O Harém do Rei CP2

Da série O Harém do Rei
Categoria: Heterossexual
Contém 3286 palavras
Data: 03/03/2026 19:30:26

— Acorda, garoto! Hora de ir.

Com essas palavras fui arrancado do sono na manhã seguinte àquela noite tão... maluca.

Danda estava na minha frente completamente nua, e dessa vez eu podia de fato vê-la. Na noite anterior o quarto estava escuro, iluminado apenas pela chama fraca de uma vela. Quando ela chegou com o clan estava coberta de armadura da cabeça aos pés. Não tinha tido chance de perceber o que era de verdade.

Agora tinha.

Danda era o tipo de mulher que fazia o olhar parar sem pedir licença. Alta, com um corpo que deixava claro que cada músculo ali tinha sido conquistado — não esculpido pra ser bonito, mas forjado pra ser letal. Os ombros eram largos e definidos, os braços com aquela musculatura que não era de academia, era de cargar ferro, de lutar, de sobreviver. O abdômen marcado, a cintura que afunilava antes de abrir nos quadris com uma proporção que contrastava com toda aquela dureza. A bunda era firme, modelada por anos de movimento, e os seios — grandes, firmes, pesados — pareciam o único ponto do corpo dela que não tinha sido feito pra guerra. O cabelo loiro estava solto pela primeira vez, caindo até a metade das costas, com duas tranças finas emoldurando o rosto. Os olhos eram azuis — não o azul claro e delicado que se vê em algumas mulheres, mas um azul fundo, quase escuro, o tipo que olha pra você como se estivesse medindo quanto você vale.

Era linda. Era intimidadora. E naquele momento estava completamente exposta na minha frente como se isso não fosse absolutamente nada pra ela.

— Pegue minha armadura e me ajude a me vestir, garoto.

Ela me trouxe de volta ao mundo real. Me sacudi, levantei, e fui catando as peças da armadura espalhadas pelo quarto. E foi aí, segurando o primeiro peitoral, que percebi que aquilo era minha primeira tarefa como servo dela. Meu coração palpitou de um jeito diferente — não de desejo dessa vez, mas de consciência. Como seria minha vida a partir dali? Quais perigos eu ia enfrentar? Quais lugares eu ia ver? Não sabia se ficava ansioso ou com medo, então fiquei os dois ao mesmo tempo.

— Você é bem forte pra um garoto tão magro. Não percebi tal força em nossa noite.

Força? Do que ela estava falando?

— Me desculpe, senhorita Danda, mas a que força a senhora se refere?

— Hum. — Ela me olhou de soslaio enquanto eu ajustava a peça nas costas dela. — Garoto, essas armaduras não são qualquer coisa. Minha guarda tem dificuldade de me ajudar com elas, e você está segurando as peças e conversando comigo como se não pesassem nada. Tem certeza que não tem nenhuma habilidade? Não mentiu pra não chamar atenção?

Eu parei por um segundo. De fato, não sentia nenhum peso descomunal. Era pesado, claro — metal maciço, espesso, daquele que para uma espada — mas nada que me custasse esforço.

— Não menti pra ninguém, senhorita Danda. Nunca tive habilidade alguma, e todos nesse vilarejo me conhecem desde que eu era bebê. Não conseguiria esconder isso.

Ela me olhou séria por um momento longo.

— Talvez não seja uma habilidade tão forte. Talvez você reaja de forma diferente com esse tipo de metal específico. — Uma pausa. — Sua história é conhecida demais pra ser mentira. Mas se isso for de fato sua habilidade, ela me convém. Pensei que você seria apenas meu brinquedo, mas... talvez tenha mais serventia do que isso.

Acabei de vesti-la e aquilo não saía da minha cabeça. Será que meu poder era só com aquele metal? Que poder merda... mas pelo menos era algo. Me peguei sorrindo à toa por isso.

— Antes de falar com seu antigo mestre sobre levá-lo comigo, preciso explicar sua situação.

Era hora de entender como seria essa vida nova. Prestei atenção.

