Punheta & Pornô

Um conto erótico de Mateus
Categoria: Gay
Contém 2532 palavras
Data: 21/03/2026 21:04:42
Última revisão: 21/03/2026 21:25:20

A noite caiu devagar, como se o sítio tivesse o próprio ritmo para escurecer. A luz da casa acendeu cedo, amarelada, suave, escapando pelas janelas antigas. Do lado de fora, o céu ainda guardava um resto de azul profundo, e os primeiros insetos começavam a cantar num fundo constante, quase hipnótico.

O jantar começou simples. Mesa grande de madeira, pratos desiguais, copos que não combinavam entre si, tudo servido em travessas grandes, colocadas no centro da mesa. A tia de Rodrigo servia tudo com naturalidade, como se aquele cenário, gente demais, barulho, comida farta, fosse apenas mais uma noite qualquer.

Mas não era. Eu sentia isso no corpo. Sentado entre Rodrigo e Marcelo, eu tinha a nítida impressão de que qualquer movimento mínimo era percebido. O roçar de um braço, o deslocar de uma perna debaixo da mesa, o simples ato de pegar um copo. Tudo ganhava peso.

— Come mais, menino — disse a tia, colocando mais comida no meu prato sem pedir.

— Já tá ótimo — respondi, com um sorriso educado.

Percebi rapidamente que ali as conversas não seguiam o mesmo padrão da cidade. Eram mais diretas, mais práticas. O tio falava do tempo, da chuva que não vinha. A tia comentava sobre um vizinho que tinha vendido parte da terra. A mãe de Rodrigo tentava puxar assuntos mais leves.

— E a escola? — perguntou para mim.

— Indo bem.

— Sempre foi estudioso — ela disse, com um orgulho quase materno.

Rodrigo mastigava em silêncio. Marcelo observava. Tiago sorria, tentando manter o clima leve.

— E você, Rodrigo? — a tia perguntou.

— Tô bem.

Curto, encerrado. Mas não era só o silêncio de Rodrigo que chamava atenção. Marcelo observava. Eu sentia. Não de forma aberta o suficiente para ser confrontado, mas também não discreto o bastante para passar despercebido. Cada vez que eu levantava os olhos do prato, encontrava o olhar dele por um segundo a mais do que o necessário. Não era um olhar tímido, era avaliativo. Quase desafiador.

— Você come pouco — ele comentou, apoiando o cotovelo na mesa.

— Como normal.

— Na roça, isso aí não sustenta, não.

Rodrigo soltou um riso curto, sem olhar diretamente.

— Ele não precisa capinar, Marcelo.

— Mesmo assim — respondeu o primo, com um meio sorriso.

Tiago interveio, mais leve:

— Amanhã a gente leva vocês lá pro fundo, pra conhecer. Tem um riacho.

— Tem mesmo — disse a irmã de Rodrigo, animada — Mateus, você vai gostar.

Eu assenti, mas a minha atenção estava fragmentada. Rodrigo comia em silêncio, mais fechado do que o habitual. Não participava muito, mas também não se afastava. E, de vez em quando, sem querer, ou querendo demais, nossos joelhos encostavam um no outro. Era rápido, quase acidental, e ao mesmo tempo não era. Eu não reagia, mas não recuava. Aquilo, por si só, já era uma resposta.

Depois do jantar, fomos para o lado de fora. O tio acendeu uma fogueira improvisada, jogando pedaços de madeira seca que estalavam ao pegar fogo. O fogo crepitava alto, lançando sombras irregulares sobre os rostos. O cheiro de fumaça começou a impregnar o ar, misturado com o frescor da noite que caía.

Alguém trouxe uma garrafa. Depois outra. Não era uma bebedeira descontrolada, mas o suficiente para afrouxar os limites. O ar ficou mais quente, mais solto. Tiago ficou mais falante. Contava histórias da rotina ali, do trabalho, de coisas pequenas, causos meio exagerados, com detalhes que ele mesmo parecia inventar no meio da fala, que, na voz dele, ganhavam graça. Rodrigo ria de algumas. Eu observava. Marcelo bebia devagar. E olhava. Sempre olhando.

O fogo iluminava os rostos de forma desigual, às vezes destacando os olhos, às vezes deixando metade da expressão escondida.

— E você? — perguntou Marcelo, de repente, me mirando de novo — Não fala muito.

