Wis se afastou de mim lentamente, andando para trás com passos calculados. Parecia medir o momento antes do que aconteceria a seguir.
Com um gesto lento, retirou o vestido, revelando a lingerie em tom marfim. O olhar encontrou o meu. Havia ali um desejo direto, sem disfarce.
Fiquei fascinado.
Então, de repente, ela baixou os olhos. O rosto corou. A postura se recolheu. Os braços, instintivamente, tentaram proteger o próprio corpo. Uma hesitação breve atravessou seu rosto.
Fui até ela. Segurei seu rosto com cuidado, por instinto.
- Ei… olha pra mim.
Falei baixo, com calma.
Ela voltou a me encarar, devagar.
- Não vai acontecer nada sem você querer.
Fui pegar o vestido, com a intenção de devolvê-lo. Ela me interrompeu.
- Não é isso. É que…
Virou o rosto de lado, hesitante.
Levei novamente as mãos ao seu rosto e a trouxe de volta para mim. Ficamos assim por alguns segundos.
- Vai ser minha primeira vez, Bruno. Eu… fiquei com um pouco de medo.
Olhei para ela com cuidado. A delicadeza daquele momento atravessou qualquer impulso.
- Será minha primeira vez também.
Ela riu, tímida, mas riu. Entendeu o que eu quis dizer. Talvez melhor do que eu mesmo. Aos poucos, a confiança voltou ao olhar dela. A decisão também.
- Sempre quis que fosse com você.
Não respondi. Beijei-a com intensidade contida, mais sentimento do que pressa.
- Você é linda, Wis – sussurrei.
- Wis Nara.
Ela sorriu ao me “corrigir”.
- Eu quero você, Wis Nara.
- Eu também.
Deitei-a na cama com cuidado.
Não havia urgência. Só a vontade de estar ali com ela.
Beijei sua barriga devagar, sentindo o corpo reagir sob meus lábios. Desci pelas pernas, retirando seu salto com delicadeza. Massageei seus pés por um instante. Ela riu – um riso nervoso, doce, levemente travesso. Voltei a subir lentamente, deixando o toque falar por nós.
Quando retornei ao seu rosto, nos beijamos de novo. Mais fundo. Mais conscientes.
As mãos dela encontraram minha nuca e me puxaram para perto. Havia desejo compartilhado. E confiança. Uma entrega que não era impetuosa. Era escolhida.
Nos levantamos juntos por um momento. Ela tirou minha camisa. Eu senti o olhar dela percorrer meu corpo com a mesma atenção que eu dedicava ao dela. Não havia constrangimento, apenas curiosidade. E descoberta.
Voltamos para a cama. Nos abraçamos primeiro. Depois nos tocamos.
Quando retirei a última peça de roupa dela, parei. Por respeito. Queria que ela sentisse que podia interromper a qualquer momento. Que o controle era dela tanto quanto meu.
Ela percebeu. E assentiu.
Já eu… fiquei imóvel por um instante.
Bocetinha depilada. Seios de contornos firmes, erguidos e marcantes. A nudez diante de mim era avassaladora.
O impacto me atravessou enquanto meus olhos percorriam cada curva do corpo dela.
Wis saboreou meu transe.
Então veio até mim e começou a me despir.
Quando ela retirou a última peça de roupa que ainda me cobria, o tempo pareceu desacelerar.
Ela ficou parada.
O olhar desceu devagar, como se precisasse entender o que estava vendo. Não era comparação. Não era julgamento. Era novidade. Era o primeiro corpo masculino que ela via assim, sem tela, sem distância, sem imaginação intermediando.
Ela fixou-se em meu membro ereto e respirou fundo.
- É… real. Mais do que eu imaginava – murmurou, quase para si mesma.
Não havia medo ali. Havia uma dose de espanto. Curiosidade. Um leve sorriso nervoso.
Aproximei-me.
- Tudo bem?
Ela assentiu.
Tocou meu pau com a ponta dos dedos, como quem ainda precisasse confirmar que aquilo era real. A reação foi atenta, interessada. Depois levantou os olhos para mim, agora mais segura.
- Eu quero.
Voltamos para a cama.
Dessa vez, não havia idealização no ar. Havia decisão.
Beijei-a com calma. Toquei seu corpo com cuidado redobrado. Cada resposta dela guiava o ritmo. Cada respiração indicava o limite.
Quando nossos corpos se alinharam, paramos.
Olhei para ela.
Ela me olhou de volta.
Havia tensão. Expectativa. Um traço de medo honesto.
- Devagar – pediu.
Assenti.
O primeiro contato foi leve. Cauteloso. O corpo dela reagiu com uma contração involuntária. Esperei. Ela segurou meus ombros com força.
Respiramos juntos.
Quando comecei a avançar, fiz isso centímetro a centímetro. Houve resistência. Ela fechou os olhos. A mão veio até meu abdômen, pedindo pausa.
Eu parei.
- Tá tudo bem – sussurrei.
Ela respirou fundo. Duas vezes. Três.
- Continua.
Avancei novamente, ainda mais devagar. A tensão se misturou à dor. Os olhos dela lacrimejaram, não de arrependimento, mas do impacto físico inevitável daquele momento.
E então o corpo dela cedeu.
Um limite foi atravessado.
O corpo dela relaxou por um segundo, ainda sensível. Permaneci imóvel, permitindo que ela se acostumasse à nova sensação.
- Já passou – disse ela, surpreendendo a si mesma.
Esperei mais alguns instantes antes de me mover.
Quando comecei, foi lento. Muito lento. O rosto dela ainda estava concentrado, absorvendo tudo. Aos poucos, a dor deu espaço a algo diferente. Uma descoberta. Uma intensidade nova.
Nos beijamos longamente.
E então percebi.
Havia manchas vermelhas no lençol claro. Pequenas. Inevitáveis.
Olhei para ela.
Ela também viu.
Por um instante, ficou em silêncio. Não havia constrangimento. Apenas a constatação física do que tinha acontecido.
- Então é assim… – disse, quase num sussurro emocionado.
Havia sangue em sua pele também. Pequeno, real. Humano.
Era um marco.
Continuei me movendo com cuidado, atento às reações dela. Agora o corpo respondia de outra forma. A tensão se dissolvia gradualmente. O prazer começava a aparecer com mais clareza.
Quando finalmente chegamos ao orgasmo, não foi explosivo. Foi profundo.
Depois, permaneci dentro dela por mais algum tempo, sustentando o contato.
Ela me olhava com os olhos marejados. Não de dor. De realização.
Passei os dedos pelo rosto dela.
- Você está bem?
Ela assentiu.
Olhou para o lençol novamente.
- Acho que fiz uma bagunça.
Sorri.
- Vem.
Levantei devagar. Estendi a mão para ela. Havia ainda vestígios de sangue em sua coxa, no lençol, na pele.
Segurei-a pela mão.
- Vamos tomar banho.
Ela sorriu. Não havia vergonha. Havia um tipo de paz.
Caminhamos até o banheiro.
Entramos juntos e ficamos abraçados enquanto a água caía sobre nós. Ela apoiou a cabeça no meu peito.
- Durante tanto tempo sonhei com essa noite…
A voz saiu baixa. Quase quebrada.
Abracei-a com mais força.
- E agora?
Ela demorou um segundo.
- Só… obrigada.
Tive a certeza de que aquele momento não tinha sido apenas o fim de uma espera. Parecia um novo começo.