— Você será meu servo. Obedece às minhas ordens e de mais ninguém. Fora do quarto você me chama de dona, porque é isso que sou. Dentro pode me chamar de Danda — não gosto de enrolação com quem vive comigo. Mas não passe desse nível de intimidade. Se falar pra alguém sobre nossas noites, você morre. Se se deitar com outra mulher, você morre. Entendeu?

Resumindo: eu era o servo e o brinquedo dela.

— Sim, senhora. Entendi.

— Ah, e mais uma coisa. O que aconteceu nesse quarto não será a última vez. Mas pro seu bem, entenda: a Danda que se deita na cama com você é muito diferente da que sairá por essa porta. Fora daqui não terei piedade de você, garoto. Você é valioso pra mim até certo ponto — e sua falta de valor é exatamente o que te faz valioso. Mas isso não vai te manter a salvo se você me decepcionar.

O meu valor era não ter valor. Que irônico.

— Sim, senhora.

---

Saindo do quarto nos deparamos com uma mulher parada no corredor. Alta, magra, cabelos negros cortados abaixo do queixo, com um tapa-olho cobrindo o olho esquerdo. Ela olhou pra mim com uma expressão que não era nem hostil — era simplesmente vazia, como se eu não existisse o suficiente pra merecer uma emoção.

— Garoto, essa é a Zafira. Minha guarda pessoal.

Estendi a mão pra ela. Ela cuspiu no chão.

— Verme insolente. Acha que vou te dar a mão?

— Calma, Zafira. O garoto vem com a gente.

— Esse menino vai viajar com a gente? Por quê? Ele não é o tal sem sangue? Vai ser só um fardo, Danda.

— Ele tem uma certa facilidade com minha armadura que nem você consegue ter.

— Esse menino consegue te ajudar com a armadura? — Ela me olhou de cima a baixo com aquele tapa-olho, como se estivesse recalculando algo que não fechava. — Ele é muito fraco.

— Então. Mas não importa — minhas ordens não são pra ser questionadas, nem por você nem por ninguém. O garoto vem. Avise aos outros que partiremos logo.

— Sim, Danda.

Zafira aceitou e se retirou sem mais uma palavra. Bem, não foi o melhor começo.

— Por que essa cara? Nem todos são como a Zafira. Ela não gosta de pessoas novas. Ou de pessoas no geral. Mas ela sabe o lugar dela, e isso eu valorizo. Acredite, temos um grupo leal — e alguns podem até virar seus amigos.

---

Danda foi falar com o Alergio longe de mim. Ouvi quando ele pediu pra se despedir. Ela deixou, e saiu se juntando aos outros do lado de fora.

— Garoto... Acho que você vai seguir seu caminho agora, não é?

— Não sei como será esse caminho. E não foi exatamente minha escolha, senhor. Mas...

— Ah, garoto. — Ele cruzou os braços, olhando pra algum ponto atrás de mim. — A gente nunca escolhe o caminho. Só aprende como caminhar. A escolha nos foi tirada quando nascemos sem a linhagem, sem o sangue puro. — Ele fez uma pausa. — Sabe, Satoru... quando achei você naquela cestinha na frente dessa hospedaria... — ele deu uma risada curta, sem humor — ...eu pensei que tinha tirado sorte grande. Que você era um impuro que ia trazer fama ao vilarejo.

Não foi bem assim, meu velho.

— Mas quando descobri que você não passava de um sem sangue... cuidar de você foi uma escolha. Que eu fiz. Que esse vilarejo fez. Garoto, a gente morre a partir do momento que perde um lugar pra chamar de casa. Essa é sua casa. Mesmo que o destino tenha decidido o contrário — essa é, e sempre será, a sua casa.

Meus olhos se encheram de lágrimas. Sério, velho? Agora? Nunca foi carinhoso assim na vida e vai mandar essa logo na despedida?

— Vamos embora, garoto!!

Danda gritou do lado de fora, já montada.

— Tá na hora. — Engoli o nó na garganta. — Muito obrigado por tudo, senhor. Se despede dos outros por mim, se puder. Todos me ajudaram muito.

— Vá. E garoto... — ele hesitou. — Eu sei quem... Deixa. Isso não importa agora. Vá e fique seguro.

O que ele ia dizer? Por que parou?

— Anda, garoto! Não me faça repetir!

