A Esposa Virou Puta Para Sustentar O Marido Falido - Parte 1

Um conto erótico de Gil
Categoria: Heterossexual
Contém 4869 palavras
Data: 01/02/2026 03:53:15

Camila chegou ao estúdio na hora marcada. Dizer que ela estava nervosa seria o eufemismo do ano. A ideia daquele ensaio fotográfico tinha sido do marido dela, apesar de ela ter tentado de tudo para convencê-lo a esperar. Eles arranjariam o dinheiro de outro jeito. "Só me dá um tempo pra conseguir um trampo", ela implorou. Tinha aquela entrevista para *hostess* numa balada top na Vila Olímpia dali a alguns dias. Por que diabos ela tinha que fazer aquilo agora? Se pegasse a vaga, os problemas de grana estariam resolvidos num estalar de dedos.

Mas o Fábio sempre perdia a paciência quando tocavam no assunto — o que, no clima atual, acontecia praticamente a cada hora do dia. Ele explicava, repetindo como um disco riscado, que eles não podiam esperar. Precisavam da grana pra ontem, e a oferta do Jorge Ribeiro, o chefe dele, era boa demais para recusar. Era dinheiro vivo, garantido, não a "possibilidade" de um salário num emprego que ela nem sabia se ia conseguir.

E, puta que pariu, como os Fontes precisavam dessa grana. Fábio, aos 35 anos, era um gerente médio num bancão de investimento na Faria Lima. Era casado com a deslumbrante Camila, que tinha sido secretária dele por um breve período. Ela era uma menina de apenas 21 anos. Tinha 19 quando se conheceram, e o safado tinha se dado muito bem "fisgando" aquele avião. A política de *compliance* do banco era rígida: nada de pegação entre funcionários. Então, a lógica ditou que um deles vazasse, e claro que sobrou pra Camila, já que o cargo do Fábio pagava as contas. Ela arrumou um trampo rápido em outro banco, o namoro engrenou e, pouco depois, veio o casório.

Aí, como todo casalzinho de classe média em ascensão, resolveram comprar o casarão dos sonhos num condomínio fechado. Eles não tinham cacife praquilo, mas há alguns anos, o crédito estava fácil, a SELIC estava controlada e o gerente da conta *Private* disse para "alavancarem": financiaram o máximo possível, contando que os bônus gordos de fim de ano (a famosa PLR) cobririam as parcelas pesadas. "Se os juros subirem, seus salários já vão ter subido também", disseram. Como tantos outros trouxas, eles compraram esse sonho e se mudaram para uma casa de cinco suítes em Alphaville, o refúgio dos "Faria Limers".

Mas 2016 era um Brasil muito diferente de 2014. Não só os juros tinham ido pra estratosfera, como a crise econômica e a Lava Jato tinham varrido o setor financeiro. Os antigos titãs do mercado estavam de joelhos, o desemprego comia solto e não demorou para Camila rodar no corte de pessoal. Depois, o facão passou nos gerentes do banco do Fábio, mas, por sorte (ou azar), ele foi um dos poucos poupados. Novos diretores chegaram com sangue nos olhos: meta batida ou rua. Os bônus desapareceram, os salários congelaram. E as parcelas do financiamento do casarão em Alphaville só aumentavam, ficando impossíveis de pagar com uma renda só.

A situação financeira deles, como a de metade do Brasil, foi pro buraco. As economias de Fábio e Camila viraram pó e a conta não fechava. Algo tinha que acontecer. Podiam vender a casa, mas no mercado atual pegariam menos do que a dívida (um desastre), ou podiam atrasar as parcelas e deixar o banco tomar o imóvel. Outro desastre. A única saída era gerar uma nova fonte de renda, e é aí que a jovem Camila entrava na história.

Camila tentou desesperadamente achar trabalho, mas com tanta gente qualificada, com MBA e inglês fluente, dirigindo Uber ou desempregada, estava muito mais difícil do que ela imaginava.

