Foi o Yuri falar, todos os caras jogaram as cartas na mesa e se levantaram, arrastando a cadeira. Sempre ficava impressionado de ver como o Yuri nem precisava levantar a voz para transmitir autoridade. Ele era o “alfa” em qualquer ambiente em que entrava. Sem esforço – ele só era!

- Claro que vocês já conhecem ele de nome, mas hoje eu tenho o prazer de apresentar o Thiago...o famoso “Thiagão do futebol”! – e se virando pra mim – Thiago, aí tá o Nicolas, que você já conhece, e esses são o Marcão e o Kato..

Eu, que ate então tava ouvindo tudo de cabeça baixa, decidi que lidaria com aquela situação como qualquer partida difícil: de queixo erguido e peito estufado. Mas puta merda: aqueles moleques eram tão altos que chegavam a tapar a luz que vinha do lustre pendurado bem em cima da mesa de jogos.. Mesmo eu, que não era nada baixinho, me sentia um anão perto daqueles malucos. Sem falar no cheiro: aquela mistura de odor natural do corpo e desodorante masculino, que eu conhecia bem depois de tantos anos de vestiário, não dava trégua. O ambiente todo exalava testosterona pura!

Naquela hora, devo ter ficado de boca aberta, com uma puta cara de babaca. Senti o saco a pesar, o pau endurecer.

Não tinha como negar: estar no meio de todos os machos era uma delícia!

O Nicolas era o maior deles: o mano tinha um bíceps quase do tamanho da cabeça de uma criança pequena. Já o peitoral, praticamente um tampo de uma mesa! Ele nem parecia real, mas sim um desses matadores de aluguel que a gente vê nos filmes e nas séries, de poucas palavras e mira perfeita. Naquela noite o Nicolas tava vestindo uma regata vermelha, que valorizava mais ainda mais aquele físico de boxeador dele. Mas o que mais me chamou atenção foi um detalhe, impossível de deixar passar…

Pendurada em uma corrente, perdida no meio do peitoral gigante, uma chavinha dourada brilhava. A mesma que eu já tinha visto o Nicolas usar antes! Olhei ao redor. O que descobri não me surpreendeu nem um pouco: todos eles, sem exceção, usavam uma corrente com uma chavinha pendurada! Só a cor mudava: a do Nicolas era dourada, a do Kato prata, enquanto a do Marcão era bronze.

O que antes era uma suspeita, agora era uma certeza: cada uma daquelas porras de chave tava enjaulando alguma pica na facul!

- AH NÃO! – o Marcão foi o primeiro a falar, abrindo um sorrioo largo no rosto – caralho, quando tu e o Nicolas falaram, jurava que era piada! De todos os caras da facul, justo o Thiagão do futebol? Porra, é bom demais pra ser verdade!

Mano… por onde posso começar a descrever o Marcão? Quase beirando nos 2m, ele um negão desses de fazer virar o rosto na rua de tão gostoso. Sem camisa, as correntes que ele usava – uma delas ostentando a famosa chavinha! - caíam feito umas serpentes por cima do peitão malhado, chegando até os seis gominhos do abdômen. Fiquei um tempinho admirando os lábios: ah, com certeza aquela boca carnuda já tinha feito muitas minas – e caras! – verem estrelas! O Marcão me lembrava os cantores de rap que via na TV quando era moleque. Bem na pegada do 50 Cent!

Já o Kato eu tinha visto pela facul algumas vezes, mas só de longe. Mesmo sem nunca ter trocado uma ideia com ele, o cara sempre me impôs respeito. Descendente de japonês, o Kato tinha uma expressão séria, impossível de decifrar. Mais magro que os outros, ele que também tava sem camisa, tinha um corpo de ginasta: menos parrudo, mas com cada músculo trabalhado à perfeição. Uma verdadeira obra-prima, coberto de tatuagens até fechar o pescoço. Nada a ver com o estereótipo do “japa nerd”!

Sem desviar os olhos de mim, o Kato meteu a mão no bolso. Tirou nada mais, nada menos, quem uma nota de 100 reais e passou pro Yuri:

- Filho da puta– ele disse sem expressar a menor variação da voz – também jurava que mentira..

Quer dizer que tinha virado até motivo pra aposta naquele grupinho? Puta merda, minha moral tava baixa mesmo!

– E aí, “Thiagão”? – o Nicolas chegou mais perto de mim. Apesar do físico imponente dele, não arredei pé de onde já tava – fiquei sabendo que tu brilhou no último jogo, hein?

- É mesmo, irmão….- o Marcão, que eu já tava percebendo que era o mais maldoso de todos, continuou a piada do Nicolas, como uma jogada ensaiada – mas diz aí, soube que tu tomou uma injeçãozinha secreta de proteína do meu parça no intervalo, verdade?

Todos eles explodiram de rir. Menos o Yuri, que só deu um risinho:

- Opa, opa, bora ir com calma na zoeira, pessoal… o Yuri falava com calma, sem gaguejar uma sílaba – o Thiago tá fechado comigo, valeu? E vocês sabem o que isso significa: respeito máximo!

