O dia amanheceu com um enorme dilúvio lá fora. Não parava de chover. Becca tomou café usando vários cobertores para tentar se esquentar daquele frio. Ela desceu para o porão e ouviu o barulho da máquina de seu pai, que trabalhava freneticamente. Ao chegar lá embaixo, levou um susto.
— Pai, por que o senhor está pelado?
— Ah, filha, já acordou? Eu costumo buscar inspiração quando estou totalmente nu.
— Como você consegue inspiração estando nu?
— Ora, simples. Se eu sentir o meu pau ficar duro e ereto, é sinal de que a história está bastante excitante. Você devia fazer o mesmo. Tire a roupa e comece a escrever.
— Não, prefiro ficar com roupa. Ainda mais nesse frio.
— Você quem sabe... Aqui está o pagamento por aquele conto que você fez do vampiro e do lobisomem.
Becca olhou para as notas.
— Só isso? Achei que pagaria mais.
— A história não vendeu legal. A maioria dos leitores odiou. Se o vampiro e o lobisomem fossem irmãos, acho que venderia mais. Melhor focarmos no tradicional, que é bem melhor. Você foca na filha safada e eu foco no pai tarado.
Becca entrou em um modo sem criatividade. Depois do conto de vampiro, ela não teve mais ideias para nenhum tipo de história. De repente, a porta bateu.
— Vai atender, filha. Deve ser o carteiro. Sua mãe falou que iria mandar algumas cartas.
No meio daquele "fim do mundo", a única comunicação que conseguiam era através de cartas. Becca abriu a porta; um homem gordo e barbudo entregou alguns papéis e foi embora. Eram apenas contas e mais contas.
Becca voltou para o quarto e começou a tirar toda a roupa. Ficou nua, sentada em frente à mesinha e, de repente, veio a inspiração.
"Melissa ouviu um barulho na porta e correu para atender. Mas lembrou-se do que seu pai tinha dito antes de sair: não abrir a porta para estranhos.
— Quem é?
— Sou o vizinho. Seu pai está em casa?
— Não, ele saiu.
— Então você está sozinha?
— Sim, estou sozinha.
— Foi seu pai quem me mandou vir aqui buscar algo que ele esqueceu... Abra a porta.
— Ah, por que não disse antes?
Ao abrir, foi surpreendida por um homem alto e forte, com os músculos bem definidos. Ele tampou a boca dela e a ameaçou com uma faca.
— Se gritar, eu corto sua garganta, sua putinha.
— O que o senhor vai fazer comigo? Por favor, senhor, não me estupra.
— Está me achando com cara de estuprador?
Melissa não sabia como era a cara de um estuprador, pois nunca tinha visto um; então, ficou sem resposta. Apenas respirou ofegante, rezando para que aquela faca não encostasse em sua pele.
— O que o senhor quer?
— Quero dinheiro. Passa tudo o que tem!
Percebeu que era apenas um assalto. Ela o levou até as coisas de valor naquela casa. O bandido pegou um saco e pôs tudo o que encontrava de valor. Ele estava tão distraído que nem percebeu o golpe que recebeu na cabeça e caiu desacordado. Melissa quebrou um abajur na cabeça dele.
Mais tarde, o pai chega e vê um homem totalmente pelado e amarrado na sala.
— Melissa, que diabo é isso?
— Um bandido, pai. Ele queria assaltar a casa, mas consegui prendê-lo.
— Ele te estuprou? Fez algum mal a você?
— Não, pai. Ele não quis me estuprar, apenas roubar.
— Menos mal... já que ele está assim, poderíamos aproveitar, não é?
— O que está pensando, pai?
— Ele merece uma lição. Um castigo...
O pai pegou o chicote e a filha, a corrente. O bandido ficou desesperado ao vê-los com aqueles instrumentos... a pequena punição estava apenas começando."
Becca gostou do que tinha escrito. Ficar pelada para escrever deu certo; logo se encheu de criatividade. Vestiu um roupão e foi até o porão mostrar ao pai.
— Adorei, filha! Você poderia ter ido ao clichê e feito apenas uma história de estupro, mas fez algo diferente e criativo. Adorei esse lance de pai e filha punirem o assaltante. Só precisa lapidar melhor esse conto. Pode deixar o resto comigo.
— Tive essa ideia de repente. Eu fiquei pelada e realmente funcionou.
— Você escreveu pelada? Você ainda está pelada?
— Sim, só usei o roupão... Nossa, que frio. Melhor vestir uma roupa.
— Deixa que eu termino o conto. Se quiser, durma um pouco.
— Obrigada, pai.
Lá foi ela tirar um cochilo naquele dia frio.
Becca só acordou na hora da jantar. Ela chega na cozinha com cara de sono e faminta.
— Pelo visto, está gostando de ficar nua.
— Nossa, nem percebi que estava sem roupa. Tive um sonho daqueles.
— Sonhou com o papai?
— Dessa vez, não. Sonhei com a mamãe.
— Hum, interessante. Vocês duas faziam sexo juntas?
— Não, pai. Eu apenas via minha mãe fazendo sexo grupal com vários homens ao mesmo tempo. Eu só era voyeur.
— Ah, isso me lembra a época de ouro da juventude. Sua mãe gostava de swing.
— Sério? Ela não parece do tipo que curte essas coisas.
— Hoje ela está velha e puritana. Mas, na época, quando tinha a sua idade, sua mãe era considerada a maior libertina desta cidade. Ela adorava sexo como ninguém. Tinha um diário apenas para anotar os nomes dos homens com quem se envolveu. E preencheu quase todas as cem e poucas páginas. Até hoje desconfio se você não é fruto dessas aventuras. Ela poderia muito bem ter engravidado de qualquer um deles.
— Pai, não fale assim. Eu sou sua filha, sim. Se não fosse, mamãe teria contado.
— De qualquer forma, parece que você puxou o lado libertino da sua mãe e o talento para a escrita do seu pai. Juntando os dois, é a combinação perfeita.
Depois do jantar, Becca voltou para o quarto e teve uma nova inspiração, que datilografou no papel:
"— Mãe, que bom que chegou. Faz tempo que não a vejo...
— Não mude de assunto, Melissa! Que diabo você está fazendo pelada em cima do seu pai?
— Nada, mamãe... Eu só estou massageando as costas dele.
— Pelada?
— Não estou pelada. Estou de toalha. É que eu... acabei de sair do banho.
— Então você saiu do banho, pôs uma toalha e decidiu massagear as costas do seu pai montada em cima dele?
Melissa não teve saída a não ser contar a verdade:
— Confesso, eu não estava massageando as costas do meu pai. Estávamos fazendo sexo, mas você chegou de repente e tivemos que mentir.
— É isso mesmo, minha esposa. Eu estava fodendo a buceta da nossa filha.
A mãe de Melissa enlouqueceu. Avançou na filha, puxando-a pelos cabelos, arrastando-a pelo chão e enchendo-a de tapas.
— Como ousa fazer isso, sua puta? Ele é meu marido! Meu marido!"
Becca estava tão cansada que acabou adormecendo em cima da mesa.