Pivete Flanelinha 2
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✨ Sobre a iniciativa
Esta continuação foi feita a pedido do leitor TheSnacke, dentro de uma proposta que busca dar finais a histórias inacabadas ou escritas de forma apressada. Nosso objetivo é resgatar boas ideias e transformá-las em narrativas completas, sempre com cuidado e respeito.
O link para ver nosso projeto de finalização de contos eróticos e entender nossa proposta, para sugestão de contos também está nos comentários.
Vamos a continuação
Pivete Flanelinha 2
O sol daquela tarde de sexta-feira parecia ter um peso diferente sobre os meus ombros. O calor não era apenas meteorológico; era uma pressão constante contra a nuca, um suor frio que brotava apesar dos trinta e poucos graus. Eu continuava ali, sentado sob o guarda-sol, os olhos fixos na linha do horizonte onde o mar encontrava o céu, mas minha mente estava presa no banco de trás da BMW. A imagem dela, a minha Elaine, a advogada respeitada, entregue àquele pivete, era um filme que não parava de rodar na minha cabeça.
Eu ouvi o som dos passos dela antes de vê-la. Não era o som firme e rítmico de sempre, o caminhar de quem sabe que está sendo admirada. Havia uma hesitação, um intervalo irregular entre o toque do calcanhar e a ponta do pé na areia fofa. Quando ela finalmente apareceu no meu campo de visão, segurando o frasco de bronzeador como se fosse um troféu, meu estômago deu um nó.
— Demorei, amor? Tive que revirar o porta-malas, acho que a sacola tinha escorregado lá para o fundo.
Ela parou à minha frente, e foi ali que a negação começou a travar uma guerra com os meus sentidos. A Nane estava ali, a mesma mulher com quem eu era casado há anos, mas algo na arquitetura do corpo dela havia mudado. As pernas, longas e torneadas, pareciam carregar um peso invisível. Ela não as fechava com a mesma precisão de antes; havia uma leve abertura, um compasso mais largo que denunciava o esforço para manter a postura.
— Tudo bem. O sol está castigando — respondi, minha voz saindo seca, as cordas vocais parecendo fios de arame farpado.
Ela se sentou na cadeira de praia ao meu lado, ela começou a passar o bronzeador nas coxas. O movimento das mãos era frenético, mecânico. Eu observava a pele dela, o brilho do óleo, e não conseguia parar de pensar que, sob aquela camada de cuidado estético, a carne dela estava reagindo ao que tinha acabado de acontecer.
— Você está bem, Nane? — perguntei, sem olhar para ela, mantendo o foco em um barco distante.
— Estou ótima... só o calor, sabe? Me deixou um pouco zonza — ela disse, e eu senti o cheiro do bronzeador de coco se misturando ao odor que eu sabia que estava impregnado nela, mas que meu cérebro se recusava a aceitar.
O silêncio entre nós não era de cumplicidade. Era um silêncio denso, carregado de tudo o que não estava sendo dito. Eu via o peito dela subir e descer rapidamente. Ela estava ofegante, não pelo esforço físico da caminhada, mas pela adrenalina da farsa.
Foi nesse momento que o som de um motor potente interrompeu o peso daquele silêncio. Um SUV imponente estacionava na orla, logo acima de onde estávamos. Ricardo e Letícia finalmente haviam chegado.
— Olha só quem resolveu aparecer! — Nane exclamou, levantando-se com um entusiasmo que me pareceu ensaiado.
Ao se levantar, ela cambaleou levemente. Foi um ajuste rápido de equilíbrio, uma mão que buscou o apoio da cadeira, mas para mim, foi como um grito. Ela estava "arrombada", e o corpo dela não conseguia esconder a logística daquela destruição física.
Letícia desceu do carro primeiro. Os olhos azuis dela brilhavam sob o sol, e o sorriso era largo, expansivo. Ela veio em nossa direção quase correndo, enquanto Ricardo, com seu jeito calmo e prático, começava a mexer em algumas sacolas.
— Que saudade, gente! — Letícia gritou, abraçando a Nane.
Eu observei o abraço. A Nane parecia rígida. Letícia, que conhecia cada centímetro da personalidade da minha esposa, afastou-se um pouco e segurou a Nane pelos ombros, analisando-a. Houve um segundo de leitura silenciosa entre as duas.
— Nossa, Nane... você está com uma cor ótima. Mas parece cansada — Letícia comentou, o tom de voz carregado de uma curiosidade que me fez arrepiar.
— É a viagem, Lê. E o sol de hoje está matando — Nane justificou, a mesma desculpa que usara comigo.
Ricardo se aproximou, apertando minha mão.
— Trânsito infernal na serra, cara. Achei que não fôssemos chegar nunca.
Começamos a conversar sobre coisas banais — o tempo, a casa, os planos para o jantar. Mas meu foco estava nas duas mulheres. Letícia e Nane caminharam um pouco mais à frente, em direção à beira da água. Eu as observava de longe. Letícia falava algo, gesticulando muito, e de repente soltou uma risada alta, jogando a cabeça para trás. A Nane deu um tapa leve no braço dela, rindo também, mas logo em seguida fez uma cara de espanto, sussurrando algo de volta.
