O Barman e o Confeiteiro 33

Um conto erótico de R. Valentim
Categoria: Gay
Contém 2155 palavras
Data: 02/02/2026 00:52:49
Assuntos: Gay

CAIO 33

A solidão da drag queen. Carmen SanFortal uma drag belíssima, forte, talentosa, e cheia de glamour. Carmen salvou minha vida. Ela veio e me completou quando mais precisei, ela é parte de mim, é minha voz, minha forma de existir em um mundo que não olha para mim. Quem olharia para um “viadinho” magricelo e pobre? Mas Carmen SanFortal não aceita ser ignorada e nem pode!

Estou no terceiro cigarro. Não é de hoje que as festas começaram a me entediar. As mesmas pessoas, os mesmos lugares, as mesmas luzes e as mesmas histórias.

— Carmen eu te amo — diz um gay bêbado passando por mim no fumódromo.

— E quem não ama querido — as gays sorriem e passam me deixando sozinha de novo com meu cigarro, meu terceiro cigarro!

No celular Adriano manda mais uma mensagem me convidando para jantar. Ele e Breno estão na fase da lua de mel, só tem cinco dias desde que os dois começaram a namorar. O melhor é dar um pouco de espaço para eles se curtirem e também quando todos os seus amigos começam a namorar e você é a única solteira convicta, uma festa chata ainda é uma opção melhor do que a vela.

— Carmen te achei, você é a próxima — Luiz que está promovendo hoje veio me chamar. Vamos lá, para mais uma performance.

Carmen SanFortal é minha voz e também meu sustento!

“Montada às quatro da manhã na calçada fria da boate” esse bem que podia ser o título da minha biografia não autorizada um dia. Agora é só mais uma noite de sexta na minha vida. Acendo o quarto cigarro enquanto espero meu uber. Tem alguns gays por perto e esse ponto não é perigoso — até por que a mais perigosa aqui sou eu com toda certeza — estou fuçando meu IG enquanto fumo e espero.

— Caio? — Ouço a voz familiar de Stella, já faz muito tempo que não a vejo.

— Carmen querida, é Carmen — a corrijo e ela se desculpa.

— Adorei seu Set hoje — diz se aproximando e puxando conversa, mas já saquei qual é a da amapô.

— Obrigada — dou uma tragada longa no cigarro a fim de segurar minha língua.

— Estou com a Pam minha amiga, se você quiser podemos te dar uma carona.

— Obrigado Stella, mas amiga é uma maluca e meu uber já vai chegar.

— Ela é um pouco, mas é o Ykaro, ele causa esse efeito nas mulheres.

— Ele causa menina, por isso você queria trair o Luan com ele, não foi — ela provocou, não posso fazer nada.

— Quem te contou isso o Ykaro? — Sua cordialidade já não parece mais tão presente.

— Ninguém precisa me contar nada, eu tenho olhos e ouvidos.

— Ah claro, você é a que sabe de tudo? — Ironiza ela irritada comigo.

— Sim.

— Então já que você sabe de tudo quem é a vagabunda com quem o Luan está namorando agora.

— Você quer dizer a vagabunda que fez ele terminar com você? — Se não tivesse montado jamais teria essa coragem, por isso amo minha Drag.

— Engraçado que você nunca gostou dele e agora está aí protegendo o canalha do Luan.

— Primeiro Stella, eu não me meto porque ainda tenho um carinho por você, mesmo esse carinho esteja pouquinho ultimamente, segundo você só não traiu ele porque Ykaro não quis e para fechar em terceiro você sabia muito bem o que estava caçando quando foi falar para mãe doente dele sobre vocês.

— Ah, então você acha certo o que ele fez comigo? — Diz ela com a voz alguns tons mais altos — eu só me defendi.

— Eu acho que vocês não deviam nem ter começado, inclusive eu disse isso ao Luan mais de uma vez, mas ele não me escuta fazer o que.

— Você é um falso do caralho, Caio.

— Eu sei quem é a pessoa com quem Luan está e vou te dizer uma coisa por mim eles também não estariam juntos porque gosto menos ainda dela, mas como eu falei Luan não me escuta — paro um pouco e por fim volto a falar encerrando o assunto pois meu Uber acabou de chegar — mas uma coisa é verdade, ele está mais feliz e mais leve do que quando estava com você então quem sabe essa não pode ser a primeira vez em que me engano com alguém.

