Depois que meu tio me fodeu de uma forma bruta e acabou me machucando, nos primeiros dois dias, mesmo com o remédio passado pela minha irmã, doía bastante, sentar com as pernas cruzadas, me permitia sentar de ladinho disfarçadamente, mas só distante do padre que se visse já falava, chamando atenção da família inteira, “Senta que nem homem Paulo!”, na frente dele, só me cabia engolir a dor…
Por três dias meu cu sangrou, eu colocando o supositório de 8 em 8 horas a dor diminuia bastante, porque quando esquecia o remédio eu sentia que não ia nem conseguir andar direito, fiquei disfarçando usando a desculpa de estar doentinha para ficar no quarto, infelizmente tive que voltar para o meu quarto, ao invés de ficar no quarto da minha irmã, o que fez eu me sentir mais vulnerável, mas Suelen, Valéria e minha irmã estavam sempre comigo.
A questão é que mesmo dolorida, machucada e me sentindo culpada pelo meu pecado, não saia da minha mente aquele orgasmo, eu queria de novo, ele vinha me visitar de madrugada, minha mão começou a entrar embaixo das cobertas, começou a alisar meu cuzinho ao redor, como sempre fiz, mas dessa vez, no primeiro dia, ele estava com as bordas inchadas, abrindo fácil, flácido, machucado.
No segundo e terceiro dia, já percebia meu buraquinho mais fechadinho, ainda se abrindo fácil, ainda com as pregas lisinhas, acariciar meu cuzinho no banho não adiantava não alcançava aquele orgasmo violento, no quarto dia depois que me recuperei, eu aproveitei um dia de fazer compras, comprei uma camisinha, coloquei ela em um cabo de escova de cabelos e soquei em mim, com força, mas também não deu, me fez gozar, intenso, quase, quase lá, mas não era igual.
O cabo da escova, doeu, me fez quase não consegui conter meus gemidos, senti meu pau ejacular com força, longe, minhas pernas perderam as forças, meu corpo tremeu inteiro, mas ainda não cheguei lá, não daquele jeito violento, quando a primeira semana após perder a virgindade acabou, eu começava a chegar a conclusão, que só teria esse mega orgasmo de novo, com o meu tio me fodendo.
Apesar disso, pensar no meu tio me arrebentar por dentro de novo, chorando pelos cantos com o cu rasgado, me dava medo, eu pensava no orgasmo que eu queria, pensava nos meus gritos com o meu tio me estourando o rabo, chorando e babando, isso me excitava bastante, mas ficar machucada depois, como eu fiquei, me fazia ficar receosa, eu queria dar. Mas não queria ser machucada…
Essa semana também me aproximei mais da Suelen e da Valéria, a gente via filmes, ensaiava danças com o YouTube, conforme fui melhorando, voltei a usar calcinha só que isso foi diferente, após perder a virgindade, nós as três meninas da casa estávamos ainda mais juntas, convivendo, se divertindo, mais e mais eu começava a aprender mais sobre quem era Priscila, seus gostos e seus desejos.
Eu e Suelen éramos realmente boas em dançar, Valéria ficava cada vez melhor nisso, nós três nos escondíamos da família, quando eu dançava como menina, mas perdemos o medo de dançar na frente da família, quando era uma coisa mais dúbia, tipo forró, quem guia, quem está sendo guiado, era bem dúbio e isso nos fazia se sentir mais livre para fazer durante o dia, na varanda do lado de fora.
Meu primo, nem morta eu queria que nos visse, ia transformar em piadinhas homofóbicas, ou machistas em relação às meninas, já a mulher dele, tudo bem, minha irmã e meu cunhado, também ok, esses três pareciam se divertir, minha mãe e a mãe da Suelen, também não se importavam, mas também não se divertiam, era só uma reação blasé, minha mãe achava uma dança vulgar, mas não cabia a ela, minha tia ídem.