— Tô escutando.

— Ou tá pensando demais?

Inclinei a cabeça.

— Talvez os dois.

Marcelo deu um passo mais perto, diminuindo o espaço entre nós.

— Gente que pensa demais costuma esconder coisa.

O silêncio que se seguiu foi curto, mas carregado. Rodrigo mexeu o pé na terra, impaciente.

— Lá vem você.

— Eu só tô conversando — respondeu Marcelo, sem tirar os olhos de mim.

Tiago tentou aliviar:

— Ele é assim mesmo. Curioso demais.

— Não é curiosidade — disse Marcelo, finalmente desviando o olhar por um segundo — É observação.

Eu soltei um pequeno sorriso.

— E o que você observou?

Marcelo voltou a me encarar. Direto.

— Que você não é tão simples quanto parece.

Rodrigo bufou, se levantando.

— Vou pegar mais bebida.

E saiu, a fuga foi evidente. Eu percebi, Marcelo também. Tiago olhou para os dois, depois para o caminho por onde Rodrigo tinha ido, e decidiu não comentar.

— Cidade tem muita festa, né? – Marcelo perguntou.

A pergunta veio solta, mas o olhar estava em mim.

— Tem.

— E você vai em todas?

Eu dei um meio sorriso.

— Não em todas.

— Mas em algumas… — Marcelo inclinou a cabeça — Deve acontecer coisa.

Soltei o ar pelo nariz, quase uma risada sem humor.

— Que tipo de coisa? — perguntei, devolvendo.

Marcelo deu de ombros.

— Ué… gente se conhecendo. Se aproximando.

A pausa depois da frase foi proposital. O fogo estalou mais alto. Tiago olhou para o irmão, meio sem entender.

— Você tá muito curioso hoje, hein?

Marcelo não desviou o olhar.

— Só tô perguntando.

— E eu tô respondendo – sustentei.

Ao longe, Rodrigo virou o rosto, olhando para o escuro além da fogueira. Mas o maxilar estava travado. O fogo crepitava. A noite avançava. E alguma coisa ali estava sendo testada, sem regras claras, sem nome, mas com uma intensidade que ninguém mais parecia disposto a ignorar.

Mais tarde, quando o frio começou a apertar, fomos entrando um a um. A casa, por dentro, parecia ainda maior à noite. Os sons ecoavam mais. Os passos no chão de madeira eram mais audíveis. A divisão dos quartos foi prática, como tudo ali. Um dos gêmeos cedeu o quarto para a mãe e a irmã de Rodrigo. Os quatro meninos ficariam juntos em um quarto.

Não houve discussão, só uma troca rápida de olhares, como se o problema estivesse resolvido por si só. E, de certa forma, estava. Mas não para nós. Fiquei parado por um segundo, avaliando o espaço. O quarto era maior do que eu esperava, mas não o suficiente para quatro pessoas ignorarem a própria presença. Duas camas de solteiro e um colchão de casal extra no chão. Uma janela aberta deixando entrar o ar frio da noite.

O quarto cheirava a umidade e desodorante masculino, aquele misto de adolescência que gruda nas paredes pintadas de azul desbotado. A divisão parecia simples, mas não era. No fim, ficou decidido: Rodrigo e eu no colchão de casal no chão, os gêmeos nas camas de solteiro. Simples, lógico e absolutamente carregado.

— A gente se vira — disse Tiago, já jogando um travesseiro no colchão de uma das camas de solteiro.

Marcelo, o dono do quarto, se deitou na própria cama, cruzando os braços.

— Sempre deu.

Rodrigo entrou por último.

— Tanto faz – ele disse.

A dinâmica se estabeleceu rápido demais. Havia uma proximidade forçada, sem fuga fácil. Rodrigo puxou o colchão do chão para perto de uma das paredes. Eu me deitei ao lado, muito perto. Perto o suficiente para sentir o calor do corpo dele, mesmo sem tocar. As luzes foram apagadas cedo, mas o quarto não ficou completamente escuro. A luz da lua entrava pela janela, desenhando contornos suaves.

Mas o sono não veio de imediato. Tampouco o silêncio. A madrugada parecia mais densa do que o normal. O silêncio do sítio não era vazio, era cheio de pequenos sons: o vento arrastando folhas secas, um inseto insistente perto da janela, o estalo distante da madeira da casa antiga se acomodando.

