Conspiração 10.

Um conto erótico de Lukinha
Categoria: Heterossexual
Contém 7481 palavras
Data: 14/02/2026 14:10:03
Última revisão: 14/02/2026 15:01:32

No presente:

Me levantei devagar, calcei o chinelo e desci sem fazer barulho. Meus pais estavam ocupados, cada um no seu canto. Aproveitei e saí pela porta dos fundos. Caminhei pelo jardim. O cheiro de terra molhada, o barulho distante da rua, o mesmo quintal onde eu brinquei quando criança. Tudo parecia no lugar. Menos eu.

Procurei um ponto mais afastado, perto do muro, onde ninguém pudesse me ouvir. Peguei o celular, respirei fundo e fiz a ligação. Mateus, meu braço direito, atendeu rápido demais. Como se estivesse esperando.

— Sou eu — disse, direto. — Preciso que venha até aqui.

Houve um breve silêncio do outro lado.

— Como você está?

— Vivo. Fora da cela. O resto a gente resolve.

Parei por um segundo, escolhendo as palavras.

— Traga tudo. Tudo mesmo. O que você conseguiu levantar desde o dia em que fui preso. Relatórios, arquivos, anotações, nomes … não deixe passar nada.

— Certo. — Ele respondeu, sério. — Quando?

— Hoje. O quanto antes. Agora, se possível.

— Entendi.

Encerrei a ligação antes que ele dissesse mais alguma coisa. Guardei o celular no bolso e fiquei ali, olhando para o jardim escuro, sentindo o peso da decisão se acomodar dentro de mim. Até ali, eu tinha sido levado pelos acontecimentos. Reagido. Sobrevivido. A partir daquele momento, não mais. Era hora de ser ativo. Agente direto da minha própria investigação.

Eu ainda respondia a um processo. Ainda tinha gente querendo me ver cair. Ainda havia verdades mal contadas, versões distorcidas convenientemente, peças fora do lugar. Mas, desde que tudo começou, eu não estava mais apenas tentando sair do fundo do poço. Eu estava pronto para descobrir quem tinha me empurrado.

Continuando:

Mateus chegou quarenta minutos depois. Pontual como sempre. Não tocou a campainha. Mandou mensagem. Eu mesmo fui até o portão lateral. Ele estava com uma mochila preta nas costas e uma pasta grossa debaixo do braço, o rosto sério demais.

— Trouxe tudo o que consegui juntar. — Ele disse, baixo, antes mesmo de eu perguntar.

Assenti e fiz sinal para entrarmos pelos fundos. Não queria plateia. Não queria curiosos. Meus pais estavam na sala. Mariana ainda dormia no meu quarto de infância. Seguimos para o fundo do quintal, um galpão antigo, escritório/oficina do meu pai, um cômodo pequeno que ele usava para guardar ferramentas e documentos antigos. Fechei a porta.

Mateus largou a mochila sobre a mesa e começou a retirar envelopes, cópias, um pen drive, um caderno de anotações e o meu notebook profissional.

— Eu fiz backup de tudo antes de qualquer coisa. — Ele explicou. — A polícia levou o seu computador de mesa da agência, mas eu tinha cópias na nuvem. Comecei a cruzar algumas informações por conta própria.

Senti um misto de orgulho e alívio. Eu tinha escolhido bem meu braço direito.

— Começa do início. — Pedi.

Ele abriu o caderno.

— No dia da prisão, a denúncia anônima foi formalizada às 19:45h. A reação foi rápida demais … incomum.

— Incomum quanto?

— Muito! Rápida demais para a forma como eles costumam agir.

Aquilo já me incomodava desde o começo.

— Continua.

— A faca era da sua casa, mas tem uma coisa estranha.

Meu corpo ficou atento.

— Fala.

— O laudo preliminar diz que não havia digitais completas. Só vestígios parciais no cabo. Nada conclusivo.

Eu fechei os olhos por um segundo.

— Nada anormal.

Mateus completou:

— Na denúncia a informação é diferente. Sua digital consta completa, não parcial. Isso já dá margem para discussão.

Mateus puxou outra folha.

— Tem mais. O vizinho do 602 disse ter ouvido uma discussão masculina pouco antes dos gritos. Mas não soube identificar as vozes.

— Masculina?

— Foi o que ele declarou.

Meu peito apertou.

— Mariana estava em casa naquele horário.

— Sim. Mas o depoimento dela fala que estava dormindo, o que não parece ser mentira.

Eu respirei fundo.

— E as câmeras?

Mateus balançou a cabeça.

— É o que a gente já sabe. Todas te colocam na cena do crime, nos horários certos.

Comecei a andar pelo pequeno cômodo, com as mãos na cintura.

— E o porteiro?

— Disse que você entrou às 19h e alguma coisa, por aí. Sozinho.

— E antes?

— Antes, nada registrado.

Nada registrado. Eu parei.

— E visitantes?

Mateus hesitou.

— Oficialmente, nenhum.

“Oficialmente”. O peso daquela palavra ficou suspenso no ar.

— E extraoficialmente? — Perguntei, encarando-o.

Ele respirou fundo.

— O zelador comentou comigo, em off, que um “amigo seu” passou lá mais cedo naquele dia. Disse que era alguém que frequentava o prédio com certa regularidade.

Meu estômago virou.

— Nome?

— Ele não anotou. Disse que já o conhecia. Que era próximo.

“Próximo?” Meu silêncio foi resposta suficiente para Mateus entender a direção dos meus pensamentos.

— Eu não estou acusando ninguém. — Ele disse, rápido. — Só estou dizendo que tem coisa mal explicada.

Eu encarei os papéis espalhados sobre a mesa. A prisão rápida. As digitais inconclusivas. As câmeras que mentiam. A discussão masculina. O visitante “próximo”. Não havia peças fora do lugar, o que não é comum. Tudo era perfeito demais.

— Tem mais alguma coisa? — Perguntei.

Mateus hesitou de novo.

— Tem uma movimentação bancária estranha na conta da vítima três dias antes do crime. Um depósito alto, vindo de uma empresa de fachada.

— E?

— Essa empresa já apareceu em dois casos antigos seus, da época da polícia.

Eu senti o chão mudar.

— Casos de quê?

— Corrupção interna na corporação. Desvio de verba pública.

Meu passado policial piscou diante de mim como um alerta vermelho. Então não era só pessoal. Talvez nunca tenha sido. Fiquei em silêncio por alguns segundos, absorvendo tudo. Até ali, eu tinha acreditado que estava pagando por erros emocionais. Por traições. Por orgulho. Por escolhas erradas. Mas aquilo tinha cheiro de algo maior. Muito maior.

— Mateus ... — Falei, por fim. — A partir de agora, tudo o que você descobrir, só fala comigo. Nada por mensagem. Nada por e-mail. Só pessoalmente.

— Entendi.

— E começa a levantar tudo sobre essa empresa. Donos, sócios, contratos, ligações políticas.

Ele assentiu.

Quando ele terminou de guardar as folhas na mochila, eu o acompanhei até o portão novamente. Conversamos mais um pouco e Mateus logo foi embora. Eu fechei o portão sem dizer mais nada e voltei para o cômodo dos fundos. Fiquei alguns segundos encarando a fechadura, como se esperasse que alguém a girasse do lado de fora outra vez.

Mateus tinha deixado meu notebook profissional sobre a mesa, o mesmo que eu usava nos casos mais delicados. Era seguro, criptografado, isolado da rede doméstica.

Eu o Abri. A tela azulada iluminou o ambiente escuro. Digitei minha senha. Acessei a nuvem onde estavam arquivadas todas as cópias das gravações do dia do crime. Câmeras da rua. Câmeras do corredor. Câmeras do quarteirão vizinho. Registros de horário do condomínio …

Eu já tinha visto tudo aquilo antes. Várias vezes. No interrogatório. No processo. No silêncio da cela. Mas agora eu estava olhando como investigador. Não como acusado.

A linha do tempo, nas câmeras, era clara:

19:07h — meu carro entrou na rua.

19:12h — eu entrei no estacionamento do prédio.

19:28h — entrei no apartamento.

As imagens eram limpas. Ângulos corretos. Sem falhas aparentes. Sem cortes bruscos. Perfeitas demais. Pausei o vídeo. Eu não tinha chegado às 19:12h. Naquele dia, eu saí do trabalho perto das 19:40h. Eu tinha certeza. Lembro da ligação que fiz ainda no estacionamento, procurando alguma floricultura aberta. Lembro do trânsito mais pesado que o normal. Lembro da música que estava tocando. Cheguei em casa por volta das 20h.

Voltei alguns segundos na gravação. Observei quadro a quadro. Nada. Nenhuma sombra estranha. Nenhuma distorção visível. Nenhuma edição grosseira. Se aquilo era uma montagem, era uma montagem perfeita.

Peguei o celular e liguei para alguém que eu não acionava havia meses.

— Preciso da sua ajuda. — Disse, assim que ele atendeu.

Do outro lado da linha, silêncio atento. Expliquei rápido. Enviei os arquivos criptografados. Pedi uma análise profunda de metadados, compressão, trilhas ocultas, qualquer indício de manipulação digital.

— Se tiver sido alterado, eu encontro. — Sérgio, o perito, respondeu.

Desliguei. Agora era esperar. Voltei para a mesa. A pasta física que Mateus trouxe estava aberta. Relatórios internos. Anotações que ele fez enquanto eu estava preso. Comecei a folhear. Nada saltava aos olhos. Eu voltei os olhos para a tela. Desde que tudo começou, eu não estava tentando provar que era inocente apenas, estava tentando provar que aquilo era uma conspiração. Alguém pensava ser inteligente o bastante para quase não deixar rastro. Quase!