O Padre… Nem morta que ele poderia ver a gente dançando, ele ia dar um sermão nas meninas, em mim, em quem estivesse assistindo e etc, escolhemos propositadamente, horários em que ele estivesse estudando sua bíblia no quarto, ou quando ele estava dormindo para fazer isso, embora ele tenha encarnado no meu tio com seus sermões, eu só podia imaginar o motivo de querer conversar tanto e o motivo que eu imaginava me deixava vermelha.
Meu tio não poderia ver a gente dançando tão pouco, o jeito que ele olhava para mim e para a Valéria incomodava as duas, nem uma de nós queria, dar essa chance, inclusive, percebi, que ninguém deixava ele sozinho com ela, NUNCA, por isso eu acabei sendo o alvo, ninguém deixava ele sozinho com a amiga da filha, nem a tia Vanda, nem minha mãe, muito menos o Padre, ou minha irmã.
O que nos leva novamente ao ponto do primeiro conto… Eu teria perdido a virgindade daquele jeito se tivesse nascido menina?
Mesmo assim, eu ainda era alvo do meu tio para seus desejos, ele passou a alisar minha bunda de vez em quando, disfarçadamente ao passar por mim em lugares apertados da cozinha, sua mão roçava na minha bunda, ele sabia que eu não ia fazer um escândalo, novamente se eu tivesse nascido menina, um escândalo geraria uma reação, mas um garoto na melhor das hipóteses ele ia ser visto como inconveniente somente, na pior, eu estaria sendo fresca, há menos que pudesse provar a intenção da mão boba.
Um dia ele passou a mão alisando disfarçadamente, eu olhei assustada para ele, eu estava especialmente vulnerável, por estar de calcinha, a sensação de vulnerabilidade e liberdade que já declarei, mas ele percebeu a calcinha e sorriu, percebeu a bunda, quase de fora e deu um jeito de depois se aproximar comigo de costas e sussurrar próximo da minha nuca, “Já está de calcinha de novo safada, querendo um trato do titio...”, eu me arrepiei inteira na ocasião.
Aí é óbvio chegou o fim de semana seguinte, não era mais o fim de semana de nossa chegada no sítio, minha mãe insistiu que todos tínhamos que ir na igreja, minha tia concordou, meu tio também e é óbvio, ninguém iria dizer que não queria ir na igreja diante de um Padre que é membro da família.
Então fomos todos é claro, eu de jeans e camiseta, um jeans justo como sempre tênis, camiseta de corte justinho, que não mostrava nada, mas desenhava os formatos do meu corpo, minha prima e a valéria de calça também. No carro do meu tio, foi meu tio, minha tia o filho e a nora grávida, no carro da minha mãe foi ela e o padre, ela queria me convencer a ir com ela, mas minha irmã insistiu em me deixar junto das meninas.
No carro do Danilo, foi ele, minha irmã, eu, Suelen, a contragosto de minha mãe e Valéria, então fomos as três meninas juntas, conversando e rindo, com as duas pessoas, que se tornaram meu suporte na família para meu jeito de ser, meu jeito de pensar e se divertir junto das meninas… Depois da missa, minha mãe fez questão que eu me confessasse, eu estava tremendo dos pés a cabeça.
Eu entro e já sinto o poder do seu olhar, o olhar que me diz, que sabe dos meus pecados, que me diz que Deus, está em todos os lugares, não há como escapar da minha culpa perante Deus, essa é a natureza da fé, culpa, porque somente se aceitando como pecadores é que podemos chegar até Deus, não existe o homem sem pecado, por isso até mesmo padres e o próprio Papa se confessam.
Padre Tadeu se confessou e logo chega a minha vez, com Padres diferentes, mas era a hora… O olhar do Padre nos meus olhos me faz desviar os meus na hora, com as pernas cruzadas, os braços cruzados sobre o peito, ele percebe minha fragilidade, “Então Paulo, o que têm para me dizer?”, eu começo a contar, não das roupas femininas e calcinhas, mas de coisas como, contrariar minha mãe e medo de não ser digna…
“Por ser homossexual?”, ele pergunta com um tom de voz calmo e até delicado, não com autoridade, mas com compreensão, como se falasse de uma posição de amor e compreensão, eu olho para ele, meu susto, meu jeito, entregam seu acerto, “Você sabe o que pensa a igreja sobre isso certo?”, eu faço que sim com a cabeça baixando os olhos para o chão.