O problema de Camila era que seu maior ativo era o corpo, e ela relutava em usá-lo. Na real, Camila poderia facilmente ser modelo, ou pelo menos uma daquelas *panicats* de luxo, já que era "mignon", com seu 1,60m. Mais do que isso: se quisesse fazer grana de verdade, poderia ser uma estrela do pornô; ela tinha aquela cara de anjo e jeito de safada. Podia ser confundida com alguma atriz famosa do *Xvideos*. Loira, magrinha, rosto angelical, uma bunda empinada de adolescente e o par de peitos mais pecaminoso que se podia imaginar — impossivelmente grandes para aquele corpo pequeno. Aquele par de silicone turbinado 300ml perfil alto nunca passava despercebido pelos homens, que não conseguiam evitar secar o corpo da menina.

Nos últimos seis meses procurando emprego, algumas agências de *casting* sugeriram trabalhos de modelo, insinuando que rolava uma grana preta se ela topasse tirar a roupa. Alguns foram mais diretos e falaram da fortuna que pagavam por cenas explícitas. Ela, claro, sempre recusou. Era tímida demais para mostrar o corpo para qualquer um que não fosse o marido. Tinha casado virgem. O único homem que a tinha visto pelada, com a luz acesa, era o Fábio.

Até hoje.

E fazer filme pornô? Nem fodendo. Meninas respeitáveis de Alphaville, casadas com bancários, não faziam pornô. (Ou assim ela pensava).

Porém, hoje tudo isso ia mudar. E o culpado pela mudança de ideia da pobre Camila? O marido, claro.

Há alguns anos, Fábio tinha entrado para um "clube de fotografia" supersecreto e exclusivo, indicado por um colega de mesa de operações. O único propósito daquilo era satisfazer a fantasia de um bando de marmanjo de tirar fotos de novinhas. Eles pediam para elas se vestirem de colegial, enfermeira, secretária ou só com uma lingerie minúscula. O que desse na telha. Em troca, as meninas recebiam uma bolada. E o valor subia conforme a roupa caía.

Funcionava assim: se a menina não quisesse mostrar os peitos ou a buceta para os tarados, levava um cachê fixo de R$ 1.000 por sessão. Botava a roupa, mostrava um pouco de perna e decote, e pronto. Nada mal para duas horas de "trabalho". Mas, se mostrasse os peitos, ganhava mais R$ 500; a xereca, mais R$ 500; e, para mostrar o cuzinho, um bônus gordo de R$ 800. No total, uma garota podia tirar R$ 2.800 numa sessão de duas horas, fora as gorjetas. Nada mal. Muitas viravam "sócias" do esquema, voltando uma ou duas vezes na semana. Se fossem no "pacote completo" nuas, limpavam fácil uns R$ 6.000 por semana, dinheiro na mão, sem Leão da Receita pra encher o saco.

E de onde vinham essas beldades? O clube anunciava discretamente em fóruns e sites de *casting*. Procuravam "modelos de glamour" interessadas em cachês altos para trabalhos privados. As candidatas mandavam fotos de corpo inteiro e medidas para um e-mail anônimo. Se o corpo valesse o clique, eram chamadas para uma entrevista com o presidente do clube. Tinha uma triagem rigorosa, claro, porque só queriam meninas de "alto nível" — ou seja, gostosas o suficiente para deixar os velhos de pau duro. E não faltava candidata: universitárias da PUC querendo bancar as festas e as drogas; meninas pagando a faculdade; e, por último, mas não menos importante, jovens donas de casa gostosas que queriam apimentar a vida monótona ou precisavam de grana para o supermercado.

E era dessa última categoria que o clube mais gostava: a carne proibida da jovem esposa que se exibia por desespero financeiro. Esse tipo de mulher estava brotando do chão conforme a crise apertava, e eram as mais dispostas a mostrar tudo. Voltavam sempre, conforme a vergonha sumia e a conta bancária engordava. Nenhuma contava para o marido; diziam que o dinheiro vinha de bicos vendendo cosméticos ou fazendo eventos. E, o melhor para o clube: a maioria acabava gostando de se exibir para homens que não eram seus maridos.