Notei todos os moleques até arrumando a postura, se dando conta de que o papo era mais sério do que eles tinham imaginado. Fiquei me perguntando o que aquele “fechado comigo” realmente significava. Pelo tom do Yuri e pela reação dos outros caras, senti que tinha um significado especial, que só eles tavam sacando de verdade:

- Sem problema, Yuri – o Kato não desgrudava os olhos de mim, me avaliando da cabeça aos pés – tu sabe que mulher de parça é parada sagrada!

“ARROMBADO”. Como aquele babaca do Kato tinha a audácia de me chamar de “mulher” do Yuri? Cheguei a cerrar o punho e erguer o queixo, já me preparando pra dar uma coça naquele japa!

- Bom, zoeira à parte... – o Marcão voltou a falar, manjando minha bunda na maior cara de pau– Yuri, vou te dizer: tu fez história, manoo! Quando tu disse que teu maior sonho era dobrar o “Thiagão do futebol”, toda a galera aqui riu. Inclusive eu! Mas tu foi lá e mostrou que tava todo mundo errado! Sérião, acho que desde o submisso do Nicolas a gente não via uma conquista lendária dessa!

AHHHH, não era possível! Eu tinha mesmo ouvido o Marcão dizer “o submisso do Nicolas”? Assim, na maior naturalidade?

- É mesmo, Yuri...- o Nicolas seguiu na mesma toada. Como os outros, ele também tava me secando na cara dura – o Marcão tem razão. Isso aqui é história sendo feita! Mas agora me diz uma coisa…

Ele então apontou na direção do meu pau:

- O “Thiagão” aí já tá... rebaixado pra segunda divisão?

Foi o cara perguntar que todos eles racharam o bico. Não sabia onde enfiar a cara! Porra, já era humilhante demais quando eu achava que só o Yuri sabia do meu segredo. Mas agora, descobrir que meu pau trancado era motivo de piada entre aqueles moleques? Ah, era demais!

- Ainda não...- o Yuri respondeu. Ele me olhou, com cara de orgulhoso, e depois estufou o peito para anunciar – a gente vai fazer isso hoje a noite!

- AHHHHH, AÍ SIM!- os caras comemoraram como se fosse um gol. O Marcão era o que mais comemorava – Caralho, que foda! Quando a gente ver o Thi Thi da próxima vez, ele já vai tá engaiolado!

- Como as coisas devem ser… – o Kato emendou, me olhando com cara de superior – porra, parabéns mesmo, Yuri. Representou demais!

- Sim, parceiro! Muito orgulho de você! - o Nicolas veio cumprimentar o Yuri, seguido pelo Marcão e pelo Kato. Mano, eles tratavam o cara com um respeito, que parecia que ele tinha acabado de ganhar um campento!

- Tá bom, tá bom...- o Yuri dizia se fazendo de modesto – agora se vocês me dão licença...tenho negócios a tratar com o senhor Thiago!

Segui o Yuri até a porta. Não tive peito pra encarar os moleques na saída. Mas eles cochichavam alto, claramente pra que eu escutasse: “filho da puta, não é que ele conseguiu mesmo?”, o Kato falou, dando as cartas. Daí pra frente, os comentários só foram descendo de nível: “Que inveja...um rabão desse, não ia deixar uma prega pra contar a história!”, o Nicolas teve a pachorra de dizer. Caralho: eles tavam falando de mim exatamente como os caras do time falavam de mulher no vestiário! Papo xucro, escrachado, escrotão mesmo! Pior ainda foi o Marcão, que simplesmente mandou um: “E a vagabunda não é inocente, se exibindo com esses uniformes apertadinhos por aí! Essa quer ferro na buceta!”

- Ei, mais respeito! – o Yuri gritou da porta, meio sério, meio zoando. Ele então olhou pra mim, sorrindo, e me enlaçou pela cintura. Como se eu fosse a porra de uma namoradinha de colégio dele! – com mulher minha não se brinca!

Ouvi as risadas de longe. Era foda admitir: mas escutar os caras falando assim de mim, saber que eu excitava eles daquele jeito… ah caralho, me enchia de um tesão surreal!

Chegamos no porão. Parado em frente à porta, o Yuri encostou na maçaneta e deu um meio sorriso:

- Preparado pra encontrar seu destino, Thiago?

Engoli em seco. “Os grandes homens fazem seu próprio destino”, era o que meu pai sempre dizia, e eu, feito papagaio de pirata, repetia.“Que doidera”, pensei. “Se não tivesse posado pras fotos do catálogo da loja do meu tio, talvez o Yuri não teria ficado obcecado por mim. Ele nunca teria envolvido o Bê naquele plano pra me fisgar, eu nunca teria sido obrihgado a usar o cinto de castidade. E nesse exato minuto, em vez de estar na Sinistra, provavelmente taria combinando de comer a Ju ou qualquer outra gatinha da facul!”

O Thiago de 18 anos mal sabia. Mas, no dia em que decidi, todo inocente, topar o convite de ser modelo da loja do meu tio, tinha selado meu destino. Pra sempre!

“Imagina só a cara do seu Sérgio se descobrisse o destino que o filho dele arrumou!”, foi a última coisa que me passou pela cabeça antes de passar pela porta do porão!

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É isso! Esse conto não teve cenas de sexo, mas sei que muitos dos leitores adoram esses momentos de construção da trama! E já sabem: comentários, sugestões e pedidos são sempre bem-vindos :)

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