O corrupto e a esposa exemplar. Cap. 1

Um conto erótico de Dr.Jakyll6
Categoria: Heterossexual
Contém 4393 palavras
Data: 09/02/2026 19:15:13

No condomínio "Ville de Champs", Renato e Isabella Oliveira eram o casal que todo mundo olhava. Renato, 33 anos, tinha aquele visual de homem que dá certo: alto, forte, cabelo sempre no lugar, barba feita. Parecia saído de um catálogo.

Mas era Isabella quem realmente parava o trânsito. Também de 33, ela tinha uma beleza excepcional. Loiro natural, rosto de boneca, e um corpo de parar o trânsito. Peitos grandes e firmes que empinavam qualquer blusa, uma cintura que dava vontade de apertar com as duas mãos, e um quadril largo que terminava numa bunda redonda, alta e empinada — aquele tipo de rabo que faz os homens engasgarem no meio da frase quando ela passava.

Por ser professora de etiqueta, ela se vestia com roupas comportadas que tentavam, sem muito sucesso, esconder o que tinha debaixo. Mas dentro de casa, com Renato, costumava ficar mais a vontade. De camiseta colada e shorts curtos, cada curva ficava evidente. As coxas grossas, a cintura fina, e aquela bunda que Renato adorava segurar e que, nas horas mais quentes gostava de apertar. Todo mundo no condomínio sabia que ele era um homem de sorte. E muitos imaginavam como seria ter uma noite com aquela mulher.

Eles se conheceram aos 21, no grupo de jovens da igreja batista – ele ajudando no som, ela organizando os hinos. O amor floresceu entre estudos bíblicos e sucos depois do culto. Casaram-se aos 25 numa cerimônia simples e emocionante. Oito anos depois, o amor havia se estabelecido em uma rotina confortável e doce. O grande plano agora era uma família e com estabilidade financeira já haviam começado a preparar o quarto do bebê.

O trabalho de Renato dava estrutura a essa vida. Como advogado especializado em direito civil, seu escritório era um reflexo de sua mente: organizado, eficiente, ético. Ele não era o mais caro da cidade, mas era o mais respeitado. Ganhava causas defendendo viúvas contra corporações, pequenos comerciantes contra grandes redes. Acreditava que a lei era uma ferramenta para justiça, não apenas para lucro. Ao final do dia, ele voltava para casa com a consciência limpa e o coração cheio pelo que construíra.

O trabalho de Isabella era uma extensão natural de quem ela era. Seu "Programa de Excelência Pessoal para Jovens Mulheres" era procurado pelas famílias mais ricas da região. Em uma sala com espelhos e móveis antigos, ela ensinava meninas de 16 anos a arte da aparência perfeita: como andar, como falar, como sorrir sem mostrar muitos dentes, como recusar um convite sem ofender. "A elegância", dizia ela, "está no controle absoluto". Ela era exímia nisso. Às terças, trocava o salão de aula pela cozinha da igreja, organizando a distribuição de sopa. Era o equilíbrio perfeito – servir aos ricos com educação, aos pobres com caridade. Sempre mantendo a distância adequada.

Isabella:

O aroma do café fresco preenchia nossa cozinha branca e ensolarada. Eu passava manteiga no pão integral, observando Renato à mesa, já revisando alguns papéis mesmo num sábado de manhã.

— Você não consegue desligar nem no fim de semana, é? — comentei, levando a xícara até ele.

Ele ergueu os olhos, aquela linha de preocupação entre as sobrancelhas que eu conhecia tão bem.

— É aquele caso da herança da Dona Marta. O filho está sendo impossível, querendo vender tudo antes mesmo do inventário... — suspirou, pegando a xícara. — Mas chega de trabalho. Como foi sua sexta-feira? Ainda bem que aquele grupo de mães do Colégio São Luís finalmente contratou seu curso, né?

— Finalmente — concordei, sentando-me à sua frente. — A diretora achava que aulas de etiqueta eram "coisa do passado". Até ver as filhas delas se comportando como animais no último chá beneficente.

Nós dois rimos, e por um momento foi perfeito. Foi então que o movimento na casa ao lado chamou minha atenção. Valério apareceu em sua varanda, apenas de shorts, camisa com botões abertos, mostrando sua barriga protuberante, peito peludo e com seu sorriso cínico.