“Padre eu…”, “Você pecou, com outro garoto?”, eu olho para ele, meu coração acelera quase salta pela boca, eu começo a chorar e faço que sim com a cabeça. “Você é jovem, erros fazem parte do caminho, mas precisa se atentar para não pecar.”, eu olho para ele, estremeço de leve, “A doutrina da Igreja considera que ser homossexual, ou o que seja, não é uma escolha sua, mas a vivência disso sim, você precisa ser forte e aceitar a castidade como único caminho da pessoa cristã que não está apta ao matrimônio.”.
Eu olho para ele com lágrimas nos olhos pensando na vida sem amor, “Mas e se eu não conseguir, como será?”, “Deus jamais nos pede algo que você não conseguiria. São Paulo nos mostra que é possível.”, “Paulo, não estou dizendo que você não pode amar, você é um ser humano, claro que você vai amar, vai querer vivenciar esse amor, mas o ato sexual homossexual é pecado, é um pecado contra as leis reprodutivas, já que para se crescer e se reproduzir é preciso um homem e uma mulher.”.
Eu fico pensativa, reflexiva, olho para ele, sem saber como processar, isso, amar, mas não tocar, “Eu não sei padre.”, “Tudo bem se sentir confuso Paulo.”, ele fala com um tom amigável e compreensivo com o qual vem mantendo a conversa, “Mas eu realmente acho que você é mais forte do que parece.”, eu olho para ele confuso, “Paulo, você veio e me confessou tudo isso, você têm um senso moral muito forte ou nem estaria aqui.”... Eu respiro fundo.
“Você entende que suas lágrimas vêm do seu coração?”, faço que sim com a cabeça, “Então você não quer pecar… Você quer ser puro e sabe disso, mas somos pecadores, não podemos ser perfeitos o tempo todo.”, eu olho para ele e faço que sim com a cabeça, “Você sabe o que é certo, só precisa tentar até conseguir, com ajuda da santa igreja e de Deus, você pode conseguir.”, faço que sim com a cabeça, as palavras doces de suporte fazendo seu efeito.
“Deus ama a todos Paulo e a Igreja acolhe a todos sem exceção.”, eu olho para ele e faço que sim com a cabeça, respiro fundo me sentindo aliviada, eu sempre me sinto aliviada depois de me confessar, conversei com o padre por mais um longo tempo, muito longo mesmo, depois disso, ele me incentivando a ser quem eu sou, apenas, pedindo o ‘detalhe’ da castidade, até disse que era normal eu me sentir menina.
Eu saí de lá bem mais leve, parei no altar de Nsa Senhora e fiz uma longa oração de olhos fechados, antes de seguir para o estacionamento onde minha irmã me esperava. Uma vez eu confessei para o padre da Nsa Shra do Rosário na Pompeia, que de tanto sofrer Bullying eu sentia meu coração pesado por estar com raiva.
Ele soube me acalmar, me guiar, me fazer sentir leve, me fazer entender que tinha o direito de estar brava e conseguiria tirar isso do coração, após quase uma hora de conversa, eu saí de lá, sem culpa, sem raiva, eu não sentia mais raiva dos Bullies, talvez, até um pouco de pena, Padres e suas mágicas, coisas que eu nunca vou entender.
Estávamos na terceira semana de Dezembro…
Na volta para casa, Suelen e Valéria insistiram para a minha irmã trazer a gente em um show que vai acontecer na cidade, é um show de sertanejo universitário, as duas fizeram manha, biquinho, prometeram cuidar de mim, até que minha irmã aceitou. As duas estavam super empolgadas exatamente porque nós três vínhamos ensaiando passinhos.
Já no domingo, quando fomos para o quarto ensaiar dançar comigo vestida de menina, minha prima inseriu mais uma novidade, sapato de salto alto, eu já tinha usado antes, só mais secretamente e raramente, eu e minha prima calçamos o mesmo número, então, ela me emprestou um 5, depois 10, ensaiando dançar com eles e achando divertido.