No começo, elas só queriam os R$ 1.000 fixos. Vestiam um vestidinho sexy, talvez uma minissaia que mostrasse as pernas, sempre com cinta-liga, meia 7/8 e calcinha fio-dental. As saias eram curtas o bastante para mostrar aquele pedaço de coxa macia acima da meia. Primeiro, pediam para sentar, cruzar as pernas para a saia subir e revelar a renda da meia. Depois, abrir uns botões da camisa social para mostrar o decote e o sutiã de renda preta. Algumas topavam tirar o sutiã, desde que a camisa ficasse. Fazia pouca diferença para os velhos malandros, já que as camisas eram sempre daquele tecido transparente vagabundo que, sob a luz forte do estúdio, deixava ver até a auréola do peito.

Se elas curtissem a sessão básica, quase todas voltavam pensando em repetir a dose. Mas, assim que pegavam confiança nos fotógrafos, na segunda visita — sempre à noite, regada a um bom vinho —, a proposta mudava. Perguntavam se, em vez de R$ 1.000, elas não queriam fazer R$ 1.500 pelo mesmo trampo. Só precisavam mostrar os peitos para um bando de tiozões inofensivos. "Por que não?", elas pensavam. E, num piscar de olhos, lá estavam elas abrindo a blusa e botando os peitos pra jogo.

Era tão fácil que, depois disso, mostrar a bunda e a xereca virava detalhe. Os homens pediam para levantar a saia e mostrar o fio-dental. Elas sempre mostravam. E eram os fios-dentais mais minúsculos que o dinheiro podia comprar. A frente mal cobria a "perereca de casada", e atrás era só um fiozinho perdido no meio das nádegas. Aquelas bundas maravilhosas ficavam totalmente expostas aos flashes.

"Olha, por mais quinhentão, tira esse fio e mostra a buceta pra gente? A gente já tá vendo quase tudo mesmo", eles diziam. *É verdade*, a garota pensava. Provavelmente já estaria na terceira taça de vinho e a calcinha voava longe. E aí vinha a cereja do bolo: R$ 800 para virar de costas, abrir as pernas, puxar as nádegas com as mãos e mostrar aquele cuzinho rosa para a câmera. "Pronto, já ganhou oitocentos contos mais fáceis na vida?"

R$ 2.800 por duas horinhas de trabalho... aquilo pagava o condomínio e acalmava os credores. E como o dinheiro era fácil, na semana seguinte elas estavam lá de novo, e dessa vez sem hesitar. Em cinco minutos de sessão, já estavam só de meia, cinta-liga e salto alto. Talvez vestissem um *body* transparente que deixasse os peitos gritando. Pediam para elas apertarem os seios, levantarem o *body* ou tirarem tudo. No fundo, elas ficavam felizes em fazer o que aqueles homens queriam e exibir seus corpos jovens e enxutos. A maioria topava abrir as pernas e deixar os caras darem *zoom* na buceta, ficar de quatro, empinar a bunda pro ar. Recebiam ordens para estufar o peito e lamber os próprios mamilos até ficarem duros como pedra. Todas, sem exceção, obedeciam.

Mas parava por aí. Nenhum dos homens tocava nas meninas e não rolava sexo, nem entre elas, nem com os membros do clube. Isso era estritamente proibido. Pelo menos *naquele* clube.

Pois havia um outro clube, um do qual Fábio não era sócio: o **Clube Platinum**.

A adesão ao Platinum era estritamente apenas por convite. E conseguir um convite era quase impossível. Pelo que Fábio conseguia pescar nas conversas de corredor, parecia que os sócios atuais precisavam estar convencidos, primeiramente, de que você tinha *status* suficiente na sociedade. Estamos falando de gente do alto escalão: desembargadores, generais da reserva, diretores de estatais, *CEOs* de multinacionais... Os verdadeiros "donos do Brasil". E, em segundo lugar, você tinha que ter bala na agulha para bancar a brincadeira.