Renato seguiu meu olhar e seu rosto fechou-se.

— Aquele desgraçado — murmurou, baixando a voz. — Ontem encontrei o síndico no elevador. Parece que Valério está tentando novamente emplacar aquele projeto da sauna com bar.

— Ele não desiste, pois não? — comentei, tentando manter meu tom leve. — Às vezes acho que ele faz essas coisas só para te provocar.

— Ele faz porque é um homem pequeno que precisa provar que é grande — Renato disse, sua voz carregada de desprezo. — Mas não vai conseguir. Na próxima assembleia, vou ter todos os números para mostrar como seu "projeto premium" vai aumentar as taxas em 30%. — Ele colocou a mão sobre a minha. — Não se preocupe com ele, Bella. Estou cuidando de tudo.

Eu cobri sua mão com a minha.

— Eu sei que está.

Mas enquanto dizia isso, meus olhos voltaram para a varanda. Valério estava sentado agora, olhando diretamente para nossa janela. Ele levantou o copo ligeiramente.

— O que foi? — Renato perguntou.

— Nada — respondi rápido, me levantando. — Acho que vou precisar trabalhar na proposta para as mães do São Luís hoje. Elas querem um módulo sobre etiqueta digital.

Conseguimos retomar a conversa sobre trabalho, sobre nossos planos. Mas durante toda a manhã, eu estava consciente — dolorosamente consciente — dos olhos de Valério fixos em nós. E de uma parte de mim que, contra toda lógica, se perguntava o que exatamente aquele homem estava pensando enquanto nos observava.

O vizinho, Valério Montenegro, era tudo que eu detestava num homem. Uns 55 anos, barrigão, careca brilhante, sempre de camisa havaiana esticada sobre a pança e shorts que pendiam nele como num cabide. O rosto era feio, meio amassado, com olhos pequenos e escuros que pareciam medir o preço de tudo. Na sala dele, dava pra ver da nossa janela uma prateleira cheia de medalhas e placas — "Homem do Ano", "Benemérito" — que todo mundo sabia que ele comprou ou conseguiu com jeitinho na prefeitura.

Ele se dizia "empresário", mas o que todo mundo sabia é que o dinheiro vinha de contratos sujos com o governo e de especular com terrenos. Morava sozinho naquela casa enorme, e de vez em quando apareciam umas garotas jovens demais, que nunca estavam lá de manhã.

O pior era o sorriso dele. Um sorriso de deboche, que não chegava aos olhos, como se o mundo inteiro fosse uma piada que só ele entendia. Ele passava horas na varanda, de camisa aberta, nos observando. E eu sentia quando o olhar dele pousava em mim. Era como um toque sujo.

O primeiro encontro de verdade foi numa manhã de quarta. Eu voltava da corrida, toda suada, de leggings e top. Ele estava "consertando" o sprinkler bem na hora que eu passava.

— Bom dia, dona Isabella — disse ele, se levantando com aquela dificuldade de gordo. Os olhos dele me percorreram do pé à cabeça, devagar, como se estivesse me vendo nua.

— Bom dia — respondi rispidamente, tentando passar direto.

— Corrida matinal? Admirável. Disciplina — ele fez um movimento sutil, bloqueando um pouco o caminho. — Eu prefiro exercícios mais noturnos. Mais… intensos.

A insinuação foi tão grosseira que deu um enjoo. Meu peito ainda subia e descia rápido da corrida, e ele ficou olhando fixo.

— Preciso ir, tenho aula.

— Claro, claro. A professora de boas maneiras — ele fez uma pausa, os olhos grudados no meu decote. — Deve ser interessante. Ensinar controle. Enquanto por dentro… — Não terminou, só soltou aquele sorriso de deboche. — Bom dia.

Saí dali me sentindo violada. Na hora do jantar, comentei com o Renato.

— O que ele disse exatamente? — a voz dele ficou dura, o rosto fechando.

— Nada demais, só… o jeito que olhou. E um comentário sobre exercícios noturnos.

Renato bateu o garfo no prato com força.

— Esse desgraçado. Amanhã vou falar com ele.

