Resolvi antecipar a ida de Milena e Kaique para a pousada. Íamos todos juntos para passar as festas de fim de ano, mas eles estavam inquietos, sem ter o que fazer e demonstrando ansiedade para estar por lá. Também estava sendo um período complicado para Júlia; ela demonstrou se sentir insuficiente por não estar executando todas as funções de antes e ainda estar se sentindo cansada.
Tentei voltar para casa o mais rápido possível porque minha sogra ia participar de uma missa e Juh teria fisioterapia pélvica, então a minha presença era indispensável ou minha gatinha me mataria por não acompanhá-la em algo que ela deixou claro que fazia questão.
Consegui chegar a tempo. A casa estava quieta e eu subi para o quarto para ficar um pouco com Júlia. A encontrei ao lado da nossa cama fazendo um pré-exercício na bola de pilates.
— Isso, amor, senta que nem cê faz na minha cara — Brinquei, rindo.
Juh me olhou assustada e direcionou rapidamente o rosto para a porta do banheiro. Quando acompanhei o gesto... Lá estavam minha sogra e a fisioterapeuta saindo com um balde de água quente.
Ana riu disfarçadamente e Dona Jacira, obviamente, não. Minha sogra me encarou com os olhos arregalados, visivelmente chocada com o que tinha acabado de ouvir. Eu senti o peso do silêncio por meio segundo e a única coisa que consegui fazer, instantaneamente, também foi rir. Mas foi por puro reflexo, porque se existisse a possibilidade de rebobinar a vida em dez segundos, eu teria feito isso sem pensar duas vezes.
— E aí, gente, tudo bem? Não sabia que vocês estavam aqui! — Falei, sorrindo.
— Tudo bem, sim, você chegou bem na hora. Nós já vamos começar! — Ana disse.
— Achei que você estava sozinha, foi mal — Sussurrei para Juh ao abraçá-la.
— Amoooor... — Ela lamentou, enfiando o rosto no meu ombro.
Não tinha o que fazer, a não ser sustentar a gracinha. Qualquer tentativa de explicação só iria piorar a situação. Ana evitava me olhar, mas eu a percebia segurando o riso, e Dona Jacira já se preparava para sair.
— Lore, Lore — Ela disse ao passar por mim, balançando a cabeça negativamente, porém sorria.
— Vacilei, sogrinha... — Falei e a acompanhei até a porta, me permitindo rir de verdade da situação.
— Você eu não sei, não — Dona Jacira disse durante o caminho.
— Eu jurei que a senhora já havia saído — Comentei, rindo.
— Preferiria já ter saído mesmo — Ela disse.
— E como foi hoje com Juh? — Eu quis saber.
— Estou achando ela um pouco desanimada, foi colo o dia inteiro. Sua irmã também achou — Minha sogra disse, um pouco preocupada.
— Loren esteve aqui? — Perguntei.
— Esteve, mas não trouxe as crianças. Falei que ela está nos devendo — Dona Jacira falou, e eu concordei.
Voltei para o quarto e fechei a porta. A sessão começou logo em seguida. Sentei ao lado da cama enquanto Ana orientava os movimentos para minha gatinha. Já havia certa intimidade entre elas, mas Juh continuava envergonhada. Respondia baixo, evitava olhar direto e ficava mais rígida do que o necessário. Mesmo acostumada com a presença da fisio, a exposição ainda mexia com ela e, depois do que eu falei... Parecia pior.
A sessão seguiu sem grandes intercorrências. Júlia fez todos os movimentos, ainda um pouco contida, mas conseguiu acompanhar as orientações até o fim. Eu permaneci ao lado, observando, tentando não atrapalhar mais do que já tinha atrapalhado.
No final, enquanto organizava os materiais e repassava as recomendações da semana, Ana comentou com naturalidade:
— Hoje você estava um pouco tensa, Juh, mas não tem problema, pode acontecer. Tente relaxar mais nos exercícios até a próxima sessão… pratique como a Lore falou.
— Ai — Júlia falou e fechou os olhos com força.
A bichinha ficou toda vermelha, igualzinha a um tomate.
— Ué, estou só aproveitando a referência técnica que a sua esposa trouxe — Ela falou, com um sorriso cínico.
— Se depender de mim, nem bola precisa — Brinquei.