Minha mente entrou em parafuso. "Será que ela contou?", pensei. "Não, a Nane não seria tão louca". Mas o jeito que a Letícia olhava para a forma como a Nane caminhava — observando o movimento dos quadris da amiga — me dizia que havia um subtexto ali que eu ainda não alcançava. Letícia ria de novo, uma risada que me soava como deboche, enquanto a Nane mantinha aquele andar "aberto", uma marcha forçada que tentava simular normalidade sobre uma base de dor e prazer proibido.
— Vamos indo? — Ricardo sugeriu, olhando para o relógio. — O sol já está baixando e eu quero abrir aquele espumante que trouxe.
— Eu preciso pegar o carro no estacionamento — eu disse, sentindo a necessidade urgente de sair dali, de quebrar aquele teatro.
— Eu levo vocês lá — Ricardo ofereceu prontamente. — Estacionei logo ali na rua de cima.
— Não precisa, Ric — a Nane interveio, a voz rápida demais. — É aqui do lado, a gente vai a pé, é mais fácil.
Letícia arqueou uma sobrancelha, um brilho malicioso cruzando seus olhos azuis.
— Eu vou com eles, Ricardo. Quero ver onde eles guardaram a BMW. Você me espera no carro? Eu volto com você depois.
A decisão de Letícia de nos acompanhar me deixou ainda mais tenso. Era como se ela estivesse farejando algo no ar, uma predadora seguindo o rastro de uma presa ferida.
Caminhamos em direção ao estacionamento. O sol já estava mais baixo, pintando o céu de tons alaranjados, mas o calor que emanava do asfalto ainda era intenso. A Nane ia na frente com a Letícia. Eu vinha logo atrás, observando as duas. A silhueta da minha esposa, naquele vestido leve que ela tinha colocado por cima do biquíni, revelava a cada passo a irregularidade do seu caminhar. Ela estava incomodada, ajustando o tecido entre as pernas a cada poucos metros.
Ao chegarmos no pátio de terra batida do estacionamento, vi as duas figuras encostadas em um muro de blocos. O Zé e o Jume.
O Jume estava com os braços cruzados, um sorriso de canto de boca que exalava uma satisfação animalesca. O Zé falava algo para ele, gesticulando, e o moleque apenas assentia, com o peito estufado. Quando nos viram, o silêncio deles foi imediato, mas os olhares continuaram ativos.
— Olha aí os nossos guardiões — a Nane disse, aproximando-se deles com uma naturalidade que me assustou. — Tudo certo com o carro, meninos?
— Tudo em cima, doutora — o Zé respondeu, a voz rouca e carregada de ironia. — O Jume aqui não tirou o olho da sua máquina. Cuidou como se fosse dele.
O Jume olhou para a Nane. Não era o olhar de um prestador de serviço; era o olhar de um dono. Ele percorreu o corpo dela de cima a baixo, detendo-se nas pernas, e depois encontrou os olhos dela. A Nane não desviou. Houve um reconhecimento ali, uma conexão elétrica, mas que queimou como brasa.
— Essa é a Letícia, uma amiga nossa — a Nane apresentou, e o Jume abriu um sorriso ainda maior, os dentes brancos brilhando contra a pele queimada.
— Prazer, moça — ele disse, a voz grossa, focando os olhos na Letícia.
Letícia deu um risinho nervoso, ajustando a alça da bolsa.
— Eles cuidaram muito bem do carro, amor — Nane se voltou para mim. — Dá um agrado a mais para eles, eles são trabalhadores e garantiram que nada acontecesse enquanto estávamos na praia.
Eu tirei a carteira, sentindo o peso do olhar do Zé sobre mim. Entreguei algumas notas para o Jume.
— Valeu, patrão — o moleque disse, pegando o dinheiro. — Precisando, a gente vai estar por aqui o fim de semana todo. A praia está cheia.
A Nane pegou a chave da minha mão antes que eu pudesse reagir.
— Eu dirijo agora, amor. Você já dirigiu o caminho todo — ela disse, e eu apenas entreguei.
Ela e Letícia começaram a caminhar em direção à BMW. O Jume as acompanhou, indo um pouco à frente para abrir a porta. Eu fiquei parado por um momento, e foi então que o Zé se aproximou de mim.
Ele parou ao meu lado, o cheiro de cigarro barato e suor me atingindo em cheio. Ele não olhava para mim; olhava para as costas da Nane e da Letícia.
— Duas gostosas, hein, patrão? — ele sussurrou — Duas putas de primeira.
Eu senti o sangue subir para a cabeça. Olhei para ele, pronto para reagir, mas o Zé apenas sorriu, um sorriso amarelo e cruel.
— Não precisa fazer essa cara. Eu não acredito que você ainda não sabe. Ou vai me dizer que não viu o Jume arrombando a sua mulher ali atrás?
— Você é um mentiroso, Zé — eu disse, minha voz tremendo de ódio e negação. — A Nane só foi buscar o bronzeador. Eu não vi nada.
O Zé soltou uma risada seca, um som que pareceu um estalo de osso quebrando.
— É corno e é otário — ele cuspiu no chão. — Quer tirar a prova? Come ela hoje à noite. Mas come de verdade. Você vai ver que o Jume deixou o caminho aberto para você. Ela está toda alargada, patrão. O moleque não teve pena.
Ele chegou mais perto.