— Não, Renato, por favor. Vai piorar as coisas. É só um velho nojento.

— É um predador, Bella. E eu não vou permitir que ele te assedie.

Ele falou com aquela voz protetora, firme. Eu me senti amada, claro. Mas também me senti… meio tratada como criança. Como se não pudesse lidar sozinha com um velho asqueroso.

Nos dias seguintes, parecia que o Valério tinha um radar para mim. Se eu ia na portaria pegar encomenda, ele estava lá. Se eu ia na piscina do clube, ele aparecia, deitado numa espreguiçadeira, os óculos escuros voltados para mim como se estivesse me filmando. Se eu estacionava no mercado, o carrão dele vinha parar do lado. Sempre com aquele olhar que me despia, sempre com um comentário de duplo sentido que era quase uma ofensa, mas nunca explícito o suficiente para eu fazer um boletim de ocorrência.

O calor de sábado à tarde levou algumas famílias à piscina. Eu usava meu biquíni mais comportado: um modelo com bojo, alças largas, e uma saia curta acoplada à calcinha. Era azul-claro, sem graça, mas nem assim conseguia esconder totalmente os seios grandes ou o volume do bumbum. Deitei sob o guarda-sol, tentando ler.

Valério se instalou na espreguiçadeira ao lado, com uma cerveja na mão.

— Boa tarde, dona Isabella. Aproveitando o fim de semana para descansar da… pedagogia?

Olhei por cima do livro. — Boa tarde. É só um curso de etiqueta, Sr. Valério. Nada tão grandioso.

— Modéstia à parte — ele sorriu. — Deve ser fascinante. Ensinar jovens mentes a ter boas maneiras. A reprimirem impulsos. A esconderem o que realmente querem. — Tomou um gole. — Você é boa nisso?

— Ensino boas maneiras. Postura. Respeito. São valores importantes — respondi, tentando manter a conversa no profissional.

— Valores importantes — ele repetiu, como se saboreasse as palavras. — E essas meninas, elas aprendem? Aprendem a sentar direitinho, a falar baixinho, a cruzar os tornozelos? A fingir que não têm um corpo debaixo dos vestidos caros?

Minha mão apertou o livro. — Isso é uma distorção grosseira do meu trabalho.

— É uma curiosidade genuína — ele insistiu, a voz suave. — Porque vejo você aqui, tão controlada, tão… perfeita. E me pergunto: será que no fundo da sala, quando uma daquelas riquinhas balança a saia ou mostra um decote, você sente um pontinho de… inveja? Inveja da espontaneidade que você mesmo se nega?

Eu me sentei, enfrentando-o diretamente. — Não sinto inveja de adolescente nenhuma. E meu trabalho é justamente mostrar que elegância e inteligência não têm nada a ver com vulgaridade.

— Vulgaridade — ele ponderou, ajustando-se na cadeira. A bermuda folgada não escondia mais nada. Eu forcei meus olhos a não descerem. — É uma palavra interessante. Onde começa a vulgaridade, Isabella? Num decote? Num olhar mais demorado? Num pensamento que não deveria existir? — Ele inclinou-se para frente. — Quando você corrige a postura de uma aluna, puxando seus ombros para trás, fazendo seus peitos se projetarem… isso é elegância ou é, sem querer, uma aula de como exibir o que se tem?

— Isso é absurdamente ofensivo! — ergui a voz, agora verdadeiramente furiosa. — Você reduz tudo a… a carne! Meu trabalho é sobre dignidade, sobre presença!

— E sua presença aqui, agora — sua voz baixou, tornando-se íntima, invasiva — é muito digna? Com esse corpo que não cabe no tecido comportado, com essa pele que pede para ser tocada, deitada aqui como um… contrassenso vivo? Você ensina controle, mas seu próprio corpo é a prova de que algumas coisas são grandes demais para serem contidas. — Seus olhos escorregaram pelo meu decote, pela cintura, pela curva dos quadris sob a saia. — Suas alunas deveriam te ver agora. Aprenderiam a lição mais importante: que não adianta colocar uma saia num vulcão e chamá-lo de colina.