Abri o aplicativo do condomínio. Eu raramente usava aquilo além do básico. Mas, naquele momento, qualquer fonte era uma possibilidade. Avisos do síndico. Reservas de salão. Comunicados de manutenção. Mas o sistema era completo demais para ser ignorado: Controle de acesso. Escala de funcionários. Registros de troca de turno. Cobertura de plantão. Relatórios internos da administração … se alguém teve acesso legítimo às câmeras, podendo manipular imagens, o rastro começaria ali.

Entrei na aba de segurança. Escalas da semana do homicídio. Passei os olhos com calma. Nome por nome. Turno por turno. Até que um detalhe quase invisível me fez parar: cobertura extraordinária. Um funcionário que não fazia parte da escala fixa daquele dia assumiu o plantão da noite. Precisamente às dezoito horas. Substituição de última hora. Justificativa: atestado médico do titular. Data: exatamente o dia do crime. Meu maxilar travou. Poderia ser coincidência. Mas coincidências não costumam alinhar horários com tanta precisão.

Cliquei no nome dele. Perfil simples. Contratação recente. Sem histórico disciplinar. Sem reclamações formais. Limpo demais. Abri o navegador no notebook profissional. Se alguém mexeu nas câmeras, não foi por impulso. Foi com preparação. Eu não podia sair de casa, estava ainda sob investigação. Não pisaria na rua. Não levantaria suspeita. Mas eu sabia investigar à distância.

Nas próximas horas, mergulhei na equipe inteira. Portaria. Vigilância. Manutenção. Redes sociais abertas. Perfis de parentes. Fotos marcadas. Comentários antigos. Mudanças súbitas de padrão de consumo … Quando você passa anos analisando mentiras, aprende a identificar prosperidade repentina.

Dois dias se passaram assim. Mariana acreditava que eu estava reorganizando documentos do processo. Meus pais pensavam que eu tentava retomar a rotina. Na verdade, eu estava desmontando vidas digitais. E então encontrei. Não nele diretamente. Mas na irmã. Uma foto recente. Legenda banal. Fundo de garagem … uma moto nova. Modelo que não combinava com salário de porteiro. Desci a timeline. Um computador gamer de última geração aparecia numa foto de aniversário do sobrinho, três dias após o crime. Outro post. Selfie no espelho. Celular novo. O modelo mais caro da marca da maçã. Ampliei a imagem. Reflexo do visor ainda com película. Compra recente.

Voltei ao perfil dele. Discreto demais. Quase apagado. Mas a vida ao redor gritava. Aquilo não era aumento salarial. Era pagamento anormal. Senti meu estômago apertar. Se ele cobriu o plantão naquele dia … se alguém com credencial deu acesso ao sistema … se houve manipulação nas imagens … então, eu não estava lidando com um erro. Eu estava lidando com alguém que pagou para montar um cenário.

Fechei os olhos por um instante. Meu instinto não gritava. Ele rugia. E quando aquilo acontece, quase sempre está certo. Abri uma nova pasta no notebook. Nomeei: “Portaria – Cobertura”. Salvei prints. Links. Datas. Valores estimados dos bens. Se fosse suborno, o dinheiro não tinha ido para a conta. Tinha ido para a vaidade. E vaidade sempre deixa rastro.

Encostei na cadeira. O perito ainda não tinha respondido. Mas, finalmente, eu tinha algo concreto. Uma segunda pista a seguir, além da empresa que Mateus já estava investigando. Alguém recebeu para abrir uma porta invisível. A pergunta agora não era mais se houve manipulação. Era quem tinha dinheiro e interesse suficiente para pagar por ela. E essa resposta não estava na portaria. Estava acima.

Dois dias depois de eu identificar o nome do funcionário, liguei para Mateus.

— Preciso que você faça algo por mim. E precisa parecer que não está fazendo nada.

Ele não perguntou “o quê”. Perguntou “quanto tempo eu tenho”. Expliquei tudo. A cobertura no plantão. Os bens incompatíveis. A possibilidade de manipulação nas imagens.

— Você quer que eu converse com ele?

— Não. — Respondi firme. — Você quer que ele converse com você … sem saber que está conversando.

Mateus entendeu. Ele sempre entendia. Foram três dias. Três dias em que eu mal dormi. O perito ainda não tinha fechado o laudo completo. Apenas adiantou que havia indícios de inconsistência nos metadados das gravações. Nada grosseiro. Nada amador. Alteração limpa. Profissional. No fim da terceira noite, Mateus apareceu na casa dos meus pais. Entrou direto. Sem formalidade. Tirou o paletó. Se sentou. Ficou alguns segundos em silêncio … eu conhecia aquele silêncio.

— Fala.

Ele respirou fundo.

— O porteiro pediu demissão três dias depois do crime.

Eu não pisquei.

— Motivo?

— Proposta melhor. Empresa de segurança privada.

— Qual empresa?

Ele deslizou o celular pela mesa e eu olhei o nome. Senti o sangue descer frio pela espinha. A empresa pertencia a um grupo que já tinha sido citado numa investigação antiga da época que eu era policial. Um grupo ligado a contratos públicos superfaturados para o departamento de polícia. Um grupo que tinha um nome que eu conhecia muito bem.

— Isso não é coincidência, Mateus.

— Não.

Ele apoiou os cotovelos nos joelhos.

— Tem mais.

Claro que tinha.

— A empresa é formalmente registrada em nome de um laranja. Mas quem realmente manda … é o mesmo Coronel que você entregou para a corregedoria naquela época.

Eu fechei os olhos por um segundo. O passado não morre. Ele espera.

— Ele perdeu contratos. Perdeu influência. Te culpou publicamente.

— Eu me lembro. — Respondi, mas para ganhar tempo.

Eu lembrava das ameaças veladas. Dos processos administrativos. Da tentativa de me desmoralizar. Mas ele não tinha conseguido. Até agora.

— E tem mais uma coisa. — Mateus continuou. — O porteiro não só foi contratado. Ele recebeu um “bônus de contratação”.

— Quanto?

Ele disse o valor. Era suficiente para comprar a moto, o computador, o celular e ainda fazer uma pequena poupança. Era pagamento por um plantão específico. O plantão que fodeu a minha vida.

Fiquei de pé. Andei até a janela. A rua parecia tranquila demais para o que estava acontecendo dentro da minha cabeça.

— Naquela época, você sabia onde estava se metendo? — Mateus disse baixo. — Você mexeu com gente grande. Gente que não aceita perder.

Eu respirei fundo.

— E essa gente não arma homicídio por impulso. Nem se preocupa com pequenos rastros deixados. Precisamos ir além.

— Eu ainda tenho algumas pistas a seguir. Não deve demorar. — Mateus concluiu.

Mateus abriu uma outra pasta.

— Eu fui além do porteiro. — Ele continuou.

Meu olhar voltou para ele.

— O dono da empresa esteve no condomínio dois dias antes do crime.

Meu coração pulou uma batida.

— Visitando quem?

Mateus sustentou meu olhar.

— Orçamento para melhoria de monitoramento integrado, mas que não passou de uma proposta.

— Mas ele chegou a mexer no sistema? — Perguntei, ansioso.

— Os técnicos passaram quase duas horas na sala do monitor, mas estavam acompanhados por algum supervisor da empresa de vigilância. O orçamento nunca foi aprovado. Nunca existiu assembleia para aquilo. Não há registro contábil.

Eu nem sabia o que dizer. As coincidências se somavam.

— E piora … — Mateus me olhou constrangido.

— Piora? Como assim? O que você quer dizer? — O interrompi.

Mateus abaixou a cabeça, preocupado com o que tinha para dizer.

— Desembucha, caralho! — Acabei perdendo a paciência, mas logo me recompus. — Foi mal, me desculpa. Para com o suspense, fala direto.

— Naquela mesma noite … — Ele continuou, mas com receio. — Ele se reuniu com uma pessoa conhecida.

— Quem, porra? Quer me matar do coração?

— O Bruno. — Mateus disse, sem me olhar nos olhos.

— Bruno? Meu sócio? Meu amigo? Seu outro patrão? — Perguntei, apenas para a informação colar na mente.

— Sim! O nosso Bruno.

— Entendi … — Falei, me sentindo derrotado.

Desde que voltei para casa, algo fez sentido de um jeito perigoso: se aquele desgraçado corrupto do passado queria vingança … se precisava de um bode expiatório … Bruno tinha acesso à minha casa … as imagens foram manipuladas … então, eu não estava diante de uma conspiração isolada, mas de uma possível traição calculada. Eu era vítima de uma articulação cruel.

Mateus me observava.

— Ricardo … isso está ficando grande demais.

Voltei a me sentar.

— Não! — Respondi, tentando me acalmar. — Está ficando claro.

Pela primeira vez, eu tinha: um funcionário comprado. Uma empresa ligada ao meu passado. Uma vingança com motivo. Uma conexão direta com alguém próximo a mim. Mas ainda faltava a peça principal, além da motivação concreta para me incriminar naquele homicídio específico: por que Bruno, se culpado, resolveu me trair?

Olhei para Mateus.

— Agora a gente para de investigar o condomínio.

Ele franziu a testa.

— Então o que fazemos?

Eu o encarei.

— A gente investiga o Bruno.

Mateus me encarou finalmente. Eu sabia que, para ele, a ideia de investigar um dos patrões não era uma simples ordem jogada ao vento. É claro que ele ficaria em conflito.