— E olha o Jume ali... ele já está preparando a próxima. Ele vai comer a loira de novo, e a morena de olhos azuis junto. O corno é sempre o último a saber, mas você... você está vendo e não quer acreditar.
Eu olhei para a frente. O Jume estava abrindo a porta do motorista para a Nane. Ela entrou, e ele fechou a porta com um cuidado quase carinhoso, dando um tapinha no vidro. Depois, ele foi até a porta de trás, onde a Letícia estava entrando. Ele segurou a porta para ela e, por um instante, o vi arregalar os olhos e sorrir, como se tivesse visto algo entre as pernas da Letícia que confirmasse suas intenções.
Ao se afastar do carro para que a Nane desse a ré, o Jume passou a mão sobre a bermuda. O volume ali era evidente, uma ereção brava que ele não fazia questão de esconder.
A Nane tirou o carro com precisão. Eu entrei no banco do passageiro, fechando a porta e me isolando naquele luxo de couro e ar-condicionado. Olhei pelo retrovisor lateral e vi o Zé e o Jume rindo. O Jume apertava o próprio membro por cima do tecido, um gesto de domínio final.
— O que o Zé estava falando com você? — a Nane perguntou, engatando a primeira, a voz soando calma, mas os dedos apertando o volante com força.
— Nada — respondi, olhando para a estrada à frente. — Só agradecendo o dinheiro.
Eu não podia contar. Revelar seria admitir que tudo o que eu construí era uma mentira. Tinha sido um deslize, eu dizia a mim mesmo. Apenas um momento de fraqueza dela. A Nane era fiel. Ela era minha esposa. Aquilo ia passar.
Mas enquanto o carro deslizava pelo asfalto, o silêncio de Letícia no banco de trás e o perfume da Nane preenchendo o espaço pareciam gritar a verdade que eu tentava enterrar, paramos próximo ao carro do Ricardo e a Letícia então trocou de carro.
O trajeto até a casa de praia foi feito sob um sol que ainda castigava, mas o interior da BMW estava gelado. A Nane ia ao meu lado, cantarolando baixo, os dedos longos batendo levemente no joelho enquanto acompanhava o rádio. Ela parecia renovada, uma imagem de pureza e controle que agredia os meus sentidos. O ar-condicionado fazia com que os bicos dos seus seios, sob o tecido fino do biquíni, ficassem permanentemente marcados, um detalhe que ela ignorava com uma naturalidade absoluta, como se o corpo dela não tivesse sido, há pouco menos de uma hora, um território ocupado.
Eu observava o perfil dela — o nariz fino, a linha do maxilar bem definida — e tentava processar o silêncio dela. Não havia culpa no rosto da Nane. Havia apenas uma eficiência assustadora em retomar o papel de esposa perfeita.
— O Ricardo disse que a casa fica bem perto da orla — ela comentou, olhando as mansões que surgiam conforme avançávamos pelo bairro nobre. — Estou curiosa, ele sempre fala que o projeto arquitetônico é exclusivo.
— Logo veremos — respondi, mantendo os olhos na estrada, mas minha visão periférica estava fixa no modo como ela se acomodava no banco de couro.
Havia um ajuste constante. Ela não conseguia ficar totalmente parada. A cada poucos quilômetros, ela elevava levemente o quadril, mudando o peso de uma nádega para a outra. Eu sabia o que era aquilo. Não era o cansaço da viagem; era a pulsação da carne maltratada, começava a cobrar o seu preço.
Estacionamos logo atrás do SUV do Ricardo. A casa era uma construção imponente, mas para mim, parecia um palco. A Nane desceu do carro e, ao tocar o chão, vi o momento exato em que a máscara quase caiu, as pernas vacilando levemente antes de se firmarem. O caminhar dela, enquanto atravessava o pátio de mármore, estava diferente. Não era mais o desfile elegante de sempre; era um andar mais aberto, cauteloso, como se ela estivesse tentando evitar o atrito entre as coxas. O "arrombamento" que o Zé mencionara não era apenas uma força de expressão; era uma realidade mecânica que alterava a engenharia do passo dela.
Letícia já vinha em nossa direção, os olhos azuis brilhando sob o sol. Ela abraçou a Nane com uma intimidade vibrante, mas logo se afastou, analisando a amiga de cima a baixo.
— Chegaram! Vem, Nane, quero te mostrar a vista da suíte master — Letícia exclamou, pegando-a pelo braço.
Eu fiquei parado ao lado do carro, observando-as entrar. De costas, a mudança no rebolado da Nane era ainda mais nítida. O quadril dela oscilava de uma forma pesada, sem a elasticidade habitual. Letícia parecia notar. Eu as via caminhando pelo hall e, quando pararam perto da escada, Letícia disse algo no ouvido da Nane. A minha esposa soltou uma risada nervosa, dando um tapinha no braço da amiga, e Letícia riu de volta, uma risada que carregava um subtexto de descoberta.
Subi as malas para o quarto de hóspedes. O cheiro de casa nova e de mar preenchia o ar, mas minha mente buscava indícios de quebra naquela perfeição. Encontrei as duas saindo de um dos quartos.
— Amor, você precisa ver o closet deles! — Nane disse, passando por mim.