Veja bem, toda a grana paga às meninas do clube "Júnior" saía, na verdade, do bolso dos sócios do Platinum. Eles pareciam felizes em subsidiar os ensaios iniciais. No começo, quando um novato entrava no clube Júnior, essa caridade parecia difícil de entender. Por que diabos aqueles figurões pagariam tanto dinheiro só para ver fotos de meninas tiradas por terceiros? Mas logo um padrão emergia. As garotas apareciam para no máximo três ensaios e, depois, nunca mais eram vistas pelos membros juniores.

Nos ensaios iniciais, apenas um Sócio Platinum estava presente. Eles estavam lá como "supervisores", para garantir que as regras estritas do clube Júnior (nada de toque, nada de sexo) fossem seguidas à risca. Esses supervisores eram sempre um grupo seleto de quatro pessoas (Jorge era um deles) e faziam um rodízio, cada um cuidando de uma garota diferente.

No terceiro, ou às vezes já no segundo ensaio (dependendo do desempenho da moça), um *outro* Sócio Platinum chegava para observar. A identidade desses homens nunca era revelada aos membros juniores. Eram sempre homens de meia-idade ou mais velhos, distantes, com ar de quem tinha motorista particular e jatinho. Eles nunca se davam ao trabalho de falar com a "piaba" dos fotógrafos juniores. Nunca tiravam fotos. Apenas sentavam no fundo da sala, fumando um charuto cubano, bebericando um *Blue Label*, falando quase nada e, aparentemente, avaliando a mercadoria. Com que propósito? Ninguém sabia ao certo, mas todos imaginavam.

Depois que o ensaio acabava, longe dos ouvidos dos juniores, mas acompanhado do supervisor (como o Jorge), o homem misterioso conversava com a garota. Depois disso, a menina desaparecia. Era óbvio que ou ela tinha topado virar modelo exclusiva do Platinum, ou, se tivesse recusado, nunca mais era convidada para o clube Júnior. Em um mês, outra garota surgia e o ciclo recomeçava: ensaio básico, *striptease*, conversa com o figurão, desaparecimento.

Os membros juniores nunca ficavam sabendo dos detalhes, porque os Platinum mantinham um silêncio de máfia sobre o que ofereciam. Qualquer tentativa de perguntar sobre o "andar de cima" resultava num corte seco: "Não se meta onde não foi chamado, se quiser continuar aqui".

Às vezes, muito raramente, um membro júnior sumia e ficava claro que tinha sido "promovido" ao Platinum. Uma condição da promoção parecia ser o corte total de laços com os antigos colegas de fotografia. E, apesar das amizades feitas ao longo dos anos, o que quer que o Platinum oferecesse parecia valer o preço do isolamento.

O que rolava lá? Os juniores só podiam chutar, mas não precisava ser um gênio para sacar que as meninas eram convidadas a "subir o nível" para os sócios mais velhos e mais ricos. Supunha-se que a coisa era bem mais explícita e que, talvez, o veto à atividade sexual fosse levantado. Mas, apesar de todo o esforço de Fábio em descobrir, ele nunca teve certeza.

Fábio estava contente em ser apenas um fotógrafo do clube Júnior. Tirar fotos de novinhas peladas já era ótimo. Quando casou, mentiu para Camila sobre onde passava aquelas noites, mas acabou confessando a verdade. Ela não ligou; estava tão apaixonada que relevou. E, quando ele a convenceu de que nunca encostava um dedo nas modelos, ela parou de pensar no assunto.

Isso, claro, até hoje, enquanto ela estava parada na porta do estúdio discreto na Vila Madalena.

Apesar do bom senso gritando contra, ela tinha sido persuadida por Fábio a modelar. Ele fez as contas: depois de um ensaio básico e dois mais reveladores, eles levantariam uns R$E, com a autoestima inevitavelmente turbinada, ela poderia começar uma carreira de modelo. Era o plano perfeito, dizia ele: ele estaria lá com ela o tempo todo, nada de ruim poderia acontecer, fariam uma grana rápida e, com as fotos profissionais, montariam um *book* para lançá-la no mercado. Adeus, problemas financeiros!