— Eu entendo o seu receio. Mas você precisa fazer uma escolha agora. Ou está comigo, ou não.

Do jeito que ele me olhava, eu podia imaginar o conflito ético e moral que ele vivia naquele momento.

— Ou … eu posso parar de pedir sua ajuda aqui, e você volta ao seu roteiro normal do dia a dia. Não vou prejudicá-lo ou exigir lealdade cega. Estamos juntos há um bom tempo já. — Falei para tentar acalmá-lo.

— Não é isso, chefe ... — Ele hesitou por um segundo. — Tudo bem. Eu faço.

Ele se levantou, decidido a cumprir meu pedido.

— Volto quando tiver novas informações. — Ele deu dois tapinhas camaradas no meu ombro. — Aguenta firme.

Mateus já estava menos tenso quando foi embora. Lealdade e respeito se conquistam. Não é uma obrigação exigida com o cargo.

A possibilidade de o Bruno estar envolvido não me atingiu como um soco. Foi pior. Foi como um peso lento, ocupando um espaço que antes era de confiança. Porque ninguém arma uma conspiração daquele tamanho, uma traição repentina, sem que ganhe algo de muito valor.

Eu não podia reagir como amigo. Ou como sócio. Se havia algo ali, eu precisava agir como investigador. Então, liguei para o meu advogado.

— Eu preciso das cópias integrais dos depoimentos. Todos. Inclusive os colhidos enquanto eu estava preso.

— Você ainda não viu?

— Não oficialmente.

Ele disse que enviaria tudo digitalizado e quando o e-mail chegou, senti o estômago apertar. Abri a pasta. Eram vários depoimentos, uma investigação bem conduzida. Funcionários do condomínio. Vizinhos. Equipe técnica e policiais que responderam à ocorrência. E lá estava: Bruno Almeida.

Respirei antes de abrir. O depoimento era técnico. Objetivo. Ele confirmava que eu trabalhei normalmente naquele dia, mas não tinha muitas informações a dar, já que ele saiu do escritório logo após o almoço. Comentava que eu parecia tenso. Sobrecarregado. Nada que me incriminasse diretamente. Mas também nada que me defendesse com firmeza. Era um texto neutro demais para quem me conhecia por toda uma vida.

O próximo depoimento prendeu minha atenção. Mariana, minha esposa. Cliquei. Dados básicos. Estado civil. Tempo de casamento. Passei os olhos até chegar ao trecho da tarde.

“Por volta das 16h30, recebi a visita de Bruno Almeida em minha residência. Ele permaneceu no local por aproximadamente quarenta minutos”.

Parei. Voltei uma linha. Li de novo. Ela tinha colocado Bruno lá. Oficialmente. No papel. No inquérito. Segui lendo, mais devagar:

“Bruno esteve na residência para conversar, o que sempre fazia, inclusive tendo liberação de entrada direta no condomínio”.

Nada além disso. Sem detalhes excessivos. Sem dramatização. Objetivo. Mas o horário me prendeu: 16h30. Quarenta minutos presente. Isso colocou Bruno saindo por volta das 17h10.

Me recostei na cadeira. Minha mente começou a organizar os blocos. Bruno esteve no apartamento naquela tarde. Estava documentado. Não era suposição. Então por que, em todo esse tempo, eu nunca tomei conhecimento daquilo?

Mariana encerrava o depoimento afirmando que, após a saída de Bruno, permaneceu sozinha no apartamento. Nenhum outro visitante. Nenhum barulho incomum. Nada. Formalmente, estava tudo limpo. Limpo demais.

Fechei o documento. Eu não estava apenas tentando provar minha inocência. Eu estava começando a perceber que talvez tivesse ignorado peças fundamentais … justamente porque confiava demais nas pessoas envolvidas. E confiança, eu sabia melhor do que ninguém, era o melhor álibi que alguém poderia ter.

Encontrei Mariana na sala, sentada no sofá. Ela estava mexendo no celular, mas o olhar não estava ali. Meus pais tinham ido à igreja e aquele era o momento perfeito para conseguir respostas.

— Mari … a gente pode conversar um pouco?

Ela levantou os olhos. Cansados. Mas confiantes.

— Claro.

Me sentei ao lado dela, deixando uma distância pequena. Não queria que parecesse interrogatório. Queria que parecesse … cuidado. Segurei suas mãos.

— Pode parecer estranho … e eu sei que você não gosta de revisitar aquilo. Eu também não gosto. Mas eu preciso que você me fale de novo sobre o dia em que tudo aconteceu no nosso apartamento.

Ela respirou fundo. O corpo já reagindo antes da mente.

— Eu já contei tudo …

— Eu sei. E eu acredito em você. — Mantive o tom baixo. — Isso é para mim. Não para a polícia.

Ela assentiu.

— Eu acordei com o barulho … gritos, pancadas na porta. Eu ainda estava meio aérea, sonolenta … tudo parecia um pesadelo. Eu demorei alguns segundos para entender que era real.

Eu balancei a cabeça, ouvindo.

— Não, antes disso …

Ela franziu a testa.

— Como assim?

— Antes de você acordar. Ou melhor, antes de ir dormir. Quero entender o seu dia. Desde o começo.

Ela piscou, organizando a memória.

— Eu fui trabalhar normalmente …

— Você ficou até que horas no trabalho?

Ela hesitou um segundo.

— Eu … eu saí mais cedo.

— Por quê?

— Eu não estava me sentindo bem. Tontura. Enjoo. Achei melhor ir ao médico.

Mantive o olhar fixo, mas neutro.

— Você não me contou isso. Então posso acreditar que não foi nada sério. — Mantive o tom carinhoso. — Que horas você chegou em casa?

— Acho que umas três e meia … quase quatro.

Peguei o celular devagar, como quem consulta algo casual.

— No seu depoimento você disse que o Bruno esteve lá por volta das quatro e meia da tarde, correto?

Ela ficou imóvel por um segundo.

— Sim … ele passou lá.

— Como ele soube que você estava em casa?

— Eu … eu devo ter contado. Acho que nós nos falamos por mensagem.

— Por mensagem?

— Sim.

— Você que chamou ou ele que apareceu?

O silêncio durou mais do que deveria.

— Ele meio que apareceu, sei lá …

Eu assenti lentamente.

— E sobre o que vocês conversaram? Algo que eu precise saber?

Ela mordeu o lábio, nervosa.

— Não é incomum o Bruno ir em casa. Ele sempre ia. Com você lá ou sem.

— Ele ficou quanto tempo?

— Uns quarenta minutos. Talvez mais, talvez menos.

— E sobre o que vocês conversaram? Por favor, é importante.

— Sobre você … sobre nós … sobre nosso aniversário de casamento … sobre o trabalho … sobre … — ela não completou a frase.

Ela parecia querer confessar alguma coisa, mas eu não forcei. Queria honestidade, não podia parecer desconfiança, acusação.

— Foi uma semana complicada … — Ela continuou. — Você estava diferente, Ricardo. Fechado. Ele também percebeu. Não que você estivesse distante, zangado ou coisa assim. Você só parecia muito focado em algo no trabalho.

Eu segurei a reação, precisava ir mais além.

— E depois que ele saiu?

— Eu me deitei. Eu estava cansada. Muito cansada. Apaguei.

— Você trancou a porta?

— Eu não. — Ela disse, direta. — Bruno viu que eu não estava bem e me ajudou a ir para o quarto. Ele se despediu, me falou para descansar e se foi.

— Tem certeza?

Ela me encarou, desconfortável.

— Você está achando que eu fiz alguma coisa?

Eu apertei a mão dela.

— Eu estou achando que perdi detalhes. E detalhes, agora, são tudo o que eu tenho.

A sala ficou em silêncio. Ela desviou o olhar.

— Mas … tem algo que você precisa saber …

Eu acariciei suas mãos, a encorajando.

— Você sabe que pode ser honesta comigo, Mari. Nós já passamos por muita coisa … coisa ruim, para mantermos segredos do outro agora.

Ela me olhou com um certo receio, uma ansiedade crescente e soltou:

— Eu saí mais cedo do trabalho naquele dia, depois do almoço para ser mais exata, porque estava me sentindo estranha desde cedo. Achei que fosse alguma coisa errada comigo … enjoo, tontura … fui quase por impulso ao médico.

— E?

Ela engoliu seco.

— E não tinha nada de errado comigo. — Ela pausou a fala, respirou fundo e então soltou: — Eu estou grávida, Ricardo.

O ar desapareceu dos meus pulmões. Não falei nada de imediato. Só a encarei, tentando encaixar aquela informação em meio ao caos dos últimos meses.

— Grávida … — Repeti, baixo.

— Eu descobri naquele dia. Antes de tudo acontecer. Eu ia contar naquela noite… Era para ser o seu presente de aniversário de casamento …

Eu não sabia o que falar, mas ela continuou.

— E o Bruno apareceu, brincando, perguntando se ia ter festa …

— E você contou para ele … — Minha voz finalmente voltou.

— Sim! — Ela confirmou. — Eu precisava contar para alguém. Eu estava nervosa, confusa … você tinha saído cedo, achei que tinha esquecido a data, e eu não queria te preocupar antes de ter certeza.

Eu continuei olhando para ela.

— E depois?

— Depois eu comecei a passar mal de novo. Ele me trouxe um copo com água. Disse que eu devia descansar antes de pensar em qualquer coisa, já que eu queria preparar um jantar mais romântico para comemorar nosso dia e dar a notícia.

Ela respirou novamente antes de continuar.