Tremendo de raiva pura, me levantei e agarrei minhas coisas. — Você é doente. Patético. Fica aí com suas teorias pervertidas. Eu vou para casa, para o meu marido, para a minha vida que você nunca vai entender, muito menos tocar.

Saí dali com passos rápidos e altivos, o coração batendo forte no peito. A audácia dele, de distorcer algo que eu fazia com tanto orgulho… era revoltante. *Idiota*, pensei, trancando a porta de casa. *Acha que me intimida com palavreado sujo. Meu trabalho é limpo. Minha vida é limpa. Ele que fique com a sujeira dele.*

A tarde seguiu, mas uma inquietação ficou, grudada em mim como o cloro da piscina. As palavras do Valério ecoavam, mas não de forma clara. Era mais um mal-estar, uma confusão. Ele era grosseiro, ofensivo. Tinha distorcido meu trabalho, meu modo de viver. Eu *sabia* disso. A raiva era justa. Então por que, quando tentava me concentrar no jantar que faria para o Renato, me pegava revivendo aquele momento? Não era com desejo. Era… com uma estranha atenção. Como se ele tivesse apontado para algo em mim que eu mesma evitava olhar. Algo sobre contenção, sobre controle. Me senti exposta, mas não só pela roupa. Pela possibilidade – absurda, é claro – de que houvesse alguma verdade naquela provocação doente. Abanei a cabeça, esfregando os olhos. Estava cansada. Era só isso. O cansaço e o calor deixando minha mente vulnerável às investidas de um homem sem caráter. A minha vida com o Renato era sólida, amorosa, certa. Esse frio na barriga, essa sensação de ter sido *vista* de um jeito tão íntimo e invasivo… era apenas o desconforto do assédio. Só isso.

No fim de semana durante o aniversário do sr. Tadeu, síndico do prédio, no salão de festas do condomínio eu vestia um vestido floral de cor laranja claro, meio justo mas comportado, como esposa fiel e exemplar que sou. Estava pegando um canapé quando senti aquele cheiro dele – tabaco caro e um perfume forte – antes mesmo de ouvir a voz.

— Dona Isabella. Que visão.

Me virei e ele estava bem atrás de mim, perto demais. Olhou meu vestido que pra mim não tinha nada demais, porém nos olhos dele, parecia que eu estava nua.

— O vestido… é inspirador — ele disse, e a pausa antes da palavra foi suja de propósito.

Foi quando o Renato apareceu, colocando-se entre nós. O rosto dele estava fechado, aquele rosto bonito que eu amo, agora rígido de raiva.

— Há algum problema, Montenegro?

Valério ergueu as mãos, fingindo inocência.

— Nenhum problema, doutor. Só cumprimentando sua belíssima esposa. Elogiei o vestido. É… revelador.

Renato deu um passo à frente. Ele é mais alto, mais forte. O contraste entre os dois era absurdo.

— Mantenha distância da minha esposa. E mantenha seus comentários para si mesmo.

A sala inteira parou para olhar. Valério não recuou nem um centímetro. Aquele sorriso de deboche surgiu nos lábios dele.

— Tão protetor. Tão… previsível. Não se preocupe, doutor. Apenas aprecio a beleza. Como todos aqui. — Os olhos dele voltaram para mim, escorrendo pelo meu corpo como um líquido quente. — E há tanta beleza para apreciar.

Renato estava prestes a explodir. Pousei a mão no braço dele.

— Renato, por favor. Vamos embora.

Puxei ele para fora, mas ao virar, o sussurro de Valério chegou até meus ouvidos, baixo, íntimo:

— Até logo, Isabella. Sonhe com coisas… grandes.

Essas palavras me encheram de raiva, como ousa falar assim comigo. Um homem totalmente abusado, grosso, barrigudo, pensa que tem esse poder sobre mim e minha vida. Na volta para casa, o Renato não se controlava.

— Vou processar esse filho da puta! Por assédio moral! Por importunação!

— Renato, é a palavra dele contra a nossa. E ele tem influência, você sabe disso.

— Eu não me importo! Ele não vai falar assim com você!