Ao longo da semana eu dançando de salto, de tempos em tempos, minha irmã vai para a cidade, me leva com ela e as meninas, às vezes com o Dani, às vezes sem, minha irmã ir era uma necessidade para irem as meninas, como eu disse, ninguém deixaria as meninas sozinhas com um homem, é um fato social isso, mas eu não tinha motivos para ir sozinha com meu cunhado, já que o foco dos dois era sempre deixar nós três juntas.
Mas quando chegou no dia anterior, Suelen e Valéria resolveram conversar comigo, “Priscila, amanhã nossos namorados vem de SP para o Show.”, eu fiquei olhando para elas, “Mas…”, “Relaxa e me escuta.”, quem fala é a Suelen, “Eles vão trazer um amigo para fazer par com você.”, “Suelen do céu, isso pode dar muito errado!”, eu falo sentindo minha respiração acelerar de medo, “Pri, não se preocupa, sua irmã já sabe.”, “E ela concordou com isso?”, a Valéria segura minha mão, “Pri, relaxa, vai dar certo, confia em nós três.”.
Eu olho para uma, depois para a outra, imagino minha irmã envolvida e respiro fundo, se as três estão envolvidas, então é possível que eu esteja segura… Minha irmã convenceu nossas mães, que ia ficar de responsável por nós três, meu tio, não se importou tanto, desde que não precisasse ser ele, para ele estava ótimo levarem a filha para um show e ficar lá cuidando dela.
Sábado dia 20 de dezembro minha irmã, informou logo cedo, que a gente ia sair cedo e passar o dia na cidade, porque se ela ia aguentar um show sertanejo, a gente tinha que aguentar ela andando também, o que ninguém se opôs era justo, mas eu comecei a desconfiar que não era só isso quando paramos na porta de um hotel, ela dispensou o Dan para buscar algo e depois entramos no hotel, onde havia um quarto reservado.
“Priscila, você vai no show vestida de menina.” minha irmã informou assim que entramos no quarto, eu olhei para ela de queixo caído, “Como assim.”, “Assim garota vai ser assim.”, eu fiquei excitadíssima, olho para elas e sorri, aos poucos o medo foi virando felicidade e alegria, logo já estava super feliz e empolgada.
“Pri eu vim para a cidade na semana porque fiz um monte de compras para você na Amazon espero que goste…”, ela anuncia isso e me manda para o banho… E lá vamos nós… Um depilador laser, somado com óleos e cremes, logo eu estava com a pele toda lisinha, mesmo os poucos pelos que eu tinha indo embora.
Meia fina até o meio da canela toda delicadinha com desenhos de borboletas bordadas, uma calciha branca fio dental, que me surpreendi o quão confortável ela era antes de entender que era uma calcinha de moda trans, um jeans preto, justo, muito justo, mais do que minha mãe jamais deixaria totalmente feminino, se não tivesse colocado a calcinha direito ficaria marcando.
Um cropped de manguinha até os cotovelos, folgadinho que deixava o umbigo aparecendo, valorizava o meu corpo, dando a impressão de ser uma garota com seios pequeninos, então a combinação ficou muito feminina, quando entrei no quarto, contente, fui aplaudida, todas gostaram de como estava, vermelha e sem jeito com as palmas.
Por fim a maquiagem leve, que minha insistiu para ser leve, alegando que minha pele precisava de cuidado por ser delicada e sensível, traços femininos enfatizados, traços masculinos ocultados, sombra leve cílios e batom vermelho, no espelho eu parecia uma menina meio andrógina e não um menino andrógeno, algo que me fez sorrir na hora, um sapato meia pata com salto agulha 10 aplique nas unhas, pintadas de vermelho.
Eu me olhei no espelho do lado da minha irmã e ali vi o que todos viam que éramos parecidas, mais do que isso, ali eu via a menina que eu sabia que era, não havia mais Paulo, apenas Priscila me encarando de dentro do espelho. Eu sinto as lágrimas se formando, respiro fundo, quase soluçando e aí ouço o estalo, seguido da ardência na minha bunda do tapão que levei da Suelen.