Se eu gosto do Luan? Não, não gosto, mas meu problema é muito mais o que ele representa em si do que sua pessoa. Ele é um bom amigo para o Adriano e é por isso que o aturo, mas sendo justo, desde que começou a namorar o insuportável do Ykaro ele tem melhorado, tem sido menos homofobico e me surpreendeu muito ter dito para as pessoas na boate que Ykaro era seu namorado. Então vou dizer que ele anda menos intragável ultimamente.

A Madrinha está vivendo seu romance com Breno, mas até ela está evitando o Luan um pouco, acho que eles ainda não conversaram e por mais que esteja louquinho para me meter, resolvi que dessa vez eles vão ter que se entender sozinhos. Breno ainda está um pouco chateado por eu quase ter estragado seu aniversário, então o melhor para mim agora é ficar na minha e deixar as emoções se assentarem.

“Caio, onde você está?” — Por falar no Breno, ele acabou de me mandar uma mensagem.

“No Uber indo para casa.”

“Porque não me ligou, eu ia te buscar.”

“Você tem namorado agora, não vou ficar mandando mensagem para macho comprometido de madrugada.”

“Deixa disso, Adriano está preocupado com seus distanciamento da gente.”

“Eu não me distanciei.”

“Você nem dormiu aqui essa semana.”

“Não quero segurar vela, até porque sei que vocês só transam a cinco dias” — mando uma figurinha para suavizar minha fala.

“A gente não vai se comer na sua frente!”

“Não quero correr esse risco, obrigado.”

“Vamos almoçar amanhã com a gente?”

“Eu, vocês e o Luan, e vem cá me fala uma coisa: o Ykaro vai também? Estou perguntando para saber se levo meu castiçal ou se só o porta velas já vai resolver.”

“Engraçadinho, vamos comer na padaria perto do trabalho dele onde normalmente a gente come”

“Eu sei onde é”

“Caio estou falando sério, não precisa mudar nada entre a gente”

“Eu sei meu bem, relaxe que está tudo bem, só estou dando privacidade de casal a vocês.”

“Caio, a gente não precisa disso, o Adriano está achando que você está chateado por causa da gente estar junto” — imaginei que isso fosse acontecer.

“Se eu falar que vou almoçar com vocês amanhã você para de fazer chantagem?”

“Paro”

“Pois então encontro vocês lá” — digo para encerrar esse papo.

Devo ter dormido só umas duas horas hoje, mas não posso reclamar, a Mamis está trabalhando e eu preciso deixar a casa arrumada e o almoço feito para quando ela vier almoçar. Não me incomodo de ajudá-la, pois a Mamis é quem mais me acolhe e me ajuda. Adriano está todo feliz me mandando mensagens porque eu confirmei que vou almoçar com eles. Estou feliz por ele está bem — até porque não tem como não ficar bem com o Breno? Só tenho receio da Madrinha começar a achar que não merece o Breno.

Com tudo pronto começo a me arrumar, Breno ficou de passar aqui em casa para me buscar mesmo depois de dizer que iria encontrar com eles lá. Breno é o homem mais bonito que já conheci, no momento em que o vi sabia que ele iria querer o Adriano, assim como sabia que o Adriano nem iria olhar para ele. A Madrinha já vinha de uma longa lista de pretendentes, entretanto todos semelhantes em uma coisa — nenhum deles gostava realmente dela — pobre da Madrinha.

Foi uma surpresa eles terem ficado, porém como em um conto de fadas o príncipe teve que ir embora e princesa — no caso a Madrinha — ficou ainda mais bêbada e esqueceu do príncipe. Faço minha meia culpa por não ter contado ao Adriano antes, mas é que queria que ele mesmo visse o quanto Breno estava afim dele e no fundo imaginei que ele lembraria, mas não lembrou e depois de pouco tempo começou a sair com outra pessoa.

Mesmo que tudo tenha acontecido como aconteceu eu tinha a impressão que Adriano e Breno iriam se entender — para o bem ou para o mau. — A Madrinha perder muito tempo insistindo que eu queria o Breno, eu nunca quis o Breno, justamente por saber desde sempre que o boy havia ficado cego de amores pela Madrinha. Sério, foram noites e mais noites tendo que ouvir o quanto ele queria se declarar para o Adriano.

— Oi — Breno me cumprimenta quando entro no carro.

Ele está impecável como sempre, usando calça jeans e uma babe tee.

— E aí querido.

— Pode melhorar seu humor, por favor — pede gentilmente.