Depois do banho, ela se sentou em uma poltrona voltada para a janela. Dali via os prédios vizinhos, outros apartamentos, luzes acesas, gente vivendo. A cidade seguia, mesmo tarde da noite.
Vestia um pijama rosa claro e segurava uma xícara de chá com as duas mãos. A expressão era concentrada.
Aproximei-me devagar. Puxei a outra poltrona e me sentei ao lado, também olhando para a cidade.
Ficamos assim por alguns minutos.
- Fantasiei minha primeira vez por anos – ela disse de repente. – E todas eram com você.
Não olhou para mim enquanto falava.
- Eu imaginava sensações, falas, reações… minhas e suas. Só que as coisas nunca saem como a gente imagina. Acho que com todo mundo é assim.
Fez uma pausa.
- E… minha primeira vez foi normal.
Olhei para ela.
Não havia frustração no rosto. Havia reflexão.
- Normal… como? – perguntei, com cuidado.
Ela pensou um pouco antes de responder.
- Real. Humana. Não perfeita. Não cinematográfica. Só… verdadeira.
Respirou fundo.
- E foi exatamente com quem eu queria que fosse.
Algo em mim relaxou.
Ela se levantou, pousou a xícara na mesa e veio até mim. Sentou no meu colo, encarando-me de perto.
- Você é a melhor coisa que já me aconteceu. Meu primeiro amor.
Acariciou meu rosto.
- Eu te amo, Bruno.
A declaração me pegou de jeito.
Nos beijamos de leve.
- Sabe… eu imaginei a primeira vez – continuou, um sorriso malicioso surgindo em seu rosto – Mas não imaginei os dias depois.
Encostou a testa na minha.
- Ainda temos dez dias.
Mais um beijo.
- Dez dias…
Deixou a frase suspensa no ar.
Ficamos abraçados por um tempo. Sem pressa. A carga emocional era grande demais para qualquer outra coisa naquela noite.
Levantamos para dormir.
Eu já caminhava em direção ao quarto de hóspedes quando ela me chamou.
- Vem… dorme comigo hoje. Só dormir. Preciso de você.
Assenti.
Ela encaixou o corpo no meu e dormiu abraçada comigo. Ainda demorei a pegar no sono. Uma parte da mim queria refletir sobre causas e consequências.
Sobre Wanda.
Sobre Adriana.
Mas então olhei para Wis dormindo tão serena ao meu lado.
“Não devemos nada a ninguém”.
Ela, irmã de Wanda.
Não havia preocupação nela. Parecia um acerto. De contas, talvez. Ou não. Quem saberia?
E talvez eu devesse estar mais preocupado, mas não estava.
A verdade é que logo adormeci. E tive uma das melhores noites de sono dos últimos tempos.
A manhã seguinte foi marcada por uma expectativa contida. O café da manhã teve poucas palavras, mas muitos olhares e sorrisos envergonhados.
Após comer, sentamos no sofá, olhando sem foco definido. Ela soltou um riso nervoso. Eu balancei a perna e disse algo irrelevante, apenas para preencher o silêncio.
Nos olhamos.
- Você quer? – ela perguntou.
- Quero.
Sem cerimônia, ela retirou a parte de baixo do pijama. Estava sem calcinha. Tirei meu calção e a cueca box de uma vez.
Ali mesmo, no sofá, eu a penetrei. As pernas dela apoiadas nos meus ombros. Os olhares firmes, desejosos, mas leves, livres da contenção dos dias anteriores.
Gozei dentro dela.
Quando terminei, caí de lado, ambos esparramados no sofá, ainda ofegantes. Ela sorria abertamente.
Não falamos muito.
Logo, a mão dela deslizou próxima a mim. Próxima ao meu pau. A reação foi imediata. Ela mordeu o lábio.
- Eu quero experimentar algo…
Antes que eu perguntasse o quê, ela subiu em cima de mim. O movimento foi natural. Confiante. Meu pau entrou com facilidade.
Ela cavalgou com vontade. Minhas mãos firmes em sua cintura, acompanhando seus movimentos.
Retirou a blusa, expondo novamente os seios que ainda me impressionava. Os biquinhos duros. Inclinei-me para chupá-los.
- Isso é bom demais – ela sussurrou – Continua por favor.
Passei a estocá-la de baixo para cima até que gozei de novo. Dentro mais uma vez.
Para me judiar, enquanto ainda me deliciava, ela continuou se movendo por alguns segundos, arrancando mais reações minhas.
- Bem que me disseram pra não parar mesmo depois do seu orgasmo
- Quem disse isso? – perguntei, ainda tentando recuperar o fôlego.
- Meus estudos.
Rimos.
Naquela tarde, saímos. Ela havia planejado visitar museus. Caminhamos entre obras e corredores amplos, mas a sensação era de que estávamos apenas fazendo o tempo passar.
- Quer ir embora? – ela perguntou, com um sorriso ansioso.
- Já ia te propor isso…
No apartamento, mal lembro de termos fechado a porta. Fomos direto para o quarto. A pressa substituía qualquer planejamento. Nos entregamos novamente, explorando ângulos e ritmos diferentes, agora com menos hesitação e mais curiosidade.
De lado. De frente. De bruços. Frango assado. Cavalgando. Em pé. Em todos os cômodos.
De quatro.
Parei para observá-la. Aquela visão…
- Que foi? – ela perguntou.
- Só estou… admirando.
O ritmo se tornou mais intenso. Os sons, mais soltos. A entrega, completa.
- Mais forte, Bruno. Vem…
Acabei gozando muito.
Estávamos suados. Ofegantes. Mas não saímos da posição de imediato. O calor do corpo dela ainda era a melhor sensação possível.
Fomos para o banho. Iniciamos beijos lentos. Silêncios confortáveis.
De volta ao quarto, disse que queria surpreendê-la.
- O que você tem em mente?
- Você vai ver.
Puxei-a delicadamente para a beirada da cama.
Comecei a chupar sua bocetinha.
No início, ela riu, dizendo que sentia cócegas. Aos poucos, porém, o riso deu lugar a outra reação.
- Nossa… isso é tão bom. Sua boca é tão quente. Sua boca… está me penetrando inteira… ah…
Continuei, atento às respostas do corpo dela. O ritmo mudou conforme ela se entregava mais.
As mãos dela vieram até meus cabelos. A respiração ficou irregular. Gritos.
Passei a acariciar seu clítoris enquanto minha língua adentrava mais ainda a sua intimidade.
Ela não aguentou e começou a se tremer, arfando.
E eu aproveitei para judiar.
- Para, ah… para, para por favor.
Não parei. Não ainda.
Até que ela me empurrou levemente, precisando de espaço para absorver o que sentia.
Fiquei ali, observando-a recuperar o fôlego. Os olhos fechados. A expressão ainda tomada pelo impacto do primeiro orgasmo.
- Isso foi… incrível. Eu… eu quero mais.
Sorri. E dei-lhe mais dois orgasmos antes de dormir.
- Você acabou comigo – ela disse enquanto aninhava-se em meu peito.
“E eu?”, me perguntei enquanto a via dormir.
Naquele silêncio, minha mente tentava me martelar, mas não me sentia culpado.
Adriana tinha Denis.
Wanda queria se divorciar, mas estava em aconselhamento. Aconselhamento para se divorciar?
E agora eu queria Wis.
Por pelo menos mais oito dias eu a queria muito.
No dia seguinte, não saímos. De repente, o mundo lá fora não parecia mais interessante. Nossos corpos preferiam se encaixar de tantas formas diferentes.