“AIAI SUELEN pra quê isso?”, olhando para ela, alisando minha bunda, “Sem chorar que vai manchar minha maquiagem.”, minha irmã e valéria dão risada, eu olho para elas e começo a rir também, “Desculpa.”, falo para a Suelen que está fazendo biquinho forçado de brava e começa a rir imediatamente também, “Você está linda maninha.”, minha irmã fala e me abraça, “Assim fica difícil não chorar.”, eu falei com voz de choro e ganhei abraço.
Valéria estava de Legging e camiseta da dupla que ia tocar, uma camiseta que ficava justa suficiente para chamar a atenção suas formas, sem estar apertada, já Suelen, usava um jeans azul justo, não tanto quanto o meu, não tão colado e modelando as pernas e quadril, mas ainda assim justo, e uma blusinha de alcinha, que modelava o corpo dela e ainda deixava um belo decote.
Minha irmã estava de vestidinho justinho com mangas, mas não ia com a gente, ela e o Danilo iam fazer outra coisa e deixar as meninas namorar, foram as exatas palavras dela…
Danilo chegou um pouco depois, ele havia trazido os últimos presentes para mim, quando entrou no quarto, ficou um tempo me olhando, “Minha irmãzinha Priscila Danilo.”, “Está muito bonita.”, ele responde ela meio sem jeito, percebendo que olhou de mais, “Obrigada.”, agradeço ele entrega a sacolinha para minha irmã, “Vou ficar com ciúmes ein?”, ela fala e todas rimos, “Que isso Patrícia, ela está bonita, é um traço das mulheres da família ué, né Suelen.”, Suelen toda lisonjeada, “Sim.”...
Todas rimos das tentativas de consertar que pareciam piorar a situação, minha irmã se aproxima e me entrega, uma pulseira, com pedrinhas azuis e brincos de pressão, que ela coloca, prateado com uma lua crescente pendurado em correntinha, aí ela se afasta olhando, por fim minha irmã finalizou meus cabelos com um creme que ressaltou muito os cachos, fazendo ficaram cheios e saltitantes ampliando o efeito feminino que meu cabelo sempre teve.
Minha irmã e Suelen quiseram fazer uma sessão de fotos comigo, do lado da cama, sentada na cama, olhando o celular, na janela, sorrindo, contra a janela com o céu atrás, deitadinha de bruços na cama, uma perna levantada, olhando o celular, de cantinho de olho, me fizeram sentir uma modelo, uma mulher linda e poderosa, antes de irmos para o show.
Estávamos doidas para dançar, todas as três, os meninos ainda não tinham chegado, então começamos a dançar nós mesmas, passinhos ensaiados, perfeitinhos, três garotas lindas, a indiazinha de cabelos curtos cacheados, a loirinha de olhos azuis e a moreninha com cabelos castanhos enormes, que quase chegava no quadril, claro que a gente estava sendo secadas, mas não estávamos sinalizando para ninguém… De propósito…
De propósito, porque umas duas vezes, olhei de volta, alguém que estava nos olhando e tomei um beliscão da Suelen, “Aiai Suelen.”, “Manera que vão achar que você está dando condição.”, fiquei toda vermelha, a verdade é que era realmente sem querer, ser uma garota é mais difícil, qualquer coisa é visto como estar dando condição, precisava aprender a me fechar mais para minha própria proteção e tinha minutos para isso.
De qualquer forma, estamos dançando, rebolando os quadris, fazendo passinhos, danço um pouco com a Valéria agarradinhas, rebolando, os quadris fazendo movimentos circulares, o corpo requebrando ao som da música para deleite de quem está reparando, depois dançamos mais um pouco separadas, tudo isso com uma de nós indo buscar bebida, às vezes tendo que ignorar algum garoto mais atrevido.
Quando precisei ir no banheiro, fui no feminino acompanhada pelas duas, com Suelen me explicando que banheiro feminino em muitos shows e baladas, são armadilhas, com os caras tentando passar a mão ou coisas assim enquanto as meninas passam pelo meio da multidão e que vários acabam tendo que colocar seguranças, ou as próprias mulheres ficam de prontidão perto dos banheiros para evitar acúmulo de homens.