Ela entrou no nosso quarto e eu a segui, fechando a porta. O silêncio ali dentro tornou-se opressor. Nane jogou-se na cama de casal, esticando as pernas, e soltou um suspiro longo, que parecia mais um alívio físico do que cansaço.
— Vou tomar um banho rápido para tirar o sal — ela anunciou, levantando-se com aquele mesmo andar cuidadoso.
Fiquei sentado na beira da cama, ouvindo o som do chuveiro. Imaginei-a lá dentro, limpando o rastro do Jume, tentando lavar a evidência de que sua intimidade havia sido dilatada por mãos e membros estranhos. Quando ela saiu, enrolada na toalha branca, parecia a imagem da castidade. Mas o meu olhar estava treinado. Notei a vermelhidão sutil na parte interna das coxas dela, um detalhe que ela tentava esconder fechando a toalha com mais força.
Descemos para a cozinha americana. Ricardo já estava na bancada, preparando drinks, enquanto Letícia e Nane se sentavam nos bancos altos. A conversa fluía sobre viagens e projetos, mas eu era um radar sintonizado na sala de estar.
— Elas se dão bem demais, né? — Ricardo comentou, servindo-me um copo. — Às vezes acho que a Letícia sabe mais da vida da Nane do que nós dois juntos.
Olhei para as duas. Elas estavam com as cabeças próximas, sussurrando sobre algo no iPad. Letícia olhava para a Nane com um brilho de deboche e curiosidade, e a Nane, hora ria, hora fazia uma expressão de quem pedia segredo. A negação gritava dentro de mim: "Ela não contaria. É paranoia minha". Mas o modo como Letícia olhava para o modo como a Nane se sentava — sempre de lado, nunca de frente — alimentava a dúvida corrosiva.
O pôr do sol na orla foi um teatro de normalidade. Nane tirava fotos, abraçava-me, comentava sobre o mar.
Quando voltamos para o quarto e os amigos se recolheram, o ar no quarto de hóspedes ficou rarefeito.
O quarto de hóspedes estava mergulhado numa penumbra azulada, só a luz da TV ligada no quarto ao lado vazava por baixo da porta, criando sombras longas no chão de madeira. O ar-condicionado zumbia baixo, mas não dava conta do calor que já subia entre nós. Eu estava sentado na beira da cama, ainda de bermuda de linho, o coração batendo forte no peito. Não era só tesão. Era algo mais doentio, uma mistura de raiva, curiosidade e um desejo que eu nunca tinha sentido antes. Eu sabia o que tinha acontecido no estacionamento. Tinha visto tudo. Mas ela não podia nem desconfiar. Nem uma palavra. Nem um olhar diferente. Eu ia fingir que era só um marido louco de saudade depois de um dia de praia.
Nane estava de costas para mim, tirando os brincos de argola devagar na penteadeira. O shortinho branco colado no corpo, ainda com cheiro de bronzeador de coco e mar. Quando ela se curvou para pegar o creme na mala, eu vi: as coxas tremiam levemente, e ela mantinha as pernas um pouco mais abertas que o normal. Um andar cuidadoso, como quem sente o corpo diferente. Como quem carregou algo grande demais por dentro e agora tenta disfarçar.
Eu me levantei sem fazer barulho. Meus pés afundaram no tapete felpudo. Minhas mãos tocaram sua cintura fina por trás. Ela deu um salto, o corpo inteiro endurecendo.
— Amor… aqui não — sussurrou ela, voz fina como fio de cabelo, olhos fixos na porta. — A casa é aberta pra caralho. O Ricardo e a Letícia estão logo ali no quarto. As paredes parecem de papel. Qualquer gemidinho vai ecoar pelo corredor inteiro. Que mico, meu Deus…
Eu colei meu corpo no dela. Meu pau já estava duro, pressionando bem no meio da curva perfeita da sua bunda grande e durinha — aquela mesma bunda que eu tinha visto o Jume apertar com força horas antes.
— Eles estão enchendo a cara de espumante e assistindo Netflix, Nane — respondi rouco, a boca colada na sua nuca, sentindo o cheiro do seu cabelo loiro misturado com sal do mar. — E desde quando você se importa com risco? Lembra do camarote no carnaval? Lembra do banheiro do restaurante em Gramado, quando você gozou na minha mão enquanto o garçom batia na porta? Você adorava isso.
Ela tentou girar nos meus braços, um sorriso nervoso nos lábios carnudos — os mesmos lábios que eu tinha visto chupando outro pau no estacionamento.
— É diferente dessa vez… eu tô exausta, amor. O sol me fritou o dia inteiro. A viagem, a praia, tudo. Deixa pra amanhã, eu prometo que te compenso dobrado. Vou te mamar até você implorar pra parar…
— Você me deixou de pau duro o dia inteiro, Elaine — usei o nome completo de propósito, marcando território. Minha voz saiu mais grave. — Aquele biquíni minúsculo que você escolheu… o jeito que você rebolava na areia, deixando todo mundo babar na sua bunda. Você queria ser olhada. Agora eu quero o que é meu. Eu quero você agora.
Puxei-a contra mim com mais força. Meu pau latejava contra o tecido fino do shortinho. Senti o calor que saía do corpo dela — um calor diferente, molhado, recente. Nane suspirou fundo, metade derrota, metade cálculo de advogada. Ela sabia que se resistisse demais eu ia estranhar. Então cedeu, mas ainda tentou controlar.