O que iniciou silencioso, passou a ser falado. Desejos e confissões se tornaram verbalizadas.
- Eu quero tudo de você, Bruno – ela dizia, ofegante, enquanto eu a estocava sem parar – Tudo… ah… tudo até você ir embora.
- Quero ficar dentro de você o tempo todo – eu respondia.
Nossa vontade estava concentrada naquele apartamento. Naquele momento, meu mundo era ela.
Ainda assim, havia um resquício de vida que exigia atenção.
Em um intervalo, fiz uma chamada de vídeo para minha mãe, algo que não vinha fazendo todos os dias como havia prometido.
- Você está com uma cara ótima, meu filho. Nova Iorque está te fazendo um bem danado.
O sorriso dela era de pura malícia. Ela sabia. Não neguei. Também não confirmei.
- Como estão as coisas? – perguntei.
- Não estou sozinha. Não se preocupe.
Ele riu. Talvez fosse uma forma de se defender.
- Seus amigos me fizeram companhia no sábado passado – ela continuou – Bebemos vinho e conversamos bastante.
- Que bom. Não quero que se sinta presa.
- Não ficarei, mas… estou avaliando em quanto tempo segurarei vela…
Rimos. Ela tinha percebido também. Óbvio que perceberia. Ela sempre foi melhor que eu nesse quesito.
Liguei para Bruna e perguntei por que os últimos dias estavam tão calmos. Quase não houve interrupções.
- Seu Trajano pediu que eu encaminhasse todas as suas demandas para ele filtrar e tentar resolver por conta própria enquanto o senhor está de férias – ela explicou. – Só devo interrompê-lo se for algo muito urgente.
- Ele não tem jeito, não é?
Ela riu. Desligamos pouco depois.
Observei os prédios da vizinhança, o sol iluminando as fachadas. Era um dia agradável, ideal para sair. E eu continuava não querendo isso.
Quando me virei, vi Wis encostada na parede, vestindo uma lingerie vermelha, mínima. O olhar falava por si. Pronta para fazer maldade.
- Gostou? Comprei especialmente para você.
Tentei dizer algo…
Ela caminhou até mim. A evolução da sua sensualidade era evidente. E meu desejo por ela crescia em proporção quase insuportável.
Caí na poltrona, hipnotizado pela luxuria que se iniciaria.
- Eu preciso fazer isso – disse, olhando-me nos olhos.
Ajoelhou-se entre minhas pernas e abriu minha calça, revelando meu membro já ereto. Sempre me impressionou como meu corpo reagia rápido demais diante dela.
Wis começou a acariciar meu pau com movimentos pequenos e atentos. Observava, mordia os lábios, absorvia cada reação. Havia admiração e desejo.
Iniciou com beijos leves. Laterais. Base. Depois a ponta. Em seguida, a língua, de forma cautelosa, exploratória. Por um instante, pensei que a novidade pudesse gerar desconforto, mas sua entrega superava qualquer hesitação.
Aos poucos, aprofundou o gesto, alternando intensidade e pausa. O ritmo crescia gradualmente. O calor, a umidade e a dedicação dela tornavam a experiência quase vertiginosa, ainda que inexperiente. Era o jeito dela – intenso, curioso, decidido. Estudado. E de uma forma que me alucinou por completo.
- Não para, meu amor – sussurrei.
Ela interrompeu por um segundo, sorrindo com ternura.
E voltou a me chupar. Por muito tempo. Sem pressa. Com entrega.
Quando percebeu que eu estava próximo do limite, pediu, em voz baixa, quase suplicando:
- Goza na minha boca, amor.
Arregalei os olhos. Na sua primeira vez. Ela assentiu, confirmando o que eu tinha escutado.
Ela intensificou o ritmo. Meus gemidos era obscenos. Não estava dando para aguentar.
Gozei.
Wis se assustou. Não tinha como. Surpresa, afastou-se um pouco. Um jato pegou em seu rosto. Quando entendeu a situação, abocanhou novamente meu pau na boca. E sentiu o restante dos jatos invadindo sua garganta.
Seus olhos lacrimejaram discretamente, mas não havia dúvida em sua expressão. Era escolha. Era curiosidade transformada em experiência.
Quando tudo terminou, ela tirou da boca e fez um movimento engolindo todo meu sêmen, limpando a boca a seguir com os dedos.
Ela respirou fundo. E sorriu satisfeita. Havia se preparado para aquilo. Do jeito dela.
- Você vai ter tudo. Nenhum homem no futuro vai ter algo de mim que você não tenha tido antes.
“Nenhum homem no futuro”.
A frase ecoou de um jeito inesperado. Ainda mais depois da declaração dela após nossa primeira vez. Um ciúme silencioso me atravessou. Possessivo, até. Ou talvez fosse apenas a consciência de que aqueles dias tinham prazo.
Ela percebeu.
Aproximou-se e apoiou a cabeça sobre minha coxa, próxima do meu pau ainda latente.
- Amei a cara que você fez agora – disse.
Continuei em silêncio.
Ela ergueu o olhar.
- Sinal que estou em seu coração.
Não quis pensar muito. Estava tudo indo tão bem entre nós para pensar em conflitos.
Levantei-me e a levei nos braços até o quarto. Porta fechada. Trancada. O clique soou familiar. Retribuí sua dedicação com a mesma intensidade, devolvendo-lhe o prazer com minha boca, meus dedos e meu pau.
No começo da noite, nos convencemos a ir a um café noturno. Havia uma parede de giz para recados, algo que me chamou a atenção assim que entramos.
Ela estava radiante, mais sedutora, mais leve. Os movimentos tinham se tornado mais sensuais. O riso, mais fácil – e também mais malicioso. A voz mais firme, mais alta. Uma mudança perceptível desde o meu primeiro dia ali.
Eu também tinha mudado, embora não soubesse dizer exatamente em quê. Só sabia que tudo em mim orbitava em torno dela, ainda que eu tentasse não deixar isso tão evidente.
Conversamos por horas. Assuntos comuns: futuro, planos, ideias, experiências passadas, histórias. O tempo passou rápido. Para quem nos observasse, não havia dúvida: parecíamos um casal de namorados na melhor fase.
Perguntei sobre Tyler. Ela não titubeou.
- Sempre demonstrou interesse em mim. Dessa vez, não fechei as portas imediatamente. Dei alguma abertura, admito. Não por ele, por mim…
Baixei o olhar.
- Sabe… passei a me permitir mais desde que cheguei aqui, mas…
Voltei a encará-la.
- Mas deixei claro que tinha um namoradinho no Brasil. E que ele estava vindo em breve…
Assenti com um meio sorriso, tentando disfarçar o meu ciúme.
Perguntei sobre Matt.
- Lembra você – ela disse, direta.
Arregalei os olhos. Ela se divertiu com minha reação.
- O que achou deles? – perguntou-me, apoiando a mão no queixo, demonstrando evidente curiosidade.
- Tyler é furada, Matt é jogada.
- Foi pra rimar?
- Talvez…
Rimos.
Quis perguntar sobre Wanda e a relação delas, mas nenhum momento me pareceu apropriado para isso.
Enquanto eu pagava a conta, notei que Wis se aproximou da parede de giz. Quando me aproximei também, ela já se afastava, dizendo que ia chamar um Uber.
Vi o que ela havia escrito: “Bruno & Wis Nara”. E um coração desenhado ao redor.
Sorri.
Logo abaixo, escrevi: UDSSNDDN.