Aprendendo a ser garota e descobrindo o quão difícil é a vida… Principalmente que eu já era cobiçada sem estar toda produzida, agora eu me sentia um imã, não podia ir pegar bebida, sem alguém vir, me dizer oi, perguntar se estou sozinha e bla bla bla…
Mas aí começou a música que eu e Suelen mais gostamos e mais ensaiamos, a gente se agarrou imediatamente com a Valéria rindo e dançando perto, mas as coxas encaixadas, os quadris se movendo, circularmente, enquanto dançamos no nosso espaço, as duas rindo, as duas se olhando, não é algo romântico, para nós é só diversão, mas para quem está olhando….
A indiazinha e a loirinha, agarradas, mãos na cintura, a outra mão com os dedos entrelaçados, ambas rebolando, ambas movendo o quadril , ambas circulando no salão, rindo, ambas, abaixando um pouquinho mais de vez em quando na coxa uma da outra, levanto o braço ela gira, uma, duas, três vezes, aí levanta o dela, eu giro, uma, duas, três vezes, aí giramos as duas juntas, cada uma para um lado antes de se agarrar de novo.
A música termina nós duas dobramos os joelhos, uma sentando na coxa da outra, eu com a mão na cintura dela ela se deita para trás levantando o braço, eu faço o mesmo, as duas fazendo a pose destinada a acompanhante feminina, as duas sendo menina, deixando isso claro, o braço apontado para o teto, o corpo seguro apoiado pela mão dela, mas seguro pela minha própria elasticidade, olhando para o teto, ouvindo aplausos em volta da gente.
Voltamos ambas com as bochechas vermelhas, quando reparamos que os meninos tinham chegado, estavam próximos da Valéria, aplaudindo e rindo assobiando para a gente. Ambas demos risadas e nos separamos… Nos aproximamos dos três e pude analisá-los, um menino negro, bonito, atlético, com cara de safado, pelo jeito que seus braços já estavam ao redor da Valéria, sabia que ele era o Anderson o namorado da minha amiga, cumprimentei.
O próximo Sidnei, que tinha dado um selinho na Suelen, cabelos castanhos claros, os olhos castanhos clarinhos também, dependendo da luz, ficava esverdeado, definitivamente um garoto lindo, não tão atlético quanto o Anderson, mais para um gordinho lindo, que dirigiu 3 horas para ver a namorada veja.
Por último me apresentaram o Júlio que fez minha respiração parar, ele não era o mais bonito, mas era o que estava aqui por mim, era minha primeira vez com um garoto e não tinha mais volta, Júlio, um carinha com cara de nerd, óculos, camiseta simples, jeans simples, tênis, parecia descolado do ambiente, tímido, seus olhos olhavam para qualquer lado menos para uma de nós.
Os cabelos negros curtinhos, os olhos castanhos, a pele morena clara, ele ficava toda hora ajeitando o óculos no nariz, eu comecei a reparar nele aos poucos, tentando não chamar atenção para o fato…
O pior… É que esse jeito dele me passou segurança, cumprimentei ele me apresentando “Priscila…”, ficamos um tempo os seis conversando, estávamos empolgados curtindo a música, as meninas dançaram com seus namorados, Júlio ficou tímido, dancei sozinha, depois com o Sidney depois com a Suelen, devagar os casais começaram a buscar alguma privacidade, se demorando para fumar ou buscar bebida, eventualmente aconteceu, eu sozinha com o Júlio.
“E aí?”, ele fala, “Curte o quê?”, olhei sem jeito, “Não sei… Estrelas, leitura, ficção científica, música….”, a literal abordagem dos tímidos, eu toda tímida, ele todo tímido, mas a conversa começou a fluir, falamos de estrelas primeiro, foi bom conhecer alguém que consegue olhar para o céu, em São Paulo não é tão fácil, mas aqui podemos ver fácil… Saímos do meio da muvuca, mais escuro, ainda no espaço do show, olhando para o céu, reconhecendo constelações e falando curiosidades sobre elas.