— Eu me deitei, Bruno saiu … e eu apaguei. Saí do ar mesmo…

Ela fechou os olhos por um instante.

— Quando acordei … quando saí do quarto, você já estava algemado, sendo levado … e tinha aquele homem morto no nosso corredor …

A sala ficou pequena demais para tudo aquilo. Eu respirei fundo. “Grávida. Bruno presente. Sonolência. Horários que não fechavam”. Eu não via mentira nos olhos dela. Via medo. E talvez arrependimento.

— Por que você não me contou antes? — Perguntei, ainda carinhoso.

A voz dela falhou.

— Porque no meio de tudo aquilo … parecia pequeno. Você … nós tínhamos coisas muito mais importantes para nos preocupar …

Ali não havia conspiração. Havia culpa. Havia silêncio acumulado. E talvez o erro de confiar na pessoa errada.

— Você acredita que o Bruno teve a ousadia de me perguntar se o filho era dele? — Ela disse, avaliando minha reação.

Mariana percebeu minha hesitação.

— Você é o meu marido, o único homem com quem eu me relaciono sem proteção. Só você, ninguém mais.

Eu precisava dizer alguma coisa, qualquer coisa.

— Esse é o problema de se viver um estilo de vida alternativo. Preservativos também falham, também podem ser manipulados …

Mariana emburrou a cara de vez:

— Você não ficou nem um pouco feliz com a notícia? Talvez eu tenha feito certo em não contar … — Ela resmungou.

Abracei minha esposa como há muito não fazia.

— Desculpa! Minha mente estava em outra rotação … ainda está investigando tudo. Mas isso … isso muda tudo.

Foi a primeira vez, em muito tempo, que eu sorri genuinamente.

— Nós vamos ser pais … Nossa! Meus pais vão pirar com a notícia …

Fomos interrompidos pelo toque do celular no meu bolso. Eu ainda estava com Mariana nos braços. Olhei o nome na tela e meu coração disparou. Era o Sérgio, o perito. O timing quase me fez rir.

— Eu preciso atender. — Disse, soltando Mariana.

Ela assentiu, enxugando os olhos. Saí da sala em direção ao quintal, fechando a porta com cuidado. Só então atendi.

— Fala, Sérgio.

Do outro lado, a voz dele estava diferente. Técnica. Contida.

— Acabei de enviar meu parecer. Está no seu e-mail.

Coloquei a ligação no viva-voz e busquei o arquivo, fazendo uma primeira leitura mais ansiosa. Ele começou a explicar:

— Não foi uma ação simples. — Ele disse. — Não é uma edição de vídeo convencional.

— Então o que é?

— É substituição de sequência com preservação estrutural. As imagens não foram alteradas naquele ponto específico. Elas foram reconstruídas. O que aparece como sendo você chegando ao prédio, na verdade, é um trecho substituído, retirado de outro dia. O padrão de compressão, para quem sabe o que faz, é claro. Cada gravação tem um “ruído digital” próprio do dia, da iluminação, da taxa de fluxo do sistema. Essas imagens aqui têm assinatura compatível com outra data arquivada no servidor.

— Outra data? Quando?

— Três semanas antes do crime.

— Coincidência? — Perguntei.

— Não. Seleção. Quem fez isso buscou imagens suas em horários próximos, com a mesma roupa, corte de cabelo compatível, iluminação equivalente … depois sincronizou com o log do sistema, ajustando o carimbo de data para bater com o dia do homicídio.

Senti um frio percorrer a espinha.

— Isso é possível sem deixar rastro?

— Para um usuário comum, não. Para alguém com acesso administrativo ao servidor e conhecimento técnico avançado … sim.

— Tem mais uma coisa — Sérgio continuou. — As imagens externas, da entrada de veículos, também apresentam inconsistência de fluxo. Frames repetidos em ciclos quase imperceptíveis. É como se alguém tivesse “preenchido” o intervalo para evitar lacunas.

Preenchido. Não editado. “Preenchido”.

— Então sou eu, mas não naquele dia, naquele horário? — Falei, mais para mim do que para ele.

— Tecnicamente, o que eu posso afirmar é que as gravações apresentadas como prova não são todas originais do dia do fato. São composições.

Respirei fundo.

— Você consegue formalizar isso?

Do outro lado, o silêncio veio antes da resposta.

— Não. — Eu já sabia que ele diria aquilo. — Essa análise não tem valor processual. Não foi determinada pelo juiz, não houve cadeia de custódia oficial, não foi feita com espelhamento autorizado do servidor. É um laudo técnico particular. Serve para orientar sua estratégia. Mas não derruba a prova nos autos.

A verdade estava ali. Eu sabia. Ele sabia. Mas para a Justiça aquilo ainda era apenas uma opinião.

— Se você quiser levar isso adiante, vai precisar que seu advogado requeira perícia judicial formal. — Ele concluiu. — E isso vai levantar suspeitas. Quem manipulou vai saber que você descobriu.

Fiquei olhando para a imagem congelada na tela. Eu entrando no prédio. Um eu fabricado, de outro momento.

— Obrigado, Sérgio.

— Ricardo … isso foi profissional. É coisa de quem sabe o que faz. É construção.

Nos despedimos, agradeci e desliguei. Fechei o arquivo devagar. Agora eu tinha certeza. Eu estava enfrentando alguém que planejou cada detalhe para que eu parecesse culpado. E essa pessoa acreditava que tinha feito um trabalho perfeito.

Ouviu passos atrás de mim. Era Mariana.

— Tudo bem? Alguma novidade? — Ela estava curiosa e preocupada.

— Poderia ser pior, mas pelo menos já existe uma pequena luz no fim do túnel.

Ela sorriu, mas meio confusa e sem jeito.

— Vem. — Eu a abracei novamente. — Acho que está na hora de a gente ter aquele jantar de aniversário. E não somente por nós dois, concorda?

A cozinha virou nosso território neutro naquela noite. Nada de tensão, nada de interrogatório. Só panelas, risadas tímidas e uma tentativa honesta de normalidade. Mariana cortava os legumes enquanto eu mexia o molho. De vez em quando nossas mãos se encostavam de propósito. Pequenos gestos que diziam mais do que qualquer discurso.

Não era um jantar sofisticado. Era simbólico.

Quando estávamos terminando de arrumar a mesa, meus pais chegaram. A notícia da gravidez foi dada ali mesmo, entre risadas e lágrimas. Minha mãe chorou como se estivesse esperando por aquilo há anos. Meu pai me abraçou com força — o tipo de abraço que mistura orgulho e pedido silencioso para que eu não estrague tudo de novo.

Depois do jantar, improvisamos uma sessão de cinema na sala. Um filme qualquer, escolhido mais para preencher o silêncio do que para prestar atenção. Mariana estava encostada em mim no sofá. Em alguns momentos, eu sentia a respiração dela desacelerar, tranquila, como se finalmente tivesse encontrado um ponto de apoio.

Naquela noite, quando fomos para o quarto, não houve pressa. Não houve culpa. Não houve comparação com ninguém. Houve reconexão. Fizemos amor calmo e carinhoso. Não houve juras de amor ou promessas que não seriam cumpridas, não éramos mais assim. Houve entendimento e vontade de seguir em frente.

Mais tarde, deitado ao lado dela, ouvindo sua respiração se tornar profunda, satisfeita, o corpo relaxado, a mão pousada sobre meu peito como quem reivindica um território antigo, memórias voltaram a inundar minha mente.

O teto do quarto da casa dos meus pais sempre teve a mesma pequena rachadura no canto esquerdo. Eu costumava encará-la quando era adolescente, imaginando o futuro. Nunca pensei que estaria ali de novo, adulto, casado, investigado por homicídio … prestes a ser pai.

A vida não segue uma linha reta. Eu sabia melhor do que ninguém.

{…}

Sete anos atrás:

Voltei, em pensamento, ao dia em que deixei nosso apartamento após aquela conversa definitiva, cheia de acusações e revelações da Mariana.

Naquela época, eu era um homem movido pelo orgulho, jamais permitiria que pisassem em mim, independentemente do motivo. Traí, fui traído e decidi que seguiria em frente sozinho.

Depois do colapso, a confissão dela, minha reação visceral e o silêncio fúnebre que se instalou na casa, eu simplesmente saí. Não bati a porta, nem fiz escândalo. Apenas arrumei uma mala pequena, peguei algumas roupas, meu notebook pessoal e parti.

Nos primeiros dias, na casa dos meus pais, a sensação era de força. Quase de superioridade. Logo aluguei uma quitinete mobiliada no centro: pequena, funcional e absolutamente impessoal. Tinha paredes brancas, cheiro de desinfetante barato e um silêncio que, estranhamente, parecia me respeitar. Era exatamente o que eu julgava querer.

Mariana ligou nos dias seguintes. Não atendi. Bruno também enviou mensagens após a ruptura da sociedade. Um texto prolixo, tentando "explicar" o inexplicável. Dizia que nunca teve a intenção de me magoar, que as coisas "simplesmente aconteceram". Eu o bloqueei sem terminar a leitura.

Durante as primeiras semanas, a ofensiva foi constante: ligações, mensagens, e-mails. Eu respondia com uma frieza cortante ou simplesmente ignorava. Precisava provar a mim mesmo que era autossuficiente. Mas seguir em frente é um exercício hercúleo quando você decide renunciar a tudo simultaneamente.

Eu deixei a agência. No papel, a saída foi amigável. Bruno tornou-se o único proprietário. Fizemos um acordo e saí com o mínimo que me era devido, nada que garantisse estabilidade a longo prazo. Foi uma decisão baseada puramente no ego. Eu não queria dividir clientes, não queria dividir o espaço, não queria sequer dividir o mesmo ar que ele.