Mas enquanto ele falava, furioso, eu ficava em silêncio. As palavras do Valério não saíam da minha cabeça. *"Sonhe com coisas grandes."* Por que elas não saiam da minha cabeça? Eu uma mulher valorosa, que ensina meninas os valores de uma mulher direita. Ainda assim o silêncio entre as palavras do Renato era preenchido por imagens intrusivas que me envergonhavam: não o rosto do Valério, mas a sombra dele, grande e pesada; a promessa, não de carinho, mas de posse bruta. Renato segurou minha mão sobre a mesa, seu toque firme e quente, tão diferente do que minha mente traiçoeira imaginava. "Nada vai acontecer com você, Bella. Eu juro por Deus." Ele falava com a convicção de quem acredita que o mundo pode ser controlado por leis e orações. Eu olhei para nossos dedos entrelaçados, para a aliança que brilhava sob a luz da cozinha, símbolo de um pacto que agora sentia frágil como vidro. Ele via um predador a ser enfrentado. Eu começava a sentir a atração mórbida da presa que fareja o caçador. Enquanto ele planejava petições e ações judiciais, uma parte de mim, pequena e apodrecida, se perguntava como seria ser pega por algo que não pedisse licença, que não jurasse proteger, que simplesmente *tomasse*. E o pior: essa parte sussurrava que, no fundo do medo, talvez houvesse uma verdade sobre mim que o amor puro do Renato nunca seria capaz de tocar.

Eu sacudi a cabeça, como se pudesse espantar os pensamentos como moscas. *Que nojo*, pensei, olhando para Renato. Ele estava aqui, real, meu marido, o homem que orava comigo, que planejava o quarto do nosso bebê com tanto carinho, que me olhava como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo. Eu amava nossa vida. Amava a segurança das nossas rotinas, o cheiro do café que ele fazia de manhã, o jeito que ele me abraçava depois de um dia difícil. Amava os planos que fazíamos de noite, deitados na cama, falando sobre nomes para o bebê, sobre a escola que escolheríamos, sobre como seríamos avós um dia. Isso era real. Isso era *nosso*. O Valério era só… um tumor, uma coisa feia que insistia em crescer na beirada do nosso mundo perfeito. Apeguei-me com força à mão de Renato, sentindo a textura familiar de seus dedos, o anel de formatura que ele sempre usava. *Isso aqui é a minha vida*, lembrei a mim mesma. *Isso aqui é o amor que eu escolhi.* A atração pelo perverso era um delírio, uma fraqueza da carne, não do coração. E meu coração, eu sabia, batia forte e limpo por Renato.

No fim da tarde, com o sol já baixo, me forcei à rotina da arrumação pré-sono. Separei as roupas para o dia seguinte, dobrei meias aos pares, limpei a pia do banheiro até brilhar. A quietude da casa se instalava, o ritmo lento do fim de semana que Renato e eu conhecíamos tão bem. Enchi um copo d'água na cozinha escura, apenas a luz do abajur da sala iluminando o corredor. Por um momento, enquanto observava os últimos moradores chegarem ao condomínio da janela da cozinha, aquele silêncio doméstico pareceu um cobertor pesado e seguro, abafando tudo de fora. Respirei fundo, sentindo o cansaço honesto do dia. A rotina era um porto seguro. Virei-me para apagar a luz e subir, pronta para mais uma noite comum ao lado do meu marido. Mas ao passar pela porta dos fundos, trancando-a com a chave habitual, meu olho captou um movimento no jardim do vizinho. A luz do jardim de inverno dele estava acesa, e a silhueta de Valério estava nítida atrás do vidro, em pé, de perfil para a minha direção. Ele não estava apenas parado. Seu roupão estava aberto. E com uma mão, ele segurava algo – algo longo, espesso e pendente, uma sombra obscena contra a luz atrás dele. Não era um aperto casual. Era uma afirmação, uma exibição lenta, como se estivesse medindo o próprio peso na palma da mão. Ou talvez estivesse apenas urinando no próprio jardim, com um desprezo animal pela privacidade, o jato escuro visível por um instante. O membro parecia desproporcional, uma arma bruta pendurada naquele corpo flácido. Ele então virou a cabeça lentamente, como se sentisse meu olhar espreitando das sombras da minha cozinha. Não pude ver seu rosto, mas a pose era de total desafio. Meu estômago embrulhou, um choque quente de nojo e de uma fascinação involuntária percorrendo-me. Subi as escadas correndo, as pernas bambas, mas a imagem estava gravada: a forma longa e pesada na mão dele, a arrogância daquele ato. As palavras dele seguiram-me, agora com uma imagem concreta e brutal para ilustrá-las, enquanto me enfiava na cama ao lado do Renato adormecido: "Sonhe com coisas grandes."

