Pais e Filhos

Um conto erótico de Dani
Categoria: Trans
Contém 1099 palavras
Data: 07/02/2026 21:56:29
Última revisão: 08/02/2026 13:02:54

⚠️ Esse conto trata sobre suicídio.

As estátuas frias em uma manhã de segunda feira em São Paulo a Alameda Barros tomada por uma multidão sirenes, burburinho, as pessoas estavam se amontoando em um pedaço de mundo específico, ninguém entendia mais nada, o trânsito intenso, com os veículos diminuindo para tentar entender a confusão…

DEZ DIAS ANTES

Luzia chegava na escola, a dificuldade de ser uma menina trans, as ofensas já começavam na quadra da instituição, pais de alunos, alunos, ela sabia que precisava superar isso, era só um cursinho pré-vestibular, se ela não suportasse isso aqui como seria na universidade, principalmente no seu curso de matemática, ela sabia que precisava aguentar.

“Olá André?”, “E aí menina?”, André era seu melhor amigo, confidente, amante, uma soma de coisas que acontecia apenas na vida de alguém tão solitária quanto Luzia, tudo escondido sobre seus cachos negros e olhar afiado, a pele morena, as formas femininas, batom, brincos, jeans, camiseta…

André era o oposto, um rapaz negro, atlético, com uma cara quadrada, um porte de homão, mantinha a barba, tinha orgulho do seu porte masculino e sabia disso, Luzia, o admirava de muitas formas, mas principalmente o desejava, apenas de vê-lo, seu coração paupitava, seu corpo demonstrava a excitação de estar diante de um homem que queria e admirava.

No curso bullying de professores e alunos, por ser feminina, por ser quem é, mas André estava lá… Quando saiam do curso iam direto para um bar próximo, nesse dia as coisas, tinham sido especialmente difíceis, ela havia até chorado na sala… “André, eu… Preciso de colo.”, a garoa anuncia e já senta no colo do amigo, sem ligar para convenções sociais que só servem para excluí-la.

Ele a beija e o mundo parece menos errado…

CINCO DIAS ANTES

As coisas estavam indo bem, maravilhosamente bem, as notas estavam perfeitas, Luzia sai correndo aos pulinhos da instituição, ela recebe um encontro, passaria despercebida pela maioria das pessoas, uma ombrada forte, que a tirou do equilíbrio e quase caiu no chão, “Desculpa.”, ela pede por sua distração o cara, com a bíblia no braço segue, como se não tivesse havido nada, ele não trombou com um ser humano.

Ela chegou quebrada aquela noite em casa, seus pais brigaram na janta de novo, para seu pai era um absurdo a própria existência de Luzia, deixava ele nervoso, irritadiço, sua mãe tentava amenizar mas era difícil Luzia não perceber que era exatamente isso, o ‘apoio’ da sua família, era baseado em fingir que ela não existe, mas isso não fazia com que seu pai ficasse relaxado.

Naquela noite conversando com André, “Eu acho que vou fugir de casa…”, “Que isso garota, só mais um pouquinho, as coisas podem melhorar.”, “Não é assim André, as coisas só pioram, meus pais brigaram de novo.”, “Anjo eu sei, mas você precisa ser forte, o mundo não é um conto de fadas, mas você precisa sobreviver.”... Ela ficou pensando, por um longo tempo o mundo não era o ideal, mas parecia pior para ela.

Ela se sentia mal por culpar os pais, culpar os pais por tudo, era um absurdo, ela sabia disso, mas por outro lado, o que mais ela tinha, se não tinha paz em lugar nem um…

Naquela semana, na sexta feira, ela avisou a mãe que só chegaria às três da manhã… “Você vai sair?”, “Sim mãe.”, “Com um garoto?”, a mãe dela falava como se aquilo tivesse finalmente feito ela acordar para uma realidade diferente, da filha, “Mãe, garotas saem com garotos.”, “É eu sei, mas…”, as palavras não ditas trouxeram lágrimas aos olhos da Luzia que saiu correndo.

Na festa aquela noite, sua amiga Luana foi quem trouxe o assunto, “Poxa, eu quero muito ter filhos, acho que vou dar um nome forte, tipo Pedro, ou Paulo, um nome de santo para trazer força.”, Luzia riu, “Eu realmente quero um nome mais bonito.” todos riram, estava fofinho e perfeitinho.