— Tá bom… tá bom, seu doido — murmurou, voz tremendo um pouco. — Deita aí. Fica quietinho, pelo amor de Deus. Eu cuido de você, mas sem barulho nenhum, ouviu? Eu não quero que a Letícia ou o Ricardo ouça nada.
Ela me empurrou de leve para a cama. Ajoelhou entre minhas pernas com uma agilidade quase desesperada. Puxou o lençol branco por cima de nós dois, criando uma cabana quente, abafada, cheia do cheiro do nosso suor misturado. A boca dela me engoliu inteiro num segundo. Não era o boquete carinhoso de sempre. Era urgente, faminto. Língua girando na glande com pressão forte, lábios apertando como se quisesse me sugar até a alma. As mãos massageavam minhas bolas com dedicação quase agressiva.
— Tá gostoso, vida? — murmurou com meu pau na boca, voz abafada pelo lençol. — Vou tomar tudinho… engolir cada gota pra você… relaxa e goza logo pra mim, vai…
Eu sentia a língua dela trabalhando rápido, os sons molhados ecoando baixinho debaixo do lençol. Ela estava caprichando como nunca. Queria me fazer gozar ali mesmo, na boca, pra não ter que abrir as pernas. Mas eu não ia deixar. Eu queria sentir. Queria confirmar o que já sabia. E, principalmente, eu queria ver o estrago que tinha sido feito.
Segurei o cabelo loiro dela com força e puxei sua cabeça para cima. O rosto dela emergiu do lençol: batom borrado, olhos verdes arregalados de pavor genuíno.
— Não — falei baixo, firme. — Eu não quero gozar na sua boca hoje.
— Amor, por favor… — ela suplicou, voz trêmula, tentando voltar para baixo. — Eu estava quase te fazendo gozar… deixa eu terminar, eu tomo tudo, juro…
— Eu quero entrar em você, Nane. Quero sentir como você tá por dentro depois de um dia inteiro me provocando na praia.
O silêncio que caiu foi pesado. Ela olhou para a porta, depois para mim. Engoliu em seco. As mãos tremiam visivelmente quando deslizou o shortinho e a calcinha branca pelas coxas bronzeadas, devagar, como se ganhasse tempo.
— Então… então eu fico por cima — disparou rápido, voz nervosa. — Eu controlo o ritmo. Eu cuido do barulho. Você fica paradinho, só me deixa guiar, tá?
Ela montou em mim como quem sobe num cavalo. Segurou meu pau latejante com a mão quente e guiou a cabeça para a entrada da buceta. Quando comecei a penetrar, vi o rosto dela se contorcer de leve — medo misturado com prazer. Ela tentou apertar, tentou fingir o aperto de sempre… mas eu senti na hora.
Folga.
Uma folga quente, escorregadia, molhada demais. O canal que sempre me apertava como um punho agora me recebia com uma facilidade obscena, como se tivesse sido aberto por algo muito maior, muito mais grosso, poucas horas antes. O cheiro de sexo recente subiu forte entre nós.
Mas eu não disse nada. Só apertei os quadris dela com força.
— O que foi? — ela perguntou, a voz quase sumindo, notando o meu silêncio enquanto eu sentia aquela folga.
— Nada… — murmurei, voz controlada. — Só tô sentindo como você tá pronta. Molhada pra caralho, amor.
Ela começou a cavalgar. Movimentos curtos, cautelosos no começo. Tentava contrair a buceta com toda a força que tinha, músculos tremendo de esforço. Mas a cada descida eu sentia o vazio, o espaço que o Jume tinha deixado. O som molhado era alto demais, obsceno, ecoando debaixo do lençol.
Conforme cavalgava, o tesão dela começou a vencer o medo. Nane ainda tentava controlar tudo — quadril subindo e descendo em movimentos curtos, mãos apoiadas no meu peito, olhos semicerrados, mordendo o lábio inferior até ficar vermelho. Mas o corpo dela traía. A buceta folgada ficava cada vez mais molhada, escorrendo pelos meus ovos, o cheiro forte de excitação feminina misturado com o bronzeador de coco enchendo o quarto.
Eu segurava sua cintura com firmeza, mas não forçava. Deixava ela ditar o ritmo. Queria ver até onde ia.
— Porra, Nane… olha pra você — sussurrei, voz rouca de tesão verdadeiro. — Ficou o dia inteiro com esse biquíni minúsculo, rebolando na areia, deixando todo mundo babar na sua bunda… e agora tá aqui, cavalgando no meu pau louca de tesão.
Ela abriu os olhos de repente. O verde brilhava, pupilas dilatadas. Por um segundo vi o pânico, mas logo depois veio outra coisa: luxúria pura. Ela sorriu de canto, um sorriso safado que eu quase nunca via.
— Você me deixou assim o dia inteiro… — murmurou, voz rouca, acelerando um pouco o rebolado. — Me olhando, me tocando no mar… eu fiquei molhada o tempo todo, amor. Não aguento mais.
Era mentira. Eu sabia. Mas a forma como ela disse, o jeito como o quadril dela ganhou velocidade, me deixou ainda mais duro. Ela estava se soltando. Aos poucos, a advogada controlada dava lugar à puta que eu tinha visto no estacionamento — só que agora era comigo. E isso me excitava pra caralho.
