1 – O GUERREIRO E O DESCONHECIDO
Era tarde da noite quando Beto chegou na cabana e encontrou aquele jovem deitado em sua cama
Meio aturdido pelo barulho dos trovões, ele ficou parado na porta antes de entrar, buscava entender o que estava acontecendo e procurando reconhecer quem ali estava.
Ele farejou mas não reconheceu o cheiro do rapaz, apenas um cheiro era notável, o cheiro de sangue
Ali, parado, encharcado pela água da chuva, a porta aberta, raios iluminaram o pequeno cômodo rodeado por quinquilharias e relíquias do passado.
Ele entrou fechando a porta.
Os raios romperam as frestas no telhado, iluminando o cômodo,
A cada novo raio que brilhava forte lá fora, ele observou detalhes daquele intruso, seus cabelos loiros iluminados pelo brilho da luz reluziam
Aquele jovem deitado em sua cama dormia profundamente, o corpo era pequeno, porém bastante forte, músculos saltavam de seu abdômen trincado, branco e de pele quase pálida.
Beto aproximou-se da cama calmamente, a cada passo sentia algo diferente, seus olhos negros e ferozes acostumado com a noite escura via claramente a silhueta daquele garoto.
Todo molhado da água da chuva, sentia seu coração bater forte
Tum tum, tum tum, tum tum
As batidas aumentavam em seu peito forte e musculoso, fazia tempos que não encontrava outro ser
E ali estava, um total desconhecido deitado em sua cama.
Beto estendeu a mão e tocou a testa do jovem, afastou uma mecha de cabelo loiro do rosto daquele garoto. A água gelada escorreu pelo seu braço pousando na testa do garoto que acordou com o toque da água gélida da chuva
Ao abrir os olhos, o jovem tomou um grande susto, como a casa estava escura, ele avistou apenas uma silhueta negra parada ao lado da cama na qual ele descansava
Mesmo fraco e sem forças ele tentou gritar, mas nenhum som saiu da sua boca, perderá totalmente a voz.
Vendo tamanho susto nos olhos azuis daquele jovem garoto Beto falou
- Não tenhas medo jovem, não lhes farei nenhum mal.
Aquela voz era grave e firme
Um grande raio acendeu a luz no quarto, a penumbra se dissipou por um instante , a silhueta ganhou formas, aquele homem de pele negra e olhos ferozes brilhou como a última estação do inverno
Os olhos negros e amendoados escondia sua identidade.
A luz se foi, a penumbra voltou.
Beto pegou a lamparina e ascendeu, clareando aquele pequeno cômodo
A chuva cai pesada lá fora, o tilintar das gotas no telhado era música para quem precisaria de uma boa noite de sono
Agora com o quarto mais claro, ele pôde ver melhor aquele garoto em sua cama
O cheiro de sangue era inconfundível para um caçador tão formidável
O jovem, agora desacordado, imóvel, sangrava por um ferimento profundo no ombro esquerdo
Um golpe que mais se parecia feito por uma espada o ferira gravemente o deixando em estado grave,
Foi ali, naquela cama, que o guerreiro o encontrou quase desfalecido pela perda de sangue
Beto é um guerreiro, experiente em batalhas e com os conhecimentos adquiridos em anos de exílio, correu rapidamente, rompendo a pequena sala em direção a cozinha, pegou uma vasilha que estava largada, colocou embaixo da torneira e a ligou
Pegou alguns panos e voltou em direção a cama, tropeçou em um objeto que reluziu um brilho tênue
Mas não deu importância, sua preocupação e atenção estavam voltadas para aquele estranho deitado em sua cama
Beto aproximou-se da cama, molhou alguns panos e começou a limpar o ferimento do jovem garoto
A cada toque ele sentia seu coração fazer
Tum tum, tum tum, tum tum
O jovem desmaiara pela perda de sangue, inconsciente do que ali estava acontecendo
Beto continuou a limpar aquele ferimento, enquanto procurava algo insistentemente, sua visão encontrou o que procurava no canto esquerdo da sala
Ele levantou e foi até um armário, pegou algumas ervas e as misturou com água em uma pequena cuia, pisou com um pequeno porrete, transformando o material em uma pasta pegajosa
Voltou para o jovem e colocou aquela pasta em seu ferimento.
O envolveu em ataduras fixas para não soltar
As ervas eram medicinais e anestésicas, mas ele levaria alguns dias para se curar.
Ele com cuidado trocou os panos da cama, deixando o mais confortável possível
Agora o jovem dormia profundamente.
Após tratar do jovem ele lembrou que estava encharcado da chuva
Levantou, recolheu todo o material sujo de sangue e jogou fora
Tirou a parca de couro e a dispensou ao lado, tirou a camisa exibindo aquele peito negro, forte e sem pelos
Levou a mão ao cinto, desafivelou e depositou em cima da mesa um objeto pesado comprido, o cabo era de cobre enegrecido, detalhes adornados em formatos de estrelas e meia lua banhados a ouro
Ele olhou o cabo admirando que reluziu tênue ao brilho da luz
Em seus olhos, o orgulho de ser um guerreiro e o pesar por está em exílio
Beto levou a mão a calça de couro e atirou
Exibindo um corpo forte e musculoso, com pernas grossas e ágeis
Só de cueca ele desfilava em direção ao pequeno banheiro nos fundos da cabana
Entrou, deixando aberta a porta de madeira
Ligou o chuveiro e deixou a água cair em seu corpo
Examinou o braço, marcado por ferimentos adquiridos em batalha e exibindo as costas nuas, orgulhoso por nunca ter sofrido ferimentos, pois, em mais de trezentos anos, nunca fugira a luta.
Beto saiu do banho completamente pelado, foi até o pequeno guarda roupa, tirou uma toalha e começou a secar o corpo
Pegou uma cueca no fundo da gaveta e a vestiu
Um volume formou na frente, desenhando o formato do seu órgão que pesava.
Pegou uma bermuda de linho curtido e a vestiu
Sem camisa ele caminhou até a cama, olhou novamente aquele jovem deitado em sono profundo
Examinou cada detalhe e memorizou o seu cheiro
Como guerreiro e excelente caçador, aquele cheiro jamais ele esqueceria e poderia encontrar o jovem a quilômetros de distância caso fosse o caso.
Ele examinou o curativo novamente.
- Tudo está em ordem, graças ao senhor meu Deus. Mas quem será você jovem e o que lhes terá acontecido?
Essas perguntas ele só as teria, quando o jovem homem recobrar a consciência
Beto caminhou até a mesa onde depositara o objetivo, estendeu a mão, a puxando pelo cabo enegrecido, tirou da bainha e admirou seu brilho tênue a luz da lamparina
Examinou o fio da navalha, seus olhos mostravam o orgulho de empunhar tamanha glória, em suas memórias, as lembranças das batalhas travadas e do esplendor da vitória
Ele caminhou de volta ao quarto e sentou em uma poltrona próximo a cama, apagou a lamparina e montou guarda, pois quem quer que tenha machucado aquele jovem, poderia voltar para dar cabo dele por definitivo