No caminho de volta, ela e André no carro dele conversando, o beijo aconteceu, foi automático, foi sonhado, foi intenso, as carícias, os corpos, ela se abaixou e dentro do carro colocou ele na boca, seu mundo era aquele obelisco de carne duro que pulsava em seus lábios de batom, quando ele terminou foi uma explosão, ela revirou os olhos, se fartou, se deliciou, nem uma gota foi desperdiçada.

“Eu quero mais.”, ela disse, ele sorriu, no banco do carro sentada no colo dele, roupas foram removidas, ela sentiu ele invadindo seu corpo, duro, pulsante, quente, arrancando gemidos de prazer, fazendo o tempo parar, fazendo amor como se o amanhã não existisse, porque ela precisava disso naquele momento, o agora era tudo o que existia.

Quando chegou em casa, seus pais estavam acordados, nervosos, o mundo estava todo de cabeça para baixo, ela escutou xingos e gritos, enquanto corria para seu quarto escuro para chorar sozinha ouvindo o vento lá fora.

DOIS DIAS ANTES

Falando com outras meninas como ela na internet, ela via que seu problema era tão pequeno, uma amiga, tinha que morar em qualquer lugar, por falta de aceitação dos pais, vivia, onde a deixassem, casa de amigos, ou de “amigos”, que pediam “coisas” em troca, uma outra, vivia de casas de parente em parente e já havia vivido em tantas casas que já nem sabia enumerar direito.

Seus pais eram um problema?, Ela culpava os pais, mas também não os entendia, não entendia a grande fúria desse mundo em que vive, Ela só queria alguém que pudesse explicar isso para ela, qualquer explicação estava boa no momento…

HOJE

Ela acordou lânguida pensando em tudo isso, olhou para sua casa, as paredes recém pintadas, para o cofre do pai, onde dinheiro era guardado coisas para a família, quando precisarmos… Ela olhou para a janela e se lembrou de um momento quando era bem nova… “Luiz o que você vai ser quando crescer.”, ela sempre respondia, “Uma fada…”...

AGORA

A ambulância sai, a multidão se abrindo, ninguém, jamais entenderia o que levou uma jovem com um futuro tão promissor a se jogar do quinto andar, mas talvez, poucos realmente se importasse em entender a resposta ou mudar o que ocorreu.

=== === === … … … FIM … … … === === ===

Essa música me faz chorar desde a primeira vez que ouvi quando ainda era criança, pela morte da personagem bem no comecinho, a primeira vez que ouvi, estava na Alameda Barros, olhando os prédios altos, com o fone de celular… Nunca esqueci o que veio na minha cabeça ainda criança…

“Eu teria coragem de fazer o mesmo?”

Conto feito para o desafio música.

Pais e Filhos, Legião Urbana, As Quatro Estações.

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Foto de perfil de Dani Pimentinha CDDani Pimentinha CDContos: 30Seguidores: 92Seguindo: 22Mensagem Sou cd sou trans, sou queer, não consigo mais me definir por rótulos, sou ela, dela para ela, por escolha e preferência, não sou operada, não sei se faria, mas sou feminina, delicada, ousada, dane-se o mundo, dane-se o que pensam de mim, sou Dani.

Comentários

Foto de perfil de Tito JC

Gosto quando você cita, em seus textos, lugares que eu conheço, me faz estar mais dentro da história. Adaptação perfeita da música. Texto muito sensível, quase dolorido. Concordo com o Bayoux, você está cada vez melhor. A Legião é um universo de maravilhas, cada letra uma história profunda.

Gosto de várias, em especial "O mundo Anda Tão Complicado", acho linda!!!!

Mas me atrevo a cantar apenas duas: "Quase Sem Querer" e "Tempo Perdido".

Abraços!!! ...⭐⭐⭐

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Gostava de cantar essas duas também quando meu namorado tocava mas é que Lobisomem Juvenil era especial por que ele gostava mais.

O mundo anda tão complicado é perfeitinha eu gosto muito muito dela.

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Dani, você está se superando a cada conto, mergulhando cada vez mais na sensibilidade e no drama. Ficou ótimo! Ah, sim, minha predileta do Legião é Vento no Litoral.

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Muito muito obrigada... Eu amava cantar vento no litoral...

