Corno no Reality - 5

Da série Corno no Reality
Um conto erótico de Mais Um Autor
Categoria: Heterossexual
Contém 800 palavras
Data: 10/03/2026 07:20:15

O apartamento onde eu iria morar por aquelas duas semanas ficava num corredor separado do resto do estúdio, longe de qualquer barulho.

Tinha uma cama de solteiro encostada na parede, um criado-mudo parafusado no chão e um frigobar pequeno, já abastecido com água, refrigerante, cerveja e algumas besteiras — como um quarto de hotel.

Mas aquilo tudo era detalhe. O que realmente chamava a atenção ficava atrás de uma porta de correr.

A sala de vigilância.

Era um cômodo com uma cadeira giratória de couro preto e uma bancada longa, tomada por monitores desligados, mas que eu assumi que mostrariam tudo o que acontecesse na Casa do Ricardão.

Não parecia mais um quarto de hotel, e sim uma portaria. E eu seria o porteiro do meu inferno particular.

O produtor entrou logo atrás de mim, claramente orgulhoso daquilo tudo.

— Esse vai ser o seu mundo, Breno — disse, abrindo os braços. — Daqui você vê absolutamente tudo.

— E como funciona? — perguntei. — Vou ter que ficar nessa sala o tempo inteiro?

Ele balançou a cabeça.

— Não. Só quando a campainha tocar.

Apontou para um pequeno alto-falante amarelo preso à parede, logo acima das telas.

— Sempre que ela tocar, você precisa estar aqui. Sentado. Atento às câmeras. É nesses momentos que acontecem as dinâmicas principais.

— E no resto do tempo? — perguntei.

— Aí você vive normalmente. Pode dormir, comer, sair do apartamento, ir para a área comum dos maridos, usar o celular, ler… fazer o que quiser. Só não pode perder nenhuma chamada — disse, fazendo uma pausa. — O objetivo não é te torturar!

Ele riu. Eu não.

Sabia que a última frase era uma mentira.

Na bancada ainda havia um botão. Grande. Vermelho. Iluminado. Abaixo dele, uma placa transparente, com letras brancas.

DESISTÊNCIA

— Esse é o botão do pânico — explicou. — Se você apertar, o programa acaba imediatamente para você e para a Ana.

— E o cachê?

— Nenhum centavo. Nem participação, nem prêmio final — disse, sorrindo. — Agora… você espera aqui. A produção vai gravar a sua reação às regras surpresa.

Ele abriu a porta para sair, e uma assistente com uma prancheta e um cinegrafista apareceram no meu quarto. Pediram para eu me sentar na cadeira da sala de vigilância e começaram a filmar.

— Bom, como todo reality, este aqui tem um twist — a assistente começou a explicar. — A gente vai contar qual é a regra secreta e vamos gravar sua reação, ok?

— Regra secreta?

A assistente sorriu com a minha reação. Era exatamente aquela surpresa genuína que eles buscavam.

— Sim. Toda vez que houver qualquer envolvimento íntimo mais sério da sua esposa dentro do programa, a premiação final do casal será reduzida.

Demorei alguns segundos para reagir. A indignação veio de uma vez só.

— O quê? Vocês não podem fazer isso! Isso não estava no contrato.

Na pilha de papéis da prancheta dela, a assistente já estava com o contrato assinado, preparada. Parecia que ela sabia exatamente qual seria a minha reação.

— Está aqui nesta cláusula. Vocês aceitaram que haveria dinâmicas no programa que poderiam alterar a premiação final.

— Isso é absurdo. Eu não sou obrigado a aceitar isso.

— Então você acha que a Ana vai te trair na casa?

Respondi sem pensar.

— Lógico que não. Dez anos de casamento e uma filha. Ela sempre foi fiel a mim. Não vai ser um realityzinho idiota que vai mudar isso.

— Então… nesse caso, a regra não vai afetar em nada sua vida, não é mesmo? — ela disse, com um sorriso que beirava o deboche puro. — Bom, você sempre pode apertar o botão vermelho. Fica a seu critério. Você quer desistir?

Eu tinha caído direto na armadilha. Antes mesmo de o programa começar, precisava dizer se aceitava ou não. Se achava que minha esposa seria fiel ou não.

Olhei para o botão vermelho de desistência.

Apertar aquele botão seria perder todo o dinheiro…

Mas, pior que isso, provaria para Ana que eu não confiava nela.

— Você vai desistir? — a assistente repetiu a pergunta.

— Não. Minha mulher não vai me trair. A gente vai sair daqui mais forte que nunca e com todo o dinheiro.

Satisfeita, ela encerrou minha entrevista.

Eu tinha dado tudo o que ela queria: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Em uma entrevista só, passei por todas as etapas do luto.

Aquilo era ouro para a merda do programa deles.

Comecei a imaginar como usariam aquelas imagens.

Montei um cenário na minha cabeça, onde meu rosto apareceria no canto da tela, falando que Ana nunca me traíria. No centro, minha esposa era penetrada, fazia e recebia sexo oral, tudo ao mesmo tempo, enquanto o valor da premiação aparecia em vermelho, caindo em tempo real, como se fosse um placar.

Não bastava ser corno.

Eu seria o palhaço do circo que eles haviam construído.

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