Corri até a Danda. Ela estendeu a mão e me puxou pro cavalo de uma vez. Saímos. As pessoas do vilarejo olhavam sem entender — sem saber que eu estava indo embora. Aquele lugar não era o ideal. Mas era meu lar. Eles eram minha família. Naquele mundo, cuidar de alguém como eu era algo que não se fazia por obrigação. Eles escolheram. Esse ciclo tinha acabado.

---

Andamos bastante até a noite cair. Danda ordenou que montassem o acampamento numa floresta fechada, mata densa, escura. Eu ajudei no que pude — todos foram razoáveis comigo, menos a Zafira, que continuava me olhando com aquele olho só, carregado de um ódio que eu ainda não entendia de onde vinha.

Depois de tudo montado, fizeram uma fogueira e o grupo se acomodou ao redor. Risadas, histórias, o clima foi ficando mais solto. Danda estava quieta, séria, olhando pro fogo sem participar de nada. Até que chamou a Zafira e as duas entraram na tenda. Ficaram lá por horas. Quando Danda saiu sozinha e voltou a se sentar ao meu lado, não disse nada sobre o que tinha acontecido lá dentro.

Alguns guerreiros foram se levantando aos poucos e adentrando a mata em pares. Três pares pelo menos. O grupo ao redor do fogo foi esvaziando.

— Eles vão patrulhar, Danda?

— Patrulhar? — ela deu uma risada curta. — Não. Eles vão transar, garoto.

Eles... mas eles eram homens.

— Mas... eles...

— São homens? Nunca viu um homem comendo o outro? Isso é comum. O número só aumentou depois do massacre do Clan 0.

O Clan 0. Que relação tinha isso com homens se relacionando entre si?

— Mas Danda... o que realmente foi o massacre do Clan 0? Eu sei que o clan foi dizimado em uma noite, mas ninguém fala muito sobre isso.

O rosto dela mudou. Não dramaticamente — ela não era o tipo de pessoa que deixa tudo aparecer. Mas havia uma contenção diferente, como se ela estivesse escolhendo com cuidado o que deixar sair.

— O Clan 0 foi o primeiro clan de impuros que se organizou de verdade. — A voz era calma, baixa, quase como quem conta uma história que conhece tão bem que nem precisa pensar nas palavras. — No começo eram como qualquer outro — impuros comuns, com poderes modestos. Mas com o passar dos anos, os membros começaram a se relacionar entre si. E a ter filhos de impuro com impuro. A primeira geração não foi grande coisa. Mas a segunda...

Ela pausou. Olhou pro fogo.

— Nasceram três. Uma mulher — a chamavam de Princesa Impura. Ela era a neta dos dois primeiros líderes do Clan 0. A mulher mais veloz que já pisou sobre essa terra. Tão rápida quanto a luz, diziam. Ao seu lado, dois homens: Zekron, que controlava raios e tempestades, e Reshiram, que dominava o fogo. Os três tinham poder suficiente pra acabar com reinos inteiros. — Uma pausa mais longa. — E o reino percebeu isso.

— Então como eles foram mortos?

Ela me olhou por um segundo antes de responder.

— Ninguém sabe ao certo. Porque não houve luta. Nenhum som. Nenhum grito chegou ao vilarejo vizinho. O Clan 0 inteiro foi dizimado em silêncio, numa única noite — e ao amanhecer, todos estavam mortos. O reino assumiu a autoria. E pra garantir que a mensagem chegasse com clareza...

Ela parou. E dessa vez o silêncio durou mais. Quando ela continuou, a voz estava diferente — não trêmula, não a Danda não era assim — mas carregada de um peso específico que eu não tinha ouvido nela antes.

— A general do exército real queimou a cidade. Com os corpos dentro. Com os inocentes que não tinham nada a ver com aquilo. Homens, mulheres, crianças. Queimou tudo. — Os olhos dela continuavam no fogo, mas algo neles estava longe dali. — Era uma mensagem. Uma maldita mensagem. Parem de cultivar seus poderes. Quem se sobressai... morre.

O silêncio depois disso pesou diferente.