“Será que ela entenderia?”, pensei.
Ela voltou.
- Vamos. A Uber está chegando.
Mas, antes de sairmos, ela viu a sigla. Olhou para mim com um sorriso suave. Aproximou-se e me abraçou com um beijo. Se entendeu o significado, nunca me contou.
No Uber, era uma mulher dirigindo. Não que eu fosse contra, longe disso – apenas achei curioso. E, de certo modo, suspeito. Os motoristas anteriores tinham sido sempre homens.
Ela conduzia o carro devagar, como se apreciasse cada rua.
A mão de Wis, por sua vez, aproximava-se cada vez mais do meu pau. Não demorou e a ereção ficou visível. Era inevitável. Nem mesmo a tensão da situação conseguiu impedir.
Ela me olhou e fez um gesto pedindo silêncio, com um sorriso largo no rosto.
Em seguida, ela tirou meu membro fora e se inclinou até ele, começando a chupá-lo. Inclinei a cabeça levemente para trás, tentando manter a aparência de normalidade.
Eu olhava para a motorista de relance, mas ela parecia alheia. Séria. Profissional. Ainda assim, não pude evitar a suspeita de que Wis tivesse planejado aquilo.
Estava aprendendo a se permitir. Ou sempre fora assim e eu nunca tinha visto?
Relaxei.
Fechei os olhos por instantes, controlando a respiração. Meus gemidos saíam baixos, contidos.
Até que gozei em sua boca.
E ela, cada vez mais segura, engoliu tudo novamente.
Ao se erguer, sua expressão era de satisfação plena. Mais uma vez. Sorriu com cumplicidade. Eu também.
No elevador, ficamos lado a lado.
- Você me paga – falei.
- Eu aceito.
No quarto, não houve tempo para qualquer preparação. A urgência voltou a nos dominar. Posicionei-a de quatro, na beirada cama. Calça arreada. Coloquei meu pau para fora e meti. Estoquei sem parar, sem descanso. Com força. Com gemidos vorazes e selvagens.
Gozei. E não parei. Continuei metendo. Metendo sem parar. Gozei de novo e mais uma vez.
Sentia-me insaciável com Wis. E ela demonstrava o mesmo.
Faltavam sete dias.
“Onde iríamos parar?”.
Mas paramos, caímos exaustos sobre a cama, ainda parcialmente vestidos, olhando um para o outro. Conversamos pelo olhar. E isso parecia ir a um nível além.
Ela disse:
- Quero todas as suas versões entre quatro paredes…
Sorri. E sabia que ainda haveria mais.
A madrugada avançava sem controle. Ela, de joelhos no chão, me chupava com uma intensidade quase feroz. Eu, já sem qualquer contenção, acompanhava o ritmo, fodendo sua boca cada vez mais dominado pelo momento.
Pequenas lágrimas escorriam de seus olhos, mas ela não parava. Nem eu.
Quando me afastei por um instante, ainda tomado pela excitação, senti surgir um impulso estranho, quase primitivo – a vontade de marcar aquele momento, de torná-lo ainda mais visceral.
Dei-lhe um tapa no rosto.
Ela me olhou com um misto de desafio e entrega.
Outro tapa. E mais um.
- Bate – ela ordenou – Me faz tua putinha.
O que se seguiu foi o sexo mais intenso que já tivemos. Movimentos bruscos, arranhões, puxões de cabelo, mordidas, tapas, marcas que surgiam sem que nenhum de nós se contivesse. Havia reciprocidade. Havia excesso. Havia um tipo de entrega sem filtros.
Eu sentia que era o meu ápice. E também o despertar dela para um território que até então só existia como possibilidade.
Em determinado momento, notei um lubrificante na mesa de cabeceira. Ela percebeu minha expressão e se deliciou com isso.
Wis se posicionou de quatro na beirada da cama, como já fizera tantas vezes nos últimos dias.
- Eu quero atrás – disse, em voz baixa, mas firme – Eu quero com você.
A visão era obscena e maravilhosa ao mesmo tempo. Irresistível.
Aproximei-me com cuidado. Dediquei tempo a prepará-la, respeitando o ritmo do corpo dela. Chupei seu cuzinho. Aos poucos, a tensão inicial deu lugar à expectativa. A respiração dela mudou. O corpo respondeu. Sua bocetinha ficou encharcada sem eu ao menos tocá-la.
Peguei o lubrificante e com meus dedos, passei a lambuzar sua entradinha. Primeiro com um dedo. Depois com dedos. Fui metendo aos poucos, fazendo-a relaxar, preparando para o meu pau.
Ela transparecia mais expectativa do que dor. Sinal que também havia se preparado para aquilo.
Enfiei meu pau com cuidado. Mesmo preparada, ela se contraiu. As mãos apertaram o tecido da cama. Permaneci imóvel por alguns instantes, permitindo que se acostumasse.
- Entrou tudo, meu amor – falei – Vou esperar um pouco pra você se acostumar.
Com o tempo, o corpo dela relaxou. Ela começou a se mover, primeiro de forma tímida, depois com mais confiança. O ritmo se estabeleceu gradualmente.
Comecei a meter. Devagar. Depois acelerando cada vez com mais força. Ela gemia.
- Vem… agora está bom. Nossa… está muito bom mesmo. Continua…
Os sons aumentaram. As falas. A obscenidade. O tesão. Tudo acumulou.
Estoquei muito forte, segurando seus ombros. Puxando seu cabelo. Dando tapas em sua bunda. Até que gozei dentro de suas entranhas. Acredito que fui ao nirvana.
Permaneci dentro dela por alguns segundos antes de me afastar. Ela se levantou e foi ao banheiro, ainda sensível, talvez apenas querendo se recompor. Envergonhada, talvez. Mas tudo tinha sido perfeito, ela sabia disso.
Minutos depois, mais calma, ela voltou para a cama e nos abraçamos, sem roupa.
- Como você se sente? – perguntei.
- Livre.
Ela passou a mão de leve pelo meu peito.
- E você? – perguntou.
- Completo.
Nos beijamos em silêncio, por um bom tempo, até que ela adormeceu primeiro.
Fiquei a observando. As marcas em nossos corpos – arranhões, vermelhidões, cabelos desalinhados – eram evidências do que tínhamos vivido.
A vida que eu tinha antes desse mês em Nova Iorque parecia algo muito distante, quase inacessível. Wis tinha capturado toda minha atenção de uma forma que eu jamais imaginaria ser possível.
Eu ainda queria pensar, refletir e entender. “Por que tudo isso?”, eu me perguntava. Mas eu simplesmente não conseguia. Mais que isso, eu não me importava.
Wis Nara tinha sido minha e eu tinha sido dela. Havíamos nos atravessado por inteiro. Só isso me interessava. E eu ainda queria mais.
Adormeci em seguida.
Os dias seguintes continuaram dedicados a nós dois. Ela recusou novos convites da sua turma. Passamos mais tempo no apartamento do que fora dele.
O habitual era estarmos sem roupa. Nos provocando. Nos marcando. Nos entregando um ao outro. Explorando diferentes ritmos, posições e sensações.
Também houve muitas declarações. Palavras cada vez mais intensas, obscenas. A possessividade que nutríamos um pelo outro parecia elevada à décima potência.
Nos últimos dias da viagem, Wis me levou à Ponte do Brooklyn à noite. Caminhamos de mãos dadas, conversando bastante – principalmente sobre nós.
- Esses dias foram os mais felizes da minha vida. Vou guardar cada momento no meu coração.