E havia um bônus adicional para Fábio. Um bônus muito, muito interessante. Seguindo a lógica, após o terceiro ensaio, quando ela inevitavelmente recebesse o convite para o Platinum, ela poderia descobrir o que exatamente eles ofereciam antes de recusar educadamente.

Para o plano funcionar, Fábio deixou claro para a esposa: **ninguém** no ensaio poderia saber que ela era mulher dele. Isso era estritamente proibido, por razões óbvias. Ele sabia que o clubinho dele era apenas uma peneira para o evento principal. Se uma esposa de sócio entrasse no circuito, o segredo do que acontecia lá, e com quem, poderia vazar. Embora alguns colegas com quem ele tomava chope soubessem que ele era casado, Fábio tinha certeza de que nenhum deles jamais tinha visto Camila. Nem mesmo seu chefe, o Jorge, conhecia a esposa dele; Fábio nunca tinha levado nem uma foto dela para a mesa do escritório.

Assim, o "brilhante" Fábio bolou o esquema. Primeiro, enviou as fotos de Camila para a caixa postal anunciada na revista que o clube usava. Como ela era deslumbrante, a entrevista inicial foi inevitável. E, de fato, uma semana depois, chegou um e-mail para Camila marcando uma conversa num bar discreto de um hotel nos Jardins. A aprovação foi mera formalidade e ela foi convidada para o ensaio. Deram a data, e Fábio garantiu que seu nome estivesse na escala de fotógrafos daquele dia. Apenas quatro fotógrafos, incluindo o supervisor, eram permitidos por sessão, para não intimidar a "carne nova".

Além disso, Fábio prometeu que ela não precisaria fazer nada que não quisesse. Se sentisse que a coisa estava saindo do controle, poderia parar tudo. Ele jurou que, se necessário, acabaria com a palhaçada na hora, mandando os outros caras se afastarem. Disse até que revelaria a todos que ela era sua esposa para resgatá-la, mesmo que isso significasse sua expulsão sumária do clube e o fim de sua carreira no banco.

Camila concordou. E foi assim que essa esposa linda, tímida e nervosa se viu diante da porta de um estúdio fotográfico. Ela sabia que lá dentro haveria até quatro homens — um deles seu marido — e que esperavam que ela vestisse uma roupa de vadia, à escolha deles, e mostrasse o máximo possível do corpo. Quanto mais, melhor. Em toda a sua jovem vida, nunca tinha sentido tanto medo quanto naquele momento, enquanto sua mão trêmula se erguia para tocar a campainha. Hesitou por um segundo, respirou fundo, e apertou o botão. Mal sabia ela que, a partir daquele instante, sua vida e a de seu marido nunca mais seriam as mesmas.

Depois de um minuto que pareceu uma eternidade, a porta se abriu.

Lá estava Jorge, olhando de cima para a beldade inocente.

— Ah, Camila, estávamos te esperando. Por favor, entre. Fique à vontade — disse Jorge, com sua voz suave, mas acostumada a dar ordens.

Jorge beirava os 50 anos, alto e em ótima forma. Tinha praticado muito judô e tênis na juventude, o que lhe dera ombros largos, e a musculação regular mantinha tudo no lugar. Embora tivesse o corpo de um cara de trinta e poucos, a idade cobrava seu preço de outras formas: os cabelos loiros já estavam prateados, dando-lhe aquele ar de "raposa velha". O rosto, embora marcado por algumas linhas de expressão de quem viveu muito, ainda era impressionantemente bonito — um fato que não passou despercebido por Camila.

Quando Camila o cumprimentou com um aperto de mão firme, olhou naqueles olhos azuis e viu os traços gentis do rosto dele. Naquele momento, sentiu um peso sair de seus ombros e o nervosismo diminuir um pouco. Ela esperava dar de cara com um bando de velhos gordos, suados, barbudos e pervertidos (tirando o Fábio, claro), babando enquanto tiravam fotos do seu corpo jovem. Mas Jorge... Jorge parecia um lorde. Tinha classe.