Como pessoas tão poderosas quanto a Princesa Impura, Zekron e Reshiram morreram assim? Sem resistência, sem batalha, sem um único grito? Que força consegue apagar três poderes daquele nível em silêncio absoluto?

Aquilo não fechava. E eu não conseguia parar de pensar nisso.

— Então foi por isso que os guerreiros param de se relacionar entre si.

— Isso. O medo de ser o próximo Clan 0 tomou conta de tudo. Quando ficamos em cidades, eles buscam mulheres locais. Mas quando estamos em lugares como esse... alguns só querem prazer. Não importa como ou de quem. — Ela virou pra mim com uma expressão que era quase divertida. — E tem aqueles que simplesmente gostam de levar rola no cu. Então cada caso é um caso.

Nesse momento Zafira saiu da tenda e voltou a se sentar do outro lado da fogueira. Me olhou. Eu olhei. Nenhum dos dois disse nada.

— Danda, o que estamos fazendo nessa floresta? — perguntei. — Quero dizer, só pra passar a noite, não havia lugar melhor?

— Nossa. — Zafira não levantou os olhos do fogo. — Um verme como você agora questiona as decisões da líder?

Afinal, o que fiz a essa mulher?

— Eu não quis dizer isso, eu só...

— Claro que não quis. Você é um estorvo. Vai nos atrasar e trazer preocupação nas batalhas. E provavelmente por pouco tempo, já que não deve durar muito.

Danda ficou quieta durante tudo isso. Só olhava pra frente. Até que, sem pressa, sem levantar a voz, disse:

— Que interessante, Zafira. Você o chama de estorvo, de atraso. Mas quem o trouxe pra esse clan como meu servo fui eu. Sua líder. — Uma pausa calculada. — Então você está questionando minhas ordens? Está colocando em xeque minha liderança?

Zafira ficou rígida.

— Claro que não, Danda. Eu só acho que...

— Você acha? — O tom de Danda não subiu. Não precisava. — E quem te deu o direito de achar qualquer coisa? — Ela finalmente virou o rosto pra Zafira, devagar. — Sabe o que eu mais gosto em você, Zafira?

Zafira abaixou a cabeça. Quando respondeu, a voz era quase um murmúrio.

— Minha obediência. E minha lealdade a você.

— Exatamente. — Danda deixou a palavra pousar. — Mas você ainda tem essas qualidades?

Zafira arregalou os olhos como se aquilo fosse a coisa mais injusta que já tinha ouvido na vida.

— É claro que sim. Eu nunca vou te decepcionar, Danda. Nunca vou te abandonar. Mesmo que a morte seja nossa inimiga, vou lutar ao seu lado até que ela nos vença. Eu sempre fui e sempre serei leal a você.

Ela falou com uma convicção que me desconfortou — não pelo que disse, mas por como disse. Havia algo ali além de lealdade de soldado. Era pessoal. Era fundo demais pra ser só devoção a uma líder.

Danda estava sentada olhando pra escuridão da floresta. Mas eu vi — um sorriso pequeno, quase imperceptível, cruzou o canto da boca dela. O mesmo sorriso que ela tinha durante nossa noite.

Ela estava saboreando aquilo.

— Então prova.

Disse sem olhar pra Zafira.

— O quê? Como assim provar?

Danda se levantou devagar. Estendeu a mão pra Zafira, puxando-a de pé com uma suavidade que contrastava com tudo nela. E então caminhou em direção à tenda, conduzindo Zafira pela mão como quem conduz algo precioso — ou algo que lhe pertence. Na entrada da tenda, sem se virar, fez um único sinal com os dedos.

Me chamando.

Meu coração acelerou. Queria outra noite com a Danda — não ia mentir sobre isso. Mas a presença da Zafira mudava tudo. Danda tinha sido clara: nada com outra mulher. Então o que estava acontecendo?

Entrei.

Zafira já estava de joelhos no chão, retirando as peças da armadura de Danda com mãos que conheciam cada encaixe. Quando terminou, ficou ali — de joelhos, de cabeça erguida, olhando pra Danda com uma expressão que era ao mesmo tempo devoção e algo que eu não conseguia nomear completamente.

Danda ficou de pé na frente dela, nua, olhando pra baixo com aquela calma que não era indiferença — era poder. A consciência de quem sabe exatamente o que está fazendo e exatamente o efeito que causa.