Contudo, ao sair, deixei para trás a equipe, a estrutura, o banco de dados e a tecnologia que eu ajudei a construir. Sem a agência, eu era apenas um investigador de boa reputação munido de um notebook e de uma câmera de alta resolução — que parcelei a perder de vista.

Passei a aceitar casos pequenos. Traições conjugais compunham a maior parte da agenda. Esposas desconfiadas, maridos inseguros, noivos paranoicos. Eu passava horas confinado no carro, fotografando flagrantes em motéis de quinta categoria, abraços em estacionamentos de shoppings e beijos furtivos em bares escuros. Era uma ironia cruel: o detetive traidor/traído documentando a infidelidade alheia.

Os pagamentos eram modestos. Alguns clientes atrasavam, outros tentavam barganhar descontos após eu já ter entregado provas suficientes para implodir um casamento. Também peguei investigações corporativas menores — furtos de mercadoria ou sócios ocultando faturamento. Nada que exigisse genialidade.

Sem equipe, eu era o exército de um homem só: vigilância, relatório, edição de vídeo e entrega. Às vezes errava o ângulo da câmera; às vezes perdia o timing por ter que manobrar o carro, ajustar o equipamento e observar o alvo ao mesmo tempo. Sentia falta da estrutura. Sentia falta do Mateus organizando o caos dos dados. Sentia falta até das discussões com o Bruno, embora odiasse admitir.

As noites eram o pior momento. Eu tentava me convencer de que estava "desfrutando da liberdade". Era mentira. Pedia comida por aplicativo quase todas as noites. O lixo acumulava-se rápido demais para alguém que pretendia ter a vida sob controle. A televisão ficava ligada até de madrugada, servindo mais como ruído branco para preencher o vazio do que por entretenimento. Dormia mal. A cama parecia um deserto.

O celular vibrava ocasionalmente com mensagens da Mariana. Eu as lia, mas não respondia. Em outras noites, ela não enviava nada, e o silêncio da solidão doía mais do que as palavras.

Bruno também tentou contato, mesmo bloqueado. Primeiro com desculpas esfarrapadas por e-mail, depois com uma postura defensiva, justificando-se antes mesmo de ser acusado. Eu permanecia em silêncio. Estava ferido demais para qualquer diálogo. Mas havia algo que me corroía mais do que a traição: a sensação de ser substituível. De ter sido meramente conveniente.

Trabalhando sozinho, percebi uma verdade amarga: eu sempre fui o pilar técnico da dupla. O metódico, o obsessivo. Bruno era o carisma, o comercial, o administrador. Mas os casos complexos … aqueles eram meus. Ali, editando fotos de um marido infiel, eu me dava conta de que havia jogado fora não apenas um casamento, mas a minha própria criação profissional.

Mariana não desistia. Às vezes aparecia no meu prédio. O porteiro interfonava e eu ordenava que dissesse que eu não estava. Ela deixava mensagens de voz longas. Não implorava, não dramatizava; apenas dizia que queria conversar, que as coisas não precisavam terminar daquela forma sórdida. Eu me mantinha irredutível. Não por convicção, mas por teimosia.

O orgulho sustenta um homem por algum tempo, mas não o alimenta. Enquanto eu fingia progredir, a realidade batia à porta: eu estava sobrevivendo mal. Sem estrutura, sem sono, com dinheiro escasso e sem uma direção clara.

Consultei dois advogados para entender minhas opções no divórcio. Ambos foram pragmáticos:

— Divórcio litigioso é caro.

— Haverá partilha de bens.

— Honorários elevados.

— Tempo. Muito tempo.

Saí dos escritórios com orçamentos que me provocaram risos de incredulidade. O financiamento do nosso apartamento continuava vencendo. O banco não se sensibiliza com adultério. Meu nome estava na escritura, no contrato e na dívida. Meus novos casos não cobriam o custo de manter dois imóveis.

Fiz as contas na mesa da quitinete alugada. Planilha aberta, boletos vencendo, cartões no limite. O orgulho é um luxo caro. O divórcio, ainda mais. Foi por desespero — e não por saudade ou amor — que aceitei encontrá-la.

Fui ao nosso apartamento. Ela abriu a porta como se estivesse esperando há horas. Sem maquiagem, sem armaduras. Apenas exausta. Continuava muito bonita, sempre foi.

Entrei sem cumprimentá-la fisicamente e fui direto ao ponto:

— Falei com advogados.

Ela fechou a porta com lentidão.

— Eu também.

— Não dá … — Eu disse, arremessando a pasta com os orçamentos sobre a mesa. — Não agora.

— Eu sei. — Ela suspirou.

Eu não queria discutir sentimentos, queria resolver a logística.

— O financiamento e as contas não param. Eu não consigo manter dois lugares, e você também não.

— Não quero te destruir financeiramente, Ricardo.

— Não se trata de destruição. É matemática.

— Poderíamos tentar terapia … — Ela arriscou. — Conversar de verdade. Você poderia tentar entender o que eu estou vivendo, o que descobri sobre mim …

— Eu não quero entender. — Cortei. — Não quero conhecer novos estilos de vida, nem experimentar nada.

A palavra saiu seca, quase cortante.

— Então o que você quer? — Ela perguntou com os olhos marejados.

— Quero que sobrevivamos a isso financeiramente. Cada um na sua. Quando for possível pagar um divórcio sem implodir tudo, formalizamos.

Ela ficou em silêncio. O discurso ideológico deu lugar à realidade nua.

— Minha avó se foi, eu não tenho mais ninguém. — Ela disse, mais baixo. — Se você concordar, eu quero ficar aqui. Não tenho para onde ir e já dividimos os custos. Poderíamos até … ser colegas de quarto. Seria melhor para os dois.

Eu soltei uma gargalhada feia.

— Colegas de quarto? — Disparei, a voz carregada de veneno. — Pra eu ver minha ex-esposa puta, marmita de casal, trazendo seu casal de amantes para dentro da minha casa e esfregando na minha cara?

O insulto ficou suspenso no ar, pesado e irremediável. Ela empalideceu, mas não gritou.

— Você pode me odiar, mas não precisa me ofender. — Ela disse, com uma dignidade que me incomodou. — Você não é vítima aqui, Ricardo. E eu nunca trouxe ninguém para nossa casa. Não faria isso agora.

— E você acha que isso muda algo?

— Muda para mim.

Aquela frase me desarmou.

— Fica no apartamento. — Eu disse, enfim, massageando o rosto tomado pelo cansaço. — Eu vou continuar pagando a minha parte. O financiamento já está no fim, não faz sentido entregarmos agora. Vamos viver cada um a sua vida, sem interferências, sem cobranças e sem contato … até que possamos resolver isso definitivamente.

— Está bem. — Ela disse apenas.

Simples assim. Sem abraços ou promessas. Apenas dois adultos quebrados firmando um armistício financeiro. Saí de lá me sentindo menor do que quando entrei. Não era o amor que nos unia, eram os boletos.

Tentei manter a quitinete alugada por teimosia pura, pagando uma conta e meia de luz, água e internet — Mariana precisava arcar com a parte dela, e eu não cederia um centavo além do combinado. Era um esforço financeiro absurdo, duas vidas sendo sustentadas por um homem só, mas era a prova de que eu não precisava voltar atrás.

Pelo menos, era o que eu dizia a mim mesmo. Até o dia em que meu pai ligou.

— Sua mãe passou mal. Foi um AVC. Forte. — A palavra ecoou como um disparo seco.

AVC. Não houve preparação. Não houve suspeita anterior. Apenas um colapso repentino durante o café da manhã. Eu dirigi até o hospital sem lembrar do trajeto. O médico falava em termos técnicos — acidente vascular isquêmico extenso, necessidade de intervenção rápida, risco nas primeiras quarenta e oito horas, possível comprometimento motor do lado esquerdo — mas tudo parecia distante. Eu só conseguia pensar em uma coisa: minha mãe, que sempre foi a fortaleza da família, estava agora deitada numa UTI.

Quando virei o corredor em direção à sala de espera, vi todo mundo ali. Meu pai estava sentado, mãos entrelaçadas, olhar fixo no chão. Parecia menor. Envelhecido em questão de horas. Um ou outro parente presente, e logo atrás, Mariana e Bruno. Próximos demais.

Passei por eles como se fossem invisíveis. Não era raiva. Era incapacidade. Eu não tinha espaço emocional para mais nada além daquele medo bruto que esmagava meu peito.

Quando entrei no quarto e vi minha mãe pálida, entubada, ligada a monitores que apitavam em ritmos impessoais, entendi que existiam problemas muito maiores que meu orgulho, meu casamento fracassado ou qualquer teoria de traição.

Saí minutos depois, ainda atordoado. Eles continuavam ali. Mariana estava com os olhos vermelhos. Bruno falava baixo com meu pai, tentando organizar alguma coisa burocrática. Eu passei direto outra vez.

O neurologista explicou que o atendimento rápido evitou um dano ainda maior. Haveria sequelas. Provavelmente dificuldades motoras. Talvez a fala comprometida. Seria um processo longo de reabilitação. Meses. Quem sabe mais.

Eu sabia, naquele instante, que não conseguiria atravessar aquilo sozinho.

— Posso ficar com ela amanhã cedo, se você precisar resolver alguma coisa. — Mariana se ofereceu, a voz firme apesar do cansaço.