Eu acho que a arte dos cavalos marinhos é tão, é de arrepiar... Minha favorita sempre foi pais e filhos, mas meu relacionamento com ela não é dos mais saudáveis.

Então eu coloco Índio como a best.

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Eu cantava Vento no Litoral pros meus filhos dormirem. Me traz ótimas lembranças. E de Índios, lembro da primeira esposa, que conheci jovenzinho, ótimas lembranças também. Pensando bem, Legião me traz lembranças boas em geral, cada música a seu tempo.

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Concordo plenamente…

“Eu era um lobisomem juvenil” um namorado tocava na guitarra para mim cantar com ele. Aí contávamos juntos acho que era meio a nossa musica.

E teve um termino de namoro que mandei um trecho de L’avventure para ele..

“Acho que sempre te amarei

Só que não te quero mais.”

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Caramba, durante muito tempo alternou na minha predileção, Pais e Filhos e Índios, por motivação diferente da sua, na minha juventude Índios me deixou fascinado com todo o seu simbolismo, quando eu fui pai, me chamou a atenção com maior relevância o grito de alerta da música Pais e Filhos para a importância Vital do relacionamento entre pais e filhos.

Sou uma gota d'água

Sou um grão de areia

Você me diz que seus pais não lhe entendem

Mas você não entende seus pais

Você culpa seus pais por tudo

E isso é absurdo

São crianças como você

O que você vai ser

Quando você crescer?

Esses versos ficaram ecoando na minha cabeça, mostrando a responsabilidade de mostrar e convencer ao meu Filho que ele jamais deveria se sentir um grão de areia ou uma gota d'água, mas ao mesmo tempo, me fez entender toda minha impotência devido a uma inexperiência paternal, diante da ebulição, evolução social e comportamental que vem se acelerando nas últimas décadas, trazendo uma insegurança na forma como você deve interagir com seus Filhos para que uma confiança e entendimento mútuo sejam estabelecidos, passando essa fase, Índios voltou a me dar saudades de tudo aquilo que eu ainda não vi.

"Música realmente é indispensável para a Alma Humana."

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A música alimenta a alma e a alma é o reflexo da vida, tornando a música um espelho no qual nos vemos.

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Sim concordo, acho que a grande maioria das pessoas tem aquela música preferida, que gruda toda vez que escuta.

Aquela que quando vem na cabeça só vai embora se a gente escutar.

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Captou a mensagem que o autor da música queria transmitir a toda sociedade e principalmente aos jovens afim de influenciar positivamente os relacionamentos com os seus respectivos pais, é muito importante que aja compreensão dos dois lados, às vezes é difícil para o ser humano aceitar mudanças estruturais na vida, por isso cabe aos jovens serem resilientes para tentar entender os pais e se fazer entender aos poucos, galgando as mudanças no âmbito estrutural lentamente, com confiança, mas sem excessos de grandes espectativas imediatas, para que não haja grandes decepções, e consequentemente, possivelmente tragédias iguais ao do conto não mais aconteçam.

Como Ryu disse, conto muito difícil de ler por sua carga emocional drástica e trágica, com uma sensação que não deveria ter sido assim, bastaria uma pequena dose de compreensão parental e uma pequena força a mais de resiliência filial para que houvesse um início de consenso e portanto a tragédia poderia ser sido evitada.

Missão cumprida no desafio, não sou gabaritado para isso, mas como sou meio sem noção em auto censura, mesmo assim eu direi, o próprio Renato Russo, na condição de sua genialidade, aprovaria seu texto Dani.

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Eu acho que não, eu não estou julgando o ato extremo dela, sei que ela teve os devidos motivos, mas devido ao suicídio ser o limiar da resistência existencial, num mundo idealizado por mim, se ela tivesse tido a resiliência prolongada para conseguir mais um tempo, para captar uma mudança de comportamento parental, com maior compreensão e incentivo a solucionar ou ajudar de fato a solucionar os problemas externos infligidos à filha deles, evitaria a tragédia anunciada e cumprida, ou simplesmente essa resiliência prolongada, desse o tempo necessário em ela encontrar uma solução que não a desistência da vida.

Isso seria num mundo idealizado, em um Mundo Utópico, essa resiliência prolongada não seria necessária, pois a compreensão e incentivo dos pais seria totalmente igualitário, independente da orientação sexual ou identidade de gênero dos filhos, sem o menor tipo de discriminação. Assim que eu vejo, talvez eu esteja equivocado realmente.