— Você é leal a mim, Zafira?

— Sim, Danda. Sempre serei.

— Então prova pra mim que não só sua lealdade me pertence. Não só sua obediência. — Ela abaixou levemente o queixo, os olhos azuis fixos em Zafira. — Mas também seu corpo. Me ofereça seu corpo como em tantas noites você já fez.

Zafira olhou pra ela com um brilho nos olhos que misturava amor com algo que era quase dor. Então as duas tinham uma história além do clan. Então era a Zafira quem ficava na tenda com ela nas noites de acampamento.

— Meu corpo é seu, Danda. Sempre seu. Use-o como quiser — ele te pertence.

Danda olhou pra ela por um longo segundo. Depois, sem pressa, fez um sinal com os dedos me chamando mais pra perto. Fui. Fiquei de pé ao lado dela, de frente pra Zafira ajoelhada, sem entender ainda o que estava prestes a acontecer.

Danda não me olhou. Continuou com os olhos em Zafira quando falou, com uma voz baixa e absolutamente segura:

— Então hoje você se deitará com esse menino. Hoje você terá seu primeiro homem. E eu assistirei ele tirar aquilo que nenhum outro tirou — o presente mais precioso que uma mulher tem. Você o dará. Simplesmente porque eu quero. Simplesmente porque me dará prazer.

O silêncio que seguiu foi pesado demais.

Zafira arregalou os olhos. Por um segundo ela pareceu uma pessoa completamente diferente — não a guerreira de tapa-olho que cuspiu no chão quando me estendi a mão, mas alguém que acabou de receber uma punhalada de quem menos esperava.

— Danda... não faz isso. Eu faço qualquer outra coisa. Mas não isso.

— Bem. — Danda não endureceu a voz. Não precisou. — Eu não estou te forçando, querida. Você pode se levantar e sair, caso não queira.

— Você está falando sério?

— Claro, Zafira. Não sou um monstro. Se você não quer dar sua virgindade a esse menino, posso entender perfeitamente isso.

Zafira corou — um vermelho súbito, intenso — como se a vergonha de eu saber aquilo fosse quase pior do que o pedido em si. Ficou parada por um momento, como se estivesse pesando cada lado de uma balança impossível. E então, com uma voz firme demais pra disfarçar o quanto custou:

— Então eu recuso. Não quero me deitar com esse... garoto.

Danda estendeu a mão. Puxou Zafira de pé com aquela suavidade de novo.

— Claro, Zafira. Pode sair.

— Mas... você não quer que eu...

Ela não terminou a frase. Ficou ali, com o olho fixo em Danda, claramente esperando que algo mudasse. Quando Danda não disse mais nada, Zafira virou e caminhou em direção à saída. Lenta. Como alguém que ainda espera ser chamada de volta.

Quando ela estava prestes a romper a porta da tenda, a voz de Danda chegou — calma, quase gentil:

— Mas é claro que sua recusa terá consequências. Afinal, você não cumpriu com sua palavra.

Zafira parou. Não se virou.

— Caso você rompa por essa porta, você nunca mais me tocará. Será como qualquer guarda comum. Só mais uma no clan. Esse garoto ocupará o lugar que era seu — pra sempre. E eu nunca mais pensarei em você como nada além disso. — Uma pausa. — Mas a decisão é sua, Zafira. Rompa por essa porta, se quiser. Faça sua escolha.

O silêncio durou.

Eu observava Zafira de costas — os ombros tensos, a respiração contida, o tapa-olho imóvel. Ela claramente sentia algo por Danda que ia além de devoção. Amor não correspondido, talvez. E uma mulher que chegou até aqui virgem, vivendo num clan, num mundo onde o poder decide tudo... ou ela tinha uma proibição igual à que Danda me impôs, ou simplesmente não queria homens. O que tornaria essa escolha ainda mais pesada.

— Danda, eu...

— Não quero suas explicações. Ou você volta. Ou você sai.

Firme. Definitivo. Sem crueldade no tom — o que era, de alguma forma, ainda mais cruel.

Qual seria a decisão dela?

---

*Continua no capítulo 3*

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