Parei e a encarei.
- Eu também. Nunca me senti assim antes. Feliz. Com você.
Ela sorriu, e voltamos a caminhar. Em seguida, mencionou Wanda e Adriana. Um frio percorreu meu estômago. Um incômodo antigo ressurgiu – não esquecido, apenas adormecido.
- Meus pais conversaram comigo quando elas brigaram. Foram duros. Eu me sentia muito culpada por elas e por você. Nunca tinha pensado nas consequências do que fiz.
Olhei para ela com atenção.
- Por mais que você me agradeça, hoje eu pensaria mil vezes antes de agir daquela forma. Conversaria antes com as pessoas envolvidas. Sua mãe. Adriana. Tentaria entender tudo de maneira mais ampla.
O olhar dela se perdeu por um instante no rio.
- Mas, de uma forma ou de outra, você saberia da verdade. Eu não abriria mão disso. Mesmo fazendo diferente, de um jeito mais… correto. Nem meus pais conseguiriam me convencer do contrário.
Abracei-a. Não disse nada. Não precisava. Ela sabia que minha gratidão era incondicional.
- Durante o sermão – continuou – mamãe me perguntou o que eu queria com tudo aquilo. Foi uma pergunta simples. E ela não me deu nenhuma pista de como responder. O olhar dela era firme. Ela tem o poder de deixar qualquer um completamente exposto. Por isso é o pilar da nossa casa.
Respirou fundo.
- Então… pensei nisso por dias, semanas. Não tinha uma resposta clara. Ou talvez tivesse e não quisesse admitir. Mas… quando te vi no aeroporto, soube que queria você de um jeito ardente. Quase doentio. Não sei se isso responde à pergunta dela. Mas foi uma verdade que senti por inteiro, com cada célula do meu corpo.
Wis virou-se para mim. Os olhos marejados. Em silêncio, limpei uma lágrima que insistiu em cair.
- Obrigada por ter vindo, Bruno. Eu precisava de você de tantas formas diferentes que levaria uma vida inteira para enumerá-las.
Nos beijamos. Com calma. Com… amor.
- Ainda temos dois dias – sorri – Vamos aproveitar.
- Eu sei. E vamos. Amanhã, tenho um sonho para realizar. Vamos para uma balada, só nós dois?
- Vamos. Também tenho um sonho com você.
Ela sorriu. E continuamos caminhando, enquanto as luzes da cidade refletiam no rio como se tudo, ali, estivesse suspenso no tempo.
No penúltimo dia, acordei mais tarde que o habitual, depois de mais uma noite intensa. Wis já estava de pé – provavelmente havia algum tempo. Vozes vindas da sala chamaram minha atenção. Reconheci timbres familiares. Vesti uma camisa e fui até lá.
Wis estava sentada no chão, com o notebook apoiado na mesa de centro. Participava de uma chamada de vídeo com Wanda e Wendy. As três riam e trocavam novidades. Naquele momento, era Wendy quem falava animadamente sobre um tal de Lucas, um paquera recente.
Encostei-me na parede e fiquei observando. Era a primeira vez que via as três irmãs conversando agora como mulheres adultas e independentes. O nível cumplicidade e companheirismo era palpável. A naturalidade me deixava em choque. Havia algo ali que transcendia o normal em relações fraternais.
Então ouvi a voz de Wanda interromper a irmã:
- Parece que alguém acordou…
Wis virou-se para trás e me ofereceu um sorriso afetuoso.
- Boa tarde, Bruno.
Engoli em seco. Senti o rosto aquecer. Já era… tarde.
Wanda e Wendy também me cumprimentaram com uma alegria genuína que me constrangeu. Aproximei-me com cuidado, por trás de Wis, e fiz um aceno leve.
- Boa tarde, senhoritas – eu disse, em tom solene, enquanto elas retribuíam a fala.
Antes que o clima pudesse ficar estranho, Wendy me perguntou:
- Como tem sido essas semanas em Nova Iorque, Bruno?
Por um momento, pensei que a pergunta tivesse vindo carregada de malícia, mas o semblante dela dizia exatamente o contrário. Era uma curiosidade genuína.
- Tá frio. E quente… os dias.
Devo ter corado porque as três riram uníssonas.
Olhei para Wis. E para Wanda. Não vi nenhum incômodo nelas por tudo que nos envolvia e entrelaçava. Até aquele momento não tinha pensado que eu pudesse ter sido… inconsequente.
Mas incômodo mesmo foi o silêncio que se seguiu. Desconfortável. Elas, por outro lado, curiosas.
– Bom… vou deixá-las mais à vontade – foi o que consegui dizer – Até mais, Wanda. Wendy.
Virei-me rapidamente, querendo escapar dali. Nem lembro se elas responderam. Nem qual reação tiveram. Percebi subitamente que não conseguia encarar Wanda por muito tempo. Sentia-me… culpado?
Antes que eu saísse, porém, Wis me lembrou da balada à noite:
- Não esquece, hein?
Assenti.
- Claro. Vamos sim.
Voltei para o quarto o mais rápido que pude. Me tremia. E suava frio. Havia um constrangimento difícil de explicar. Ou eu queria fechar os olhos para isso? Não entendi por que me afetava tanto.
Quando a chamada terminou, Wis foi até o quarto e se deitou sobre mim.
- Conversei com sua mãe mais cedo.
A frase me arrancou de um fluxo de pensamentos angustiantes.
- Como foi? – perguntei.
- Pedi desculpas. Falei tudo o que precisava, com sinceridade. Ela também falou do ponto de vista dela. Choramos. Rimos. E, claro, falamos muito… de você.
O sorriso dela era uma misto de resignação e de alívio.
- Fico feliz por isso.
- Ela me disse algo interessante. Estou pensando nisso até agora. E acho que vou pensar por muito tempo.
- O quê?
- Disse que, no fim das contas, deveria ser grata a mim. Pelo que fiz. Acredita?
Minha mãe. Ela já tinha dito algo parecido para Wanda. Não deveria ter sido necessário um choque externo para nos reconectar. Fui ausente por tempo demais.
- Viu? – respondi. – Você fez o certo, apesar de tudo.
Sorri e a beijei. Primeiro leve. Depois mais demorado.
- Pensei em falar com Adriana… – Wis falou, entre os beijos – mas não acho que seria uma boa ideia.
- Por quê?
Ela hesitou um instante.
- Vou falar por mim. Tenho medo da minha possessividade por você.
Entendi. Eu também sentia algo semelhante em relação a ela.
- Adriana vai ficar bem – falei, tentando suavizar.
- Como você pode ter tanta certeza assim?
- Sinto isso. E ela… está namorando. O Denis. Meu funcionário.
Wis arregalou os olhos. Por um segundo, percebi que ela não sabia.
- Como você se sente com isso?
Pensei antes de responder.
- Vida que segue, Wis Nara.
Ela assentiu.
Depois disse, em tom mais reflexivo:
- É estranho que eu e a Adriana nunca tenhamos estado no mesmo ambiente que você. Parece que somos duas vidas completamente separadas dentro da sua história. Você não sente isso?
- É uma boa pergunta – admiti. – Não sei se tenho uma resposta agora.
- Quando tiver, me avisa?
Wis sorriu, meio travessa. Talvez nem ela levasse a pergunta tão a sério quanto parecia. Mas eu pensei um pouco.
- Eu e Adriana praticamente vivemos juntos por seis anos. Eu e você não tivemos contato nesse período. Só depois que terminei com ela.