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Muito obrigada, gostei da avaliação, a questão é que culpar os pais as vezes é a pontinha do iceberg, como a personagem do conto, não são só os pais é um mundo inteiro errado, os pais cometem erros e cometeram, mas se fosse, só em casa o problema...

Por outro lado, acontece muito dos pais esquecerem que os problemas lá fora, são cruéis, muitas vezes, frases como "Vai passar", "Não é tão mal assim", "Existem pessoas passando por coisa pior", "Ao menos seus pais te apoiam"... Muitas vezes soa de uma prepotência cruel, onde só te deixam a posição de resistir e sobreviver.

Têm uma música que ele fala.

"...Gritaram, cresça e apareça.

Cresci e apareci e não vi nada

Aprendi o que era certo com a pessoa errada

Assistia o jornal da tv

E aprendi a roubar pra vencer..."

As vezes os pais estão tão certos de estarem fazendo a coisa certa, que só estão piorando tudo, assim como novamente, do Renato...

"...E há tempos, nem os santos

Tem ideia da medida da maldade

E há tempos são os jovens que adecem

E há tempos o encanto está ausente..."

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Talvez Renato Russo aprovasse o texto, embora, talvez, achasse que eu fui puritana.

Em uma entrevista, ele falaou que Pais e Filhos é sobre Sexo, sobre assuntos, que circulam o sexo, dos problemas dos pais para terem sexo com um filho pequeno em casa, a gravidez proveniente, ou dificuldade dos pais entenderem a sexualidade de um filho, ou filha.

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Positivo, então, eu acho que você captou isso, adaptado a uma outra realidade, com a sua percepção de como é importante o entendimento dos país, a adolescência é uma fase bastante difícil de autoconhecimento para todos, para aqueles que se sentem discriminados por qualquer motivo é ainda muito pior, e eu vi isso nos seu textos.

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A música do Renato e consequentemente seu comentário, que você citou, é sobre questionamentos parecidos, mas em outra fase da vida, pós adolescência, um jovem adulto, já via o mundo com uma certa experiência, por isso você achou a declaração dele com emoções e questionamentos mais amplos, na fase adolescente do seu conto os problemas são mais direcionados e com maior urgência típicos dessa época.

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Sim. Mas muitos são assombrados por problemas nunca resolvidos, seja por causa da familia ou do meio social.

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Exatamente, os problemas são inexperientemente direcionados e centralizados, por seguinte ficam extremamente intensos e por vezes potencializados, se não houver uma devida orientação para solucionar ou relativar esses problemas, tudo pode ruir emocionalmente, principalmente se houver pessoas que deveriam proteger, mas por n motivos não dão o suporte necessário,

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Conto difícil de ler!

Mas considero sei melhor conto Dani.

A música Pais e Filhos é ótima e trágica.

Não tenho muito o que acrescentar, o Leon e o tenicu falaram tudo.

Parabéns!

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* considero seu melhor

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Muito obrigada, a sensação desse conto é de ter deixado um pedacinho do meu coração no teclado, mas eu precisava escrever ele, mesmo que isso tenha me feito chorar.

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Muito obrigada. Para mim também é muito simbólico, ser uma música escrita por um homem gay, que eu até hoje ainda consigo, discernir mensagens parecidas em outras músicas dele.

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Sim, é um conto trágico, triste, mas consegue transmitir a angústia e a solidão da pobre criatura que é diferente do que todos querem que ela seja. Ninguém entende essa violência brutal e constante que o mundo heteronormativo impõe a todos e todas que se sentem diferentes que querem apenas serem aceitos como querem ser. Conheci algumas que no desespero, fizeram o mesmo. Abreviaram a vida com uma saída brutal. Excelente conto. Muito bem estruturado em partes. Acho que se encaixa na música e na temática do desafio. Gostei.

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Muita obrigada, sim infelizmente, acontece com muitos e como eu mesma confesso no conto por mais de uma vez eu tive esses pensamentos e a primeira vez era uma criança que tinha acabado de ouvir essa música.

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Listas em que este conto está presente

Desafio Pirata 2 Música
Desafio proposto pelo autor Ryu. Tag: “desafio-pirata-2-musica” sem as aspas.