Jorge não era nada do que Camila esperava. Alto, bonito, bem-vestido, com aquele jeito de executivo que poderia passar por um tio simpático num almoço de família — ou, se ela forçasse a cabeça, até por alguém que lembrasse a figura do próprio pai. O tipo de homem que, na primeira impressão, não parecia um tarado; parecia “seguro”. Se ela soubesse.

Enquanto conduzia Camila pelo corredor estreito, Jorge manteve a voz baixa, polida, e um sorriso quase automático. O toque dele, porém, era calculado: uma mão na lombar, um pouco acima do quadril, guiando-a com firmeza demais para alguém que estava “só sendo gentil”. O gesto durou pouco, mas foi o suficiente para fazer o estômago de Camila contrair, aquela sensação física de que alguma coisa estava fora do lugar e, mesmo assim, todo mundo fingia normalidade.

Ele olhou rápido para a roupa dela e, por um segundo, pareceu satisfeito. A maioria das meninas, segundo Fábio, chegava de jeans e blusa larga, tentando parecer “comportada” até entender o ambiente. Camila, sem perceber, tinha ido para o oposto: uma microssaia jeans clara, grudada no corpo, camiseta laranja justa e salto alto branco. Não era vulgar em um bar de sábado; ali, dentro daquele corredor abafado, parecia um convite involuntário — e ela odiou sentir que alguém podia ler seu corpo como um “sim”.

Na porta do estúdio, Jorge abriu caminho e fez o gesto de “primeiro você”. E, como se fosse casual, deixou a mão escorregar por um instante a mais quando ela passou. Um toque rápido, indevidamente íntimo. Camila travou por dentro, mas engoliu em seco e se disse que tinha sido sem querer. Só que Jorge não pediu desculpas. Nem recuou com pressa. Ele apenas seguiu andando, como quem marca território e confia que o outro vai aceitar para não causar cena.

O estúdio era menos glamouroso do que ela imaginava: fundo infinito, luzes fortes, um tripé, uma cadeira simples. E ali estava Fábio — câmera na mão, fingindo ajustar uma lente, como se aquilo fosse mais uma quarta-feira qualquer. Camila sentiu o coração bater diferente ao ver o marido. Um alívio e uma traição ao mesmo tempo.

Só que tinha mais uma surpresa: além de Jorge e Fábio, havia apenas um outro homem.

Camila tinha esperado pelo menos dois fotógrafos “juniores”, como Fábio descrevera. E, na cabeça dela, seriam homens mais novos, caras do mercado financeiro querendo pagar de artistas. O homem ali era o contrário. Ele se levantou com calma, sem pressa, como alguém acostumado a ser obedecido antes mesmo de abrir a boca.

— Boa noite, minha querida. Um prazer. Eu sou o general Frederico Jackson… mas pode me chamar de general.

A voz dele era educada, sim, mas com aquela cadência de comando que faz a gente endireitar a postura sem perceber.

— Oi… general — Camila respondeu, oferecendo a mão.

Ele apertou a mão dela por um segundo a mais do que o necessário, olhando para o rosto dela como quem avalia um documento. Não havia sorriso. Havia medida.

— E este é o Fábio — disse o general, virando-se para apresentar como se estivesse numa sala de reuniões.

O casal se cumprimentou com um aperto de mão desajeitado, cheio de medo de errar o papel.

— Prazer, Camila — Fábio disse, numa voz que tentou soar neutra e falhou por pouco.

Camila notou o detalhe: ele estava nervoso. Não era o nervosismo de quem tem tesão numa fantasia. Era o nervosismo de quem percebeu que o plano saiu do trilho e não sabe mais onde está o freio.