Nane tentou abafar os gemidos com a boca no meu pescoço, gemendo baixinho contra minha pele suada.
— Shhh… amor… quieto… — ela pediu, mas o corpo dela não obedecia mais. Subia e descia mais rápido, as tetas grandes balançando no meu rosto, bicos rosados duros roçando minha boca.
Eu chupei um deles com força. Ela gemeu mais alto, esquecendo por um segundo o risco.
— Ai… assim… chupa gostoso… — sussurrou, voz falhando.
O tesão dela era real. O corpo dela lembrava do que tinha acontecido e agora queria mais. E eu estava ficando louco com isso.
— Você tá diferente hoje… — provoquei baixo, segurando a bunda dela e ajudando no movimento. — Tá molhada pra porra, Nane. Tá me engolindo inteiro sem esforço nenhum. Tá gostando tanto assim?
Ela parou. Olhos arregalados. Depois soltou uma risadinha nervosa e voltou a cavalgar mais forte.
— É você… você me deixa assim… — mentiu, mas a voz saiu carregada de tesão verdadeiro. — Me fode, amor… me fode mais fundo…
Eu empurrei o quadril para cima, socando com mais força. Ela soltou um gemido abafado, corpo tremendo inteiro. O suor escorria entre os seios, pingando no meu peito. O cheiro era forte, animal. E ela estava se soltando de verdade agora. O medo ainda existia — eu via nos olhares rápidos para a porta —, mas o tesão estava vencendo.
— De quatro — mandei de repente, voz baixa e firme. — Quero te comer por trás. Quero ver esse rabo balançando enquanto eu te arrombo.
Ela travou na hora. Parou de se mexer completamente, meu pau ainda enterrado fundo na buceta folgada.
— Não… de quatro não, amor — sussurrou rápido, pânico voltando à voz. — Eu vou gritar… eu não vou conseguir me controlar nessa posição. A Letícia é o Ricardo vai ouvir tudo. Por favor… fica assim, eu tô quase gozando aqui…
Eu insisti, mãos apertando a bunda dela.
— De quatro, Elaine. Agora.
Ela respirou fundo. Olhou para a porta de novo. Depois para mim. Eu vi a engrenagem girando na cabeça dela. Ela não podia deixar eu ver o cu de perto. Não podia deixar eu abrir a bunda e notar a diferença. Então tomou a decisão desesperada.
— Você quer me arrombar mesmo, é? — a voz dela mudou. Ficou mais rouca, mais suja, mais puta. — Quer ver tudo aberto?
Sem tirar meu pau da buceta, ela se inclinou para frente, apoiou as mãos no meu peito e, com uma mão atrás, abriu a própria bunda com força, os dedos cravando na carne macia.
— Então me fode aqui. No meu cu. Mas tem que ser homem pra aguentar o que eu vou te dar hoje.
Ela ergueu o quadril devagar. Meu pau saiu da buceta com um “ploc” molhado e obsceno, brilhando com os sucos dela. Nane não se virou. Ficou de frente para mim, olhos fixos nos meus, como se quisesse me hipnotizar. Com uma mão segurou meu membro latejante e com a outra abriu mais a bunda perfeita — 105 cm de carne firme, ainda marcada pelo sol da praia.
— Devagar… — gemeu baixinho quando a cabeça do meu pau encostou no cuzinho.
Eu empurrei. A glande forçou a entrada. Ela soltou um arquejo profundo, corpo inteiro tremendo. O cu cedeu mais fácil do que eu lembrava. Muito mais fácil. O Jume tinha passado por ali também — eu tinha certeza absoluta agora. Mas não disse nada. Só segurei a cintura dela e fui entrando devagar.
— Ai, porra… tá grande hoje… — choramingou Nane. — Vai devagar… tá abrindo tudo…
Centímetro por centímetro, ela desceu até sentar completamente no meu colo, meu pau inteiro enterrado no seu rabo quente e apertado — mas não tão apertado quanto antes. O cuzinho pulsava em volta de mim, tentando se acostumar.
E então ela começou a cavalgar de frente. Olhos nos meus. Uma mão desceu frenética para o clitóris inchado, batendo siririca desesperada enquanto subia e descia no meu pau.
— Olha pra mim… — ordenou, voz falhando de tesão. — Olha o que você tá fazendo comigo… olha como eu tô te dando tudo hoje…
Eu segurava a cintura dela e socava de baixo para cima, cada estocada fazendo as tetas grandes balançarem loucamente. O rangido da cama agora era alto, constante, mas Nane não se importava mais. O medo tinha virado combustível. Ela rebolava com vontade, quadril girando, cuzinho engolindo meu pau até o talo.
— Tá gostoso no seu cu, sua puta? — rosnei, excitado pra caralho com a entrega dela. — Tá dando o rabo pro marido porque tá louca de tesão?
Ela soltou uma risada baixa, quase louca, olhos brilhando de luxúria.
— Eu sou sua puta… sou uma puta safada… e quero sentir esse pau entupindo meu rabo até o fundo… me fode, vai! Me fode com força!