Em algum momento surge a questão religiosa, “Católica de verdade ou católica como todo mundo.”, ele me pergunta, depois de eu mostrar até a cruz, “De verdade ué.”, ele dá risada, é o que todo mundo diz, “Então você segue a vida com aquela reza?”, eu olho para ele confusa, “Pai, dai me forças para mudar as coisas que posso mudar.”, eu sorrio reconhecendo, falo junto com ele a sequência, “Paciência para entender as que eu não posso.” e ele termina em uma piada, antes que eu consiga dizer algo que não seja dar risada, alto, “E sabedoria para não fazer muita merda tentando saber qual é qual.”...
Fiquei vermelha e ri alto, ali nós dois sabíamos que qualquer gelo tinha derretido, “Seu sorriso é encantador.”, ele finalmente cria coragem e fala para mim, fico toda sem jeito e frágil sinalizando, olhos nos olhos, “O que está pensando?”, ele me pergunta, “Que é pecado.”, ele sorri e insiste, “O quê?”, “O que eu quero fazer…”, ele se aproxima de mim, uma mão na minha cintura, a outra no meu rosto me fazendo olhar para ele, “Isso?” e me beija na boca…
Como explicar o primeiro beijo… Não aquela violação dos meus lábios com a língua como meu tio fez, não o selinho dos primeiros namorados, ou de carinhos, o primeiro BEIJO, minha mente, literalmente se derreteu, foi como sentir o tempo parar, eu por reflexo até tirei um pouco o pé direito do chão, minha mão arranhou leve o peito dele, a dele na minha cintura me puxou mais forte, nossas línguas exploravam com vontade, desejo, paciência e carinho, muito carinho a boca do outro.
A pressão suave dos seus lábios acariciando os meus, quando o beijo para eu fico um tempo de olhos fechados, com o rosto virado para ele, os lábios tremendo de leve entreabertos, meu cérebro processando essa sensação, processando a diferença de tudo o que eu já tinha sentido, quando abro os olhos ele está sorrindo… “Primeiro beijo?”, faço que sim, “E o que achou?”, “Acho que preciso de mais para dizer.”, falo sorrindo.
E assim nos beijamos de novo…
=== === === … … … NOTA SOBRE RELIGIÃO … … … === === ===
Preciso fazer algumas notas sobre confissão e o papel do padre nesse ambiente.:
Padres não são seres mágicos capazes de ver através das mentiras e palavras não faladas, que falam palavras mágicas inspiradas por Deus, para acalmar e consolar os fiéis durante a confissão, tão pouco é só fé, embora haja muita fé no efeito que causam…
Padres possuem matéria de psicologia no Seminário, não é suficiente para substituir um tratamento com um profissional, mas é como um bom padre, saberá dar bons conselhos e aliviar o peso na alma de um fiel, inclusive escolhendo bem as palavras e o tom de voz, para não causar mais mal do que bem e também é como ele saberá quando o fiel tentar esconder algo que se sente culpado.
Um padre ordenado fez o curso de Seminário por 7 anos com teologia, psicologia, sociologia, direito canônico, língua latim e grego entre outras matérias de estudo bíblico e da história da Igreja… É um profissional formado, também é importante dizer, que MUITOS Padres, são sociólogos, filósofos ou psicólogos formados, além da própria formação do Seminário Sacerdotal.
Portanto, o que vemos neste texto não é magia, ou milagre, é um profissional formado, colocando suas habilidades adquiridas e desenvolvidas ao longo de anos, em prática, dentro da sua profissão de fé.
=== === === … … … FIM … … … === === ===
É isso gente, a profecia da Patrícia se cumprindo, nossa Priscila está sentindo pela primeira vez, como é ser tratada como uma menina e não como um pedaço de carne, uma sensação intensa, que quem viveu não esquece nunca, além é claro, uma noite completa de princesa, promovida, pela imã, a prima e a amiga, espero que tenham gostado, é um capítulo bem emocional sem dúvidas.
Votem, comentem, façam uma escritora feliz.