Fábio também estranhara desde o início. O general não era “júnior”; aquele homem tinha o tipo de presença que só aparece quando o jogo é outro. E dois figurões no que deveria ser um ensaio de entrada… isso não fazia sentido. Quando ele chegou, teve um segundo de pânico: e se ele tivesse confundido a data e invadido uma sessão de “outro nível”? Mas Jorge, com aquela calma cínica, garantiu que estava tudo certo, que “depois explicavam”. Não tranquilizava. Só empurrava o problema para frente.

O general cortou o ar com a primeira ordem:

— Imagino que, na entrevista, tenham explicado as regras e a estrutura de cachê. Quer que eu repita ou podemos começar?

Camila olhou para ele. Frederico era alto, magro, bem cuidado. Tinha pelo menos sessenta. O cabelo preto parecia… perfeito demais, como se a natureza não tivesse permissão para mexer. O rosto era severo, mandíbula marcada, e um olhar que parecia acostumado a decidir destino de gente. Havia algo duro nele — e, contra a própria vontade, Camila percebeu que essa dureza tinha um magnetismo.

— Não precisa explicar de novo — ela respondeu, doce, quase automática. Ela não queria contrariá-lo.

— Ótimo. Então vamos começar. Sem mais demora — o general apontou para uma porta lateral. — Você vai se trocar ali. Seu figurino está preparado. Vista exatamente o que está separado. Se não vestir, encerramos o acordo. Entendeu?

Camila sentiu o “encerramos” como se fosse “não tem conversa”. A palavra “acordo” também soou como outra coisa: não era um trabalho; era uma permissão.

— Entendi, general.

Ela passou reto por Fábio sem olhar para ele. Se olhasse, talvez se lembrasse que podia ir embora. Talvez pedisse socorro. Talvez o marido se visse obrigado a escolher entre dinheiro e dignidade, e ela não queria descobrir qual seria a escolha.

Enquanto ela atravessava a sala, os três homens acompanharam com os olhos. Fábio, como marido, sentiu um aperto de culpa e desejo misturados — a cena real, nua de fantasia, era diferente do que ele tinha contado para si mesmo. Já os outros dois… observavam como quem faz inventário.

Camila entrou no camarim e fechou a porta. O som do trinco foi alto demais.

O espaço era pequeno e frio, com um espelho grande e uma arara. Sobre uma cômoda baixa, roupas dobradas com cuidado.

Na arara: um blazer azul-marinho, camisa branca, uma gravata e uma saia cinza curta demais para qualquer ambiente que não estivesse vendendo exatamente aquilo que ela estava ali para vender. Na cômoda: meias 7/8 pretas, cinta-liga, um conjunto de lingerie preta rendada e um par de saltos pretos altíssimos — mais altos do que qualquer coisa que ela já tivesse usado.

A fantasia era óbvia: colegial.

Camila encostou a mão no tecido da saia e sentiu um frio subir pelos braços. Fábio tinha dito que no começo era “vestido sexy, nada de fantasia, tudo tranquilo”. O que estava ali era o contrário: um atalho direto para o imaginário doentio de homem velho que quer se sentir dono da inocência alheia. Ela odiou isso — e odiou mais ainda o fato de, por um instante, o próprio corpo reagir ao risco, ao proibido, à sensação de estar sendo empurrada para um papel.

Ela respirou fundo, encarou o espelho e viu as próprias bochechas um pouco pálidas.

Dava para ir embora. Agora. Abrir a porta, dizer que mudou de ideia, pegar a bolsa e sumir.

Mas a voz do general voltou à cabeça, como uma mão fechando em torno do pulso: “vista exatamente o que está separado”.

E então outra realidade apertou junto: a parcela da casa, a fatura do cartão, o condomínio, o medo de perder tudo. Não era só vergonha. Era pânico financeiro. O tipo de pânico que faz gente decente aceitar coisa indecente, só para ganhar mais uma semana.

Camila pegou o celular. A tela acendeu, refletindo no espelho.

Ela quase mandou mensagem para alguém — uma amiga, uma prima, qualquer pessoa. Mas a vergonha travou os dedos. Como explicar? Como admitir que estava num estúdio, prestes a vestir uma fantasia de colegial para desconhecidos?