Acelerou. Rebolava desesperada, unhas cravadas no meu peito, suor escorrendo pelo corpo inteiro. O cheiro de sexo tomava conta do quarto — suor, buceta molhada, cu sendo fodido. Ela gemia mais alto agora, esquecendo completamente do Ricardo e da Letícia.
— Eu tô gozando… amor… eu tô gozando no seu pau… eu to gozando dando o cu pra você…. — avisou, voz rouca.
O orgasmo dela foi violento. O cuzinho apertou meu pau como um torno, pulsando sem parar. Ela tremeu inteira, siririca voando rápido. O corpo dela convulsionava, pernas bambas, buceta escorrendo no meu abdômen.
Eu não aguentei. Explodi dentro dela. Jatos grossos, quentes, enchendo o cu dela até transbordar. Senti cada contração, cada tremor. Foi o orgasmo mais forte da minha vida.
Desabamos os dois, suados, ofegantes, colados. O lençol embolado nas pernas. Meu pau ainda latejava dentro do cu dela, lentamente amolecendo. Nane me olhou. Os olhos verdes estavam marejados, mas tinha um sorriso terno nos lábios.
— A gente é maluco… — sussurrou, voz rouca de tanto gemer. — Espero que a Letícia e o Ricardo não tenha ouvido nada… se eles sonhar que eu gritei assim…
Se aconchegou no meu peito, braço em volta da minha cintura, o corpo ainda tremendo de leve.
— Eu te amo, sabia? — disse baixinho, quase um segredo.
Eu abracei forte, beijei o topo da cabeça loira. Meu coração batia forte. O prazer tinha sido absurdo. O melhor sexo da nossa vida. Ela tinha se entregado com uma vontade que eu nunca tinha visto — tesão puro, entrega total. E isso me excitou de um jeito doentio. Saber que ela estava arrombada, saber que tinha gozado mais cedo com outro, e mesmo assim ter se soltado tanto comigo… ter gozado dando o cu pra mim… me deixou viciado. Mas eu não disse nada. Não revelei nada.
— Eu sei — respondi apenas, voz baixa.
Ficamos ali, imóveis, enquanto a TV na sala ao lado murmurava vozes distantes. Eu estava gozado, exausto e profundamente confuso. Tinha a minha esposa nos braços, o corpo dela ainda quente do sexo que acabamos de fazer. Mas eu sabia que nunca estivemos tão longe um do outro.
E, pior de tudo… uma parte doente de mim já sabia que aquilo não era a primeira e não seria a última vez.
Ficamos os dois apenas se olhando, abraçados, foi estranho a horas atrás minha Nane estava dando pra outro homem e eu não conseguia acreditar mesmo vendo tudo, agora estava abraçado a ela com força e a vi se entregando ao prazer novamente comigo de uma forma que nunca tinha visto antes e eu também tive um prazer enorme com ela apesar de tudo que tinha acontecido até ali, acabamos ficando assim até cairmos no sono na cama com a TV ligada.
O sábado amanheceu com um céu de um azul agressivo, sem uma única nuvem para dar descanso aos olhos. O ar-condicionado central mantinha uma temperatura constante, mas eu sentia um calor que vinha de dentro, um abafamento que o gelo da caipirinha não conseguia aplacar.
Estávamos todos à beira da piscina. O som era o do gelo batendo no cristal dos copos e o borbulhar suave da hidromassagem. O Ricardo agia como o anfitrião perfeito, controlando a temperatura da adega e o ponto da carne com uma autoridade quase teatral. A Letícia, esticada em uma espreguiçadeira, parecia uma estátua de porcelana.
E a Nane... a Nane era um espetáculo de contradições. Ela usava um biquíni de grife, branco, que realçava o bronzeado perfeito, mas eu via o que os outros ignoravam. Ao se sentar na borda da piscina, ela não o fazia com a fluidez de costume. O "arrombamento" que eu sentira na noite passada não era paranoia. Quando ela se levantava para buscar uma toalha, o caminhar era ligeiramente mais lento, as pernas mantendo uma distância milimétrica a mais uma da outra para evitar o atrito.
— Tudo bem, Nane? Parece um pouco travada — o Ricardo comentou, servindo mais espumante.
— É o treino de perna de quinta-feira, Ric. A idade está chegando, acho que pesei a mão no leg press — ela respondeu com uma rapidez profissional, o sorriso de advogada no lugar, mas o olhar dela cruzou o meu e eu vi ali uma centelha de pânico.
Eu observava o Ricardo. Havia uma arrogância natural no modo como ele falava da nova safra de vinhos ou da valorização dos imóveis na região. Para ele, o mundo era um tabuleiro que ele dominava. Senti uma pontada de inveja e, ao mesmo tempo, de desprezo. Ele não fazia ideia da podridão que orbitava aquela piscina de águas cristalinas.
Ao entardecer, quando o sol começou a perder a força, a Letícia sugeriu irmos à feira noturna local.
— É uma delícia, gente. Tem artesanato, umas comidas típicas maravilhosas e aquele clima de cidade pequena que a gente não encontra mais — ela disse, já se levantando e começando a orquestrar a saída.
O ambiente da feira era um salto aos sentidos. Luzes de gambiarra penduradas entre as barracas, o cheiro de gordura de pastel misturado ao de milho cozido e o murmúrio constante da multidão.