— Pode ser também!! — Ana vibrou e ergueu a mão para que eu batesse.
E assim eu fiz.
— Ana, não faz isso... Você vai se arrepender de abrir essa porta com a Lore... — Juh falou.
— Relaxa, isso é completamente normal. Você não deveria se sentir envergonhada, podem ficar à vontade comigo. Quanto mais tranquila você estiver, melhor resultado teremos — Ela disse.
— A gente vai praticar direitinho, não é, amor? Tem que seguir as recomendações... — Brinquei, passando o meu rosto no dela e dando um cheirinho no pescoço.
— Não sei de nada — Juh respondeu, toda tímida.
À noite, o desconforto dela ficou mais do que evidente. Nada parecia confortável. Júlia deitou em todas as posições possíveis, ajustou os travesseiros de todas as maneiras, tentou colocar um entre as pernas, abraçar outro, me abraçar, ser a conchinha menor. Nada fazia ela relaxar completamente para dormir.
Percebi que Juh já estava sem paciência.
— Vem aqui — A chamei.
Flexionei os joelhos e apoiei as costas na cabeceira da cama, criando espaço para Júlia sentar em mim. Ela me olhou por um segundo, acredito que tentando entender minhas intenções, e veio devagar. Sentou sobre o meu ventre e apoiou as costas nas minhas pernas, deixando o peso do corpo descansar em mim. Passei as mãos para a virilha dela e comecei a massagear com pressão firme e lenta, sentindo a musculatura ainda tensa sob os meus dedos. Ela imediatamente soltou um arzinho lento pela boca, em alívio.
— Não para, não, amor... — Juh pediu, quase gemendo.
— Ai, que déjà vu — Brinquei, rindo.
— Amoooor... — Ela fingiu reclamar, mas também ria.
Na verdade, Juh gargalhou.
— Flashback on — Continuei zoando.
— Para com isso agora — Ela disse, ainda rindo.
— Primeiro você manda não parar, agora quer que eu pare? — Perguntei, de maneira irônica.
— Não dá com você... — Juh respondeu.
— Ohhhh, se dá. Você bem sabe que dá... — Segui brincando.
De repente, ela ergueu a cabeça que estava apoiada em meus joelhos e me olhou nos olhos.
— Amor, pega um pote dentro da gaveta e vê se eu posso tomar isso — Ela pediu, apontando para a mesinha de cabeceira.
Me estiquei toda e fiz o que ela pediu.
— Maca peruana???? — Perguntei, fitando-a.
— Sim, eu estava conversando com Loren e... Enfim, ela está tomando isso, mas não sabe se posso usar estando grávida — Júlia falou, sentando ao meu lado.
— Oh, meu Deus... Cê quer e tá sem vontade, não é, amor? — Perguntei, a encaixando em meus braços.
— Hunrum... Posso? — Ela insistiu.
— Não, amor... Acredito que não seja recomendado... — Disse, cobrindo-a de beijos.
Juh ficou toda quietinha depois que eu respondi. O corpo dela, que antes estava leve pelo riso, pareceu murchar um pouco nos meus braços. Ela não falou nada de imediato, só abaixou os olhos e apoiou a cabeça no meu peito. Passei a mão pelos cabelos dela com calma, mantendo-a ali, pertinho de mim.
— Você não sente falta? — Júlia me questionou.
Qualquer resposta ali precisava ser pensada, porque eu realmente sentia falta. Nossa vida sempre foi intensa, espontânea, cheia de iniciativa dos dois lados e isso tinha diminuído muito nos últimos meses, não por afastamento ou desinteresse meu, mas porque Juh estava sem libido e o corpo dela simplesmente não acompanhava mais o ritmo de antes. Havia cansaço, desconforto e uma sensibilidade diferente, totalmente justificável e que eu respeitava sem questionar.
Para mim não era um problema, porque ela estava gerando uma vida, a vida do nosso filho, e nada era mais importante do que a saúde e o bem-estar dela. Mas eu sabia que, se dissesse que não sentia falta, ela poderia interpretar como falta de desejo e achar que eu já não a olhava do mesmo jeito; e, se dissesse que sentia, estaria reforçando exatamente a insuficiência que ela vinha nutrindo. Então fiquei alguns segundos organizando o que eu diria e a forma como colocaria em palavras a verdade sem machucá-la.
