O poder daquele objeto era intoxicante mais do que isso, era viciante. E se antes ele brincara com fogo, agora queria ver o escritório inteiro queimar.
Com um sorriso lento, Bruno abriu o caderno em uma página fresca e segurou a caneta entre os dedos, hesitando apenas por um segundo antes de traçar as primeiras palavras:
"Durante a reunião das 15h, todas as mulheres deste escritório terão um orgasmo simultâneo, incontrollável e intenso. Não importam onde estejam ou o que estejam fazendo — seus corpos vão obedecer."
Ele relê a frase, satisfação pulsando nas veias. Era o caos perfeito. Imaginou as expressões de pânico, os corpos se contorcendo em cadeiras, as mãos crispadas sob a mesa enquanto tentavam, em vão, conter o prazer forçado. Mas então, um pensamento o freou: e se não funcionar? O caderno era preciso, quase cirúrgico. Exigia nomes. Exigia especificidade.
Bruno amassou o canto da página com os dedos, frustrado. Não podia arriscar. Se escrevesse "todas as mulheres" e nada acontecesse, sua credibilidade — e seu prazer — iriam por água abaixo. Com um suspiro, ele rasgou a folha, jogando os pedaços na lixeira ao lado da mesa. Não havia atalhos. Se queria o caos, teria que construí-lo peça por peça.
As horas seguintes foram um exercício de paciência e excitação reprimida. Bruno passou o dia inteiro com o caderno aberto diante de si, escrevendo nome por nome em letras cuidadosas, como se estivesse assinando sentenças. Clarice. Júlia. Amanda. As primeiras, já testadas, eram garantia. Depois vieram as outras: Mônica, da contabilidade, sempre com aqueles óculos de gatinho e saias justas demais. Patríca, a estagiária, que morde o lábio quando está nervosa. Sofia.
Ao escrever o nome dela, Bruno pausou. Sofia era diferente. Quieta, eficiente, sempre com um ar de superioridade que o irritava — e, agora, o excitava. Ele imaginou como seria vê-la se desmoronar, os olhos arregalados, as coxas trêmulas enquanto o prazer a dominava contra sua vontade. A caneta quase furou o papel quando ele traçou a última letra do nome dela.
Quando o relógio marcou 14h45, Bruno já havia listado todas as mulheres do escritório, desde as secretárias até a gerente de RH. Fechou o caderno com um estalo seco e guardou-o na gaveta, ao lado de um lenço — porque, dessa vez, ele não assistiria pelo celular. Queria ver de perto. Queria o desespero.
A sala de reuniões já estava quase lotada quando Bruno entrou, cinco minutos antes das 15h. Escolheu um lugar estratégico, encostado na parede dos fundos, onde podia observar todos sem chamar atenção. As mulheres ocupavam a maioria das cadeiras, algumas com blocos de anotações, outras digitando em tablets. Os homens — sempre menos numerosos naquele departamento — espalhavam-se entre elas, trocando olhares entediados.
Sofia estava sentada na segunda fileira, pernas cruzadas, saia lápis marcando as curvas dos quadris. Bruno fixou nela por um segundo a mais, imaginando como aquela compostura se quebraria em instantes. O ar-condicionado zumbia baixo, misturado ao farfalhar de papéis e vozes abafadas. Até que, exatamente às 15h, a gerente de projetos, uma mulher de cabelo grisalho e voz firme, bateu a caneta na mesa.
"— Vamos começar, pessoas. Os números do trimestre—"
Ela não terminou a frase.
O primeiro gemido foi quase imperceptível, um suspiro rouco vindo do fundo da sala. Então outro. E outro. Bruno viu Clarice, sentada perto da janela, estremecer violentamente, os dedos cravando-se nos braços da cadeira enquanto suas coxas se apertavam uma contra a outra. Júlia, ao seu lado, deixou escapar um som gutural, a caneta escorregando de seus dedos enquanto sua mão livre desaparecia sob a mesa.
O pânico se espalhou como um incêndio.
Mônica arfava, os óculos embaçados, as unhas arranhando a própria perna através da meia-calça. Patríca, a estagiária, mordeu o lábio até sangrar, os quadris levantando-se da cadeira em pequenos espasmos desesperados. Os homens na sala olhavam ao redor, boquiabertos, alguns já com as calças apertadas pela excitação involuntária.
E então veio Sofia.