Dentro do quarto, porém, havia outro tipo de silêncio. Um silêncio consciente. Havia respirações, movimentos pequenos, o som de alguém se virando na cama. Eu estava deitado de lado, coberto por um lençol fino de algodão amarelado, de costas para Rodrigo, sentindo a presença dele ali, próxima demais para ser ignorada, distante demais para ser acessada.

O colchão rangia a cada mínimo movimento. Do outro lado do quarto, os gêmeos conversavam baixo no início, depois silenciaram. Eu fechei os olhos, tentando convencer meu próprio corpo de que dormir era possível, mas não conseguia. Tentei, mas meu corpo estava alerta. Sempre alerta, desperto demais, como se cada nervo estivesse exposto. Um movimento atrás de mim. Leve, quase nada. Mas suficiente.

Rodrigo virou de lado, o espaço entre nós diminuiu. Não houve toque imediato, apenas proximidade. O calor dele encostou nas minhas costas. Não era um toque explícito, era pior, era inevitável. Respiração de forma irregular, não exatamente sono, não exatamente vigília. Mantive os olhos fechados. Alguns minutos, ou horas, se passaram assim. O tempo, naquela madrugada, não obedecia mais às regras normais.

Ninguém dormia, era evidente. O que não era evidente era quem teria coragem de quebrar aquilo primeiro. No mesmo instante, ouvi a voz baixa, mas firme, de Marcelo, vinda do outro lado, cortando o silêncio sem pedir licença:

— Difícil dormir assim, né?

A pergunta caiu no quarto como um fósforo aceso. Ninguém respondeu de imediato, mas todos ouviram. Senti o corpo de Rodrigo enrijecer levemente atrás de mim. Não era um movimento grande, era mais sutil, interno. Marcelo soltou um leve riso pelo nariz.

— Que clima estranho... muito abafado… muita gente… — ele continuou, como se falasse sozinho.

Senti Rodrigo se mexer ao meu lado, como se algo nele tivesse sido tocado no lugar certo, ou errado.

— Dorme, Marcelo — disse ele, seco.

Marcelo soltou uma risada baixa. Eu podia imaginar o rosto dele no escuro. Os olhos abertos, observando, calculando.

— Engraçado — ele continuou — Você nunca fica “de boa” quando ele tá por perto.

A voz de Marcelo cortou o escuro como uma unha arranhando vidro. Contraí o estômago involuntariamente. Agora não havia mais ambiguidade. O ar mudou. Tiago se mexeu levemente, murmurando algo incompreensível. Aquilo só aumentou a tensão, como se o mundo tivesse dado um pequeno aviso e depois voltado a se calar. Rodrigo demorou a responder.

— Cala a boca, Marcelo – baixo, contido.

Um novo silêncio, mais denso. Rodrigo não disse mais nada, mas eu senti. Senti o conflito ali, vivo, pulsando. Fechei os olhos por um momento, mas o corpo não desligava. Havia consciência demais ali. Da minha própria respiração, do espaço do quarto, da presença dos outros três. De Rodrigo, ao meu lado, imóvel demais. De Marcelo, do outro lado do quarto, acordado, eu tinha certeza. De Tiago, talvez dormindo de verdade, talvez não.

Fechei os olhos de novo. Mas, dessa vez, não tentei dormir. Fiquei ali, imóvel, consciente de cada respiração no quarto, de cada mínimo deslocamento de peso, de cada silêncio que dizia mais do que qualquer palavra. A noite ainda estava só começando.

Então, um som. Sutil, o ranger leve da cama, os lençóis farfalhando. Virei lentamente o rosto, o suficiente para enxergar, no escuro, o contorno do outro lado da cama. A silhueta de Marcelo se movia no escuro. Lentamente, sem pressa, como se soubesse exatamente que estava sendo percebido.

A silhueta de Marcelo se aproximava da velha televisão no canto do quarto. Ele abaixou, mexeu em alguma coisa, e depois de alguns segundos a tela chiou, tremendo em estática antes de estabilizar. A luz azulada invadiu o quarto. Fraca, mas suficiente para revelar contornos. Ninguém perguntou nada.

— Ninguém tá dormindo mesmo, né? — disse Marcelo, sem olhar para trás, o tom propositadamente casual — Tô aqui pensando... a gente podia fazer alguma coisa.