E o pior é que, naquela noite, eu sonhei.

Não foram sonhos bons. Foram pesadelos quentes. Sonhei com mãos que não eram as do Renato – mãos maiores, mais ásperas, com anéis que arranhavam. Sonhei com um peso diferente sobre mim, mais pesado, mais… opressivo. Acordei no escuro, o corpo todo tenso, as coxas pressionadas uma contra a outra. A imagem não saía da minha cabeça: o sorriso debochado do Valério, os olhos dele percorrendo meu corpo na piscina, a insinuação úmida daquela frase – "Sonhe com coisas grandes". Um calor incômodo, misturado com raiva e uma curiosidade que ainda não entendia. Virei-me na cama, e meu movimento acordou Renato.

— Bella? — sua voz, rouca de sono, veio ao meu ouvido.

Não respondi com palavras. Virei-me de frente para ele e o beijei, com uma urgência que não era nossa, que não era minha. Minhas mãos encontraram o rosto dele na escuridão, depois desceram por seu peito, pelo abdomen, até seu pau já meia bomba. Renato gemeu surpreso, mas respondeu ao beijo, suas mãos encontrando meus seios por cima da camisola de seda. Ele apertou, seus dedos conhecedores beliscando meus mamilos até eles ficarem doloridos e pontiagudos contra o tecido.

— Você tá com tesão hoje — ele murmurou contra minha boca, sua voz carregada de sono e desejo.

Puxei a camisola para cima, ajudando-o a tirá-la, e em seguida empurrei a cueca dele para baixo. Seu pau parecia mais duro hoje, maior, acredito que com cerca de uns 17 cm, coisa acima da média. Ele entrou em mim de um só movimento, profundo, e eu soltei um gemido abafado contra seu ombro. Não eram as mãos do Renato que eu imaginava na minha cintura. Não era o corpo atlético dele que eu via na minha mente, pressionando-me contra o colchão. Mas era ele, era seguro, era o meu marido. Eu cavalguei sobre ele com uma fome que me assustou, meus quadris encontrando os dele com uma força que fazia a cama ranger. Meus seios balançavam no ritmo dos nossos corpos, e eu prendi um deles na boca, chupando com força, tentando substituir uma sensação por outra.

Renato segurou meus quadris, seus dedos se enterrando na minha carne, e começou a me empurrar para baixo no seu ritmo, mais forte, mais rápido.

— Isso, assim — ele rosnou, seus olhos fechados no êxtase.

De repente, uma urgência ainda mais suja tomou conta de mim. Desci dele, empurrando-o para que se deitasse de costas.

— Vira — ordenei, minha voz rouca, estranha até para mim.

Ele obedeceu, surpreso. Ajoelhei-me atrás dele, na posição de quatro, minhas mãos pressionando suas costas para baixo. Empurrei minha bunda para trás, guiando ele para dentro de mim por trás. A penetração foi diferente — mais invasiva, mais profunda. Um gemido gutural escapou de meus lábios. Comecei a rebolar contra ele, não mais o movimento para cima e para baixo de antes, mas um rodar obsceno dos quadris, um bater de nádegas contra seus ossos do quadril que fazia um som úmido e alto no quarto silencioso.

— Caralho, Bella — Renato gemeu, seu rosto enterrado no travesseiro. — Que foda…

Minhas mãos se agarravam aos lençóis, e eu fechei os olhos com força. Na escuridão, não era o rosto do meu marido que eu via. Era a visão da silhueta de Valério, daquela coisa longa e pesada na mão dele. Era o sorriso debochado. E, Deus me perdoe, minha mente traidora substituía o pau de 17 cm do Renato por algo monstruoso, por aqueles 28 centímetros ameaçadores, rasgando-me ao meio naquela posição de submissão animal. Meu ritmo ficou mais frenético, desesperado. Eu queria que doesse. Queria que me preenchesse até não caber mais, até apagar tudo.