— É o melhor que posso fazer quando me forçam a ir para um lugar onde não quero está.

— Tá bom, quando você vai admitir que ama o Luan e que saber que ele e o Ykaro estão juntos te devastou por dentro?

— Você é um péssimo advogado, pois eu não amo o Luan — seu olhar em mim é de pura incredulidade — e antes que diga alguma coisa, também não estou nutrindo nenhum sentimento secreto pelo insuportável do Ykaro.

— Desculpa, Caio, mas é bem difícil de acreditar em você, desde que descobriu dos dois você tem estado estranho.

— Não me importo — digo indiferente.

— Se não vai falar comigo pelo menos fala com o Adriano — Breno é um chato.

— Eu amo o Adriano — ele me encara esperando que eu diga mais alguma coisa — e eu amo você.

— A gente também te ama.

— Me sinto um pouco culpado por quase ter estragado tudo entre vocês — digo olhando para fora do carro.

— Você não estragou nada, Caio.

— Eu sei, sou perfeito demais para isso.

— Você é perfeito sim amigo, mas sério não tem porque se afastar da gente — Breno é um doce, a Madrinha finalmente está em boas mãos agora.

— Só quero mesmo que vocês possam aproveitar todo o tempo perdido amigo, devo isso a vocês.

— Você não nos deve nada, Caio — Breno diz bastante sério — a gente te adora e estamos sentindo sua falta, o Mozão até falou ontem que sente falta até das suas brigas com o Luan.

— Mozão? — Ele fica vermelho, acho que não pretendia expor o apelido de casal dele para mim.

— Adriano, eu disse Adriano.

— Não, você chamou ele de Mozão — Breno está profundamente arrependido agora — e ele te chama de Mozão também?

— Sim — ele não me olha diretamente.

— Não, eu conheço a Madrinha, ela é criativa demais para repetir um apelido que nem os dois héteros da shoppe que se chamam de Nego.

— Eu acho fofo o Ykaro e o Luan se chamarem assim — usando suas artimanhas de advogado para fugir do assunto, ele é tão fofinho.

— Eles são tudo menos fofos, afinal o que fizeram com a Stella foi um vacilo colossal.

— O amor tem dessas, quando é pra acontecer acontece, não ver eu o Adriano.

— Você não quis dizer, você e o Mozão? — Adoro provocá-lo.

— Ele me avisou para tomar cuidado perto de você.

— Amoreco? Não acho que não — começo a tentar adivinhar enquanto ele dirige — Moreco talvez.

— Você não vai adivinhar.

— Esqueceu com quem você está falando — ele apenas sorrir vitorioso certo que que não vou acertar, mas então tenho o prazer de ver seu rosto se desmanchando quando falo — Mozim.

— Vai para merda, como?

— Eu sei de tudo Mozim!

— Para de me chamar assim — sua vergonha está triplicada.

— Por que, só o Mozão que pode?

— Você vai queimar no inferno por isso, você sabe? — Admito, estava sentindo falta de tirar sarro com Breno.

— Até acho que vou para o inferno, mas não por isso.

— Isso é bom.

— O que?

— Ter você de volta — dessa vez eu quem fico um pouco envergonhado.

— Eu não vou a lugar nenhum, mas sério será que o castiçal vai dar conta de tamanha menção desses casais — digo surpreendendo ele tirando de fato um cartão da bolsa.

— Não acredito nisso — Breno está incrédulo, eu tenho esse castiçal já faz um tempo, comprei para performar “Alejandro” da Lady Gaga.

— O que, não achou que eu iria segurar essas velas nas mãos?

— Cara você é impossível.

— E é por isso que vocês me amam — digo sorrindo e um pouco aliviado do Breno não está mais chateado comigo — há comprei uma vela preta só para irritar o crente do shopper.

— Pelo jeito o Adriano vai se arrepender muito cedo de ter dito que sentia falta de sair com você e com o Luan.

— Adriano? Não conheço — digo debochando.

— Você não vai deixar isso passar?

— Não — digo negando com a cabeça — mas, sério, não sei de quem você está falando?

— Estou falando do meu Mozão — Breno diz cheio de orgulho, fazia muito tempo que não o vi tão feliz, acho que esses dois perderam muito tempo, porém sinto que não vão mais cometer esse erro.

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Comentários

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Essa perspectiva do caio soa interessante, também instigante, amigo, conselhos e ciúmes, e auto-sabotagem...

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