Eu ia recusar por reflexo. Mas lembrei que elas tinham uma relação que sempre me pareceu mais forte do que a minha própria com minha mãe. Minha mãe a tratava como filha. E não fazia ideia do caos que existia entre nós.

— Faz o que quiser. — Respondi, seco.

Bruno tentou se aproximar.

— Ricardo, eu …

— Agora não. — Levantei a mão. Não era discussão. Era limite.

A conta simplesmente não fechava mais. UTI, exames, fisioterapia, medicações caras. E o aluguel da quitinete que eu insistia em chamar de independência. Rescindi o contrato em silêncio e entreguei as chaves alguns dias depois. Doeu. Aquele lugar era o símbolo de que eu ainda tinha controle sobre alguma coisa. Eu não tinha.

Voltei para a casa dos meus pais com o orgulho esfarelado. Minha mãe saiu da UTI e recebeu alta uma semana depois.

Mariana passou a ser presença constante. Meu pai comentou que ela conseguiu uma licença sem remuneração no trabalho. Três meses. Talvez mais, se necessário. Ela organizava horários de fisioterapia, anotava perguntas para os médicos, pesquisava protocolos de reabilitação neurológica. Conhecia enfermeiros pelo nome. Aprendeu a ajudar minha mãe a movimentar o braço afetado com cuidado, paciência e uma delicadeza que me desmontava.

Meu pai, exausto, aceitava tudo com gratidão. Eu fingia indiferença.

Nos corredores do hospital, éramos tratados como um casal unido enfrentando a adversidade. Em casa, éramos o filho e a nora exemplares.

A convivência é perigosa. Ela corrói certezas que a gente jurava inabaláveis. Eu a via sorrir para minha mãe durante os exercícios de fala. Às vezes, a encontrava no quintal, chorando em silêncio antes de voltar para dentro com o rosto recomposto. Ela não estava ali por conveniência. Não havia vantagem naquela rotina exaustiva. Ela estava ali porque se importava.

Uma noite, encontrei-a na cozinha, apoiada na pia, olhando para o nada.

— Você deveria ir descansar. — Eu disse.

Ela ergueu os olhos, cansada.

— Eu estou descansando. Estar aqui é o que faz sentido agora.

— Digo, deveria ir para casa.

— Eu estou em casa. — Ela disse com convicção.

A frase ficou entre nós. Eu não respondi. Sabia que as conversas difíceis viriam. Sobre traição. Sobre escolhas. Sobre o estilo de vida. Mas naquele momento, tudo girava em torno da recuperação de uma mulher que lutava para reaprender a mexer a própria mão, para voltar a falar normalmente.

Coexistíamos como dois sobreviventes dividindo a mesma trincheira. E aquela proximidade forçada não era neutra. Estava preparando o terreno.

Mas, por enquanto, o silêncio era a única trégua possível. Porque existem dores que reorganizam prioridades, e deixam o resto esperando, quieto, até que a guerra maior passe.

Continua…

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Foto de perfil de Contos do LukinhaContos do LukinhaContos: 162Seguidores: 422Seguindo: 17Mensagem Comentários de teor homofóbico, sexista, misógino, preconceituoso e de pessoas que têm o costume de destratar autores e, principalmente, autoras, serão excluídos sem aviso prévio. Assim como os comentários são abertos, meu direito de excluir o que não me agrada, também é válido. Conservadores e monogâmicos radicais, desrespeitosos, terão qualquer comentário apagado, assim como leitores sem noção, independente de serem elogios ou críticas. Se você não se identifica com as regras desse perfil, melhor não ler e nem interagir.

Comentários

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Boa noite, caros amantes da literatura popular.

Gostaria de começar agradecendo ao Autor por esta obra de arte, tão bem escrita e repleta de mistérios a serem descobertos ponto a ponto. Não quero criar hipóteses superficiais sobre os personagens, imagina como será…, mas confesso que algo me deixou curioso.

O personagem principal não é nenhum santo, isso é fato. No entanto, ele claramente perdoa a esposa pela traição. É verdade que ambos erraram, mas a situação dela me parece mais delicada, não por ser mulher, mas porque ela fez mais pelo Bruno do que por si mesma. Isso fica implícito em sua fala. Nos dias atuais, eles estão juntos e, pelo que ela diz, teve relações com outras pessoas, mas sempre de forma protegida. Não sou moralista, até porque sou leitor assíduo daqui, mas a questão é: isso me deixou curioso para ver 👀.

Sinceramente, é preciso muita força de vontade para perdoar. E isso não é amor.

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Lukinha demais amigo nota mil parabéns que saga cara.

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Ler histórias incríveis escritas por você não é nenhuma surpresa para mim, mas essa, até agora, está entre as melhores que já li aqui no site.

Pelo que li até aqui, os três personagens centrais estão disputando quem é o mais FDP um com o outro. Se Bruno estiver mesmo envolvido na armação contra Ricardo, ele vai ganhar o prêmio de "mais FDP" entre os três. Kkkkk.

Acho que, quando for revelado exatamente como o casal voltou e como o relacionamento deles prosseguiu após tudo o que aconteceu no passado, vamos entender melhor a dinâmica entre os três um pouco antes do Ricardo ser preso. Isso acho que vai exclarecer algumas coisas.

Agora é esperar o próximo capítulo e lidar com a ansiedade até lá. Depois, te mando as contas dos remédios. Kkkk.

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Excelente 👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽

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Foi mal, galera! Eu acabo me animando, pois gosto da interação, e falando mais do que devia, tentando explicar o que deve ser apenas a interpretação de vocês.

Vou me policiar para não ficar soltando spoilers sem intenção.

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Eu não ligo não, kkkkkkkkkkkk pode continuar kkkkkkkkkkkkk

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Continuando, no comentário do capítulo anterior, falei que o Bruno teve a oportunidade, mas questionei a motivação. Agora, além de poder ter descoberto que ama a Mari mesmo que tardiamente, tem a ligaçâo com o coronel que foi denunciado pelo Ricardo. Falta saber se ele foi chantageado pelo tal coronel, por ter provas de que ele participava do esquema, ou se ainda participa de ilícitos em conluio com o grupo.

Para finalizar este comentário, acho que a grande incógnita é qual será a reaçâo da Mari ao saber da verdade. Que ela gosta de ser casada com o Ricardo, não se tem dúvida, mas também nutre um sentimento forte pelo Bruno. Não sei se ama os dois, se ama só o Ricardo e o gosta do Bruno apenas como amante, ou se ama o Bruno e o Ricardo é alguém para ser seu porto seguro, já que o Bruno nunca, pelo menos no que foi dito até agora, demonstrou querer mais do que sexo com ela. Então, agora é ver como ela agirá quando a verdade aparecer.

Lukinha, mais uma vez obrigado por mandar este capítulo hoje, e por nos prometer outro na segunda. E, de novo, PARABÉNS! História muito bem contada, muito bem organizada, com inúmeros detalhes e nuances que vão se conectando ao longo da narrativa. Bom feriado a todos.

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Excelente capítulo. As coisas estão começando a clarear...

Eles reataram e tem um relacionamento liberal. Pelo menos a Mari pode sair com outros homens. O Ricardo, pela sua índole e por não ter tempo nem para a esposa, não deve se relacionar com outras mulheres, pelo menos é o que acredito.

No meu comentário anterior aventei as possibilidades do Bruno estar envolvido na conspiração e também a possibilidade de algum investigado pelo Ricardo no passado querer se vingar. As duas possibilidades se uniram, pelo visto.

A Mari parece, pelo menos até agora, não fazer parte da conspiração, haja vista ter dito no depoimento que o Bruno esteve na casa do casal. Uma coisa que me chamou a atenção foi que não foi perguntado ao Bruno em seu depoimento sobre sua ida à casa deles, enquanto o marido estava no trabalho e ele, Bruno, não aparecer nas imagens das câmeras. Isto, no mínimo, tornaria contraditório o sepoimento da Mariana.

Outra coisa é que até o momento, nem o Ricardo ou a Mariana, aventaram a possibilidade dela ter sido drogada pelo Bruno. Acredito que, certamente, uma hora um deles, ou os dois, vão ligar os pontos.

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Mariana lembra ao Ricardo que o Bruno estar na casa é uma coisa corriqueira, inclusive, tendo liberação no condomínio. Precisamos lembrar que entre Bruno e Ricardo, mesmo com as traições mútuas, existe um sentimento de família, de pessoas que se conhecem desde sempre. Tanto que, a quebra da amizade, ocorreu no passado e de alguma forma, eles voltaram às boas. Pelo menos por enquanto, já que existem fortes evidências do Bruno estar envolvido na conspiração.

(De qualquer forma, é meu dever mostrar como tudo aconteceu no passado e como vai acontecer agora.)

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Exatamente. O Bruno frequentar a casa do casal era corriqueiro, mesmo na ausência do Ricardo. Para a Mariana não havia nada de errado nisso. Tanto que ela falou durante seu depoimento, só não falou pro marido por achar irrelevante. Por "confiar demais na pessoa errada". O Ricardo está comecando a ligar os pontos. A visita do Bruno, a sonolência da Mari, a ausência das imagens do Bruno nas câmeras de vigilância do condomínio...

Detalhes que ainda me chamam a atenção: Se a Mariana falou em seu depoimento que o Bruno esteve no apartamento no fatídico dia, pq o delegado não questionou sua presença, ou questionou? Pq não desconfiaram da ausência da tal visita nas imagens? Será que a Mari contou ao Bruno que falou da visita dele no seu depoimento, já que eles ficaram muito juntos depois da prisão do Ricardo?