— Mais forte — gritei, uma ordem, não um pedido. — Me fode mais forte!

Renato respondeu, seus quadris batendo contra a minha bunda com uma força que eu nunca pedira antes. A cama batia na parede. Eu gritava, gemidos roucos que não eram de prazer puro, mas de uma raiva, uma fúria contra mim mesma, contra os meus pensamentos, contra aquela atração doentia. Quando o orgasmo me atingiu, foi uma convulsão violenta, meu corpo todo tremendo, um grito abafado no travesseiro. Renato gozou segundos depois, seu corpo se contraindo atrás de mim.

Ele desabou ao meu lado, ofegante. — Meu Deus, amor… de onde saiu isso? - E acabou dormindo

Deitei de costas, olhando para o teto, sem sono, noite a dentro o suor escorrendo entre meus seios. Meu corpo pulsava, satisfeito de uma forma brutal. Mas minha mente estava em frangalhos. Eu tinha usado o meu marido. Tinha feito sexo com ele imaginando outro. Pior: imaginando aquilo. A culpa veio como um balde de água gelada. Virei-me de lado, afastando-me dele com vergonha, eu o amo, prometendo a mim mesma que nada disso volte a acontecer.

E fechei os olhos, tentando dormir, tentando não chorar, tentando não lembrar que, no auge do sexo, pela primeira vez, o nome que quase saiu da minha boca não foi o de Renato a imagem de um sorriso feio, cheio de dentes, e escutando um sussurro na escuridão: "Coisas grandes".

Do outro lado da cerca, naquela mesma noite, Valério colocou seu plano em movimento. Há semanas ele cavava, usando seus contatos podres. E encontrou: uma falha ética do Renato no caso do velho Lúcio. Um acesso não autorizado a um sistema. Coisa pequena, mas o suficiente para destruir a carreira dele. Ele imprimiu tudo, organizou, fez um dossiê. Era a chave, pensou, olhando para as luzes da casa dos Oliveira. A chave para ela. Para aquela bunda empinada e aqueles peitos de esposa direitinha. Ela vai se ajoelhar. Vai obedecer. Vai aprender. Vai se corromper.

Na manhã seguinte, uma noite mal dormida por conta de imagens e sons que vinham a minha mente, acordei e vi que Renato já estava arrumado indo para o trabalho.

— Estou indo meu amor, hoje o dia vai ser corrido então se me chamar no celular posso demorar a responder.

Renato me deu um beijo e se dirigiu para o escritório.

Levantei logo depois, escovei os dentes e fui verificar meu celular, se não tinha alguma mensagem da diretora. No entanto a primeira mensagem que apareceu foi de um número desconhecido. Um texto seco e uma foto do documento.

A armadilha estava armada. E eu, Isabella, a professora que ensinava controle, estava prestes a aprender a lição mais difícil: que quando um homem como aquele decide te pegar, não tem etiqueta no mundo que te salve. Ele tinha a medida exata do seu poder sobre mim. E eu ia descobrir, centímetro por centímetro.

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Comentários

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Isabella vai sentir a pressão do velho lobo!

Terá forças para escapar da investida?

Se descobrirá?

Que surpresas nos aguardam?

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Conto muito bem escrito,com ótima cadência e promete cenas excitantes. Porém,devo observar que ultimamente tem pipocado contos com essa fórmula: vizinhos feios,gordos,e invasivos,que estão sempre na espreita,com casas tão próximas que os terrenos se confundem,sem qualquer tipo de barreira. Parece ser um novo filão a ser aproveitado pelos autores. E está dando certo.

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Exatamente, a intenção é aproveitar essa leva de contos, tiveram alguns que eu li que infelizmente não terminaram como eu gostaria no entanto foram contos que me deram muito tesão e me motivou a criar essa história. A ideia é iniciar com esse tema mais popular e excitante também por eu já ter a historia na minha cabeça a tempos e ser mais fácil de escrever, depois partir pra outros temas, tenho muita ideia na minha mente e essa fase de escrever está sendo bem prazerosa. Obrigado pelo elogio.

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