Me chamo João Vítor, hoje tenho 30 anos de idade e vou contar um pouco sobre os fatos loucos e reviravoltas que ocorreram na minha vida, especialmente sobre como um caçula rebelde acabou vivenciando coisas surreais com as mulheres da família. Sou nascido no Rio de Janeiro, onde vivi praticamente a minha vida inteira.
Dizem que o caçula é sempre o protegido, o "xodó", mas na nossa casa na Tijuca, eu era o ponto fora da curva. Enquanto minhas irmãs, Ana Beatriz e Mariana, pareciam seguir o roteiro perfeito da classe média carioca, eu escolhi o caos. A separação dos meus pais, no início da minha adolescência, foi o fósforo riscado num quarto cheio de gasolina. Meu pai, o Ricardo, bancário sério e de poucas palavras, mantinha uma fachada de ordem que desmoronou em uma noite de gritos e vidros quebrados.
Minha mãe, a Camila, descobriu que a "seriedade" dele escondia uma traição de longa data. Ele não só foi embora, como foi viver com a outra mulher, deixando para trás um rastro de humilhação que eu, na minha fúria juvenil, não soube processar. Eu me tornei um idiota completo após a saída dele. A rebeldia não era apenas uma fase, era um projeto de autodestruição.
Eu vivia fora de casa, perambulando pelas ruas da zona norte, fumando maconha em qualquer esquina, bebendo até apagar e voltando para casa apenas para descarregar meu ódio. O clima era hostil. Eu brigava o tempo todo com a minha mãe, projetando nela a culpa de uma casa que agora parecia vazia, e minhas irmãs eram alvos fáceis do meu deboche e agressividade verbal. Eu era o elemento tóxico de uma república que tentava se manter de pé enquanto eu fazia de tudo para derrubá-la.
A corda estourou e o inevitável aconteceu: fui morar com meu pai em outro estado. Viver com o Ricardo em Curitiba foi como trocar um incêndio por uma câmara frigorífica. Ele vivia com uma mulher chamada Irene — tão séria e milimétrica quanto ele. Naquela casa, o silêncio não era paz, era regra. Foi lá que eu conheci a Letícia, meu primeiro amor, a garota com quem perdi a virgindade, uma garota de olhar triste que foi meu único refúgio. Mas a vida dura com meu pai — que me tratava como um investimento que precisava dar retorno rápido — acabou sufocando tudo.
Quando terminamos, e eu percebi que Curitiba nunca seria meu lar, a solidão bateu no teto. Eu precisava de um motivo para sair dali sem parecer derrotado. O motivo veio com a aprovação no vestibular para uma faculdade pública no Rio. Meu pai deu o veredito: "Eu pago seus custos, mas você mora com a sua mãe".
O ano era 2014. O Rio fervia com a Copa do Mundo, e eu, finalmente maior de idade aos 18 anos, desembarcava na Rodoviária Novo Rio com uma mochila, alguns arrependimentos na bagagem e uma calma estranha que eu não tinha quando saí. Cruzei a cidade em festa e, quando abri a porta daquele apartamento na Tijuca, o choque foi visual. Minha família sempre teve uma genética privilegiada, mas o tempo tinha sido generoso — e até provocante — demais com elas.
Minha mãe, Camila, aos 38 anos, estava deslumbrante. Ela tinha aquela beleza que domina qualquer ambiente: pele clara, olhos de um azul profundo e cabelos loiros, ondulados, na altura dos ombros. O corpo que a corretagem de imóveis e o pilates mantiveram impecável estava num vestido justo, exibindo curvas avantajadas que não lembravam em nada a mãe cansada que deixei para trás; os seios eram fartos e as pernas torneadas davam a ela um ar de vigor e autoridade.
Minhas irmãs não ficavam atrás. Ana Beatriz, aos 22, era uma mulher imponente, alta, com o rosto esculpido moldado por cabelos castanho-claros e lisos. Seus olhos eram verdes, mas com um brilho de desafio. Ela ostentava um corpo atlético e escultural, com coxas grossas, seios médios e uma postura que exalava confiança. Já a Mariana, com 20, tinha um ar mais solar; seus cabelos eram de um loiro-mel que caíam em cascatas. O corpo dela era o legítimo formato violão: cintura fina, seios destacados e um bumbum bem acentuado e empinado que os jeans apertados da época faziam questão de valorizar.
E tinha eu. Aos 18 anos, eu não era mais aquele moleque magricela. Os anos de trabalho pesado e a genética me deram 1,78m de altura e um porte físico atlético. Eu era o reflexo masculino delas: branco, traços marcantes, cabelos escuros e os mesmos olhos azuis intensos da minha mãe, mas com um olhar que carregava o cansaço de quem já tinha vivido demais.
O silêncio na sala durou segundos, carregado pelo perfume delas que tomava conta do ar, até que minha mãe quebrou o gelo: — Você está maior do que a porta, João Vítor. E muito mais homem também. O que o seu pai fez com você?
Eu não tinha resposta. Eu só conseguia olhar para aquelas três mulheres lindas e perceber que eu não era mais o dono daquele território. Eu era um convidado. E a convivência ali, naquele espaço carregado de segredos femininos, prometia ser muito mais surreal do que qualquer coisa que vivi no sul.