- Verdade. Você teve mais tempo com ela, mas… duvido que tenha sinto tão intenso como foi comigo nesse mês.
- Essa confiança…
- Vai dizer que não gosta?
Respondi com beijos, abraços e cocegas. A risada dela me derretia também.
Depois, com mais calma, acabamos em um silêncio confortável por um tempo. Carícias de leve. Toques sutis. Apenas presença.
Então, impulsivamente, perguntei, como se escapulisse do meu controle:
- E a Wanda?
Wis levantou o rosto e me encarou. Seu olhar era indecifrável.
- O que tem ela?
- Ela parecia… bem. Contente.
- Sim. Por que não estaria?
Respirei fundo. Temia falar algo errado e estragar tudo que tinha vivido com Wis. Mas Wanda era um assunto que nos interligava sem nunca ter sido citado tão diretamente.
- Ela quer se divorciar… mas está em aconselhamento. Última vez que falamos, ela estava… confusa. Hoje, achei ela feliz…
Wis me estudou por um instante.
- Ela vai ficar bem. Não se preocupe.
- E vocês? Estão bem?
- Nós?
Ela me olhou confusa.
- É…
- Fala da briga dela com Adriana que foi por minha causa.
- Não… – me confundi entre palavras e pensamentos – Sim… é isso.
Wis sorriu. Deve ter percebido minha confusão também.
- Estamos bem, Bruno.
Ela voltou a deitar a cabeça sobre meu ombro.
- Eu e Wanda não somos convencionais. Já te disse isso. Não nos medimos por favores, erros e mágoas. E é preciso muito mais que um homem pra quebrar a ligação existente entre nós.
Engoli em seco.
- Eu nunca quis atrapalhar a relação de vocês.
Wis levantou novamente o rosto. Agora mais confusa, mais séria.
- Atrapalhar?
Não respondi. Palavras me faltaram. Como eu poderia explicar para Wis minha situação com Wanda, a carta, nós?
- Eu estava falando do Vitor. Por causa dele, tivemos uns desencontros no passado, mas acabamos por nos entender. Meu amor por ela é incondicional.
Respirei um pouco aliviado. Ela percebeu.
- Você nos uniu, Bruno. Acho que eu deveria pensar como sua mãe e te agradecer por isso.
Olhei para ela sem entender.
- Foi graças a você que meu vínculo com Wanda ficou muito mais forte, muito mais profundo.
- Não acho que eu tenha tido tanta influencia assim.
- Teve sim. Você não imagina o quanto.
- Mas… não me acho uma boa pessoa. Fiz coisas erradas, inclusive com sua irmã. E eu traí Adriana. Devo ter perdido muitos pontos contigo…
- Deveria, não é? Mas quanto mais penso nisso, mais percebo que se você fosse perfeito, você não estaria aqui comigo.
Não havia julgamento em seus olhos.
- Profundo – balbuciei.
- Também não sou perfeita, Bruno. Basta você pensar direitinho…
Deitou-se novamente sobre mim, agora de olhos fechados.
- Nada entre você e Wanda vai mudar por nossa causa – ela concluiu.
Ela sabia de tudo.
Relaxada, ela acabou cochilando. Respirava tranquilamente. Diferente do turbilhão que estava a minha mente.
À noite, fui impactado pela visão estonteante de Wis Nara.
Ela vestia uma saia curta demais para ser casual. Foi a primeira coisa que me chamou atenção. Justa, preta, moldando o quadril com precisão quase deliberada. A barra mal passava da metade da coxa e subia um pouco a cada passo, revelando a extensão das pernas e o desenho firme das curvas. Era um convite à perdição.
A blusa era mínima. Alças finas, tecido leve, decote calculado. Suficiente para sugerir sem expor. A cintura marcada. O corpo mais solto. Mais consciente. Havia um tipo novo de confiança nos movimentos dela – não exibicionista, mas assumida.
O salto alto alongava ainda mais as pernas. O cabelo solto caía pelas costas. A maquiagem marcava os olhos com precisão. A boca, em tom profundo. Ela não parecia fantasiada. Parecia decidida.
A sexualidade que antes surgia em hesitação agora existia em propriedade. Em escolha.
Parou à minha frente. Sustentou o olhar por um instante.
- Hoje à noite será especial – prometeu.
Sorri como um predador. Ela retribuiu. Seria nossa última vez.
A balada ficava no subsolo de um prédio antigo do Lower East Side. A entrada era discreta, quase escondida entre duas fachadas grafitadas. Uma escada estreita descia para um corredor de tijolos aparentes, levemente úmido, iluminado por lâmpadas vermelhas que pulsavam no ritmo da música que vinha de baixo.
Lá dentro, o espaço era denso. Teto baixo, concreto exposto, luzes cortando a fumaça em feixes oblíquos. O som vibrava no peito antes de chegar aos ouvidos. Não era um lugar de turistas. Era um lugar de quem sabia o que queria da noite.
Um lugar para excessos controlados. E despedidas.
A pista estava cheia, mas havia espaço para nós. Dançávamos próximos. Às vezes colados. Às vezes apenas o suficiente para manter contato. Nossas mãos demoravam um pouco mais do que o necessário. Os olhares também.
Bebemos. Rimos. Nos beijamos sem urgência, mas com intensidade crescente. A música vibrava, mas o centro da noite estava entre nós.
Ela se entregava a mim. Deixava claro que era minha. Que os outros só poderiam olhar, no máximo admirar. Eu era seu dono. Seu olhar verbalizava a minha posse.
Havia euforia. Havia consciência. Havia um fim se aproximando – e ambos sabiam.
Em determinado momento, ela se aproximou do meu ouvido.
- Ainda temos uma coisa para fazer.
Ela me guiou para fora da balada. Saímos de mãos dadas.
A rua estava úmida. O asfalto refletia a luz amarela dos postes. Vapor subia de um bueiro próximo. A cidade seguia viva ao redor, mas ali havia um pequeno intervalo de silêncio.
Ela me conduziu até um beco lateral, estreito, de paredes de tijolo escuro. Parou. Olhou para mim. Havia nervosismo. E vontade.
- Minhas amigas já fizeram isso com seus namorados, e eu sempre quis fazer com o meu.
Meu pau ficou duro.
- Estamos namorando? – perguntei, querendo brincar.
Ela não titubeou.
- Até você ir embora, sim.
Não era impulso. Era fantasia. Era risco. Era proibido. Era um presente de despedida.
O momento carregava mais significado do que urgência. Mais memória do que imediatismo.
Ela se ajoelhou, tirou meu membro para fora e começou a me chupar com uma vontade que superava toda uma vida.
Nossos olhares se encontraram por um instante. O desejo de deixar uma marca. Uma lembrança. Algo que pudéssemos guardar no fundo do coração, na profundeza da alma.
A cidade parecia alheia. O tempo parecia suspenso naquele pequeno espaço entre as paredes.
Sabíamos que aquela noite não era apenas mais uma. Era a última noite inteira que teríamos ali.
Uma realização. Um rito. Um fechamento.
Olhei novamente para ela, totalmente dedicada ao meu pau, e senti algo se estabelecer definitivamente dentro de mim.
- Eu te amo, Wis Nara. Te amo com tudo que tenho direito. Você me conquistou. Meu coração é seu.
Ela sorriu. Vencedora. E também uma predadora.
Intensificou os movimentos. Uma vontade avassaladora nos dominou. Não dava para parar. Gozei muito em sua boca. E ela engoliu tudo.