Até o momento a Mariana não deu indícios de fazer parte da conspiração. Talvez seja ingênua por não perceber as manobras do Bruno, ou apenas prefira nâo acreditar, por algum sentimento que nutra por ele.

Lukinha agradeço a gentileza de fazer esse comentário em relaçâo ao que escrevi. E mais uma vez parabens pela história. Cada capítulo está melhor

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Acredito que o capítulo de amanhã vai deixar uma galera bem puta... 😂😂😂

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Você é um escritor fantástico!

Uma coisa que intriga é a personalidade que você construiu do Ricardo com imagem do atualidade. Como um grande investigador, consciente não só da traição, mas da relação submissa de Mariana por Bruno se deixa "iludir". Aparentemente, Mariana mais reage a relação com ele por culpa do que amor. Se ela tem ainda uma relação com Bruno, então ele continua a ser a prioridade para ela e a manipula. Como Ricardo convive com isso e consciente aceita a ser o corno da relação. Realmente é estranha a imagem dele de fraco e inseguro emocionalmente.

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Na construção dos personagens, pode se notar essa característica de baixa autoestima no Ricardo, apesar de uma mente bastante racional e analítica, sua insegurança emocional e o relacionamento sempre em segundo plano em relação ao Bruno, faz com que ele enxerge sua vida sentimental de uma maneira com valor secundário, observe que a primeira mulher que verdadeiramente o enxergou em primeiro plano, Larissa,infelizmente para o Ricardo, somente queria um sexo sem compromisso, que não é condenável, mas para um cara inseguro e com baixa autoestima se torna um problema grande, logo a seguir foi plantada a Mariana, que querendo ou não foi instruída pelo Bruno , com um condicionamento sujestivo de elogios e uma pseudo admiração compartilhada, a respeito da personalidade do Ricardo, gerando , acredito eu, um real interesse amoroso funcional por parte dela, já o Ricardo, como eu disse, devido as suas condições emocionais tende a aceitar essa relação com permissividade manipulativa em relação a Mariana e Bruno, mesmo quando ele pensava serem somente amigos, então desde muito no início, perdurando até hoje essa dinâmica disfuncional entre os três, bem pelo menos assim que vejo essa incongruência que você notou nas atitudes do Ricardo, não sei se estou certo.

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Note que, no relato em que Mariana narra a própria vida, tem muitas pistas deixadas sobre os sentimentos dela, tanto em relação ao Bruno, quanto ao Ricardo.

Se a gente tirar o Ricardo da equação por um momento, e analisar o relato da Mariana sobre sua relação com o Bruno, vocês vão ver que tem sim sentimento, mas também alguma mágoa. E muita gratidão... Será que Mariana ama o Bruno de forma tão incondicional como a maioria tem teorizando?

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Eu não diria que é um amor incondicional, mas justamente ao contrário, é um amor condicionado, que é como você disse, cheio de revezes e mágoas, mas marcado por uma dependência emocional concretada por uma dependência psicológica e financeira por anos, isso marca muito uma pessoa e é muito difícil de se desenredar desse tipo de relacionamento, ainda mais se ele se perdura desde a infância até os dias atuais, se ela não se afastar do Bruno, e trabalhar psicologicamente sua mente, o domínio Bruno sobre a Mariana será eterno.

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Sem falar da dependência sexual, o Bruno tem uma ascendência sexual profunda sobre a Mariana, ele foi praticamente o primeiro homem dela, só não rompeu o hímen, mas foi o Homem que realmente tomou a virgindade dela.

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Lukinha, acho que o entendimento de amor é que tá errado. Existe uma... Obsessão? Dependência? Seja lá o que for, jão é um sentimento saudável. E o Ricardo ter falado sobre "modo de vida alternativo" como falou, me pareceu muito algo cedido do que de comum acordo. Acho que nem ele na verdade gosta dela. É a questão do cômodo, do conhecido. Queria ver mais interação dele com a Larissa pra saber se o pensar do sensatez é correto ou apenas especulativo.

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Lukinha, muito bom, como sempre. O problema de ler cada capítulo do seu conto é que a gente acaba dedicando um tempo danado. Porque tem o capítulo, em si, e os comentários, que são imperdíveis. É muito divertido essas interações, tanto quanto ler o conto, em si. Parabéns por ter uma das contas mais legais do site.

Com relação à questão policial, esse capítulo mostra o óbvio. O título já diz tudo: "Conspiração". Vingança de gente que tem boas razões para odiar o Ricardo e, certamente, tem muito poder e influência.

O grande enigma é a razão pela qual o Bruno se envolveu nisso, já que ficou claro que ele dopou a Mariana e preparou a cena do crime. Será que ele próprio o praticou?

Seria interessante saber que horas o vizinho do 602 ouviu a discussão, o que poderia apontar a inconsistência na cronologia presente nos autos.

Tirando isso, é importante ressaltar que o Bruno teve episódio de envolvimento em corrupção policial. O que mostra duas coisas: é um cara de índole bem duvidosa e tem teto de vidro, já que sua participação acabou encoberta no passado.

Quanto à índole duvidosa, a ficha corrida, com base em fatos registrados no conto, é bem consistente. A começar pelo fato de tratar a Mariana, com quem teria laços afetivos de longa data, como estepe, sabendo que a mulher era apaixonada por ele.

Outro ponto que chama atenção é que, enquanto ele pagava mico com a Larissa, o Ricardo percebia que era o alvo da loira dos olhos azuis. Será que ele, Bruno, também não percebeu isso? Quem é verdadeiramente o desleal na história? O Ricardo, que tentava alertá-lo sobre o buraco em que estava se metendo e resistiu o quanto pode ao interesse da Larissa por ele? Ou o Bruno, que não era nenhum bobo e, percebendo esse interesse, não levantou a bola do amigo? Afinal, se deu ruim para ele e o amigo está na cara do gol, alguém tem que ter final feliz nessa história.

Mas, para piorar ainda mais as coisas, tem o episódio da viagem, logo nos primeiros capítulos, quando Ricardo e Mariana ainda namoravam, em que dopam o Ricardo para ficarem à vontade, Bruno, Mariana e Lívia, para curtirem um delicioso sexo a três.

Nesse ponto, Mariana, ao sacanear o cara que ela escolheu dessa forma brutal, mostra, também, seu lado sórdido. Estranho nessa história é o Ricardo não ter escurraçado essa mulher e esse "amigo" de sua vida diante das evidências gritantes, já desde o início. E ainda ter se casado com ela para continuar sendo corno, mesmo que não haja nenhuma menção à possibilidade de que ele curtisse esse fetiche.

Se estivermos errados em alguma coisa, Lukinha, nos corrija. E parabéns mais uma vez pelo talento como escritor e pela resenha saborosa aqui nos comentários.

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Vou dar um pequeno spoiler. Nesse trecho do seu comentário:

"Mas, para piorar ainda mais as coisas, tem o episódio da viagem, logo nos primeiros capítulos, quando Ricardo e Mariana ainda namoravam, em que dopam o Ricardo para ficarem à vontade, Bruno, Mariana e Lívia, para curtirem um delicioso sexo a três."

Isso tem muita relevância no futuro. Não é uma coisa que eu joguei para esquecer depois. Agora me calo.

Obrigado pelos elogios. Se tem um espaço de comentários, é justo que as pessoas, educadamente, falem o que tem vontade. Se vão criar teorias, debater, dialogar, trocar impressões... Aí vai de cada um. Eu entendo o espaço de comentários como propriedade dos leitores. A mim, cabe apenas mediar.

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Por que Ricardo passou de corno reagente a um marido aparentemente Cuckold?

Quando a Mariana deixou de amar o Bruno, mesmo tendo dado prosseguimento ao relacionamento amoroso de uma vida inteira, desde a tenra idade?

Quando e por que um relacionamento pragmático, que durou uma meia vida, passou a ser um relacionamento aparentemente com algum amor funcional com o Ricardo?

Quais são os outros parceiros sexuais da Mariana, será que estariam também de alguma forma envolvidos na conspiração?

A inconsistência entre o depoimento do Bruno e da Mariana quanto a ele ter ido ao apartamento no dia do crime, me chamou a atenção, numa conspiração tão bem elaborada, essa inconsistência deixada nos autos não faz sentido, por que o Bruno não informou sua ida ao apartamento, pois seria uma coisa rotineira e acima de qualquer suspeita, a não citação traria muito mais suspeitas numa investigação não contaminada, portanto não faz sentido para a "conspiração" deixar esse rastro de dúvida, então por que o Bruno omitiu?

Qual o verdadeiro motivo de uma mulher ter escondido a gravidez até aquele momento da revelação, até se justificaria ela não informar com ele preso, mas quando e como ele foi solto, deveria ter uma faixa de boas vindas e um sapatinho de bebê de presente, logo após ele passar pela porta, mas ao invés disso, dias depois, somente quando inquerida, ela deixou o Ricardo ciente que ela informou primeiro ao Amado Amante e numa já conhecida veia manipulativa, novamente culpa o Marido por isso, que para variar integralizou a pseudo culpa e age passivamente novamente, isso é demonstração de amor pelo Beto ou pelo Bruno ?

Simplesmente sensacional, esse capítulo consertou com um certo louvor o investigador, mas Ricardo Homem, ainda não conseguiu justificar suas decisões, mesmo que ele tenha escolhido um estilo de vida alternativo, ele errou muito em manter os mesmos agentes do caos, que destruíram a autoestima dele, para esse novo estilo de vida, ele continua se auto depreciando e se acomodando em um relacionamento no qual ele é anulado e se autoanula por uma passividade conformista.