O tom não era exatamente de convite. Era de decisão. Tiago soltou uma risada baixa, meio sem jeito, um som seco que ele fazia quando nervoso.

— Fazer o quê, duas da manhã? Você é maluco?

— Um pouco — respondeu Marcelo, quase casual, mexendo nos botões com familiaridade demais para ser improviso, a silhueta dele se destacando contra a claridade azulada da TV – Tem uns DVD’s aqui guardados numa caixa. A gente podia assistir. Melhor do que ficar ouvindo a respiração um do outro.

A frase pairou no ar, ambígua o suficiente para não ser confronto... direta o suficiente para não ser inocente. Senti a garganta apertar. O lençol de repente parecia inadequado, fino demais. Ajustei a posição, minhas pernas dobradas em um ângulo estranho. Rodrigo soltou um suspiro ao meu lado.

— Você é doente – a voz saiu rouca, como se não fosse usada há horas – Você tá falando de pornô, né?

Mas também não mandou desligar. E aquilo, para mim, foi o que mais pesou. Porque significava permissão. Não me mexi, não reagi. O ar no quarto parecia mais pesado, mais quente. O silêncio que se seguiu tinha peso físico, uma substância que pressionava os meus tímpanos. Contei até sete antes de ouvir Rodrigo se mexer, o som dele se sentando.

— Vai ser estranho pra caralho — disse Rodrigo.

— Então não olha — retrucou Marcelo, já em pé — Já tá decidido.

Observei a forma de Marcelo em pé, descalço, o peito nu. Meu coração batia em algum lugar entre a garganta e o ouvido, um pulso errático que eu tentava mascarar ajustando o travesseiro.

— Esse aqui é o menos ruim — disse ele, inserindo um DVD com a precisão de quem já havia feito aquilo antes — Pelo menos tem mulher bonita.

A imagem surgiu granulada, cores saturadas demais, era um filme antigo. Uma mulher de cabelo castanho se desfazia de um sutiã branco em uma cozinha de azulejos laranja. A imagem finalmente estabilizou. Ruídos, cortes rápidos. Não era sobre o que passava, era sobre o que aquilo autorizava. Uma permissão indireta. Uma desculpa.

E, naquele instante suspenso, percebi algo com uma clareza quase desconfortável: aquilo não era mais só sobre Rodrigo e eu, não era só memória do que tinha experimentado com Rodrigo. Era outra coisa, mais difusa, mais perigosa.

Porque agora não havia apenas dois. Agora havia outros olhos, outras presenças, outras possibilidades. E isso não diminuía a tensão. Ao contrário, multiplicava. E ninguém ali parecia disposto a ignorar isso por muito tempo.

A luz da tela tremia nos rostos, criando sombras irregulares. O som baixo e distorcido preenchia o ambiente com uma atmosfera difícil de ignorar. Mantive os olhos na tela com uma fixação que sabia exagerada, conscientemente evitando verificar onde Rodrigo estava olhando. Senti o coração acelerar. Não era apenas o que estava acontecendo. Era o fato de estar acontecendo ali. Com eles.

— Caramba — murmurou Tiago, se sentando na cama — Isso é da época da mãe.

— Só que nossa mãe nunca foi tão gostosa — disse Marcelo rindo, caindo de costas na sua cama.

Senti meu corpo reagir antes de qualquer pensamento organizado. Mantive os olhos na televisão por alguns segundos a mais do que o necessário, como se aquilo me desse alguma distância. Não deu. Percebi a minha própria respiração primeiro, curta, superficial, o peito se recusando a expandir completamente.

Rodrigo apoiou o braço atrás da cabeça, olhando para o teto por alguns segundos antes de desviar o olhar, inevitavelmente, para a tela. O corpo dele estava tenso, mas não distante. Então notei os sons discretos, quase imperceptíveis: o movimento de tecido do lado de Rodrigo, a forma como o lençol dele criava uma tenda discreta sobre o quadril. A mulher na tela se ajoelhou. Alguém soprou ar pelos dentes.

— Tá maluco — disse Rodrigo, mas sem convicção.

A mão dele havia desaparecido debaixo do lençol.

(continua...)

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Comentários

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Ahhh eu não acredito que você parou bem quando a coisa tava esquentando!! Hahaha e o que eu faço com essa ereção que surgiu aqui hein?? Hehehe

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