— Tem como não sentir falta sendo que eu durmo com uma gostosa dessas ao meu lado?! — Questionei e consegui tirar um riso dela.
De canto, mas consegui.
— Você é a tentação em pessoa. Eu olho para você, para essa sua boca, para esse corpo delicioso e sinto coisas... Coisas que nem sei explicar — Sussurrei perto da boca dela, enquanto passava uma das mãos lentamente por onde eu conseguia.
— Desculpa, amor... — Juh ia dizendo, e eu a interrompi.
— Não há por que se desculpar! Não é um problema, gatinha… É só uma fase, e a gente atravessa junto. Eu não estou com você só pelas partes fáceis, eu estou com você por inteiro, inclusive quando seu corpo precisa de tempo, quando você não está se sentindo no seu melhor. Isso não muda o quanto eu te quero, não muda o quanto eu te amo e muito menos muda o que a gente já construiu. Nossa vida sexual pode até desacelerar por um tempo, mas a nossa conexão não diminui. Eu continuo olhando para você e vendo a mulher que me vira do avesso, que por um acaso também é a mãe dos nossos filhos, forte, linda e fazendo o melhor que pode, mesmo cansada por esse menininho que está por vir. Se tem alguém que não precisa se sentir insuficiente aqui é você... Eu não estou perdendo nada, estou exatamente onde queria estar, ao seu lado — Falei baixinho no ouvido dela.
Eu sabia que ela ia chorar antes mesmo que a primeira lágrima ameaçasse cair. Reconheci pelo jeito que o queixo dela tremeu, quase imperceptível, e pela forma como evitou sustentar meu olhar por muito tempo. Então usei a proximidade que já existia entre nós para puxá-la pela cintura e colar minha boca na dela. Encaixei nossos lábios com cuidado e aprofundei o beijo devagar, mas com intensidade, tomando a boca dela como se precisasse reafirmar tudo o que tinha acabado de dizer. Inclinei a cabeça para alcançá-la melhor e segurei seu rosto entre as mãos, deixando o beijo ficar mais quente, até sentir o suspiro escapar dela uma vez, depois outra, depois mais uma. Senti Juh sugar e morder meu lábio inferior e, quando consegui abrir os olhos, contemplei um sorriso maravilhoso e recebi uma sequência de selinhos molhados por toda a face, daqueles que ela me dá quando quer dizer muito e faz isso sem precisar usar palavra alguma.
— Eu te aaaaamo, te amo, te amo, te amo, te aaaaamo. Ninguém te ama mais do que eu! — Juh repetia sem parar.
Eu ri baixo, segurando o rosto dela entre as mãos.
— É mesmo? — Perguntei, roçando meu nariz no dela.
— É sério! — Ela insistiu, apertando minhas bochechas. — Ninguém te ama mais do que eu. Ninguém vai te amar como eu amo.
— Ainda bem, porque eu não quero ser amada por mais ninguém desse jeito — Respondi.
Ela ficou me olhando por alguns segundos, os olhos ainda brilhando, contudo agora mais tranquilos.
— Eu estava com medo... Medo de você cansar… De eu não voltar a ser como antes… De você sentir falta demais... De estar te desapontando... — Confessou, com o tom de voz mais baixo.
Passei o polegar devagar pela maçã do rosto dela.
— Eu não quero você como antes... Eu quero você como você é agora. E como vai ser depois. E como vai ser daqui a dez anos. Eu não me apaixonei por uma fase sua, Júlia Oliver... Eu me apaixonei por você! — Exclamei e a beijei.
Ela respirou fundo e não conseguiu dizer nada por um bom tempo. Ficamos apenas agarradinhas, trocando carinho.
— Promete que, se começar a pesar, você me fala? — Juh perguntou.
— Prometo. Mas também promete que vai parar de se cobrar como se estivesse falhando comigo? Porque você não está... Eu gosto de transar, mas não sou movida a sexo — Falei.
Nesse exato momento, Júlia fez uma careta engraçada.
— Vou tentar... — Me disse depois.
— Não. Vai conseguir! — Falei e dei um selinho nela.
Juh deitou a cabeça no meu peito de novo, e já dava para perceber que toda aquela tensão do corpo da gatinha havia desaparecido.