Ela não gemia. Não como as outras. Seu corpo inteiro se enrijeceu, os dedos brancos ao agarrarem a beirada da mesa. Um som estrangulado escapou de sua garganta, algo entre um soluço e um grito, enquanto suas coxas se fechavam com força. Bruno a observava, fascinado, quando viu o tecido da saia escurecer entre suas pernas. Um filete quente escorria pela parte interna de suas coxas, encharcando o tecido, pingando no chão. Ela está esguichando. A realização o deixou duro instantaneamente. Sofia, sempre tão contida, tão perfeita, estava se molhando como uma cadela no calor, na frente de todos.
O cheiro veio em seguida.
Primeiro sutil — um aroma doce e úmido, quase imperceptível sob o cheiro de café e papel. Depois, inegável. O perfume de buceta inundou a sala, denso e quente, misturado ao suor do prazer forçado. Os homens na sala se mexeram, alguns ajustando as calças com discrição, outros nem se dando ao trabalho de esconder as ereções. As mulheres, por sua vez, olhavam umas para as outras com horror, os rostos corados, os corpos ainda tremendo com os últimos espasmos dos orgasmos.
"— O que caralhos foi isso?!" alguém gritou.
Ninguém respondeu. Não havia resposta. A gerente de projetos tentava se levantar, mas suas pernas falharam, e ela caiu de volta na cadeira, ofegante. O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelos arfar descompassados e o som molhado de líquidos escorrendo por entre coxas apertadas.
Algumas de suas colegas ainda estavam sentadas moles nas cadeiras, com as forças totalmente esgotadas apos um gozo intenso e coletivo.
Bruno não se moveu. Não sorriu. Apenas observou enquanto o caos que ele havia semeado florescia ao seu redor.
Meia hora depois, o escritório ainda estava em polvorosa. As mulheres se trancaram no banheiro em grupos, sussurrando, chorando, tentando entender o que havia acontecido. Os homens, excitados e confusos, trocavam olhares culpados, alguns já se masturbando escondidos em seus cubículos. O cheiro de sexo ainda pairava no ar, um lembrete grotesco do que tinha ocorrido.
Bruno voltou para sua mesa, o caderno queimando em suas mãos. Era hora de elevar o jogo.
Ele abriu o caderno novamente e escreveu, com letras firmes:
"Sofia virá até o meu escritório daqui a dez minutos. Ela vai me chupar até eu gozar, engolir tudo, e depois esquecer que isso aconteceu."
Fechou o caderno e esperou.
Exatamente nove minutos e cinquenta segundos depois, batidas tímidas ecoaram na porta.
"— Entre," Bruno disse, sem levantar os olhos do computador.
Sofia entrou, ainda pálida, os cabelos levemente desarrumados. Seu olhar estava vazio, como se estivesse em transe. Sem uma palavra, ela fechou a porta atrás de si e ajoelhou-se diante de Bruno, as mãos já trabalhando em seu cinto.
Ele não ajudou. Não disse nada. Apenas observou enquanto ela libertava seu pau, já duro, e o envolvia com os lábios quentes. Sofia não tinha técnica — era óbvio que não fazia isso com frequência — mas a falta de habilidade era compensada pela entrega total. Sua boca descia e subia em movimentos desesperados, a garganta se contraindo a cada vez que ele empurrava mais fundo. Bruno segurou seus cabelos, guiando-a, sentindo o prazer subir como uma maré quente.
Quando gozou, foi com um grunhido baixo, as mãos apertando sua cabeça enquanto jorrava dentro dela. Sofia engoliu tudo, os olhos arregalados, lágrimas escorrendo pelas bochechas. Não por dor, mas por uma confusão profunda, como se parte dela soubesse que aquilo estava errado, mas não conseguisse parar.
Bruno a soltou com um empurrão suave. Ela caiu para trás, ofegante, os lábios brilhantes de saliva e sêmen. Por um segundo, seus olhos encontraram os dele — e então, ela saiu da sala.
Ao pisar para o lado de fora seu transe foi quebrado e sentia o gosto de porra fresca em.sua boca.
"— O que...?" Sua voz estava rouca. Confusa. Ela levou a mão à boca e sentiu o gosto amargo, salgado. "O que eu estou fazendo aqui?"
Bruno apenas sorriu, enquanto Sofia se andava às pressas, as mãos trêmulas, o rosto uma máscara de horror.
E Bruno, satisfeito, abriu o caderno novamente.
Havia tanto mais para explorar.