Em vez disso, ela desligou o som do aparelho, colocou no modo avião e enfiou no fundo da bolsa. Não queria distração. E, se ela fosse embora, não queria rastros.

Tirou a roupa devagar, como quem tenta não acordar um monstro. Vestiu a camisa, depois a gravata. A saia cinza ficou curta, expondo mais do que ela queria. As meias e a cinta-liga deram o golpe final: de repente, o espelho devolveu uma versão dela que parecia outra pessoa — uma versão montada para agradar.

Quando terminou, calçou os saltos pretos e ficou um segundo imóvel, tentando acostumar o corpo ao equilíbrio precário. O salto deixava sua postura mais tensa, a coluna ereta à força, como se até o corpo tivesse que obedecer.

Lá fora, ela ouviu vozes abafadas — o general falando algo sobre luz e ângulo, Jorge respondendo com poucas palavras, e Fábio fazendo um “sim” que parecia pequeno.

Camila encostou a mão na maçaneta. A pele estava fria.

Abriu a porta.

A sala ficou silenciosa por uma fração de segundo. Não foi um silêncio de admiração inocente; foi o silêncio de quem confirma uma aposta.

O general foi o primeiro a reagir, sem elogio, sem gentileza.

— Muito bem. Vamos começar.

Jorge inclinou a cabeça, satisfeito demais, e fez um gesto com a mão para ela ir até a marca no chão, como se ela fosse parte do mobiliário do estúdio.

Fábio ergueu a câmera. Por trás da lente, ele tentou ser marido e fotógrafo ao mesmo tempo — e falhou nos dois papéis. O olho dele tremia. A mão, também.

Camila caminhou até a marca e parou. Sentiu as luzes no rosto e o calor subir pela nuca.

— Primeira regra — disse o general, seco. — Você só faz o que estiver confortável em fazer. Mas você responde com clareza. Sem rodeio. Se disser “não”, é “não”. Se disser “sim”, é “sim”. Entendido?

Camila assentiu, agarrando-se à frase como se fosse uma tábua no mar. Pelo menos aquilo soava como controle.

— Entendido.

Jorge se aproximou um passo, ficando perto demais.

— Perfeito — ele disse, gentil demais.

E, naquele contraste — a ordem rígida do general, a doçura venenosa de Jorge, o silêncio nervoso de Fábio — Camila entendeu que o perigo real não era a roupa. Era a dinâmica. Era a sensação de que aquele lugar tinha regras próprias, e que as regras podiam mudar a qualquer momento, dependendo de quem entrasse pela porta.

***

[CONTINUA!]

Nota: pessoal, a dinâmica nessa série (por ser experimental, apenas uma demo) será a seguinte: caso tenha uma boa aceitação dos leitores (comentários e estrelas) eu publico a próxima parte e assim por diante!

Por enquanto publicarei essa versão demo e acompanharei a aceitação de vocês enquanto concluo as minhas outras séries.

Então, por favor, se curtirem, deem o número que acharem adequado de estrelas e faça um comentário qualquer (seja crítico ou elogiando).

Obrigado,

contradio

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Comentários

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Top!!! Interessante demais!!! Siga com as narrativas!!!

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Não curti, é um canalha q se diz marido, q tinha q proteger a todo custo sua amada esposa, mas ao invés disso, a transforma numa vadia com pressão psicológica e manipulação, e ele se torna o cafetão dela, mostrando q ele não vale nada como marido

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Fábio não sabe onde tá se metendo? Luxúria e poder podem facilmente fazer um casal se perder. Com certeza o general vai fuder essa casada.

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Beco sem saída...dinheiro fácil...a entrega será total!

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Interessante a história mas esse Fábio só mais um corno querendo levar chifre e conseguiu, só um otario idiota acreditaria que eles não saberiam que ela é esposa dele, um esquema desses e eles não investigaram a vida de todas as moças antes delas serem convidadas? Faz me o favor né?

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