— E eu também te amo, minha gatinha — Disse, puxando o lençol para cima da gente e encaixando o queixo no topo da cabeça dela.
— Mas você é movida um pouquinho assim a sexo, que eu sei — Ela aproveitou para brincar, e eu ri.
— Um pouquinho assim? — Segui a brincadeira, sinalizando com os dedos, e ela confirmou, toda fofinha.
— Você acha que vai demorar para as coisas voltarem ao normal? — Ela me perguntou.
— Quanta ansiedade para fazer amor gostosinho com sua muié... Vai acabar comigo desse jeito... — Falei, e ela riu.
— É sério, amoooor — Minha gatinha protestou.
— Olha, a gente não precisa ter pressa... Acho que esses dias vão nos ajudar. Estamos a sós, de férias, vamos para a pousada... Teremos mais tempo uma com a outra, isso vai contribuir ao nosso favor... Talvez role, talvez não, e tudo bem. Só em nós termos mais tempo juntas já é grande coisa. Vamos combinar que estava escasso, né? E eu vou adorar aproveitar cada segundo ao seu lado, não vou desgrudar por nada nesse mundo — Falei, voltando a roubar uns beijinhos.
Juh ficou me olhando atentamente e parecia absorver cada palavra. Passou a ponta do dedo pelo meu colo, bem pensativa, e depois subiu o olhar para o meu.
— Se em algum momento você chegar a suspeitar que eu não te quero... — Ela ia dizendo.
— Nem termina esse raciocínio, mô... Não existe a chance de eu achar isso vendo você gerando nosso filhote e, mesmo assim, se preocupando com a frequência em que transamos, sendo que é uma fase em que o seu corpo está exigindo muito de você. E também... Enquanto seus olhos me olharem assim... Eu sei que você ainda é apaixonadinha pela sua muié — A interrompi, e quando menos percebi, sorria encarando seus olhinhos que brilhavam.
— Assim coooomo? — Juh quis saber, animadinha.
— Lá na pousada você não disse que eu ainda te pego do mesmo jeito? Você também me olha do mesmo jeito, uai — Falei e aproveitei para agarrá-la, enchendo-a de beijos.
Nos ajeitamos melhor na cama. Eu virei de lado e puxei Júlia para ficar de costas para mim. Deixei que ela se acomodasse como a conchinha menor, encaixada no meu peito. Passei o braço por cima da cintura dela, descendo com cuidado até a barriga.
— Ai, que saudade de dormir do nosso jeito... — Juh disse.
— Também prefiro quando você se aninha completamente por cima de mim — Falei e beijei o ombro dela.
Ela suspirou baixinho quando encontrou uma posição mais confortável, que consistia em abraçar meu braço. Fiquei fazendo carinho no cabelo dela, subindo e descendo devagar, até sentir o corpo relaxar de verdade contra o meu. A respiração foi ficando lenta, profunda, e eu segui por mais um tempo ali, contemplando a beleza relaxada da minha mulher.
Acordei e o quarto ainda estava escuro e silencioso. Júlia continuava na mesma posição e minha mão permanecia sobre a barriga dela. Tirei o braço que estava debaixo dela devagar, para não acordá-la, e me desvencilhei com cuidado.
Eu não corria fazia muito tempo, então coloquei uma roupa confortável e saí antes que o sol estivesse forte. O ar da manhã estava fresco e o corpo respondeu melhor do que eu imaginava. No começo senti o impacto, a respiração descompassada, as pernas reclamando, mas depois peguei ritmo. Foi quase terapêutico. Voltei suada, com o coração acelerado e uma sensação boa de retomada... Eu estava com saudade de fazer isso e me fez muito bem.
Entrei em casa em silêncio, tomei um banho rápido e desci para preparar o café. Preparei também uma vitamina para minha gatinha, organizei a bandeja com cuidado e subi devagar. Antes de acordá-la, recebi uma ligação de Milena e Kaique.
Obviamente atendi na mesma hora.
— MÃE! — Mih gritou.
— Oiii, meus amores — Respondi.
Virei a câmera para mostrar a cama.
— Olha quem ainda está dormindo — Sussurrei para eles.
Juh estava toda encolhidinha, abraçando meu travesseiro.
— Mamãe tá parecendo um bebê — Kaique falou, rindo.