Olhando de baixo, encarou-me mais uma vez. Um sorriso agora carinhoso no rosto.
- Você me deu tudo, Bruno. Realizou meus sonhos. Você deixou de ser meu amor platônico e passou a ser um amor real. Você vai sempre morar no meu coração. E um dia… não sei quando, talvez em outra vida, seremos só eu e você. Prometo.
Ajudei-a a se levantar. Ficamos abraçados por um tempo. Depois nos beijamos com calma.
- Vamos para o apartamento. – ela intimou – Não quero que a gente saia do meu quarto até a hora de você ir embora.
Nossa noite continuou ardente. O quarto testemunhou nossa entrega total e absoluta. Fizemos de tudo. Empilhamos orgasmos. Não demos tempo ao cansaço. Sequer lembro de ter dormido. Muito menos ela.
Não nos desgrudamos. Nem quando arrumava minha mala. Nem quando preparávamos o café da manhã. O último daquele jeito, daquela forma.
Havia um clima de nostalgia no ar, mas nenhum dos dois se entregava à inevitável melancolia do fim.
Ofereci minha camisa dos Beatles a ela. Seria meu presente de recordação – o que aceitou de bom grado.
- Se você não me desse, eu ia te pedir de qualquer jeito – brincou.
Depois, ela foi até a coleção de Hot Wheels e me entregou a miniatura de uma Ferrari clássica vermelha.
- Por que esse? – perguntei.
- Porque é assim que me vejo quando estou com você.
Wis também me entregou seus fichários.
- Pode levá-los com você? Gostaria que entregasse ao papai. Não preciso mais deles.
- Entrego, sim.
Ainda tínhamos pouco mais de uma hora antes de ir ao aeroporto. A ociosidade nos fazia bem porque nos excitava.
Coloquei meu pau para fora enquanto ela abaixava a calça. Puxou a calcinha de lado e sentou-se em mim, deixando-me penetrá-la profundamente.
Não havia movimentos. Apenas conexão. Mais uma. A última.
Nos olhamos sem dizer palavra alguma. Não era necessário.
Trocamos carícias. Toques no rosto. Sentimos o calor que emanava e que nos dava energia.
E nos beijamos.
Beijamos até praticamente chegar a hora de sair.
Então aceleramos e, por fim, injetei meu último sêmen dentro dela. Minha marca final.
Não tivemos muito tempo para apreciar aquele término. Levantamo-nos apressados.
Ajeitei a calça.
Ela ajustou a calcinha e vestiu a própria calça, sem se importar com meu leite escorrendo de sua intimidade.
Felizmente, o Uber não demorou. No carro, de mãos dadas, apreciávamos em silêncio o último instante do nosso namoro.
No aeroporto, antes de entrar para a área de embarque, despedia-me de Wis Nara. Eu estava numa espécie de torpor. Lembro apenas de fragmentos do que ela disse, porque me concentrava mais em seus beijos do que nas sua palavras.
- Atualiza mais o teu Instagram, ok? Quero ver sua vida passando…
O pedido era justo.
- Você precisa seguir em frente. Com ou sem ponta solta.
- Entendi – respondi.
- Mesmo que queiram dizer o contrário, a gente não deve nada a ninguém.
Não entendi de imediato. Devo ter feito alguma expressão de confusão. Ela apenas ignorou.
- Não se preocupa comigo. Resolve sua vida no Brasil e seja feliz.
“Como não me preocupar com você?”, pensei em questionar.
- Sei que seu coração está no Brasil…
- Ele está aqui – interrompi.
- Não completamente – ela sorriu. – Mas fico feliz que uma parte dele me pertença.
Nos beijamos.
- Se você ficar entediado no voo, lê meus fichários. Acho que vai gostar.
Aquilo me despertou curiosidade de novo.
Por fim, ela disse:
- Você não deveria ficar preso à Wanda ou à Adriana. A vida é cheia de possibilidades. E as suas estão longe de se esgotar.
Olhei-a, atônito. Onde ela queria chegar?
- Não deixe o peso em seu coração ser maior do que já é…
- Está falando da Érica? – desconversei.
- Eca. – A expressão de nojo foi quase cômica. – Ela não chega aos meus pés.
Sorri e a beijei, sem resistir a carinha emburrada que ela fez.
Era hora de ir. Vi seus olhos se encherem outra vez. Ela se controlava, mas até ela parecia não querer aceitar aquele fim.
Mas ainda assim, tentou tratar com normalidade.
- Parece até que nunca mais vamos nos ver, nos falar… lembra que temos a nossa mentoria? Eu estou te pagando por isso. E quero continuar com nossos estudos…
Sorri. Bem aberto. O vínculo continuaria de alguma forma.
- Não se atrase ou vou cobrar multa.
- Nunca me atrasei, bobo – ela respondeu, me dando língua.
Nos beijamos mais um pouco. Selinhos rápidos. Como se lutássemos contra uma força invisível que já estivesse nos separando.
Então ela fez uma promessa:
- Se em sete anos você ainda estiver solteiro, eu me caso com você.
Antes que eu respondesse, ela saiu correndo.
Quando já estava a alguns metros, virou-se uma última vez. Sorriu. Disse, em silêncio, apenas com os lábios:
- Bruno.
- Wis Nara – respondi, também sem som.
Ela acenou e continuou correndo. Para longe de mim. E ainda assim, comigo.
Enquanto esperava a chamada para o embarque, uma mulher se aproximou de mim. Também era uma brasileira.
- Moço, está tudo bem?
Olhei para ela, confuso.
- Por quê?
- Você está chorando.
Eu nem tinha percebido.
- Ah… uma despedida… – foi o que consegui dizer.
- Isso passa.
Ela falou com um sorriso afetuoso e se sentou algumas cadeiras adiante. Nunca soube o nome dela.
No avião, sob a luz baixa da cabine, Nova Iorque foi ficando para trás. Junto com ela, o cheiro de Wis, seu beijo, seu sorriso e seu calor.
Foi exatamente como tinha que ser. Nada fora do tempo. Nada por acaso.
Eu sabia o que deveria fazer a seguir. De uma forma ou de outra… sabia.
Fiz conexão em Miami. Tive que esperar quase três horas. Abri as redes sociais. Wis havia postado sua primeira foto no Instagram.
Nós dois no Central Park. Ríamos, olhando um para o outro. Havia carinho, amor e cumplicidade. E muito significado interno. A legenda:
“Mood: guia turística”
Sorri. Curti. E respondi: “💙”.
Nas curtidas, quase todo mundo: minha mãe, Trajano, Cecília, Remo, Wendy e… Wanda.
Continuei navegando, mas nada parecia relevante. Fui para as mensagens. Nenhuma de Wanda. Isso me deu algum alívio. Não era hora.
Havia, também, várias mensagens de Remo, todas reclamando.
> Remo: Sumido… ok… eu também sumiria. É a Wis, po. Você tá certo. Mas manda um oi, FDP.
Remo não tinha jeito. E eu gostava demais dele. Um amigo que demorei a reconhecer.
Combinei com minha mãe o horário em que ela me buscaria no aeroporto. Ela confirmou que Remo e Érica estariam com ela, me esperando.
> Bruno: Bom que vocês me levem pra comer pizza. Vou estar morrendo de fome.
> Mãe: Acho uma ótima ideia.
Havia mensagens em grupos de hobbies e da faculdade. No grupo dos antigos alunos, o assunto era casamento. Vi mensagens de Remo e de Denis. Quis ser cordial:
> Bruno: Denis, quando for casar, me convida. Não esquece dos amigos.