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Mais respostas virão na próxima. Algumas decisões devem te surpreender. Já outras, seu pensamento analítico está bem coerente.

Eu tenho me prendido mais ao realismo da vida em minhas séries, como o fato da situação financeira aqui forçar que o casal pense bem antes de tomar o divórcio como certo. O que não quer dizer, que já não estejam em uma situação de separação momentânea. Agora preciso justificar porque voltaram. E sem dar spoiler, pretendo manter o realismo nas revelações futuras.

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É isso que me assusta. O fantasma da realidade. Mais uma vez, isso remete a comodismo, simples aceitação... É tipo... "É o que eu mereço... Né?" Torço pra um final feliz pra todos mas não acho que seria junto

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Faço das suas brilhantes suposições as minhas... Mariana não aparenta ser a mulher comprometida e inocente ... ela é muito ardilosa. A forma como ela traiu Ricardo nunca foi amor... Ainda continuar se relacionar sexualmente com Bruno, conhecendo ele, deixa as coisas mais claras. Acredito que a demora em revelar a gravidez seja o óbvio.. o filho é do Bruno.

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Obrigado pelo elogio, mas eu sempre falo, sem falsa modéstia, que se algum comentário meu tem algum valor ou mérito é exclusivamente por causa do texto que o autor apresenta, um texto ruim dificilmente gera comentários bons, a resenha só é boa se o conto for bom, a culpa é do Lukinha kkkkkkkkkkkkkkk

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Este é o ponto interessante, como foi a volta do casal, os acordos, e pelo visto o Bruno continuou comendo ela, até o filho ele desconfiou que fosse dele, será que não é, o Ricardo não vai criar o filho do amante?

Dois errados não fazem 1 certo, mas o que a Mariana e o Bruno fizeram, e ela amando o Bruno, e tendo o Ricardo somente como estepe, não sendo sua prioridade, eu no lugar do Ricardo, seguiria a minha vida, pois até na gravidez ela escondeu dele, foi contar primeiro para o Bruno, o seu verdadeiro amor, o Ricardo não é prioridade, e na minha visão no olhar do Bruno, deixando a Mariana com o Ricardo, ele poderá a ter na HR que ele quiser, continuado a chifrar o amigo, é cômodo para ele!

Bora esperar ansioso pela continuação.

Lukinha, no meu caso que não curto carnaval, vc poderia fazer uma maratona de postagem, 1 capítulo por dia, até a quarta feira de cinzas, o que vc acha? 😍😍, bora?

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Aqui ficou claro que o Ricardo não voltou só pelo financeiro, pois apesar de mais um vez, jogar na cara da mulher o relacionamento aberto da mulher, que ele diz quê não aceita, continuou aceitando, e até transando com ela, correndo riscos de doenças venéreas e algo mais, chegando ao ponto de a mulher estar grávida, e sinceramente pela promiscuidade dela, não tenho essa certeza que seja dele. Outro ponto importante, ela afirmar que não leva essa promiscuidade pra dentro de casa, como explicar a presença do Bruno constantemente na residência do casal, o marido estando ou não estando presente, inclusive até com o assesso liberado na portaria do edifício, muito estranho.

Resumindo, acredito que tenha uma participação dela nisso tudo, mesmo que mínima.

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Bom... circunstâncias da vida, muito reais por sinal, fizeram com que eles permanecem unidos...isso mais que o amor!!!

Pelo menos é isso que nos foi mostrado neste capítulo...a Mariana não é uma ma pessoa, mas apenas se apaixonou por alguém que não a ama, apenas a tratava como objeto. E viu no Ricardo um meio de tentar escapar.... provavelmente o Bruno usou a tal traição do Ricardo com a garota que nunca quis ele, para voltar a ter relação com a Mariana...meu ponto de dúvida é se isso aconteceu após a segunda traição ou antes mesmo eles já traiam o cara, pq aí a hipocrisia seria ainda maior...se foi depois, dá p tentar amenizar...embora foram muitas vezes por muitos anos...

Eu acho que o Bruno tem algo haver com o que aconteceu mas por problemas que ele tem com a justiça...ou seja, foi por chantagem...

Desculpa se estou chutando sobre o que aconteceu e o futuro e etc...alguns autores não gostam disso...

Agora o buraco é bem fundo...pq se trata de policiais corruptos de alto escalão e talvez pessoas públicas e etc...e ele não tem muitas armas p lutar... é uma luta desigual, e com esse sentimento de que foi traído por pessoas próximas...vai precisar de muito sangue frio e racionalidade para lidar com tudo isso...e no final, a Mariana e o filho, talvez seja a arma que faltava para os adversários...veremos, está muito interessante...

Parabéns Lukinha...poste outro na segunda, por favor!!!

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Como todos sabem, aqui o debate é liberado. Teorias, achismos, ponderações... aqui toda a opinião é respeitada e bem recebida. Eu me divirto e participo. E, de vez em quando, até absorvo o que acho interessante e coloco no texto.

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Rapaz... Primeiro, gostaria de parabenizá-lo. TODA a série até agora é de um primor absurdo! Mesmo com os flashbackes a história é clara e não se perde, adicionando camadas grossas em toda visita ao passado e gerando dúvidas e espectativas sobre o futuro dos personagens.

Segundo... Arriscando dar um tiro no próprio pé, Lukinha, confesso que não li outras séries suas, pelo que me lembre, mas isso aqui daria um ótimo livro policial. Ouso arriscar que facilmente figuraria nos 10 mais.

Terceiro, queimei a língua parcialmente com Mariana. Ainda acho que o Ricardo é a segurança e a conveniência. Não é amor. Um gostar muito grande, talvez, mas a todo momento me parece que o amor dela é realmente pelo Bruno e tá tudo bem... Se o Ricardo sustenta essa situação, quem sou eu pra dizer o contrário.

Quarto, o Bruno drogou a Mariana.

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Bem-vindo! Se não conhece outras séries minhas, sugiro "Pedi um casamento aberto e meu marido me surpreendeu", para uma segunda viagem nesses universos que eu crio. Acredito que seja minha série mais madura, mais realista.

E se gosta de séries eróticas com o pé no policial, tem também " Doce Vingança".

Mas te encorajo a ler todas e tirar as próprias conclusões.

Abraço.

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Fala aí Mhcmm, concordo contigo, principalmente quanto a capacidade do Lukinha em produzir um Thriller Investigativo nos moldes do Código Da Vinci, talento ele tem, bastaria empenho e tempo.

Leia as dicas do Lukinha, garanto que tú não se arrependerá.

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O capítulo mais esclarecedor até agora, para mim o tipo de relacionamento dos dois era meio óbvio, eu tinha uma pequena dúvida da participação da Mariana, no capítulo anterior eu já imaginava que ela não tinha nada a ver e nesse isso ficou mais claro. (Posso estar errado)

Se o que eu estou pensando for verdade, Bruno é realmente um cara mau e Mariana apenas uma mulher que errou em suas escolhas, assim como Ricardo. Não vejo Mariana como uma pessoa má, nem Ricardo, mas os dois erraram feio nas suas escolhas, na minha humilde opinião. Porém se Bruno está mesmo envolvido, aí ele não só errou nas escolhas, mas também é um cara de mau, que não mete esforços para conseguir o que quer

Porém acho que teremos alguns surpresas ainda e falta algumas partes do passado para serem contadas, a história está em aberto e está ótima por sinal 🤩

Provavelmente eu seja o único que torce pelo casal, mas pelo que li até aqui, estou torcendo para que no fim eles fiquem juntos 🤷🏻‍♂️

Ótimo capítulo 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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Muito trama excepcional os fatos se revelando , como disse em um capítulos anteriores parece um suspense de escritores famosos mas feito por um excelente escritor Lukinha

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E digo mais o Beto do Mark deveria contratar o Ricardo em vez do Zico com Sara rrsss

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Ninguém entende a mulherada.

Quando trai sempre tem uma razão, ou é pra sentir viva , ou é pq o marido nao dava atenção e por ai vai .

Acredito q se a esposa tivesse se abrido de verdade a relação poderia estar forte mesmo com a traição

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Então foram os boletos que fizeram eles ficarem juntos de novo.

Triste.

Real.

Ela tinha mais parceiros. Ricardo sabia.

Era um casamento não por interesse nem por amor. Por dividas.

Realidade crua...

Toca fundo na alma.

Mas o Bruno continuava ressentido para aceitar a armação? Essa ponta segue solta. Mas pelo pouco elucidado, o caminho para ele ficou livre.

Ele não tinha do que reclamar.

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Tem mais do que apenas os boletos. É que essa parte da história ficou muito grande e eu precisei dividir. Na próxima trarei mais detalhes e esclarecimentos.

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Então seria interessante não demorar muito para publicar “a continuação” !!! 👍👍👍

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Pretendo postar na segunda.

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Pra que deixar pra segunda o que podemos ler hoje???

Kkkkk ótimo conto Lukinha

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Legal que tem.

Dá mais profundidade.

Mas não precisava.

É extremamente realista o casamento que não acaba só porque nenhum dos dois encara perder a condição financeira obtida no relacionamento.

Sócios que se aturam em busca do faturamento e manutenção da sede.

Outras pessoas dizem: separa que a vida não é só isso.

Não é.

Mas também é.

Ser feliz atolado em dividas é uma ilusão.

Ser infeliz num "reino" de concreto também é ilusão.

Mas é mais confortável.

Parabéns pelo conto e pelas interações.

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Muito bom. Pelo jeito Ricardo aceitou o novo estilo de vida, pois ela disse que só com ele q ela faz sem preservativo.

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