— Tá mesmo — Concordei.
— Muito fofinha — Mih disse, se derretendo inteira.
Conversamos alguns minutos. Eles estavam extremamente animados na pousada, contando que meus pais e os pais de Sarah já haviam chegado e que tinham tomado banho de chuva no dia anterior. Prometi que logo estaríamos lá e brinquei que íamos colocar ordem neles. Depois, Kaká desligou, pois iam aprender a guiar uma trilha do haras até a cachoeira.
Coloquei o celular na mesinha e me deitei ao lado de Juh outra vez. Apoiei o corpo perto e me aproximei devagar, distribuindo beijinhos demorados no pescoço.
A pele dela arrepiou na hora.
Juh franziu o rosto ainda dormindo, soltou um murmúrio e virou um pouco o rosto para mim. Continuei beijando, mais lento, deixando meus lábios deslizarem pela curva do pescoço até a base da orelha.
— Huuummm… — Ela resmungou baixinho.
Passei a mão pela cintura dela e a trouxe para mais perto. Júlia abriu os olhos aos poucos, ainda pesados de sono, e me encontrou ali.
— Bom dia, amor… — Ela sussurrou.
— Bom dia, minha gatinha... Tá na hora de acordar, neném — Disse e continuei enchendo-a de beijo.
Ela não respondeu com palavras. Só se virou de frente para mim e encaixou o corpo no meu, buscando contato. A perna dela subiu pela minha coxa, a mão agarrou minha camiseta e ela escondeu o rosto no meu pescoço.
— Você saiu… — Falou, com a voz rouca.
— Fui correr — Respondi.
— Está cheirosa — Ela prosseguiu, me cheirando.
— Tomei banho — Respondi, rindo.
Ela abriu os olhos de novo, mais desperta, e me puxou pela nuca para um selinho.
Sentei para reorganizar a bandeja entre nós duas. Entreguei a vitamina nas mãos de Juh e fiquei observando enquanto ela bebia devagar, em silêncio, como se estivesse tentando adivinhar o que tinha ali.
— Morango? Ai... Eu não estava mais aguentando banana ou abacate. Você é perfeita, amor — Júlia falou e deu um golão que me fez rir.
Comemos tranquilas e, em determinado momento, ela apoiou a mão na barriga e sorriu sozinha, dizendo que ele estava agitado. Passei a mão ali também, fazendo carinho, e ficamos assim por alguns segundos, apenas curtindo os chutes do gurizinho.
Depois que terminamos, ela levantou para tomar banho e retornou animada para fazer a mala.
Fiquei sentada na poltrona do quarto, observando enquanto abria o guarda-roupa e começava a separar vestidos leves, biquínis, camisetas minhas que ela gosta de usar para dormir.
— A gente não saiu para comprar roupa para mim… — Juh lamentou, encarando uma das peças. — E as que eu comprei pela internet ficaram estranhas. Ou apertadas demais na barriga, ou largas no peito… Nada parece encaixar direito.
— Assim que voltarmos das festas de fim de ano, a gente resolve isso. Vamos tirar uma tarde só para isso. Você experimenta tudo com calma, escolhe o que quiser, tá bom? — Sugeri.
Realmente era algo que já devíamos ter feito. Júlia queria ir comigo e acabei adiando mais de uma vez por conta dos compromissos profissionais.
— Promete mesmo?
— Prometo, gatinha — Falei e fui até ela para confirmar com um beijo.
Mais tarde, já no almoço, o assunto voltou para o nome do nosso filhote.
— Não dá para continuar chamando ele de Ninho eternamente — Juh comentou, rindo.
— Arthur — Eu falei, quase automaticamente.
— Ou Dom — Juh completou.
Ficamos repetindo os dois nomes em voz alta, testando o som, imaginando.
— Arthur Oliver… — Eu disse.
— Dom Oliver… — Júlia também tentou.
Ela apoiou o queixo na mão, pensativa.
— Reduzimos oficialmente para dois? — Me perguntou, com um sorrisinho.
— Reduzimos — Confirmei.
Entre uma garfada e outra, selamos a decisão provisória. Nosso filho agora tinha duas possibilidades de nome e, ao mesmo tempo que isso não definia nada, era bem reconfortante estar vivendo essa indecisão novamente.