Mandei sem pensar. Nem lembrava, naquele instante, que ele namorava Adriana. Percebi o erro quando os minutos passaram e ele não respondeu.
De repente, um grupo antigo com Remo e Érica voltou à vida:
> Remo: mano, tu é doido? Tá zoando o cara? Sacanagem, po kkkk
> Bruno: eu? não entendi
> Remo: tu não sabe?
> Erika: ele não sabe
> Erika: eles terminaram, Bruno.
Meu coração acelerou.
> Bruno: mas… como? Eles mal começaram
> Erika: esse é o problema. Ela não gostava dele. Foi só pra te provocar
> Erika: Denis está arrasado, mas sabia dos riscos.
Fiquei em silêncio. Senti pena do Denis. Gostava dele de verdade.
> Bruno: nem sei o que dizer
> Remo: a verdade é que ela não te superou, mano
> Erika: falei com ela esses dias
> Erika: ela evita saber qualquer coisa de você
> Erika: mas disse que se sente como uma princesa acuada que nunca será salva pelo príncipe encantado
> Remo: pra ela falar assim, só pode não tá bem da cabeça
> Erika: ela não tá bem, Bruno, e precisa de você
> Bruno: obrigado por me contar
> Bruno: preciso pensar
O voo para São Paulo seguiu pesado. Estava angustiado por Adriana. E sem saber o que pensar por Wanda. E pelo que me esperava.
A confiança que eu tinha ao embarcar em Nova Iorque já não era a mesma. Tudo parecia em aberto.
Já em São Paulo, tarde da noite, fomos a uma pizzaria nos Jardins por indicação do Remo. O clima à mesa era estranho. Todos estavam simpáticos demais, mas acredito que ninguém quis comentar o elefante na sala. Achei melhor assim.
De volta ao meu apartamento, tudo parecia igual e, ao mesmo tempo, diferente. Um contraste que me incomodava. Minha mãe não insistiu em conversar. Meu semblante cansado deve ter sido convincente.
Pensei em Wanda, mas ainda não queria falar com ela.
Pensei em Adriana, mas já não tinha mais certeza do que eu realmente queria com ela.
Pensei em Wis…
Era estranho pensar nela. Em Nova Iorque, não tinha dúvidas de amá-la com todas as minhas forças. Em São Paulo, por outro lado, não saberia dizer se era amor. Não doía. Não deu saudade. Havia paz. E uma nostalgia. Uma sensação de algo que tinha tudo para ser vivido, mas não naquela vida. Mas eu poderia estar errado.
No fim das contas, o cansaço me venceu.
No dia seguinte, quinta-feira, voltei a trabalhar na PHX. Fui recebido efusivamente pelos meus sócios, incluindo Trajano, que estava presencialmente.
- Seja bem-vindo de volta, meu querido Bruno – disse ele. – Espero que tenha aproveitado muito bem sua estadia em Nova Iorque.
- Foi excelente. Wis Nara se provou uma ótima guia turística.
- Tenho certeza de que sim.
Ele me deu um sorriso aberto, cúmplice até. Não retribuí com tanto entusiasmo, pois estava constrangido demais.
Não vi Denis. Quis perguntar por ele, mas não encontrei brecha para isso sem parecer desrespeitoso com a situação dele.
No restante da manhã, Bruna me atualizou sobre as últimas novidades e confirmou minha agenda para o restante da semana e da próxima.
Fui almoçar sozinho.
Senti um vazio imenso. A nostalgia me atingiu em cheio. Um mês almoçando ao lado de Wis pareceu uma vida inteira.
Quanto mais eu pensava, mais percebia que eu não era mais o mesmo. Wis também tinha me mudado. Ela havia deixado algo em mim que eu ainda não sabia nomear. E isso me causava um frio na barriga pelo que viria pela frente.
Curiosamente, uma outra parte de mim parecia resistir a essa mudança. Como se houvesse uma corda invisível que me puxasse de volta para ser o que sempre fui.
O almoço não parecia tragável. Suspirei, resignado.
Enquanto voltava para a PHX, com uma frustração que não sabia explicar, decidi não pensar demais. E fiz uma escolha deliberada, agindo por impulso. Fui até a XP, desviando da minha rota original. Queria ver Adriana. Sem planejamento. Apenas emoção.
Estacionei alguns quarteirões antes e segui a pé. Imaginei que a caminhada clarearia a mente. Ensaiei argumentos para que pudessem chamá-la de forma convincente.
Nem percebi quando já estava em frente ao prédio.
Então eu a vi. Um golpe de sorte do destino?
Tremi. Não esperava vê-la ali.
Estava em frente ao prédio.
Vestia uma saia preta justa, meia-calça, salto alto e uma blusa azul-escura. Corporativa. Executiva. Linda. A mulher que ajudei a transformar e crescer. Ela, quem amei e sempre me orgulhei por também ter ajudado a formar profissionalmente.
Mas… ela não estava sozinha.
E seu semblante era de indignação.
Então o vi também.
Vitor.
Buscando a atenção enquanto ela tentava se afastar.
Pude ler claramente seus lábios: “Sai de perto de mim. Não quero falar com você”.
Ele avançou mais um passo, ignorando as pessoas ao redor que já observavam a cena.
O gesto dela para se desvencilhar tornou-se mais incisivo.
Ele segurou um dos braços dela.
Queria sua atenção à força.
Saí da inércia e acelerei o passo.
- Me solta! – ouvi o grito dela.
- Calma, eu só quero falar uma coisa… – disse ele, já visivelmente alterado pela atenção indesejada.
Corri.
Ele não desistia.
Gritei:
- Solta ela, Vitor!
Os dois se viraram para mim. Atônitos.
Uma princesa.
E uma cena que parecia saída de um roteiro antigo.
Parecia cômico se não fosse trágico.
Ceguei. Não pensei. Apenas fui.
Parti para cima de Vitor.
Minha mão atingiu o queixo dele com toda a força acumulada.
No calor do momento, tudo pareceu virar um borrão.
Não havia mais volta.
O fim dessa história estava chegando.
Continua…
Espero que gostem. Desde já, ficarei grato com qualquer comentário, crítica ou elogio. Próximo capítulo em alguns dias.
Algumas considerações:
IDADES DOS PERSONAGENS
Com 61-62 anos: Trajano.
Com 52-57 anos: Cecília e Marluce.
Com 30-31 anos: Gustavo.
Com 27-28 anos: Bruno, Wanda, Vitor, Remo, Érica, Denis, Larissa e Renata (melhor amiga de Larissa, dos tempos da faculdade de Jornalismo).
Com 26-27 anos: Adriana.
Com 25-26 anos: Bruna (nova secretária de Bruno, contratada depois que Adriana foi pra XP).
Com 23-24 anos: Lucas (paquera de Wendy).
Com 21-22 anos: Wendy, Tyler, Matt, Kelsi.
Com 20-21 anos: Wis, Anna, Brenda.
Para saber mais de Larissa, ver capítulos 2, 3 e 11.
Para saber mais de Renata, ver capítulos 2 e 3.
CAPÍTULOS FINAIS
A priori, teremos mais quatro ou cinco capítulos ainda. Esse capítulo 14 é uma continuação do capítulo 13, mas que quis desmembrar. Esses dois capítulos constituem o penúltimo capítulo no meu planejamento inicial. De agora em diante, é reta final. Pretendo finalizar a história por completo no mês de março.
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