Em determinado momento, enquanto caminhávamos pelo corredor central, a Letícia parou subitamente em frente a uma barraca de bijuterias caseiros.
— Ai, Ricardo! Eu esqueci completamente! Prometi para a minha mãe que levaria aquela compota de figo que só vende na barraca do "Seu Juca", lá no outro extremo da feira.
Ela olhou para a Nane, um código silencioso passando entre elas.
— Nane, você fica aqui olhando essas joias de prata comigo? — Letícia perguntou, mas já empurrando o Ricardo e a mim na direção oposta. — Homens, vão lá buscar o doce para mim, por favor? É rapidinho, a gente se encontra aqui em dez minutos.
O Ricardo soltou um suspiro de impaciência, mas cedeu.
— Vamos lá, parceiro. Mulher quando cisma com uma coisa...
Caminhei ao lado dele. O Ricardo atravessava a multidão como se estivesse abrindo caminho em uma selva, tratando os vendedores locais com um desdém mal disfarçado. Ele reclamava do preço, do cheiro, da lentidão das pessoas. Ele via aqueles trabalhadores como figurantes invisíveis de um feriado que ele pagara para ter.
Eu, porém, sentia que estávamos sendo conduzidos.
Quando finalmente compramos a maldita compota e retornamos ao local combinado, não encontramos as mulheres na barraca de pratas. Elas estavam um pouco mais atrás, em um recuo onde a iluminação era mais fraca, perto de uma área de descarga de mercadorias.
E elas não estavam sozinhas.
O Jume e o Zé estavam lá.
A tensão no ar era quase sólida. O calor da pele da Nane parecia subir; eu via o rubor no pescoço dela assim que nossos olhos se encontraram. Ela estava com as mãos cruzadas na frente do corpo, uma postura de defesa que contrastava com a fluidez da Letícia.
— Olha só quem encontramos de novo! — Letícia anunciou com uma naturalidade que beirava a crueldade. — Os meninos que cuidaram tão bem do carro ontem. Eles estavam nos dando umas dicas de onde comer o melhor fruto do mar da região.
O Ricardo parou ao meu lado, sua postura mudando instantaneamente. Ele olhou para o Jume — que usava uma camiseta regata que deixava os braços fortes e suados à mostra — com uma superioridade que beirava o insulto.
— Ah, os flanelinhas... — Ricardo disse, a voz carregada de desdém. — Já demos o agrado de vocês ontem, não demos?
Vi o maxilar do Jume travar. Ele não baixou a cabeça. Pelo contrário, ele deu um passo à frente, o peito estufado, os olhos fixos na Ricardo por um tempo longo demais para ser educado. A fúria contida dele era palpável. Ele sabia que o homem de SUV e camisa de linho à sua frente não tinha a menor ideia de que aquele "flanelinha" tinha possuído a esposa do amigo dele um dia antes.
O Zé, por outro lado, focou em mim. Ele não parecia zangado. Ele parecia divertido.
— Boa noite, patrão — o Zé disse, dirigindo-se a mim com uma cortesia excessiva, quase cínica.
O Zé me tratava como o "corno manso", o homem que assistira à cena no estacionamento e agora estava ali, na frente do amigo, sem coragem de dizer uma palavra. Ele sorria para mim com os dentes amarelados, um sorriso de quem compartilha um segredo sujo.
— Eles estavam nos falando de um restaurante ali perto do estacionamento onde o carro ficou — Letícia continuou, ignorando o clima pesado. — Disseram que é o segredo mais bem guardado da praia. O que você acha, Nane?
A Nane tentou falar, mas a voz falhou no início. Ela pigarreou, as mãos tremendo levemente enquanto ajustava a alça da bolsa.
— Acho... acho que pode ser uma boa ideia — ela disse, sem olhar para o Ricardo ou para mim. — Talvez pudéssemos ir lá amanhã para almoçar antes de voltar.
Eu sentia o "peso do olhar" do Zé. Ele não parava de me encarar, como se estivesse me desafiando a reagir, a contar a verdade, a quebrar o teatro. A memória do que ele me dissera no estacionamento — “confere se eu estou mentindo... come ela e vê se não está arrombada” — ecoava com a força de um trovão na minha cabeça.
Antes que eu pudesse abrir a boca, o Zé deu um tapinha no ombro do Jume e se preparou para sair.
— Bom, já que o pessoal vai embora, que vão todos satisfeitos — o Zé disse, a frase carregada de um duplo sentido que fez a Nane desviar o olhar imediatamente.
Eles se afastaram na escuridão entre as barracas. O Ricardo soltou uma risada curta, cheia de soberba.
— Esse pessoal de praia é todo igual, sempre tentando descolar uma comissão de restaurante. Mas se as madames querem, a gente vai.
O grupo começou a caminhar de volta para o carro. O Ricardo ia na frente, falando sobre o que beberíamos no jantar, ainda se sentindo o rei do mundo. A Letícia ia logo atrás, mas o território estava marcado.
Eu caminhava ao lado da Nane. O silêncio entre nós não era mais o de negação, era o de uma transformação irreversível. O restaurante perto do estacionamento não era um plano de almoço. Era o cenário de um retorno planejado ao local do crime. E o pior de tudo era que, uma parte doentia de mim já estava contando os minutos para ver como aquele encontro terminaria.